sábado, outubro 24, 2026

Perry Rhodan – Luta contra o desconhecido

 


Como uma série de ficção científica, Perry Rhodan é um prato cheio para que os autores desenvolvessem uma variedade de alienígenas.

Uma das raças mais interessantes são os moofs.

A primeira vez que eles aparecem é no número 40 da série. 

Perry Rhodan havia acabado de roubar uma nave arcônida e se encontrava escondido num local até então desconhecido do universo quando uma nave se aproxima deles e oferece uma audiência no planeta dos zalitas.

A capa original alemã. 


Rhodan manda seus mutantes espionarem as naves zalitas com o objetivo de descobrir quais suas intenções. Quando Ras Tschubai entra numa nave dos zalitas se depara com um monstro.

Clark Darlton, autor do volume descreve assim o ser: “Tinha menos de metro e meio de altura e quase um metro de largura. Seu formato era circular e lembrava uma gigantesca medusa. Na parte inferior do corpo, Ras viu um número indefinido de tocos funcionando como pés, que eram flácidos como o resto do corpo. O ser era encimado por uma cabeça redonda como uma bola, grudada bem no centro do corpo gelatinoso. Um par de olhos em forma de botão fitou-o com uma expressão fria e malvada”.

Os moofs vivem numa atmosfera de metano e, para sobrevierem nas naves dos zalitas, precisam de aquários hermeticamente fechados. Também são sugestores e telepatas. Ou sejas: seres vivendo vidas plenamente mentais. Como não podem se deslocar por conta própria, usam outras raças para isso. As vítimas acreditam que estão fazendo o que querem, quando na verdade estão cumprindo decisões dos seres monstruosos.

E, claro, eles estão envolvidos num plano de seres chamados apenas de senhores, que pretendem acabar com o império arcônida, o que cria toda a trama do volume.

Segunda temporada de Stranger Thing - as referências

 

A primeira temporada de Stranger Things já havia destacado a série como uma das mais interessantes dos últimos tempos. Os irmãos Duffer conseguiram fazer uma mescla de vários elementos da década de 1980 em uma história que funcionava bem, apesar de misturar fantasia infantil com terror (mistura que fez várias produtoras recusarem o projeto). 
Mas se faltava algo, depois da segunda temporada não falta mais. Roteiro, direção e elenco evoluíram. Há muito a se destacar nessa temporada, a começar pela construção do conflito. 
Os diretores-roteiristas sabiam que já tinham um público fiel, de modo que foram desenvolvendo a trama de maneira gradual, sem atropelos. Discípulos de Stephen King, eles se preocuparam primeiro em aprofundar os personagens, com pequenos toques de terror ao longo dos episódios e alguns ganchos de suspense. Quando a ação explode, no sexto episódio, até mesmo o insosso Bob já se tornou familiar aos telespectadores, que, nesse ponto estão verdadeiramente comprometidos até mesmo com personagens secundários.
Criticado por muitos, o sétimo episódio é um dos melhores. O encontro de Eleven com Kali pode ter irritado alguns expectadores por ter parado a trama no seu auge numa sequência que aparentemente não tinha relação com a temporada. Mas um olhar de roteirista permite perceber ali um perfeito gancho para a terceira temporada. Além, claro, de ser mais um show de construção de personagens. A genialidade na direção está em em vários momentos mostrar o poder de Kali sem o uso de fato de efeitos especiais, apenas trabalhando com a edição/montagem. Mesmo o momento em que Eleven usa seus poderes, trata-se de um efeito especial simples, brutalmente amplificado pela ótima direção.
Outro aspecto positivo é o fato da série ter arcos fechados. Os ganchos para a terceira temporada estão todos ali, mas não há pontas soltas, tudo se fecha no último episódio.


Referências 


As referências de Strangers Things davam todo um livro. Mas abaixo aponto alguns dos livros e filmes que influenciaram o seriado e, em alguns pontos são até mesmo citados:

Scanners, sua mente pode destruir, obra-prima de David Cronenberg, de 1981, sobre pessoas com poderes paranormais e a tentativa do governo de controlá-las (vale lembrar de Cronemberg dirigiu uma adaptação de um livro de Stephen King que também serviu de inspiração para ST: Zona Morta). Stranger Things se inspirou não apenas no tema, mas nos ótimos truques de direção. Cronemberg usa pouquíssimos efeitos especiais (o mais célebre é a do crânio de um homem explondindo - o que, provavelmente, deu pouco trabalho), mas consegue convencer de que estamos vendo pessoas com poderes com ótimo uso de edição e som. Quem assistiu Scanner vai perceber que foi a grande referência para as cenas de efeitos especiais do sétimo episódio.


