sexta-feira, setembro 25, 2026
Depois da Terra
História universal da infâmia
Infâmia, segundo o dicionário: ação ou ato infame. Desonra, ignômia, torpeza.
É justamente casos de desonra, ignômia e torpreza que Jorge Luis Borges pretende coletar no livro “História Universal da Infâmia”, lançado pela editora Globo.
A origem do volume remonta a 1933, quando Natalio Botana, para escândalo dos jornais sérios, lançou o periódico “Crítica”, de orientação sensacionalista. Como os concorrentes tinham seus cadernos literários, o Crítica lançou a revista Multicolor de los Sábados.
A revista, belamente ilustrada, misturava literatura com jornalismo marrom na tentativa de agradar ao paladar da massa.
Borges, convidado a colaborar, teve de adequar sua prosa a essa demanda. O resultado foi uma mistura de jornalismo com literatura, de fatos reais com imaginários, ao estilo do que fazia Edgar Allan Poe.
História universal da Infâmia reúne histórias de ladrões, piratas, assassinos e mentirosos. Mas não se engane: Borges consegue fazer dessas histórias, típicas do jornalismo marrom (que um intelectual brasileiro definiu muito bem com a frase “se espremer sai sangue”) verdadeiras obras de arte da literatura do século XX.
As histórias prendem o leitor pelo inesperado.
É o que ocorre, por exemplo, com “O Atroz Redentor Lazarus Morell”. Morell era um pilantra, líder de uma quadrilha que estendia sua atuação por vários estados dos EUA no século XVIII. Sua riqueza vinha de um estratagema simples: ele e seus comparsas convenciam os negros a fugirem das fazendas e lhes providenciavam os meios para a fuga. Quando o negro fugia, ele o pegava e vendia para outro fazendeiro. Era uma mina de ouro.
Morell era tão infame que costumava fazer pregações religiosas que entretiam toda a população de uma cidade enquanto seus comparsas roubavam os cavalos da audiência.
Outra história absolutamente inesperada e que dá o tom do volume é “O Impostor Inverossímil Tom Castro”.
Em 1854 naufragou no Atlântico o vapor Mermaid, que ia do Rio de Janeiro a Liverpool. Entre seus passageiros estava o militar inglês Roger Charles Tichborne. A mãe, recusando-se a acreditar na morte do filho, passou a publicar nos principais jornais do mundo anúncios pedindo informaçòes sobre o mesmo.
Tom Castro, um marinheiro inglês filho de açougueiro resolveu se passar por Tichborne. Não poderia existir duas pessoas mais diferentes. Enquanto Tichborne era alto, magro, tez morena, cabelo negro muito liso, e falava com sotaque francês, Tom de castro era baixo, gordo, sardento, cabelos encaracolados castanhos e não falava uma vírgula de francês.
Ainda assim, Castro conseguiu enganar a mãe do militar e grande parte da sociedade inglesa da época. O argumento é que a diferença entre os dois era tão grande que ninguém seria tão doido de se passar por outro sem nem ao menos tentar alguma alteração física. Portanto, aquela criatura completamente diferente só poderia mesmo ser Tichborne mudado pelos ares do Brasil.
Histórias como essa triscam no burlesco. Outras são impressionantes, como “O Tintureiro Mascarado Hakin de Merv”. Nela, um profeta aparece com uma cabeça de boi cobrindo o rosto e argumenta que foi visitado pelo anjo Gabriel, que lhe alterou o rosto de tal forma
que, quem o visse ficava cego com a beleza divina do mesmo.
Hakin arrebanha milhares de fiéis, cria para si um harém de 100 belas mulheres cegas e coloca em perigo o califado.
A cena em que ele é desmascarado está certamente entre as mais chocantes da literatura universal.
Borges acrescenta ao livro um índice de fontes bibliográficas. Mas apenas para enganar o leitor. A fonte do conto sobre o falso profeta simplesmente não existe, dando a entender que Borges inventou a história.
Essa, aliás, era a principal característica de Borges. Ele tinha intenção de fazer o leitor confudir realidade com ficção no que ficou, mais tarde conhecido como realismo fantástico.
