sábado, fevereiro 21, 2009

A caixa de pandora

Alguns amigos ficaram curiosos de saber o que veio na caixa que recebi, cortesia do Franco de Rosa, e que vai servir para me divertir nesse período de carnaval. Abaixo, alguns dos livros e álbuns que recebi:


















Carnaval? O meu vai ser assim...

A coisa tá feia para os lados do Sambódromo. Tenho recebido no meu e-mail protestos públicos de pessoas e instituições reclamando da atuação da presidente da Liesa. É a Associção Brasileira de Agências de Viagens, o Sindicato dos Jornalistas, o jornalista Chico Terra... a jornalista Alcinéa Cavalcante, que foi proibida de fazer a cobertura do carnaval, fez, no seu blog, um resumo da situação.

Ainda bem que vou estar muito longe dessa confusão. Tínhamos pensado em viajar para o interior, mas com essa chuva... devo ficar em casa, terminando um livro para a editora Escala e lendo. Recebi recentemente uma caixa de livros e álbuns, cortesia do meu amigo Franco de Rosa. Publicações da Conrad, Opera Graphica, Devir... Tanta coisa que mal dava para carregar a caixa. Entre as pérolas, o luxuoso livro Tentação à Italiana, do jornalista Gonçalo Jr, sobre os quadrinistas eróticos italianos. Esse deve ser o primeirão da lista. Mas tem muita coisa mais, entre eles a coleção completa do jornalista-quadrinista Joe Sacco, que ficou famoso por suas reportagens sobre a situação da Palestina, sempre na forma de quadrinhos.

Mais nomes estranhos

Sempre é bom lembrar que o primeiro fator para uma que uma marca se estabeleça no mercado é um bom nome. Então, com vocês, mais alguns exemplos de nomes estranhos, bizarros ou engraçados (ou tudo ao mesmo tempo):




E, para fechar, uma pérola da publicidade:

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Dica de blog: O educador sofista.

Inglorious Basterds tem novos pôsteres


O site 100 grana divulgou três pôsteres do filme Inglorious Basterds, novo filme de Quentin Tarantino. No filme, uma mulher que viu a família ser assassinada por nazistas quer se vingar e encontra com uma uma tropa de soldados americanos que havia sido presa pelos alemães e também quer... vingança! Os cartazes já dão a entender o que nos espera...

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

MPF abre inquérito contra Maurício de Sousa Produções por publicidade infantil



Portal Imprensa
A Promotoria de Justiça do Consumidor e a Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses Coletivos e Difusos da Infância e Juventude de São Paulo abriram um inquérito civil contra a empresa Maurício de Sousa Produções Ltda - responsável pelas revistas em quadrinhos da Turma da Mônica - por publicidade voltada a crianças.
No dia 5 de março de 2008, o "Projeto Criança e Consumo", do Instituto Alana, enviou uma notificação sobre publicidade infantil à Maurício de Sousa Produções e à editora Panini, que publica as revistas em quadrinhos. Leia mais



Comentário: se já não bastasse a fase ruim pela qual passam os quadrinhos, de forma geral,
agora mais essa, a proibição de veiculação de publicidade em revistas infantis. Como a maioria das pessoas (e autoridades) ainda pensa que todas as histórias em quadrinhos são voltadas para crianças, essa limitação, na prática, proibe a veiculação de propaganda em gibis... preocupante.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Nomes são importantes...

Estou preparando uma aula sobre marca na qual falo sobre a importância de um bom nome, sem interpretações negativas, para que a marca se torne um sucesso. Existem exemplos clássicos de nomes ruins, como o Rei Kull, a pizzaria Fracasso e a Academia Osso, mas acabei achando outros:



terça-feira, fevereiro 17, 2009

Depois de Obama, Homem-Aranha encontra Abraham Lincoln

A editora Marvel aproveitou o feriado do Dia do Presidente, comemorado nesta segunda (16), para lançar mais uma história em quadrinhos em que seus super-heróis se encontram com personalidades da política dos Estados Unidos. Numa edição especial da revista "The Amazing Spider-Man", o Homem-Aranha e o Capitão América dividem as páginas com Abraham Lincoln, 16º presidente da história americana. A HQ digital de seis páginas está disponível gratuitamente no site da Marvel. Leia mais

O que sabemos?


A grande maioria das pessoas tem a noção de que existe um mundo real, exterior a todos nós, compartilhado por todos. Uma cadeira é uma cadeira, em qualquer situação, para qualquer pessoal. É isso que nos diz o senso comum.
No entanto, os avanços da ciência têm demonstrado que o processo de percepção tem menos a ver com o objeto observado do que com as interações internas que fazemos na hora de ver algo.
O cientista chileno Humberto Maturana realizou algumas pesquisas interessantes com salamandras que ajudaram a desvendar essa área do conhecimento. A salamandra tem grande capacidade de regeneração. Você corta uma perna dela e nasce outra. Da mesma forma, se retirarmos seu olho e colocarmos de volta, ele se regenera. O que o Maturana fez foi retirar o olho e, na hora de colocá-lo de novo, inverteu a posição. A salamandra, na hora de caçar, joga sua língua sobre o inseto e é certeira: a língua sempre acerta seu alvo. Mas quando seu olho é invertido, ela joga a língua para o lado oposto ao inseto.
A conclusão é de que, na hora de ver, valem mais as conexões internas do que os objetos em si. Alguns cientistas, inclusive, afirmam que vemos com o cérebro, não com o olho. Experiências demonstram, por exemplo, que ao lembrarmos de um objeto acionamos as mesmas áreas do cérebro que usamos quando vemos esse objeto. Ou seja, para nosso cérebro não existe diferença entre ver algo e lembrar de algo.