A incendiária - livro de Stephen King sobre uma garota com poderes incendiários fugindo com seu pai de agentes do governo ligados a um projeto que pretende controlar crianças com poderes especiais.

Conta comigo - filme baseado no conto O corpo, de Stephen King que se tornou referência em histórias sobre amizade e crianças unidas em torno de um objetivo em comum. O filme é literalmente citado na sequência da linha do trem.

A ciência dos signos

 

Charles Pierce, criador da Semiótica.
Certa vez fui a uma livraria procurar o livro O Signo, de Isaac Epstein. A moça da loja se espantou: “Você é o segundo professor que vem procurar esse livro. Por que vocês estão tão interessados em astrologia?”. O caso demonstra a compreensão que a maioria das pessoas tem da palavra signo. Na verdade, em nossa sociedade, quase tudo é signo de algo. Certas roupas são sinais de que a pessoa está na moda, certos carros são símbolos de status... é impossível realizar a maior parte de nossas atividade diárias sem o auxílio de símbolos. Até para ir ao banheiro precisamos interpretar símbolos (caso não, corremos o risco de entrarmos no banheiro errado). 

Na verdade, os signos foram uma das mais importantes e mais geniais invenções do ser humano. Antes dos signos, para nos referirmos a uma pedra, precisávamos mostrar a pedra. Imagine como seria incômodo levar várias pedras consigo para poder mostra-las toda vez que fosse necessário se referir a elas. É mais prático dizer o palavra pedra, não é mesmo. Os signos são isso mesmo: um substituto para as coisas. Eles estão no lugar das coisas, as representam. Claro que, além de falar pedra, eu também posso desenhar uma pedra. Essa é uma outra forma de representar a coisa pedra. 
Os signos sempre fascinaram os pensadores e são estudados desde a Grécia antiga, passando pela Idade Média e pelos filósofos iluministas. Mas uma ciência dos signos só foi se firmar no final do século XIX e início do século XX. Foi nessa época que Charles Sanders Pierce nos EUA e Ferdinand de Saussure na Europa começaram a produzir uma ciência dos signos. Os partidários de Pierce chamaram essa ciência de semiótica. Os adeptos de Saussure a chamaram de semiologia. A corrente saussureana se notabilizou pela análise dos signos lingüísticos, enquanto os pierceanos abriram sua análise também para outras formas de representação. 
 Pierce diz que signo é aquilo que está no lugar de outra coisa. A palavra pedra está no lugar da coisa pedra. Podemos dizer também que signo é tudo aquilo uma coisa que não seja ele mesmo. Uma pedra é apenas uma pedra, mas se uma empresa de construção convencionar que a pedra é seu símbolo, ela passa a ser um signo. 
Mas afinal, como funciona um signo? Como podemos nos referir a uma coisa sem a termos por perto? Muitos pensadores se debruçaram sobre essa questão e a maioria concluiu que um signo tem uma característica triádica, ou seja, é dividido em três partes. É o chamado triângulo semiótico.



Pierce chamou os três pontos da pirâmide de signo (a palavra pedra), imagem mental (a imagem da pedra que se forma em nossa mente) e objeto (a coisa pedra). 
Outros autores têm utilizado as expressões significante (a palavra pedra), significado (a imagem da pedra que se forma em nossa mente) e referente ( a coisa pedra).
O significante é o aspecto sensível do signo. Se estamos falando, são os sons que formam a palavra pedra. Se estamos escrevendo, é o conjunto de sinais gráficos que formam a palavra pedra. 
O significado é a compreensão que temos da mensagem. 
O referente é aquilo ao qual estamos nos referindo. Se dizemos a palavra pedra, o referente é a coisa pedra. Se dizemos praia, o referente é a coisa praia.
Há situações em que um significante tem mais de um significado. É o que acontece com as palavras que têm dupla interpretação. Por exemplo, a palavra bala pode ser de revólver ou de comer. Manga pode ser fruta ou pode ser manga de camisa. 
A poesia é essencialmente polissêmica. Quando o poeta diz “Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra”, cada um de nós vê um significado na palavra pedra. Para uns podem ser as dificuldades da vida. Para outros pode ser uma pedra mesmo...
A polissemia é que permite os trocadilhos, um recurso muito usado pelos humoristas. Quando digo que a Rússia invadiu a Chechênia, essa frase pode ter tanto um significado político quanto sexual.
Por outro lado, pode haver erros de interpretação: o emissor está pensando em um referente, mas o receptor interpreta a frase com outro significado. É o caso de dizermos pedra e a pessoa entender Pedro. Esse fenômeno é chamado de ruído e é estudado pela teoria da informação. 
Um aspecto importante da semiótica é a necessidade de intérprete. Só temos signos quando há pessoas para interpretá-los. Qual o significado de uma árvore caindo em uma floresta deserta? Nenhum, pois não há ninguém ali para interpretar esse fato.
Por outro lado, os signos podem ser primários ou secundários. Signos primários são criados pelos homens para serem signos: palavras, desenhos, símbolos, sinais de trânsito...

