quarta-feira, fevereiro 18, 2026
Banzé do oeste
A trama é simples: ao saber que a ferrovia vai passar por uma cidade, o assistente do governador resolve usar bandidos para expulsar da cidade os seus moradores e tomar conta do local, vendendo o terreno a peso de ouro para a ferrovia. Mas os moradores da cidade mandam um telegrama ao governador, pedindo a ida de um xerife. Como forma de boicotá-los, ele manda um negro, que ia ser enforcado.
É, portanto, uma trama em que o humor se confunde com a crítica social, em especial o racismo.
O filme tem uma edição lenta, que prejudica o humor, especialmente no início, mas pega um ritmo bom do meio para a frente, com referências a desenhos animados e outros filmes. Particularmente boa a cena em que o político divulga que vai contratar os maiores fascínoras e, na fila, vemos nazistas e membros da Kun-Klus-Klan.
Banzé no oeste é o pai dos fílmes sátiras, como Apertem os cintos, o piloto sumiu e Pânico. Pena que nem todos os imitadores de Mel Brooks conseguem manter o seu nível de qualidade.
O que é uma teoria?
Camelot 3000 – A história de Morgana Le Fay
A feiticeira Morgana Le Fay é uma das razões do sucesso de camelot 3000. A mistura de vilania e erotismo conquistou os leitores, criando um belo (no sentido literal) contraponto ao Rei Arthur.
A história dessa personagem é contada no número cinco da série em uma conversa dela com o chefe de segurança da ONU. A personagem reconta sua origem, na Idade Média, como meia-irmã de Arthur e a rivalidade entre eles surgida desde o nascimento, uma vez que o pai de Arthur matou o pai de Morgana. Como forma de vingar, ela se dedicou às artes satânicas. “Arthur, no entanto, era sempre capaz soprepujar qualquer cilada física ou mágica, já que tinha a proteção de Merlin”, explica ela.
![]() |
| Morgana reconta sua história... |
Em busca de outra fonte de poder, ela lança sua essência vital para o espaço, onde encontra o décimo planeta e acaba escravizando os habitantes locais (os insetos que os leitores já tinham conhecido nas cenas de invasão) e se apropriando de um poço de poder, que no entanto, desenvolveu-lhe uma doença que provoca pústulas nas costas.
O interessante aí é que na sequência de flash back é usada pela primeira vez a margem negra, que seria a principal característica da série na fase arte-finalizada por Terry Austin.
![]() |
| ... e explica como escravizou os habitantes do décimo planeta... |
Em uma narrativa paralela, em Camelot, Lancelot e Guinevere se envolvem cada vez mais no romance proibido que foi a causa da ruína da primeira Camelot. Já Tristão, recebe a visita de Morgana, que promete transformá-lo em um homem caso ele traia a távola redonda.
![]() |
| ... onde adquiriu uma doença que deixa sua pele cheia de pústulas. |
Embora essa edição não tenha grandes cenas de impacto e de ação, ela se torna uma leitura interessante por mostrar a origem da vilã e jogar ganchos e pistas falsas para tramas futuras. Percebe-se nitidamente que o roteirista Mike W. Barr está tecendo sua trama com a dedicação de um tecelão habilidoso.
Fanzine Crash
Livro infantil Moira
A arte detalhista de Arthur Adams
Arthur Adams nasceu em 1963. Quando viu a primeira edição de Micronautas, desenhada Michael Golden, ele ficou tão impressionado que decidiu que iria se tornar um desenhista de quadrinhos.
Com esse objetivo em mente ele começou a participar de convenções e entregar amostras de trabalhos para editores.
A grande oportunidade de sua carreira surgiu quando o editor Al Migron estava limpando o escritório para dar lugar a Carl Potts e achou uma arte de Adams. Ele percebeu que havia ali um grande potencial e começou a mostrar para outros editores da casa das ideias. Ann Nocenti achou que ele era o artista ideal para uma minissérie que ela tinha bolado, sobre um personagem chamado Longshot.
