quinta-feira, julho 16, 2026

Lanterna e Arqueiro Verde – Como se enfrenta um pesadelo

 


A passagem da dupla Denny O´Neil e Neal Adams foi caracterizada por histórias de fundo social, mas também por tramas de aventuras, como se pode observar no número 82 da revista.

Na história, O arqueiro dá um presente para a Canário Negro, uma caixa de flores, mas de lá saem duas harpias, que ameaçam o casal. Curiosamente nenhum dos dois estranha que o presente tenha se convertido em duas mulheres aladas, o que compromete a verossimilhança. Uma única fala da Canário a respeito (esse é o tipo de presente que você me dá?) resolveria.

O presente do Arqueiro trazia uma surpresa. 


O arqueiro joga uma flecha de fumaça, que é direcionada pelas harpias com bater de asas. Essa burrada é uma desculpa para introduzir o tema da história: o feminismo. O tópico aparece tanto na crítica à estratégia do parceiro quando na fala dela, no final da sequência: “Me solta, caramba! Eu decido quando e aonde vou!”.

Diante da ameaça, o casal resolve pedir ajuda do Lanterna, que ao chegar ao local é aprisionado em outra dimensão por uma vilã chamada A rainha das bruxas. Na verdade, como se descobre depois, é tudo um plano de Sinestro para se livrar do seu maior adversário.

O desenho de Neal Adams se destaca. 


A dimensão para onde o Lanterna verde foi enviado é povoado exclusivamente por amazonas expulsas de nosso plano por um feiticeiro magoado por ter sido esnobado pela rainha das amazonas. Como só é possível um homem por vez entrar na dimensão, é Canário que precisa entrar para livrar o amigo da ameaça.

Parece muito trabalho por parte das amazonas para eliminar um único homem e. além do plano da rainha das bruxas e seu irmão sinistro, não parece haver nenhuma razão real para as amazonas se esforçarem tanto.

Um dos bons momentos da história. 


O feminismo aqui parece tão exagerado que parece mais uma crítica.

O maior destaque da história, fica de fato com o desenho de Adams, sempre belíssimo, como destaque para a página em que a Canário Negro se destaca, ultrapassando o limite dos quadros, ou a luta dela com as amazonas, em uma sequência sem requadros. Essa sequência, aliás, mostra que O´Neil, embora estivesse derrapando na trama, tinha um bom texto: “Essa é Canário Negro... frágil, delicada e feroz como uma tigresa! Ninguém se equipara a seus dotes marciais. Ela se move com a graça de uma bailarina... e a suavidade de um beija-flor”.

No final, o maior mérito do roteiro é que O´Neil consegue resolver a trama nas 22 páginas da história. Roteiristas mais recentes levariam pelo menos 10 números nessa trama insossa.

Billy Wilder: o mestre do cinema

 


Gian Danton e Alexandre Magno

Billy Wilder é um dos melhores diretores de todos os tempos. Sua inventividade e ousadia marcaram o cinema norte-americano. Além disso, algumas das cenas mais marcantes da sétima arte, como a de Marilyn segurando a saia levantada pelo vento, são criações suas.
Nascido em 22 de junho de 1906, na cidade de Sucha, que atualmente pertence à Polônia mas na época era parte do império austro-húngaro, filho de pai e mãe judeus, Samuel Wilder iniciou seus estudos com a intenção inicial de formar- se advogado, ainda bem que não seguiu por ai, ou o mundo teria várias obras primas cinematográficas a menos.
 Decidiu-se pelo jornalismo, exerceu a profissão em Viena (capital austríaca) quando por alguns anos. Nesse período aconteceu um episódio interessante. Wilder foi encarregado de entrevistar ninguém menos que Sigmund Freud, na residência do pai da psicanálise Wilder teria dito a Freud algo que o irritou, fazendo-o expulsa-lo de sua casa. O que ele disse? Sempre que perguntado Wilder respondia: “Esse segredo vou levar comigo para o túmulo”. E levou.
Emigrou para hollywood nos anos 30 e estreou na direção em na América em 1939 com A Incrível Suzana. Ganhou o Oscar de melhor diretor em duas ocasiões por Farrapo Humano (1945) e Se Meu Apartamento Falasse (1960). Aposentou-se em 1981 e faleceu em 2002, em Los Angeles.
Separamos aqui algumas das características que fazem de Billy Wilder um dos mais importantes cineastas de todos os tempos:
Pacto de sangue

