segunda-feira, agosto 24, 2026
O massacre de Quios
Metrópolis: um marco do cinema
Metrópolis é um dos filmes mais importantes da história. Dirigido por Fritz Lang e lançado em 1927, a película veio no rastro do expressionismo alemão (Lang havia sido co-roteirista de O gabinete do Doutor Caligari, filme fundador do expressionismo no cinema), o que se reflete principalmente pelos cenários grandiosos e pela interpretação marcante.
A história deve muito ao clássico A máquina do tempo, de H.G. Wells: no ano de 2016, ricos vivem na superfície e têm sua vida paradisíaca sustentada pelos pobres trabalhadores, que vivem no subsolo operando máquinas monstruosas.
A história foca em um casal: Freder, filho do magnata dono da cidade, e Maria, uma benfeitora dos pobres, que acredita na paz entre as duas classes. Os dois se conhecem quando Maria leva crianças pobres para a superfície e é imediatamente enxotada. O rapaz, fascinado, desce, procurando por ela e vê uma máquina explodindo e matando vários operários.
A situação se complica quando um inventor enlouquecido cria um robô com as feições de Maria capaz de enfeitiçar a todos com sua beleza. Seu objetivo é provocar uma revolta dos operários que resultaria na destruição da cidade.
Metrópolis criou a base do que viria a ser a ficção científica cinematográfica (a exemplo de Star Wars e Wall-E), desde a ação initerrupta aos cenários deslumbrantes e visual dos robôs.
O impacto sobre os quadrinhos não é menos relevante. Basta lembrar da cidade do Super-homem, Metrópolis, uma referência óbvia ao clássico de Fritz Lang.
Dylan Dog – O ladrão de ideias
Dylan Dog está num barco no rio Tâmisa com sua namorada quando a embarcação é atacada por um monstro marinho. Pouco depois, uma nave alienígena atinge o Big Bem e solta flores. Medusas se espalham por Londres transformando as pessoas em zumbis assassinos teleguiados.
Essa é a trama de “O ladrão de ideias”, volume 17 de Dylan Dog da Mhytos. Uma história repleta de referências a filmes e obras de terror e ficção científica e que parece ser composta apenas de eventos isolados.
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| O desenho lembra muito Milo Manara. |
A Bonnelli parece escolher apenas os melhores roteiristas da casa para escrever as histórias do detetive do pesadelo e Giancarlo Marzano não é excessão. Sua trama, muito bem bolada, merece figurar entre as melhores histórias do personagem.
O ladrão de ideias é o tipo de HQ que chegamos no final e percebemos que nada era o que achávamos e temos que ler de novo para finalmente entender o que realmente estava acontecendo.
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| Coisas estranhas começam a acontecer em Londres. |
Os desenhos de Ugolino Cossu são um acréscimo muito bem vindo a essa HQ memorável. Com um traço que lembra muito Milo Manara (embora sem o mesmo nível de detalhamento), Cossu consegue ir do terror à ficção científica com facilidade. Além disso, sua narrativa visual é facilmente compreensível, o que ajuda muito o roteiro.
Em tempo: essa é uma das melhores capas que já vi desse título.
X-men – O destino da Fênix
No número 135 The Uncanny X-men, a Fênix Negra era mostrada destruindo um Sistema estelar inteiro, como consequência matando bilhões de pessoas. No número 137, John Byrne e Chris Claremont (aparentemente a ideia era de Byrne) pretendiam fechar a saga com Jean Grey perdendo os poderes e se tornando uma pessoa normal.
Jim Shooter viu o que ia ser publicado e ficou indignado. A personagem tinha matado bilhões de pessoas e no final, tudo que acontecia era perder seus poderes. Ele exigia algum tipo de punição. Claremont e Byrne concordaram que o melhor a fazer seria matá-la.
O resultado foi uma das histórias mais célebres dos X-men de todos os tempos e um verdadeiro evento. A Marvel já tinha mostrado personagens importantes morrendo, como a namorada do Homem-aranha, Gwen Stacy. Mas matar uma heroína, e no auge da popularidade? Era algo totalmente inédito.
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| A morte da personagem é um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. |
O interessante do encadernado da Panini com a saga é que possível comparar a versão que foi impressa com aquela que tinha sido produzida anteriormente. E o resultado da primeira versão era pífio, muito abaixo de todo o restante da saga da Fênix. Técnicos do império Shiar fazem uma espécie de operação em Jean Grey, tirando dela todo o seu poder, sob protetos de Wolverine e de Cíclope, como se ela estivesse passando por uma grande punição. Era um final totalmente artificial e forçado, considerando-se que todos ali sabiam que ela tinha matado bilhões de pessoas.
