sábado, junho 06, 2026
Piracy - a revista que inspirou Watchmen
Surge o Quarteto Fantástico!
O lançamento do primeiro número do Quarteto Fanstástico, em novembro de 1961, mudou para sempre o mercado de quadrinhos norte-americanos. De uma editora decadente, que se resumia a Stan Lee e uma secretária, a Marvel (que na época não se chamava Marvel), começou uma caminhada que a transformaria na grande estrela do mercado, superando a gigante DC ainda na década de 60.
A leitura desse primeiro gibi (disponível no número dois da Coleção Clássicos Marvel), permite observar alguns segredos desse sucesso, a começar pela impressionante capa de Jack Kirby com o quarteto envolvido numa luta contra um monstro que surge das profundezas. A capa inteira é um exemplo perfeito de composição em que tudo funciona harmonicamente, com os elementos muito bem distribuídos, incluindo os balões de diálogos. “Eu não consigo ficar invisível rápido o bastante! Como vamos deter essa criatura, Tocha?”, pergunta Sue, enquanto seu irmão responde: “Espere e verá, irmã! O Quarteto Fantástico só começou a lutar!”.
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| Os autores criam mistério para instigar a imaginação do leitor. |
Aqui temos várias inovações. Entre elas, o sentido de família, que iria ser a principal característica do título em todo esse tempo. Ao contrários de outros grupos de heróis, que se encontram aleatoriamente, os quatro vivem juntos, são uma família e enfrentam todos os problemas relacionados a isso, o que era uma tremenda novidade na época. Dá para imaginar a sensação que essa capa causou entre os garotos do início da década de 60.
O miolo também não deixa por menos. Os personagens são apresentados de forma a instigar a curiosidade do leitor. Reed atira um sinalizador, chamando o restante da família para o edifício Baxter, mas não vemos seu rosto. Então acompanhamos cada membro do quarteto vendo o sinal e respondendo ao chamado. Eles são apresentados de forma a instigar ainda mais o leitor, muitas vezes com toque de humor. Sue, por exemplo, fica invisível para pegar um taxi invisível, deixando o taxista aturdido.
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| A demonstração dos poderes dos personagens é bem-humorada |
Só quando atendem o chamado é que a narrativa paralisa e nos é contada a origem do grupo. E aqui mais uma inovação: a história é dividida em capítulos, sempre iniciados com uma imagem de impacto (posteriormente Jack Kirby usaria splash pages).
A razão pela qual foram chamados: monstros estão surgindo das profundezas e destruindo usinas nucleares, um enredo que remetia diretamente aos gibis de monstros da Atlas na década de 50, versões suaves dos quadrinhos de terror.
Então, o Quarteto não só era uma família, era também um título que unia super-heróis, terror e ficção científica!
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| Os monstros gigantes eram uma tradição nas histórias da Marvel. |
O vilão, o Toupeira, é apresentado como alguém rejeitado pela sociedade em razão de sua feiúra, que indo para o centro da terra se torna cego. Já ali observamos algo que caracterizaria os vilões da Marvel: nenhum deles era mal por ser. Todos eles tinham uma motivação, uma razão para suas ações.
Tirando um outro deslize (à certa altura o Sr. Fantástico tira de ação, jogado no mar, um monstro que tem asas!), é uma edição deliciosa de ler e totalmente inovadora.
O internato – Las cumbres
A série espanhola O internato – Las cumbres, disponibilizada no Brasial pela Amazon vídeo, é uma grata surpresa. O que parecia uma simples série juvenil sobre adolescentes presos em um internato linha dura vivendo os dramas da adolescência se revela uma trama complexa, amedrontadora e cheia de camadas.
A história se passa num internato isolado no alto de uma montanha, na Espanha. O local é repleto de lendas e histórias sobre bruxos. A trama é focada em quatro estudantes que resolvem escapar do local. No processo, três são recapturados, mas um desaparece na floresta, levado por um homem vestido de preto com uma máscara que lembra o bico de um corvo.
Sua namorada e seu melhor amigo tentam, a partir daí, descobrir o que aconteceu com ele. No processo, descobrem que o local onde foi construído o internato era o ponto de culto de um grupo satanista. Ao mesmo tempo, um dos professores descobre que os estudantes estão sendo usados como cobaias no uso de um medicamento. Os dois fatos estão relacionados ou é apenas uma coincidência?
Soma-se aí as relações entre os próprios estudantes, que incluem traições, vinganças, amores e sexo (sim, há muitas cenas quentes).
O ritmo é rápido, com as várias tramas se entrelançado e fatos se sucedendo rapidamente, o que torna a narrativa viciante como nos melhores seriados.
