quarta-feira, outubro 21, 2026
Abapuru, de Tarsila do Amaral
Quarteto Fantástico – Prisioneiros da dupla diabólica
No número 6 da revista do Quarteto Fantástico o grupo enfrentou as duas maiores ameaças encontradas até o momento: Dr. Destino e Namor.
Na trama, Destino resolve aproveitar o ódio de Namor pela humanidade transformando-o em um aliado para acabar com o Quarteto Fantástico. Assim, ele o usa para colocar um “buscador”, um aparelho que quando agarra em algo exerce uma força magnética nele, levando-o até o dono do controle remoto.
O plano é tão simples quanto non-sense: colocar o buscador no edifício Baxter e, usando uma nave espacial, jogar o edifício na direção do Sol. Eu lia e me perguntava: como é possível tirar um edifício, arrancando-o de suas fundações, sem que ele desmorone? Mas naqueles tempos valia tudo.
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| Sue, dividida entre dois amores. |
Essa história tem uma cena interessante, que mostra o quanto Stan Lee estava revolucionando as história. À certa altura Johnny encontra uma foto de Namor no meio das coisas de Sue. “Creio que você me deve uma explicação, Sue”, pede Reed Richards. “Como posso explicar algo que nem eu mesmo entendo? Sei que Namor é nosso inimigo, mas...”. Estava estabelecido ali o triângulo amoroso mais famoso dos quadrinhos de super-heróis.
Aliás, quando Namor aparece no prédio, Sue corre para defende-lo (ah, o amor!). “Não, vocês não podem atacá-lo! Precisam ouvi-lo! Ele não está nem mesmo tentando se defender!”.
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| Um edifício sendo levado pelo espaço? Stan, dessa vez, você exagerou. |
Apesar da trama maluca do edifício sendo levado pelo espaço, há um momento que mostra que Stan Lee tinha sim alguma preocupação científica. Quando o Tocha Humana tenta alcançar a nave de Destino, ele descobre que a falta de oxigênio faz com que suas chamas se apaguem.
Dessas primeiras histórias essa é a mais empolgante. O perigo aqui parece real e a solução parece impossível. Uma obra-prima de uma dupla que ainda iria realizar muitas obras-primas.
Conan - A cidadela dos condenados
O Telefone do Sr. Harrigan
Amizade, luto e tecnologia como elementos de terror. O telefone do senhor Harrigan, filme de John Lee Hancock, reúne todas essas características comum a muitos dos livros de Stephen King.
Na história, o garoto Craig vê sua vida mudar quanto um milionário o contrata para ler livros para ele. A partir daí começa a se desenvolver uma relação muito improvável entre esse jovem pobre e o velho milionário, uma amizade sedimentada principalmente na literatura, uma paixão em comum. Há um outro ponto em comum: ambos perderam suas mães muito jovens.
Essa história sofre uma reviravolta quando o velho morre e o garoto passa a acreditar que está recebendo mensagens dele no celular. Esse é o toque sobrenatural da história, como não poderia faltar em uma história de King.
Mas engana-se quem acha que se trata de uma história de terror. O telefone do Sr Harrigan está muito mais para a Jornada do Herói do que para a Jornada do Horror. Os elementos sobrenaturais aí são na verdade veículos para a jornada de auto-conhecimento e redenção do protagonista.
O telefone do Sr Harrigan é um filme tocante, cujos personagens prendem a atenção do leitor e ganham simpatia mesmo com seus defeitos. Uma boa pedida na Netflix.
A arte inesquecível de Galep
O mundo hiper-real
| A obra de Ron Muek reflete sobre a hiper-realidade |
A Briga dos Dois Ivans
Até a publicação de A Briga dos Dois Ivans (1834), de Nikolai Gógol, o humor com forte teor de sátira social ainda dava seus primeiros passos na consolidação da grande literatura russa. O estilo do autor era tão inovador e cômico que a produção de suas primeiras obras gerou uma cena antológica nos bastidores editoriais, na qual os próprios impressores da gráfica interrompiam o trabalho técnico para ler as páginas das provas e caíam na gargalhada.