Assim, não existe uma realidade externa, exterior ao observador, que possa ser captada. Toda percepção é um processo de reelaboração. Nós olhamos para algo e vemos não o que de fato é o objeto, mas aquilo que nosso cérebro, baseado inclusive nos nossos modelos de mundo, nos diz que ele é.
Só reconhecemos uma cadeira porque temos um modelo de como deve ser uma cadeira. E só nos sentamos nela porque temos expectativas a respeito de sua funcionalidade.
O filósofo T.S. Kuhn demonstrou no livro A estrutura das revoluções científicas diz que os cientistas se tornam cegos para fatos que não se encaixam em seus paradigmas. Em uma pesquisa citada por Kuhn, foram mostradas diversas cartas para várias pessoas. Algumas dessas cartas eram anômalas, como um quatro de copas preto, mas os sujeitos adequavam essas cartas às suas expectativas sobre o baralho, fazendo com que o quatro de copas preto fosse tomado com um quatro de espadas. Da mesma forma, o cientista, ao ver um fato anômalo, tem a tendência ou de ignorá-lo inconscientemente ou de adequá-lo a uma situação normal.
Cotidianamente podemos perceber essa diferença de percepção. Uma moça que é indiferente para um rapaz pode ser apaixonante para outro. Um local agradável para uns pode ser desagradável para outros.
Quando alguém acha o ser amado bonito, a beleza está muito mais nele mesmo e nas suas lembranças dos bons momentos que passaram juntos do que na realidade exterior. A idéia de que existe um mundo pronto e acabado, fixo, está, quase sempre relacionada a regimes totalitários. Para muitas pessoas o mundo é como elas o vêm e, percebendo que as outras pessoas têm percepções diferentes, acreditam que sua visão é a mais correta e querem impor essa visão aos outros. Esses costumam ser os grandes ditadores.

domingo, fevereiro 15, 2009

Livro livre em destaque na Gazeta


O projeto Livro Livre Amapá foi destaque de capa do jornal Gazeta deste domingo. O jornal reproduziu a matéria do blog da Alcinea Cavalcante e fez uma enquete com a população sobre o assunto. Além do destaque na capa, o projeto foi capa do caderno de cultura.

Os Minutemen

Mais imagens de Watchmen, agora dos Minutemen, que seria um grupo de super-heróis da primeira metade do século XX. Lembro que na época em que Watchmen saiu, falava-se que Alan Moore escreveria uma sequência, com os Minutemen, desenhada por Sal Buscema. Boatos, claro, mas refletia a vontade dos fãs de ver mais sobre esses personagens. Afinal, mesmo que eles fossem secundários na trama, Alan Moore deu a eles mais profundidade do que a maioria dos personagens de quadrinhos tem.

O curioso caso de Benjamin Button


Fomos assistir O Curioso caso de Benjamin Button, o mais recente filme de David Fincher (Seven, Clube da Luta).
Existem filmes em que você sai do cinema meio bobo, como se a película tivesse mexido com seus paradigmas. É o que acontece com esse Benjamin. A história do homem que nasce velho e vai rejuvenescendo é fascinante, engraçada, poética, mas, principalmente, pertubadora. Estamos tão acostumados a ver as pessoas envelhecendo que ver o oposto, na tela de cinema, torna-se pertubador.
O filme tem ótimos efeitos especiais, que se destacam justamente por não parecerem efeitos especiais (pessoalmente, a cena que mais me impressionou foi a de Brad Pitt jovem). Felizmente passou aquela época em que os efeitos especiais precisavam aparecer. Hoje eles estão ali, a serviço da trama.
Uma questão que me peguei pensando foi com relação à espiritualidade. Afinal, o filme pode ser visto como uma metáfora espiritual ao mostrar alma e corpo indo em direções diferentes. Muitas vezes, nos apegamos à aparência e não encontramos a essência. O velhinho do início do filme era um jovem, espiritualmente, mas poucas pessoas foram capazes de perceber isso.

sábado, fevereiro 14, 2009


Tem capítulo novo no blog do Galeão. Confira. Para quem não conhece, Galeão é uma série literária de minha autoria sobre sobreviventes num navio desgovernado no Oceano Atlântico. Um psicopata está matando pessoas a bordo, a comida está desaparecendo e vários outras coisas estranhas começam acontecer...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Wizmania publica resenha do meu livro sobre roteiro


A revista Wizmania publicou uma resenha do meu Livro Roteiro para História em quadrinhos que pode ser lida aqui.

