quinta-feira, setembro 17, 2026
Quarteto Fantástico: Os amigos de Wendy
Coringa - mergulho em uma mente ensandecida
Belém, Pará, Brasil
Se há uma música que representa com perfeição a situação da região norte é “Belém, Pará, Brasil”, do grupo paraense Mosaico de Ravena.
Misturando rock e carimbó e Lançada no início da década de 1990, essa música se tornou um fenômeno local. Tocava o tempo todo nas rádios no Pará. Na época, eu participava da diretoria de um centro comunitário (na Cidade Nova) e realizávamos, todo domingo, um concurso com cantores. O fechamento do evento era sempre a música do Mosaico de Ravena e, quando começava a tocar a parte final, que puxava para o carimbo, a galeria simplesmente ia à loucura: começava todo mundo a dançar no salão.
Além do ritmo, o segredo do sucesso da música estava diretamente ligado ao sentimento geral de isolamento e invisibilidade (curiosamente, esse mesmo sentimento parecia predominante no outro extremo do Brasil, representado pela música dos Engenheiros Longe demais das capitais).
A primeira estrofe já tocada em assuntos com a exploração da região, os projetos criados pelo governo central que teoricamente deveriam trazer progresso, mas que só agravaram a situação:
Região Norte
Ferida aberta pelo progresso
Sugada pelos sulistas
E amputada pela consciência nacional
A segunda estrofe se refere ao apagamento da cultura regional, algo que já vem de longe e que na época era muito evidente. Felizmente, muito dessa mentalidade mudou. Hoje o Palacete Pinho e o Ver-o-peso tornaram-se pontos turísticos.
Vão destruir o Ver-o-Peso
Pra construir um shopping center
Vão derrubar o Palacete Pinho
Pra fazer um condomínio
Coitada da Cidade Velha
Que foi vendida pra Hollywood
Pra ser usada como albergue
No novo filme do Spielberg
As estrofes seguintes referem-se à imagem equivocada e distorcida que se tinha sobre a região, algo que senti na pele quando minha família se mudou para Belém, lá no início da década de 1980. As pessoas, quando sabiam que eu iria me mudar para Belém, perguntavam se eu não tinha medo de índios ou jacarés. Sério. A letra, irônica, brinca com isso.
Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés
Tropeçando em vocês
A culpa é da mentalidade
Criada sobre a região
Por que que tanta gente teme?
Norte não é com M
Nossos índios não comem ninguém
Agora é só hambúrguer
Por que ninguém nos leva a sério?
Só o nosso minério
Na verdade, o processo de apagento cultural era tão forte que mesmo as pessoas da região na grande maioria das vezes não valorizavam o que era local, visto por elas como atrasado ou inferior. Daí o “aqui a gente toma guaraná quando não tem Coca-cola”. Ou seja: era um problema que só começaria a se resolvido quando os próprios amazônida tomassem consciência da importância de sua cultura. E, de fato, a ideia de que a região norte não tem cultura ou tem uma cultura atrasada é mais do que equivocada, algo que percebemos, por exemplo, na área da fantasia. Enquanto muita gente paga pau para o folclore inglês que deu origem a livros como O senhor dos anéis, na Amazônia há um folclore igualmente rico muitas vezes ignorado justamente por quem faz literatura de fantasia.
Aqui a gente toma guaraná
Quando não tem Coca-Cola
Chega das coisas da terra
Que o que é bom vem lá de fora
Transformados até a alma
Sem cultura e opinião
O nortista só queria fazer
Parte da nação
Ah! Chega de malfeituras
Ah! Chega de triste rima
Devolvam a nossa cultura
Queremos o Norte lá em cima!
Por quê? Onde já se viu?
Isso é Belém!
Isso é Pará!
Isso é Brasil!
Vingadores contra o Fantasma do Espaço
O lançamento da revista dos Vingadores foi uma verdadeira sensação entre os fãs. Afinal, eram alguns dos principais heróis da Marvel reunidos. Mas depois da edição de estreia, em que o grupo lutou contra Loki, Stan e Jack Kirby precisavam de um inimigo à altura.
No número dois de The Avengers o grupo enfrenta um extraterrestre chamado Fantasma do Espaço, dono de um poder realmente impressionante: tomar o lugar de qualquer pessoa, enquanto essa pessoa é enviada para o vácuo. Ele pretende usar esse poder para derrotar os Vingadores colocando um contra o outro e, assim, abrir caminho para uma futura invasão extraterrestre.