Tropa Alfa – A noite da besta
A história mais grandiosa da Tropa Alfa é o confronto com as bestas, seres malignos ancestrais. Essa trama inicia no número 23 da revista. Esse número, aliás, tem uma das melhores capas do título, com Sasquatch enfrentando uma versão de si mesmo, mas totalmente branca. É o tipo de capa que estimula a imaginação do leitor e o faz perguntar: o que está acontecendo aqui?
Na história, durante um confronto com um homem vestindo uma armadura, Sasquatch é ferido. Esse vilão com armadura é o que eu chamo de personagem bucha de canhão. Ele não tem motivação, história de vida, nada, é apenas alguém que vai provocar um ferimento no Sasquatch e desencadear a trama.
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| Um vilão bucha de canhão: sua única função é provocar o ferimento e, Sasquatch. |
Com o ferimento, o personagem é tomado por uma fúria incontrolável, é quando se descobre a verdade a respeito de sua origem. Ao tentar duplicar sob condições controladas o acidente que criou o Hulk, Walter Langkowski na verdade libertou um antigo demônio chamado Tanaraq, permitindo que o cientista o convocasse e controlasse. Assim, Sasquatch era nada mais nada menos que uma fera de outra dimensão sob controle. Mas quando o personagem é ferido, a besta toma o poder do corpo, como acontece nesse número.
A edição inclui uma batalha mortal entre a Tropa Alfa e essa versão maligna de Sasquatch e inclui uma sequência magistral em que Pássaro da Neve se transforma em um Sasquatch branco para combater a besta – daí a imagem de impacto da capa.
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| O herói é dominado pela besta e se torna uma ameaça. |
No final, Pássaro da Neve vence, mas a um grande custo: matando o amigo.
Entretanto, seu espírito ainda vive e pode ser resgatado em um local assustador chamado O reino das bestas.
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| Pássaro da Neve se transforma em uma versão branca do Sasquatch. |
No número 24, em uma edição com o dobro de páginas, os personagens viajam para outra dimensão, em uma trama realmente impressionante.
Um detalhe dessa história é que aqui Aurora aparece vestindo seu uniforme definitivo: um maiô amarelo e branco com um cachocol azul. Apesar do visual bonito, o cachecol é provavelmente o acessório mais idiota que uma super-heróina poderia usar, pois facilmente poderia se transformar em uma arma contra ela mesma. Bastaria alguém agarrar e puxar para estrangular... e a adeus Aurora!
E de espaço, de Ray Bradbury
Há algo de irônico em Ray Bradbury: embora seja um dos mais famosos escritores de ficção científica de todos os tempos, sua obra não é uma ode ao futuro e ao desenvolvimento da tecnologia. Ao contrário, seus livros ecoam diretamente o saudosismo de uma época mais simples.
E de espaço, antologia publicada no Brasil pela editora Hemos em 1978 é um exemplo disso.
O livro reúne 16 contos de Bradbury e demonstram bem o seu estilo de poético tanto nos temas quanto na narrativa.
As histórias vão do condutor de bonde que faz uma última viagem com os meninos antes de seu veículo ser substituído pelos ônibus até o homem que leva sua família para Marte fugindo da guerra nuclear na Terra (tema alias, presente em mais de um conto).
Mas talvez um dos melhores exemplos do estilo do autor seja “Pilar de fogo”.
A história se passa num futuro longíncuo em que as pessoas mortas não são mais enterradas, mas cremadas. E todos os cemitérios são esvaziados e os corpos queimados numa medida de higienização. O protagonista é o último cadáver ainda intacto, que se levanta e passa a andar entre os humanos.
A poesia já aparece nos primeiros parágrafos: “Ele andava sobre a terra, tinha saído da terra. Mas estava morto. Não podia respirar. Era impossível. Andava sobre a terra, tinha saído da terra. Mas estava morto. (...) Queria ter lágrimas, mas não podia fazê-las vir, tampouco. Tudo o que sabia é que estava de pé, estava morto, e não deveria estar andando!”.
Nesse mundo antisséptico, tudo que pudesse assustar ou incomodar as pessoas havia sido eliminado. Livro de escritores como Edgar Alan Poe e Lovecraft tinham sido queimados.
Mais do que uma história de zumbi, Bradbury usa o tema para tratar de temas que lhe são caros: o medo de uma sociedade anti-séptica, em que tudo capaz de incomodar deveria ser eliminado e sua visão de que isso seria uma distopia.
O mesmo tema aparece em “Fuga do tempo”, em que um professor leva seus alunos, através de uma máquina do tempo, para observar os costumes bárbaros do passado: “O Dia das Bruxas, o ápice do horror. Esta foi a era da superstição. Mais tarde baniram os irmãos Grimm, fantasmas, esqueletos, e toda essa baboseira. Vocês, crianças, graças a Deus, foram criadas em um mundo anti-séptico, sem sombras e sem fantasmas”.