Baixe aqui a apostila de Marketing Global.

Clínica usa suas enfermeiras nuas em publicidade e leva multa em Taiwan

Uma clínica de estética de Taiwan foi multada após utilizar duas de suas enfermeiras nuas em uma campanha publicitária. A clínica deve receber uma multa entre US$ 1,46 mil e US$ 7,3 mil, segundo a legislação local. "Claro que vamos instaurar um processo. O que eles fizeram viola a lei", disse Chen Ying-Yueh, responsável pelo departamento de saúde da capital Taipei, destacando que os anúncios violam as regras de conduta médica. Leia mais

Comentário: Pois é, são questões legais e culturais interferindo no marketing...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Brasileira grávida é agredida por neonazistas na Suíça e perde gêmeos

A bacharel em Direito brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi agredida por três homens brancos, com cabelo raspados, na noite de segunda-feira (9) em Dubendorf, cidade que fica perto de Zurique. Grávida de gêmeos havia três meses, ela acabou perdendo as crianças e sofreu cortes em todas as partes do corpo. Segundo relatos que fez para o pai, ela havia acabado de sair do trem e ia em direção à casa onde reside com o companheiro, Marco Trepp, quando, segundo ela, foi surpreendida por três homens, aparentemente neonazistas.

“Deram socos, chutaram e a cortaram com estiletes no corpo inteiro e até fizeram a sigla SVP nas pernas”, afirmou Paulo Oliveira, pai da brasileira, por telefone, de Zurique, ao G1. “Eles tinham suásticas na cabeça”, informou ele. Leia mais

Comentário: Já não bastasse o absurdo da situação, de uma mulher grávida ser agredida por neonazistas, apenas por ser brasileira, ainda há o agravante de que a polícia suíça não parece estar interessada em investigar o caso. O cônsul do Brasil na Suíça entrou em contato com o policial que está investigando o caso. A resposta foi que, se ele quisesse alguma informação, deveria procurar a própria vítima...
O quadrinista José Aguiar, que chegou a viver na Alemanha, me disse que na Europa os grupos neo-nazistas são legalizados. Alega-se a liberdade de pensamento e de expressão. Acho que a liberdade de expressão não pode ser desculpa para qualquer coisa que agrida a dignidade humana. Isso vale, inclusive, para a internet. Preconceito quanto a local de origem ou raça, pedofilia, intolerância religiosa, homofobia, suicídio e outros temas equivalentes deveriam ser tratados com tolerância zero. O que começa como uma simples divulgação de idéias perigosas termina com agressões como a relatada acima.
Leia, no G1, uma interessante matéria sobre Ciberbullying .

O Diário do Pará publicou uma matéria com o meu amigo Miguel Delalor, que atualmente está morando na França e fazendo álbuns de quadrinhos para a editora Dargaud. Clique aqui para ler a matéria.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Você tem que encontrar o que você ama

Não costumo colocar textos de outros autores neste blog. Geralmente coloco apenas um link para o texto original, quando acho interessante. Mas no caso desse texto de Steve Jobs, transcrição de seu discurso de formatura para uma turma da Universidade Stanford, senti que merecia uma publicação integral. O texto foi publicado originalmente no site da revista Você SA.


Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro."
Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz.
No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.
Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.
Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação - o Macintosh - e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele.
O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.
Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.
Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.
Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.
Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo".
Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês.
Continuem com fome. Continuem bobos. Obrigado.


Matéria do Bom Dia Brasil sobre Darwin.

Conheça o homem que explicou quem somos


Esta semana, o Bom Dia Brasil apresenta uma série de reportagens em homenagem ao bicentenário do nascimento de um gênio que revelou ao mundo como as espécies evoluíram, inclusive o homem.

Jorge Pontual Nova York

Existe uma ciência antes e depois de Charles Darwin. Ele nasceu há 200 anos. Publicou o livro “A origem das espécies” há 150. Depois dessa obra, o mundo foi explicado de outra maneira. Não da forma adotada pelos religiosos até então. Darwin negou as certezas do seu tempo, da ultraconservadora Inglaterra do século 19. Leia mais

Comentário: Darwin, que este ano faria 200 anos, foi o mais importante cientista de sua época. Ele criou um paradigma amplo e eficiente, que pode ser usado para explicar situações em campos que vão da biologia à psicologia. Além disso, teve grande influência sobre a cibernética. Por tabela, acabou tendo grande influência em pensadores como Edgar Morin. Monteiro Lobato era um darwiniano de carteirinha. A teoria da evolução influenciou até a criação do espiritismo (a evolução da alma é vista como a evolução da espécie, embora haja diferenças). A influência de Darwin é sentida até mesmo na cultura pop. Sem Darwin provavelmente não existiriam seriados como O elo perdido ou Lost. Sem Darwin não existiriam filmes como O parque dos Dinossauros. Sem Darwin, o mundo em que vivemos seria outro...

Com R$ 39 milhões em bilheteria, ‘Se eu fosse você 2’ é o recordista da retomada

Filme foi assistido por 4,7 milhões de pessoas em 37 dias.E segue há seis semanas na liderança dos mais vistos no país. Leia mais.

