terça-feira, agosto 11, 2026

Homem-aranha – O sinistro Shocker

 


Uma das razões pelas quais o título do Homem-Aranha se tornou um dos mais queridos dos leitores foram os diálogos inspirados escritos por Stan Lee, especialmente na interação de Peter Parker com o ranzinza JJ. Jameson, a exemplo do que vemos na história publicada em The Amazing Spiderman 46.

Na história, o aracnídeo se depara com um novo vilão, capazes de provocar tremores suficientes para arrombar um cofre de banco. O herói tira as fotos do confronto do aranha com Shocker e leva para o dono do Clarin, que fica maravilhado com as mesmas.

- Parece um pirado... mas com certeza venderá jornais! – exclama o sovina.

- Foi o que pensei! Então que tal umas verdinhas? – sugere Parker.

- Se quer salada, vá à cantina lá embaixo... e ponha na minha conta!

- Estava me referindo a grana... dindin... bufunfa... dinheiro, senhor!

- Dinheiro? Não confia em mim, Parker?

- Uma pergunta dessas pode arruinar um ótimo relacionamento, JJ.

Os encontros de Parker com JJ Jameson sempre davam origem a diálogos divertidos. 


No final, o dono do Clarin acaba dando um cheque para seu fotógrafo freelancer favorito. Crédito para o ótimo trabalho do tradutor Mário Luiz Barroso que conseguiu captar perfeitamente o espírito do diálogo.

Algo curioso na história é que o herói está usando uma tipóia, consequência de uma história anterior, em que ele enfrentou o Lagarto. Parecia que Stan Lee passava o dia pensando em que tipo de roubada iria colocar o cabeça de teia: quando não era uma gripe, um pé inchado ou uma torção no braço, quando não eram problemas físicos, eram problemas psicológicos... a vida de Parker nunca parecia estar bem, o que certamente aumentava a identificação dos leitores com o mesmo.

O herói estava usando uma tipóia... 


Mas a tipóia cria um problema de verossimilhança na história.

À certa altura, Parker é seguido pelo caolho, um repórter do Clarin interessado em descobrir o segredo da relação do fotógrafo com o herói. O caolho vê Parker entrando num beco e depois o homem-aranha saindo e conclui que os dois são a mesma pessoa.

... mas isso cria um problema de verossimilhança. 


Para solucionar a situação, Parker simula uma conversa do aranha com ele mesmo, depois faz um boneco que sai balançando numa teia. Um boneco balançando numa teia conseguiria ser convicente para o olhar de um jornalista? Mas, mesmo que esqueçamos isso, tanto o aranha quanto Parker estão com uma tipóia exatamente no mesmo braço! É preciso ser muito idiota para acreditar que duas pessoas no mesmo lugar coinscidentemente haviam se machucado da mesma forma.

Punho de Ferro - A chegada dos X-men

 


Em 1977 os mutantes eram escritos por Chris Claremont e começavam a despontar com personagens de destaque na casa das ideias. Mas estavam longe de se tornar o fenômeno que se transformariam com a entrada de John Byrne no título.

Entretanto, a parceria Byrne-Claremont já estava dando bons frutos no título do Punho de Ferro, herói de lutas marciais. No número 15 da revista, esse personagem se encontrou com os X-men, dando o vislumbre do que seria a fase da dupla (algo que só aconteceu meses depois).

Na história o Wolverine está usando um uniforme ridículo. 


Na história, Punho de Ferro vai visitar sua namorada Misty e é confundido com um ladrão pelo Wolverine.

Existe uma regra na Marvel: sempre que dois ou mais heróis se encontram, eles inevitavelmente brigam por conta de algum tipo de equívoco.

É o que acontece aqui. O que começa com uma briga do Punho de Ferro contra Wolverine logo degenera numa batalha campal do herói de artes marciais contra vários X-men que praticamente destrói o apartamento de Misty e Jean Grey.

Byrne imita o estilo de Cocrkum ao representar os X-men. 


O interessante aqui é que John Byrne imita o estilo de Dave Cockrum, o então desenhista dos X-men. Talvez fosse uma forma de homenagear o colega – ou de mostra para os editores da Marvel que ele poderia assumir o título dos mutantes sem que os leitores sentissem o impacto da mudança de ilustrador. De fato, cinco meses depois ele assumia o título.