Em parte por seu detalhismo e em parte por sua inexperiência narrativa, Arthur Adams levou dois anos para desenhar as seis edições da série, mas quando ela saiu, foi uma revolução no mercado.
Sua influência sobre outros artistas da época foi enorme. Adams foi a principal referência dos criadores da Image Comics.
Em decorrência de seu detalhismo, Arthur Adams leva muito tempo para terminar seus quadrinhos, razão pela qual ele tem sido colocado principalmente em séries ou imagens promocionais.
Os mitos de Cthulhu, de Esteban Maroto
Sozinha no mundo, de Marcos Rey
Eu comprei o livro Sozinha no mundo, romance juvenil de Marcos Rey e fui deixando de lado porque a capa parecia infantil. O título também me parecia melodramático demais, assim, fui lendo os outros que tinha do Marcos Rey e adiando a leitura desse.
Quando finalmente peguei para ler, tive uma surpresa. É um
típico suspense, no melhor estilo do autor de O mistério do cinco estrelas.
O livro conta a história de Pimpa, uma menina do interior,
que viaja com a mãe para São Paulo em busca de um parente desconhecido que
poderá ajudá-las. No entanto, a mãe morre durante a viagem e uma falsa
assistente social passa a perseguir a menina por toda a cidade. Por que a
menina está sendo perseguida tão implacavelmente? Que interesse a mulher tem
numa pobre órfã?
Sozinha do mundo é um ótimo exemplo de um romance em que
todos os detalhes se encaixam. Essas histórias de suspense fizeram com que
Marcos Rey se tornasse um best-seller entre os autores juvenis. Chegou a vender
um milhão de exemplares, juntando todos os livros. Se fosse nos EUA, venderia
um milhão só de O mistério do cinco estrelas, seu livro mais famoso.
Além do ótimo texto de Marcos Rey, Sozinha no mundo tem
mais o charme dos desenhos realistas de Marcus Sant´Anna e a diagramação meio
antiquada, mas que lembra as boas leituras da infância (a nova geração, que não
teve contato com a coleção Vaga-lume, não sabe o que perdeu).
Gabriela, de Walcyr Carrasco
Uma curiosidade é que algumas das melhores tramas não se encontram no livro, como a da garota desonrada pelo noivo que vai parar no Bataclã.
Como nas outras novelas do autor, há várias situações de travestismos, especialmente de homens que precisam sair da casa de suas amantes ou do Bataclã. Pelo Jeito, Walcyr Carrasco é fã de Quanto mais quente melhor, filme de Billy Wilder no qual dois músicos precisam se vestir de mulher para fugir de mafiosos.
A direção de Mauro Mendonça filho, com super-closes e efeitos de iluminação, valorizava o trabalho dos atores.
A maioria das novelas de Carrasco vinha sendo dirigida pelo fraco Jorge Fernando, que mal e mal sabia dirigir humor - uma direção bem básica, no estilo plano-contraplano, sem qualquer trabalho mais elaborado de fotografia. Embora já fosse possível perceber o ótimo texto, nitidamente influenciado por Marcos Rey, dava a impressão de que o autor só sabia traballhar com humor.
Gabriela provou que se trata de um roteirista completo.
terça-feira, fevereiro 17, 2026
Pacto sinistro
O filme é um ótimo exemplo do que Hitchock faz melhor: suspense, em especial com o uso genial das narrativas paralelas. A corda fica tensa durante toda a última metade do filme, com a história saltando de Haines para Bruno a cada minuto. Até mesmo quando os dois se encontram, o diretor consegue criar uma terceira linha narrativa, aumentando ainda mais o suspense.
Além do uso criativo das narrativas paralelas como elemento de suspense, o filme também se destaca pela ótima direção de atores. Um único olhar do personagem é capaz de transmitir todo o significado de uma cena.