“O Pedestre” é provavelmente o o conto mais importante da antologia, por ser a história que deu origem ao mais famoso livro de Bradbury, Fahreit 451. Na história, um homem é o último a caminhar pela cidade. Todos os outros passam o dia andando em carros e as noites em casa, assistindo televisão: “Pentrar naquela quietude que era a cidade às oito horas de uma nebulosa noite de novembro, pousar os pés naquela sólida calçada de concreto, pisar nas fendas cheias de mato, e andar, de mãos nos bolsos, pelos silêncios, era o que o Sr. Leonard Mead mais gostava de fazer”.
No final, Mead é abordado por um carro de polícia e preso por seu comportamento anti-social. Resumido nesse conto está toda a filosofia por trás da distopia do autor: um mundo anti-séptico, em que pessoas são hipnotizadas pela tela de TV e comportamentos considerados anti-sociais, como caminhar pelas ruas da cidade é considerado um crime.
Mas, além de um poeta da prosa e um filósofo, Bradbury era tamém um autor que sabia criar boas tramas.
“A mulher gritando” é um exemplo disso.
Na história uma garotinha ouve uma mulher gritando num terreno baldio e imagina que tenha sido enterrada ali. Corre para avisar o pai e mãe, mas estes não acreditam nela e acham que se trata apenas de uma brincadeira. “Está bem”, diz o pai. “Vamos desenterra a mulher depois do almoço” e segue-se uma narrativa extremamente tensa, em que o pai e mãe falam de futulidades enquanto a menina sente que a cada minuto pode ser a diferença entre a vida e a morte da mulher enterrada.
O conto é um primor não só pela trama bem bolada (com um gancho jogado no meio de uma conversa fútil que será fundamental no fecho da história), mas também pela abordagem. Bradbury escreve o conto como se fosse uma redação escrita pela própria menina: “Meu nome é Margaret Leary e tenho dez anos de idade, e estou no quinto ano da escola pública. Não tenho irmãos nem irmãs, mas tenho um bom pai e mãe, só que eles não me dão muita atenção. E de qualquer maneira, nunca pensamos que teríamos algo a ver com a mulher assassinada”.
Filósofo, poeta, criador de narrativas bem elaboradas e inteligentes, Bradbury é daquelas leituras essenciais para qualquer apreciador de ficção científica, como demonstra o livro E de espaço.
A arte incrível de Geraldo Borges
Nascido em Fortaleza, Geraldo Borges trabalha com quadrinhos desde 1997, quando desenhou a Revista Capitão Rapadura. Representado pelo Chiaroscuro Studios, maior agência brasileira de artistas para o mercado americano, tem feito trabalhos para a Marvel (Nova), DC Comics (Liga da Justiça, Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde, Legião dos Super-heróis, Asa Noturna, Superman, Aquaman), Dark Horse (Ghost) e Dynamite (Pathfinder).
Eletric Dreams
Philip K. Dick é um dos mais importantes e disruptivos autores de ficção científica de todos os tempos. Seus textos transgressores colocavam em dúvida a nossa noção de realidade e até as verdades mais arraigadas. Eram textos perturbadores.
A série Eletric Dreams, disponível no Brasil pela Amazon Video adapta dez contos do autor em episódios que vão do brilhante ao confuso, mas na média respeitam a obra do grande autor norte-americano, sendo igualmente perturbadores.
Abaixo relaciono os episódios, do melhor ao pior.
Real Life
Na história, uma policial do futuro se sente culpada pela morte dos colegas. Por sugestão da esposa, ela embarca numa viagem virtual que deveriam ser de férias. Nessa nova realidade, ela é o presidente de uma empresa de realidade virtual que perdeu a esposa recentemente. A situação se complica quando a protagonista (ou o protagonista) não consegue mais identificar qual realidade é falsa e qual é verdadeira. Da mesma forma, o próprio expectador não consegue fazer essa distinção. É o episódio que melhor lida com os temas mais caros a Philip K. Dick.
Human is
Uma cientista vive uma relação abusiva com o marido, que parte em uma missão espacial para um planeta distante, onde deve conseguir uma substância essencial para a sobrevivência da humanidade, já que o ar se tornou rafefeito. Mas o planeta é defendido por agressivos seres extraterrestres. Quando volta, no entanto, ele parece diferente, surpreendentemente afetuoso. É o episódio que melhor discute a questão da humanidade, também presente na obra de Dick. Uma curiosidade é que, embora a Amazon não tenha traduzido, o título em português seria muito mais interessante por sua dupla interpretação: “Ser humano”.