Signos secundários são coisas que foram transformadas em signos. O arroz, por exemplo, é só um alimento. Mas no casamento, quando é jogado sobre o casal, ele representa a fertilidade. O automóvel é apenas um meio de transporte. Mas uma BMW é um símbolo de status, de que seu ocupante é uma pessoa rica e poderosa. Um pombo é apenas uma ave, mas nas manifestações pacifistas ele se torna um símbolo da paz e da liberdade. 
Um dos signos mais famosos de nossa sociedade é um signo secundário. Trata-se da cruz. A cruz, originalmente, era só um instrumento de tortura. Com o tempo, ele tornou-se o símbolo da religião e da fé cristã. Esse processe de transformação de coisas em símbolos é cultural e arbitrário. De repente alguém decide que algo vai representar tal coisa. Se pegar, aquilo passa a representar algo além dele mesmo. No início do cristianismo, por exemplo, o símbolo da fé cristã era um peixe. Foi um símbolo que acabou não pegando e os cristãos acabaram ficando com a cruz.
Segundo Pierce, se considerarmos a relação do signo com o referente, existem três tipos de signos: os ícones, os índices e os símbolos. 
Os índices, talvez os primeiros signos utilizados pelo homem, têm uma relação com contigüidade com a coisa representada. Ou seja, como sempre vemos um e outro juntos, passamos a associar uma coisa a outra. Por exemplo, como vemos sempre fogo e fumaça, logo associamos que onde há fumaça, há fogo. A fumaça virou índice do fogo. 

Os detetives trabalham essencialmente com índices: as pegadas no barro e a impressão são índices de que o ladrão fugiu por um determinado local. A pegada também pode ser um índice do tamanho do ladrão (uma pegada grande é índice de um homem alto, uma pegada pequena é índice de um homem baixo). 
A seguir, temos os ícones. 
Os ícones são signos que guardam uma relação de semelhança com a coisa representada. São o tipo de signo mais fácil de ser reconhecido. Não é necessário qualquer tipo de treinamento para identificar uma foto de um cachorro. Basta ter já visto um cachorro antes. Exemplos de ícones são fotos, desenhos, estátuas, filmes, imagens de TV. Um tipo especial de palavras também é considerada ícone: as onomatopéias, que representam os sons das coisas e dos animais.
Os símbolos são signos muito mais complexos. Imagina-se que eles só tenham surgido em uma fase mais avançada da civilização humana. Os símbolos não guardam qualquer relação de semelhança ou de contigüidade com a coisa representada. A relação é puramente cultural e arbitrárias. Para compreender um símbolo, é necessário aprender o que ele significa. As palavras, por exemplo. Para compreender que o conjunto de sinais PEDRA significa a coisa pedra, preciso ter sido alfabetizado, ou seja, passado por um treinamento.
Conta-se a história de um monge budista que, ao entrar em uma igreja católica, ficou chocado com aquela imagem de um homem sendo torturado. Ele codificou a cruz como um instrumento de tortura, e não como símbolo da fé cristã. 
São exemplos de símbolos as palavras, os símbolos matemáticos, os símbolos químicos, as bandeiras de países e clubes. Já se falou de coisas que podem ganhar o status de símbolo. É o caso do Tucano, que representa o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ou a estrela, que simboliza o Partido dos Trabalhadores (PT). 
Os símbolos são criados no momento da criação do código. É o código que diz os sinais que são válidos e os que não são. É também o código que nos diz como os símbolos devem se relacionar entre si.
Às vezes um signo pode ter mais de uma classificação. É o caso da cruz. Ela é um ícone (de um homem sendo torturado), um símbolo (da fé cristã) e pode ser um índice (quando chegamos em uma cidade e queremos saber onde fica a igreja).
Por outro lado, é possível que um símbolo tenha características de ícone. É o caso de uma poesia sobre a chuva em que as letras vão caindo como gotas de chuva. 
As logomarcas das empresas normalmente são símbolos que apresentam características de ícones. Isso é feito para que a compreensão da mensagem seja mais rápida e funciona tão bem que até mesmo crianças que ainda não foram alfabetizadas conseguem ler logomarcas. Elas lêm visualmente.
As letras da Coca-cola, por exemplo, procuram reproduzir as curvas da garrafinha. A rede Globo tem, na sua logomarca, o famoso símbolo visual que é um globo no formato de TV com um globo dentro. Ou seja, o planeta dentro da TV.
Também acontece de um signo contaminar o outro e passar suas características para ele. Essa contaminação pode ocorrer por similaridade ou contigüidade. Dois signos semelhantes podem transferir seu significado um para o outro. Ao ver uma foto de um tigre, uma criança pode achar que se trata de um gato, devido à semelhança dos dois.
A contigüidade ocorre quando colocamos dois signos próximos um do outro. A foto de um político encimada pela palavra LADRÃO dará a entender que o político é desonesto. Fotos de pessoas junto à palavra FELICIDADE darão a entender que essas pessoas são felizes.