Seja como for, o resultado é estranho para nós que nos acostumamos a ver esses personagens no traço de Byrne.

Black Hammer

 


Confesso que tive mais de uma oportunidade de comprar um exemplar de Black Hammer, série de Jeff lemire e Dean Ormston. Mas eu achava estranha a capa do primeiro número e não conseguia decifrar o que era aquilo: super-heróis? Terror? Uma mistura? Mas um amigo me convenceu a comprar o primeiro número (valeu, Rodrigo Bandeira!).
Black Hammer conta a história de um grupo de heróis que, ao derrotar o maior vilão de todos os tempos (o Antideus), acabam sendo misteriosamente exilados em uma pequena cidade. Nenhum deles sabe o que há além das fronteiras do local, pois o único que tentou ultrapassá-las aparentemente morreu. Dessa forma, vivem vidas normais enquanto tentam descobrir onde estão, como vieram parar ali e como voltar para o mundo normal.
No posfácio da edição, Lemire conta que criou Black Hammer porque achava que nunca teria a oportunidade de trabalhar com “super-heróis de verdade”. Na época ele estava fazendo uma série alternativa sobre uma cidadezinha, o condado de Essex e a nova série prometia unir esse amor por histórias sobre pequenos povoados com a paixão por super-heróis.
A Dark Horse se interessou pelo projeto, mas a série só engrenou anos depois, quando Lemire já estava escrevendo “super-heróis de verdade”.  E o motivo foi a entrada de Dean Ormston. “O que torna Dean Pefeito para Balck Hammer é que a arte dele é muito diferente dos quadrinhos tradicionais”, escreve o roteirista. De fato, é uma arte que causa o estranhamento que relatei no início deste texto.
As capas são homenagens a gibis clássicos. 

Black Hammer é herdeira direta de Watchmen e Miracleman, ambos de Alan Moore, mas consegue encontrar um ponto de vista diverso dentro da proposta de mostrar super-heróis como pessoas normais. Colocá-los dentro de uma fazenda, numa pequena cidade, dá uma outra perspectiva para o assunto. Ali, cada um se depara com problemas. É Abraham Slam apaixonado por uma garçonete, mas com medo de levá-la até a fazenda, é a menina de ouro vivendo as arguras de mulher de 50 anos preso no corpo de uma menina... esse contexto muito pé no chão é entremeado por sequencias de flash back, com esses personagens na sua versão super-heroiesca. É muito nítido que esses flash backs são claras homenagens a quadrinhos clássicos, como o Capitão Marvel de CC Beck ou o Capitão América de Jack Kirby e Joe Simon. Aliás, as próprias capas são na maioria das vezes homenagens a gibis clássicos.
Lemire consegue equilibrar muito bem esses dois aspectos: o de aprofundamento psicológico e de heroísmo. O desenhista Dean Ormston funciona muito bem para esse aprofundamento psicológico (embora, pessoalmente, eu teria colocado outro artista mais convencional para as sequencias heroiescas para criar na arte o mesmo contraste do texto).
Enfim, é uma leitura instigante.

O museu dos horrores

 

