quinta-feira, junho 25, 2026

Hulk – Ele voltou!

 


Um dos aspectos mais interessantes da fase de Peter David no golias esmeralda é a noção de que o Hulk é uma das facetas da personalidade de Bruce Banner, que, graças a traumas de infância desenvolveu múltipla personalidade. A capa de The incredible Hulk 372 exemplifica bem isso, ao mostrar o Hulk verde irrompendo uma imagem composta por Banner de um lado e pelo Hulk cinza do outro.

Na história, Bruce Banner está à procura de Betty Ross, que se recolheu a um convento ao ser informada que seu amado aparentemente morreu.

O Hulk verde aparecendo pela prmeira vez no traço de Dale Keown.


O roteirista Peter David manipula bem todos os elementos do roteiro e cria uma “comédia de erros” que serve aqui ao drama. Banner entra no convento e faz-se passar por um padre num confessionário para ouvir a confissão de Betty. A confissão é interrompida pela descoberta de que o padre verdadeiro sofreu um acidente e a confissão fica pela metade, fazendo o herói acreditar que sua amada está feliz no convento e não quer mais a vida ao lado de um monstro. Na verdade, o que ela iria dizer é que, embora estivesse feliz no convento, seu lugar não era ali.

Enquanto isso, o carro extremamente tecnológico caça Bruce Banner, o que torna tudo ainda mais eletrizante.

Um dos aspectos destaque dessa história é que nela Dale Keown desenha o Hulk verde pela primeira vez. O personagem aparece em toda a sua ferocidade numa belíssima e impressionante splash page.

No Brasil essa história foi publicada pela editora Abril em O incrível Hulk 130.

Combate inglório

 

 

Em 1965, James Warren estava transformando uma paixão em negócio. Ele havia lançado com sucesso uma revista sobre monstros e sua revista de quadrinhos de terror, a Creepy, era um sucesso. Ele resolveu então aumentar seu catálogo de publicações com uma revista sobre guerra e chamou para isso o seu único funcionário, o roteirista e editor Archie Godwin.
Godwin tinha um método próprio de trabalho: ele conversava com cada desenhista e descobria o que ele gostava de desenhar. E fazia histórias a partir dessas preferências. Isso garantia que os desenhistas tivessem algumas das suas melhores performances em revistas editadas por ele. Por outro lado, Archie Godwin era um dos melhores roteiristas dos comics americanos de todos os tempos, com uma incrível capacidade de criar histórias envolventes, poéticas quando necessário e acima de tudo profundas.
O resultado disso, a revista Blazing Combat, só poderia ser um sucesso.
Mas foi um fracasso.


A razão disso foram as histórias sobre a guerra do Vietnã. Na década de 1970 essa guerra se tornaria extremamente impopular, mas naquela época a opinião pública norte-americana era a favor da guerra. E as histórias de Godwin (e Joe Orlando, nos desenhos), mostravam uma visão nada gloriosa da guerra, como a história de um camponês vietnamita que perde tudo, de sua família ao arrozal por conta da guerra.
Os distribuidores de quadrinhos viram a história e começaram a boicotar a revista. Como os relatórios de vendas demoravam a chegar, Warren continuou publicando o gibi até o número quatro, mas o prejuízo quase fecha a editora – que só se sustentou graças ao sucesso absoluto da Creepy.
Apesar de ter tido apenas quatro número, Blazing Combat entrou para a história como a melhor revista de guerra de todos os tempos.
Em 2011 a editora Gal publicou um encadernado com essas histórias com o título de Combate Inglório. A edição de mais de 200 páginas traz, além de todas as histórias em quadrinhos publicadas na revista, uma entrevista com James Warren e outra com Archie Godwin. É uma edição imperdível para qualquer um que goste de quadrinhos de qualidade. Além do texto simplesmente brilhante de Godwin, a lista de desenhista é impressionante: Joe Orlando, Al Williamson, John Severin, Wallace Wood, Alex Toth, Gene Colan, Reed Crandal, Angelo Torres, Gray Morrow.

