terça-feira, julho 14, 2026
Cavernas de aço
A morte do Super-homem e o deus ex-machina
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| A morte do Super-homem é um ótimo exemplo de deus ex-machina |
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| O personagem Apocalypse surge do nada, apenas para matar o homem de aço. |
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| A saga da Fênix é um exemplo de solução dentro da lógica da história. |
Jornada nas estrelas: Metamorfose
Capitão César: o soldado da fortuna
Embora Dick Tracy, Buck Rogers e Tarzan sejam considerados os inciadores dos quadrinhos de aventura, eles tiveram um antecedente nobre. Trata-se de uma tira de humor, que, com o tempo, transformou-se em uma HQ de aventura: o Capitão César, de Roy Crane.
Homem-aranha, Jacketa Amarela e Vespa contra Equinox
A revista Marvel team-up mostrava encontros do Homem-aranha com heróis da Marvel. Era uma forma de ter uma revista a mais do aracnídeo e ao mesmo tempo dar uma elevada na popularidade de novos personagens ou personagens menos famosos. A melhor fase dessa revista foi quando a equipe criativa era composta por Chris Claremont no roteiro e John Byrne no desenho, como podemos ver nos números 59 e 60. Na trama, amigo da vizinhança é atacado por um vilão misterioso que primeiro o frita com uma rajada de fogo e depois com uma pedra de gelo.
Quem vai em socorro é Henry Pym, o Jaqueta amarela. O fato interrompe um encontro romântico deste com Janet, sua esposa, a Vespa.
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| O vilão tem poderes de fogo e de gelo. |
O aracnídeo havia sido atacado por Equinox, um vilão termodinâmico, cujo corpo passa por variações extremas, indo do fogo ao gelo.O vilão segue os heróis até o apartamento de Pym e depois destrói boa parte da cidade.
Com enfrentar alguém tão poderoso? Balas não conseguem atingi-lo: ou derretem no calor extremo ou se chocam contra o gelo duríssimo.
A dupla Claremont-Byrne transforma esse mote numa trama movimentada, que alcança seu auge no momento em que os heróis estão no prédio do Quarteto Fastático e a falta de energia faz com que todo o sistema de segurança do prédio se volte contra eles.
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| Uma das melhores sequências ocorre quando os heróis são atacados no edifício do Quarteto. |
Claremont também aproveita para explorar melhor os personagens, em especial da Vespa, que passa por uma mudança importante nessa história. Tudo isso em meio à ação desenfreada.
Publicada em 1977 essa história já antecipava os grandes momentos da dupla nas histórias dos X-men.
segunda-feira, julho 13, 2026
Livro de Gian Danton vira alegoria do Caprichoso
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| A alegoria de Chico Patuá realizada pelo Boi Caprichoso. |
Na noite do dia 29 de junho de 2024 recebi uma mensagem do amigo Romahs, de Manaus: "Parabéns pela homenagem!". Ele estava vendo, ao vivo, o Festival de Parintins, quando se deparou com uma alegoria em referência ao Chico Patuá, personagem do meu livro Cabanagem, publicado em 2020.
Surpreso, comecei a pesquisar. A alegoria contava toda a história do meu livro: Chico Patuá fugindo dos soldados, o vilão Dom Rodrigo sendo tirado da prisão e perdoado com a condição de que prendesse Chico, as encantarias.
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| A descrição da alegoria, na revista do Caprichoso. |
Na semana seguinte, consegui finalmente contato com a diretoria do Caprichoso, que me confirmou que a alegoria foi baseada na minha obra.
O assunto ganhou grande repercussão na mídia amapaense. O G1 anunciou: "História de escritor do Amapá vira alegoria do 'Boi Caprichoso', tricampeão do Festival de Parintins".
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| O resumo publicado na contrapa do meu livro Cabanagem. |
Alceu Penna e as garotas do Brasil
Mister No – O último cangaceiro
É notório o fato de que Sérgio Bonelli tinha um fascínio pelos cangaceiros, tanto que já na terceira história do personagem deu um jeito de inclui-los na trama. Mas como fazer isso? Primeiro, porque os cangaceiros já não existiam na época em que a série acontece (década de 1950), segundo porque as histórias de Mister No acontecem na Amazônia.
O roteirista contorna esses problemas com inteligência. A questão da ambientação é resolvida através de um homem que contrata Mister No para levá-lo à Bahia, o que, aliás, nos fornece uma sequência maravilhosa de humor, com o tranbiqueiro e sua descupa fleumática “Sua digna confiança poderá vir a ser recompensanda, quando um dia eu tornar a ver a cor dos dólares! Então acertaremos nossas contas!”.
