segunda-feira, março 02, 2026
Lições literárias
Os pilares da terra
Jornada nas estrelas: O fator alternativo
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| A cena com efeitos mequetrefes é repetida à exaustão. |
Rio Pedreira Eco Hostel
O Rio Pedreira Eco Hostel fica em Santo Antônio da Pedreira a 45 km de Macapá, indo pela AP 070 (rodovia do Curiaú). São três chalé à beira do rio Pedreira.
Cada chalé tem o nome de uma localidade: Santo Antônio, Lontra e Abacate. O Lontra é o maior, contando com duas camas de casal e uma cama de solteiro. Os outros têm uma cama de casal e uma cama de solteiro. Os chalés contam ainda com geladeira, fogão, pia, churrasqueira, talheres, pratos e panelas.
O local não serve comida, então é necssário levar tudo que for consumir, inclusive água. Em Santo Antônio existe uma mercearia que vende itens básicos, como água, ovos e pão. Também é possível comprar queijos regionais.
O grande atrativo do Rio Pedreira Eco Hostel é a proximidade com a natureza e a bela paisagem. Os chalém ficam próximos da floresta e é possível ouvir todo tipo de sons do mundo animal, incluindo o ritual dos macacos bugios, cujos urros são ouvidos por toda a região. Esse ritual normalmente acontece no início da manhã e da noite. A proximidade com a floresta também torna a temperatura muito mais agradável do que na cidade.
Outra atração, claro, é o rio. O local conta com um tablado, o que facilita para quem está com criança. Mas atenção: a correnteza pode se tornar forte, então é preciso atenção total aos pequenos.
Enfim, o Rio Pedreira Eco Hostel é um local para ir com a família, relaxar e se divertir.
As diárias custam 150 reais por casal (pessoas a mais pagam 50 reais cada - crianças até 6 anos não pagam). As reservas devem ser feitas com a simpática proprietária do local, a Sandra, pelo número (96) 991156162.
| O local conta com três chalés. |
| Todos os chalés têm cama de casal e solteiro. Também é possível armar rede. |
A ABNT e o professor que ensinava os alunos a fazerem parafusos e porcas
Uma Carta à Minha Juventude: O Poder do Reencontro
É da Indonésia que vem uma das produções mais emocionantes
exibidas pela Netflix nos últimos tempos. Trata-se do longa-metragem Uma
Carta à Minha Juventude, dirigido por Sim F.
O filme acompanha Kefas, um homem bem-sucedido assombrado
por um segredo do passado, o que o torna extremamente protetor com sua filha.
Essa característica é exemplificada logo no início, quando ele corre com a
menina para um hospital em desespero, apenas para descobrir que ela não tem
nada de grave.
O velório de um antigo cuidador de um asilo o faz embarcar
em uma viagem ao passado, e nós voltamos junto com ele, passando a conhecer as
razões de seu comportamento no presente. Kefas perdeu a irmã muito jovem quando
um cuidador, preocupado em roubar a comida do abrigo, negligenciou o socorro
médico. Esse trauma fez com que Kefas passasse a infernizar a vida de todos os
cuidadores que assumiam o emprego posteriormente.
A situação muda quando o senhor Simon é convencido por um
amigo a assumir o cargo. Simon carrega sua própria trajetória de tragédias: seu
filho morreu em um acidente de moto e a esposa faleceu pouco depois. Apático,
seu único plano para o futuro é morrer.
O encontro dessas duas figuras atravessadas pela perda —
inicialmente marcado pelo estranhamento — gera uma mudança mútua que encanta o
espectador. Divertido, emocionante e memorável, Uma Carta à Minha Juventude
transita por diversos gêneros, apresentando desde números musicais muito bem
executados até cenas de ação, destacando-se principalmente pela atuação
magistral do elenco infantil.
domingo, março 01, 2026
Fundo do baú – É o lobo
É o lobo é um animação da Hanna-Barbera de 1969 cujas histórias giravam sempre em torno da mesma trama: um lobo (chamado no Brasil de Lobo Bobo) tentando pegar um carneirinho para comer e sendo impedido por um cão pastor.
Era um humor de repetição, com o Lobo Bobo sempre criando os disfarces mais absurdos, o carneirinho ingênuo a princípio sendo enganado e ele finalmente descobrindo e chamando o cachorro (“É o Lobo! Sim, é isso mesmo, é o lobo. É o lobo!”). Os roteiristas, no entanto, compensavam essas repetições com ótimos diálogos, que brincavam com trocadilhos, rimas e todo tipo de jogos de linguagem.
Em certo episódio, por exemplo, o carneirinho canta: “Era uma vez um carneirinho que foi passear...”. “Na boca do lobo ele foi parar”, completa o lobo.