Já, ao contrário, o final que foi publicado, tem uma carga dramática impressionante. O império Shiar leva os X-men para a Lua, onde eles são derrotados pela Guarda imperial de Shiar. O trauma de ver Scott tombando faz com que Jean se transforme novamente na Fênix. Para o professor Xavier, a única solução é que os X-men a matem. Mas no final é ela que comete suicídio ao perceber que não poderá controlar a entidade e não poderá se perdoar caso provoque novas mortes. A cena em que ela se suicida, jurando amor ao Cíclope é uma das mais marcantes dos quadrinhos.
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| Na versão defendida por Byrne, bastava tirar a Fênix de Jean Grey. |
Dessa vez, Jim Shooter tinha toda razão.
PS1 : A saga da Fênix foi um final épico e surpreendente para o que na verdade era uma tentativa de resolver um problema de roteiro. A Fênix se tornara poderosa demais para os X-men, a ponto de torna-los inúteis. De que adiatavam as habilidades acrobáticas de Noturno diante de alguém que podia simplesmente moldar a realidade? O tempo todo Claremont tinha que inventar uma desculpa para que a personagem não pudesse usar totalmente seus poderes. Finalmente, resolveram tirá-la da equipe... e, no processo, criaram uma saga inesquecível.
PS2: Um texto ao final do volume da Panini apresenta uma conversa entre os principais envolvidos na saga da Fênix. Nesse texto é possível perceber que Chris Claremont tinha uma visão muito mais aprofundada da história. Para John Byrne, apenas ocorrera uma espécie de possessão, com Jean Grey sendo dominada por algo totalmente exterior, que a controlava. Na visão de Byrne, bastava tirar essa entidade e Jean poderia voltar à normalidade como a garota feliz que era (ou seja, o final que não foi impresso era a ideia de Byrne). Para Claremont, a Fênix apenas despertou o lado sombrio da heroína, o que gerou todo o drama da história e elevou a saga da Fênix a um nível poucas vezes alcançado nos quadrinhos de super-heróis.
Perry Rhodan – A fortaleza atlântica
Parte dessas perguntas são respondidas no volume 60 da série. O volum é escrito por K. H. Scheer (que nitidamente gostava muito do personagem a ponto ser o único a escrever histórias centradas nele) e acompanha Atlan sendo recebido a bordo de Drussus como almirante e apresentado às provas de que a raça arcônida degenerou em uma raça sem iniciativa, viciada em jogos fictícios e imagens lisérgicas. Rhodan tem um objetivo: quer saber se Atlan pode ajudar no problema dos invisíveis, que fazem desaparecer populações inteiras de planetas.
Aqui começa a parte realmente interessante do volume: Atlan conta como foi chamado ao sistema Larsa, onde destronou o governante de Larsa II, que oprimia com mãos de ferro os colonos locais. Após isso, levou alguns dos colonos para o terceiro planeta do sistema, onde já começava a surgir uma forma de vida ainda pouco evoluída, de homens da caverna.
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| A capa original alemã. |
O leitor esperto percebe logo que Larsa é o Sol, Larsa II é Vênus e Larsa III é a Terra. Isso explica, por exemplo, o gigantesco computador encontrado por Rhodan em Vênus lá no volume 8, Base em Vênus.
Atlan enfrentou, naqueles tempos imemoriais, a ameaça dos invisíveis – e aparentemente descobriu uma forma de impedir sua ação – o que fica como gancho para o próximo livro.
Scheer constrói uma envolvente narrativa em primeira pessoa, que tenta simular o pensamento de um extraterrestre dotado de dois cérebros.
Batman - Morte em família
domingo, agosto 23, 2026
Demolidor – visões roubadas
Quando Frank Miller saiu do título do Demolidor, a Marvel precisava de alguém que o substituísse à altura. Para os roteiros chamaram Denny O´Neil, que tinha sido o tutor de Miller, ensinando a ele muita coisa sobre narrativa. Para desenhar, chamaram David Mazzucchelli, que logo se revelou um dos melhores desenhistas de quadrinhos de todos os tempos.
Essa dupla afinada, embora não tenha conseguido igualar a qualidade da fase Miller, fez algumas histórias inspiradas.