Comentário: Parece que a fórmula da rede Globo de fazer filmes com astros globais está finalmente funcionando...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Plano de voo


Ontem passou Plano de voo, filme com Jodie Foster. É a história de uma mulher cuja filha desaparece num avião. Seria um filme médio, não fosse a atuação de Jodie Foster. O roteiro, apesar do final pífio, é bem construído. Gostei da maneira como os roteiristas (Billy Ray e Peter A. Dowling) conseguiam resolver a situação sempre que o filme chegava num ponto de estrangulamento (quando você acha que não dá mais para desenvolver a trama). Nesse sentido, lembrou A morte pede carona.

Os estóicos e a felicidade


Um dos principais representantes da corrente filosófica estoicismo, na Grécia antiga, foi o escravo Epíteto.Como escravo, Epíteto deparava-se com um problema que dizia respeito diretamente à sua felicidade. Ao pensarmos na relação senhor-escravo, todos imaginam imediatamente que o senhor será feliz e o escravo infeliz. Afinal, o senhor tem tudo o necessário à felicidade: as melhores comidas, as melhores roupas, os mais variados divertimentos... e não precisa trabalhar. Já o escravo não tem nada, nem mesmo o seu próprio corpo, que pertence ao senhor.
Como o escravo poderia ser mais feliz que o seu dono? Isso seria possível?
O filósofo resolveu a questão através de uma inversão de valores. Para ele, o que nos deixa felizes não são as coisas que temos, mas o significado que damos a elas. Por exemplo, se um belíssimo carro nos lembra uma pessoa querida, que morreu, esse carro será fonte não de alegrias, mas de tristezas.
Para Epíteto, o que nos torna felizes é a forma como encaramos aquilo que nos ocorre. Assim, devemos distinguir entre as coisas que podemos mudar e aquelas que não podemos mudar. Entristecer-se ou preocupar-se com algo que não podemos mudar, é tolice.Esse ponto de vista foi expresso na frase: “Deus me dê paciência para agüentar aquilo que não pode ser mudado, coragem para mudar aquilo que pode ser mudado e principalmente sabedoria para distinguir um do outro”.
Mas os estóicos não só propunham paciência para aquilo que não pode ser mudado. Na verdade, os infortúnios podem ser fonte de felicidade, dependendo do sentido que se dá a isso. Se tudo que tenho é minha roupa do corpo, mas amo essa roupa, ela é fonte de felicidade. Essencialmente, o que importa é a atitude mental. “Se sou forçado a morrer, porém não entre gemidos, a ir para a prisão, mas não em meio a lamentações, a sofrer o exílio, mas o que impede que seja alegremente e de bom humor?”, dizia Epíteto.
Para ele, o que nós realmente possuímos não são os bens, os amigos, a saúde, nem o nosso próprio corpo, mas apenas o uso de nossas representações, o significado que damos às coisas que nos ocorrem, pois ninguém pode nos forçar a um uso que não desejamos.
Assim, para estóicos, devemos passar pelos momentos tristes da mesma forma que passaríamos pelos alegres.É tolo aquele que no dia de sol, reclama de calor e num dia de inverno, reclama do frio. Sábio é aquele que sabe usufruir o melhor tanto do inverno quanto da doença.
Curiosamente, o estoicismo, uma filosofia que tinha como um dos principais representantes um escravo, foi adotado por pessoas ricas e poderosas. O imperador Marco Aurélio (que aparece no filme Gladiador) foi um dos mais importantes adeptos do estoicismo.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Projeto livro livre já está em Roraima

O projeto Livro Livre Amapá está fazendo sucesso. Vários professores e alunos vieram falar comigo sobre o assunto. E descobri que nosso movimento inspirou a criação de um movimento semelhante em Roraima, que está sendo puxado pelo blog Política com Pimenta. No próprio blog é dito que a iniciativa amapaense serviu de inspiração para o projeto lá.

História do Brasil em quadrinhos


Li o História do Brasil em quadrinhos, dos roteiristas Jota Silvestre e Edson Rossatto com desenhos de Laudo, Celso Kodama e Omar Viñole. Antes de analisar a obra, é necessário comentar a dificuldade que é fazer uma HQ didática. Pouca gente sabe fazer isso. No Brasil, o exemplo mais clássico é o estúdio Maurício de Sousa, que já fez ótimos trabalhos nesse ramo. Para fazer esse tipo de trabalho, é necessário lembrar de um item básico: quadrinhos existem para divertir. Esse aspecto muitas vezes é esquecido em algumas obras que se propõe a fazer essa junção de educação com HQ, o que fez com que muita gente dissesse ser impossível fazer bons quadrinhos educativo. Mas quem foi que disse que aprender não é divertido? Monteiro Lobato está aí para provar diversão e aprendizado podem sim andar juntos.
Os autores de História do Brasil em quadrinhos tiveram esse cuidado. A obra é divertida e interessante. Percebe-se, por exemplo, que houve a preocupação de atingir o público infanto-juvenil, ao colocar como protagonistas três crianças em visita ao Museu do Ipiranga. As crianças estão fugindo dali porque não gostam de história, e encontram com um professor de história que vai ser o narrador da história. Do ponto de vista do roteiro, é uma boa estratégia colocar personagens com os quais o público-alvo possam se identificar. Assim, na medida em que os personagens começam a se interessar pela história do Brasil, o leitor também vai junto.
Há alguns pequenos problemas. Achei, por exemplo, que as crianças começam a se interessar muito rápido pelo assunto. Mas não é nada que atrapalhe.
Os desenhos do Laudo, como sempre, estão muito bons e nem precisam de mais comentários. Taí um cara que transita bem entre vários gêneros.
Espero ver mais e mais lançamentos desse tipo. Em outros países, as histórias em quadrinhos são largamente usadas como recurso didático. No Brasil, ainda são poucas iniciativas, infelizmente.
História do Brasil em quadrinhos é um lançamento da editora Europa.