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| O Fantasma pode se transformar em qualquer pessoa. |
Mas o fantasma do espaço é muito burro. Logo no início da história ele diz que sabe que Tony Stark é na verdade o Homem de Ferro. “Eu sei o segredo de todos eles, afinal, estou observando-os há meses!”.
Chegando à mansão, ele toma o corpo do Hulk e ataca os outros, com a intenção de causar desunião no grupo de heróis.
O problema é quando ele sai e encontra com Rick Jones e não o reconhece. “Sou eu, Rick Jones, o garoto que salvou a sua vida. O cara que se certifica que você consiga voltar a ser o Dr. Bruce Banner”. Ao que o alienígena pensa: “Então... o Hulk tem outra identidade?”. Ele estava observando o grupo há meses, mas não sabia que Bruce Banner era o Hulk? Não sabia da amizade com Rick Jones?
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| Hulk não gosta de reuniões. |
Não bastasse isso, ele também se revela como um alienígena que tomou o corpo do Hulk e faz até uma demonstração – o que inclusive vai provocar sua derrota lá na frente.
Parecia que o vilão tinha algum tipo de compulsão suicida que fazia com que ele criasse as situações de seu próprio fracasso.
Além disso, é muito curioso, hoje em dia, ver o Hulk soltando esse tipo de péroloa: “Agora que a turma toda tá aqui, o que a gente faz? Não tô no clima pra brincar de beijo, abraço, aperto de mão!”.
Era uma época de quadrinhos mais ingênuos, mas divertidos.
A guerra dos gibis
Bom dia, Verônica – Segunda temporada
A primeira temporada do seriado Bom dia, Verônica parecia tão redondinha, tão fechada, que uma segunda temporada tinha tudo para ser forçada. Afinal, o psicopata Brandão, vilão da trama, havia morrido no final. Continuar a história, portanto, era uma aposta arriscada. No entanto, o roteiro acabou sendo amarrado de tal forma que a continuação consegue ser tão boa quanto.
Na segunda temporada o vilão é Matias Carneiro, um líder religioso que usa sua posição para abusar de mulheres, praticar tráfico humano e criar uma milícia que se infiltra em todas as instâncias do poder, em especial na polícia.
Se na primeira tempora o grande destaque era Camila Morgado, no papel de esposa do psicopata Brandão, aqui o destaque fica por conta de Klara Castanho, que interpreta a filha de Matias Carneiro.
A relação pai e filha é marcada por uma superfície de amor e carinho, representada pela cena inicial, em que Matias acorda a filha com a caixa de música de bailarina. O que vemos ali é um pai apaixonado pela filha criança, que parece dedicar toda a sua atenção e compreensão a ela.
Mas, por trás dessa superfície, existe uma história de abusos que fica o tempo todo implícita.
As cenas entre os dois parece sempre oscilar entre dois momentos, um de carinho paterno e outro de violência, violência que aparentemente nunca se revela, mas sempre está ali, em olhares, em pequenas expressões, sempre implícita. Para isso contribui muito a atuação de Reynaldo Gianecchini no papel de Matias, que com seu olhar calmo e sua voz doce consegue ser capaz de manipular qualquer um.
É curioso como os roteiristas Raphael Montes e Ilana Casoy conseguem costurar essa trama quase caseira com a história de Verônica, que continua investigando as conexões do psicopata da primeira temporada. A relação entre as duas histórias vai se tornando cada vez mais estreita até os episódios finais, que são simplesmente hipnotizantes.
Vale destacar também como o contexto religioso é muito bem aproveitado, com destaque para a cena em que Matias e sua filha cantam a música “Quando o sol bater na janela do seu quarto”, do Legião Urbana. A cena resume toda a base de aparente carinho e, ao mesmo tempo, tensão.
Em tempo: Matias Carneiro é evidentemente inspirado em João de Deus, o curandeiro envolvido em diversos crimes, entre eles estupros e assassinatos.