Corajoso - Para começar, Wilder já se mostrou corajoso já em sua chegada aos Estados Unidos, nos anos 30, fugindo da perseguição nazista. Ele mal sabia falar inglês. Ao se apresentar no consulado, era apenas um jovem roteirista estrangeiro quase sem dinheiro e com documentação inadequada. O oficial que lhe atendeu leu seus documentos e fez apenas uma pergunta: “O que você faz?”; “Escrevo filmes” respondeu Wilder, surpreendentemente, o oficial validou seu visto e ao lhe entregar a documentação, acrescentando: “faça bons filmes”. 
Seus filmes de estreia na América não mostram muito de sua coragem. Ele começa a mostrar a que veio em Pacto de Sangue (1944), um clássico do gênero noir que alia uma trama complexa, contada em flash back, à influência do expressionismo alemão ao apostar em uma iluminação low key (fraca, o que torna a cena escura). O filme é corajoso por contar uma história cheia de assassinatos e erotismo em uma sociedade ainda conservadora, que não estava acostumada a ver violência na tela.
Também não poupou criticas à imprensa marron (sensacionalista) e ao bastidores do próprio cinema. Em filmes como Montanha dos sete abutres (1951) e Crepúsculo dos deuses (1950) o diretor mostra personagens aproveitadores, que não se importam com o mal que provocam para conseguirem o que querem. Crepúsculo dos deuses por sinal merece ser melhor analisado. Ao mostrar o personagem de William Holden, um roteirista medíocre que se aproveita e ao mesmo tempo é manipulado pela ex estrela de cinema interpretada por Gloria Swanson, o diretor expõe como hollywood pode ser cruel, como todos agem movidos por seus próprios interesses. Não por acaso, houve executivos que após verem o filme ficaram extremamente irritados com Wilder.
Além de corajoso era também ético. Durante o período de caça as bruxas (que teve como resultado o exílio de vários gênios como Orson Wells e Charles Chaplin) no auge da guerra fria, mesmo diante da pressão do governo e da postura de vários colegas de profissão, , recusou-se a delatar colegas investigados pelo FBI suspeitos de simpatizar com o comunismo.  
Finalmente, este tópico ficaria incompleto se Quanto mais quente melhor (1959) não fosse mencionado. O filme que hoje é considerado a melhor comédia da história causou rebuliço na época de seu lançamento. Na história, os personagens de Jack Lemmon e Tony Curtis são obrigados a se disfarçarem de mulheres para fugir de mafiosos. Wilder faz muitas brincadeira implícitas que puristas e a igreja católica acharam um flerte com o homossexualismo. Mesmo que o filme pareça comportado para os padrões de hoje, Quanto mais quente melhor foi um dos que iniciou uma revolução sexual nos filmes que explodiria nas décadas de 60/70. A partir dali, o Código Hays (que disciplinava o uso da violência e sexo nos filmes de Hollywood) foi lentamente perdendo força até ser arquivado. 
 
Se meu apartamento falasse.
Sintaxe cinematográfica – A maior limitação de alguns filmes do primeiro cinema (1895-1915) era o de serem teatrais demais. À época, não havia códigos narrativos próprios para o cinema e por conta disso alguns filmes parecem hoje uma espécie de teatro filmado. Billy Wilder jamais se utilizou de técnicas não cinematográficas em seus filmes. Sempre usando do artifício para mergulhar o espectador nas histórias, ele o fazia de tal modo que por momentos esquecemos até mesmo que aquilo é cinema.
Wilder era um diretor discreto. Não no sentido de sua vida pessoal, mas no sentido de o público não perceber a mão do diretor na película. Como ele também co-escrevia todos os roteiros de seus filmes, não permitia improvisações e seguia o roteiro à risca, ou seja, preferia enfatizar a história ao artifício que a conta.     
Alguns exemplos em seus filmes explicam como ele conseguia ser genial sem ser extravagante. No vencedor do Oscar de melhor filme de 1960 Se meu apartamento falasse, em uma das cenas finais, Wilder utiliza apenas um dolly in (aproximar a câmera frontalmente) para demonstra a solidão do personagem de Jack Lemmon. Em Farrapo humano (1945) ele só precisa mostrar mancha de água feitas por um copo em um balcão para nos demostrar a dimensão do drama do protagonista alcoólatra.


Inovador: Por se tratar de um diretor da Hollywood clássica muitos podem pensar que Wilder era conservador. Não é bem assim. Ele era conservador sim quando se tratava de movimentos de câmera por exemplo, mas  compensava isso criando cenas com composições extremamente inteligentes. Também não hesitava em utilizar novidades como a profundidade de campo em seus filmes logo após Orson Wells consagra-la em Cidadão Kane. Este é apenas um caso de como o diretor se envolveu em tendências e não tinha medo de ser criticado ao inovar. 
Mas suas maiores ousadias se encontravam mesmo nos roteiros. A metalinguagem presente em Crepúsculo dos Deuses por exemplo  é extremamente criativa e inovadora por utilizar vários elementos da Hollywood real no filme (uma das cenas se passa em um set de filmagem real e os diretores e atores figurantes interpretavam a si mesmos, tal como o diretor C.B. De Mille e o ator Buster Keaton). 
 Suas comédias com um humor ousado e irônico também são dignas de nota. Dispensava puritanismo e talvez tenha sido precursor da revolução no retrato do sexo no cinema que ocorreria anos mais tarde. 
Gian Danton e Alexandre Magno