domingo, fevereiro 08, 2009

sábado, fevereiro 07, 2009

E-book dos Exploradores do Desconhecido ganha resenha elogiosa


O meu e-book Amanhã é ontem, baseado na história em quadrinhos minha e do Jean Okada, mereceu uma resenha elogiosa de Raul Bittencourt, do blog Adega do Raul:
¨O cenário aonde os personagens interagem é de fato alienígena a eles, diferente das suas experiências habituais, gerando no leitor uma expectativa sobre o que se esconde adiante. A justificativa para a situação na qual se encontravam também é muito interessante, sendo bem resolvida e partindo de pressupostos aceitáveis no contexto da história.Em suma, é um ótimo material de ficção cientifica, escrito por Gian Danton, e muito bem ilustrado, que vale a pena ser lido, não por ser gratuito ou brasileiro, mas por suas qualidades intrínsecas acima da média do que normalmente é distribuído na rede¨.
Clique aqui para ler a resenha completa e aqui para baixar o e-book.

200 anos de Darwin


Se estivesse vivo, Charles Darwin completaria 200 anos no próximo dia 12. Fica minha homenagem a esse grande cientista.

1916: Nascimento do Dadaísmo


Em 5 de fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o ponto de encontro para artistas "Cabaret Voltaire". Era o início do dadaísmo, uma tendência artística antiburguesa que se baseia no irracional.

"O dadaísmo é o produto da tensão dialética entre os ímpetos redutivo e criativo da atividade artística." Assim o descreve a historiadora de Arte Karin Thomas. Mas é também possível expressar-se de outra forma: "Dada é a vida sem pantufas e sem paralelas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro", pois "a arte não é séria", proclamava o escritor francês Tristan Tzara.
Tudo começou em 5 de fevereiro de 1916. Poucos dias antes da Batalha de Verdun, o poeta, diretor, anarquista e místico alemão Hugo Ball promoveu a primeira soirée de seu Cabaret Voltaire na parte antiga de Zurique. Ele queria realizar lá o que chamou de "coisas bonitas".
Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objetos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: "O almirante tenta alugar uma casa". Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério. Leia mais

Música do dia

VALOR – PLEBE RUDE
Música: Jander BilaphraLetra: Jander Bilaphra e André X

Há vidas que por vontade eu canto
Há vidas que por vontade eu conto
por muitos lugares andeiem muitos lugares morei
Muitas vidas vi passar
por isso lhe conto meu amigo
preste atenção, uma coisa vou cantar
A gente só dá valor à juventude
quando estamos na meia idade
a gente só dá valor à natureza
quando moramos na cidade
a gente só dá valor às amizades
quando estamos na solidão
a gente só dá valor à frieza
quando perdemos à razão
Quem não da valor ao que tem
não merece ter nada de valor
Há vidas que por vontade eu canto
Há vidas que por vontade eu conto
por muitos lugares andei
em muitos lugares morei
Muitas vidas vi passar
por isso lhe conto meu amigo
preste atenção, uma coisa vou cantar
A gente só dá valor às alegrias
quando estamos na tristeza
Só damos valor ao dinheiro
quando estamos na dureza
A gente só dá valor às máquinas
quando não funcionam mais
só damos valor à tranquilidade
quando tanto fez, tanto faz
Quem não da valor ao que tem
não merece ter nada de valor

Livro livre Amapá


O projeto Livro Livre Amapá já está começando a acontecer. Trata-se de uma iniciativa de incentivo à leitura patrocinada e divulgada pelos blogueiros amapaenses. A idéia é soltar livros pela cidade. A pessoa que pegar, leva para casa, lê e depois solta o livro em um local público, e assim permitimos que mais e mais pessoas tenha acesso à leitura. No blog Livro Livre Amapá é possível conferir os livros que foram libertados e comentar a leitura. Eu comecei a fazer a seleção de livros e resolvi começar pelos de ficção-científica. Depois passo para os quadrinhos e depois para literatura geral. A Alcinéa Cavalcante já disse que vai libertar livros de autores amapaenses... Se quiser colaborar, é só salvar a etiqueta do projeto e colar no livro que vai soltar. A cultura agradece. Em tempo: a logo do projeto foi criada pelo Diniz Sena.