Vale destacar nessa edição o cuidado gráfico que a editora Globo dispensou ao volume. O formato, menos largo que o normal, dá uma elegância indiscutível ao livro. Além disso, a capa traz uma ilustração de Will Eisner, um dos maiores desenhistas de histórias em quadrinhos de todos os tempos. Não há como passar despercebido na livraria. “História Universal da Infâmia”salta ao olhos e chama nossa atenção no meio dos outros livros.
Um cuidado editorial que prestigia a genialidade de Borges, considerado por muitos, inclusive o autor desta resenha, o mais importante escritor do século passado.
Para os leitores brasileiros o livro tem uma atração a mais: o conto “A História dos Dois que Sonharam” que inspirou Paulo Coelho a escrever “O Alquimista”.
Museu D´Orsay
Se o Louvre é o paraíso da arte antiga, barroca, romântica, o Museu D´Orsay é o ponto alto da arte moderna em Paris. Há muita coisa, por exemplo, dos impressionistas: Degás, Renoir, Monet.
Mas a grande atração é a sala dedicada a Van Gogh. Completamente ignorado em vida (ele só conseguia vender quadros para o próprio irmão), ele se tornou uma verdadeira sensação atualmente. Turistas correm para ver suas obras. Na mesma sala há quadros de Gaugan, com o qual o pintor holandês morou durante algum tempo.
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| Almoço na relva, o polêmico quadro de Manet. |
Há também vários quadros de arstitas realistas, como Millet e até mesmo o famoso e controverso Quadro A Origem do mundo, de Gustave Courbet (conhecimento pela maioria das pessoas por ter sido censurado pelo Facebook).
Falando em polêmica, nada causou mais polêmica na época do que os quadros de Manet, também presentes no Museu. Dois exemplos são Olímpia e Almoço na relva. Os conservadores da época acusaram o artista de indecência por colocar mulheres nuas em seus quadros. O nu era comum nas artes, mas era um nu idealizado, de deusas gregas. Manet colocou mulheres de verdade em suas obras e por isso provocou a ira dos consevadores. Olimpia se tornou tão famosa que ganhou releituras, como a de Gaugan, também presente no Museu.
O Museu também tem vários quadros de simbolistas e uma série de belíssimas estátuas.
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| Degas é mais conhecido pela pintura, mas também era escultor. |
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| Há várias versões do quadros Nifas, de Monet, cada uma pintada em uma condição de luz. |
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Os caçadores de crocodilos, de Ernest BarriasErnest BarriasErnest Barrias |
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| A origem do mundo, de Coubert, causa polêmica até hoje. |
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| Monet, como outros impressionistas, se interessava pela forma como a luz interferia na cor. |
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| Pinturas de Monet com o tema mulher com sombrinha. |
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| Coubert colocou vários amigos no quadro O ateliê do artista. |
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Susannah e os anciões, de Paul Cabet |
Quarteto Fantástico – Derrotados pelo Doutor Estranho
Embora Fantastic Four 1 seja considerado o marco inicial da Era Marvel, foi só no número 17 que Stan Lee teve a idea de usar o termo, em um splash com grande destaque na capa.
Nessa edição, o Quarteto enfrenta, de novo, o Doutor Destino. De novo.
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| O Coisa confunde um ator com o Dr. Destino... |
A edição mostra também como os heróis podiam ser tapados. Quando procuravam pelo vilão, o Coisa chega a quase bater em um homem, que na verdade está caracterizado para divulgar uma peça sobre a Idade Média. Por outro lado, Destino se disfarça de um zelador e não só encontra com eles e os cumprimenta, como ainda coloca um sinalizador em cada um. O sinalizador é usado por quatro robôs que coletam a estrutura atômica dos heróis. Assim, mesmo quando a fortaleza dele é descoberta escondida em uma nuvem, eles não podem invadi-la, pois a nave está programada para desintegrar qualquer coisa que se aproxime com a estrutura atômica codificada.
Destino ainda encontra tempo para sequestrar Alícia, a amada do Coisa, e fazer um ato de terrorismo que coloca todos os aparelhos eletrônicos dos EUA em pane.