Há certas profissões que a idade não é demérito. O ofício da escrita é um deles. A maioria dos bons escritores vai apenas melhorando a cada ano, desenvolvendo sua linguagem e seu estilo, tirando as gorduras do texto, deixando-o cada vez mais fluído. 
Exemplo disso é R. F. Rubens Francisco Lucchetti, um dos mais importante escritores e roteiristas brasileiros. Lucchetti passou algum tempo esquecido, mas agora volta à carga com uma coleção de livros cujo segundo exemplar é O museu dos horrores.
O livro é focado em dois empresários de uma transportadora que se vêem envolvidos numa trama sobrenatural graças a uma encomenda para o museu de cera de Londres.
Se há uma palavra que pode resumir esse livro é: divertido. Pode parecer paradoxal associar diversão a um livro de terror, mas é exatamente isso que o livro entrega. A leitura é fluída, tem ótimas sacadas de humor (em determinado momento um dos personagens diz que alguém está correndo risco de vida, ao que outra pessoa retruca: se estivesse correndo risco de vida seria ótimo, ele está correndo risco de morte!), um texto fluído em que uma frase puxa a outra naturalmente, suspense na medida certa e, finalmente, terror.
Rubens Francisco Lucchetti dá uma lição de como contar uma história, com ritmo adequado, corte e elipse no momento exato, frases curtas, parágrafos pequenos. Se não fossem algumas palavras mais antigas (como chávena) e a caracterização mais clássica de monstros como Drácula, passaria tranquilamente por um escritor da nova geração. Com um acréscimo: a experiência de anos produzindo textos. Percebe-se claramente que produzir uma boa narrativa já se tornou algo natural para esse grande mestre do terror.
Se tudo isso já não bastasse, são livrinhos baratos (20 reais) e podem ser adquiridos diretamente com o autor - com direito a autógrafo.
Imperdível!

Eu, robô - um clássico da ficção científica

 

Eu robô é um clássico da ficção científica escrito por Isaac  Asimov. O livro, lançado em 1950, é uma seleção de contos com histórias que giram em torno de seres robóticos e sua relação com os seres humanos.
O que Asimov trouxe de revolucionário para esse tipo de história foi uma abordagem otimista e racional. Antes dele, a maioria das histórias sobre seres artificiais os tratava como ameaças à humanidade. Aliás, o romance fundador da ficção científica, Frankstein, trata exatamente desse assunto: a criatura voltando-se contra o criador.
Asimov era um otimista com relação à tecnologia e ao pensamento racional. Para ele, bastava, seres robóticos fariam o que estivesse em sua programação. Ele sugeriu que todos os robôs fossem programados com três leis: 1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei; 3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis. Posteriormente ele acrescentou a chamada Lei Zero: Um robô não pode causar mal à humanidade, ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra mal.
Quase todas as histórias do volume tratam das três leis. Todas as situações de conflito apresentadas são sempre resolvidas graças ao uso lógico dessas leis.
Ao introduzir regras de conduta para seres cibernéticos, Asimov tirou deles o peso da ameaça, permitindo que o leitor visse uma face mais humana desses seres. O homem-bicentenário, livro posterior, mas que pode ser encaixado dentro da galeria de textos sobre robôs, leva essa visão a um extremo poético: nele, um simpático robô luta para ser reconhecido como ser humano.

Filmes baseados em obras de Stephen King

  Stephen King é um dos escritores mais adaptados da história do cinema. Todo mundo já assistiu pelo menos um filme baseado em livros dele.Para os que não costumam ligar  o filme à obra original, coloco abaixo uma relação de algumas das melhores adaptações de obras de King. 



Carrie, a estranha - Obra-prima de Brian De Palma, um verdadeira aula de cinema. Numa época em que os efeitos especiais estava só engatinhando, o diretor consegue provocar medo apenas com um ótimo uso da linguagem de cinema. Além da memorável cena do sangue de porco caindo em Carrie, atenção para um momento no final: Carrie chega em casa, entra no banheiro para se lavar. Quando abre a porta, sua mãe aparece das trevas.
O iluminado - King nunca gostou dessa versão de Kubrick, especialmente por causa da interpretação de Jack Nicholson, que deixa claro desde o primeiro minuto quem é o vilão da história. Mesmo assim, é uma adaptação fenomenal e um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. 



Um sonho de liberdade - O diretor predileto de King, Frank Darabont, fez um dos melhores filmes sobre penitenciárias que já assisti, com final surpreendente. Foi um fiasco nos cinemas, mas se tornou um clássico nas locadoras, o que deu a Darabont liberdade para dirigir mais um grande filme baseado em um texto de King: à espera de um milagre. 

À espera de um milagre - Mais um ótimo filme de prisão. Um homem negro, enorme, é preso pelo assassinato de duas garotas, mas o policial responsável pelo corredor da morte descobre que ele tem o dom de curar doenças. Na minha opinião, é o melhor texto de King e Darabont não decepciona. Atuação fenomenal de Tom Hanks. 