Isso é globalização!

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Lobato contra modernistas: a guerra que não existiu

Uma das histórias mais contadas nos cursos de letras e em grande parte dos livros de literatura é a guerra que teria sido travada entre Monteiro Lobato e os autores modernistas. Lobato é mostrado como retrógrado, ultrapassado e inimigo de posições revolucionárias. Sua produção literária de contos é vista como pobre, de um regionalismo de pouco calibre. O criador do Jeca Tatu é tido, no máximo, como um escritor infantil importante. Mas essa guerra com os modernista teria realmente existido? Essa é a pergunta que muitos intelectuais têm feito e a resposta parece não ser tão óbvia quanto foi durante muito tempo.
A exposição Anita Mafalti
A suposta guerra entre Monteiro Lobato e os modernista teria começado em 1917, com a publicação, no jornal O Estado de São Paulo, de uma crítica de Lobato à exposição de Anita Mafalti. Esse texto, intitulado Paranóia ou mistificação, foi incluído posteriormente no livro Idéias de Jeca tatu.
Lobato começou elogiando Anita: ¨Essa artista possue um talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida em má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se, de qualquer daqueles quadrinhos, como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva¨, mas acrescenta que, seduzida por teorias modernas, ela deixou sua arte descambar para um novo tipo de caricatura.
Lobato aproveita também para cutucar os que se dizem encantados com esse novo tipo de arte, pois esses descobrem na tela intenções inacessíveis ao vulgo e conclui, ironicamente: o público é uma besta e eles um grupo genial de iniciados.
O escritor reservou especial atenção a uma tela do cubista americano Bolynson, um carvão representando uma figura em movimento, que foi colocado na exposição como exemplo do caminho segundo por Mafalti. ¨Aqueles gatafunhos não são uma figura em movimento; foram, isto sim, um pedaço de carvão em movimento¨.
Essa crítica, publicada em 1917, ecoou por muitos anos fazendo, inclusive que muitos ainda acreditem que Lobato havia criticado a Semana de Arte Moderna, um evento ocorrido cinco anos depois. Também por conta desse texto, muitos tentaram desqualificá-lo como crítico e renegar suas idéias sobre arte e cultura.
Na verdade, Lobato não direcionava sua crítica à inovação, mas ao estrangeirismo. Nacionalista radical, o escritor não admitia que se fosse procurar nas vanguardas européias um norte para a arte brasileira. Para ele, isso impediria a criação de um ideal estético nacional, colocando-nos sempre como macacos imitadores dos povos colonialistas.
Outro fator importante é a personalidade independente de Lobato (resumida na frase de Shakespeare, que ele adorava citar: ¨isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo¨) que não admitia reduzir a arte às regras de uma escola artística.
Por fim, Lobato procurava sempre atingir, com sua literatura, um público o mais amplo possível, numa proposta de democratização das artes. O oposto disso seriam as obras herméticas e aristocráticas, que Lobato enxergava no quadro de Bolynson.
A semana de arte moderna
No livro Furacão no Botocúndia, Carnem Lúcia de Azevedo, Márcia Camargos e Vladmir Sachetta argumentam que o preconceito contra Lobato, motivado pelo episódio Mafalti foi a única razão pela qual Lobato ficou fora da Semana de Arte Moderna, já que Lobato seria o líder natural deles. Afinal, no campo das idéias sociais, políticas e econômicas, ele foi o praticante mais sistemático da agenda modernista. Mas nas artes, os modernistas foram bater às portas de Graça Aranha, que pouco tinha a ver com o movimento.
Lobato fez graça com a situação: ¨Se eu tivesse participado da Semana, talvez me tivessem contaminado com a inteligência nela manifestada. Preferi ficar na minha burrice¨, escreveu ele, dispondo-se a participar de uma segunda Semana, aumentada, na qual ficaria com o cargo de papa, logo abaixo do Papão Oswald de Andrade.
Aliás, a relação entre Lobato e Oswald sempre foi das mais amistosas. Ambos tinham espírito independente e um grande senso de humor. Oswald chamava Lobato de ¨O Gandhi do modernismo¨ e dizia que o autor do Jeca só não participou da Semana por causa do nacionalismo: ¨sua luta significava a repulsa ao estrangeirismo afobado de Graça Aranha, às decadências lustrais da Europa podre, ao esnobismo social que abria seus salões à Semana¨.
Lobato jamais perdeu contato com os modernistas, muitos dos quais eram publicados por sua editora. Além disso, ele se correspondia regularmente com nomes como Di Cavalcanti, Graça Aranha, Oswald e Mario de Andrade e Sérgio Millet.
Coerente com sua opinião de que Anita era uma grande artista, Lobato chamou-a para ilustrar a capa dos livros ¨O Homem e a morte¨, de Menotti Del Picchia e ¨Os condenados¨, de Oswald de Andrade, ambos lançados por ele. O livro ¨Idéias de Jeca Tatu¨ teve como capa O Homem Amarelo, quadro de Anita Mafalti.
Além disso, Lobato nunca escreveu contra a Semana. Na verdade, o que parece ter acontecido foi um episódio de ciúmes, por conta de um artigo no qual Lobato creditava a Semana à Oswald de Andrade.
A morte de Lobato
No artigo ¨Nosso dualismo¨, publicado no em e reunido no livro ¨Na Antevéspera¨, Lobato diz que ¨O futurismo apareceu em São Paulo como fruto da displicência dum rapaz rico e arejado de cérebro: Oswald de Andade¨. Segundo Lobato, Oswald era um turista integral que, por sua visão cosmopolita tinha capacidade de perceber a cristalização mental da inteligência brasileira. Para tirar o país desse marasmo, ele teria recorrido ao processo da atrapalhação e exemplifica com o caso da peninha. Um sujeito propõe a outro uma advinhação: ¨Qual é o bicho que tem quatro pernas, come ratos, mia, passeia pelos telhados e tem uma peninha na ponta da cauda?¨. Como ninguém adivinhasse, ele explicou: ¨É o gato!¨. ¨Mas e a peninha?¨. ¨Está aí só para atrapalhar¨. O processo de atrapalhação teria dado uma sacudida na cultura brasileira, mas, segundo Lobato, a coisa teria dado errado quando outros autores resolveram transformar esse processo num dogma: ¨Oswald sempre repeliu os sectários e sempre refugiu de transformar sua colher de mexer, hoje colher de pau-brasil, em paradigma, em maracá sagrado. E passa a vida a criar cismas dentro do grupo, a renegar sumos pontífices¨.
Mário de Andrade responde com o texto ¨Post-scriptum Pachola¨no qual chega a anunciar a morte de Monteiro Lobato, que ele recebia com o coração sangrando e os olhos mojados de lágrimas. É de se perguntar se em seu texto não havia um tanto de ciúmes, por Lobato ter creditado a Semana a Oswald e não a ele.
O autor do Jeca, entretanto, não fez caso. Em carta ao jornalista Flávio Campos, Lobato diz que Mário, por seu talento, tem direito a tudo, ¨até de meter o pau em você e em mim. Eu tenho levado pancadinhas dele. Certa feita matou-me e enterrou-me. Em vez de revidar, conformei-me, e sem mudar minha opinião sobre ele. Mário é grande. Tem o direito de nos matar à moda dele¨.
Lobato sempre esteve mais alinhado com os ideais modernos do que com a tradição. Seu movimento pelo petróleo brasileiro e pela industrialização está mais próximo do futurismo do que da tradição intelectual brasileira, que se prendia aos bons tempos do café . Sua obra infantil é moderna ao extremo, inclusive em termos de linguagem, ao aproximar a literatura da fala coloquial. Suas várias editoras sempre foram inovadoras e tiveram papel importante na divulgação dos autores modernistas. Até mesmo no campo social Lobato se revelava revolucionário, defendendo, por exemplo, que os jovens fizessem uma espécie de ¨estágio¨, morando com seus futuros conjugues antes de casarem.
Mesmo Mário de Andrade, provavelmente o maior responsável pela disseminação da idéia de que Lobato era inimigo dos modernistas, mesmo ele admitiu o alinhamento desse autor com os ideiais daquele movimento: ¨Quanto a dizer que éramos, os de São Paulo, uns antinacionalistas europeizados, creio ser falta de sutileza crítica. É esquecer todo o movimento regionalista aberto justamente em São Paulo e imediatamente antes, pela Revista do Brasil, é esquecer todo o movimento editorial de Monteiro Lobato¨.