A história gira em torno de dois vizinhos, Ivan Ivanovitch e
Ivan Nikiforovitch, cujas personalidades e aspectos físicos são absolutamente
opostos. Um é magro, o outro é gordo; um é falastrão, o outro é calado; um
adora passear, enquanto o outro dificilmente sai de casa. Apesar de todas as
discrepâncias, eles são considerados os melhores amigos da cidade de Mirgorod,
até que um evento aparentemente banal os transforma em inimigos mortais. Certo
dia, a criada de Ivan Nikiforovitch coloca as roupas da casa para tomar sol no
quintal e, entre as peças, pendura uma velha espingarda que imediatamente
desperta a cobiça do vizinho.
Ivan Ivanovitch tenta negociar o artefato oferecendo uma
porca em troca; depois, propõe dois sacos de aveia; em seguida, tenta barganhar
oferecendo a porca e os dois sacos de aveia juntos. Contudo, o amigo mantém-se
irredutível na recusa e, no ápice da discussão, chama o vizinho de
"ganso". Essa única palavra é o estopim que deflagra toda a inimizade
vitalícia entre eles, e Gógol explora com maestria a pequenez do motivo como o
motor principal do humor absurdo da narrativa.
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| Gógol é considerado o pai da literatura russa. |
Em sua guerra particular, os dois Ivans envolvem todas as esferas burocráticas e autoridades da cidade. A caracterização dessas figuras públicas é, provavelmente, o ponto alto da obra: todos são absolutamente ineptos, retratados como se tivessem sido selecionados para os cargos justamente por sua incompetência. O juiz não demonstra o menor interesse pelos processos jurídicos e prefere passar o expediente no tribunal fofocando com os presentes. O delegado foi atingido na perna durante o período de guerra, de modo que subir um simples lance de escadas se transforma para ele em uma verdadeira jornada épica. Para completar o cenário, o único policial da cidade é maneta e um tanto obtuso.
Gógol revela-se um mestre refinado da ironia, recurso
visível no trecho em que descreve a geografia de Mirgorod como uma localidade
encantadora. Na realidade, o lugarejo é um pacato fim de mundo onde os
moradores estendem roupas para secar nas cercas das casas e a praça central é
inteiramente ocupada por um lamaçal permanente; o escritor, contudo, narra o
ambiente como se estivesse contemplando um espaço paradisíaco.
As descrições detalhadas, aliás, constituem outro grande
destaque estilístico. Gógol frequentemente inicia os parágrafos afirmando ser
incapaz de descrever determinado objeto ou situação e que, portanto, não o fará
— para, logo em seguida, passar a descrever o elemento minuciosamente, nos
mínimos detalhes.
Até mesmo os títulos dos capítulos são aproveitados como
ferramentas de humor, a exemplo deste: “No qual o leitor saberá facilmente
tudo que nele se contém”. Este recurso ilustra como a obra permanece atual
mesmo quase dois séculos após o seu lançamento. Parece que Nikolai Gógol está,
de certa forma, zombando dos leitores contemporâneos que detestam receber
qualquer tipo de spoiler sobre o enredo.
Tive a oportunidade de ler A Briga dos Dois Ivans
inserida em uma excelente antologia do conto russo publicada pela editora Lux,
mas a novela em formato de volume solo encontra-se facilmente disponível no
mercado editorial brasileiro em uma edição da editora Grua.
terça-feira, outubro 20, 2026
Crise – E o mundo há de morrer!
Embora Crise nas infinitas terras já tenha começa bem, é a partir do número 4 que a história se torna realmente memorável, a começar pela impressionante capa, com o Pária olhando atônito enquanto a Precursora mata Monitor com um raio.
Pária foi o primeiro personagem a aparecer na série. Vítima de uma maldição, ele percorre cada um dos mundos do multiverso DC, vendo-os morrer. No número 4, Monitor o leva para seu satélite, revela que ele é responsável por transformá-lo no que ele é e que ele terá um papel fundamental na crise que se aproxima, embora não explique qual é esse papel.