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| A splash page faz uma referência direta à origem do Demolidor |
Exemplo disso é a trama de Visões roubadas, publicada em Daredevil 216 e 217.
A história começa com o vilão Celta fugindo da prisão. O personagem fazia parte do IRA, traíra o movimento e tentara matar Glorianna O'breen (namorada de Matt Murdock à época), mas fora impedido e preso pelo Demolidor.
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| O vilão é tão maluco que destrói o próprio rosto para escapar da prisão. |
Para escapar da prisão, Celta coloca a cabeça numa máquina na lavanderia, e foge quando está no hospital. Embora consiga fugir, seu rosto fica arruinado. O´neil assim, cria um vilão no melhor estilo pulp, enlouquecido, com rosto desfigurado, uma imagem ainda mais impactante pelo desenho de Mazzucchelli.
Mas, enquanto o Demolidor procura Glori para impedir que ela seja morta pelo vilão, um novo perigo surge: o Cossaco. A grande sacada é a habilidade do mesmo: cegar as pessoas. Considerando-se que o Demolidor é um herói cego, é uma situação irônica, que é muito bem usada pelo roteiro. Em determinado ponto, por exemplo, o vilão acha que o demolidor está... cego!
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| Mazzucchelli mandava muito bem nas cenas de ação. |
Aliás, a splash page que abre a edição 271 é perfeita. Um garoto avança cego pela rua em primeiro plano, prestes a ser atropelado por um carro enquanto um policial tenta salvá-lo. Se lembrarmos que o demolidor ganhou seus poderes e, ao mesmo tempo, ficou cego em um acidente de trânsito, a cena é extremamente simbólica.
A noite dos desesperados
Baseado no livro de Horace McCoy, a noite dos desesperados focaliza sua narrativa em um dos fenômenos mais bizarros da grande depressão: as maratonas de danças em que pessoas passavam dias e até meses dançando em troca de comida e de um prêmio que podia variar de mil a mil e quinhentos dólares.
O filme é dirigido por Sidney Pollock e foi lançado em 1969 dentro do contexto da chamada Nova Hollywood, em que diretores jovens e idealistas revolucionaram o cinema norte americano, muitas vezes salvando estúdios da falência.
Uma maratona de pessoas desesperadas é um tema perfeito para Pollock, pois lhe permite abordar diversos assuntos caros à Nova Hollywood, como a verdadeira face dos EUA, a sociedade do espetáculo e a forma como as pessoas se divertem com o sofrimento dos outros para esquecer seus próprios sofrimentos.
O filme acompanha o casal Glória e Robert, ela uma atriz fracassada, ele uma pessoa que acaba entrando na maratona quase sem querer.
Pollock faz diversas modificações na história do livro, principalmente retirando as partes mais violentas, provavelmente para adequar o filme à censura da época. Mas em compensação, aprofunda mais os personagens, inclusive os secundários e seus dramas. Mesmo para quem leu o livro, é só no filme que podemos sentir o sofrimento dos personagens após centenas de horas dançando e praticamente sem dormir.
No livro os participantes têm 10 minutos de intervalo para tudo, inclusive comer e usar o banheiro. No filme as refeições são feitas em pleno palco, com eles dançando,uma ideia acertada, que característiza ainda mais a degradação dos personagens e o fato de que tudo relacionado a eles se tornar um espetáculo.
Mas o grande acerto de Pollock é durante os Derby, momento em que os dançarinos devem correr ao redor do palco e os últimos são eliminados. O diretor foca a câmera nos atores, de modo que não vemos mais nada. É como se estivesse ali no meio deles, sentindo todo o sofrimento e desespero.
Destaque para as atuações de Jane Fonda e em especial Susannah York, cuja personagem mal aparece no livro, mas ganha muita profundidade no filme, como uma mocinha bonita que deseja ser estrela de cinema vai enlouquecendo ao longo da maratona.
Em uma época de reality shows, A noite dos desesperados parece cada vez mais atual.
Ivanhoé, de Walter Scott
A obra se passa na Inglaterra da Idade Média. Nesse período, a ilha tinha sido invadida pelos normandos (vindos do norte da Europa e falando a língua francesa), que exerciam sua opressão e desprezo pelos habitantes locais, os saxões.
"O chão era composto de terra batida misturada com cal, que se transformava numa substância consistente, como a que é muitas vezes empregada em nossos celeiros modernos".
