domingo, fevereiro 17, 2008

Mainardi não tem nada na mão

Paulo Henrique Amorim
Em nenhuma democracia séria do mundo,jornais conservadores, de baixa qualidadetécnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.. Diogo Mainardi dedicou uma parte de sua carreira como colonista da Veja – clique aqui para ler o que chamo de "colonista" - a provar que o Presidente Lula e seu Governo seriam demolidos quando ele concluísse as investigações sobre a Telecom Itália.. Instado a mostrar as provas, Mainardi, promovido à pág 55 da edição de 20 de fevereiro, que acaba de chegar às bancas, mostrou o que tinha na mão.. Nada.. Mainardi não tem um par de setes na mão.. A colona é uma maçaroca, sem pé nem cabeça, que se baseia em dois depoimentos: de um tal de Giuliano Tavaroli, e de um outro Fabio Ghioni.. Que poderiam ter dito que Roberto Civita é da Al-Qaeda.. O que vale tanto quanto o que os dois falaram sobre o "lulismo".. Sobre Mainardi e a Veja, o melhor é não comprá-la.. Não assiná-la.. Não ir ao seu site na web, onde se depositam seus dejetos.. Não recomendar aos amigos.. Nem à mídia de sua agencia de publicidade.. E ir ao blog do Nassif. . Fonte de pesquisa : http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/478001-478500/478365/478365_1.html


história dos quadrinhos 25
A Mad

A revista Mad foi a única revista que sobreviveu à caça aos quadrinhos da EC Comics, além de ser uma das publicações mais rentáveis de todos os tempos, chegando a vender mais de um milhão de exemplares, mesmo quando as vendas de outras revistas estavam caindo. O segredo da publicação estava no humor escrachado, que não perdoava ninguém. A Mad era tão irreverente que não conseguia anunciantes, vivendo exclusivamente das vendas em banca.
O criador da revista chamava-se Harvey Kurtzman. Ele trabalhava para as revistas de terror e ficção científica da EC Comics, de Bill Gaines. Um dia, sem dinheiro, Kurtzman procurou o patrão pedindo um empréstimo. Gaines deu um empréstimo, mas em troca pediu que ele editasse uma revista humorística para aproveitar seu talento natural para a sátira.
Kurtzman afirma que criou o nome, mas Gaines garante que o título surgiu numa reunião com All Feldestien, o outro editor da EC. A revista, que tirava sarro de tudo e de todos (inclusive dos leitores) estreou em 1952, em formato comics, colorida e bimestral. Seu humor era ácido e tinha alguns dos melhores desenhistas da época, como Wally Wood, Jack Davis e Bill Elder. Os quadrinhos eram recheados de piadas de fundo, num estilo escrachado. Não foi um sucesso imediato. O tipo de sátira apresentada ali era tão original que espantou no início, mas as vendas foram aumentando aos poucos. O sucesso só viria mesmo no número 4, com uma sátira do Super-homem, o Superduperman.
Logo a Mad estava vendendo muito bem e satirizando todos os aspectos da cultura pop norte-americana. As vendas estavam muito bem, mas a caça às bruxas estava à porta e a saída foi transformar a Mad em um magazine, com formato maior e em preto e branco. Com essa mudança, ela não era considerada um gibi e, portanto, não tinha que se adequar ao comics code. Em 1956, todas as publicações da EC fecharam suas portas e a editora passou a se sustentar apenas com a Mad.
Nesse período, Kurtzman se desentendeu com Gaines e a revista passou a ser editada por All Feldestein. Este não tinha um humor tão corrosivo quanto o de Kurtzman, mas introduziu mudanças que agradaram, como colocar o mascote da revista, o idiota Alfred E. Newman, em todas as capas.
Aliás, o personagem se tornou tão popular que chegou a ser usado em protestos contra o presidente George Bush (os dois, aliás, são muito parecidos). Algumas frase de Alfred E. Newman se tornaram famosas, como "O importante não é saber, mas sim ter o telefone de quem sabe." ou "Vivemos em uma época em que os sucos de limão são feitos com limões artificiais e que os detergentes são feitos com limões verdadeiros."
Em 1961, Gaines vendeu a revista para o grupo Time-Warner, que passou a publicá-la sob o selo DC Comics. Mesmo concorrendo com gigantes, como o Super-homem, a Mad continuou a ser a revista mais lucrativa do grupo. Gaines continuou no controle da revista até sua morte, em 1992.
No Brasil, a revista chegou só em 1974, vinte anos depois de ser lançada. A razão do atraso é que todos os editores achavam que seria impossível traduzir as piadas. Quem resolveu apostar foi Lotário Vechhi, da editora Vecchi. Para cuidar da edição e adaptação ele chamou Otacílio d´Assunção Barros, o famoso Ota, que se tornaria uma referência absoluta da Mad no Brasil.
A entrevista de emprego parecia mais uma piada da Mad. Lotário perguntou ao Ota quais eram os nomes dos sobrinhos do Pato Donald e do cachorro do Fantasma. Ao final, ele se levantou, apertou sua mão e disse ¨Sr. Otacílio, o senhor foi o melhor candidato que apareceu aqui até agora. O emprego é seu!¨. ¨Saí de lá descrente, achando meu futuro patrão completamente imbecil. Qualquer idiota que tivesse dado as mesmas respostas teria sido contratado do mesmo jeito¨, lembra Ota.
Apesar de tudo, a maioria das pessoas na Vecchi estava relutante quanto ao sucesso da publicação e decidiram lançar apenas 40 mil exemplares, e apenas no Rio e São Paulo. Se não vendesse bem, o encalhe seria mandado para outros estados. Mas Ota fez um trabalho tão bom que a revista esgotou rapidamente, sendo necessária uma segunda tiragem de 30 mil exemplares. E as vendas foram aumentando, até se estabilizarem em 150 exemplares, tornando-se um dos maiores sucessos de vendas da época. A capa desse primeiro número, com os dizeres ¨quebre em caso de fossa¨, tornou-se um clássico.
Com o tempo começou a surgir um problema: a edição americana saía apenas oito vezes por ano, a brasileira, doze. Além disso, muitas das histórias eram referências a seriados ou filmes que não haviam saído aqui. A solução foi contratar artistas nacionais, o que fez com a Mad se tornasse uma reunião do melhor do humor nacional. Gente como Vilmar, Carlos Chagas e Tako fizeram sucesso na revista, além do próprio Ota, que, apesar de ter um traço muito ruim, acabou fazendo sucesso com os relatórios Ota.
Com o fechamento da Vecchi, a revista foi para a Record e mais uma vez surpreendeu, vendendo muito bem. As vendas só caíram a partir de meados da década de 1990. Depois da Record, a revista migrou para Mithos e atualmente não é publicada no Brasil.

sábado, fevereiro 16, 2008

Aliás, deviam também avisar aos turistas que os pontos turísticos não abrem em dias de feriados. Nem os do Estado, nem os particulares. Também aconselharia ler esse meu texto: Nossa odisséia pelo interior do Amapá.

Princípio básico de marketing: não adianta divulgar um produto se não há como satisfazer o cliente. Aqui falta estrutura turística, os balneários e hotéis de selva que fecham na época de feriados prolongados, a cidade está cheia de buracos... o turista dificilmente vai sair daqui satisfeito.
Agora que Macapá foi tema da vencedora Beija-flor, vão aparecer muitos turistas por aqui. E o povo já está comentando que, para recepcioná-los, seria bom colocar uma faixa no aeroporto:

BEM-VINDOS À CIDADE DOS BURACOS

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Alan Noronha foi mais do que um amigo na época em que eu morava em Belém. Foi um irmão. De fato, muita gente pensava que éramos irmãos. Um dos caras mais talentosos que já vi, ele escrevia muito bem. Na época do movimento de quadrinhos que transformou Belém no que é hoje (um celeiro de quadrinistas), ele era um dos roteiristas mais talentosos. Na verdade, você só não leu mais coisas dele porque o cabra é terrivelmente preguiçoso e produz muito pouco. Mas agora ele lançou um blog, o Guamundo, onde você pode conferir um pouco da sua prosa refinada. Confira.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

As mulheres dos quadrinhos

Todo bom leitor de quadrinhos sabe que certos desenhistas têm uma capacidade incrível de sintetizar no seu estilo tipos de pessoas. No caso das mulheres, isso é ainda mais verdadeiro. Numa reunião de fãs é comum ouvir algo como: ¨Nossa, essa menina parece ter sido desenhada pelo Crumb¨, ou algo assim. Assim, apresento abaixo alguns desenhistas que definaram tipos femininos.
Alex Raymond - desenhista americano, criador de Flash Gordon. Desenhava mulheres com beleza clássica, grega, sem exageros, com proporções estudadas. Como costumava usar modelos vivos, suas mulheres são muito realistas.


John Byrne - Esse desenhista ficou famoso após desenhar os X-men. Sua fase com os personagens é considerada a melhor de todos os tempos. Byrne faz como ninguém a típica mulher norte-americana: reta como uma tábua, e sem curvas, com rosto bonitinho. Pode ver que é o padrão da maioria das atrizes norte-americanasMilo Manara - desenhista italiano, famoso por seus trabalhos eróticos. Sua mulher é magra, com seios pequenos e bunda pequena, mas tem curvas e pernas longas. Apesar de não ter atributos exagerados, exala sensualidade.