Billy Wilder é um dos mais importantes diretores do cinema mundial. Judeu austríaco, mudou-se para a América fugindo do nazismo e fez obras-primas, como Crepúsculo dos Deuses. Conhecido por seu ecletismo, ele dirigia tanto ótimas comédias (a melhor delas Quanto mais quente, melhor) e ótimos dramas (como o filme sobre alcoolismo Farrapo Humano).
Em artigo anterior, destacamos alguns pontos que fazem de Wilder um diretor tão especial. Neste, apresentamos outras características:
A cena final de Quanto mais quente melhor. 

Bons finais sempre: Há muitos cineastas cujos filmes são obras primas. Filmes muito bem escritos, com composições visuais excelentes e interpretações impecáveis. Mas quando chegam ao final, acabam de maneira estranha, que não condiz com a qualidade do restante, enfim, finais passáveis. Com Billy Wilder chega a ser impressionante a coerência de sua carreira no que se trata de tramas bem construídas, e bem encerradas.
Talvez o caso mais emblemático deste quadro seja o filme Testemunha de Acusação (1958). Neste, o final é tão surpreendente e importante para a trama que quem assiste ao filme inteiro com exceção dos minutos finais pode ficar com a impressão de que se trata de um filme menor. Nos créditos, há um pedido para que os espectadores não comentem a respeito do final com amigos. Wilder sabia que a força do filme estava no final.  
Também temos o que possivelmente é o melhor final de um filme de todos os tempos. Na ultima cena de Quanto Mais Quente Melhor (1959) vemos aquele que é considerado o mellhor diálogo final de um filme em todos os tempos. Jack Lemmon, disfarçado de mulher e usando o nome de Daphne, tenta convencer o milionário Osgood que não pode se casar com ele:
Daphne: É, Osgood. Não posso me casar no vestido da sua mãe. É que – eu e ela, nós não temos o mesmo tamanho.
Osgood: Nós podemos alterá-lo.
Daphne: Oh não faça isso! Osgood, Eu vou falar de uma vez. Não podemos nos casar de forma alguma!
Osgood: Por que não?
Daphne: Bem, em primeiro lugar, eu não sou loira de verdade.
Osgood: Não importa.
Daphne: Eu fumo! Eu fumo o tempo todo!
Osgood: Eu não ligo.
Daphne: Bem, eu tenho um péssimo passado. Faz três anos que eu moro com um saxofonista.
Osgood: Eu te perdoo.
Daphne: Nunca poderemos ter filhos!
Osgood: Podemos adotar alguns.
Daphne: Mas você não entende, Osgood! Eu sou um homem!
Osgood: Bem, ninguém é perfeito!

Esse final, escrito em parceria com I. A. L. Diamond, grande parceiro do diretor, ficou tão famos que Wilder mandou escrever em seu túmulo: “Eu sou um escritor... mas ninguém é perfeito”.
Isso tudo só ocorre porque Wilder, seguindo o princípio consagrado por alguns movimentos cinematográficos que estabelece condições para que um diretor seja também um autor, também roteiriza todos os seus filmes. Esse fato que lhe permitia muito mais liberdade criativa. Esse fator, somado à liberdade que os estúdios lhe davam (poucos diretores desfrutavam deste luxo à época) contribuía para que ele quase sempre optasse pelo melhor final no seu ponto de vista.
A atuação de Marilin em Quanto mais quente melhor é memorável.

Direção de atores – Wilder não era um mestre só ao manejar a câmera. Era também um especialista em tirar de seus atores suas melhores interpretações. O exemplo mais clássico talvez seja Marilyn Monroe em Quanto mais quente melhor. Conta-se que na época ela já estava com problemas psicológicos tão graves que não conseguia decorar nem mesmo uma frase simples, como “I´m sugar!”. Ainda assim, sua atuação no filme é perfeita. A cena em que ela tenta conquistar Tony Curtis, que, por sua vez, tenta se fazer de tímido, é uma das melhores do cinema com atuação brilhante dos dois atores. Aliás, essa mesma cena é um exemplo perfeito da maneira como o diretor manejava o diálogo de modo a permitir várias interpretações. Nela, quase toda fala tem duplo sentido.
Inferno n. 17: filme de guerra de Wilder. 