Conan – O vale da morte eterna
O volume 12 da série Conan em cores, lançada pela Abril reúne três histórias de J.M.DeMatteis desenhadas por John Buscema. Essas três histórias, lidas em sequência, ajudam a perceber como o escritor foi, aos poucos, imprimindo um estilo próprio ao título do cimério.
Na primeira história, que dá nome ao volume, é nítido que ele está imitando Roy Thomas, inclusive trazendo de volta a prostituta Jenna, da primeira fase de Thomas no título. A história inicia com Conan percorrendo um vale quando ouve gritos. É um homem tentando matar um ser andrajoso. “Por favor”, diz a figura antes do golpe final. “Uma única palavra... mas imbuída de tanto terror que consegue tocar o coração empedernido do cimério... e fazê-lo agir!”.
![]() |
| Conan salva um ser andrajoso... |
Após salvar a figura misteriosa, ele descobre que se trata de Jenna, mas agora ela está corcunda e sua pele está repleta de pústulas. Pior: o cimério também foi infectado. A solução para os dois é seguir para um vale governando por uma figura misteriosa, Myya L´rrasleff. Após um processo de transformação, as pessoas passam por uma mudança espiritual, o que faz com que elas subam a montanha em estado de felicidade absoluta.
A doença que acomete Conan e Jenna poderia ser lepra, mas como essa é uma história de Conan, é um processo provocado por um ser alienígena que, depois de ser expulso de seu planeta, decidira transformar os humanos em réplicas dos seus conterrâneos, mas não contava com os músculos do cimério.
![]() |
| ... para depois descobrir que se trata de Jenna. |
É uma típica história de Roy Thomas, inclusive em termos de narrativa.
A segunda história, “A voz de alguém há muito tempo perdido” é muito mais interessante, até por acrescentar algo a mais à mitologia de Conan: um avô, Drogin.
![]() |
| O avô de Conan aparece na história. |
Aqui temos uma narrativa em primeira pessoa que já se aproxima muito mais do que conhecemos do estilo de JM DeMatteis: “Drogin cujo braço era mais forte que aço hyrkaniano. Ele era um ancião quando nasci. Os homens da vila o respeitavam e temiam mais do que qualquer outro. Isso me fazia orgulhoso... pois ele era meu avô”. A recordação termina com o avô de Conan indo para um local deserto para morrer sozinho, mas na história Conan o encontra remoçado, um homem ainda maior e mais forte que Conan. O mistério? Uma aliança com um ser ancestral, que, através dessa aliança, vivia junto as aventuras do avô de Conan.
Há, nessa história, uma sequência de alucinação de Conan no qual DeMatteis revive algumas das melhores histórias da fase de Roy Thomas, incluindo o deus-elefante Yag-Kosha, o macaco Thak e até Belit.
![]() |
| Um delírio rememora algumas das mais importantes histórias do cimério. |
Embora siga o padrão das histórias do cimério de misturar aventura, ação e mistério, há um toque aqui de algo novo e inesperado, incluindo aí o ótimo texto final: “À medida em que a delicadeza dá lugar à paixão... Jenna ouve... ou pensa ouvir... Conan sussurrar algo em seu ouvido... algo breve sobre vida e morte...e a voz de alguém que há muito se foi”.
![]() |
| A terceira história traz um típico personagem de J.M.DeMatteis... |
Na terceira história temos finalmente um típico roteiro JM DeMatteis, quando um espachim chamado Vonndhar a serviço de um deus da morte aparece para levar Jenna. Em sua primeira aparição, ele aparece sobre o galho de uma árvore, “dedos dançam sobre a flauta de osso polido”.
Tanto seu aspecto quanto seus modos proporcionam um contraste interessante com a figura do cimério. Ele veste uma capa vermelha, botas altas também em vermelho e uma roupa amarela. suas frases são elaboradas, como “Uma idéia esplêndida, bárbaro”; “Já faz muito tempo que não ouço o clangor do aço”.
![]() |
| ... um espadachim galante. |
É também a história mais humana das três, mostrando que até mesmo uma figura fantasmagórica a serviço de um deus da morte pode amar.
