![]() |
| O traço limpo e anatômico de Steve Rude era um alívio numa época em que até os músculos dos heróis tinham músculos. |
domingo, setembro 13, 2026
Os melhores do mundo
Os Novos Titãs contra o Exterminador
Já no número dois da revista, os Novos Titãs conheceram aquele que seria um dos principais inimigos da equipe: o Exterminador.
A história começa com uma splash page antológica, na qual o mercenário é inquirido pelos homens da C.O.L.M.E.I.A., que pretendem contratá-lo para destruir os titãs. O vilão exige pagamento adiantado e recusa a empreitada, o que aparentemente estava nos planos do grupo.
Nota: nessa época era comum os quadrinhos de super-heróis terem grupos misteriosos com nomes que eram acrósticos. C.O.L.M.E.I.A. significava Controle de Lideranças Mundiais para Espionagem, Insurreições e Atentados. Parece ridículo atualmente, mas nos anos 70 e 80 era moda.
![]() |
| A primeira e impressionante aparição do Exterminador. |
A C.O.L.M.E.I.A. ira usar um rapaz que aparece no primeiro número como isca para fazer o exterminador aceitar o trabalho. Para isso, eles amplia seus reflexos e o transformam no Devastador.
Mas o que faz dessa história, a terceira dos Novos Titãs, tão especial, não é necessariamente o arranca-rabo entre mocinhos e vilões, e sim a pegada adolescente do título. Os titãs da década de 1960 tinham sido um fracasso exatamente porque não se comportavam como jovens de verdade. Marv Wolfman e George Perez mostram um grupo que se comporta como qualquer adolescente se comportaria, incluindo um divertido banho de piscina.
![]() |
| Estelar aprende inglês beijando Robin. |
Mas a sequência mais emblemática dessa edição acontece quando o grupo decide que o fato de Estelar não falar a língua do restante do grupo é um problema. A garota parece entender e simplesmente beija o Robin, para logo depois sair falando inglês. “Oi Robin”, diz ela. “Sabia que você é uma gracinha?”. E, para um atordoado Kid Flash, que não entendeu nada do que aconteceu: “Contato físico. Eu simplesmente absorvi a língua de vocês”.
Essa sequência mostrava mais uma diferença da série antiga dos Titãs: essa seria repleta de insinuações sexuais. Considerando-se que o grupo era formado por adolescentes com hormônios à toda, isso era algo óbvio, mas nunca havia passado pela cabeça dos roteiristas anteriores.
Jornada nas estrelas – a marca de Gideon
A marca de Gideon, episódio da terceira temporada escrito por George F. Slavin Stanley Adams, é um daqueles momentos da série clássica de Jornada que prometem muito, e entregam muito pouco.
Na trama, um planeta chamado Gideon pretende entrar na federação, mas são um povo arredio, que não aceita missões diplomáticas. Eles aceitam receber apenas o Capitão Kirk para discutir os termos do acordo. Mas quando Kirk é transportado, acaba se vendo numa entreprise totalmente vazia, apenas com uma garota estranha, que parece ser uma das habitantes de Gideon. Além disso, ele tem um ferimento no braço que indica que aconteceu algo do qual não se lembra.
Enquanto isso, Spock é informado que Kirk não chegou ao planeta e inicia uma jornada para descobrir o que aconteceu com o capitão.
Como se vê, é um plot instigante, que reúne as características dos melhores episódios da série clássica.
O grande problema ocorre quando surge a explicação sobre o que realmente está acontecendo (a partir daqui, teremos spoiller, então leia por conta e risco).
Gideon era um planeta paradisíaco, em que não existiam doenças. O resultado disso foi uma superpopulação (algo representado por pessoas com roupas iguais, aparecendo apenas o rosto, amontoadas, algo que vemos em várias cenas). Assim, seu governante decide sequestrar Kirk para coletar seu sangue, uma vez que Kirk tivera uma doença extremamente mortal. A ideia é espalhar essa doença entre a população.
O roteiro parece uma peneira de tantos furos.