Eclético -  Billy Wilder costumava dizer: “Ninguém gosta de comer todos os dias a mesma coisa” para justificar a variedade de seus filmes. Ele fez um dos melhores dramas jornalísticos de todos os tempos (A Montanha dos sete abutres) e a melhor comédia da história do cinema (Quanto mais quente, melhor). E passeou pelos gêneros noir (Pacto de sangue), comédia romântica (A incrível Suzana, Sabrina), filme de guerra (Sete covas do Egito e Inferno n. 17),  comédia de costumes (Se meu apartamento falasse, O Pecado mora ao lado), metalinguístico (Crepúsculo dos deuses) e até policial (A vida íntima de Sherlock Holmes). Dos gêneros mais conhecidos de Hollywood, os únicos que ele não abordou foram a ficção científica e o faroeste.
Kirk Dougla interpreta um jornalista sem escrúpulos em A montanha dos sete abutres.

Roteiros – Já foi dito sobre os finais perfeitos de seus filmes, mas quem conhece o trabalho Billy Wilder sabe que tudo em seus filmes era feito em torno do roteiro. A textura da trama era perfeita, sem pontas soltas ou deus ex-machinas (situações ou soluções que não se encaixam no contexto). Até mesmo quando Wilder parece falhar no roteiro, isso na verdade faz parte da trama, como em Testemunha de acusação, quando uma personagem aparece do nada apresentando provas fundamentais para o julgamento. Além disso, ele manejava o diálogo como poucos, revelando detalhes sobre os personagens a cada fala. Exemplo disso é quando Kirk Douglas, em A montanha dos sete abutres diz que irá conseguir uma grande notícia, mesmo que para isso precise morder um cachorro, mostrando, nessa simples fala, a falta de ética do personagem.
Todos esses fatores e muitos outros fazem com que Billy Wilder seja obrigatório para qualquer um que goste de cinema.  

Lanterna Verde e Arqueiro Verde – Ulysses Estrela está vivo

 

 

Em sua série sobre os dois heróis verdes da DC Comics, Denny O´Neil e Neal Adams falaram de várias mazelas dos EUA.  A situação dos indígenas norte-americanos foi abordada no número 79 da revista.

A história começa com um indígena sendo perseguido por dois homens que pretendem matá-lo. Ao interferir, os heróis descobrem que os perseguidores são o presidente do sindicato dos lenhadores e um brutamontes que se diz dono da área. Há 100 anos, o chefe Ulysses Estrela tinha feito um acordo com Washington, que cedia toda a madeira da região para sua tribo. O problema é que o registro desse acordo se perdeu e agora os lenhadores querem aproveitar para derrubar a floresta e lucrar com isso.

Neal Adams inovava nas soluções gráficas. 


A partir desse problema, cada herói tenta resolver o caso à sua maneira. O certinho Lanterna Verde procura os meios legais e chega a acionar um deputado em Washington, além de procurar o último descendente de Ulysses Estrela. Já o Arqueiro, em consonância com sua personalidade impetuosa, prefere se disfarçar como o fantasma de Ulysses Estrelas e convencer os indígenas a lutarem.

O Lanterna salva o último descendente de Ulysses Estrela de um incêncio criminoso... 


As divergências entre os dois termina com ambos lutando em um riacho.

O desenho de Adams está soberbo, como sempre, mas o roteiro tem problemas. Por exemplo, por que o descendente de Ulysses Estrela foi para a cidade ao invés de usar o documento para garantir os direitos da tribo? 

... enquanto o Arqueiro se disfarça como o fantasma do chefe indígena. 


Além disso, no final, as ações dos heróis não interferem em nada e tudo acaba se resolvendo de outra maneira. Talvez essa fosse uma forma O´Neil de afirmar que no final, quem deve resolver seus problemas são as pessoas normais, e não heróis, embora a história não deixe isso claro.

Flash Gordon

 

