quarta-feira, junho 24, 2026

Perry Rhodan – A grande hora de Gucky

 


Um dos aspectos que fazem do volume 89 da série Perry Rhodan uma leitura interessante é a abertura, com uma discussão entre Rhodan e Bell a respeito de um artigo do New World Press, o principal jornal do mundo, criticando a atuação do governo na guerra contra os druufs. Embora o artigo seja injusto em muitos pontos, o administrador do Império Solar o defende com o argumento da liberdade de imprensa. Como a maioria dos volumes é focada nas aventuras espaciais, é interessante observar um pouco de como é o cotidiano e a política da Terra no futuro da série.

Apesar do tom ser militarista, descobrimos que no planeta não só há liberdade de imprensa, como há um congresso internacional, que inclusive periga tirar Rhodan do cargo.

Como sempre, há problemas. Uma das razões pelas quais Rhodan acaba sendo mantido no cargo é que toda a bancada africana perde seus mandatos em um processo sumário devido à corrupção. Primeiro que um processo sumário já soa estranho em uma democracia. Além disso, por que justamente a bancada africana? Isso revelaria a visão dos alemães da época sobre esse continente?

A capa alemã. 


Na história, os saltadores resolveram ficar no sistema solar depois de ajudarem a frota terrana a derrotarem os druufs – e só pretendem sair depois de um acordo que lhes dê total monopólio das transações comerciais. A eles se junta Thomas Cardif, filho de Rhodan, cujo ódio do pai faz com que ele se torne um traidor da Terra. Cardif, aliás, pretende depor o pai, para se tornar ele administrador do Império Solar, o que acrescenta uma drama familiar à trama maior.

Thomas Cardif, aliás, parece ser o personagem predileto de Kurt Brand, o autor do volume, uma vez que o personagem aparece em todos os livros escritos por ele nesse ciclo. Esse, aliás, é o primeiro livro de Brand que não senti ímpetos de largar pela metade, talvez pela presença de Gucky, que dá um ar mais leve e divertido ao volume. Aparentemente, Brand é um bom escritor, mas tinha problemas no início no desenvolvimento das tramas, além de ter escolhido como personagem predileto alguém que não tem o menor carisma. E não é pelo fato ser um vilão, afinal, temos muitos vilões carismáticos na cultura pop, a exemplo do Coringa e de Thanos.

Apesar de alguns problemas, esse é um livro cuja solução final surpreende e nos faz ficar ansiosos por ler o volume seguinte, que aliás, também é escrito por Brand.

Em tempo: a capa desse volume é daqueles caso em que o capista norte-americano, Gray Morrow, não se preocupou minimamente em seguir a trama. Ele coloca um astronauta com uma arma em primeiro plano, um homem em segundo plano, um astro e... um homem-gato, um personagem que simplesmente não aparece na história! 

O processo de elaboração da capa do livro Cabanagem

 

O ilustração da capa elaborada por Chris Ciuffi para meu livro Cabanagem está recebendo os mais diversos elogios. De fato, é uma ilustração poderosa, belíssima, que conseguiu reunir os diversos elementos do livro, em especial o histórico e o mitológico. É uma capa que "conta a história".
Mas para chegar a esse resultado realmente fenomenal foi necessário todo um processo. Entenda quais foram os passos desse processo. 
Esse foi o primeiro esboço do desenhista, só com os elementos básicos, mostrando como seria a composição da ilustração. 

Aprovado o esboço, Chris produziu uma imagem mais detalhada de como seria a capa. Eu considerei que o personagem dentro da água deixaria a cena mais emocionante. Além disso, na imagem final, o personagem trocou o facão e a arma de fogo de mão. Um problema deste desenho que foi consertado foi justamente a arma de fogo: Chris desenhou um revólver, que não existia na época, e foi substituído por uma garrucha no desenho seguinte. 

