sábado, julho 04, 2026
O abismo, de Charles Dickens e Wilkie Collins
Psicopatas: uma mente perversa
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| Psicopatas são pessoas acima de qualquer suspeita. |
A arte clássica de Eric Shanower
Eric Shanower começou a trabalhar com quadrinhos em 1986 adaptando uma série de livros no mundo de Oz escritas e desenhadas por ele. A série saiu pelas editoras First e Dark Horse.
Já na década de 1990 teve a ideia de contar em quadrinhos a Guerra de Tróia usando não só o relato mitológico, mas principalmente descobertas arqueológicas. Seu relato histórico do episódio ficou conhecido como A era de bronze. O primeiro volume foi lançado em 1998, pela Image Comics. A série já conta com 31 edições lançadas.
A era de bronze foi indicado diversas vezes ao prêmio Eisner, tendo ganhado duas vezes na categoria “Melhor escritor/artista”.
Seu traço na série é nitidamente influenciado pela linha clara dos quadrinhos europeus.
A ilha – uma distopia que derrapa no roteiro
A Ilha, filme de 2004, de Michael Bay, tem uma ótima premissa e tinha tudo para ser um verdadeiro clássico do cinema. No entanto, o roterio perde-se na tentativa desesperada de transformar uma distopia num filme de ação.
O grande problema é que o grande segredo do filme acaba se revelando cedo demais e sem impacto nenhum com o objetivo de partir logo para a ação desenfreada. A reviravolta é tão banal que todo mundo, mesmo aqueles que não assistiram o filme, já sabem: um grupo de pessoas é criada em um local afastado, um dos poucos refúgios seguros depois que a Terra foi devastada por uma doença. Todos ali sonham com o dia em que serão sorteados na loteria e terão direito a ir para A Ilha, o último local paradisíaco que sobrou.
Ocorre que a Ilha não existe, nem a doença que exterminou a humanidade. Tudo faz parte de um projeto médico e as pessoas que estão ali são clones de outras, que pagaram para terem clones cujos órgãos precisariam usar quando necessário. As pessoas sorteadas na loteria vão, na verdade, para a mesa de cirurgia, onde seus órgãos são retirados.
Um dos clones descobre a verdade e a partir daí tentar fugir e salvar uma amiga que foi sorteada na loteria.
Como havia uma necessidade tão grande de deixar tempo para a ação, não há tempo para que o telespectador crie uma empatia com os personagens. O expectador não sente, por exemplo, o medo do lado de fora (contaminado).
De resto, o filme sucinta várias discussões (não aprofundadas) e remete a várias outras obras. O mito da caverna, de Platão, em que pessoas vivem presas em uma caverna e tudo que vêm são sombras das coisas verdadeiras do lado de fora, é uma referencia óbvia. Para Platão, tudo que vemos tem a sua contraparte perfeita no mundo das idéias, da mesma forma que todos os clones do filme têm sua contraparte no mundo verdadeiro.
A questão da clonagem também é algo que não passa nem perto de ser aprofundado. No filme, os clones começam a desenvolver habilidades de seus originais. Matéria recente do Fantástico mostrou que pessoas que recebem transplantes começam a desenvolver características dos doadores, como se as células humanas guardassem algum tipo de memória não-genética.
Há algum tempo um cientista norte-americano concentrou suas pesquisas nas planária, um tipo de verme dos pântanos. As planárias têm características interessantes. Por exemplo, se você cortar uma ao meio, terá duas guzanos novas. É assim que ela se reproduz: agarrando-se a uma pedra e puxando o rabo até que cabeça e rabo se separem (convenhamos, o sexo foi uma descoberta bem mais divertida!). Pois bem, esse mesmo cientista descobriu que, se ensinasse um desses bichinhos a percorrer um labirinto, depois o retalhasse e desse de comer aos outros, os comilões aprendiam a percorrer o labirinto.
Tal experiência nos diz que talvez não fosse tão sem sentido a idéia dos índios brasileiros, que comiam a carne dos guerreiros abatidos afim de conseguir dele a sua coragem.
A estarrecedora conclusão de que habilidades e memórias podem ser transmitidas pela comida me faz pensar o que estamos comendo?
Ah, mas nem pense que A Ilha faz esse tipo de discussão: os tiros e perseguições de carro são bem mais importantes...
I-ching, o livro das mutações
As mudanças constantes do universo são representadas nas figuras do Yin Yang. Yang representa a força masculina do universo, violenta, criadora. Yin é a força feminina, receptiva, flexível. Yin é a intuitiva, meditativa e complexa. Yang é racional, criativo e ativo.
Na filosofia taoista, Yin e Yang são elementos do mesmo processo. Quando um chega ao seu auge, engendra o outro. Ser sábio é combinar esses dois pólos, harmonizando Yin e Yang.
O estudo do ciclo de Yin Yang, embora seja muito influenciado pelas ideias taoistas, é comum a toda a cultura chinesa e já existia em um livro ancestral, o I-ching.