Buck Rogers, Dick Tracy e Tarzan causaram uma verdadeira revolução nas histórias em quadrinhos. O clima de aventura, o desenho realista e os cenários gran­diosos conquistaram os leitores.
Já não havia mais lugar para as tiras cômicas e um dos maiores syndicates da época, o King Features Syndicate entrou em desespero: Fazia-se urgente encontrar alguém que trabalhasse tão bem com a aventura quanto a con­corrência.
Para isso foi instituído um concurso interno. Quem acabou ganhando foi um ex-oficce-boy da empre­sa. Seu nome era Alex Raymond e seu personagem era Flash Gordon, um dos maiores sucessos da época.
          A história estreou num domingo, 7 de janeiro de 1934. Os leitores americanos abriram seus jornais e tive­ram um grande impacto. Lá es­tava um herói novo, diferente de todos os outros que o haviam an­tecedido. Era a primeira história de Flash Gordon, de Alex Ray­mond. De lambuja, vinha como complemento o personagem Jim das Selvas - também com dese­nhos de Raymond.
Flash Gordon veio para re­volucionar o conceito de aventu­ra. Nela predominava a imaginação: moças bonitas, homens-leão, povos submarinos, princesas estelares, vilões insa­nos e um herói ariano (exemplo perfeito de conduta e boas inten­ções) conviviam numa mesma pagina.
Flash Gordon não para­va. Mal conseguia se livrar de monstros pré-históricos e caia nas mãos de um imperador tirâ­nico. Era como se estivesse pas­sando por um eterno teste de provas.
A historieta - que tinha ro­teiros anônimos de Don Moore - tornou-se um sucesso absoluto de vendas. O traço forte e elegante de Raymond conquistou os leitores e conseguiu dar ao personagem uma imponência que ninguém nunca mais conseguiu.
Flash Gordon surgiu para concorrer com o grande campeão de vendas da época, Buck Ro­gers, mas com o tempo, Flash ultra­passou de longe o seu concorrente do século XXV. Praticamente junto com Flash Gordon, Raymond desenhou dois outros persona­gens nos moldes dos que já faziam sucesso na época: Jim das Selvas (baseado em Tarzan) e Agente Se­creto X-9 (para concorrer com Dick Tracy).
“Agente Secreto X-9” era de autoria do famoso escritor policial Dashiel Hammet e transmitia o clima de tensão que os gángsters impri­miam aos anos 30. Detalhe: esse trabalho de Hammet geralmente não aparece nas biografias do es­critor.
Já Jim das Selvas era, a principio, uma espécie de aventureiro, um caçador intrépido enfrentan­do todos os perigos da selva. Com o tempo, Jim começou a se envol­ver em tramas internacionais, mas nem por isso perdeu sua força.
Alex Raymond foi um dos maiores desenhistas dos quadri­nhos. O seu traço elegante in­fluenciou toda uma geração. Os seus persona­gens, entretanto, não tiveram muita sorte.
Depois da morte de Raymond, no final dos anos 40, Flash Gordon ainda passou por um bom momento no início da década seguinte nas mãos de Dan Barry (desenhos) e Harvey Kurtzman (roteiro). Mas, assim que Kurtzman saiu do roteiro a história perdeu muito do caráter onírico que tinha no início.
O grande seguidor au­têntico de Raymond a ilustrar seus personagens  foi All Williamson, que desenhou três números da revista do Flash Gordon e a tira do Agente Secre­to X-9 durante 13 anos.
Além do ótimo desenho e das tramas de matinê, terminando sempre em suspense, Flash Gordon é lembrado também pelas antecipações. Foi nessa história em quadrinhos que apareceu pela primeira vez a mini-saia, o raio laser e o forno microondas. Em um de seus boletins oficiais, a NASA admitiu que os quadrinhos do personagem foram usados para solucionar problemas de aerodinâmica dos primeiros foguetes espaciais norte-americanos.
Flash Gordon também foi a grande fonte de inspiração para outra grande saga moderna: os filmes da série Star Wars. Como não conseguiu autorização para filmar o personagem, George Lucas criou a série Guerra nas Estrelas baseada em Flash Gordon.

Capitão América – Labirintos

 


Em uma das sagas mais famosas de sua passagem pelo Capitão América, JM DeMatteis colocou o sentinela da liberdade em rota de colisão com um Deathlok desmemoriado e transformado em máquina assassina por uma corporção malígna.

No número 288 da revista, o Capitão vai para o futuro distópico do androide. O que encontra é uma terra devastada, em que os heróis foram enviados para terras alternativas repletas de perigos e mortos um a um.

O texto dá a tônica da fase JM DeMatteis: humanizar os personagem. 


Esse novo mundo é tiranizado por um cientista chamado Harlan Ryker, que transformou a si mesmo num androide. Disposto a enfrentá-lo está um grupo formado por Sábio, Ferrabrás, Joãzinho, Gigante e pela garota Borboleta De Ferro.

O futuro também conta com um grupo de heróis. 


Na tradição de ótimas splash pages iniciais dessa série, esta mostra o Capitão América, Godwulf e Deathlok caminhando pelas ruas destruídas de nova York. O texto, uma reflexão do Capitão América, diz: “Já fui chamado de muitas coisas, inclusive de lenda viva. A humanidade se acostumou a me ver como algo mais que um homem, como um símbolo. Isso é muita responsabilidade, mesmo para o Capitão América. Porém, enquanto caminho por estas ruas de Nova York de 1999, não me sinto grande ou lendário. Sinto-me apenas... humano”.

O vilão é um homem que abdicou de sua própria humanidade. 


O texto resume o cerne da proposta do roteirista durante toda a sua fase no título: descortinar o lado humano do personagem. Faz todo sentido, portanto, que o vilão seja alguém que renunciou à sua própria humanidade.

No Brasil essa história foi publicada pela editora Abril em Almanaque Do Capitão América 89. É surpreendente que a Panini não tenha tido a ideia de fazer um encaderndo com essa fase. 