Aqui o lápis definitivo. Eu gostei muito da imagem, mas o rosto do personagem me incomodou, pois os traços davam um ar de maldade, deixando a impressão de que ele era o vilão da história. .Nessa imagem já aparecem sombras ao fundo, que representam os seres da floresta. A ideia aí não era mostrar diretamente esses seres mitológicos, mas apenas sugeri-los, algo que faço muito no próprio livro. O desenhista inclui aqui uma cobra vindo na direção do cabano. Embora essa cena não exista no romance, ela deu dramaticidade à imagem e a impressão de perigo ininente.  
Essa foi a versão definitiva do lápis. A imagem ficou tão boa que bastou colorir. A versão colorida dessa imagem se tornou a capa definitiva, sendo necessários apenas alguns ajustes.
 Essa é a versão colorida do último desenho. Ficou muito boa, mas foi necessário uma pequena mudança: o facão estava confundindo com o fundo e sugeri que fosse dado um brilho de metal nele, destacando sua lâmina.

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Space Force

 


O seriado Space Force foi criado a partir de um Tweet de Donald Trump. Trumpo anunciou a criação de uma força espacial (com uma logo parecia com a de Star Trek), que acabou nunca se tornando realidade e se tornou piada na rede. Ou melhor, iria se tornar realidade na ficção, nessa ótima série da Netflix.
Na série, um general que finalmente chegou ao patamar das maiores autoridades militares do país recebe (pelo Twitter), a incumbência de criar uma colônia na Lua até 2024. É humor puro, a começar pelas várias referências a Trump, que nunca é mostrado ou mesmo nomeado. Só sabemos dele através de mensagens no Twitter e a impressão que dá é de que até mesmo os assessores mais próximos só conseguem saber algo sobre ele a partir dessa rede social.
O seriado é estrelado pelo ótimo Steve Carell, que também assina a produção junto com Greg Daniels. Carrel faz o papel do general Mark Naird, responsável por comandar a força espacial. É um típico militar, que acha que jogar uma bomba irá resolver a maioria dos problemas. Mas sua convivência com o cientista-chefe Dr. Adrian Mallory, interpretado porJohn Malkovich, vai tornando o personagem mais racional, especialmente quando Mallory o ajuda a ganhar uma competição contra a força aérea – aliás, um dos episódios mais engraçados da série.
Naird divide o tempo comandando a Força Espacial com um vida pessoal que é um verdadeiro desastre: a esposa foi presa, a relação com a filha é péssima, o pai é do tipo que transfere dinheiro para golpistas porque acha que a neta foi sequestrada por uma gangue que alicia prostitutas. E, para piorar, até a Índia parece estar passando a perna nos EUA. Sem falar na China, que rivaliza diretamente com os Estados Unidos pelo domínio da Lua.
Um dos melhores momentos da série é quando a China sabota um satélite americano e para consertá-lo, ignorando todos os conselhos dos cientistas, o general Naird resolve mandar um chimpanzé para efetuar os reparos.
Os episódios são rápidos e divertidos. Uma boa pedida para quem gosta de comédia.

Odisseia cósmica

 

 Todos que conhecem um pouco mais de quadrinhos sabem que Thanos é uma cópia de um vilão da DC, Darkside, criado por Jack Kirby quando este revolucionou a editora na década de 1970.

Em 1988, Jim Starlin, criador de Thanos e grande mestre das sagas cósmicas estava na DC Comics. Era a oportunidade de trabalhar com a versão original de seu vilão.
Starlin imaginou uma grande saga estelar em que alguns dos mais poderosos heróis da DC se unem a Darkside para enfrentar a ameaça absoluta da anti-vida.
Starlin fazendo uma grande saga cósmica com personagens da DC é um velho sonho dos leitores e não decepciona. Como nessa época ele já estava diminuindo sua atividade como desenhista, foi chamado um artista que na época era uma estrela em ascenção: Mike Mignola. A junção desses dois grandes astros nos deu um dos poucos crossoveres realmente divertidos dos quadrinhos de super-heróis.