A mais antiga forma de adivinhação chinesa era a leitura de sinais nos ossos de bois, surgidos depois que eram expostos ao fogo. Daí foi criada a adivinhação em cascas de tartaruga. Na dinastia Shang, o oráculo era consultado com o uso de varetas. O sábio jogava as varetas e determinava se a linha era inteira ou cortada. Depois de jogar seis vezes, formava-se o hexagrama e era possível interpretar seu significado.
Em torno do ano 1150 a.C., o imperador Shang Chou Hsin mandou prender o governador da província de Chou, o rei Wen. Na prisão, ele elaborou os julgamentos dos hexagramas. Posteriormente, seu filho tomou o poder, tornando-se imperador e, descobrindo o trabalho do pai, resolveu ampliá-lo, escrevendo os comentários às linhas mutáveis. Posteriormente, o oráculo foi enriquecido com comentários atribuídos a Confúcio e seus discípulos.
O I-ching não é um livro de adivinhações, pois ele não prevê o futuro, mas estabelece o estado em que as coisas estão, analisando a mudança e a relação entre as forças Yin e Yang.
Por exemplo, no primeiro hexagrama, todas as linhas são inteiras. A imagem formada representa uma situação apenas de linhas fortes Yang, que significam força, criatividade e liderança, razão pela qual esse hexagrama é normalmente chamado de O criativo. O julgamento diz que as forças do céu impelem o homem e o ajudam a iniciar ou levar adiante um empreendimento. O comentário diz que “as forças da natureza favorecem tudo aquilo que se inicia”.
O hexagrama oposto, chamado de O receptivo, é formado apenas por linhas cortadas, representando Yin, a passividade, a dedicação e concórdia, a diplomacia, a perseverança e a paz. O julgamento diz que o sucesso está garantido se a pessoa que consulta o oráculo colaborar e se deixar conduzir, mantendo-se sempre flexível e disponível. O comentário diz que “Ser receptivo é muito importante, pois todos os seres lhe devem o nascimento. Como a Terra, cuja função é receber a semente que depois darão os frutos, também obterá muitos benefícios àquele que souber tolerar e compreender as pessoas e as situações”.
Entenda por que os comentários estão sendo moderados
- Gian, entrei no seu blog e tentei comentar numa matéria, mas não ele não foi publicado imediatamente
- Infelizmente eu tive que acionar a moderação de comentários.
- Caramba, são dezenas de comentários iguais o cara já começa te chamando de stalinista!
sexta-feira, julho 03, 2026
Thor contra Zarrko, o homem do amanhã
Thor era o herói mais poderoso da Marvel, tão poderoso que Stan Lee precisava criar artifícios para produzir algum tipo de suspense e fazer com que a vitória sobre os vilões não fosse tão fácil. Foi o que aconteceu em Journey into Mystery 101, na qual o deus do trovão enfrenta Zarkko, o homem do amanhã.
A história inicia de maneira inusitada, com o personagem atravessando a cidade e destruindo tudo em seu caminho, de latas de lixo a carros (e Homem-de-Ferro indo atrás e pagando os prejuízos). A razão é que ele continua apaixonado pela enfermeira Jane Foster e Odin, seu pai, não autoriza o relacionamento. Como um garoto mimado, o deus do trovão sai destruindo tudo por onde passa.
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| Irritado, Thor sai destruindo tudo pelo caminho... |
Odin vê o episódio e, instigado por Loki, resolve punir o filho, tirando dele metade de seus poderes.
Acontece que justamente nessa situação surge do futuro um antigo inimigo de Thor, Zarkko. Como no futuro não existem armas ou máquinas de guerra, ele traz um robô de mineração para botar o terror no século XX.
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| ... o que faz com que ele perca metade dos poderes exatamente quando surge uma ameaça do futuro. |
A história é arte-finalizada por George Bell, que parece não entender muito bem o estilo de Jack Kirby, deixando seu desenho sujo e tirando um pouco do impacto. A saga se estenderia até o número 102, que já teria a arte-final de Chic Stone, alguém que se adaptava melhor ao estilo do rei.
Kirby, aliás, parece feliz da vida com esse roteiro, que lhe dá a oportunidade de desenhar robôs e máquinas futuristas (embora não com tanta maestria quanto ele faria mais à frente).
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| Um enredo perfeito para Kirby usar sua criatividade. |
Uma curiosidade sobre essa história é que pela primeira vez vemos uma menção ao fato do martelo mjorn voltar para as mãos de Thor, um recurso maneiro, que, no entanto, acabava com um expediente de suspense comum até então: o de que o herói voltava a ser Don Blake depois de 60 segundos longe do seu martelo.
Em nome de Deus
Perry Rhodan – Atenção, teleportadores!
Uma das maiores ameaças enfrentadas pelos terranos no quinto ciclo é a fortaleza dos maahks, uma nave espacial no formato de roda gigante tão monstruosamente grande que se configurava um verdadeiro planeta, com centenas de quilômetros de extensão. Para derrotar um artefato tão inexpugnável, Rhodan recruta seus mutantes teleportadores Tako Kakuta, Ras Tschubal e Gucky. Esse é o mote do número 219 da série, escrito por Kurt Mahr.