Mais forte que a vingança - o filme que inspirou a criação de Ken Parker

 

O faroeste humano influenciou a série Ken Parker.


Mais forte que a vingaça (Jeremiah Johnson no original) não é só uma boa obra cinematográfica, mas um filme que tem uma atração a mais para os fãs de quadrinhos: foi ele que serviu de inspiração para a série de faroeste Ken Parker. Inclusive a fase inicial na revista o personagem é exatamente igual a Robert Redford, como aparece no filme.
A produção reúne nomes de peso: Na direção, Sydney Pollack e no roteiro, Edward Anhalt e John Milius, este último seria o direitor da versão cinematográfica de Conan, em 1982.
Nas primerias histórias de Ken Parker ele era muito parecido visualmente com o protagonista do filme.

Na história, um veterano da guerra entre México e EUA resolve abandonar a sociedade e se internar nas montanhas, transformando-se em um caçador de peles (para quem leu desde os primeiros números, essa era a profissão de Ken Parker no início). No caminho, ele conhece um velho e divertido caçador, que o ensina os segredos da caçada. Depois encontra uma família que foi assassinada e só sobraram a mulher enlouquecida e o filho. Sem alternativa, leva o menino consigo. Ele acaba se casando com uma índia e a nova família fixa residência próximo a um rio. Mas esse idílio irá logo ter um fim: ao ser convocado pelo exército para ser guia de uma expedição que irá salvar colonos, ele acaba passando pelo meio de um cemitério indígena. Como vingança, os nativos exterminam sua família.
O filme passa longe de ser um faroeste clássico. Ao contrário: tem todo o clima de drama humano que ficaria tão famoso em Ken parker. Os índios também não são mostrados como simples vilões unidimensionais, como na maioria dos faroestes. Suas crenças, costumes e variedade de etnias são retratados no filme. E a relação de Jeremiah Johnson com sua esposa índia é mostrada de forma terna e poética.
Ajuda muito no clima do filme a ótima trilha. Há cenas inteiras que são narradas apenas com imagens e músicasvisualmente e musicalmente e são boa parte do charme da produção.
Esse é, portanto, um faroeste da década de 1970, quando muitos dos cânones do gênero foram colocados em xeque e diretores trouxeram uma nova sensibilidade.

Perry Rhodan 246 – O Centro de Controle Modular

 


Apesar de ser um marco da ficção científica, a série Perry Rhodan muitas vezes peca ao focar excessivamente na perspectiva dos terranos. Por isso, o volume 246 surpreende ao trazer trechos narrados sob a ótica de um alienígena.

Nesta trama, os humanos investigam a origem de naves kamikazes que estão devastando a galáxia de Andro-Beta. Descobre-se que tais naves são pilotadas por androides rudimentares, feitos do plasma vivo encontrado pela humanidade no volume anterior. Com inteligência limitada pelo seu tamanho, esses seres cumprem uma única diretriz: destruir planetas.

A narrativa alienígena vem do ser que fabrica esses androides a mando dos Senhores da Galáxia. "Se não fosse meu trabalho, essa operação nunca poderia ser realizada. Por uma ironia cruel do destino, fui obrigado a fazer uma coisa que abominava. Constantemente tive que lutar contra a voz da consciência, que queria levar-me a assumir uma atitude de resistência e rebelião", reflete o alienígena. Ele, no entanto, continua obedecendo, com medo de que os Senhores da Galáxia eliminem seu povo.

Essa perspectiva, trazida pelo escritor H.G. Ewers, apresenta uma virada interessante ao mostrar o inimigo não como um vilão, mas como alguém coagido.

Capa original alemã. 


Este livro, como vários outros da série, sofre do mal da "enrolação": a história de fato só engrena mais à frente. Contudo, Ewers consegue preencher as páginas anteriores habilmente, tornando a leitura agradável ao trazer detalhes da vida em outro planeta ou a respeito dos personagens.

Logo no começo, por exemplo, ele nos apresenta o parasita dos cogumelos do planeta Gleam: "Achatado e do tamanho de uma mão humana, precipitara-se sobre o cigarro aceso, envolvendo-o com seus tentáculos venenosos. Os tentáculos terminavam em ferrões finos, mas muito duros, cujo veneno era capaz de matar um homem numa questão de segundos".