Integralismo: o fascismo tupiniquim
Roteiro de quadrinhos: construindo um estilo
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| Sandman foi um dos quadrinhos que mais me influenciaram no início de carreira. |
Na prática da escrita não existem gênios que surgem do nada, com um estilo próprio e revolucionário. Todo grande escritor é fruto de suas leituras. Todo grande escritor se assenta sobre os ombros dos que vieram antes dele. Só para citar um exemplo mais famoso: O nome da Rosa, de Umberto Eco é o resultado de uma série de influências, entre elas, principalmente Conan Doyle (o nome do protagonista, Guilherme de Barskerville, é uma referência direta a um dos romances de Sherlock Holmes) e Jorge Luís Borges (o nome do vilão, Jorge, é uma homenagem direta ao escritor argetino).
Na verdade, o estilo de um escritor é o resultado de suas influências literárias em conjunto com sua experiência de vida. Essa sopa, bem temperada, dá origem às grandes obras.
Isso não significa copiar um autor, mas absorver um pouco de vários e digerir essas influências misturando-as com suas próprias experiências pessoais. Com um autor você pode aprender narrativa, com outro diálogo, com outro a forma de lidar com as elipses quadrinísticas, com outro a estrutura da trama... cada um tem algo a nos ensinar.
Quando comecei a escrever quadrinhos durante algum tempo tive uma produção prolixa, já que a editora Nova Sampa, para a qual eu trabalhava, comprava praticamente tudo que eu escrevia. Isso me permitiu fazer um exercício que recomendo a todos novos autores: fazia histórias imitando o estilo deste ou daquele roteirista. Em uma HQ seguia o modo de escrever de Neil Gaiman, em outro, o de Grant Morrison e em outro, o de Alan Moore (só para citar os que mais me influenciaram). Para fazer isso eu precisava estudar o estilo de cada um para fazer a “história homenagem”.
Acabei gostando da brincadeira e produzi um fanzine literário, Ideias de Jeca-tatu em que, a cada número publicava a biografia de um escritor e um conto-homenagem no estilo dele. Foram homenageados Monteiro Lobato, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, entre outros. Com cada um eu aprendia algo, fosse o humor lobatiano, o clima poético de Poe, o sarcasmo sutil de Machado.
Ao final, meu próprio estilo foi se definindo. Um estilo que não era uma imitação de nenhum desses escritores ou roteiristas, mas uma mistura de todos eles, uma sopa antropofágica da qual emergiu minha própria maneira de escrever e bolar tramas.
Perry Rhodan – O sol fantasma
O número 254 da série Perry Rhodan é uma continuação
direta do volume anterior, no qual Rhodan e seu grupo de desembarque
encontram-se presos em um mundo vegetal, prestes a serem transformados em
zumbis pelos seres locais.
Como o livro anterior, Avanço no Mundo das Trevas,
havia sido marcado por confusão e pura enrolação, minha expectativa era de que,
apesar de manterem o mesmo escritor, H. G. Ewers, as coisas melhorassem.
Afinal, aqui teríamos os personagens em plena ação, imersos em uma situação
extremamente intrigante e criativa.
Infelizmente, o livro não corresponde às expectativas. Ewers
justifica a ausência de socorro por parte da nave Crest III através da
ação de um tal de Bluul — um ser que se alimenta de energia e gera ilusões,
fazendo os terranos acreditarem que estão em outro lugar. O problema é a falta
de profundidade: quem é Bluul? Qual a sua origem? Qual sua ligação com o
planeta das plantas ou a extensão de seus poderes? H. G. Ewers parece ter todas
as respostas, mas se esquece de compartilhá-las com o leitor.
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| A capa original alemã. |
A lógica narrativa falha novamente quando os terranos, ao
perceberem a farsa, tentam se libertar usando uma bomba atômica. O Bluul, em
vez de ser afetado, simplesmente "engole" a energia liberada. Para
resolver o impasse, os protagonistas detonam uma Bomba de Arcon (capaz de
destruir um planeta inteiro) e conseguem escapar. Ewers, contudo, falha em
explicar por que o Bluul não absorveria também essa carga massiva de energia,
tornando a solução incoerente.
O mesmo padrão se repete no núcleo do planeta vegetal. Em
determinado momento, Rhodan, já em processo de transformação, pede um
"cristal de ilusões". A narrativa chega ao ponto em que o ser
modular, Baar Lun, recebe a mensagem: “A grande vida submete-se ao poderoso”.
Apesar de soar como um tremendo deus ex machina, o recurso poderia ter
gerado um desfecho interessante se o conflito fosse resolvido de forma pacífica
e diplomática. No entanto, a ideia morre como uma ponta solta, sem qualquer
explicação posterior.