Mignola sabe dar peso às imagens, usando e abusando dos contrastes, o que é particularmente eficaz nas cenas do universo da anti-vida. Ele nitidamente não conseguiria desenhar diversos heróis em um único quadro (o que é uma especialidade de George Perez), de modo que Starlin, de maneira inteligente, escolhe um pequeno time de personagens para combater os espectros da anti-vida que escaparam para nosso universo, indo cada um para um mundo com o objetivo de destruí-lo. Algumas escolhas fazem todo o sentido, como Super-homem, Lanterna Verde, Estelar e Orion. Outras parecem forçadas por decisões editoriais, como o Batman, que parece deslocado numa saga cósmica. Mas, como bom roteirista, Jim Starlin dá um jeito de fazer com que o personagem se torne relevante na HQ (ele havia feito a mesma coisa com o Homem-aranha na saga de Thanos).
Aliás, Starlin consegue equilibrar perfeitamente a trama, sem fazê-la pesar demais para personagens como o Super-homem. Todos os personagens têm um bom desenvolvimento – inclusive melhor do que normalmente se fazia com eles à época.
Essa história foi lançada na década de 1990 pela editora Abril e em 2015 foi relançada pela Panini em volume encadernado com capa metalizada.

A arte magnífica de David Mazzucchelli

 


David Mazzucchelli começou a trabalhar com quadrinhos na década de 1980, primeiramente em trabalhos ocasionais (como algumas edições de Indiana Jones), até ser alçado a desenhista regular do Demolidor, na fase com roteiro de Denni O´Neil.

Quando Frank Miller voltou para o título, resolveu continuar com o desenhista, o que deu origem à aclamada série A que da Matt Murdock. Esse trabalho transformou imediatamente Mazzucchelli em um dos grandes astros do mercado americano de quadrinhos. Assim, quando Miller resolveu contar os primeiros anos do cavaleiro das trevas em Batman- ano um, não foi surpresa que ele fosse escolhido como desenhista.

Nessa série ele usou os mesmos elementos que já o haviam tornado famoso no Demolidor, como o desenho anatômico e dinâmico, mas misturou isso com um ótimo trabalho de claro-escuro com sombras chapadas que combinavam perfeitamente com o Batman.

Após o sucesso dessas duas séries, Mazzuchelli passou a se dedicar a trabalhos mais autorais, como o álbum Asterios Polyp. 












O menino que colecionava Homem-Aranha

 



Uma das histórias mais singelas do escalador de paredes – mas também uma das mais memoráveis foi publicada em The Amazing Spider-man 248 e se chamava O menino que colecionava Homem-Aranha.

A história, escrita por Roger Stern e desenhada por Ron Frenz e Terry Austin não tinha  vilões, lutas ou mesmo uma trama. Toda a HQ gira em torno do herói visitando seu maior fã. Como isso poderia funcionar? No entanto, funciona, e funciona muito bem.

A HQ é entremeada com trechos de uma matéria jornalística. 


A história é entremeada por recortes de uma matéria publicada no jornal O Clarin: “Tim é como muitos outros garotos da sua idade. Já viu todos os filmes de Star Wars umas doze vezes cada um. É um grande torcedor do Mets, e adora qualquer barulho que se passe por música atualmente. Porém, o que torna Tim diferente da maior parte dos seus colegas de classe é que ele tem um hobby que J.J. Jameson, o estimado editor do nosso jornal, certamente não aprovaria”, diz a matéria. O hobby? Colecionar tudo que encontra sobre o amigão da vizinhança. Tudo mesmo, desde a primeira matéria publicada na imprensa até balas de calibre 38 de bandidos que haviam atirado contra o herói e haviam errado.

Os artistas imitam o estilo de Steve Ditko. 


Stern usa esse mote singelo para recontar toda a história do personagem, desde a descoberta de seus poderes até a morte do Tio Bem.  

No final, a um pedido do garoto, o herói tira a máscara e revela sua identidade. O leitor nesse momento estranha, mas a explicação para essa revelação viria logo a seguir.

O herói revela sua identidade. 


O final é absolutamente emocionante e costura bem a história.