Artigo originalmente publicado na revista Discutindo Literatura, n. 20, da editora Escala.

Mais crises e menos leitores?

Por Sérgio Codespoti (04/02/09)
Segundo Rich Johnston, autor da coluna Lying in the Gutters, do site Comic Book Resources, é possível que a Crise Final, da DC Comics, tenha o mesmo resultado de One More Day, da Marvel: perda de leitores.Johnston afirma que a Marvel perdeu um terço dos leitores de Amazing Spider-Man depois das mudanças polêmicas promovidas na vida do Homem-Aranha.
No caso da DC, parece que, embora na internet tudo esteja relativamente tranquilo, nas comic shops a situação é outra, com vários casos de clientes fiéis desistindo das revistas da DC, reclamando que tudo ficou incompreensível. Leia mais no Universo HQ.

Comentário: Eu fui um dos que deixaram de comprar por causa dessas mega-sagas. Chegou num ponto em que você tem que comprar quatro revistas para entender uma. Atualmente, só estou comprando o Superman do Grant Morrison (que é fechado) e a revista Fábulas.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Entrevista com professora que montou uma gibiteca na escola


O blog Toka di Rato publicou uma entrevista com a professora Natania Nogueira. A Natania montou uma gibiteca da escola de ensino fundamental onde leciona, na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais. Ao que se saiba, é a primeira iniciativa do gênero no Brasil. Na entrevista ela fala de como os quadrinhos ajudaram os alunos a se interessarem pelas aulas e da dificuldade que foi para montar a gibiteca (que foi feita numa sala da escola que servia de depósito). Enquanto muita gente só reclama sobre a falta de leitura dos jovens brasileiros, a professora Natania fez algo concreto para melhorar essa situação. Parabéns a ela!