Quarteto Fantástico – Naquela noite...

 


As escaramuças entre o Tocha Humana e o Coisa são famosas nas histórias do Quarteto Fantástico. Mas será que elas renderiam uma HQ inteira, só para isso? Esse foi o desafio de Barry Windsor Smith em Marvel Fanfare 15.

Na história, Bem Grinn acorda e se depara com uma série de “ciladas” meticulosamente criadas pelo Tocha. São canudinhos grudados o rosto como se fosse barba, são panquecas que explodem junto com o molho, são brinquedos que escorregam junto com o herói, levando-o até uma piscina de bolinhas...



Essa seria uma história totalmente descartável e boba nas mãos de outro artista. Mas Smith consegue transformar essa bobagem num clássico desde os primeiros quadros, em que o Coisa é acordado pelo despertador, o destrói e depois pega outro, entre dezenas de reservas no armário.



É o desenho maravilhoso e a narrativa visual que fazem com que essa história se torne especial e divertida, com o toque certo de humor.

No Brasil a história foi publicada em Homem-aranha 31, da editora Abril.  

Livro Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos

 

Vivemos em um mundo hiper-real, em que ficção e fato se misturam. É um mundo de simulacros, de símbolos que existem por si só, sem nenhum referencial. Na arte esse fenômeno se refletiu na forma de obras que confudem real e ficcional. É a verossimilhança hiper-real: obras tão críveis que muitas pessoas acreditam que são reais. 
No livro Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos - a fantástica história de Francisco Iwerten, eu analiso esse fenômeno a partir de um fato específico: o quadrinista fake Francisco Iwerten e seu personagem, o herói Capitão Gralha. Durante 18 anos acreditou-se que Iwerten existia e ele chegou até mesmo a ganhar prêmios. 
Quer conhecer melhor essa história e entender o que é o mundo hiper-real? 
O livro está sendo disponibilizado de graça no site da Marca de Fantasia.  Para baixar, clique aqui.

A arte estrondosa de Emanuele Taglietti

 


Emanuele Taglietti é um famoso ilustrador italiano, conhecido principalmente pelas capas de quadrinhos adultos.

Nascido em 1943, Taglietti era de uma família de artistas. Seu pai era pintor e decorador. Seu primo era o aclamado diretor de cinema Michelangelo Antonioni. Antonioni, inclusive, costumava levar o primo para os sets de filmagem, onde ele começou a trabalhar como cenógrafo. Com o tempo, Taglietti começou a trabalhar também como assistente de direção. Entre os filmes que ele participou estão Julieta dos espíritos, de Federico Fellini.

Na década de 1970 os quadrinhos de terror e erotismo conheceram seu auge na Itália e Taglietti foi contratado pela editora Edifumetto para a qual pintou mais de 500 capas. Sua arte se destacava pelas belas mulheres quase sempre em situação de perigo.

Na década de 1980 esse tipo de quadrinho entrou em declínio e o artista passou a se dedicar à pintura a óleo e ao ensino de decoração de murais. Ele tentou conseguir seus originais de volta, mas foi informado que esses haviam sido roubados. Até hoje não se sabe o paradeiro dessas pinturas.