O príncipe e o mendigo

 


Dois personagens muito parecidos, um muito poderoso e rico e outro muito humilde, trocam de lugar. Você já deve ter visto essa história em algum lugar. Adaptada para filmes, séries e até K-dramas, como O rei de porcelana, essa trama surgiu no livro O príncipe e o mendigo, escrito por Mark Twain e publicado em 1881.

A história acompanha Tom Canty, um garoto londrino nascido na extrema pobreza, obrigado e mendigar e atormentado pelo pai e pela avó paterna, que se divertem dando surras nele. Do outro lado, o Príncipe de Gales, Eduardo VI. A diferença entre os dois já é definida na frase de abertura do livro: “Na antiga cidade de Londres, num certo dia de outono no segundo quarto do século XVI, nasceu um menino para uma família pobre, de nome Canty, que não o desejava. No mesmo dia, nasceu outro menino inglês, para uma família rica, chamada Tudor, que o desejava”.

Apesar da origem humilde, Tom era fascinado pela realeza, o que o leva um dia a visitar a residência do Príncipe de Gales e, ao ser agredido pelo guarda, recebe o apoio do príncipe, que o leva para dentro e o alimenta. Por brincadeira, eles trocam de roupa e percebem que são muito parecidos. Ao sair para repreender o guarda que machucara o mendigo, o príncipe é confundido com este e expulso do palácio – o que dá origem à trama.

É curioso que essa história tenha se popularizado como uma celebração da nobreza, uma vez que, nitidamente, Twain é extremamente crítico a esse regime de governo. Boa parte do livro é dedicado a demonstrar como esse é um sistema que ineficiente.

Representação disso é o ritual matinal para vestir o príncipe de gales: “No início, a camisa foi apanhada pelo Primeiro Camarista, que a passou para o Primeiro Lorde dos Escudeiros, que a passou para o Segundo Cavaleiro do Quarto de Dormir, que o passou... “ e assim em diante. Uma atividade simples e cotidiana, como vestir o rei, era exercida por dezenas de pessoas. A razão disso é que, enquanto o rei aumentava seu poder, tirando o poder da pequena nobreza, era necessário dar algo em troca – e o que se dava era um emprego no palácio real com uma atividade puramente simbólica.

No meio de um sistema tão sem sentido, o mendigo Tom muitas vezes parece a pessoa mais racional. Quando é informado de que o rei morreu e tudo que será gasto com a sua coroação, o primeiro impulso do garoto é perguntar: “Não seria melhor pagarmos antes da dívida da coroa?”, mas silencia com medo de ser tido como louco.

Mark Twain traz diversas curiosidades absurdas da época, como a figura do garoto de surras, que apanhava no lugar do príncipe quando este se saía mal nas lições, ou nos hábitos violentos, como a pena de morte na fogueira para membros da igreja Batista.

Apesar do tom nitidamente crítico, Mark Twain constrói uma história fascinante em que ambos, tanto o mendigo quanto o príncipe, evoluem espiritualmente e aprendem com suas experiências. Na trama tudo se encaixa, em especial pequenos detalhes como o sinete real, que desaparece e a primeira refeição de Tom como príncipe, em que ele “rouba” nozes. Pequenos detalhes ques e tornam ganchos para o final.  

Essa habilidade do escritor criou uma fábula universal que passou a ser reproduzida nas mais diversas mídias e culturas, tornando-se a mais famosa narrativa sobre duplos.

A Força dos Quadrinhos do Norte: Do Diagnóstico ao Troféu Mapinguari

 


No ano de 2025, realizei uma pesquisa sobre o Prêmio Angelo Agostini, a mais antiga premiação de quadrinhos do Brasil. Meu interesse era mapear como as premiações se dividiam em termos regionais. Embora esperasse uma predominância natural do Sudeste — e, principalmente, de São Paulo —, o resultado final ainda assim me surpreendeu.

Em toda a história do prêmio, até aquela data, apenas 0,7% das estatuetas haviam sido destinadas à Região Norte. De toda a imensidão da Amazônia Legal, somente os estados do Amazonas e do Amapá tinham sido laureados em alguma categoria. Em contrapartida, a predominância do Sudeste era esmagadora: no ano de 2023, por exemplo, absolutamente todos os premiados pertenciam a essa região.



Essa pesquisa foi apresentada no I Encontro Internacional do Aspas e publicada originalmente como capítulo do livro Quadrinhos: Conceitos e Linguagens.

Como consequência direta e transformadora desse diagnóstico, foi criado o Troféu Mapinguari, uma premiação voltada exclusivamente para valorizar e destacar os quadrinistas do Norte. Além disso, de lá para cá, o próprio Prêmio Angelo Agostini passou por um processo de democratização e se tornou muito mais representativo. O impacto foi tamanho que, na última edição, a Amazônia conquistou três merecidos vencedores.