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Watchmen

A divulgação do filme Watchmen continua a toda (em alguns casos, hoje em dia, gasta-se mais em divulgação do que com a própria produção do filme). Além de cartazes, trailer, já foram lançados bonecos e vários outros itens para colecionadores. Para ajudar, a história já tem todo um movimento viral de pessoas que fazem bonecos lego dos personagens, por exemplo. Abaixo algumas das imagens que podem ser conseguidas na internet.
Bonecos lego feitos provavelmente por um fã. Com uma divulgação dessas, fica fácil para o estúdio chamar atenção. O problema é que, ao mesmo tempo, isso cria uma grande expectativa por parte dos fãs...
Foto de divulgação do filme. Os Minutemen foram os heróis que inspiraram os Watchmen.
Essa imagem dos watchmen como personagens da série Snoopy ficou impagável. O Minduim como Dr. Manhattan está perfeito!

Mad especial 4 nas bancas


Já está nas bancas a MAD especial 4. Confira aqui um preview.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Propaganda é isso aí


O desafio desse anúncio de refrigerante é tentar achar as mensagens subliminares escondidas na foto (se bem que, a partir do momento em que a pessoa identifica, essas mensagens deixam de ser subliminares...)
O blog Papo de Quadrinhos fez cinco perguntas para Márcio Baraldi, um dos mais importantes quadrinistas brasileiros - especialmente quando o assunto é rock ou imprensa sindical. Clique aqui para ler.

domingo, fevereiro 01, 2009

Ratatouille e O mais longo dos dias


Este foi o final de semana dos bons filmes. Saimos do cinema e fomos na locadora, onde pegamos, entre outros, O Mais Longo dos dias e Ratatouille. O mais longo dos dias é um dos melhores filmes sobre o dia D, a invasão aliada à Normandia. Os roteiristas tiveram o cuidado de serem bem fieis do ponto de vista histórico. A invasão é vista do ponto de vista de soldados que foram de planador para ocupar uma ponte, da resistência francesa, dos para-quedistas que saltaram antes da invasão e dos homens que embarcaram em cada uma das praias. Pensei que eles fossem pegar leve, atenuando alguns fatos históricos, mas as coisas são mostradas como realmente aconteceram: a queda dos paraquedistas em locais errados, como pântanos, ou no meio de locais ocupados por nazistas - o que fez com que eles fossem alvos fáceis - e o massacre da praia de Omaha, em que nove em cada dez soldados aliados morreram.
A fidelidade histórica é o ponto forte, mas também a fragilidade do filme. Como queriam mostrar tudo, faltou foco e, nesse sentido, O resgate do soldado Ryan é melhor.
Ratatouille é um belíssimo filme sobre um ratinho que gosta de cozinhar. Só a Pixar se arriscaria a fazer um filme com uma premissa tão estranha - assim como só a Pixar se arriscaria a fazer um filme sobre um robô lixeiro, como em Wall-E. Ratatouile é melhor ainda se você gosta de cozinhar, como é o meu caso.
Incrivel como o roteirista consegue fazer um filme sobre um cozinheiro ficar tão interessante. Muita gente diz que o diferencial da Pixar é a animação. Eu discordo. Hoje muita gente consegue fazer fazer filmes com o mesmo nível de animação da Pixar. O que os diferencia é o roteiro muito bem costurado, os personagens carismáticos, a ação que se encaixa bem dentro da trama, a poesia... o resultado é um filme para crianças que os pais assistem com prazer.
Ah, para quem gosta de cozinhar, aqui tem a receita do ratatouille, o prato principal do filme.

Será que dessa vez vai?


Roberto Góes está prometendo não dar trégua aos vendedores ambulantes que tomam conta das calçadas e dificultam a passagem de pedestres. Tomara que isso ocorra mesmo. No centro comercial de Macapá isso chegou a um ponto insuportável. Há locais da Cândido Mendes em que é impossível atravessar a rua, tão grande a quantidade de ambulantes na calçada, impedindo a passagem. Não bastasse isso, um ambulante da esquina da Padre Júlio com Cândido Mendes resolveu colocar uma corda entre os postes para expor seus produtos (sombrinhas e bichinhos de pelúcia piratas do Pica-pau). Então, quem quiser atravessar o cruzamento a pé, precisa se abaixar para não ser decapitado... Vamos ver se o novo prefeito vai mesmo cumprir suas promessas, ou se a situação vai piorar cada vez mais...

Watchmen


Ontem fomos assistir Se eu fosse você 2 (uma surpresa: não esperava nada do filme, mas o roteiro e atuação do Tony Ramos e da Glória Pires, um imitando o outro, surpreendeu) e nos deparamos com o banner e o cartaz do filme do Watchmen. A divulgação está boa. Vamos ver o filme. Outra surpresa foi o cartaz e o trailer do filme Coraline, baseado no livro infantil de Neil Gaiman. É, esse começo de ano vai trazer boas surpresas...