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| ... Mas não reconhece quando encontra o Dr. Destino disfarçado. |
Aliás, nessa parte específica, há introito curioso.
Na Rússia, os generais comemoram.
- Ah, essa é a melhor notícia que recebo em semanas! Logo os países capitalistas ficarão indefesos perante nós! – diz um sujeito com a cara de Trotsky, seja lá o que Trotksy estivesse fazendo lá na Rússia anos depois de sua morte.
- Parem de tripudiar, seus cabeças-ocas! O Doutor Destino não está nos fazendo um favor! Pelo que se vê, ele pode muito bem nos atacar em seguida! – responde outro.
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| O que Trotksy estava fazendo na Rússia após a sua morte? |
- Você tem razão, camarada K! Nunca tinha pensado nisso!
- Ah! É por isso que você nunca será um ditador!
Gilgamesh, de Jim Starlin
Gilgamesh é o protagonista de uma das primeiras epopéias da história da humanidade. Estima-se que o clássico babilônico sobre um herói que matava monstros seja 1.500 anos anterior a obras como a Odisséia.
Recontar essa história, por si só seria um desafio. Mas Jim Starlin acrescenta um item a mais de complexidade. Especialista em sagas estelares, ele resolve transformar o épico Gigamesh em uma história de ficção científica.![]() |
| O comandante tenta salvar a espécie enviando duas cápsulas, mas o robô envia dois machos. |
Na trama, uma nave extraterrestre vinda de um planeta condenado está se aproximando da Terra. A energia da nave está acabando e não há tempo de procurar outro local para pousar. Por outro lado, não existem mais o sistema de defesa. Para aumentar a chance de sobrevivência da espécie, o comandante manda soltar duas sondas. Quando a nave é destruída por misséis terrestres, as duas sondas são tudo que restou da espécie. Só que, por uma falha de robô, foram enviados dois meninos.
Uma das sondas cai em uma selva sul-americana, enquanto a outra cai em uma plantação de maconha na fronteira do México com os EUA e o garoto alienígena acaba sendo adotado por um casal hippie. O garoto é chamado de Gilgamesh em homenagem ao herói clássico.
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| Jim Starlin faz algumas ótimas sequências de humor... |
A história pula para 25 anos depois. O garoto que caiu na floresta torna-se um selvagem que expulsa todos que se aproximam, enquanto o outro, Gilgamesh, tornou-se presidente da empresa que domina a política mundial.
Há cenas cômicas, como a de quando Gilgamesh manda uma prostituta para cuidar do selvagem e este não sabe lidar com a sensualidade da garota. Há cenas memoráveis de ação, como no primeiro encontro entre os dois, ou quando eles enfrentam um monstro nas selvas sul-americanas.
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| ... mas o forte da história é a ação. |
Jim Starlin mistura ficção científica e humor para falar dos mais diversos temas atuais, que vão do colonialismo à ecologia ao mesmo e o faz numa narrativa envolvente de ficção científica. Ou seja: Starlin fazendo o que ele faz de melhor.
O único aspecto lamentável dessa história em quatro partes é o fato de que ela acaba rápido demais. Fica a impressão de que os personagens poderiam ser muito melhor desenvolvidos uma série mais longa.
No Brasil essa minissérie foi lançada pela editora Globo.
Fundo do baú - Besouro Verde
“Mais um desafio para o Besouro verde, seu ajudante Kato e o arsenal sobre rodas Beleza Negra. Nos registros policiais são criminosos procurados, mas o Besouro Verde é na verdade... o redator proprietário do sentinela diária. Sua identidade secreta só é conhecida de sua secretária e do promotor público. E agora, para proteger os direitos dos cidadãos decentes, surge o Besouro Verde!”.
Assim começava o seriado Besouro Verde, série produzida por William Dozier e exibida originalmente no ano de 1967, num total de 26 episódios.
O personagem, cujo nome original é The Green Hornet (a Vespa Verde) estreou no rádio na década de 1930. Na década de 1940 teve um seriado matinê, mas ficou realmente conhecido da maioria do público graças ao seriado dos anos 1960.