Para começar, como Kirk é informado, eles não usam métodos contraceptivos porque têm um grande amor à vida. Mas que tipo de amor à vida é esse que os leva a espalhar uma doença mortal entre a população? Além disso, Gideon parece um planeta tecnologicamente evoluído. Por que não colonizar outros mundos, mandando para lá o excesso da população? Outra coisa: seria impossível alimentar a população num mundo tão populoso a ponto das pessoas viverem eternamente numa multidão, de modo que inevitavelmente as pessoas morreriam e a população acabaria equilibrada.
Mas, espere, tem mais. Como disse, o roteiro tem mais furos que uma peneira.
Se o planeta é tão populoso a ponto das pessoas viveram amontoadas umas às outras, para que construir uma enorme réplica da Enterprise, num enorme espaço livre (ainda mais considerando que essa réplica tinha o único objetivo de enganar Kirk, algo totalmente dispensável para o plano)? Além disso, quando aparece a sala do governante, ela é espaçosa. Como a própria filha do governante diz que vivia amontoada entre muitas pessoas, uma sala espaçosa para o que quer que seja não faz o menor sentido num planeta tão populoso a ponto das pessoas viverem amontoadas.
Mas, espere, ainda tem mais.
Aparententemente Kirk já estava curado da doença, então o que ele tinha em seu sangue não era o vírus, mas os anticorpos. Depois a garota encontrada por Kirk e infectada com a doença é curada e diz que agora ela pode ser o vetor, o que parece indicar que os roteiristas de fato confundiram vírus com anticorpos.
Mentes únicas
Cabanagem: O terror e a fantasia amazônicos
Lendo O menino que morava no poste, do manauara Romahs, percebo uma semelhança com meu livro Cabanagem.
Embora o livro de Romahs seja de fantasia e o meu se aproxime do terror, os dois têm algo em comum além do uso das lendas amazônicas, ou, como dizemos aqui, dos encantados.
Um autor paulista, por exemplo, pode escrever uma história envolvendo Mapinguari, boto, Matintaperera. Mas sempre será com um olhar de descrença, de estranhamento, de modo que esses encantados serão vistos como seres exóticos, assim como a sua ambientação e isso vai se refletir inclusive na reação dos personagens ao fantástico quando ele surge na história.
Já os escritores amazônidas, ao abordar os mesmos temas, será com um olhar de naturalidade de quem convive com esse ambiente desde sempre. Um olhar, inclusive, que ecoa nos personagens.
Eu costumo dizer que não há quem já tenha entrado na mata amazônica que não acredite que ali há algo mais. Não há quem tenha frequentado a floresta que nunca tenha visto ao menos uma visagem.
Eu, durante muito tempo, andei pela floresta do Utinga, em Belém, e lá vi muita coisa. Pessoas que surgiam na floresta do nada e desapareciam atrás de uma árvore, sons estranhos, passos que nos seguem e depois não aparece ninguém.
Certa vez, na ilha de Marajó, fui seguido por um longo tempo por algo cujos passos nas folhagens secas eu conseguia ouvir. Quando dei por mim, estava perdido. Aindei a esmo pela floresta até ser encontrado por um casal que tinha ido buscar açaí. Quando consegui finalmente voltar para a casa do meu sogro, ele foi taxativo: “Foi o Curupira. Tu não devia ter entrado na floresta sem antes pedir permissão”. A partir daí, sempre que entro na floresta, peço permissão. Certa vez, ao me ver ali parado, um amigo perguntou o que eu estava fazendo. “Estou pedindo permissão para entrar na floresta”, esclareci. “Pede para mim também”, pediu ele.
Quando visitávamos o Utinga e atravessávamos de um lado a outro do lago, montados em tronco de madeira, algo enorme passou arrastando pela nossas pernas. Se fosse uma cobra, teria no mínimo dez metros. Ficamos do outro lado um longo tempo criando coragem para atravessarmos de volta.
Esse é o tipo de história que pode parecer pitoresca para alguém do sudeste, mas essa pessoa nunca irá perceber o quanto ela fala sobre alguém que vive no norte e que ou viveu situações semelhantes ou ouviu, desde pequeno, relatos desse tipo.