Guido Crepax - desenhista italiano famoso por sua narrativa cinematográfica e por suas histórias que misturavam surrealismo com erotismo. Personagem mais famosa: Valentina. Suas mulheres eram muito magras, com seios pequenos, mas com bunda grande e ancas pronunciadas. É o modelo quadrinístico que mais se aproxima das atuais top-models.

Frank Frazetta - desenhista americano. Na década de 1950 começou fazendo quadrinhos. Depois se notabilizou fazendo capas de revistas, como a Kripta. Suas mulheres são baixas, com pernas curtas, ancas largas e seios grandes. Era de uma época em que não havia essa preocupação exagerada com magreza, de modo que tem uma barriguinha. Num paralelo, poderia se comparar com as índias brasileiras jovens.



Paolo Serpieri - é um desenhista italiano. Sua mais famosa criação é a personagem Druuna, que ele diz ter criado baseado nas mulheres brasileiras e em uma prima. Alta, musculosa, com seios e bundas grandes, Druuna fez de seu autor um homem rico, protagonizando histórias que misturavam sensualidade com ficção-científica.



Robert Crumb - desenhista norte-americano, papa do underground. Sua mulher é uma mulher fetiche, com destaque exagerado para os atributos que chamam atenção dos homens, como os seios, a bunda e as pernas. A grande característica são as pernas muito grossas e grandes. As mulheres de Crumb sempre usavam botas e seu tamanho exagerado fazia com que elas andassem como se estivessem marchando. Ao contrário do restante do corpo, o rosto era desenhado de maneira realista, representando, provavelmente, a personalidade da mulher. Aliás, se não fosse pelo rosto, seria impossível distinguir uma mulher de outra entre as desenhadas pelo Crumb. Por incrível que pareça, já vi mulheres Crumb andando por aí.


Qual a sua mulher de quadrinhos preferida? (eu acabei casado com uma mulher Frazetta)

Brasileiro concorre para publicar HQ em site da DC Comics


Por Marcelo Naranjo, sobre o press release (13/02/08)A HQ The Passenger, de Alexandre Vidal, conta as desventuras de Alberto, um cidadão comum que, após receber um fora de sua namorada, entra em um processo autodestrutivo. Em uma noite de embriaguez, pega o táxi errado e é abandonado numa encruzilhada interdimensional. Agora, completamente perdido, precisa encontrar o caminho de volta. No entanto, cada táxi que ele pega apenas o deixa mais desorientado e longe de casa. O trabalho de Alexandre está no site norte-americano Zuda Comics, de propriedade da DC Comics, que está realizando uma competição na qual, durante o mês de fevereiro, dez criadores terão suas HQs sendo votadas pelo público. Leia mais


Ps: Falex é um velho amigo. Ele foi o primeiro ilustrador da minha série infantil Mundo Dragão. De lá para cá, seu traço melhorou muito, com destaque para a cor. Vale a pena ir no site http://www.zudacomics.com/ e se cadastrar votando nesse talento brasileiro.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Os nossos super-heróis

Os criadores brasileiros de histórias em quadrinhos são como os heróis que eles inventam: aparecem, brilham e somem. Enfrentam batalha que parece trama de gibi: lutam contra a invisibilidade, devido à falta de editoras, e monstros gringos que dominam o mercado. Depois, mesmo vitoriosos, não conseguem se estabelecer como profissionais e são vistos com preconceito e desprezo. Se os desenhistas têm a opção de se mudar para o exterior, roteiristas são obrigados a se conformar com a rotina de outro trabalho. O resultado é estafa maior do que a de Peter Parker, o Homem-Aranha. leia mais

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Plágio


Há algum tempo escrevi uma nota neste blog sobre os alunos que, para não terem o trabalho de pesquisar e produzir seu próprio texto, entram na internet, copiam o texto e colam em seu trabalho, mudando apenas o nome do autor (e, claro, colocando o deles no lugar).
Uma leitora deixou um comentário dizendo que era infantilidade minha achar que o plágio é pernicioso e que ela agride a inteligência do professor. “O mundo é movimentado pelo plágio, se não fosse ainda andaríamos com a roda de pedra”.
É preocupante que alunos universitários ainda recorram ao plágio, mas é mais preocupante ainda que haja pessoas dispostas a defendê-lo, pessoas que acham que o plágio é normal e faz parte da vida.
Essas pessoas, na maioria, confundem plágio com citação ou embasamento. A citação e o embasamento são procedimentos normais em qualquer área de conhecimento e são o que permite a evolução do conhecimento. Já o plágio é não só altamente recriminado, como é crime, segundo a lei 9610, de 19 de fevereiro de 1998.
Segundo essa mesma legislação, no artigo 46, o direito à citação é assegurado para fins de crítica, estudo ou comentários, desde que sejam apenas trechos e seja citados o nome do autor e a origem da obra. A legislação, além de explicar o que é uma citação, o diferencia do plágio. Usar uma frase de um autor, ou uma idéia dele e colocar em meu trabalho, indicando que aquela frase ou aquela idéia não é minha é citação. Tentar fazer com que as pessoas acreditem que determinada frase ou idéia alheia é minha, isso sim é plágio. Mas a legislação deixa claro que isso só pode ser feitos com trechos de obras. Alguns alunos espertos copiam e colam todo um texto da internet e, pelo fato de terem tirado o nome do autor, colocando o deles no lugar, e feito uma ou outra pequena mudança, como colocar a referência do texto na bibliografia, dizem que não é plágio. Por mais que eles argumentem que se trata de uma citação, não há como negar: trata-se de um plágio.
A citação é a base da ciência e da filosofia. Todo grande autor utiliza o conhecimento anterior a ele para avançar a partir daquele ponto. Newton dizia que só tinha sido grande porque havia subido no ombro de gigantes.
Não há nada de errado em usar as informações coletadas por outras pessoas e avançar a partir delas. O que não posso fazer é pegar essa informação pronta e sair por aí dizendo que fui eu que a inventei.
Vamos a um exemplo ilustrativo: o avião. Eu poderia pegar as anotações de Santos Dumond e construir um 14 bis para mostrar para as pessoas e dizer: Veja, fui eu que inventei. Isso seria plágio. Ou eu poderia utilizar os avanços de Santos Dumond para construir um avião melhor. Isso não seria plágio (e seria muito elegante da minha parte dizer que só consegui chegar a esse avião melhor porque usei as descobertas de Santos Dumond).
Por outro lado, temos de fazer uma separação entre as informações que têm um autor definido e aquelas que já fazem parte do conhecimento da humanidade, já de domínio público. Por exemplo, se digo que a Terra é redonda, não preciso referenciar. Todos sabem disso.
Um mundo em que fosse impossível usar as informações criadas ou coletadas por outras pessoas seria um mundo parado. Nada se faria porque as pessoas estariam continuamente precisando repetir o que fez a geração anterior.
Mas, por outro lado, um mundo em que o plágio fosse a regra, também seria um mundo parado. Se cada geração plagiasse a anterior, aí sim, ainda usaríamos rodas de pedra...

Psicopatas: um cérebro perverso

Estudos recentes demonstram que psicopatas têm mentes com características especiais.
Uma das pistas pode estar no lobo frontal.
O auto-controle, o planejamento, o equilíbrio das necessidades dos indivíduos versus as necessidades sociais são mediadas pela parte frontal do cérebro. O córtex frontal está associado também ao medo condicionado. Quando um rato é punido toda vez que acende uma luz em uma gaiola, ele associa a luz à punição e é essa área do cérebro que é acionada.
Antônio e Hama Damasio, dois neurologistas da Universidade de Iowa investigaram as bases neurológicas da psicopatia. Eles demonstraram que indivíduos que haviam tido danos no córtex frontal ventromedial desenvolveram conduta social anormal. Eles tomavam decisões inadequadas e tinham pouca habilidade de planejamento a longo prazo.
Os dois pesquisadores reconstituiram neurologicamente o primeiro caso conhecido de alteração de personalidade em decorrência de um dano cerebral.
No século XIX, na Inglaterra, Phineas Cage, um supervisor de obras ferroviárias, perdeu uma parte do cérebro quando uma barra de ferro atravessou seu crânio após uma explosão. Ele sobreviveu muitos anos, mas se tornou abusivo e agressivo, irresponsável e mentiroso. Um conterrâneo disso dele: "Phineas não é mais o Phineas".
Os psicopatas parecem ter dificuldade também de acionar a área do cérebro responsável pela emoção. Eles só teriam as chamadas proto-emoções - sensações de prazer, fúria e dor menos intensas que o normal, o que os leva a sempre buscar novos estímulos, seja matando uma pessoa ou arriscando tudo num golpe.
Um psicopata entrevistado pelo psicólogo Hare disse: "Quando assaltei um banco, notei que uma caixa começou a tremer e a outra vomitou em cima do dinheiro, mas não consigo entender por quê. Na verdade, não entendo o que as pessoas querem dizer com a palavra medo".
Em 2001, o psiquiatra Antônio Serafim colocou presos de São Paulo para assistir cenas de corpos decapitados, crianças esquálidas com moscas nos olhos, torturas com eletrochoque e gemidos desesperados. Os criminosos tiveram reações físicas de medo, como aumento das batidas do coração, intensificação da atividade cerebral e enrijecimento dos músculos. Os psicopatas não tiveram sequer variação de batimentos cardíacos.
Uma pesquisa nos EUA demonstrou que os psicopatas têm dificuldade de identificar reações de tristeza, medo ou reprovação em rostos humanos.
Um psicopata da Califórnia saiu para comprar cerveja e, ao descobrir que havia esquecido a carteira em casa, pegou um pedaço de pau, bateu em um homem e levou o dinheiro dele.
Uma mulher deixou a filha de cinco anos ser estuprada pelo namorado. Ao ser perguntada por que deixou aquilo acontecer, ela respondeu simplesmente: "Eu não queria mais transar, então deixei que ele fosse com minha filha".
A ausência de medo da punição foi demonstrada por um experimento do psicólogo norte-americano Joe Newman, em 1987. No laboratório havia quatro montes de cartas. Sem que os jogadores soubessem, um deles estava premiado com cartas boas. Aos poucos, no entanto, a quantidade de cartas boas ia rareando até que escolher aquele monte passava a dar prejuízo. Pessoas comuns logo percebiam isso e deixavam de apostar naquele monte. Psicopatas, no entanto, continuavam tentando conseguir a recompensa anterior. "Crianças e adultos psicopatas continuam a ação mesmo repetidamente punidos", explica Newman.
Ou seja, não adianta punir ou ameaçar um psicopata. Se tiver oportunidade, ele fará tudo de novo.
Quando se fez passar por um famoso e violento policial de Curitiba, Marcelo Nascimento (aquele mesmo que se fez passar por filho do dono da gol) foi descoberto. O policial andou com ele um bom tempo, apontando sua arma para a cabeça do rapaz e fazendo roleta russa. Qualquer pessoa normal nunca mais pensaria em se fazer passar por outra pessoa, mas Marcelo já saiu do encontro pensando no próximo golpe que aplicaria.
Isso faz com que os psicólogos concordem num ponto: é impossível reabilitar um psicopata. Solto ele voltará aplicar golpes, ou a matar.