Ficou curioso para conhecer os dados completos e os detalhes dessa análise? Baixe o livro Quadrinhos: Conceitos e Linguagens e confira o estudo na íntegra.

quarta-feira, julho 15, 2026

O bamba do regimento

 



O Bamba do regimento, filme estrelado por Jerry Lewis e lançado em 1957 começa com um trem indo na direção de um quartel do exército. Dois soldados encontram uma vaga em frente a um recruta, que se revela um gênio capaz de decorar todos os manuais técnicos do exército. Mas, em contrapartida, é um atrapalhado sem igual que arranja todo tipo de confusão chegando a parar a locomotiva.

Esse início dá o tom de toda a obra. Bixby é um recruta genial em assuntos técnicos, mas um desastre total em todo o resto – o que leva às cenas de humor. Bixby chega até mesmo a derramar um caminhão de seixos em cima do jeep no qual está o sargento.

Mas uma psicóloga do exército (que ocupa o importante cargo de major) está interessada nele. Se for possível transformar Bixby em um bom soldado, milhares de outras pessoas em situações semelhantes poderão ser aproveitadas. E para essa tarefa ela encarrega exatamente aqueles dois soldados do início.

As coisas complicam ainda mais quando o regimento é enviado para a África e um grupo terrorista árabe sequestra o recruta para fazer com que ele monte um canhão.

Sad Sack no traço de seu criador. 


Uma curiosidade sobre esse filme é que ele é a adaptação de uma história em quadrinhos de sucesso da época da II Guerra Mundial: Sad Sack. Criada pelo sargento George Barker, ela tinha como protagonista um recruta atrapalhado (a expressão Sad Sack, usada no exército à época, significa “soldado inepto”).

No Brasil esse personagem foi publicado como Soldado Valdemar, O azar do Valdemar e, finalmente, Recruta Biruta, nome pelo qual ficou conhecido. Quando esse personagem foi publicado pela editora Abril na década de 1970, muitos acharam que se tratava de uma cópia do Recruta Zero, o que não é verdade, já que Sad Sack é anterior. Aliás, os dois tiveram trajetórias inversas: enquanto o Recruta zero surgiu como um estudante que posteriormente se alista no exécito, o Recruta Biruta surgiu como um soldado que depois dá baixa e vai viver como civil.

A editora Abril publicou o personagem com o título de Recruta Biruta. 


Nas décadas de 1940 e 50 o personagem foi muito popular no Brasil, a ponto de ganhar uma música, gravada por Eliana e Adelaide Chiozzo. A letra da canção faz referência ao nome pelo qual o personagem era conhecido à época: “"Valdemar é um recruta biruta/que não sabe nem marchar/E qualquer voz de comando/Esquerda, direita; tonteia o Valdemar/Mas o sargento, rabugento, muito tesa,/se enfeza e faz o Valdemar marchar”.

O filme Recruta Biruta está disponível no Youtube aqui: https://www.youtube.com/watch?v=SbjybH1mJPY, e a interpretação de  Eliana e Adelaide Chiozzo está disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=HLKDDyxGv3U

Relato de um velho sábio a respeito de sua viagem ao de país de bananolândia

 