Os diálogos do lobo com o protetor do carneirinho também era impagáveis. “Em que posso servi-lo?”, pergunta o cachorrão. “Carneiro ensopado”, implora o lobo, como se de fato o outro fosse atendê-lo.
Mas as melhores falas são do carneirinho, quando ele encontra o lobo: “Ei, quem será aquele ali? Será um canguru de Botucatu, ou um galo de São Gonçalo?”; “Quem será esse? Será um bonito jabuti, das margens do Araguari? Ou será que é um camaleão de Jaboatão?”. Claro que a piada funciona graças principalmente aos tradutores, que souberem adaptá-la ao Brasil.
Apesar dos ótimos diálogos, o desenho não parece ter agradado. No final, foram feitos apenas 11 episódios de aproximadamente 6 minutos.
As aventuras de Xisto
Quando eu estava no primário, li um livro que me fascinou. Era um trabalho de escola e cada um era sorteado para ler um capítulo em uma aula. Na primeira aula o sorteado admitiu que não tinha lido nada e, portanto, não se sentia capaz de ler para a turma. A professora perguntou se alguém já tinha lido. Silêncio total. Eu levantei a mão. “Você já leu o livro todos?”. “Duas vezes”, respondi. Depois li tantas vezes que decorei a ponto dos colegas me testarem. Liam um trecho e eu dizia em qual página estava.
O nome desse livro era Aventuras de Xisto, de Lúcia Machado de Almeida, publicado na coleção Vaga Lume.
Além do texto maravilhoso da autora, o livro se destaca pelo trabalho primiroso do ilustrador Mário Cafiero, cujo talento para a fantasia já se revela logo na capa, com o protagonista montado em um cavalo, a espada levantada. O meticuloso trabalho do artista, desenhando cada folhinha nas árvores e cada grama no chão, impressiona. Mas esse detalhismo não está a serviço do realismo. Ela contribui muito mais para tornar a imagem irreal, como num sonho, o que é ampliado pelo fato da proporção entre cavalo e cavaleiro ser estranha, incluindo uma cabeça de cavalo pequena na proporção com o corpo. Essa característica se repete ao longo das ilustrações internas com os bruxos, por exemplo, sendo mostrandos com uma proporção excessivamente alongada (com nove cabeças).
Tudo isso contribui em muito para o clima de fantasia da obra.
O texto de Lúcia Machado de Almeida é singelo e inventivo. Parece simples, mas é cheio de estratégias narrativas, a exemplo da abertura do livro. A autora narra o nascimento no qual o personagem olhou para a mãe e sorriu. E depois:
“Passava o tempo... Quando Xisto fez três anos, morreu-lhe o pai. Aos cinco, teve sarampo, e aos nove ficou de castigo por ter pregado um susto no mestre, que por pouco não endoideceu”.
Misturar em um único parágrafo vários fatos dá a impressão de que esses fatos aconteceram muito rápido. E misturar em uma mesma frase um evento importante, como sarampo e o castigo, dá a dimensão de importância desse último fato ao mesmo tempo em que a história, contada em seguida, destaca a inteligência do personagem.
Na trama, Xisto vê um feiticeiro esconder na parede falsa do fundo de uma gruta um objeto. Ao abrir o local, eles descobre o MANUAL DO SEGREDO DOS BRUXOS.
O manual lista os quatro bruxos ainda existentes no mundo e o ponto fraco de cada um, além de nomear cada um deles de acordo com seus atributos:
Fredegonda – senhora dos que voam, mas não são aves;
Jacomino – o que se alimenta do humo da terra;
Minhoco – o senhor do tempo;
Durga – o que vê sem ser vito.
Como se percebe, a lista só amplia o mistério graças ao texto misterioso (o que seria alguém que vê sem ser visto?), estimulando o leitor a imaginar quais os poderes dessas pessoas.
Para eliminar esses últimos bruxos, Xisto torna-se um cavaleiro andante, acompanhado de seu amigo Bruzo, tão simplório quanto Xisto é inteligente.
Nessa jornada eles ainda enfrentam tiranos. Há tempo até para situações de humor quixotesco, como quando eles acreditam que bruxos estão executando pessoas e acabam descobrindo que são fazendeiros pegando uma galinha para o jantar.
Em suma, um livro mágico, que encantou toda uma geração e abriu as portas para a predileção pela literatura de fantasia.