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| Um homem contrata Mister No para levá-lo à Bahia, mas é roubada. |
Aqui, já na terceira história, já é possível perceber um padrão: quando todo serviço que o Mister No pega é uma roubada que, ao invés de lhe render dinheiro, acaba deixando-o no prejuízo. O protagonista da série é, portanto, um divertido perdedor.
Sem dinheiro sequer para colocar gasolina no avião piper, o herói tenta conseguir algum desafiando um lutador de capoeira (uma forma inteligente do roteirista de incluir na história mais essa manifestação cultural brasileira). E, numa verdadeira inversão do que se poderia esperar, acaba levando uma surra. Um contraste total com o que até então era comum nos quadrinhos – em que os personagens norte-americanos eram geralmente invencíveis.
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| Mister No não é um herói invencível. |
Sem dinheiro, derrotado e cheio de hematomas, o herói vai para um bar tomar uma pinga para se consolar. É quando encontra um homem que o contrata para um serviço: levar alimentos para pastores que se perderam no sertão. Mas, como sempre, o serviço é uma roubada. Na verdade, os campangas que vão junto no avião estão ali para matar um grupo que se escondeu no meio da caatinga. E esse grupo é formado por... cangaceiros!
Aqui entra novamente a genialidade do roteirista. Ele consegue achar uma explicação verossímil para esse anacronismo. Na verdade, segundo a história, os cangaceiros são na verdade revolucionários, lavradores que se revoltaram contra a opressão dos grandes proprietários de terras e resolveram se vestir como cangaceiros como forma de ganhar a simpatia da população.
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| Cangaceiros em plena década de 1950? |
Nem mesmo quando o líder dos revolucionários começa um longo monólogo sobre os cangaceiros e sua importância social e histórica, a história perde o fôlego: “Mesmo privado de claras ideologias, fez nascer no povo os primeiros sintomas da revolta contra os latifundiários e os governadores corruptos que com seu poder esmagavam a miserável população do nordeste!”.
Essa situação inusitada gera uma longa trama, que se estende por dois números, repleta de reviravoltas.
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| O roteirista arranja uma explicação verossímil. |
Em tempo: posteriormente o personagem teria outra trama com cangaceiros, essa focada na cabeça de Lampião.
Arnold
Arnold é um documentário dirigido por Lesley Chilcott sobre o ator e fisioculturista Arnold Schwarzenegger. Disponível na Netflix, é dividido em três partes, cada uma das quais explora um momento da vida do protagonista: o fisioculturista, o astro de cinema e o politico.
Embora Schwarzenegger seja uma das figuras mais populares do século XX, muitos dos fatos sobre sua vida são desconhecidos. A maioria das pessoas sabe apenas que ele é austríaco, foi mister universo e estrelou diversas produções de Hollywood. Para a maioria das pessoas, igualmente, ele é um homem cheio de músculos, mas com pouco cérebro. O documentário se distingue por ir muito além dessa visão rasa.
A primeira coisa que espanta é perceber como Schwarzenegger programou sua vida para chegar aos seus objetivos. Ao ver, quando criança, o filme Hércules na conqusita da Atlântida, com Reg Park, ele decidiu que seria primeiro um fisioculturista e depois um astro de cinema da mesma forma que seu ídolo.
A criação caseira, com o pai que impunha uma disciplina militar e colocava ele e o irmão para disputarem até mesmo quem trazia melhores flores no dia das mães, também teve uma forte influência sobre seu caráter. Arnold é um homem que vive de disputas e sua musculatura era apenas a parte mais visível disso. Curiosamente, a mesm criação que transformou ele no que é, destriu seu irmão, incapaz de lidar com o clima opressivo da família.
O documentário traz revelações interessantes, como o fato de que Schwarzenegger foi inicialmente escalado para fazer o herói do filme Exterminador (O. J. Simpson faria o papel do robô). Conversando com James Cameron, ele o convenceu que os papeis estavam trocados, o que foi um grande acerto e transformou o filme num clássico.
Esse momento revela um dos aspectos da inteligência do biografado. Ele sabia escolher roteiros e sabia escolher papéis. Quando percebeu que ficaria marcado apenas como ator de filmes de ação, ele convenceu o diretor Ivan Reitman a dirigir uma comédia com ele. Surgiu assim o clássico Irmãos gêmeos, em que Schwarzenegger faz o papel de irmão de Danny DeVito. Schwarzenegger sabia administrar sua carreira, ao contrário de Stalone, ator que era seu grande concorrente, e que se concentrava unicamente em filmes de ação.