Kill all others
O episódio se passa num futuro em que todos os aparelhos da casa são acionados por comando de voz (o que parecia ficção científica, hoje, surpreendentemente, é realidade) e anúncios holográficos são invasivos a ponto de aparecer para as pessoas até mesmo no banheiro. Philbert Noyce é um operário dividido entre uma rotina tediosa e a esposa, que parece estar apaixonada por um anúncio. Só essa premissa já tornaria o episódio interessante. Mas a trama se torna ainda mais pulgente quando Noyce assiste à entrevista da única candidata à presidência e fica estarrecido quando ela diz: “Mate todos os outros”. Surpreendentemente, ninguém mais parece se preocupar com essa fala, nem mesmo jornalistas ou colegas de trabalho. Teria ele ouvido mesmo a frase? O episódio se destaca tanto por abordar temas caros a Philip K. Dick como por refletir sobre como a comunicação digital pode contribuir para uma distopia.
The Hood Maker
Num futuro incerto, mutantes telepatas são a principal forma de comunicação a longa distância. Mas surge um movimento de resistência, que considera os telepatas uma forma de invasão à privacidade. Soma-se a isso um enorme preconceito contra telepatas, facilmente reconhecíveis por uma marcar no rosto.
The Commuter
Mais um episódio que lida com a noção de realidade. Na história, um pacato funcionário de uma estação ferroviária vive um drama: seu filho sofre de problemas psiquiátricos e tem surtos de violência. Em meio à rotina e à tragédia, ele conhece uma mulher que quer comprar uma passagem para um local que não existe. Seguindo as pistas, descobre que é possível descer do trem em uma estação inexistente e, uma vez ali, realizar seus maiores desejos. O grande problema é que para ter essa vida de sonhos, ele precisará sacrificar alguém próximo. É um episódio muito bem dirigido e comovente.
Safe And Sound
Mais uma história de Dick que lida com a vigilância como forma de controle social. Na história, vários atentados fizeram com que se criasse um estado policial em que estudantes são monitorados o tempo todo por pulseiras. Uma garota chega com sua mãe vinda de uma comunidade sem tecnologia de vigilância, que ainda resiste. Os problemas começam quando a garota tenta se encaixar nesse mundo tecnológico, comprando uma pulseira de vigilância (ela traz também diversos aplicativos, inclusive usados na escola, como forma de manter o interesse dos jovens) e a voz de um técnico de suporte a convence de que seus colegas estão envolvidos num plano de terrorismo. Além do tema de vigilância do cidadão, mais um aspecto caro à obra de Dick: à certa altura ela não sabe se a voz em seu ouvido é real ou não.
Impossible Planet
Num futuro distante, a Terra está extinta. Uma mulher aparece numa estação espacial de turismo pedindo para ser levada à Terra e oferece uma fortuna em troca. Os dois resolvem enganá-la levando-a outro planeta. Mas a situação se torna estranha quando um dos tripulantes descobre que é muito parecido com a avô da velhinha. À certa altura ele, a senhora e até o expectador passam a se questionar se eles não estão indo de fato para a Terra.
Father Thing
Father Thing é uma história estranha vinda da lavra de Philip K. Dick, mas seria uma história perfeita de Stepeh King por misturar drama pessoal com terror. Um garoto cujos pais estão se separando começa a desconfiar que seu pai foi substituído por um alienígena. Pesquisando em fóruns na internet, ele começa a desconfiar que várias pessoas no mundo todo foram substituídas. Repleto de metáforas, com uma trama na qual crianças descobrem algo que os adultos nem desconfiam, Father Thing e uma narrativa frenética, e um bom episódio.
Autofac
Num futuro distópico, os recursos naturais se exauriram. O problema é ainda mais agravado por uma fábrica, que continua produzindo produtos inúteis e consumindo todos os recursos naturais disponíveis. Resta a um grupo de rebeldes tentar destruir o local. É uma premissa interessante, com uma crítica ao consumismo desenfreado, mas é também um episódio fraco, que poderia desenvolver muito melhor as questões envolvidas.
Crazy Diamond
De longe o episódio mais confuso de toda a série. Num futuro cuja data não é revelada, a terra está sendo desgastada pela erosão, fazendo com que casas caiam no mar. Híbridos de humanos com porcos são comuns e vivem em meios aos humanos. O protagonista é um engenheiro que produz consciências para os híbridos e as rouba a pedido de um híbrida. Há uma questão não explicada a respeito de plantas cultivadas dentro das casas. Parece confuso? Tente assistir. Provavelmente ficará ainda mais confuso. É o tipo de história em que o roteirista parecia ter muita informação em mãos, mas não sabia o que fazer com elas.




