O nevoeiro - outra ótima adaptação de Darabont, sobre um escritor que acaba ficando preso em um supermercado quando um nevoeiro assassino toma conta da cidade. Nem de longe é tão bom quanto os dois filmes anteriores, mesmo assim, é um ótimo filme de terror. 

Conta comigo  - de Rob Reiner, um dos filmes mais sensíveis baseados em uma obra meio auto-biográfica de King sobre um grupo de garotos que vai atrás do cadáver de um menino. Uma ótima metáfora sobre o processo de amadurecimento de um rapaz e sobre a amizade. Foi um dos campeões da Sessão da tarde nos anos 1990 e muita gente assistiu diversas vezes. Chegou a influenciar seriados como Anos Incríveis e Simpsons, que apresentaram episódios com histórias semelhantes. 




1408 - filme de Mikael Hafstrom baseado em um conto de King sobre um escritor cético que, para esccrever um livro, se hospeda em um quarto mal-assombrado e só percebe o que realmente está acontecendo quando é tarde demais. Deu um ótimo filme, com John Cusack dominando a interpretação como Johnny Depp fizera em Janela Secreta. É um belo exemplo de terror psicológico. 

Essa é uma pequena relação de algumas das adaptações que mais gostei. Certamente os leitores devem ter outros exemplos, afinal foram mais de 100 filmes baseados em textos de King. Deixe nos comentários suas sugestões para essa lista. 

Editora da Unifap publica livro digital sobre cibernética

 


 
Relações sociais, culturais e políticas fazem parte da vida em sociedade e sofrem constantes mudanças em suas formas, principalmente após a popularização da internet e a disseminação dos meios de comunicação virtuais. A presença de máquinas e do ciberespaço se tornou parte da vida social a ponto de ser comum confundir o real e o virtual. A Cibernética, por exemplo, é comumente relacionada ao meio virtual e às máquinas, mas é um conceito que antecede a chegada deles. Então como ela surgiu e o que é exatamente?

A resposta para esta e outras curiosidades a respeito da Cibernética está disponível no mais recente lançamento da Editora da Unifap, o livro digital ‘Introdução à Cibernética’, do Prof. Dr. Ivan Carlo Andrade de Oliveira. O e-book, como são conhecidos os livros digitais, pode ser baixado gratuitamente no link https://www2.unifap.br/editora/files/2023/08/introducao-a-cibernetica.pdf e aborda o conceito e a complexa relação da Cibernética com os mais variados campos de conhecimento e seu papel fundamental na correção de processos de comunicação entre eles, além da compreensão das relações entre homem, natureza e máquinas.

Segundo o Prof. Dr. Ivan Carlo Andrade de Oliveira, a maioria das pessoas associa cibernética com informática e computadores, quando na verdade sua principal característica seria avaliar tudo como processos de comunicação.

“A guerra é um processo de comunicação, uma empresa é um processo de comunicação, a psicologia… A neurose, por exemplo, nasce de um processo de comunicação problemático”, explica o Prof. Dr. Ivan Carlo de Oliveira.

O docente conta que a inspiração para escrever o livro veio após muitos estudos a partir do teórico Isaac Epstein, considerado o pai da cibernética no Brasil, e sua larga experiência com o tema. Ele afirma que o livro surgiu da tentativa de explicar para as pessoas o que é a cibernética e aplicação dela em várias áreas.


Texto: Rafaela Cristina (Estagiária Assesp/Unifap)

Maus

 

Maus, a história de um sobrevivente é a melhor história em quadrinhos já produzida sobre o holocausto. De autoria de Art Spielgman, o livro conta a história do pai do autor, um judeu polonês sobrevivente do campo de Auschwitz.

O livro fala da relação complicada entre pai e filho e como os efeitos psicológicos da guerra repercutiram por anos.

O livro, além da sinceridade absoluta, se destaca pelo ótimo tratamento gráfico, com suásticas avançando como sombras sobre os personagens judeus. A representação dos povos, embora use o antopormofismo (animais para representar seres humanos), um recurso já clássico nos quadrinhos e nos desenhos animados, o faz de forma a destacar a mensagem do autor e ressaltar o clima opressor do período nazista.