Uma curiosidade: Ron Frenz e Terry Austin mimetizam o estilo de Steve Ditko, o primeiro desenhista, e co-criado do Homem-Aranha, o que faz com que a história seja ainda mais especial.

Essa HQ foi publicada no Brasil pela primeira vez em O Homem-Aranha 19, da editora Abril. A publicação mais recente foi em Marvel-Verse O espetacular Homem-aranha, da Panini.

Antropofagia, de Tarsila do Amaral


 

Em 1924 o casal Oswald de Andrade de Tarsila do Amaral acompanhou o escritor franco-suíço Blaise Cendrars às cidades históricas de Minas Gerais. O escritor ficou encantando com o que viu, o que despertou no casal o interesse pela cultura brasileira. Artistas como Aleijadinho haviam se apropriado do barroco europeu e transformado em outra coisa, com formas únicas e anjinhos mulatos.

Essa experiência marcou profundamente Oswald e Tarsila e, quatro anos depois, levou-os a criar o movimento antropofágico, segundo o qual a característica de nossa cultura é exatamente essa: pegar o que vem de fora, devorar e transformar em algo diferente.
Entre as obras que marcaram essa fase está Antropofagia, de 1929.  O quadro remete diretamente ao famoso Abapuru com suas formas distorcidas, pés enormes e cores fortes. Mas aqui há mais fatores: o enorme seio da mulher, que se sobressai na imagem e o fundo de vegetação exuberante – em contaste com a paisagem agreste de Abapuru. Sobre as cores, Tarsila certa vez declarou: “Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante”.

terça-feira, junho 23, 2026

Buck Rogers: ficção científica nos quadrinhos

 

Como nem tudo são flores, logo veio a crise de 1929 que acabou com a alegria da classe média americana. Naqueles dias, muita gente dormia ri­ca e acordava pobre — absolutamen­te miserável.
 O clima era de desespero e desânimo e o lance ago­ra não era mais rir futilmente da vi­da. As primeiras histórias em quadrinhos tinham sido todas cômi­cas (tanto que nos EUA, os quadri­nhos são chamados de “comics”), mas já não havia muita razão para rir.
Todos queriam fugir para plane­tas distantes, cidades perdidas ou paí­ses exóticos... todos queriam aventura!
Uma das primeiras séries a captar esse clima de escapismo foi Buck Rogers, criação de Philiph Nowlan. Esse personagem foi publicado originalmente na revista pulp Amazing Stories, em agosto de 1928. O conto, Armagedon 2419 AD contava a história de um piloto (Rogers) preso em uma mina que desabara. Ele, graças a gases radioativos, permanece em estado de dormência, vindo a acordar 500 anos depois.
A América que ele vê é totalmente diferente da que conhecera. Agora o país está totalmente destroçado pelos invasores orientais e os seus habitantes perseguidos em sua própria terra, obrigados a se esconderem nas florestas.
A história fez tanto sucesso que o editor da revista, John Dille, sugeriu a Nowlan que a adaptasse para os quadrinhos. Para realizar essa tarefa foi contratado um desenhista, Richard (Dick) Calkins, que tinha um traço barroco e detalhista.  
Na versão em quadrinhos foram necessárias algumas adaptações. O nome foi mudado para Buck Rogers para aproveitar o sucesso de Buck Jones, famoso cowboy do cinema.
A tira foi publicada pela primeira vez no jornal Courier Press, de 27 de janeiro de 1929 e fez enorme sucesso, abrindo caminho para muitos outros personagens de aventura e ficção-científica.
Para manter o clima pseudo-científico, a equipe de criação contava com consultores especialistas, inclusive um metereologista.
Entre as curiosidades da série está o fato dela ter antecipado o meio pelo qual os astronautas iriam se deslocar no espaço. Logo na terceira tira da história, a heroína Wilma mostra a Rogers uma mochila antigravitacional que lhe permitia flutuar no ar. Para direcionar o vôo, Buck utiliza o recuo da arma.
Quando, em 1984, os primeiros astronautas passearam soltos no espaço, o escritor Isaac Assimov se lembrou imediatamente de Buck Rogers: “ Recentemente dois astronautas flutuaram livremente no espaço, antes de seu ônibus espacial pousar na Flórida. Eles não ficaram ligados à espaçonave. Saíram dela e retornaram. Os mais velhos se lembrarão das histórias em quadrinhos de Buck Rogers, no anos 30 e 40. Tudo isso – o passeio espacial, a espaçonave movida a foguetes, a mochila nas costas – já tinha acontecido nos desenhos”.
A propósito, a forma como os astronautas conseguiram controlar seu deslocamento no espaço foi justamente através do recuo de uma pistola de ar. Como em Buck Rogers.