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| A página dupla mostra as consequências da Crise... |
Aqui entra a genialidade narrativa do desenhista George Perez. Ele ilustrou o diálogo entre os dois em uma página dupla, em que dos dois aparecem, um de cada lado, enquanto no meio vemos as consequências da crise em sequências em que os heróis nitidamente estão sendo derrotados pelas forças do mal.
“A terras 1 e 2 são as próximas a sucumbir... seus destinos estão ligados de maneira inexorável”, diz o Monitor. “A fúria é pior agora,... primeiro foram os céus tornando-se vermelhos. Depois, as tempestades e o clima... agora as perturbações cósmicas que devastam ambos os universos”.
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| ... e os rostos de Monitor e de Pária. |
“Esses mundos morrerão, Monitor... como todos os demais que fui forçado a assistir. Por que fez isso comigo? Qual o propósito em me fazer sofrer tanto”, reclama o Pária.
Logo após o diálogo, o Monitor é morto pela precursora. Sua morte parece ecoar as mortes dos mundos, demonstrada mais uma vez com brilhantismo por George Perez.
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| Monitor é morto por sua pupila. Tudo está perdido? |
Imagens de diversas terras vão se sobrepondo em quadros verticais, mas a cada quadro parecem menos nítidos, até o final, formado apenas por um quadro branco. Na página seguinte, o fundo branco vai sendo substituído aos poucos por nuvens escuras, até o último quadro, totalmente preto. Uma solução gráfica perfeita para demonstrar que tudo acabou.
Seria esse o fim do universo?
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| George Perez mostra sua genialidade ao mostrar o fim das terras paralelas. |
Na comparação, a ameaça enfrentada pelos heróis da Marvel em Guerras Secretas parece ridícula.
Logan´s run: nenhuma ditadura é boa
Logan's run conta a história de uma cidade hermeticamente fechada onde as pessoas vivem para o prazer. Mas há um porém. Ao chegarem aos 30, todos precisam ser "renovados". A renovação acontece durante um evento chamado carrossel em que as pessoas, flutuando no ar, são atingidas por raios que supostamente teriam a capacidade de renová-los. Na verdade, as pessoas são mortas para dar lugar a crianças.
Para cada criança que nasce, uma pessoa deve morrer. A estratégia é uma forma de controle populacional imposto pelas máquinas que governam a cidade e convencem os cidadãos de que 30 anos é idade máxima que se pode viver. Logan é um patrulheiro, uma das pessoas que perseguem e matam os que tentam fugir da renovação no carrossel.
Aí há algumas diferenças entre o filme e o seriado. No filme, Logan e uma jovem chamada Jéssica conseguem fugir, mas se deparam com um mundo destruído por uma guerra nuclear. Depois de muito caminharem, chegam em Washington, onde encontram um velho. Eles voltam para a cidade, que acaba sendo destruída e termina com os seus jovens habitantes ao redor do velho, admirados com um tipo de pessoa que nunca haviam visto.
No seriado, Jéssica e Logan fogem ajudados por um androide e são perseguidos por patrulheiros. Em suas andanças à procura do Santuário, um local paradisíaco, onde as pessoas vivem felizes, sem terem de morrer aos 30 anos, eles se deparam com os mais diversos tipos de perigos, de uma sociedade religiosa fundamentalista a uma casa mal-assombrada (é, às vezes os roteiristas viajavam um pouco...).
Minha idolatria pela série fez com que eu encontrasse uma ressonância em obras distópicas, como 1984, de George Orwell, Admirável Mundo Novo, de Adous Huxley e Farenheith 451, de Ray Bradbury e isso talvez explique porque eu gostei tanto desses livros. Em todos eles havia a concepção de uma sociedade despótica em que não eram as próprias pessoas que decidiam sobre seus destinos.