Assim, os alemães são representados como gatos e os judeus como ratos. Os americanos são cachorros, os suecos carneiros, os ciganos traças. A representação evoca a propaganda nazista, que, de fato retratava os judeus como ratos e os poloneses como porcos. Era também comum que os nazistas se referissem aos povos indesejados como insetos.

Sem ser melodramática, Maus mostrou e analisou a realidade dos judeus perseguidos pelos alemães, elevando as histórias em quadrinhos a um patamar jornalístico. Tanto que, em 1992, a graphic novel ganhou o Prêmio Especial Pulitzer. 

Grande parte do livro foi publicado em série na revista RAW, editada por Spiegelman. Foi publicado no Brasil em duas partes pela editora Brasiliense. Recentemente ganhou uma versão integrada pela editora Companhia das Letras.

X-men – Tarde demais, heróis!

 


Para quem acompanhava as HQs dos mutantes à época da Saga da Fênix parecia que a história estava num constante crescendo em que uma edição superava a outra e tudo poderia acontecer. Tudo mesmo. Já tínhamos visto, por exemplo, Jean Grey se transformar na vilã Rainha Negra. Mas a edição 134 de The Uncanny X-men ia além ao mostrar a personagem se transformar no maior perigo já enfrentado pela galáxia: a Fênix Negra.

A capa, de autoria de John Byrne, emulava uma capa clássica da fase de Dave Cockrum (publicada em The Uncanny X-men 100), que mostrava o professor Xavier no meio, estimulando o confronto entre os X-men clássicos (à esquerda) e os novos X-men (à direita). Aqui temos a Rainha Negra ao centro, emoldurada pela fênix de fogo, com os X-men à esquerda e o círculo interno do Clube do Inferno à direita.

A capa da edição 134 é uma referência à clássica capa da edição 100 dos X-men. 


Na história anterior, Scott tentara entrar em contato com Jean Grey através do elo mental entre os dois. Mas o Mestre Mental o matara em um duelo de espadas, achando que assim, romperia definitivamente a ligação entre os dois. Mas o que aconteceu foi exatamente o oposto: o choque de ver seu amado sendo aparentemente morto fez com que ela se libertasse do domínio do vilão.

Essa mudança faz com que os heróis consigam derrotar o vilão, mas tem consequência grave: faz com que todas as travas criadas por Jean Grey desapareçam. O que emerge é uma deusa maligna de poder inconcebível.

A sequência em que a personagem se vinga do Mestre Mental – e começa a se transformar na Fênix Negra – é uma demonstração perfeita da sintonia da dupla Claremont – Byrne e como os personagens foram elevados a um nível de tridimensionalidade muito maior do que o esperado numa HQ de super-heróis. A personagem é vista encomberta pela sombra, aproximando-se do vilão, enquanto o texto diz: “Jean Grey está aterrorizada... mais do que jamais esteve em toda a sua vida... porque sabe o que havendo e não pode impedir”.

A história traz para a personagem Jean Grey um nível de aprofundamento poucas vezes nos quadrinhos de super-heróis. 


Mais à frente, no diálogo, a personagem diz: “Este aparelho lhe permitiu criar ilusões sob medida para minhas fantasias mais secretas... o lado sombrio e reprimido da minha alma”.

É interessante notar que o balão já muda aqui, transformando-se no balão irregular com a moldura preta que seria característico da Fênix Negra.

O surgimento da Fênix Negra é um dos momentos mais marcantes dos quadrinhos. 


Mas a sequência também deixa uma questão em aberto. O diálogo deixa a entender que o Mestre Mental despertou algo que já existia na personagem. Se for assim, a Fênix Negra não é uma entidade isolada, mas apenas a manifestação de poder de uma parte maligna da própria Jean Grey. Para quadrinhos de super-heróis essa era uma percepção muito complexa.

Em tempo: essa seria a última edição com o Clube do Inferno e Sebastian Shaw foge afirmando que voltará. Na época pensei: “Caramba, imagine que histórias incríveis vão sair disso”. Entretanto, os personagens nunca foram novamente tão bem aproveitados.