            Conheci o sábio através de um amigo em comum. Ele me levou até um bar nas docas com a promessa de que teria um encontro do qual jamais me esqueceria. Argumentei que somente algo muito importante me levaria a sair de casa numa noite tão fria e tão repleta de neblina.
            - Não se preocupe. - me garantiu ele. A pessoa que vamos encontrar valerá por inspiração para quantos livros queira escrever.
            Já ia explicar que os livros não são feitos de inspiração, mas de muito esforço e muito estudo, quando entramos num bar escuro, de paredes baixas, enfeitadas com motivos marítimos. Numa mesa num canto do bar encontrava-se um homem vestido com um pesado capote. Tinha uma barba curta, mas cerrada e fumava um cachimbo. A expressão de seu rosto revelava que aquele homem havia passado por diversas experiências e que viajara muito. Era, certamente, um marinheiro.
            Meu amigo o cumprimentou efusivamente e depois me apresentou.
            - Meu companheiro é escritor. - explicou. E gostaria que contasse alguma de suas viagens a ele...
            O homem inspirou profundamente e soltou uma baforada que se elevou no ar, uma nuvem branca esvanecendo no ar...
            - Bem. - começou ele. Em todos esses anos fiz diversas viagens. Já estive em locais que eram habitadas apenas por ciclopes, outros em que todos os homens tinham enormes corcundas, outros que era povoado por cavalos tão inteligentes quanto poderiam ser criatura criadas por Deus, e certamente muito mais éticos que nós. Mas nenhum desses lugares me parece tão inusitado quanto uma pequena ilha perdida no meio do oceano Atlântico. Chama-se Bananolândia. Talvez o nome viesse das muitas plantações de banana, mas é possível que tivesse algo a ver com o caráter de seu povo. É preciso entender que bananolândia é um país muito pobre. Seu clima é caracterizado por duas estações bem distintas: numa época é seco e a poeira se espalha por todos os cantos, penetrando até mesmo nas dobras da pele. Muitos bananoeses mal conseguem respirar, tal a quantidade de poeira.
O outro período é úmido e chove cântaros. Nessa época a água dos rios sobe e inunda as casas. As ruas não asfaltadas, que antes faziam poeira, agora fazem lama e deixam imundo qualquer um que se aventure a sair na rua. Os inconvenientes dessas duas estações poderiam ser facilmente evitados, se fossem tomadas as medidas necessárias. Mas parece que ninguém se importa, então ficam as coisas por isso mesmo.
            O transporte coletivo de Bananolândia consiste em caixas puxadas por dinossauros. As caixas, devo acrescentar, não têm rodas, pois os bananoeses ainda não descobriram essa maravilha da civilização. Em todo caso, andar numa dessas caixas não é muito diferente de praticar suicídio: elas são desconfortáveis ao extremo. E a passagem é caríssima. Além disso, os cobradores não dão troco e quem reclama é imediatamente surrado e jogado para fora do veículo. De vez em quando os dinossauros pisam algum bananoês, que fica estendido como uma panqueca no chão, fazendo as vezes de asfalto.
            Diante de tudo isso, você talvez pense que tudo isso leva seu povo a ser muito triste. Ledo engano, e o que o livra da tristeza é justamente o esporte nacional, pelo qual os bananoeses são verdadeiramente apaixonados. Chama-se preleção e é realizado de quatro em quatro anos. Nessa época é escolhido o pisador real, o único tipo de governo que vi naquela ilha. Teoricamente qualquer um pode se candidatar a pisador real, desde que saiba pisar em outras pessoas de maneira satisfatória. Mas sabemos que somente os mais ricos se candidatam. Para isso, fazem grandes reuniões em praça pública, nas quais se vangloriam de suas capacidades pisativas. Um explica que fez cursos em outros países para aprender a pisar corretamente, outro garante que já pisou em mais de 500 pessoas, e que algumas delas jamais se levantaram depois disso. Mas a verdade é que é muito difícil ouvir qualquer coisa. Se é o seu candidato, os bananoenses aplaudem interminavelmente, se não é o seu candidato, vaiam interminavelmente, de modo que conclui que não é o que homem fala, mas a maneira que ele fala que influencia os presentes. Em suma, quem grita mais alto e de maneira mais ameaçadora acaba vencedor nessas reuniões. Quase sempre ao fim de tais reuniões há brigas de facções. Inevitavelmente um sai com o nariz quebrado, outro perde uma perna, mas no geral todos se divertem muito. E nem mesmo os machucados mais graves os impede de comparecer na próxima reunião. Os candidatos colocam bandeiras por toda a cidades, espalhando seu nome e seu símbolo. Tudo isso sai muito caro e os pisadores reais atualmente no cargo arranjaram uma maneira prática de subsidiarem suas campanhas: obrigam todos os funcionários públicos a contribuírem com metade de seu salário para a mesma. Além disso, estes são obrigados a saírem às ruas cantado as virtudes do pisador oficial. Nesse período de preleção o país torna-se um caos. Alguns cometem as maiores crimes e se refugiam a uma das facções, pois sabem que estarão imunes, desde que sua facção seja a vencedora. Conheci um funcionário público que passou três meses sem ir ao trabalho, mas como ele cantava muito bem as pisadas do pisador real, acabou sendo promovido.
            Ao final de um certo tempo há uma eleição para escolher qual é o melhor desportista. Escolhido o ganhador, toda a população de Bananolândia se deita no chão da principal rua do país e o pisador anda por cima deles, juntamente com sua corte, que é formadas dos principais funcionários públicos. Se um deles se mostra ineficaz na edificante tarefa de pisar em seus compatriotas, é imediatamente expulso e jogado à lama.
            Tive ocasião de presenciar um desses espetáculos e devo dizer que é realmente impressionante. O gemido dos pisados pode ser ouvido de longe e é considerado por eles uma verdadeira sinfonia. A ordem é a seguinte: primeiro vem o Pisador Real, atrás dele os funcionários públicos mais graduados, segurando seu manto, atrás deles os funcionários de segundo escalão, segundo o manto daqueles, e assim por diante.
            Como para se eleger o Pisador real é necessário o apoio de muitos dos chamados Chefes de Preleção, que fazem sua campanha, foram criados diversos cargos para satisfazê-los após a preleção. Devido a isso, o desfile dura horas e horas...
            Depois disso o sábio me contou muitas e muitas outras histórias a respeito desse curioso país chamado Bananolândia. Tantas que dariam para preencher todo um livro, e talvez eu o faça, um dia...