Curiosamente, este volume publicado pela Ediouro traz uma
carta do leitor Tomás Rafaeli, de Curitiba, que critica a tendência
imperialista da série: “Por que uma figura glorificada como Perry Rhodan tem
que invadir uma galáxia estranha? Não acham que é um mau exemplo?”. A
crítica de Tomás se aplica perfeitamente a este volume, no qual o roteiro
ignora nuances criativas e resolve todos os dilemas através de ações puramente
agressivas.
quarta-feira, setembro 16, 2026
Homem-aranha e Tigresa
Uma das edições mais célebres da dupla Chris Claremont – John Byrne à frente do título Marvel Team-Up foi o encontro do aracnídeo com a Tigresa, no volume 67.
Na história, Kraven, o caçador, captura o Homem-aranha usando dardos paralisantes. Quando o heró acorda, dá de cara com o vilão, tendo ao seu lado Tigresa.
A imagem, uma splah page é impressionante e chamou a atenção de todos que leram a história: O aranha, acorrentado, em primeiro plano, de costas para o leitor. Em segundo plano, Kraven sentado em uma almofada, relaxando e a Tigresa ao seu lado, os cabelos soltos esvoaçantes. Na imagem, ela parece tanto uma gatinha ao lado do dono quanto uma perigosa felina pronta a pular sobre a presa.
| Uma splash page de impacto. |
O que acontecera é que Kraven, ao ser perseguido pela heroína, instalara nela uma coleira que controlava seu comportamento, fazendo com que ela obedecesse ordens suas: “Ela anseia pela caçada. Você é a presa, Homem-aranha. Se ela o matar, minha vingança estará completa. Se for o contrário, você conquistará o direito à vida. Seu tem um deus, Homem-aranha, reze para ele!”.
A situação é uma sinuca de bico: o aracnídeo não pode matar Tigresa, mas sabe que se não o fizer será morto por ela. Esse dilema ético é o que torna essa história tão interessante do ponto de vista de roteiro.
| A história é simples, mas cheia de ação. |
Quanto ao desenho, Byrne estava em plena forma e conseguia fazer imagens que refletiam a heroína como se ela fosse de fato uma felina.
A história, simples em sua essência, funciona muito bem.
O que fazemos nas sombras
Perry Rhodan – O mistério do Anti
Quando Atlan chega ao cargo de imperador de Árcon, lá pelo meio do segundo ciclo da série, parece que as ameaças à Terra finalmente foram debeladas. Afinal, os arcônidas são a mais poderosa força militar da galáxia. Para deixar claro que a situação não é tão cômoda assim, K.H.Scheer, escreveu um livro focado em um risco real: a morte de Atlan. Esse personagem era teoricamente imortal graças a um ativador celular no formato de um ovo. Mas e esse equipamento fosse roubado? É isso que acontece no número 96 da série.
Quando comecei a ler, pensei que esse livro teria tudo para ser uma tremenda trama policial, com vários suspeitos no palácio sendo descartados um a um até se chegar ao verdadeiro ladrão. Mas Scheer simplesmente preferiu ignorar essa possibilidade.
Assim, o ladrão é o líder de uma seita fanática que se enquartelou em seu templo guardando ali o artefato que garante a vida do imperador.
Aqui, de novo, a trama trazia várias possibilidades narrativas. Afinal, uma seita de fanáticos é um tema ousado para a época e poderia gerar até mesmo uma saga. George Martin usou esse plot, de uma seita se infiltrando nas estruturas do poder, de forma genial em Guerra dos tronos.
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| A capa original alemã. |
Mas, de novo, o resultado é decepcionante. A história se limita ao ataque bruto das forças de Atlan e de Rhodan contra o templo uma vez que os mutantes não podem ser usados, pois o líder da seita é um anti, alguém capaz de anular poderes mutantes.
No final, a história se resumiu em um duelo entre personagens, algo que já tínhamos em outras histórias, entre elas a primeira do segundo ciclo.
O mistério do Anti tinha tudo para ser um dos volumes mais inovadores e interessantes do segundo ciclo, mas acabou sendo apenas mais do mesmo.
Em tempo: a capa americana desse volume (reproduzida aqui pela Ediouro) é um daqueles muitos exemplos de como o artista Gray Morrow não fazia a menor questão de se inteirar da série antes de fazer as ilustrações. Aqui Gucky aparece totalmente descaracterizado, com uma cauda pontuda e um rosto que lembra mais um gato que um rato.