A arte fotorrealista de John Bolton

 


John Bolton é um ilustrador e quadrinista inglês conhecido por seu estilo único que se aproxima do fotorrealismo. Nascido em 1951, ele foi um dos pioneiros entre os artistas britânicos a trabalhar para o mercado norte-americano. Bolton já produzia material para revistas como Look In, The House of Hammer e Warrior quando foi descoberto pelo roteirista e editor Ralph Macchio, que o convidou para produzir uma adaptação de Kull de Valúsia para a revista Bizarre Adventures nº 26, em maio de 1981.

Esse trabalho chamou a atenção do roteirista Chris Claremont, que o convidou para desenhar a personagem Marada, a Mulher-Lobo, criada por ele. A história foi publicada originalmente em preto e branco na revista Epic Illustrated e, posteriormente, colorida e lançada como uma graphic novel. Ainda em parceria com Claremont, ele produziu histórias para a série X-Men Classic, que revisitava momentos clássicos dos mutantes.

A partir de 1989, Bolton dedicou-se mais intensamente ao gênero do terror, produzindo capas e artes sequenciais para a série Hellraiser, de Clive Barker. Ele também é amplamente reconhecido por sua contribuição na aclamada minissérie Os Livros da Magia, escrita por Neil Gaiman. Curiosamente, o artista baseou a aparência do protagonista, Timothy Hunter, nas feições de seu próprio filho mais velho.















segunda-feira, agosto 10, 2026

Livro A árvore das ideias marca 35 anos de carreira de Gian Danton

 

 

Em 2024 o roteirista de quadrinhos Gian Danton completou 35 anos na área de quadrinhos. Para marcar a data, a editora Marca de Fantasia lançou o livro e-book A árvore das ideais – memórias de um roteirista de quadrinhos.

O livro é uma junção de textos e quadrinhos autobiográficos e narra a trajetória do roteirista desde a infância até o momento atual, passando por sua parceria com Bené Nascimento, a criação do grupo Ponto de Fuga e até mesmo a produção literária. Também a atuação na área acadêmica é focada na obra, assim como a descoberta do diagnóstico de autismo.  

A obra traz, na parte visual, a colaboração de três dos principais parceiros de Gian Danton: Bené Nascimento (Joe Bennett) fez a ilustração da capa; Antonio Eder desenhou duas HQs e JJ Marreiro desenhou uma HQ e fez o design da capa. Edgar Franco, orientador de doutorado de Gian, assina o prefácio.

Entre as várias histórias contadas no livro estão os bastidores cômicos da criação da revista Manticore, o falso Gian Danton e o psicopata que fez com que o roteirista começasse a pesquisar sobre serial killers.

O livro tem 184 páginas e pode ser baixado gratuitamente no link https://www.marcadefantasia.com/livros/quiosque/a_arvore_das_ideias/a_arvore_das_ideias.htm.

Assassinato no Expresso do Oriente

 


A primeira vez que soube da famosa obra de Agatha Christie foi através de um tremendo spoiller. Eu liguei a TV e a parte final da adaptação cinematográfica de Sidney Lumet estava passando. Exatamente a parte em que Poirot desvenda o mistério do assassinato.
Dessa forma, demorei muito para me interessar em ler o livro. Afinal, em uma história policial, o mais importante é o desfecho. Se já conhecemos o final, o livro ainda pode trazer algum atrativo?
Para minha surpresa, sim. O assassinato no Expresso do Oriente é um tremendo livro, uma trama muito bem elaborada, com personagens marcantes e um mistério aparentemente indecifrável: um homem é assassinado em um trem e, embora haja muitas pistas, nenhuma delas parece solucionar o mistério.
O filme foi adaptado para o cinema três vezes, a primeira delas em 1974, por Sidney Lumet


Aliás, para mim, o interessante foi justamente identificar a forma genial como a autora planta pistas falsas ao longo da trama. Mais ainda: em certo ponto no final, a trama sofre uma reviravolta, uma revelação sobre cada um dos suspeitos que, ao invés de facilitar, torna ainda mais difícil destrinchar o mistério. Eu lia e pensava: que sacada!

Para quem não conhece o final, o livro deve ser ainda mais interessante. Um dos obrigatórios de Agatha Christie.