Thongor, o quase Conan
Clássicos revisitados – Frankstein noir
Mas o desenhista acrescentou muito mais, a começar pela página de abertura, que emula a capa de um pulp fiction da década de 1930, com chamadas de capa e até preço. Marreiro também recheou a história de easter eggs (novamente, para quem não conhece o termo easter egg significa ovo de páscoa e é a brincadeira de esconder numa histórias referências visuais para serem encontradas pelo leitor da mesma forma que crianças encontram ovos na brincadeira de páscoa), principalmente na sequência da danceteria, na qual aparecem diversos personagens de quadrinhos, cinema e até artistas.
Confira abaixo alguns previews e easter eggs espalhados pela história:
Titãs - a série
Super-homem contra Bizarro
Bizarro é um dos personagens mais interessantes da mitologia do homem de aço e um dos que mais simbolizam a era de prata. Originalmente ele era o equivalente ao super-homem num planeta em que tudo era o oposto da terra.
Claro que um personagem tão emblemático não poderia ficar de fora da reformulação de John Byrne, mas o quadrinista canadense deu ao personagem uma formulação completamente diferente.
Na versão de byrne, Bizarro é resultado de uma tentativa de Lex Luthor de criar uma versão própria do super-homem.
| A história começa com uma referência à armadura de Luthor da era de prata. |
O confronto entre os dois foi publicado em Man of stell 5, com desenhos e texto de John Byrne.
A história já começa com uma referência anedótica à mitologia da era de prata. O Super agarra uma armadura, como as usadas por Lex Luthor na era de prata e diz: Você está ficando descuidado, Luthor! Mas quem está dentro da armadura não é Luthor, mas um lacaio (que irá morrer em breve: “Esse traje foi desenvolvido para a Nasa, mas depois descobrimos que qualquer um dentro dele mais de uma hora vira um vegetal”). Nessa nova versão, Luthor é um empresário ganancioso e frio, que não suja as mãos e, portanto, não iria sair por aí vestindo uma armadura.
| Na versão de Byrne, Bizarro é uma criação de Luthor. |
A história pula para várias sequências: um ambulância tem seu pneu furado e não conseguirá chegar a tempo no hospital, mas é transportada pelo que parece o Super-homem, a irmã de lois lane tenta suicidio, mas é salva pelo que parece o homem de aço.
Todas essas boas ações eram, na verdade, de Bizarro.
| O quaro em branco mostra a solidão da irmã de Lois Lane. |
Tudo isso é mostrado numa narrativa simples, mas eficiente, assim como o traço de Byrne. Exemplo disso é a sequência que mostra o drama da irmã de Lois Lane, que ficou cega numa história anterior.
Guerras Secretas – Ataque a Galactus
O número nove da série Guerras Secretas começa com uma situação extremamente tensa. Galactus terminou seu equipamento e está prestes a devorar o planeta criado por Beyonder.
Aí você percebe porque Galactus foi colocado no meio da
disputa, embora sua presença ali desequilibrasse totalmente a balança a favor
dos vilões. Era uma estratégia narrativa de Jim Shooter para criar uma ameaça
maior do que a própria disputa e garantir um clímax dramático para a história.
Ou talvez fosse porque os fabricantes de brinquedo acharam que Galactus ia
ficar legal na coleção. Vá saber.

O Senhor Fantástico lidera a luta contra Galactus...
Quando o Homem de Ferro consegue passar pelos robôs e pelo
próprio Galactus, Reed Richards muda de ideia e decide que os heróis não devem
mais atacar o deus cósmico. O argumento
do Senhor Fantástico é que se vencer a disputa, Galactus terá seu desejo
realizado por Beyonder e deixará de exterminar planetas.

... depois decide não lutar...
Essa é uma das características mais irritantes do roteiro de Jim Shoooter em Guerras Secretas. Os personagens mudam o tempo todo de opinião, indo de 8 a 80 em segundos, numa total desconexão com o que foi mostrado antes. Quem estava muito disposto a lutar em uma página está tentando convencer os outros a não lutarem na página seguinte.

... depois decide lutar de novo.
No caso do senhor
fantástico, ele é um dos principais líderes da luta contra Galactus, depois
muda de ideia e decide que Galactus deve devorar o planeta, depois se torna um
dos mais empolgados na luta contra Galactus. O humor dele vai variando de
acordo com as necessidades narrativas do roteirista.

Reed faz uma visita à nave de Galactus e este o convence a lutar. Roteirismo puro.
Enquanto isso, o Doutor Destino elabora um plano para
roubar todo o poder de Galactus usando para isso o corpo do Garra Sônica, que é
fatiado por ele. Isso cria uma boa base de suspense para a história, fazendo
com o que o leitor se pergunte se ele sairá vitorioso dessa arriscada
empreitada.




