Matinta Perera
Capitão Açaí no equinócio
Capitão Açaí, criação do cartunista e quadrinista Ronaldo Rony, é um personagem símbolo de Macapá e tem sido protagonista de diversas publicações alternativas. Capitão Açaí no equinócio, lançada em setembro de 2023 é um bom exemplo do humor apurado de Rony.
Na história, uma notícia está se espalhando pela cidade: a de que naquele ano não haverá equinócio. Logo é acionado o Delegado Brocão (broca, na gíria nortista, é fome) e sua providência é chamar algum herói para resolver a situação. Mas o Tocha Humana recusa porque Macapá é quente demais, então o jeito é recorrer o Capitão Açaí.
![]() |
| O herói bebe açaí para ficar forte, mas, como consequência, dorme. |
Aqui entra uma piada recorrente de Ronaldo Rony: o herói, para ganhar força, bebe o açaí com farinha, mas o açaí lhe dá sono e ele dorme – situação sintetizada pela famosa cena dele deitado na rede e roncando.
As piadas vão se sucedendo: para chegar à delegacia o herói pega um uber que é, na verdade, um caminhão de lixo. Para resolver a situação, ele recorre ao Lamparina Verde, que “traz luz à situação”. E o vilão que está por trás de toda essa história é o Potoqueiro Fantasma (potoca, no linguajar amazônida, é uma palavra que significa lorota, mentira).
![]() |
| A história é usada para explicar o que é o equinócio. |
No final, Ronaldo Rony consegue, em uma história divertida, explicar o que é o equinócio e ainda refletir sobre as fake News. Tudo isso em apenas 16 páginas.
Perry Rhodan – Aralon, o centro das epidemias
Nas primeiras histórias de Perry Rhodan, a terceira potência sempre enfrentava ameaças isoladas. Terminado aquele mini-ciclo a ameaça era debelada e muitas vezes não aparecia novamente.
Um aspecto interessante do volume 45, Aralon, o centro de epidemias é o fato de que a história une duas ameaças: os aras e os superpesados.
Nos números anteriores, Perry Rhodan descobrira que os aras, os médicos espaciais, tinham sido responsáveis pela peste da hipereuforia, que vitimara diversos de seus homens, incluindo o exército de mutantes. Aliás, Rhodan descobre que os aras vivem de espalhar doenças pelo universos, doenças para os quais apenas eles têm a cura.
Nesse volume em específico, ele envia o tenente Tiff para o planeta hopistal Aralon com a missão de descobrir se os aras de fato têm a cura para a hipereuforia. Para isso eles levam Thora como paciente.
Logo no início da história, Rhodan diz que conseguirá resolver a situação pela astúcia, mas não é o que acontece. No momento decisivo, ele usa a força de seus robôs e de sua nave Titã para resolver a situação. Isso leva os aras a pedirem socorro para seus parentes, os superpesados, personagens que tinham aparecido no ciclo anterior de aventuras. Embora a forma como o herói lide com isso seja através da diplomacia, a diplomacia só ocorre em decorrência da força da frota fornecida pelo computador regente.
![]() |
| A capa original alemã. |
Sendo um volume escrito por Clark Darlton, confesso que eu esperava mais um clima de espionagem e de fato astúcia. Faltou também o humor, que tanto caracteriza esse autor.
Mas o livro tem pelo menos um diálogo memorável.
Ao acordar e responder que não pretende casar com Tiff, Thora revela o disfarce do rapaz.
- A senhora acaba de pronunciar a sentença de morte do tal Tiff. – diz o ara.
- Como é seu nome? – pergunta Thora.
- Meu nome é Themos. Por que está interessada nisso?
Thora responde sem pestanejar:
- Porque neste instante acaba de ser pronunciada outra sentença de morte. Contra um certo ara chamado Themos. Asseguro-lhe que será executada dentro de vinte e quatro horas.


































.jpeg)
.jpeg)