Nesse sentido, Logan's run me ajudou a definir minha filosofia política. Eu percebi que os sistemas autoritários surgem geralmente respaldados pelos cidadãos comuns. Em Logan's run as próprias pessoas colocaram o controle nas mãos das máquinas, pois isso era mais cômodo, já que as máquinas providenciavam tudo que se necessitava, podendo as pessoas viverem apenas para o prazer. Em sociedades desse tipo, em que as pessoas colocam o controle de suas vidas nas mãos de outros, os que governam conseguem impor o que quiserem. Os habitantes da cidade dos Domos achavam que morrer aos trinta anos era algo absolutamente normal porque era isso que a as máquinas diziam. A figura dos patrulheiros também é interessante, pois embora também sejam vítimas desse sistema (também eles devem morrer aos 30 anos), eles o defendem com unhas e dentes. Tanto no filme quanto no seriado, Logan e Jéssica são perseguidos por um patrulheiro totalmente cego a tudo que vê, pois só consegue obedecer à sua programação. Da mesma forma, todo regime autoritário só existe porque tem à sua disposição a tigrada, aqueles que obedecem cegamente ao ditador, mesmo que sejam vítimas dele.
Outro aspecto interessante é observar uma sociedade formada exclusivamente por jovens (há uma cena em que uma garotinha vê a personagem Jéssica, de 24 anos, e diz que ela é uma velha bonita) em um filme lançado no auge do movimento hippie.
No filme, as pessoas, quando querem sexo, entram num circuito que permite escolher qualquer outra pessoa que esteja no circuito (uma antecipação dos chats eróticos?), e há a loja do amor, onde qualquer um pode se relacionar com qualquer um. Ao fugirem, Jéssica e Logan redescobrem as sociedades antigas e as uniões estáveis e decidem que serão marido e mulher e terão filhos. Seria uma espécie de auto-crítica da geração do amor livre? Como um jovem refletindo sobre suas mais importantes questões, a série não dá respostas. Se no filme Jéssica e Logan tornam-se um casal (amável esposa, amável esposo), no seriado os dois fogem juntos, mas não fica clara a relação entre eles. Ou seja, a série é mais uma reflexão sobre um comportamento do que uma censura do mesmo.
O filme também antecipa toda a discussão ecológica sobre o aquecimento global. Numa sociedade em que restauram poucos recursos naturais, a solução encontrada é o controle populacional e o reaproveitamento dos recursos (creio que esqueci de mencionar que as pessoas mortas no carrossel são secretamente transformadas em comida para os mais jovens).
A presença do andróide REM também permite interpretações interessantes pois, embora Logan e Jéssica estejam fugindo da ditadura das máquinas, eles estão sendo ajudados por uma máquina. Seria o andróide um espião infiltrado entre eles apenas para destruir o santuário quando o encontrarem? A série nunca deixou isso claro, mas o fato deu origem a situações interessantes que quebram com o maniqueísmo: o amigo pode também ser o inimigo. Aquele que parece simpático pode ser a maior ameaça.
O seriado nunca mostrou os personagens chegando ao santuário, o que foi uma decepção para alguns fãs. Mas, por outro lado, deixou em aberto a situação, permitindo que cada um visualize o santuário a seu modo. O santuário, assim, passou a significar menos um local e muito mais um sentimento de esperança de que o homem um dia consiga encontrar uma maneira de viver sem ser dominado por regimes autoritários, em que cada pessoa viva feliz, sendo responsável e livre para fazer suas próprias escolhas.
Red Sonja – a balada da deusa ruiva
No início da década de 1970 a revista do selvagem Conan estava iniciando sua escalada para se tornar uma das mais vendidas do mercado de quadrinhos norte-americanos e Roy Thomas, o roteirista, tinha um problema: ele queria uma personagem feminina, que não estivesse na cronologia do herói e que ele pudesse usar à vontade. Das personagens criadas por Robert E. Howard, Valeria era loira e Belit era morena. Thomas precisava de uma ruiva. Foi quando leu um texto num livro de ensaios sobre o gênero espada e magia que mencionava o conto A sombra do abutre, que apresentava uma personagem ruiva que seria uma boa companheira para Conan.