Quando a milícia toma conta


 

Ontem tivemos o fato mais assustador de toda essa campanha e um alerta para o que nos espera. Policiais tinham prendido bandidos e viram três garotas com camisas do Lula. Eles pararam elas e as obrigaram a tirar a camisa para colocar nos bandidos e criar a farsa de que eles eram petistas. Isso é assustado nos mais diversos niveis: desde o total desrespeito às mulheres, que foram obrigadas a tirar a camisa (uma delas estava sem sutiã) até o roubo descarado com certeza de impunidade. Dizem que esse tipo de situação é comum nas regiões dominadas pela milícia. E isso pode se espalhar pelo Brasil inteiro. 

sexta-feira, outubro 23, 2026

Fundo do baú - Capitão caverna

 


Capitão Caverna e as panterinhas (Captain Caveman and the Teen Angels, no original) era uma mistura de várias atrações famosas à época. Tinha mistérios, como Scooby-doo, um personagem humorístico, super-heroismo e um trio de garotas detetives como no seriado As panteras.

Na trama, três garotas, Sabrina, Neli e Gilda encontram um homem das cavernas com poderes especiais congelados num bloco de gelo. Depois de descongelado, ele passa a ajudar as meninas, contribuindo para decifrar diversos mistérios.

O Capitão Caverna tinha o corpo repleto de pelos de onde tirava as coisas mais absurdas, incluindo dinossauros e dragões. Além disso, carregava um porrete que usava não só para bater nos oponentes, mas também para voar e do qual tira as mais diversas ferramentas. Ele constantemente dizia frases sem sentido, como “Unga bunga” e, nos momentos de ação, soltava seu grito de guerra: “Capitão Caveeeerrnnnnaaaa!!”.

O padrão recorrentes dos episódios era algo valioso sendo roubado por um vilão misterioso, as panterinhas seguindo pistas deixadas pelo mesmo e o Capitão Caverna capturando-o. Em um episódio, por exemplo, as panteras investigam um ladrão de tigres de circo, em outro, um tubarão que rouba tesouros.

O desenho teve três temporadas, num total de 40 episódios.

Glory, de Alan Moore

 


Glory é uma personagem “criada” por Rob Liefield, uma cópia da Mulher Maravilha tão descarada que havia nascido na Penísula Paraíso.

Em 1999, Alan Moore foi convidado a escrever a personagem e fez isso, como sempre, de modo revolucionário. A ideia de Moore era por um lado fazer uma homenagem à personagem-raiz, no caso, a Mulher Maravilha, e por outro, trazer novos aspectos, aproveitando a mitologia da personagem e elementos do tarot e da cabala.

Moore mistura diversas mitologias na origem dessa nova Glory. 


Assim, na versão de Moore, Glory decide ter a experiência de ser uma humana normal e encarna em uma garçonete chamada Gloria West. Acontece que Gloria é (ou parecer ser) esquizofrênica, o que nos garante alguns dos melhores momentos da série.

Moore divide sua narrativa em três linhas: a de Glória, a de Glory no mundo místico e a de histórias em quadrinhos lidas por Gloria. O interessante aqui é que as três instâncias se mesclam e se confundem.

Os personagens dos gibis lidos por Gloria interagem com ela. 


Por exemplo, à certa altura, Glória está lendo um quadrinho da Glory quando a vilã, Lilith, vira-se para ela e diz: “Assim como vou destruir você, Gloria West”.

Em outro momento, Gloria se vê como Glory enquanto ela está no mundo dos deuses: “Eu estava num jardim mágico, certo? Olhando para uma piscina? E tinha umas pequenas fadas da água”.

Moore faz referência direta à origem BDSM da Mulher Maravilha. 


Só a mistura dessas três instâncias já fariam de Glory uma série memorável, mas Moorre ainda aproveita para fazer um estudo metalinguístico da Mulher Maravilha, imergindo nas características da personagem.

Ele, por exemplo, aproveita o fato de Glory ser a Mulher Maravilha sem oficialmente ser a Mulher Maravilha para abordar até o aspecto de BDSM inerente à heroina.

A versão com saia branca influenciou o visual de Promethea. 


Assim, uma das vilãs é a Madame Algema, que governa um país que reverbera diretamente a iconografia BDSM, incluindo escravos puxando charretes. A vilã, inclusive, prende Glory em um gramofone gigante e, claro, a personagem é amarrada.