Compre o livro Serial Killer, louco ou cruel? no Submarino.

domingo, fevereiro 10, 2008


Terminei de ler Celular, o mais novo livro de Stephen King. Não é um clássico do terror, como O Iluminado, ou Cemitério. Na verdade, você sente falta daquela ar de tranquilidade que costuma ter os livros de King no início e o terror vai se instalando na vida daquelas pessoas normais aos poucos. Em Celular, o terror é logo no início. Um pulso transforma todas as pessoas que estão usando celulares em zumbis. O personagem principal é um quadrinista que se recusa a ter celulares e, por isso, salva-se do pulso, mas agora precisa sobreviver tanto aos zumbis assassinos quanto aos humanos, que num momento como esse, se tornam ainda mais desunidos. King é um pessimista. Para ele, o homem é o lobo do próprio homem e é numa situação dessas que o pior da humanidade se revela.

Embora não seja um clássico, é uma daquelas obras que te prendem. Li em uma semana. Ontem à noite estava nas últimas páginas e só consegui ir dormir depois de ler a última palavra. Ou seja, é uma boa diversão, mas nada que se compare a outras obras do mestre King, como O corredor da morte.

história dos quadrinhos 24
O carrasco dos gibis



No início da década de 50, o psicólogo alemão naturalizado norte-americano Fredric Werthan publicou uma obra que teve grande influencia sobre o futuro das histórias em quadrinhos. O Livro Sedução de Inocentes acusava os gibis de provocarem preguiça mental e delinqüência juvenil. Para Werthan, as crianças que liam quadrinhos se tornariam marginais e perderiam completamente o gosto pela leitura.
A campanha de Werthan contra os quadrinhos teve início em 1948, com a publicação do artigo Horror in The Nursey na revista Collier. Como resultado direto do artigo, houve uma queima pública de quadrinhos na cidade de Birghnton, Nova York.
Depois disso os jornais e revistas começaram a publicar crimes juvenis inspirados por revistas em quadrinhos. As crianças logo aprenderam que uma maneira fácil de se eximir da responsabilidade por seus atos era colocar a culpa nos gibis.
Foi criada uma comissão no Senado Americano para investigar os supostos efeitos nocivos dos gibis sobre as crianças. Os editores foram chamados para depor, mas o depoimento que causou mais forte impressão foi o do psicólogo inimigo dos gibis. Suas palavras ainda ecoavam na opinião pública quando os senadores aconselharam os editores a criarem um código de censura, antes que alguém o fizesse por eles. As empresas da área entenderam o recado e imediatamente se reuniram para criar o Comics Code – um código que atrasou em mais de 20 anos o desenvolvimento dos quadrinhos na América. As revistas da EC Comics, as mais revolucionárias da época, foram quase que totalmente proibidas. A Mad se salvou apenas por ter mudado de formato, o que a deixou fora do código.
Entretanto, as pesquisas de Fredric Werthan, que deram origem ao livro Sedução dos inocentes, tinham erros metodológicos básicos e graves. O primeiro deles é o teste do falseamento. A metodologia científica prevê que um cientista deve criar uma hipótese e testá-la, procurando não provas de que ela está certa, mas provas de que ela está errada. Além disso, o cientista deve estar atento às chamadas variáveis intervenientes, aquelas coisas que não estão sendo estudadas, mas podem interferir nos resultados. Werthan não fez nem uma coisa nem outra. Ao invés de testar sua hipótese, ele procurou apenas provas de que ela estava correta. Ademais, ele ignorou completamente todas as outras variáveis que poderiam estar provocando a delinqüência juvenil. Num caso de um garoto que matou um homem por diversão, por exemplo, ele ignorou completamente o fato de que o garoto tinha diversas armas em casa e era fanático por elas para concentrar-se apenas no fato de que o garoto lia gibis.
Hoje em dia as pesquisas de Werthan são motivo de piada nos meios científicos, mas tiveram grande repercussão, criando um preconceito contra essa mídia que existe até hoje.

sábado, fevereiro 09, 2008

Psicopatas: modus operandi e assinatura

O modus operandi é a forma como o criminoso comete o crime. É dinâmico e maleável, na medida em que o infrator ganha experiência e confiança.
Um ladrão novato pode entrar em uma casa quebrando a vidraça. Esse é o seu modus operandi. Ele pode perceber que o método anterior é arriscado, pois chama atenção e torna o roubo arriscado e apressado. Numa próxima vez, ele pode levar equipamentos que tornem o arrombamento mais garantido e silencioso, mudando assim seu modus operandi.
Ao contrário do modus operandi, a assinatura nunca muda, pois faz parte da fantasia do psicopata e é sua forma de dizer que aquele crime é de sua responsabilidade.
Todo psicopata sente orgulho de suas ações e sente que fez uma espécie de obra de arte. Alessandro Marques Gonçalves, que se fazia passar por médico, não escondeu a cabeça quando foi preso. Ao contrário, deixou-se filmar à vontade.
O promotor de eventos Michael Alig era querido por todos e foi o grande responsável por difundir a cultura clubber em Nova York, organizando festas itinerantes. Em 1996 ele matou um amigo em sua casa. Quando o corpo começou a feder, ele retalhou-o em pedaços e jogou os restos no rio Hudson. Dias depois num programa de TV, o promotor simplesmente contou o que tinha feito em detalhes, orgulhoso. Os jornalistas não acreditaram, mas pouco tempo depois a polícia achou os resto do corpo no rio.
Quando Francisco das Chagas, responsável pela morte e esmaculação de vários meninos no Pará e Maranhão, foi preso, um outro preso pediu que ele assumisse o assassinato de uma criança que ele havia matado. Chagas ficou indignado: "Eu não mato desse jeito. Não vou assumir nunca o seu crime. Você paga o seu e eu pago os meus".
A assinatura é a expressão do orgulho que os psicopatas têm de seus crimes. Em Macapá um assaltante costumava defecar na sala das casas das vítimas. Essa era sua assinatura.
Alguns exemplos de assinaturas são:
- Manter atividade sexual em uma ordem específica;
- usar repetidamente um tipo de amarração em suas vítimas;
- Infligir a diferentes vítimas o mesmo tipo de ferimento;
- Dispor o corpo da vítima de uma maneira peculiar e chocante;
- torturar ou mutilar suas vítimas através de um ritual.
No filme Seven, a assinatura do psicopata eram as mensagens relacionadas aos sete pecados capitais. Em jogos mortais, a assinatura é o fato do psicopata colocar a vítima em situação em que ela tenha que lutar por sua vida.
Ilana Casoy, no livro Serial killer: louco ou assassino? Dá um exemplo para distinguir o modus operandi da assinatura.
Um estruprador entra em uma residência e encontra um homem e uma mulher. Manda que o marido deite no chão de barriga para baixo e coloca uma xícara com píres sobre suas costas. Diz que se ouvir que seu ouvir barulho da xícara caíndo, mata a esposa e, em seguida, dirigi-se ao quarto com a mulher e a estupra.
Outro estuprador entra numa casa e encontra uma mulher sozinha. Faz com que ela ligue para o marido, usando qualquer desculpa, fazendo com que ele venha para casa. Quando o marido chega em casa, o criminoso o amarra e o faz asssistir ao estupro da esposa.
O primeiro estuprador tem um modus operandi, mas não uma assinatura. Seu objetivo é simplesmente violentar a mulher sem ser ameaçado pelo esposo.
O segundo estuprador tem uma assinatura. Ele não quer apenas estuprar a mulher, quer fazer isso na frente do marido, como forma de humilhar e controlar os dois, algo que faz parte de suas fantasias.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O site do Centro de Ensino Superior do Amapá publicou uma notícia sobre meu livro a respeito do nazismo (Confira aqui ). Agradeço.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008


Aí está a capa do meu livro sobre o nazismo. Ele pode ser encontrado na maioria das bancas de revista, ao preço de R$ 12,90.
O Universo HQ publicou uma relação dos 10 mais importantes quadrinistas de todos os tempos. A lista está bem redondinha, tendo nome como Stan Lee, Jack Kirby, Alan Moore e Will Eisner, mas faltou um nome nacional. Eu apostaria em Maurício de Souza (criador dos únicos quadrinhos infantis que conseguiram suplantar a Disney) e Cláudio Seto (o líder da geração Grafipar).