Este volume apresenta o mesmo problema da maioria dos livros da série Perry Rhodan: o escritor precisava cumprir um determinado número de páginas e, para isso, enrolava o mais que podia.
Boa parte dessa enrolação acontece no planeta Kahalo, cujas pirâmides coordenam o transmissor estrelar, capaz de transportar naves até galáxias distantes. No meio de tudo isso, os terranos encontram, vagando no espaço, corpos de astronautas amarrados. Isso poderia ser uma antecipação de algo futuro, um flash foward, como se diz em roteiro, mas parece fazer parte da narrativa linear, de modo que a descoberta desses corpos fica jogada apenas como uma ponta solta. Nos números seguintes isso teria alguma explicação?
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| A capa alemã. |
Um aspecto interessante na missão dos mutantes é o fato de que, quando se teleportam para a fortaleza, eles encontrarem uma criança maahk, o que poderia ser usado para humanizar o inimigo. Mas o escritor não se aprofunda muito e quando a criança reaparece, lá na frente, é mostrada de forma estereotipada e odiosa.
Do ponto de vista técnico, o volume traz uma informação interessante sobre a tecnologia dos maahks: eles usam, para decolar suas naves, uma tecnologia de “campos catapulta”, que pode ser usada também para impedir a ação de teleportadores – o que garante os momentos de maior suspense da história. Vale lembrar que Kurt Mahr era, entre os autores, o que tinha mais conhecimento técnico e científico, servindo muitas vezes como consultor para a série.
O volume termina com um gancho, deixando os mutantes em uma situação de extremo perigo, de modo a provocar no leitor o interesse em ler o número seguinte.
No final, Atenção, teleportadores poderia ser um volume interessante... se tivesse pelo menos 30% a menos de páginas.
Uma curiosidade é com relação à capa. Ela representaria os mutantes perdidos no espaço ou os corpos encontrados logo no início da história?
O curupira
Fundo do baú - Matraca Trica e Fofoquinha
Matraca Trica e Fofoquinha (Breezly and Sneezly no original) é mais um dos desenhos animados da Hanna-Barbera que junta um personagem alto supostamente esperto e um ajudante baixinho que o idolatra. No caso temo um urso polar, Matraca Trica e uma foca que vive gripada e espirrando, Fofoquinha.
A maioria das histórias gira em torno das tentativas de Matraca de entrar no quartel comandado pelo coronel Mandragão. As tentativas sempre terminam em muita confusão, para desespero do coronel.
Em um dos episódios, Matraca compra uma geladeira (“Não consigo resistir à lábia de um vendedor”) e quer entrar no quartel para ligar o aparelho. Claro que o coronel descobre o plano e coloca os dois para correr – e eles vão se esconder exatamente no campo de tiro para tanques, quase sempre se posicionando dentro ou atrás de algum alvo.
Lançado no ano de 1964, o desenho teve 23 episódios produzidos.
X-men – fuja para sobreviver!
Em The Uncanny X-men 131 a saga da Fênix Negra, que começara tímida, estava no que parecia o auge da ação e do drama.
A edição começa com Kitty Pryde fugindo dos homens do Clube do Inferno, numa splash page impressionante com a menina desesperada em primeiro plano enquanto, sem segundo plano, as luzes dos faróis de um carro rompem a escuridão da noite. Nas laterais, os rostos dos X-men no estilo que só John Byrne sabia fazer. O texto de Chris Claremont é igualmente impactante: “A hora: madrugada de sábada para domingo. O lugar: um beco deserto do centro de Chicago. Por várias vezes Kitty Pryde pensou ter despistado seus perseguidores...mas eles sempre a reencontram!”.
Na página seguinte, Kitty cai, mas antes que seja aprisionada aparece a Fênix. A imagem é impressionante e antecipa os rumos funestos que a série teria. A heroína simplesmente destroça o carro, seus cabelos ruivos esvoaçantes desenhados como fogo flamejante. Byrne também fazia uma aura de poder com uma camada branca em volta do corpo rodeada por um fluxo amarelo. O efeito era de uma chama. Cristal espanta-se: “Perto disso, minha habilidade mutante de criar luzes não é nada!”.
Na sequência, Fênix lê a mente de um dos homens do Clube do Inferno e descobre onde os outros X-men estão mantidos prisioneiros.
A sequência mais incrível dessa história acontece quando os mutantes já invadiram o local e a Fênix e a Rainha branca duelam. Byrne manipulava perfeitamente os elementos visuais e coloca um fundo branco com a Fênix encoberta pelo pássaro defogo atacando enquanto a vilã se defende com um raio verde. Ororo olha espantada: “O efeito Fênix é tão lindo... e tão terrível! Como a própria Jean”.
No final, parece que tudo acabou. Mal sabia o leitor que era só o começo. O que parecia o auge da saga era apenas uma pequena amostra do que viria pela frente.




