Outro destaque é a conversa de Gucky com o alienígena Grek-1, na qual o rato-castor tenta explicar o conceito de humor, terminando com a pérola filosófica: "Senso de humor é o que a gente mostra quando ri apesar de tudo". Como se vê, é um livro que conquista por esses pequenos momentos, e não pela trama em si, que é um pouco esvaziada e demora a acontecer.

No entanto, a obra não escapa de furos lógicos. É difícil engolir a estratégia de Grek-1: sugerir aos Senhores da Galáxia que os invasores são Maahks (seu próprio povo) para proteger os terranos parece um risco desproporcional, que poderia levar à extinção de sua própria raça.

Além disso, há uma contradição tecnológica gritante: o computador da nave é descrito como um colosso de seis andares. Em um universo onde a miniaturização microscópica já é comum, por que os computadores continuariam gigantescos?

Homem-Aranha nunca mais

 

Um dos aspectos que diferenciavam as histórias da Marvel de outras editoras, em especial a DC, é que os heróis da Marvel na maioria das vezes encarnavam seus poderes como um maldição, e não uma benção. E um dos heróis mais atormentados por isso era o Homem-Aranha. Essa situação encontrou seu auge em The Amazing Spiderman 50, desenhada por John Romita e escrita por Stan Lee.

Na história, intitulada Homem-Aranha nunca mais, Tia May passa mal, mas Peter Parker não é achado porque estava combatendo uma gangue de malfeitores. No dia seguinte, um dos professores chama o rapaz e reclama que suas notas estão baixas demais para um aluno com sua inteligência. Logo depois, Gwen stacy convida o rapaz para sair, mas ele não aceita, pois a vida dupla lhe deixa pouco tempo para estudar.

A gota d´água é um discurso de JJ Jameson na TV, oferecendo uma recompensa para quem capturar o aracnídeo.

“Ser o Homem-aranha não me trouxe nada... além de infelicidade”, reflete Parker.

A emblemática imagem, que foi homenageada centenas de vezess. 

E então temos aquela que é uma das cenas mais famosas da carreira do herói: o uniforme do aranha jogado numa lixeira enquanto, em segundo plano vemos um Peter Parker cabisbaixo se afastando. Uma imagem tão impactante que foi reproduzida em dos filmes de Sam Raimi.

Um garoto acha o unifome e leva para o Clarin, deixando JJ Jameson exultante: “Você merece uma recompensa, guri! Apanhe um exemplar do Clarin quando sair”, ao que o garoto retruca: “Isso é recompensa?”.

Um garoto acha o uniforme e leva para JJJ, que lhe oferece um exemplar do Clarin: isso é recompensa? 


Claro que a aposentadoria do herói, anunciada com manchete na capa do Clarin, é momentânea, caso não, seria o fim da revista. Mas a história rendeu alguns dos melhores momentos do título, um ótimo exemplo de como a dupla Romita-Lee conseguia magnetizar os leitores e surpreendê-los. 

quarta-feira, junho 24, 2026

O menino vampiro

 


Carlos Trillo é um dos melhores roteiristas argentinos. Suas histórias sempre fogem do convencional, surpreendendo o leitor. E é isso que ele faz na série de álbuns Menino Vampiro, com desenhos do também argentino Eduardo Risso.

A história inicia com trabalhadores abrindo uma antiga rede de esgoto que foi fechada há décadas. Lá, vemos aos poucos um cadáver se transformar em um menino conforme entra em contato com o sol. Esse início é suficiente para deixar o leitor curioso para saber o que está acontecendo – o que só saberemos de fato lá pelo final do álbum.

Na história, vampiros têm uma fome avassaladora após serem renascidos. 


