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| Uma das ilustrações de Simon Stalenhag que serviram de inspiração para os episódios. |
quinta-feira, abril 02, 2026
Contos do Loop
Senhor das estrelas
Manticore 1 e 2 para baixar
Manticore é uma das revistas mais premiadas dos quadrinhos nacionais. Foi graças a ela que ganhei o Angelo Agostini de melhor roteirista. A publicação está fora de catálogo há anos e dificilmente será republicada. A boa notícia é que eu consegui scan dos dois números. Clique aqui para baixar o número 1 e aqui para baixar o número 2.
Emergência Radioativa: O Brilho da tragédia em Goiânia
Em setembro de 1987, Goiânia foi palco do maior incidente
radioativo do mundo ocorrido fora de uma usina nuclear. O desastre começou
quando dois homens retiraram uma cápsula de chumbo de uma clínica de radiologia
abandonada e a venderam para um dono de ferro-velho. Ao abrir o artefato, o
homem encantou-se com um pó azul brilhante em seu interior e o distribuiu para
familiares e amigos. Era o Césio-137, um material altamente radioativo. A série
Emergência Radioativa, dirigida por Fernando Coimbra e Iberê Carvalho
para a Netflix, reconta essa tragédia.
A obra se destaca por um roteiro e uma direção que
privilegiam a tensão e o impacto emocional. A criação do personagem Márcio
(Johnny Massaro) — que sintetiza vários físicos goianos que atuaram no episódio
real — ajuda a costurar os acontecimentos de forma fluida. Na trama, Márcio
está em Goiânia para o aniversário do pai quando um médico amigo da família o
informa sobre diversos pacientes com sintomas estranhos, pedindo que ele
investigue um objeto deixado na Vigilância Sanitária.
Antes mesmo da confirmação da contaminação, a série utiliza
a linguagem visual para alertar que algo terrível está à espreita. Um exemplo
marcante é quando Antônia, esposa do dono do ferro-velho, transporta a cápsula
em um saco de estopa dentro de um ônibus; a câmera se aproxima do objeto no
chão, antecipando visualmente a tragédia de um veículo radioativo circulando
pela capital.
A partir da descoberta, o que era antecipação se torna caos
iminente. Os fatos desenrolam-se rapidamente em sequências de suspense que esboçam
o risco de uma contaminação ainda maior — como o momento em que bombeiros
consideram jogar a cápsula no rio que abastece a cidade, ou quando se descobre
um caminhão repleto de papel contaminado a caminho de São Paulo.
Esse clima de tensão constante gera uma imersão profunda,
fazendo o espectador sofrer ao lado de figuras reais, como a menina Leide das
Neves, que ingeriu o césio e luta pela vida. Relembrar esse assunto é
fundamental para evitar que negligências semelhantes se repitam.
Em tempo: é revoltante constatar que os donos da clínica,
responsáveis diretos por abandonar material letal em um prédio desprotegido,
foram condenados apenas a prestar serviços comunitários.
O Super-homem de Garcia-López e Gerry Conway
No início da década de 1970, Garcia-López era apenas um espanhol criado na argentina recém-chegado aos EUA e procurando um espaço no mercado dos comics. E Gerry Conway era um roteirista iniciante, chegando na DC depois de uma fase memorável na Marvel, escrevendo o Homem-aranha.
É o início da parceria dessa dupla (que se tornaria uma das mais afinadas dos comics, principalmente na obra-prima Esquadrão Atari) que podemos acompanhar no primeiro volume das Lendas do Homem de Aço. É curioso ver como ambos, tanto roteirista quanto desenhista, vão tentando se acostumar com o personagem. Conway demora para dar verossimilhança para o herói (a explicação para Clark Kent continuar apresentando o jornal enquanto o Superman atua é sofrível) e Garcia-Lopez sofre com arte-finalistas que não combinam com seu desenho limpo.
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| A diagramação pouco convencional de Garcia-López, com os personagens saindo do quadro, chamava a atenção. |
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| A mensagem do sonhador antecipa do cenário de FC de Esquadrão Atari. |
Infelizmente, Garcia-López ficou pouco tempo no título. Logo ficou claro que seu traço vendia e ele era chamado para desenhar os primeiros números de novas revistas, como forma de alavancar as vendas, ou fazer capas de outras.