Crise – Destruição
O terceiro número da série crise é todo focado nas máquinas espalhadas pelo Monitor em vários locais e períodos diferentes da terra e a tentativa dos heróis de defendê-la do inimigo misterioso que ameaça tragar toda a realidade.
O roteirista Marv Wolfman opta por uma estratégia interessante. Ele situa cada uma dessas máquinas em determinados pontos e períodos que lhe permitam aproveitar vários personagens da DC, prestando-lhes uma homenagem.
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| Um dos artefatos vai parar na II Guerra Mundial... |
Assim, por exemplo, um dos artefatos acaba sendo defendido pelos Novos Titãs e pelos Renegados, um grupo formado pelo Batman.
Outro artefato vai parar na Europa na época da II guerra mundial, o que permite ao roteirista explorar personagens de guerra da DC, como Sargento Rock e a companhia moleza, o Tanque mal assombrado e o Capitão Storm.
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| ... e outro no velho oeste. |
Uma das máquinas vai parar no velho oeste e temos a aparição de Jonah Hex e Johny trovoada, entre outros.
Embora o roteirista tenha recebido a ajuda de um funcionário da DC para fazer a pesquisa, espanta perceber o conhecimento dele sobre os personagens e a forma respeitosa e acertada com que ele retrata os personagens, muitas vezes emulando o estilo das histórias. George Perez, por outro lado, sempre disse que adorava desenhar muitos personagens diferentes e deve ter adorado a experiência.
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| Precursora pronta para matar o Monitor - um dos momentos mais impactantes da série. |
Apesar de toda a reverência, Marv Wolfman não pensa duas vezes na hora de matar personagens – e muita gente morre nessa edição, inclusive personagens importantes, ampliando o ar dramático da história.
Perry Rhodan 97 – O preço do poder
O número 97 da série Perry Rhodan apresenta a conclusão da saga envolvendo o filho do protagonista, Thomas Cardif. Criado longe dos pais, Cardif acreditava que Rhodan havia sido responsável pela morte de sua mãe, Thora, e tentava a todo custo se vingar, algo que muitas vezes colocava a segurança da Terra em perigo.
Quem escreveu a primeira aparição de Cardif foi Kurt Brand e provavelmente por essa razão ele foi escolhido para narrar o momento final do personagem. Foi uma péssima escolha de K. H. Scherr, o coordenador da série.
Na trama, Rhodan e os mutantes vão até os planetas dos saltadores para resgatar Cardif. Afinal, ele caíram em desgraça e preso depois que seu plano de matar Atlan havia fracassado. Além disso, se os arcônidas o pegassem, a pena seria a morte. Atlan inclusive chega a dizer que nem mesmo ele conseguiria impedir esse fim.
Para resgatar o filho, Rhodan e os mutantes se disfarçam de uma raça alienígena, e se forem descobertos, isso pode colocar a segurança do Império Solar em risco, de modo que essa missão de resgate não parece fazer o menor sentido do ponto de vista prático e político.
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| Capa alemã do volume. |
Mas Brand consegue piorar o que já uma trama ruim.
Clark Darlton, por exemplo, teria transformado o volume em uma divertida história de espionagem e humor, cheia de reviravoltas.
Brand parece não saber o que fazer com o material e gasta dois terços do livro simplesmente enrolando.
Os terranos iriam se disfarçar de soltenses, um povo governado por um matriarcado em que os homens são oprimidos com surras literais a qualquer erro.
Brand elabora uma frase, que seria a única informação disponível a respeito daquele povo: “Os soltenses são mentirosos” e gasta páginas e mais páginas ao redor disso para no final, fazer uma piada: “Os soltenses são mentirosos porque dão a entender que o planeta onde vivem é um patriarcado”. Sim, é uma piada e uma piada ruim.
A história mesmo só começa a partir da página 100, em um volume de 167 páginas.
Além disso, embora todo tempo todo seja repetido que a única pena possível para Cardif seja a capital, no final, apenas apagam sua memória e o soltam, sem qualquer explicação de porque os arcônidas optaram por essa pena alternativa.
Tudo bem que Thomas Cardif nunca foi um grande personagem. Mas ele merecia um final um pouco menos pífio.





