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A cidade dos quadrinhos


O amigo José Aguiar nos apresenta, num ótimo artigo para o Omelete, como foi o festival de Angouleme deste ano. É impressionante ver como os quadrinhos são tratados como arte na Europa. E como uma cidade inteira pára por causa dos quadrinhos (na verdade, a cidade ganha muito com o turismo criado pelo festival). Algum prefeito poderia ter uma idéia assim no Brasil. Já temos um festival de literatura, em Parati, poderia ter um festival de quadrinhos em alguma outra cidade...

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Pobre quando sobe em gillete...


Antigamente se dizia que pobre, quando sobe em gillete, faz discurso. Isso vale para pobres de espírito. O indivíduo compra um som novo e faz questão que todo mundo saiba. Como? Colocando a música no volume máximo. O pior é que é sempre a pior música possível. Alguém já viu alguém colocar música alto para ouvir algo que preste? Vocês já conheceram alguém que gostava de ouvir música clássica em alto e bom som? Ou Beatles? Ou Chico Buarque? Ou Roberto Carlos da década de 1970? Claro que não! Quem tem um mínimo de refinamento sabe que música alta demais vira barulho. Geralmente quem coloca música alta tem péssimo gosto musical e, ao invés de se envergohar, faz questão que todos saibam disso. É como aquele piloto de fórmula 1 que dizia com orgulho que nunca tinha lido um livro.
Tem também a burrice: o indíviduo, quando tem um som de qualidade ruim, aumenta o volume para compensar, e isso distorce ainda mais o som. Quanto pior fica, mais ele aumenta...
Nada melhor do que passar o carnaval lendo, melhor ainda se for quadrinhos. Então coloco abaixo uma foto de uma das minhas estantes de quadrinhos. No destaque, uma foto de uma katana que comprei em uma importadora em Macapá e que guardo junto com minha coleção de Lobo Solitário.

Que viagem!


É impressão minha ou os temas do carnaval são uma tremenda viagem? Uma escola que tinha como tema coleções trazia um carro que era um pavão! Realmente dava um efeito bonito, com o pavão abrindo suas asas, mas fiquei sem entender qual a relação com o tema. Quantas pessoas você conhece que coleciam pavões? Parecia que colocaram ali só porque ia ficar bonito. Outra escola tinha como tema o cabelo e colocaram um carro em homenagem ao Sítio do Pica-pau Amarelo!

Uma boa dica para quem está aprendendo a desenhar é o blog Desenhista auto-didata. Lá é possível baixar livros antigos sobre desenhos, ver vídeos com lições, conferir sites com referências visuais e até ler textos sobre tipos de papéis ou de lápis. Muito bom.

Leituras



O filme Eu sou a lenda me fez lembrar de um pocket (livro de bolso) de ficção-científique que li quando era adolescente. Era a história de um rapaz que se submetia a uma operação no olho. Quando acordava, descobria que todos haviam se transformado em zumbis por causa de uma luz estranha, chamada de O Olhar da Górgona. Apenas as pesoas cegas, ou que estava em locais em que não entrava a luz é que continuavam normais. Lembro que li umas três vezes, até porque era um livro pequeno.
Esses pockets (especialmente os do Perry Rhodan) fizeram parte da minha formação intelectual. Acho que todo bom leitor já passou por essa fase de ler tudo que chega à mão. Eu lia muitos clássicos (Machado de Assis, José de Alencar, etc), mas também lia muitos pockets. Quando não tinha outra coisa para ler, pegava um livro do Júlio Verne, que era sempre diversão garantida. Também foi nessa época que descobri Stephen King. Peguei alguns bons livros, como Carrie, Zona Morta e O Iluminado, mas só fui realmente me tocar o quanto King é bom escritor ao ler O corredor da morte (adaptado para cinema como À espera de um milagre), já bem mais recentemente.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Cientistas criam rato que pode ser infectado com gripe

Cientistas britânicos afirmam ter criado ratos geneticamente modificados que podem ser infectados com o vírus da gripe, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para gripe e doenças respiratórias mais severas.
Os especialistas, do London’s Imperial College, afirmam que o rinovírus – causador da maioria dos casos de gripe e resfriado – também desencadearia doenças como bronquite crônica aguda, asma e enfisema, que pode ser fatal.
Das 100 variantes comhecidas do rinovírus, 99% atacam ao se acoplar a uma determinada molécula receptora encontrada na superfície de células humanas.
Os vírus não conseguem se acoplar à mesma versão da molécula receptora em ratos.
A nova pesquisa obteve sucesso em modificar essa molécula em ratos, tornando-a mais parecida com a versão humana e permitindo que os animais sejam infectados com o vírus. Leia mais

Ps: Issa dá um ótimo enredo de ficção-científica apocalíptica, não é mesmo?

domingo, fevereiro 03, 2008


Fomos assistir A Bússula de ouro, baseado no livro de Philip Pullman. Confesso que ainda não li o livro, mas o filme é bom. Embora as referências diretas à Igreja Católica tenham sido retiradas, ainda dá para perceber um discurso anti-clerical e em defesa da liberdade de pensamento e da tolerância. Interessante como sub-texto. Interessante também os daemons, que representam a alma da pessoa encarnada em um animal. Embora a maravilhosa Nicole Kidman faça parte do elenco, quem toma conta do filme é a menina Dakota Blue Richards .

história dos quadrinhos

O terror da EC

No início dos anos 1950, a nona arte viu nascer e morrer a melhor edi­tora de HQs de todos os tempos: a EC.
A editora tinha surgido no início da década de 40, publicando coisas insossas, como adaptações da Bíblia e coisas do gênero. Com a morte de Max Gaimes, em 1947, seu filho, William Gaines, foi obrigado a assumir a editora. Nessa época ele foi procurado pelo desenhis­ta e roteirista All Feldstein que tinha uma proposta completamente inova­dora. Em maio de 1950, Gaines e Feldstein lançaram uma nova linha de gibis: dois de histórias de crimes, dois de guerra e três de terror. Nes­sas revistas desfilaram os melhores artistas da época, de Joe Orlando a All Williamson.
O sucesso foi imediato. Milhares de garotos americanos passaram a devorar sua dose mensal de horror e fantasia. Escritores famosos, como Stephen King, eram fanáticos pela EC quando crianças. No filme “Con­ta comigo’ baseado num livro de King, um dos garotos aparece lendo uma revista da EC. Gente famosa, co­mo o escritor Ray Bradbury, colabo­rava com a EC.
Até aí, tudo bem. O problema é que a EC era uma editora crítica, tal­vez a primeira da historia dos quadri­nhos. A EC fazia propaganda pacifista durante a guerra da Coréia, questio­nava os heróis e as instituições ame­ricanas. Numa das histórias um homem é encontrado próximo de uma moça atropelada e é torturado uma noite inteira até admitir que cometeu o cri­me. No final da história o policial que o torturou vol­ta para casa e trata de limpar a mancha de sangue no pára-brisa de seu carro. Ele era o assassino...
A revolução da EC, entretanto, não ficou só no conteúdo. Mudou também a forma. Todas as histórias da EC seguiam um certo ritmo óbvio até o final - quando davam uma guina­da de 180 graus, numa conclusão totalmente imprevista. Isso desconcertava o leitor, levando-o a uma leitura criti­ca da realidade.
A festa não durou muito. Gaines foi chamado para depor numa comis­são do Senado americano liderada por Frederick Wethan e fez o que pôde para defender suas publicações. Não adiantou muito: as editoras (para as­segurar suas vendas) criaram um có­digo de ética que praticamente proibia as revistas da EC. O resulta­do foi uma das épocas mais medío­cres da história dos quadrinhos. Os grandes artistas, desiludidos com o fim da EC, deixaram de lado os qua­drinhos, indo a maioria parte deles pa­ra a publicidade.
Das revistas da EC, a única a per­manecer foi a MAD — durante décadas uma das revistas mais vendidas nos EUA e no mundo. O curioso é que ela é pu­blicada pelo mesmo grupo proprietá­rio da DC — a editora que liderou o levante contra as revistas de Gaines...