E a série só saiu do papel graças à batmania. Dozier, que havia produzido o seriado do Batman, resolveu apostar em outra série de heróis, mas dessa vez com um tom mais sério e menos infantil.
Para interpretar o herói foi escolhido Van Williams e para o papel de Kato ninguém menos que Bruce Lee, em seu primeiro papel nos EUA. Lee inclusive convenceu os diretores a trocar o estilo de luta livre de Kato por artes marciais, de modo que essa foi a primeira vez que o público norte-americano teve contato com esse tipo de luta. Até mesmo Van Williams teve algumas aulas com Bruce Lee nas quais aprendeu alguns golpes.
O personagem Besouro Verde é um combatente do crime que traz um diferencial: todos acham que ele é um criminoso, o que lhe permite entrar no submundo do crime. A ideia fazia ressonância com o policial noir, algo que vai se refletir inclusive na série, como diálogos e situações típicas desse gênero.
A cada episódio, Besouro e Kato enfrentam um malfeitor, geralmente caracterizado pelo uso de algum tipo de arma. No primeiro deles, por exemplo, eles enfrentam alguém que possui uma pistola capaz de disparar sem emitir som ou luz, fazendo com que uma pessoa seja morta num elevador lotado, por exemplo, sem que se saiba quem atirou. Isso coloca o herói numa jornada para tirar a arma de circulação. No final, o principal repórter do Sentinela comenta o caso e diz que teria sido uma tragédia se o Besouro Verde tivesse se apropriado dessa arma, no que Britt Reid concorda plenamente. A ironia aí é Reid é o Besouro Verde, mas a cena serve para mostrar como, ao mesmo tempo em que combatia o crime, o herói era visto como vilão por parte da sociedade.
Além do Beleza Negra, um carro cheio de faróis verdes, o personagem contava com outros apetrechos tecnológicos, como uma pistola que emitia um gás verde e fazia as pessoas desmaiarem e o Hornet's Sting, um dispositivo que emitia ondas sonoras e podia ser usado até mesmo para colocar fogo em coisas ou abrir portas.
O seriado fez um sucesso mediano na época, mas quando Bruce Lee se tornou um grande astro com seus filmes de artes marciais, foi redescoberto e se tornou cult, sendo reprisado por diversas emissoras de TV.
Uma curiosidade é que o Besouro Verde é descendente de outro herói, Lone Ranger, criado pelos mesmos autores.
Mister No: O Templo dos Maias
Algo surpreendente no editor e roteirista Sergio Bonelli era
sua habilidade de não apenas tornar crível, como também desenvolver por mais de
uma edição, uma premissa no mínimo inusitada: um templo maia em plena selva
amazônica. É o que vemos na história publicada originalmente nos volumes 6 e 7
(da edição da editora Record).
Como de costume, a narrativa começa com um "ato
zero" que pouco tem a ver com a trama principal: o dono de um bar em
Manaus contratou uma cantora chamada Dana Winter, cuja beleza exótica prometia
lotar o local. Ao ir buscar a artista, Mister No descobre que Dana é, na
verdade, um cantor negro de visual andrógino.
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| Uma loira misteriosa coloca Mister No numa enrascada. |
A apresentação de Dana no bar acaba, inevitavelmente,
transformando-se em uma confusão generalizada, especialmente após a intervenção
de Jerry Drake (o Mister No). Já na mira da polícia por outras brigas
semelhantes, ele foge do local apenas para entrar em outro bar, onde uma
belíssima loira o beija, entrega-lhe uma bolsa e promete encontrá-lo em sua
casa mais tarde. No entanto, quem o visita de fato são capangas interessados no
conteúdo da bolsa, que lhe dão uma surra. Para completar o azar, o herói acaba preso.
A história principal ainda nem começou e o protagonista já
se envolveu em duas brigas e foi espancado. Não é por acaso que o personagem é
tão querido: ele foge completamente do estereótipo do herói invencível e
infalível.