O garoto é filho do faraó Queops e sobrevivente de uma doença que acometeu uma caravana egípcia. Ele foi salvo pelo deus sol, que não só lhe curou da doença como lhe deu o dom da imortalidade. Só aqui temos uma grande inversão das narrativas comuns sobre vampiros – aqui é o sol que faz renascer os sugadores de sangue,  ao invés de matça-los. Outra diferença é que eles não vivem apenas de sangue, mas precisam também de comida normal, especialmente após serem renascidos.

Mas o sol fez o mesmo com a amante do faraó, sacerdotisa das cobras. Inicia ali uma relação de ódio imortal, que fará com que cada um tente matar o outro ao longo de milênios – e não, esse ódio recíproco não é gratuito, mas é muito bem explicado pelo roteiro.

O protagonista é sobrevivente de uma caravana egípcia morta por uma praga. 


Trilo explora com perfeição o fato de seu protagonista ser um menino de dez anos que viveu cinco mil anos e todo o conflito decorrente disso. Como jamais saiu da infância, o garoto não sabe o que é atração sexual e nunca se apaixonou.

A situação do rapaz não faz com que a série seja isenta de sensualidade – ao contrário. A sacerdotisa por exemplo, agora vive como prostituta e stripper e usa todo o seu conhecimento acumulado ao longo de séculos para seduzir e manipular os homens.  aliás, o grande conhecimento de história do roteirista faz com que ele recheie a trama de fatos históricos que a tornam ainda mais interessante.

As soluções narrativas de Eduardo Risso são um dos atrativos da série. 


Embora o primeiro álbum seja muito bom, é no segundo que vemos a trama engatando, especialmente com relação ao desenvolvimento dos personagens. A fuga do garoto, da mulher cega que o acolheu e uma garota indígena para Nova Orleans é um dos momentos mais interessantes do álbum. Trillo nitidamente é um apaixonado pela cultura negra e pelo jazz e traz essa paixão para a história.

Vale destacar também o traço de Eduardo Risso, em especial sua ótima narrativa visual, ao mesmo tempo eficiente e inovadora.

Infelizmente a Mythos lançou apenas dois álbuns da série aqui. Faltaram mais dois para completar a coleção.  

Perry Rhodan – A grande hora de Gucky

 


Um dos aspectos que fazem do volume 89 da série Perry Rhodan uma leitura interessante é a abertura, com uma discussão entre Rhodan e Bell a respeito de um artigo do New World Press, o principal jornal do mundo, criticando a atuação do governo na guerra contra os druufs. Embora o artigo seja injusto em muitos pontos, o administrador do Império Solar o defende com o argumento da liberdade de imprensa. Como a maioria dos volumes é focada nas aventuras espaciais, é interessante observar um pouco de como é o cotidiano e a política da Terra no futuro da série.

Apesar do tom ser militarista, descobrimos que no planeta não só há liberdade de imprensa, como há um congresso internacional, que inclusive periga tirar Rhodan do cargo.

Como sempre, há problemas. Uma das razões pelas quais Rhodan acaba sendo mantido no cargo é que toda a bancada africana perde seus mandatos em um processo sumário devido à corrupção. Primeiro que um processo sumário já soa estranho em uma democracia. Além disso, por que justamente a bancada africana? Isso revelaria a visão dos alemães da época sobre esse continente?

A capa alemã. 


Na história, os saltadores resolveram ficar no sistema solar depois de ajudarem a frota terrana a derrotarem os druufs – e só pretendem sair depois de um acordo que lhes dê total monopólio das transações comerciais. A eles se junta Thomas Cardif, filho de Rhodan, cujo ódio do pai faz com que ele se torne um traidor da Terra. Cardif, aliás, pretende depor o pai, para se tornar ele administrador do Império Solar, o que acrescenta uma drama familiar à trama maior.

Thomas Cardif, aliás, parece ser o personagem predileto de Kurt Brand, o autor do volume, uma vez que o personagem aparece em todos os livros escritos por ele nesse ciclo. Esse, aliás, é o primeiro livro de Brand que não senti ímpetos de largar pela metade, talvez pela presença de Gucky, que dá um ar mais leve e divertido ao volume. Aparentemente, Brand é um bom escritor, mas tinha problemas no início no desenvolvimento das tramas, além de ter escolhido como personagem predileto alguém que não tem o menor carisma. E não é pelo fato ser um vilão, afinal, temos muitos vilões carismáticos na cultura pop, a exemplo do Coringa e de Thanos.