sábado, fevereiro 02, 2008


Comprei numa banca de revista o desenho animado do Superman da década de 1940, feito pelos irmãos Fleischer. O desenho usa uma técnica chamada rotoscopia, que o deixa extremamente realistas e dá aos personagens movimentos elegantes. Na rotoscopia, os animadores se baseavam em movimentos de pessoas reais, filmados. Os roteiros eram simples, até porque não havia muito o que inventar em oito minutos. Além disso, as histórias em quadrinhos da época também eram simples, com uma estrutura quase repetitiva: surge uma ameaça, Lois Lane vai investigar, acaba se metendo em encrenca e é salva pelo herói. O interesse se dá mesmo pela ótima animação. No episódio piloto foram gastos 50 mil dólares, o dobro do que se usava na época. Veja abaixo o primeiro episódio e leia aqui uma ótima resenha de Roberto de Souza Causo sobre o DVD.
Para quem está perguntando a respeito do meu livro sobre o nazismo... ele está sendo vendido nas bancas de revista, normalmente. Aqui em Macapá encontrei em várias bancas. Creio que não está sendo vendido em livrarias...
Já está nas bancas o meu livro 200 perguntas sobre nazismo. Na edição final, não saiu com esse nome. Para quem quiser procurar nas bancas, a revista é fácil de achar. No alto está escrito, em letras vermelhas NAZISMO com o subtítulo ¨revelações sobre Hitler, o maior assassino da humanidade¨. A referências às perguntas vem lá embaixo: ¨200 respostas para dúvidas perturbadoras¨. No geral, a edição ficou muito boa, com uma diagramação caprichada, que inclui um glossário em todas as páginas, explicando palavras mais difíceis. Pena que meu nome aparece apenas no expediente. Vou tentar conseguir a capa para postar aqui.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Marketing de guerrilha


As ações de guerrilha estão se tornando cada vez mais comuns. Em Belém, em frente ao shoping Iguatemi, vi uma ação interessante, com vários papais noéis que ficavam na frente dos veículos, segurando placas, quando o sinal fechava. A foto acima foi tirada aqui em Macapá, nos cruzamentos da Padre Júlio com Cândido Mendes. Quando o sinal fecha, duas pessoas seguram uma faixa com ofertas de celulares enquanto um palhaço faz malabarismos.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Hoje é o dia do quadrinho nacional


Em 30 de janeiro de 1869 o ítalo-brasileiro Angelo Agostini, um dos precursores das Histórias em Quadrinhos, começou a publicar na Vida Fluminense a HQ "As Aventuras de Nhô Quim" ou "Impressões de uma Viagem à Corte" com um personagem fixo. É uma das primeiras histórias em quadrinhos do mundo. Quando se pensou em eleger o dia do quadrinho nacional, 30 de janeiro foi a data escolhida em homenagem a esse pioneiro. Ângelo Agostini é também o nome do principal prêmio dos quadrinhos nacionais, premiando desenhistas, roteiristas e editores. Eu ganhei o meu em 2000.

Leia, no Neorama dos quadrinhos, ótima resenha sobre a série Promethea, de Alan Moore. Promethea é, provavelmente, o trabalho mais denso da linha ABC, criada por Morre e que inclui, entre outros, Tom Strong. Parece um curso intensivo de psicologia junguiana, misturada com tarô, pulp fiction e muito mais.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Editora portuguesa dá calote em quadrinistas


A editora e loja de quadrinhos Nono Império, sediada em Setúbal, está sendo acusada de dar um calote em vários desenhistas e roteiristas de quadrinhos do Brasil e de Portugal. A editora iria lançar uma revista mix, com persongens fixos e para isso pediu projetos de roteiristas. No caso do roteirista brasileiro Gian Danton, foi pedido que desenvolvesse um projeto na linha manga. O projeto incluía fichas de personagens, de ambientação, de referências visuas, além dos roteiros em si. Além disso, para receber o pagamento, os artistas deveriam assinar um contrato cedendo os direitos autorais dos personagens para a editora. O pagamento das três primeiras histórias só seria efetuado depois de escritas quatro histórias e de assinado o contrato.
Agora, depois de um longo silêncio, a editora está comunicando que não vai publicar mais nada e nem pagar. Como única compensação, eles estão cogitando a possibilidade de devolver aos artistas os direitos dos personagens. Nem mesmo os gastos com correio serão reembolsados.
No caso da série desenvolvida por Gian Danton, os desenhistas já haviam terminado duas histórias e estavam na metade de outra. Eles também levaram o calote.

O Jean Okada está publicando em seu site a série Exploradores do Desconhecido, com roteiro meu e desenho dele. Sou suspeito para falar porque sou fã incondicional do trabalho do Okada. Se o Brasil fosse um país decente, ele seria disputado pelas editoras de quadrinhos.

Vá lá no site e acompanhe essa aventura, como diz o texto de apresentação do Okada, ¨Arrumem seus lugares a bordo da Pioneer, ao lado de Garry Roland e sua equipe, e vamos juntos com eles explorar o universo. A última Grande Aventura Humana está começando!¨

Nova entrevista com o Dr. Edgar Franco (Posthuman Tantra) no site ZINE BRASIL

http://zinebrasil2.googlepages.com/zb_entrevista_edgar_franco

Na entrevista o artista fala da relação entre a criação musical e quadrinhística, as perspectivas humanas diante da aceleração tecnocientífica, a cena brasileira de quadrinhos, entre outros assuntos.

O Zine Brasil: A Vitrine das Hq's Nacionais é um site especializado na publicação e divulgação dos Quadrinhos Brasileiros, seus Artistas, Heróis e Universo Independente. Criado e editado por Michelle Ramos.

segunda-feira, janeiro 28, 2008


Recebi o livro de Volta ao mundo da ficção científica (UFMS), a primeira coletânea de artigos teóricos sobre o assunto de que tenho notícia. O livro é muito bom. Ainda não tive tempo de ler todo (assim que o fizer, publico uma resenha aqui), mas dei uma olhada geral, comecei a ler e achei realmente um nível muito bom. Para minha surpresa, no artigo ¨Níveis de recepção da ficção cyberpunk no Brasil: um estudo de casos exemplares¨, de Rodolfo Londero, li o seguinte:


Outro exemplo de recepção direta (do cibyerpunk) é O anjo da morte, conto de Gian Danton que aborda um tema recorrente na ficção cyberpunk, o ciberspaço, porém através de uma perspectiva filosófica, assemelhando-se mais a Matrix (1999), filme que também demonstra contatos, principalmente com a obra fundamental do gênero, NEUROMANCER. Na verdade, o próprio termo ciberpunk é grafado em O anjo da morte. Entretanto, na obra, o termo não se refere ao subgênero da ficção científica, mas à cultura em geral, pois ¨a cultura cyberpunk não é somente uma corrente da ficção-científica, mas um fato sociológico irrefutável, uma mistura de esoterismo, programação de computador, pirataria e ficção-científica, influenciada pela contracultura americana e pelos humores dos anos 80¨


Quem estiver interessado no livro pode mandar um e-mail para Rodolfo Londero (rodolfolondero@bol.com.br) ou para a editora (editora@nin.ufms.br). O livro custa R$ 20.

domingo, janeiro 27, 2008


história dos quadrinhos 22
Os fumetti


Apesar da forte concorrência dos quadrinhos americanos e dos mangás, os quadrinhos italianos ainda sobrevivem e fazem sucesso em vários países principalmente na forma de gibis grossos, com histórias em preto e branco, muitas vezes tratando do velho oeste americano. São os fumetti, cujo melhor exemplo é Tex.
Após a II Guerra Mundial, a Itália parecia buscar uma identididade cultural e ela, em muitos sentidos, foi conseguida através do fumettis. O primeiro personagem a fazer sucesso no pós-guerrra foi L´Asso di Piche, com roteiro de Alberto Ongaro e desenhos de Mario Faustinelli e Hugo Pratt. O personagem era uma mistura de Fantasma, Batman e Spirit e fez pouco sucesso de público, mas garantiu contratos para que seus autores fossem atuar na Argentina.
Na década de 1950 os editores italianos viram as vendas dos comics americanos decaírem e resolveram investir em produtos nacionais.
Tex Willer, surgido em 1948 foi o personagem que fez mais sucesso. Ele é um ranger, casado com a filha de um chefe índio, com quem tem um filho, Kit. Até então, a maioria dos faroestes mostravam os índios apenas como selvagens a serem mortos. Tex revolucionou ao mostrá-los com simpatia. Mas, segundo a História de Los Comics, a razão do sucesso estava principalmente no desenho realista e ágil de aurélio Galleppini e nos roteiros de Gian Luigi Bonelli, sempre muito exatos nas informações históricas e geográficas. ¨Sempre tenho tentado recriar a verdadeira atmosfera do velho oeste, em que homens justos se viam obrigados a usar a lei do colt para reprimir os abusos e violências de homens sem escrúpulos. Por isso, tenho usado uma linguagem forte e roteiros violentos¨, declarou Bonelli.
A editora Bonelli praticamente padronizou os quadrinhos populares italinos, publicando gibis auto-contidos, com histórias longas em preto e branco.
Depois de Tex, outro grande sucesso foi Zagor, criado por Guido Nolitta (pseudônimo de Sergio Bonelli, filho do criador de Tex) e idealizado graficamente por Gallieno Ferri , uma mistura de faroeste com fantasia. Também Akin, uma espécie de Tarzan que fala com os animais e Diabolik fizeram grande sucesso. Diabolik, criado pelas irmãs Ângela e Luciana Giussani, causou grande polêmica por ter como protagonista um vilão, que constantemente derrota a polícia.
A editora criada por Bonelli torna-se a casa dos principais criadores italianos. Seu filho Sérgio iria substitui-lo não só na administração, mas também nos roteiros e acabaria se revelando um ótimo redator.
Aos poucos, a editora diversifica sua linha de gibis, com personagens como Mister No (um aventureiro), Nick Raider (um policial em Nova York), e terror (com Dylan Dog).
Mas a maior obra-prima publicada pela editora foi sem dúvida Ken Parker, o mais humano dos cowboys, criação de Ivo Milazzo (desenhos) e Berardi (roteiros).
Um diferencial dos fumetti é o fato de que, ao contrário do que aconteceu nos EUA, o desenho não se sobrepôs ao roteiro. O objetivo de qualquer revista publicada pela Bonelli ou por suas concorrentes mais diretas, é contar uma boa história, e um bom desenho é colocado sempre a serviço da história, e não o contrário.
Uma curiosidade: Tex foi, durante muitos anos, a revista predileta dos vigias noturnos.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Nota de falecimento