Os herdeiros da terra

 


A série espanhola A catedral do mar foi uma surpresa da Netflix. Lançada sem muito alarde, foi aos poucos conquistando fãs e se tornou uma das mais populares da plataforma. E agora gerou uma série derivada: Os herdeiros da terra, também baseada em um livro de Idelfonso Falcones.

A história se passa após o final de A catedral do mar e é centrada em um protegido de Arnau Estanyol (o protagonista da série anterior), chamado Hugo Llor.

A vida de Hugo é uma drama com D maiúsculo. A série já inicia com a morte do pai, vítima de um naufrágio. A morte do pai faz com que a família caía na miséria absoluta a ponto de não terem sequer dinheiro para comida. Como forma de resolver a situação, a mãe é colocada como criada numa casa na qual não deixam que ela veja os filhos e a irmã de Hugo é colocada num convento (no qual permanece enclausurada). Hugo recebe um posto de ajudante num estaleiro.

Mas a morte do pai é apenas a primeira das muitas desgraças. Quando o rei morre, seu filho assume e Arnau Estanyol, até então um respeitável membro da burguesia de Barcelona, cai em desgraça. Hugo é o único que o defende e por isso é linchado, tendo que se abrigar entre os judeus, com os quais aprende a cultivar uvas, tornando-se um dos mais importantes enólogos da região.

Hugo Llor ressuscita o papel que tinha sido de Arnau em A catedral do mar: a do homem bondoso, que sofre os maiores reveses, mas não perde a sua humanidade. É um herói diferente do que estamos aconstumados, que não resolve conflitos com lutas, mas com sua força de vontade.

A série conta com a mesma equipe de A catedral do mar, o que garante uma direção acertada, mas lenta. Isso poderia fazer o seriado se tornar arrastado se não fosse o roteiro extremamente dinâmico em que os fatos acontecem com uma rapidez incrível. A quantidade de reviravoltas num único capítulo é impressionante. 

Capitão América – Homem sem pátria

 


Quando assumiu o título sentinela da liberdade, o escritor Mark Waid parecia disposto a levar o personagem aos seus limites. Na primeira saga, o roteirista colocou o herói à beira da morte, sendo salvo pelo seu pior inimigo, o Caveira Vermelha. Na segunda saga, Homem sem pátria, o personagem cai em desgraça quando o segredo militar de um canhão, que só ele conhecia, vaza.

Na verdade, era o vilão Mecanus, que rastreara seu cérebro em busca de segredos quando este estava à beira da morte. Mas a situação é usada para dar a entender que o capitão vendeu segredos militares para inimigos.

O Capitão é proibido de usar seu uniforme e extraditado para a Inglaterra. 


O governo americano retira do herói seu uniforme e o extradita para a Inglaterra. Com a ajuda de Sharon Carter, ele deverá ir até a Moldávia e provar que foi vítima de uma armação.

Claro que toda essa trama é motivo para cenas de ação impressionantes, a começar pela sequência inicial, quando agentes do governo invadem o apartamento de Steve Rogers e encontram lá Sharon Carter.

A sequência inicial é eletrizante. 


É também uma ótima trama de suspense e espionagem no melhor estilo 007, com perigos que se sucedem, de um aeroporta-aviões da Shield que pode ser destruído a uma tentativa de assassinar o presidente dos EUA. 

Para isso, o desenho de Ron Gardner, repleto de movimento, ajuda muito.