Posteriormente o desenhista foi chamado para fazer o guia de estilo dos personagens da DC, ficando também responsável pelas imagens promocionais - trabalhos belíssimos, que passaram a estampar lancheiras, camisas e tudo mais que tivesse personagens da DC.
quarta-feira, abril 01, 2026
Livro infantil Os gatos
Mundo sem fim
Livro Ciência e quadrinhos - edição digital
Publicado em 2005, meu livro Ciência e Quadrinhos se tornou bibliografia básica sobre o assunto, inclusive por estudos sobre o uso de quadrinhos nas aulas de ciência. Agora, 18 anos depois, ganha uma edição digital revisada alterada. Para baixar, clique aqui: https://www.marcadefantasia.com/livros/quiosque/ciencia_e_quadrinhos/ciencia_e_quadrinhos.pdf
Homem-aranha – Asas mortíferas
No final dos anos 1960 os leitores achavam que o vilão Abutre havia morrido. Nos números anteriores ele havia sido substituído por um prisioneiro chamado Blackie Drago e tudo levava a crer que ele morrera num incêndio no hospital da prisão.
Mas no número 63 de The Amazing Spider-man ele volta mais mortal do que nunca.
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| A belíssima splash page inicial é um exemplo do talento de Romita. |
A história já inicia com uma splash page realmente memorável, com o personagem no alto de um prédio. O uso inteligente da luz e sombra e a composição com as asas dominando o quadro são uma boa amostra de como John Romita era um mestre do desenho.
Na história, o vilão rouba o uniforme usado por Drago, que estava em exposição no Museu da cidade. Depois solta Drago da prisão. Seu objetivo é enfrentar Drago vestido com o uniforme verde num combate alado e, assim, mostrar para a cidade que ele é o verdadeiro Abutre.
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| Vida sofrida: Parker tem dores no ombro e problemas com a namorada. |
Enquanto isso, Peter Parker sofre com mais um de seus infinitos problemas: seu ombro está dolorido em decorrência de uma história anterior. Mas quando os dois abutres se engalfinham nos céus da cidade, o rapaz é chamado por JJ Jameson para fotografar o combate do século.
Um garotinho cai da sacada do prédio destruída pelo combate e o aracnídeo é obrigado a intervir. Mas com o ombro machucado ele não é páreo para o Abutre.
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| O combate dos abutres coloca em risco a vida de um garotinho. |
A história termina numa daquelas situações de suspense típicas de Stan Lee: o personagem caído no meio da rua, desmaiado e à mercê da população.
A dinâmica da história não permite que Stan Lee introduza uma cena de encontro de jovens, na qual ele brilhava com diálogos certeiros e divertidos. Mas a história compensa pelas cenas de ação e pelo equilíbrio do texto. Nas primeiras histórias do aranha, Lee escrevia demais. Nessa fase, seu texto já tinha
encontrado o tamanho certo, encaixando perfeitamente no desenho elegante de John Romita.
A fantástica fábrica de chocolate
A arte espetacular de Joe Kubert
Joe Kubert é um dos mais importantes desenhistas dos comics norte-americanos. Nascido na Polônia em 1926, naturalizou-se norte-americano. Começou a trabalhar com quadrinhos na Era de Ouro, mas notabilizou-se na Era de Prata da DC com personagens como Gavião Negro e Sargento Rock. Criou o personagem Tor. Na década de 1970 desenhou o personagem clássico Tarzan em uma série de revistas antológicas da DC - um trabalho tão bom que até hoje é um dos mais lembrados pelos fãs dos personagem. Sua influência na indústria foi enorme em especial por ter criado a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art pela qual passaram alguns dos talentos mais relevantes dos comics.
Guerras Secretas – Morte ao Beyonder
Após roubar os poderes de Galactus, no número 10 da série
Gerras Secretas, o Doutor Destino se torna um deus.
“Eu sinto cada célula... cada átomo! A sua textura! Seus
movimentos frenéticos! A dança do infinito... Nenhuma barreira física pode
conter meus sentidos! Eu vejo... não, está muito além da visão... eu cubro tudo
que existe ao meu redor! Possuo mais sentidos que antes!”, diz ele, num momento
em que Shooter mostra que, apesar de tudo, pode ser um bom escritor.
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| Destino delicia-se com o poder de Galactus... |
Mas o vilão não está satisfeito. Ele não admite que alguém
tenha mais poder que ele e decide atacar Beyonder e roubar seu poder.
O ataque a Beyonder faz com que o planeta seja sacudido por
terremotos terríveis, criando mais uma linha de tensão narrativa, já que vários
personagens se machucam gravemente (embora ninguém vá morrer – algo que fica
muito claro em Guerras Secretas desde o início é que ninguém nunca vai morrer
de fato).
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| ... e resolve atacar Beyonder. |
A narrativa mostra o Doutor destino perdendo nitidamente,
tanto que ele busca a ajuda dos heróis que poderiam unir sua energia à dele.