Para um escritor amazônida, os seres encantados vivem em uma fronteira entre o real e o imaginário, uma fronteira quase sempre impossível de ser definida.
Há muito da minha vivência em Cabanagem, das minhas idas à floresta ou das viagens ao longo dos rios, sim, porque aqui a estrada é o rio. O rio é fonte de alimentos, via de transporte e local de segredos e mistérios, afinal, as águas escuras dos rios amazônicos parecem insondáveis e parecem poder abrigar toda uma variedade de seres, de simples peixes a cobras grandes e mães d´água.
São mistérios que quem não vive não Amazônia dificilmente irá compreender.
Como diz a música de Joãozinho Gomes e Val Milhomem:
“Quem nunca viu o Amazonas
Jamais irá compreender a crença de um povo
Sua ciência caseira/A reza das benzedeiras
O dom milagroso”.
Para comprar o livro Cabanagem, clique aqui
Decadence, a HQ manifesto da dupla Gian-Bené
Decadence foi produzida para ser uma espécie de manifesto do novo tipo de horror que a dupla Gian Danton - Joe Bennett estava introduzindo no Brasil. Depois de uma rejeição inicial de alguns editores, o sucesso das primeiras histórias da dupla fez com que surgissem pedidos de novas histórias - e aí surgiu a ideia de fazer uma HQ que confrontasse o horror antigo, datado e o novo (não é à toa que o título da história é Decadence). Os dois quebraram a cabeça durante dias para tentar transformar isso numa trama, mas no final, a ideia acabou vindo num sonho de Gian Danton, que acabou sonhando até mesmo com a diagramação da história, logo transformada num rafe, seguido à risca por Joe Bennett. Decadence foi publicada na revisa Mephisto, terror negro.
Fundo do baú - O Homem pássaro
Batman – A Última Gargalhada
A saga do Batman escrita por Mike W. Barr e desenhada por Alan Davis foi pouco apreciada na época devido a um anacronismo. Ela foi publicada praticamente na sequência de Batman: Ano Um, de Frank Miller e David Mazzucchelli, obra que se destacara pela abordagem profunda e realista do personagem. Já a série escrita por Mike W. Barr e desenhada por Alan Davis e (com Paul Neary na arte-final) focava na diversão, fazendo referências diretas aos quadrinhos dos anos 1970 e alguns casos até ao seriado televisivo dos anos 1960.
Na história de abertura, publicada em Detective Comics nº 569 e 570, o Coringa, ao descobrir que a Mulher-Gato se aliou ao Cavaleiro das Trevas, elabora um plano para transformá-la novamente em criminosa.
![]() |
| O tom é de humor, incluindo um campanga pedalando um velocípede. |
A trama
é repleta de cenas nonsense, como a de um capanga pedalando um
velocípede, o Robin vencendo sozinho todos os subordinados do Palhaço do Crime
e até um carro usado pelo Coringa no formato de uma risada.
![]() |
| Robin vence sozinhos os campangas do Coringa. |
Os diálogos também apostam no humor, especialmente os do
Garoto-Prodígio, como nesta sequência:
— Idiotas! Sua mãe rouba parquímetros e seu pai está na
condicional!
Ao que um dos bandidos responde:
— Como sabe da minha mãe, moleque?
![]() |
| Os diálogos do menino prodígio sempre puxam para o cômico. |
Ou seja: é uma grande festa em que nada é levado realmente a
sério — um contraste absoluto com o Batman de Miller e Mazzucchelli. Apesar
disso, a fase se destaca justamente por ser divertida e, principalmente, pelo
primor visual. Um dos pontos altos é a capa da edição nº 570, na qual a
Mulher-Gato enfrenta o Batman na traseira do "carro-risada", enquanto
o Coringa se diverte ao volante. No Brasil, essa história foi publicada
originalmente pela Editora Abril em Batman nº 12 (2ª série).
sábado, setembro 12, 2026
Basílica de Sacré-Cœur
A Basílica de Sacré-Cœur (Sagrado Coração) é uma das mais famosas igrejas de Paris. Construída no final do século XIX, ela resgatou a arquitetura romana e bizantina, com paredes sólidas.