Apesar de alguns problemas, esse é um livro cuja solução final surpreende e nos faz ficar ansiosos por ler o volume seguinte, que aliás, também é escrito por Brand.

Em tempo: a capa desse volume é daqueles caso em que o capista norte-americano, Gray Morrow, não se preocupou minimamente em seguir a trama. Ele coloca um astronauta com uma arma em primeiro plano, um homem em segundo plano, um astro e... um homem-gato, um personagem que simplesmente não aparece na história! 

O processo de elaboração da capa do livro Cabanagem

 

O ilustração da capa elaborada por Chris Ciuffi para meu livro Cabanagem está recebendo os mais diversos elogios. De fato, é uma ilustração poderosa, belíssima, que conseguiu reunir os diversos elementos do livro, em especial o histórico e o mitológico. É uma capa que "conta a história".
Mas para chegar a esse resultado realmente fenomenal foi necessário todo um processo. Entenda quais foram os passos desse processo. 
Esse foi o primeiro esboço do desenhista, só com os elementos básicos, mostrando como seria a composição da ilustração. 

Aprovado o esboço, Chris produziu uma imagem mais detalhada de como seria a capa. Eu considerei que o personagem dentro da água deixaria a cena mais emocionante. Além disso, na imagem final, o personagem trocou o facão e a arma de fogo de mão. Um problema deste desenho que foi consertado foi justamente a arma de fogo: Chris desenhou um revólver, que não existia na época, e foi substituído por uma garrucha no desenho seguinte. 

Aqui o lápis definitivo. Eu gostei muito da imagem, mas o rosto do personagem me incomodou, pois os traços davam um ar de maldade, deixando a impressão de que ele era o vilão da história. .Nessa imagem já aparecem sombras ao fundo, que representam os seres da floresta. A ideia aí não era mostrar diretamente esses seres mitológicos, mas apenas sugeri-los, algo que faço muito no próprio livro. O desenhista inclui aqui uma cobra vindo na direção do cabano. Embora essa cena não exista no romance, ela deu dramaticidade à imagem e a impressão de perigo ininente.  
Essa foi a versão definitiva do lápis. A imagem ficou tão boa que bastou colorir. A versão colorida dessa imagem se tornou a capa definitiva, sendo necessários apenas alguns ajustes.
 Essa é a versão colorida do último desenho. Ficou muito boa, mas foi necessário uma pequena mudança: o facão estava confundindo com o fundo e sugeri que fosse dado um brilho de metal nele, destacando sua lâmina.

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Space Force

 


O seriado Space Force foi criado a partir de um Tweet de Donald Trump. Trumpo anunciou a criação de uma força espacial (com uma logo parecia com a de Star Trek), que acabou nunca se tornando realidade e se tornou piada na rede. Ou melhor, iria se tornar realidade na ficção, nessa ótima série da Netflix.
Na série, um general que finalmente chegou ao patamar das maiores autoridades militares do país recebe (pelo Twitter), a incumbência de criar uma colônia na Lua até 2024. É humor puro, a começar pelas várias referências a Trump, que nunca é mostrado ou mesmo nomeado. Só sabemos dele através de mensagens no Twitter e a impressão que dá é de que até mesmo os assessores mais próximos só conseguem saber algo sobre ele a partir dessa rede social.
O seriado é estrelado pelo ótimo Steve Carell, que também assina a produção junto com Greg Daniels. Carrel faz o papel do general Mark Naird, responsável por comandar a força espacial. É um típico militar, que acha que jogar uma bomba irá resolver a maioria dos problemas. Mas sua convivência com o cientista-chefe Dr. Adrian Mallory, interpretado porJohn Malkovich, vai tornando o personagem mais racional, especialmente quando Mallory o ajuda a ganhar uma competição contra a força aérea – aliás, um dos episódios mais engraçados da série.
Naird divide o tempo comandando a Força Espacial com um vida pessoal que é um verdadeiro desastre: a esposa foi presa, a relação com a filha é péssima, o pai é do tipo que transfere dinheiro para golpistas porque acha que a neta foi sequestrada por uma gangue que alicia prostitutas. E, para piorar, até a Índia parece estar passando a perna nos EUA. Sem falar na China, que rivaliza diretamente com os Estados Unidos pelo domínio da Lua.
Um dos melhores momentos da série é quando a China sabota um satélite americano e para consertá-lo, ignorando todos os conselhos dos cientistas, o general Naird resolve mandar um chimpanzé para efetuar os reparos.
Os episódios são rápidos e divertidos. Uma boa pedida para quem gosta de comédia.