Faleceu ontem à noite Benedito cardoso dos santos, o Bena, vítima de um acidente de trânsito. Bena era conhecido de todos que estudam ou trabalham no CEAP. Era alguém no qual se podia confiar sempre, que sempre dava um jeito de ajudar quando se precisava de um equipamento, de uma sala... sempre com um sorriso no rosto.
Simpático e prestativo, era amigo de todos, do faxineiro ao professor-doutor. Bena era tão querido que foi homenageado pela maioria das turmas que se formaram pelo Centro de Ensino Superior do Amapá. Vai deixar saudades.
O velório está acontecendo hoje, na av. Raimundo Nunes da cruz, 134, bairro Novo Horizonte, Santana. O enterro acontece às 17 horas.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Jovem, se você completou dezoito anos, aliste-se! Quem não se lembra dessa pérola da propaganda nacional. Pérola no sentido negativo. Onde já se viu uma propaganda imperativa? Só deu certo porque estava vendendo algo que todos os jovens eram obrigados a fazerem: alistar-se no serviço militar. Essa peça era tão ruim que virou piada. De lá para cá, as propagandas das forças armadas não melhoraram muito. Entretanto, essa propaganda da marinha de Singapura mostra que é possível sim ter boas idéias para convencer os jovens a se alistarem.

Os cinco plots mais idiotas do Homem-Aranha


One More Day, a saga que deu um reset na vida do Homem-Aranha, provocou todo tipo de reação por parte dos leitores e da crítica especializada. E por mais que Brand New Day, inicialmente, esteja sendo timidamente bem recebida, a resolução mágica dos problemas matrimoniais e de identidade secreta do herói não será esquecida tão cedo.John Marcotte, do blog norte-americano Badmouth, aproveitou o rebuliço causado por One More Day para relembrar alguns dos plots mais estúpidos utilizados em histórias do Cabeça-de-Teia. É coisa para fazer Mefisto se contorcer de inveja. Leia mais no Universo HQ


Os cinco momentos mais estúpidos, sebundo o Badmouth, são: 5. A Saga dos Seis Braços, por Stan Lee e Gil Kane; 4. O Aranhamóvel, por Gerry Conway e Ross Andru; 3. Doutor Octopus casa com a Tia May, por Gerry Conway e Ross Andru; 2. Pecados Pretéritos, por J. Michael Straczynski e Mike DeodatoE o segundo lugar fica para um arco publicado nos anos 2000, cortesia do criador da série de TV Babylon 5 (Straczynski levou Gwen Stacy à Europa e a fez ter um tórrido romance com Norman Osborne, o Duende Verde. E não parou por aí: ela teve um casal de gêmeos, alterados geneticamente e criados para acabar com a raça do Homem-Aranha quando crescessem (ou seja, dois ou três anos depois de terem nascido). ; 1. A Saga do Clone, por Howard Mackie e vários outros artistas


Ps: Há de se separar o joio do trigo. O aranha de seis braços, o aranha-móvel e o casamento da Tia May são da fase camp do personagem, em que os próprios artistas não o levavam muito a sério. Os vilões eram ridículos, as tramas eram ridículas, mas tudo tinha um ar dadaista que agradava os fãs e antecipava os trabalhos de Grant Morrison no Homem-animal. Já a saga do duende era só uma enrolação para vender revistas e confundir a mente dos leitores.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Capitão Nascimento e o Oscar



Meu livro Watchmen e a teoria do caos já provocou polêmica. Embora a maioria tenha gostado, alguns não entenderam que o objetivo da obra era analisar o discurso científico de Alan Moore e, portanto, não poderia entrar em outros dos muitos aspectos interessantes da obra. De todas as resenhas, a melhor, parece-me, foi a escrita pelo filósofo Edgar Indalecio Smaniotto para o jornal Graphic, que reproduzo abaixo.




WATCHMEN: Caos e Informação

Edgar Indalecio Smaniotto

Watchmen e a Teoria do Caos (Editora Marca de Fantasia, 2005), de Gian Danton, é uma analise da famosa mini série que revelou o talentoso roterista Alan Moore para os Estados Unidos e o mundo: WATCHMEN.
Como nos lembra Gian Danton, antes da publicação de Watchmen, Alan Moore já fazia história no mundo dos quadrinhos, tendo escrito Miracleman e O Mostro do Pântano. Com Miracleman Moore pretende responder a seguinte pergunta, que parte de “uma idéia simples: como séria o mundo se um super-herói realmente existisse? Como ele se comportaria de verdade?” (p. 12). Já em o Mostro do Pântano temas polémicos e por vezes de difícil assimilação tornam-se o foco do roteiro: ecológica, política, metafísica e ciência.
Em Watchmen os elementos presentes em Miracleman e no Mostro do Pântano são novamente introduzidos, mas agora com uma intensidade narrativa capaz de levar o leitor a um êxtase estético comparado aos melhores clássicos da literatura. Para além das qualidades estéticas da obra (de arte, com certeza), Moore arrasta o leitor em um mergulho por conceitos e teorias científicas: teoria do caos e da informação, efeito borboleta, teoria da complexidade e etc.
É justamente o uso que Alan Moore faz destas diferentes ciências no decorrer da narrativa de Watchmen que interessa ao pesquisador Gian Danton, neste pequeno livro, fruto de sua dissertação de mestrado (mas não se preocupe, o texto de Danton é fluente, sendo prazeroso mesmo para quem não esta habituado a livros com notas de rodapés e citações).
O primeiro capítulo “Os autores”, é um ensaio biográfico a respeito de Alan Moore (roterista) e Dave Gibbons (desenhista) de Watchmen, até o momento da criação da referida mini série, com alguns comentários sobre suas carreiras após o sucesso alcançado com Watchmen.
O segundo capítulo “A obra”, é uma análise geral e consistente de Watchmen, a partir do principio da teoria do caos conhecido como efeito borboleta, usado pelo escritor de ficção científica Ray Bradbury no famoso conto “Um Som de Trovão”, já adaptado para o cinema. Numa caçada ao Tiranossauro Rex, cuja expedição de caça é transportada à pré-história por uma máquina do tempo, um dos caçadores sai da trilha rigorosamente determinada, pisa em uma borboleta, matando-a, e provoca sérias mudanças em sua época.
Em Watchmen, segundo Danton, a borboleta séria o Dr. Manhattan primeiro e único super-herói com super-poderes de verdade (os outros personagens não tem super poderes, são pessoas comuns como o são Batman e o Fantasma). A existência deste super-herói muda completamente a história e as relações humanas.
A fim de buscar uma compreensão dos princípios originários da teoria do caos utilizados por Moore, Gian Danton recorre as obras de Edgar Morin, Hilton Japiassu, James Gleick e Isaac Epstein. Apoiado nestes autores Danton desvela toda a complexidade por traz de Watchmen, revelando ao leitor que esta obra é na verdade um recado de Moore aos cientistas que “ensimesmados em seu mundo determinista, repleto de gráficos e estatísticas, eles se esqueceram do aspecto humano, da não linearidade, do acaso, da incerteza...” (p. 39).
No terceiro capitulo “Uma Imagem do Caos”, Danton recorre ao conceito matemático de fractal (criado por Mandelbrot), que lhe permite analisar e entender alguns elementos de Watchmen: O Castelo do Dr. Manhattan em Marte, a história dentro da história que é o gibi “Contos do Cargueiro Negro”, a reunião patrocinada pelo Capitão Metrópolis, que iria ter influência decisiva para todos os personagens, inclusive Ozimandias, e seu plano para salvar a humanidade de um ataque nuclear. Neste capítulo o autor também busca uma aproximação entre a teoria do caos e a teoria da informação, estando as duas presentes em Watchmen.
O quarto e último capítulo, “Complexidades em Escala”, é uma “análise da primeira parte do quinto volume da edição brasileira de Watchmen”, análise por sinal bastante minuciosa, que além de desvelar para o leitor as informações contidas nesta pequena parte da obra é também uma aula de leitura de histórias em quadrinhos.
Claro que o objetivo principal de uma HQ é sempre o lazer, mas este não precisa ser pobre, pode sim aliar sabedoria e prazer, este parece ser o caso de Watchmen. Já a obra de Gian Danton, Watchmen e a Teoria do Caos, é um livro que merece nossa atenção, bem escrito, fruto de uma análise competente de um clássico incontestável das HQs, é também porta de entrada para que deseja conhecer a teoria do caos. Danton consegue demonstrar que as histórias em quadrinhos são uma arte tão séria e passível de análise científica quanto qualquer arte mais “nobre”. Boa Leitura!