A igreja é adornada com belíssimos vitrais, pinturas e esculturas – e uma réplica do santo sudário. E, embora tenha um estilo arquitetônico oposto ao de Notre Dame, também tem várias gárgulas que podem ser vistas na lateral do prédio.
A basília fica no alto do Monte Martre, o local mais alto de Paris e de lá é possível observar toda a cidade. Nos arredores há dezenas de lojas de lembrancinhas, café, restaurantes e quiosques nos quais são vendidos os tradicionais sanduíches parisienses, com pão baguete.
A canção da guerreira Sonja
A personagem Sonja surgiu nos quadrinhos em Conan The barbarian 23, que adaptava uma história de Robert E. Howard, mas só iria brilhar mesmo no número seguinte da revista, uma história original de Roy Thomas e Barry Smith.
A HQ já inicia com uma splash page da heroína (ou anti-heroina) dançando sobre uma mesa numa taverna durante o cerco a Makalet.
Os presentes aplaudem e entoam em uníssono: “Sou-nia!”. Era Roy Thomas ensinando os leitores como se pronunciava o nome da personagem. Logo depois a própria guerreira ruiva provoca uma luta que acaba envolvendo todos na taverna apenas para sair com Conan para um banho no lago.
![]() |
| Os censores encrencaram com a sensualidade da história. |
Um dos quadros mostra como Thomas não só era um ótimo escritor de aventura, mas também sabia fazer humor. Quando Conan está brigando com um dos amigos de Sonia, um dos presentes diz: “Aposto dez aspers no cimério! Garanto que ele derruba o porco brituniano!”, ao que o outro responde: “Quê? Eu sou brituniano, filho de uma rameira!” e outro retruca: “Quê? Você ofendeu a nossa mãe?”. E assim a briga se torna generalizada.
Essa história chamou a atenção dos censores do comic code, que pediram, entre outras coisas, que barry Smith levantasse as mãos do cimério para a cintura da moça numa cena do lago. “Ah, e nem sei como não nos forçaram a reformular o quinto quadro! Será que não ocorreu a nenhum dos censores o que significavam os borbulhos e erupções ali na água?”, brincou Roy Thomas, tempos depois.
![]() |
| A tiara transforma-se numa cobra: ação! |
Na sequência ela convence Conan a invadir uma torre do palácio no qual estão os tesouros do rei. A garota ruiva tem a missão de recuperar um bracelete no formato de serpente, mas a peça se torna uma cobra de verdade nas mãos da guerreira.
Essa seria a última colaboração de Smith na revista de Conan, mas se tornaria célebre pelo detalhismo dos desenhos. Não seria a última história dele com o cimério. Pouco depois ele desenhou uma adaptação de Pregos vermelhos, história clássica de Howard, dividida em dois números e publicada na revista Savage Tales. Como a revista só saía de quatro em quatro meses, o desenhista pôde aplicar todo o nível de detalhismo que caracterizaria seu trabalho.
Yesterday - o filme
Homem-aranha - aranha no mar
Um autor que não costuma ser associado ao Homem-aranha é Denny O´Neil. No entanto, ele chegou a escrever o personagem no início da década de 1990. Uma dessas histórias, “Aranha ao mar”, foi publicada no Brasil em 1985 na revista Homem-aranha 23. O volume tem uma bela capa de John Romita Jr, desenhista da história. O Romitinha estava na fase anterior ao seu estilo atual (amado por muitos, odiado por outros). Na fase dessa história, ainda imitava o pai, Romita Senior. Na trama, o aracnídeo enfrenta Namor (daí a bela capa com os dois em conflito em um navio).
![]() |
| O aracnídeo enfrenta Namor no mar. |
![]() |
| Os dsenhos se destacam na história da Mulher-Aranha. |
A incendiária, de Stephen King
Hair – análise do roteiro
![]() |
| A famosa cena da festa. |
![]() |
| A música "Manchester England" é resignificada no final do filme |





