O roteirista foi atrás do conto original e descobriu que a história se passava no final da Idade Média, durante o cerco de Viena por parte dos turcos. A personagem era Red Sonya de Rogatino e dividia a história com um guerreiro alemão.
Thomas colocou a personagem na era hiboriana e trocou seu nome para Sonja. Surgia assim, numa história desenhada por Barry Windson Smith, uma das personagens mais queridas dos quadrinhos. Mas Roy Thomas não gostava da cota de malha e da calça collant que a personagem usara na história. Assim, quando chegou em suas mãos uma pin-up de Esteban Maroto da heroina com um biquíni de ferro, ele sabia que aquele seria o visual definitivo da heroína.
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| Maroto criou o visual da personagem. |
Em 2018, Roy Thomas foi convidado a participar de uma convenção de quadrinhos em Barcelona e surgiu a ideia de aproveitar o evento para o lançamento de um álbum de Sonja desenhado por ninguém menos que Esteban Maroto (com a colaboração de Santi Casas). O resultado foi o álbum A balada da deusa ruiva, publicado no Brasil em 2021 pela Pipoca e Nanquim.
A história mostra uma menestrel cantando uma balada para o rei Thallos, que conquistara um império. Thallos tem poder e riquezas inimagináveis, mas é atormentado pelo fantasma da morte e procura a fonte da juventude na qual Sonja se banhou.
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| Santi Casas desenha parte da história. |
Essa moldura, desenhada com muita competência por Santi Casas, serve de introdução para a origem de Conan, desenhada por Maroto. Embora seu desenho seja mais comportado do que na época que colaborava com a Warren, Maroto dá um show de narrativa com destaque para o trecho em que Sonja, após ser estuprada e quase morrer nas mãos de bandoleiros, é revivida por uma deusa – enquanto toda a HQ é preto e branco, a deusa é mostrada em vermelho – cor que Sonja passa a exibir nos cabelos após ser revivida e empreender sua vingança. Algo a se destacar é que a origem mostrada nesse álbum é muito mais crua e violenta que aquela que os leitores da Marvel conheceram lá nos anos 70.
O álbum da Pipoca e Nanquim já seria obrigatória para os fãs de Robert E. Howard só por conta da HQ, mas traz uma incrível supresa: A sombra do abutre, o conto original na qual aparece a personagem Red Sonya. Antes do resgate feito por Roy Thomas, o texto era tão obscuro que só tinha publicado uma vez, na revista Magic Carpet. E o texto é surpreendentemente bom, uma tremenda aventura com as descrições detalhadas e poderosas de Robert E. Howard.
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| O álbum faz um uso criativo da cor vermelha. |
A primeira vez que a heroína aparece, Howard a descreve da seguinte forma: “Ela era alta, esplendidamente bem torneada, mas ágil. Por baixo do elmo de aço, tranças rebeldes ondulavam como ouro vermelho ao sol, caindo sobre os ombros compactos. Botas altas de couro cordovês chegavam até o meio das coxas, estas cobertas por calças largas. Ela vestia uma camisa da mais fina cota de malha turca enfiada dentro das calças. Sua cintura delgada estava envolva por um cinturão de seda verda, no qual portava duas pistolas cruzadas, uma adaga, e do qual pendia um longo sabre húngaro. Um manto escarlate cobria desleixadamente todo o conjunto”.
A Sonya da literatura é, portanto, muito diferente visualmente da personagem dos quadrinhos, mas a personalidadeé muito parecida: irascível, corajosa a ponto de se mostrar temerária... e uma boca suja sem igual (característica que nos quadrinhos foi atenuada).
A história mostra a personagem ajudando o grandalhão Gottfried von Kalmbach, que, tirando o porte físico, não se parece em nada com Conan, a começar pelo longo bigode.
Os dois defendem Viena contra os turcos e mais especificamente contra o guerreiro Mkhal Oglu, que, para apavorar os inimigos usa, presa à armadura, uma asa com penas de abutre, daí o título do conto: A sombra do abutre.





















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