Odisseia cósmica

 

 Todos que conhecem um pouco mais de quadrinhos sabem que Thanos é uma cópia de um vilão da DC, Darkside, criado por Jack Kirby quando este revolucionou a editora na década de 1970.

Em 1988, Jim Starlin, criador de Thanos e grande mestre das sagas cósmicas estava na DC Comics. Era a oportunidade de trabalhar com a versão original de seu vilão.
Starlin imaginou uma grande saga estelar em que alguns dos mais poderosos heróis da DC se unem a Darkside para enfrentar a ameaça absoluta da anti-vida.
Starlin fazendo uma grande saga cósmica com personagens da DC é um velho sonho dos leitores e não decepciona. Como nessa época ele já estava diminuindo sua atividade como desenhista, foi chamado um artista que na época era uma estrela em ascenção: Mike Mignola. A junção desses dois grandes astros nos deu um dos poucos crossoveres realmente divertidos dos quadrinhos de super-heróis.


Mignola sabe dar peso às imagens, usando e abusando dos contrastes, o que é particularmente eficaz nas cenas do universo da anti-vida. Ele nitidamente não conseguiria desenhar diversos heróis em um único quadro (o que é uma especialidade de George Perez), de modo que Starlin, de maneira inteligente, escolhe um pequeno time de personagens para combater os espectros da anti-vida que escaparam para nosso universo, indo cada um para um mundo com o objetivo de destruí-lo. Algumas escolhas fazem todo o sentido, como Super-homem, Lanterna Verde, Estelar e Orion. Outras parecem forçadas por decisões editoriais, como o Batman, que parece deslocado numa saga cósmica. Mas, como bom roteirista, Jim Starlin dá um jeito de fazer com que o personagem se torne relevante na HQ (ele havia feito a mesma coisa com o Homem-aranha na saga de Thanos).
Aliás, Starlin consegue equilibrar perfeitamente a trama, sem fazê-la pesar demais para personagens como o Super-homem. Todos os personagens têm um bom desenvolvimento – inclusive melhor do que normalmente se fazia com eles à época.
Essa história foi lançada na década de 1990 pela editora Abril e em 2015 foi relançada pela Panini em volume encadernado com capa metalizada.

A arte magnífica de David Mazzucchelli

 


David Mazzucchelli começou a trabalhar com quadrinhos na década de 1980, primeiramente em trabalhos ocasionais (como algumas edições de Indiana Jones), até ser alçado a desenhista regular do Demolidor, na fase com roteiro de Denni O´Neil.

Quando Frank Miller voltou para o título, resolveu continuar com o desenhista, o que deu origem à aclamada série A que da Matt Murdock. Esse trabalho transformou imediatamente Mazzucchelli em um dos grandes astros do mercado americano de quadrinhos. Assim, quando Miller resolveu contar os primeiros anos do cavaleiro das trevas em Batman- ano um, não foi surpresa que ele fosse escolhido como desenhista.

Nessa série ele usou os mesmos elementos que já o haviam tornado famoso no Demolidor, como o desenho anatômico e dinâmico, mas misturou isso com um ótimo trabalho de claro-escuro com sombras chapadas que combinavam perfeitamente com o Batman.

Após o sucesso dessas duas séries, Mazzuchelli passou a se dedicar a trabalhos mais autorais, como o álbum Asterios Polyp.