Igualmente irritante são as digressões que muitas vezes paralisam a narração comprometendo o ritmo do livro ou frases desnecessárias, como: "No capítulo seguinte, vamos procurar descrever a cena que lhe surgiu diante dos olhos".
Esses "defeitos", que mais se devem à época em que foram escritos acabam sendo suplantados pelas qualidades do livro.
O personagem Wamba, por exemplo, um bobo da corte de Cedric, é um proto-Tyrion. Sua atuação na trama é fundamental em vários momentos e suas tiradas são praticamente equivalentes ao do anão Lannister (a ponto de se imaginar que o bobo tenha sido a principal influencia para a criação do famoso personagem de George Martin). Por exemplo, quando viaja sozinho com o rei Ricardo pela floresta e pressente que serão atacados por inimigos e que o rei não fará uso de uma trompa que poderá chamar amigos para auxiliar na luta, diz: "Quando a coragem e a loucura viajam juntas, a loucura deve encarregar-se da trompa, pois sabe tocá-la melhor".
Outro aspecto interessante da trama é a forma como são retratados os judeus, especialmente se considerarmos que o livro foi publicado em 1820, época em que esse povo era vítima de grande preconceito. Há quem pense que a perseguição aos judeus foi invenção dos nazistas. Nada mais falso. O povo judaico era perseguido por razões religiosas desde a Idade Média e Ivanhoé tem o grande mérito de mostrar essa perseguição, retratando os judeus de maneira positiva:
"Não havia raça alguma na terra, no mar ou nas águas, que fosse objeto, por parte de todos, de tão interrupta e constante perseguição, como os judeus eram nessa mesma época. Sob os mais ligeiros e irrazóaveis pretextos, bem como ante as acusações mais absurdas e infundadas, as suas pessoas e propriedades eram expostas a todos os caprichos da fúria popular, pois os normandos, saxônicos, bretões e dinamarqueses, por mais adversas que essas raças fossem entre si, disputavam a primazia da ferocidade para com esse povo, que eles supunham, baseando-se em suas próprias religiões, dever odiar, insultar, desprezar, saquear e perseguir".
E essa condição permaneceu por séculos, só sendo encerrada pela divulgação dos horrores dos campos de concentração nazistas. Só para termos de comparação, outro clássico romântico, Taras Bulba, do grande escritor russo Nicolai Gógol mostra com simpatia a perseguição que soldados cossacos realizavam contra os judeus, chegando até mesmo ao ponto de matá-los por pura diversão. Assim, é surpreendente que um livro escrito em 1820 mostre com tanta benesse esse povo, a ponto de colocar uma judia, Rebeca, como protagonista romântica, de caráter extremamente correto, capaz de abdicar de uma paixão por puro amor.Num romance recheado de personagens famosos, como Ricardo Coração de Leão, o princípe usurpador João, Robin Hood e outros, são justamente os que seriam os secundários, como a judia e seu pai, um bobo e um guardador de porcos que acabam se destacando, demonstração mais do que inequívoca de que Walter Scott estava muito além de seu tempo.
Livro Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos
X-men – Onde nenhum X-men jamais esteve
O auge da fase de Dave Cockrum no título dos mutantes foi a saga do império de Xiar. Uma fase tão relevante que a Abril escolheu a splah page de uma das histórias para colocar como capa de superaventuras Marvel 16.
Essa história, embora já estivesse sendo insinuada há vários números, começa de fato no número 105, quando a Imperatriz Lilandra chega à Terra e é sequestrada por Erik Escarlate, que havia manipulado O senhor do fogo para combater os X-men.
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| Um tapa-buraco antes do final da saga. |
Nesse número começamos a perceber a expansão do poder que Jean Grey adquiriu quando se transformou na Fênix. Ela consegue, por exemplo, voar, algo que não acontecia quando ela era a garota Marvel. Há, aliás, um diálogo dela com o arauto de galactus que mostra que a personalidade dela também já estava se modificando: “Não tenho medo da morte, arauto! Já fomos apresentadas!”.
No final dessa edição, Erik pega Lilandra e atravessa por um portal. Os X-men chegam atrasados e a Fênix reabre o portal, para espanto do Cíclope: “Deus! Jean era a mais fraca dos X-men e agora tem poder para abrir um portal interestelar sem esforço!”.