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| Mister No apanha e ainda é preso. Um herói nada convencional. |
A trama engrena quando a mulher misteriosa se revela: ela é
assistente de um cientista que paga a fiança de Jerry e o contrata para uma
expedição em busca de uma cidade maia perdida. O grupo reunido por Mister No
inclui o cantor Dana, agora desempregado; o ex-soldado alemão Esse-Esse (seu
eterno parceiro); um guia indígena e um navegador especializado nos rios
locais.
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| O roteiro aproveita muito bem a ambientação para criar conflito. |
Esta saga é ilustrada por Roberto Diso, possivelmente o
melhor desenhista da série, mestre em retratar a fauna e a flora tropicais. O
traço de Diso reforça o roteiro de Bonelli, que utiliza as características da
Amazônia para criar conflitos genuínos — como a tapuia (vegetação aquática)
que, ao se aglutinar, paralisa o barco. Isso rende um dos momentos mais tensos,
quando Mister No, na tentativa de liberar a embarcação, é atacado por jacarés.
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| Roberto Diso era um especialista em desenhar animais tropiciais. |
Outra fonte de tensão são os povos indígenas, que atacam o
grupo em diversas ocasiões. Contudo, ao contrário do que se poderia esperar de
uma produção estrangeira sobre a região, Bonelli não os retrata como
naturalmente violentos, mas como pessoas reagindo a séculos de ataques e golpes
desferidos por brancos.
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| Apesar dos acertos, a edição tem erros, como as redes, muito diferentes das usadas na Amazônia. |
Embora o fato de o protagonista ser norte-americano possa
ser lido como um reflexo da "síndrome do salvador branco", o grupo
multiétnico — onde negros e indígenas têm papéis decisivos na resolução dos
conflitos — traz uma perspectiva mais equilibrada à obra. No final, a busca
pelo templo maia é uma aventura eletrizante, escrita por alguém que era,
genuinamente, apaixonado pela Amazônia.
quinta-feira, setembro 24, 2026
Homem-Animal - Raposa em fuga
Uma das inovações trazidas por Grant Morrison para o Homem-Animal foi colocá-lo como um defensor dos animais - na versão anterior ele era um caçador.
Na edição 10 da revista ele não só salva uma raposa que está sendo caçada, como ainda tira uma foto promocional com o grupo sabotadores de caça. O mais interessante disso, além do fato óbvio da defesa ecológica é que o episódio torna-se uma metáfora para a ameça enfrentada pelo herói.
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| A história usa uma narrativa paralela entre a caçada a uma raposa e à heroina. |
Não por acaso, uma outra heroína que está sendo perseguida e que vai até buddy em busca de ajuda, Vixen, tem poderes animais e aparência de raposa. A narrativa ente a heroína e a raposa se alternam, formando um paralelo entre as duas situações.
Essa trama é entremeada com outra, com os alienígena, que, aparentemente criaram o Homem Animal. Mas a versão nova não bate com a antiga. Como explicar as discrepâncias? Essa foi a forma do roteirista explicar a diferença da sua versão para a versão clássica do personagem ao mesmo tempo em que introduz um novo uniforme com um A mais alongado e óculos mais estilosos.
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| "Todos nós somos palavras numa página" - a metalinguagem que seria característica do título começa a aparecer aqui. |
Vale lembrar que essa estratégia vinha de Alan Moore, que teve a preocupação de alinhar sua versão do personagem não só à versão antiga mais famosa, como também à primeira aparição do personagem, que se passava no século 19.
Morrison ainda coloca os dois heróis em rota de colisão com um vilão simiesco na África. E aqui temos uma das melhores sequências dessa saga. Os dois estão aprisionado em local isolado, sem nenhum animal por perto, o que torna o protagonista inofensivo.
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| O personagem é desconstruído: novo uniforme. |
- Estão prontos para morrer? - pergunta o vilão.
- Eu estou. - responde o Homem Animal. Mas ele não.
E vemos o herói se transformar em dois e depois em uma multidão.
O vilão tinha esquecido dos protozoários e de sua capacidade de auto-replicação!
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| Morrison introduz humor na história. |
Morrison, como se vê, estava elaborando uma versão pouco convencional do herói. Isso aí mesmo tempo em que contava uma trama empolgante e divertida.