Apesar de nitidamente ser favorável ao ator, o documentário não esconde esqueletos no armário, como o assédio a mulheres e o filho fora do casamento (com a governanta da família). Curiosamente, o filho ilegítimo é o mais parecido com o pai, sendo o único que enveredou pelo fisioculturismo.
O doc acerta ao fechar com falas políticas a favor das vacinas e contra o extremismo político da extrema direita, uma ideologia que tinha capturado seu pai e, de certa forma, foi responsável pela criação que levou seu irmão à morte.
Monstro do Pântano – Meu paraíso azul
Há uma frase famosa de Alan Moore segundo o qual “hoje em dia ninguém mais lê poesia e os quadrinhos são uma forma de devolver a poesia às pessoas”. Ele vai demonstrar isso no número 56 da revista Swamp Thing.
Nas edições anteriores, o Monstro do Pântano havia sido, aparentemente morto por uma organização criminosa. Eles haviam mudado a vibração terrestre de modo que seu espírito não pudesse mais acessar a Terra. Mas na verdade, o personagem não morrera – ele saltara no espaço, procurando um local onde pudesse renascer.
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| O personagem vai parar num planeta azul e cria estratégias para fugir do tédio... |
Na edição em pauta, Moore mostra o que aconteceu com ele. Ele conseguiu sobreviver renascendo em um planeta em que tudo é azul: “As samambaias turquesas... os seixos azul-pálidos... a luz do aquário filtrada por nuvens de cobalto alvejado... os reflexos do azul da Prússia da carapaça polida do besouro que pasta... tudo... tudo é azul”.
A história é centrada em um único personagem, o protagonista, que cria estratégias para passar o tempo e fugir do tédio e da loucura, incapaz de arriscar novamente o salto que pode levá-lo à morte. Ele cria uma versão e si mesmo para jogar xadrez (todas as partidas terminam em empate), cria asas para voar e... finalmente, cria um simulacro de Abbe. Depois cria um simulacro da cidade na Flórida onde se passavam suas aventuras.
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| Ele cria um simulacro de Abbe. |
A HQ é um estudo sobre a tristeza e loucura da solidão. Não por acaso, Alan Moore escolhe a azul, uma cor associada à tristeza em países como os Estados Unidos. A narrativa é toda em primeira pessoa, o que permite a Moore exercitar toda a sua verve poética, como no trecho: “Através da onírica fosforescência do ar rico em gases raros... nós rolamos em uma progressão cinemática... de quadros de stop motion... uma sequência sensual e inescapável”.
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| Mas John Constantine está ali para trazê-lo de volta à realidade. |
Uma curiosidade é que, no meio dessa fantasia, o insconsciente do Mostro cria uma versão de John Constantine, que, como na sua versão real, é quem destrói as fantasias com sua sinceridade cortante: “John Constantine, o que faz aqui?”; “Eu lhe faria a mesma pergunta... mas nunca fui muito de conversar comigo mesmo”.
Fundo do baú - Centurions: Força Extrema
Armaduras e robôs estavam em voga nos anos 1980, e um desenho animado uniu as duas tendências em um só produto: Centurions, produzido pela Ruby-Spears.
A história é centrada em um grupo criado pelo Conselho Mundial para
proteger a Terra de ameaças, utilizando exo-trajes. O time principal é formado
por Max Ray, especialista em operações no mar; Jake Rockwell, especialista em
operações em terra; e Ace McCloud, especialista em operações no ar. Completa o
grupo Crystal Kane, uma operadora de sistemas que dá suporte aos soldados
através do satélite Sky Vault, e o cão siberiano Sombra, mascote da equipe.

A série ganhou uma revista em quadrinhos...
A principal ameaça enfrentada pelos Centurions era o vilão ciborgue Doutor
Terror e seu ajudante, também ciborgue, Hacker. Constantemente, os heróis
precisavam impedir os planos de dominação mundial da dupla.
Inicialmente, o desenho foi planejado apenas como uma minissérie de cinco
episódios, mas o sucesso fez com que fossem produzidos mais 60, totalizando 65
episódios.
O desenho tinha uma "pegada" de quadrinhos. Seu design
foi concebido por Jack Kirby e Gil Kane, e Gerry Conway, famoso por sua
passagem pelo Homem-Aranha, fazia parte do time de roteiristas. Embora fosse
uma produção norte-americana, a animação era feita pelo estúdio japonês Sunrise,
o que conferia um aspecto de anime a algumas sequências.
Os personagens também tiveram uma linha de brinquedos e até uma revista
em quadrinhos publicada pela DC Comics.





