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Edgar Indalecio Smaniotto é filósofo, mestre em Ciências Sociais e autor do livro: A FANTÁSTICA VIAGEM IMAGINÁRIA DE AUGUSTO EMÍLIO ZALUAR: ensaio sobre a representação do outro na antropologia e na ficção científica brasileira. Rio de Janeiro: Editora Corifeu, 2007. Contato: edgarsmaniotto@gmail.com

terça-feira, janeiro 22, 2008


Eis aí a chamada deles, pedindo projetos para a editora.

Nono império, nono picareta



Nesses mais de vinte anos de quadrinhos sempre me deparei com situações e pessoas inusitadas. De todas as figuras, as mais terríveis são os editores pilantras. Um bom exemplo disso é a editora portuguesa Nono Império.
Eles fizeram um concurso para roteiristas e eu fiquei em primeiro lugar. 4
Eles, incialmente, iam lançar uma revista mix e me encomendaram uma personagem de mangá. Pagavam pouco, mas diziam que pagavam. O cotrato era draconiano, inclusive prevendo que os direitos da personagem criada seria deles. As exigências eram máximas, como se estivessem realmente pagando uma fortuna. Eles pediam modificações nos roteiros. Diziam que o pagamento só seria feito depois de quatro histórias aprovadas. Pediam fichas de personagens, fichas de ambientação, de trama. Chegaram ao ponto de pedir que, para cada história, eu enviasse referências visuais de personagens, ambientes e objetos para o desenhista. Ou seja, de roteirista, eu já estava fazendo trabalho de editor.
Algum tempo depois, eles me escreveram, dizendo que o desenhista estava enrolando para fazer as páginas e pedindo para que eu escrevesse a ele, adulando-o. Boa, além de roteirista e editor, queriam que eu fosse também babá de desenhista. Escrevi a eles sugerindo que eles trocassem de desenhista. A resposta foi: ou sai com esse desenhista, ou não sai. Parece que o tal desenhista era parente de um dos sócios da editora...
Nesse meio tempo, tive gastos com correio internacional, pois tinha que assinar cópias e mais cópias do contrato, e mais de uma vez havia alguma coisa errada. O contrato chegando corretamente lá, eles diziam, eu receberia o pagamento pelas três primeiras histórias.
Passou-se um longo silêncio. Eles não respondiam meus e-mails. Quando finalmente consegui contato, eles me disseram que não iam mais publicar a história porque o desenhista tinha desistido de ilustrar... e que eu não receberia um tostão. Disseram que talvez pagassem os gastos que tive com correio. Talvez. E não pagaram.
Ou seja, a Nono Império é o pior tipo: o editor pilantra que toma ares de bom pagador. Fazem mil exigências, cobram muito, mas no final não pagam nada. Fica o alerta. Quem engana um, engana vários.

Ladrão confunde pão com dinheiro e acerta cúmplice nas nádegas

Dois ladrões foram condenados à prisão após uma tentativa de assalto frustrada em que confundiram um saco de pão com uma sacola de dinheiro. Ao tentarem fugir, um deles terminou com tiro nas nádegas, disparado pelo cúmplice.
Benjamin Jorgensen, de 38 anos e Donna Hayes, de 36, vão pegar sete e oito anos de prisão, respectivamente, pela tentativa de roubo armado em um restaurante em Melbourne, na Austrália.
De acordo com o jornal australiano The Sydney Morning Herald, durante a ação, Jorgensen pegou um saco em que acreditava conter dinheiro, mas ao tentar fugir acabou descobrindo que a sacola estava cheia de pães.
Ao tentar escapar, o ladrão ainda disparou sua arma acidentalmente, atingindo as nádegas de Donna, que ficou hospitalizada durante um mês por causa dos ferimentos.
O juiz Roland William descreveu a dupla, que pretendia roubar uma carga equivalente a R$ 47 mil como um “par de idiotas”. Fonte: BBC

Devir lança A Força da Vida, de Will Eisner


Por Marcelo Naranjo (22/01/08)A Devir Editora lançará a A Força da Vida (formato 19,4 x 25,5 cm, 148 páginas, R$ 38,00), do mestre Will Eisner. Nesta obra, o autor examina as vidas e os sonhos, as esperanças e os temores de personagens comuns que perseveram e sobrevivem à Grande Depressão econômica dos anos 30. Leia mais
Ps: Will Eisner foi o quadrinista completo. Ótimo roteirista e desenhista, ele inventou um gênero, a graphic novel, com o Contrato, e, enquanto vivo, flertou com a literatura, o cinema e o jornalismo. Seu álbum O Complô é jornalismo puro. Esse novo lançamento já está na minha lista de compras.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Veja o trailer do mais novo filme da saga Jornada nas Estrelas, dirigido pelo diretor de Lost.

Fomos assistir Eu sou a lenda, filme baseado na obra de Richard Matheson, que já ganhou duas versões no passado: "Mortos que Matam" (The Last Man on Earth, 1964) e "A Última Esperança Sobre a Terra" (The Omega Man, 1971). Confesso que não assisti as versões anteriores, mas essa, dirigida por Francis Lawrence é muito boa. Surpreendeu positivamente. Ao contrário do que aconteceu com A Ilha, em que uma história muito boa foi transformada em pura correria e tiros, Eu sou a lenda soube mesclar suspense, ação, terror e intimismo. Chega a ser um filme filosófico, em muitos sentidos. É um filme sobre a solidão e sobre esperança. Num mundo devastado por um vírus semelhante ao da raiva, o personagem de Will Smith é uma das poucas pessoas imunes e investiga uma cura. Dos que ficaram doentes, o que não morreram, viraram caçadores da noite, caçando carne humana. Sua única companhia é sua cadela. Como um Robison Crusoe do apocalipse, acompanhamos a tragetória desse homem solitário em busca de comida, de uma cura e, principalmente, de esperança. Um belo filme.

história dos quadrinhos 21
O homem dos patos

No final da década de 1920, Walt Disney estava inconsolado. Ele havia acabado de perder os direitos sobre seu personagem Osvald, o coelho para Charles Mintz. Para compensar, ele criou outro personagem inspirando-se num camundongo que costumava visitar seu escritório. Assim nascia o divertido Mickey, com sua cabeça grande, pernas finas e sapatos grandes, como um menino que tivesse vestido os sapatos do pai. Inicialmente, o camundongo deveria se chamar Mortiner, mas Disney acabou mudando de idéia (alguns autores creditam a mudança à esposa do desenhista). Em 1928 estreou o primeiro curta-metragem do personagem, e também o primeiro desenho animado sonoro da história, tornando-se logo um sucesso.
Não tardou para que o personagem migrasse para as tiras. Floyd Gottfredson foi escolhido para fazer a adaptação.
Outro personagem surgido nas animações também logo ganharia sua versão em quadrinhos: o Pato Donald. O desenhista Al Taliaferro adaptou o filme A galinha sábia para as tiras e depois o resultado foi copilado em um gibi com grande sucesso.
Mas o personagem realmente só se tornaria célebre após a entrada de Carl Barks no título. Barks foi um fracasso em diversas profissões, de cowboy a carpinteiro, passando por condutor de mulas e impressor. Não conseguindo sucesso em nada, ele decidiu investir no sonho de ser desenhista. Seu primeiro trabalho foi numa revista humorística, mas um dia ele viu um anúncio da Disney, procurando animadores e se candidatou. Foi colocado no setor de roteiros e ajudou a criar gags visuais para mais de 40 curta-metragens.
Certa vez ele foi escolhido para participar de um longa do Pato Donald intitulado O Ouro do Pirata. O projeto não saiu do papel, mas mesmo assim Disney resolveu transformar o material em uma revista em quadrinhos e convidou Barks para fazer a adaptação. Foi um sucesso tão grande que a editora Dell-Western lhe ofereceu um emprego como quadrinista.
Barks estava, enfim, no seu elemento. Em 1947 ele criou o Tio Patinhas, baseado no personagem sovina do Conto de Natal, de Dickens. Criado para uma única história, ele agradou tanto que logo ganharia revista própria. Barks continou desenvolvendo a mitologia dos patos com a criação de outros personagens, como o inventor Professor Pardal e o sortudo Gastão.
Tio Patinha logo se tornou um personagem extremamente popular, graças quase que exclusivamente às histórias de Barks.
Segundo a enciclopédia Históira de los Comics, o que fazia de Barks um gênio não era sua criatividade ou seus desenhos, embora ambos fossem ótimos. O que o transformou em gênio foi a autenticidade dos mundos que criou. Essa autenticidade surgia tanto da experiência de vida quanto das pesquisas minuciosas que fazia para suas histórias.
Um exemplo de mundo criado é a vila quadrada, um local perdido nos Andes em que tudo era quadrado (até os ovos!) e as formas arredondadas eram proibidas.
As histórias de Barks embalaram a infância de milhões de crianças em todo o mundo. Quando ele parou de produzir, foi como se fosse criado um vácuo nos quadrinhos Disney. Hoje esses quadrinhos estão sendo cancelados em todo o mundo. No Brasil, a única revista que ainda vende bem é a luxuosa Clássicos Disney, que republica as histórias de Barks, e tem como públicos os adultos saudosistas de boas HQs.
Atualmente, o quadrinista Disney mais famoso é Don Rosa, um fã tão inveterado de Carl Barks que faz de todas suas HQs homenagens ao homem dos patos.