“O último plano desesperado fracassou... agora, como se
fosse um aviso, o ataque furioso recomeça e desta vez não há defesa”, diz o
texto. O vilão é literalmente retalhado.
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| A derrota é certa. Ou não depende do humor do roteirista. |
Aí, na sequência seguinte, ele aparece monstruosamente
grande, depois de ter roubado o poder de Beyonder. Em nenhum momento é
explicado como isso aconteceu, até porque o texto deixava bem claro que a
derrota do mesmo era certa. Vai ver Jim Shooter esqueceu de colocar essa parte
na história, uma das muitas coisas que ele esqueceu ao elaborar o roteiro.
Ebook sobre Teorias da Comunicação
O livro Teorias da comunicação: correntes de pensamento e metodologia de ensino reúne artigos de diversos professores do Brasil. É provavelmente uma das melhores obras sobre o assunto já publicadas em nosso país. Eu colaboro com dois artigos, um sobre a teoria hipodérmica e outro sobre a cibernética e a teoria do caos. O ebook pode ser baixado gratuitamente no site do Congresso Intercom:http://www.portcom.intercom.org.br/ebooks/detalheEbook.php?id=55845
terça-feira, março 31, 2026
Esquadrão Atari - Paco Rato, o ladrão
O terceiro número do Esquadrão Atari foi o primeiro a ter algum tipo de ação não diretamente relacionada à dupla Dart – Blackjack.
Nessa história, Paco Rato é uma estrela desde a capa. Na história, ele é preso pelo seu irmão Ridente que revela um pouco sobre a história do personagem: “Você é uma vergonha para nossa família! Todos somos soldados ou agentes de segurança, menos você. Ao se tornar um ladrão, você maculou nossa honra!”.
Claro que o carismático personagem consegue fugir e aqui descobrimos uma característica dele que era apenas entrevista nas histórias anteriores: ao se sentir encurralado, Paco Rato se torna simplesmente uma fera.
O tom divertido dessa sequência contrasta com a trama da dupla Dart e Blackjack. Essa é a história em que o anti-herói supostamente morre ao tentar consertar a nave do casal. Garcia reforça esse clima opressivo fazendo sequências escuras, com grandes massas de preto. A maioria das cenas do casal são monocromáticas, realçando a ideia de que o perigo é real.
Mary Shelley, o filme
A divulgação científica nos quadrinhos
O cortiço
Publicado em 1890, O Cortiço, de Aluizio de Azevedo, é um romance baseado na ideia equivocada do determinismo social, segundo o qual o caráter de uma pessoa e seu comportamento é determinado pelo meio. E, para o português Azevedo, um cortiço carioca era o pior dos meios, um local que corrompia todos que entrassem em contato com o mesmo.
Assim, O Cortiço é uma história de degradação moral, em que personagens desfilam diante do leitor, alguns até íntegros, como o português Jerônimo, mas vão sendo aos poucos tomados pela lubricidade do local e acabam contaminados.
O romance guarda forte conteúdo racista certamente influenciado por teorias em voga na época: o europeu é bom, íntegro, o brasileiro é uma raça degradada.
É curioso e irônico, no entanto, que de todos os personagens, o mais corrupto é justamente um português, João Romão, o dono do Cortiço. Perto de suas maldades e de seu egoísmo os moradores do cortiço parecem inocentes.
Muito além de sua mensagem determinista, O Cortiço é um dos melhores livros entre os clássicos da literatura brasileira. A forma como o autor lida com uma infinidade de personagens, caracterizando-os perfeitamente, dando a cada um deles uma uma história, um modo de reagir às alegrias e adversidades, tudo isso é genial.
É fácil aprofundar a personalidade de um único personagem. Mas lidar com uma galeria tão grande sem perder a mão é coisa para grandes autores.
Outro aspecto interessante é a inventividade na criação de situações. No cortiço sempre está acontecendo algo numa espiral vertiginosa de traições, brigas, intrigas.
Acrescente-se a isso afinadas descrições da psicologia dos personagens que lembram muito Eça de Queiros. Como exemplo, um trecho em que o autor descreve a descoberta da inveja por parte de João Romão: “E em volta de seu espírito, pela primeira vez alucinado, um turbilhão de grandezas, que ele mal conhecia e mal podia imaginar, perpassou vertiginosamente, em ondas de sedas e rendas, veludos e pérolas, colos e braços de mulheres seminuas, num fremir de risos e espumar aljofrado de vinhos cor de ouro”.
















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