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| A Abril usou essa imagem como capa da SAM 16. |
A edição 106 tinha todo um jeito de anti-clímax, já que se focava num flash back de quando o professor Xavier criara involuntariamente réplicas dos X-men originais para lutarem contra os novos X-men, uma história reciclada por Claremont de uma edição anterior escrita por ele mesmo. Além da edição ser ruim, ela simplesmente paralisava uma trama no seu momento mais importante. A história também trazia o reflexo dos atrasos de Dave Cockrum, já que parte dela teve que ser desenhada por Bob Brown e a arte, de forma geral, estava muito abaixo do nível comum da revista. É bem provável que essa fosse uma edição tapa-buraco, produzida enquanto Cockrum terminava a história que sairia na 107.
No número 107 voltamos finalmente à grande saga envolvendo o império Xiar. Além da belíssima splash page aproveitada pela abril, temos uma página dupla impressionante com os x-men frente a frente com os Gladiadores, guardiões do império. Nessa história são apresentados os piratas siderais, que surgem do nada, para salvar os X-men na batalha, configurando um verdadeiro deus ex machina.
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| Dave Cockrum gostava de fazer cenas detalhadas, como essa. |
A saga teve sua conclusão no número 108, com John Byrne assumindo os desenhos. Byrne pega a história no auge, quando o irmão de Lilandra se apossou da pedra denominada “o fim de tudo que existe”.
Há alguns problemas no roteiro. Por exemplo, há guardiões do portal onde está a jóia extremamente poderosos e parece impossível ultrapassar essa barreira e, do nada, os heróis estão lá dentro. Além disso, não fica muito claro como aconteceria a destruição do universo nem como a Fênix conseguiu impedir isso. Mas, para compensar, o tom geral é épico. Já Byrne mostra toda a sua capacidade expressiva, especialmente na Tempestade e na Fênix. O primeiro close que ele dá na personagem antecipa todo o drama que veríamos a seguir.
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| Ororo e Fênix alcançaram a representação perfeita no traço de Byrne. |
A partir dessse número Byrne se tornaria o desenhista oficial do título, mas ironicamente, a edição é dedicada a “Dave Cockrum, que ajudou a tornar o sonho realidade”.
Em tempo: o título da história é uma referência direta a Jornada nas Estrelas e seu lema: “Indo até onde nenhum homem jamais esteve”.
MAD 15 - Gripe suína
Palácio de Versailles
O palácio de Versailles é o mais esplendoroso exemplo de arquitetura rococó. Foi construído a mando de Luís XIV, o rei sol, que pretendia alcançar, “além do suntuoso, o estupendo”. Para isso ele transformou o pavilhão de caça de seu pai no mais luxuoso palácio do mundo.
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| Os jardins têm duas fontes e um lago artificial. |
O ponto alto do palácio é a galeria dos espelhos, um salão de quase oitenta metros de extensão com 17 janelas, na frente de cada uma das quais há um enorme espelho (os espelhos na época eram caríssimos), que, junto com os candelabros criam um efeito de luz impressionante – fora as belíssimas estatuas.
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| A galeria dos espelhos é o local mais luxuoso do palácio. |
No palácio viviam, além do rei e da rainha, dois mil nobres em eterno luxo e festas.
O despertar e o recolher do rei eram assistidos por centenas de cortesãos, em rituais tão importantes para a corte quanto o nascer do sol. Cada refeição do rei exigia a presença de quase 500 pessoas.
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| Foram necessários 30 mil soldados para encher o lago artificial. |
O lago artificial era tão grande que permitia que os nobres passeassem em gôndolas. Era tanta água que para encher o lago foram necessários 30 mil soldados.
Os gastos excessivos de Versailles, aliados às dividas com a guerra, levaram o povo à penúria, provocando a revolução francesa.
No século XVIII uma das maiores manifestações de poder e luxo era encomendar uma escultura do artista italiano Gian Lorenzo Bernini, o mais caro e aclamado da época. Luís XIV encomendou duas. Uma escultura equestre, atualmente no pátio do Museu do Louvre e um busto, no palácio de Versailles. A habilidade incrível de Bernini com o mármore é perceptível nas volutas do cabelo do monarca. Tirar formas arredondadas e tão perfeitas do mármore é algo para mestres absolutos.
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| Os jardins têm belíssimas esculturas. |
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| A cama do rei: o despertar do soberano era um espetáculo. |



