Não é por acaso que, embora no Brasil essas histórias fossem publicadas na revista mix DC 2000, que tinha personagens mais conhecidos, como a Legião dos Super-heróis, o Homem Animal era a razão pela qual os leitores compravam.
Jornada nas estrelas – Não há beleza na verdade?
Na Terceira temporada, Jornada nas Estrelas estava para ser cancelada e faltava dinheiro para a produção. A solução era produzir histórias que aproveitassem os cenários já existentes. Dessa limitação orçamentária surgiu aquele que é certamente um dos melhores de toda a franquia. Trata-se de “Não há beleza na verdade?”, escrito por Jean Lisette Aroeste.
Na trama, a Enterprise recebe a missão de levar o embaixador medusiano Kolos. Os medusianos, embora tenham alcançado um elevado nível espiritual e intelectual, são seres tão feios que sua simples visão pode provocar loucura em um ser humano.
Os únicos seres humanoides capazes de suportar a visão de um medusiano são os vulcanos, mesmo assim apenas com o uso de óculos especiais.
Curiosamente, a assessora do embaixador é uma humana, Miranda Jones, uma telepata que estudou disciplina mental no planeta Vulcano.
A trama de fato se desenrola quando um homem, que é apaixonado por Miranda, tenta matar o embaixador e, no processo, enlouquece. Totalmente fora de si, ele toma o controle da nave e a leva para um local não mapeado do espaço. A única maneira de retornar é Spock realizar o elo mental com o embaixador, absorvendo as habilidade de navegação dos medusianos. Mas no processo ele se torna vítima do ciúmes de Miranda, que se apaixonou por Kolos.
O episódio tem pouca ação, acontece todo dentro da Enterprise, e é todo calcado nos excelentes diálogos, como o do jantar ou quando Kirk leva Miranda para conhecer a floricultura da nave. Os efeitos especiais são os mais pobres possíveis: o embaixador é carregado em uma caixa que quando aberta emite luzes caleidoscópicas, um recurso que, surpreendentemente funciona muito bem, graças especialmente à ótima atuação de Leonard Nimoy.
A grande discussão por trás do espisódio já pode ser entrevisto no título: o que é de fato a beleza? Uma criatura extremamente feia pode, no fundo, ter uma alma bela, enquanto que alguém aparentemente bonito, pode ter uma alma feia? O episódio nos alerta para não confundirmos aparência com essência.
O orientador leão
Um lobo estava andando pela floresta quando deu de cara com um coelho. Já ia comer o bichinho quando percebeu que ele estava em frente a um notebook, digitando frenéticamente.
Curioso, resolveu perguntar o que estava acontecendo.
- Estou escrevendo minha dissertação de mestrado. - informou o coelho. Minha tese é que os coelhos são os predadores naturais.
- Isso é um absurdo. - respondeu o lobo. Os predadores naturais são os lobos. São eles que comem os coelhos.
- Você duvida? Vamos ali até aquela caverna e eu te mostro a minha prova empírica.
Os dois entraram, começou uma barulheira tremenda, gritos, uivos. Pouco tempo depois o coelho saiu e voltou a digitar no notebook.
Algum tempo depois passou por ali uma raposa. Da mesma forma que o lobo resolveu comer o coelho, mas antes disso perguntou o que estava acontecendo.
- Estou escrevendo minha dissertação de mestrado. - respondeu o coelho. Minha tese é que os coelhos são os predadores naturais.
- Isso é absurdo. - gritou a raposa. Os predadores naturais são as raposas. Elas que comem os coelhos.
- Vamos ali na caverna e vou lhe mostrar a minha prova empírica.
De novo, gritos e uivos. E de novo quem saiu de lá foi o coelho.
Então entramos na caverna. De um lado encontramos um amontoado de ossos de raposas. Do outro um lado, um monte de ossos de lobos. E no meio um leão imenso de gordo.
Moral da história: numa pesquisa o que realmente importa é o orientador.




