Super-humanos de verdade em documentário do Discovery Channel


Por Marcus Ramone (21/01/08)Superpoder não é privilégio apenas de personagens dos quadrinhos. Na vida real, também há pessoas com habilidades sobre-humanas espantosas que desafiam a ciência.Isso é o que o Discovery Channel irá mostrar no documentário Os Super-humanos, no qual serão apresentadas histórias verídicas de pessoas que têm algum tipo de "superpoder" que as difere dos seres humanos comuns e são estudadas por cientistas em busca de explicações para esses dons. Leia mais

sexta-feira, janeiro 18, 2008

O ano para salvar o planeta

2008, acredita-se, vai ser o ano da grande virada, o ano em que a humanidade vai se unir em torno da idéia de salvar o planeta do aquecimento global. Até a China está planejando criar cidades ecológicas. E os EUA vão investir pesado no etanol, um combustível não poluente. Surpreendentemente, Macapá, uma cidade encravada no meio da Amazônia, e que deveria ser a primeira a aderir a esse movimento global, está indo na contramão da história. Abaixo coloco alguns dos conselhos dos especialistas para ajudar a salvar o planeta, e os comentários sobre a situação disso em Macapá.

Ande de bicicleta
Andar de bicicleta faz bem para o corpo e para o planeta. A pessoa se exercita e, ao mesmo tempo, não polui a camada de ozônio. No jornal em que trabalhei em Curitiba tinha um fotógrafo que ia para o trabalho de bicicleta. Aqui em Macapá isso é, senão impossível, perigoso. Existem pouquíssimas ciclovias e as poucas que existem são totalmente desrespeitadas. A ciclovia do bairro do Congós tem servido de estacionamento para carros, para ambulantes colocarem seus carrinhos... para tudo, em suma, menos para o tráfego de biciletas. Aliás, os próprios ciclistas nem sempre andam na ciclovia, talvez por causa dos muitos obstáculos do caminho.
Ande de ônibus
Em grandes metrópoles, pode-se andar pela cidade inteira pagando uma só passagem e em pouco tempo. Ecologistas dizem que o transporte coletivo é a melhor saída para evitar o aquecimento global. Aqui em Macapá a passagem é cara e o serviço péssimo. Uma aluna uma vez me mostrou um texto no qual ela comparava sua ida à faculdade de ônibus com um estupro. Se não é, é quase. Os usuários passam horas na parada, debaixo de sol escaldante e, quando vem um ônibus está caindo aos pedaços. A situação é tão precária que levou ao surgimento dos mototaxistas, um meio de transporte perigoso e poluente.

Plante uma árvore
Fala-se que cada pessoa que tem um carro deveria plantar duas árvores por ano. Uma recente pesquisa mostrou que plantar árvores e plantas no teto dos edifícios pode diminuir em até 10 graus a temperatura de uma metrópole. Em Macapá poucas pessoas têm o costume de plantar árvores no quintal ou na frente da casa... e os governantes seguem o exemplo. Recentemente a prefeitura urbanizou o bairro do Congós e não plantou uma única árvore. Urbanizar é colocar asfalto e concreto.

Não desperdice água
A água vai faltar em várias partes do planeta até o ano de 2020. A Amazônia tem um terço da água doce do planeta. A água, portanto, é nosso bem mais precioso. Mas o que se vê é as pessoas sujando esse bem precioso. Em dia de festa, muitas pessoas divertem-se jogando lixo nos rios. Se tiver uma lixeira do lado, a pessoa anda um pouquinho só para ter o prazer de jogar lixo na água.
Outro problema é a falta de água tratada. Dia desses o nosso poço artesiano ficou com cheiro ruim e resolvi instalar água da Caesa. Não chegava nas torneiras. Fizeram o teste e descobriram que a pressão da água era de menos de um metro. Para limpar o poço artesiano a receita é simples: passar várias horas jogando água fora. Um desperdício que não existiria se houvesse água tratada.
Em algumas cidades até a água do esgoto é tratada e reaproveitada. Aqui em Macapá, esgoto é como disco voador: dizem que existe, mas eu nunca vi.
Desse jeito, o que resta é torcer para que o resto do mundo faça sua parte para evitar o aquecimento global.

quinta-feira, janeiro 17, 2008


Os Simpsons são famosos não só pelos ótimos roteiros, mas também pelas milhares de referências espalhadas nos episódios. Olha só a capa desse gibi, do episódio "That 90's Show", da 19a. temporada! A versão baby dos Watchmen (e ainda uma referência a V de Vingança!).

Pixel Preview chega às bancas com novidades da editora


Por Marcelo Naranjo (17/01/08) O segundo número da revista Pixel Preview, que chega ainda esta semana às bancas, traz algumas novidades da Pixel Media para o ano de 2008. Em fevereiro, chega o primeiro especial com o mago inglês John Constantine, da série Hellblazer. Na edição, o leitor encontra as últimas seis histórias inéditas no Brasil escritas por Garth Ennis. Leia mais
Ps: Um detalhe interessante de tudo isso é o destaque ao nome do roteirista, Garth Ennis. Nem a capa, nem o release sequer mencionam o desenhista. Quando eu comecei a escrever quadrinhos, na década de 1980, a relação era inversa: geralmente o nome que não aparecia na capa era do roteirista e o destaque era dado, todo, ao desenhista. A revista A Hora do Crepúsculo, lançada pela Nova Sampa, embora lançasse três histórias minhas em parceria com o Bené Nascimento, trazia na capa a chamada ¨Texto e desenhos de Bené Nascimento¨. Tempos ingratos aqueles.
Quem mudou isso foram os roteiristas britânicos, em especial Alan Moore (Monstro do Pântano) e Neil Gaiman (Sandman). De repente os editores norte-americanos perceberam o óbvio: é o desenho que faz alguém comprar uma revista em quadrinhos pela primeira vez, mas é o roteiro que faz com que ele continue comprando.

Direto do Desencannes


quarta-feira, janeiro 16, 2008

Quem não tem curiosidade de saber como é um outro país? Se você não tem a oportunidade de viajar até lá, existe sempre a possibilidade de assistir programas televisivos de turismo. Mas esses pecam por só mostrarem os pontos turísticos, e não o cotidiano daquele país. O desenhista José Aguiar inverte o ângulo no seu blog REISETAGEBUCH- Uma viagem ilustrada pela Alemanha. Vale lembrar que José Aguiar recentemente fez em Curitiba uma exposição com desenhos que fez na Alemanha. No seu blog, ele compartilha conosco o seu cotidiano e sua mania de fotografar curiosidades (provavelmente para tranformá-las em desenhos). Existem fotos de placas de banheiro, de ursos de chocolate, de pessoas no metrô... e cada foto é acompanhada de um texto muito bem escrito. Existem imagens muito interessantescomo de uma placa em um banheiro público, ensinando o que fazer com um escovão, e um tijolo na rua em homenagem à Olga Benário. Existem mais de 7.500 desses tijolos em homenagem aos judeus que foram mortos pelos nazistas (um número pequeno, se comparado com o um milhão de pessoas mortas em campos de concentração).
Ps: o blogger não está permitindo que eu coloque imagens, então você vai ter que conferir as ilustrações no blog do Zé...

terça-feira, janeiro 15, 2008

Ângelo Agostini

Abaixo a relação dos artistas premiados com o Ângelo Agostini, o mais importante prêmio do quadrinho nacional:

* Melhor Desenhista de 2007: Laudo Ferreira Junior
*Melhor Roteirista de 2007: Anita Costa Prado
*Melhor Cartunista de 2007: Marcio Baraldi
*Melhor Lançamento de 2007: Menino Caranguejo (Splinter Comics)
*Melhor Fanzine de 2007: Justiça Eterna (Sergio Chaves)
*Troféu Jayme Cortez: Eloyr Pacheco
*Mestres do Quadrinho Nacional: Aníbal Barros Cassal, Antônio Luiz Cagnin, Diamantino da Silva, Fernando Dias da Silva, Ofeliano de Almeida e Salatiel de Holanda

Pixel lança edição especial com Tom Strong


Por Marcelo Naranjo, sobre o press release (14/01/08)Tom Strong - A Invasão das Formigas Gigantes (formato americano, 128 páginas, R$ 32,90) traz de volta Tom Strong, o maior herói científico de todos os tempos. Ele foi criado por Alan Moore em 1999 para a linha America's Best Comics, e é uma homenagem aos quadrinhos e pulps antigos, com vilões incríveis, mulheres intrigantes, viagens fantásticas e muito mais. Leia mais

domingo, janeiro 13, 2008

Infelizmente ainda existe na net muitos blogs e site revisionistas, que negam a existência do holocausto efetuado pelos nazistas contra judeus, ciganos, homossexuais e qualquer um que discordasse de Hitler. A única forma de combater a mentira, é divulgando a verdade. Assim, coloco abaixo link para dois bons blogs sobre o assunto:

O Holocausto
O holocausto - shoah