A saga faz uma bela homenagem a alguns das fases mais importantes do personagem. 


Há uma sequência muito boa na qual mark waid faz uma homenagem a algumas fases célebres do personagem. São mostrados desenhos de Jack Kirby, Jim Steranko, John Byrne e Mike Zeck. O texto diz: “Era uma vez um ser humano que foi o símbolo de uma nação. Um homem que jamais se rendeu. Um homem com a glória estampada em seu sorriso. Um homem que amava seu país acima de tudo e de todos. Era uma vez...”

De negativo, apenas o comportamente muitas vezes forçado de Sharon Carter, que parece ter sido pensado apenas para providenciar cenas de ação. À certa altura, por exemplo, ela beija o capitão américa e depois o soca porque “Não sentiu nenhuma fagulha”. Outro problema diz respeito às distâncias. Em outro trecho o Capitão faz em minutos uma viagem da Moldávia aos EUA. 

Essa saga se estendeu dos números 450 a 453 da revista Capitain América. 

Jonah Hex – A trapaça

 


Além dos desenhos impressionantes do filipino Tony DeZuñiga, a série Jonha Hex se destacava pelos roteiros bem elaborados e cheios de reviravoltas de John Albano.

A trapaça, publicado em Weird Western 18 exemplifica muito bem isso. A história começa com dois malandros perseguindo e matando um homem. A razão: eles pretendiam roubar o registro de uma mina. Mas só depois do assassinato eles percebem que tiveram uma testemunha, que deve ser eliminada. “Num gostamo de deixaá testemunhas por aí, vivos”, diz um deles.

Dois bandidos matam um homem no deserto e resolvem eliminar também a testemunha... 


Só que para azar dos dois, a testemunha é ninguém menos que Jonah Hex.

O homem que estava sendo perseguido, antes de morrer, pede para Hex levar a escritura da mina para sua filha cega, e o pistoleiro aceita, mediante um pagamento de 100 dólares, o que ele faz (posteriormente irá se descobrir que a escritura é falsa e a culpa recairá sobre Hex).

... mas para azar deles a testemunha é Jonah Hex. 


Na cidade ele conhece um homem que lhe propõe uma sociedade: ajudar a exibir, um rapaz que foi criado pelos lobos e adiquiriu os hábitos desses animais.

Numa das exibições, um rico fazendeiro vê o rapaz e reconhece nele uma marca de nascença de seu filho, que julgava perdido depois de um ataque de índios. Para recuperá-lo, o homem está disposto a pagar uma alta soma.

Hex recebe a proposta de ajudar na exibição de um garoto-lobo. 


Até aqui parece que a história é composta de elementos soltos, que não se relacionam, mas conforme a trama se desenvolve descobrimos que tudo se relaciona: do registro falso da mina ao homem-lobo, passando pela tentativa de incriminar Jonah Hex.

Albano tinha esse dom de costurar os elementos mais díspares da trama.

Retrato da dama com o livro, de Antoine Vestier

 


O rococó é um estilo artístico que retratava a vida fútil e alegre dos nobres franceses na época anterior à revolução francesa. Os temas eram sempre jardins, nobres ociosos, festas, natureza deslumbrante. Um dos mais famosos pintores dessa época foi Antoine Vestier.
Especializado em retratos, Vestier foi nomeado pintor do rei em 1786. O que parecia sorte, logo tornou-se azar: associado com a nobreza, o pintor caiu em desgraça com a revolução francesa, sendo legado ao ostracismo.
Um exemplo de seu estilo é Retrato da dama com o livro, de 1785.
O quadro se destaca pelo tratamento luxuoso e detalhado do vestido. A paisagem ao fundo era apenas reflexo do estilo da época e não tem outra função que não seja destacar a figura da dama. O livro em sua mão representa erudição. Já a pele muito alva é sinal de nobreza: como não precisavam trabalhar, os nobres praticamente não tomava sol e, por isso, tinham a pele muito branca.
Uma curiosidade é que essa é a origem da expressão sangue azul: com a pele branca, parecia que o sangue dos nobres era azulado.