Se o roteiro de Alan Moore é genial, o mesmo não se pode dizer do desenho. Marat Mychaels é um artista ainda muito ligado ao estilo Rob Liefield e altamente inconstante. Em alguns momentos ele até consegue fazer um bom trabalho, mas no geral é abaixo da média e estereotipado.

Os planos terrano e mitológico interagem. 


Os melhores trechos, visualmente falando, são quando aparecem as revistas que Gloria está lendo, desenhados por Melinda Gebbie e Matt Martin. O capítulo zero, desenhado por Brandon Peterson, também é acima da média.

Infelizmente, essa série durou apenas três números, sendo um deles o zero. Ou felizmente, pois nitidamente Alan Moore reaproveitou boa parte dos conceitos em outra série, agora com uma personagem sua, Promethea. O uniforme de Promethea, aliás, parece nitidamente influenciado pelo que Moore tinha pensado para Glory, principalmente a versão clássica da personagem, com a saia branca, que seria a versão de Glory na era de ouro.

Ágora, a história de Hipátia

 

 


Ágora é um filme de 2009, Alejandro Amenábar, sobre a filósofa Hipátia, uma das mentes mais brilhantes de sua época e que acabou morrendo nas mãos dos cristãos depois de ter sido torturada e humilhada por eles.          
A película permite uma reflexão sobre vários assuntos e torna-se, desde já, grande candidato a ser exibido em aulas de história e filosofia, à semelhança de O nome da Rosa. 
Além das questões filosóficas levantadas no filme (curioso ver os filósofos discutindo o sistema de Ptolomeu em que os planetas tinham uma órbita em torno da terra e uma outra órbita em torno de si mesmos), há as questões teológicas e históricas.
Os cristãos daquela época eram o equivalente hoje dos fanáticos islâmicos. A destruição da Biblioteca de Alexandria pelos cristãos foi um crime contra humanidade equivalente ou até maior que a destruição do World Trade Center. Em termos culturais, maior, pois muito do conhecimento acumulado à época se perdeu. Na cena, Amenábar simplesmente inverte a câmera para mostrar que o mundo virou de cabeça para baixo.
O mais triste é perceber que as lições de Ágora ainda não foram aprendidas.


Ps: Quem me apresentou esse filme foi um ex-amigo, que virou bolsonarista e hoje em dia diz que a Hipátia era comunista e que esse filme é marxismo cultural. Se a filósofa voltasse hoje em dia, tenho certeza de que ele seria um dos que ajudariam a matá-la, rasgando-a com conchas e chamando-a de comunista. 

Perry Rhodan - Um sopro de eternidade

 

 


Um sopro de eternidade, volume 65 da coleção Perry Rhodan, é uma sequência direta do volume A prisão do tempo, no qual alguns dos homens de Rhodan ficam presos na dimensão dos invisíveis.

Também escrito por Clark Darlton, Um sopro de eternidade mostra o administrador do Império Solar resgatando seus homens. Para isso ele manda que seja construído um aparelho capaz de abrir um portal grande o bastante para passar uma nave.

É um livro empolgante, muito bem escrito, de ação e suspense do início ao fim: os terranos chegam, resgatam os homens, mas quando vão escapar de volta pelo portal, são atacados por centenas de pequenas naves, que impedem o retorno. Pior: aos poucos, os terranos começam a se adaptar ao tempo daquela dimensão, o que pode ter uma consequência terrível. Horas passadas nesse ritmo de tempo pode significar décadas no nosso universo.

A capa alemã. 


Quando Gucky é feito prisioneiro pelos invisíveis, o nível de tensão do livro aumenta ainda mais. Ele escapa, mas numa sequência fantástica, quase que metafísica, que envolve viagem no tempo.

Tudo isso misturado com uma dose de especulação científica: o que acontece quando se ultrapassa a velocidade da luz? Ou qual a consequência de uma explosão atômica contra uma muralha temporal?

Darlton estabelece mais um nível de suspense quando brinca com as expectativas do leitor sobre quem seriam os senhores daquela dimensão. Primeiro são apresentados seres esféricos, com vários tentáculos, mas logo se descobre que são robôs.

Depois aparece um caranguejo-abelha, mas logo descobrimos que ele é só um lacaio dos verdadeiros senhores daquela dimensão: os druffs. A aparência desses ficará para outro volume.

Eis um livro empolga até mesmo quem não é fã da série.