sábado, outubro 24, 2026

Livro Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos

 

Vivemos em um mundo hiper-real, em que ficção e fato se misturam. É um mundo de simulacros, de símbolos que existem por si só, sem nenhum referencial. Na arte esse fenômeno se refletiu na forma de obras que confudem real e ficcional. É a verossimilhança hiper-real: obras tão críveis que muitas pessoas acreditam que são reais. 
No livro Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos - a fantástica história de Francisco Iwerten, eu analiso esse fenômeno a partir de um fato específico: o quadrinista fake Francisco Iwerten e seu personagem, o herói Capitão Gralha. Durante 18 anos acreditou-se que Iwerten existia e ele chegou até mesmo a ganhar prêmios. 
Quer conhecer melhor essa história e entender o que é o mundo hiper-real? 
O livro está sendo disponibilizado de graça no site da Marca de Fantasia.  Para baixar, clique aqui.

A arte estrondosa de Emanuele Taglietti

 


Emanuele Taglietti é um famoso ilustrador italiano, conhecido principalmente pelas capas de quadrinhos adultos.

Nascido em 1943, Taglietti era de uma família de artistas. Seu pai era pintor e decorador. Seu primo era o aclamado diretor de cinema Michelangelo Antonioni. Antonioni, inclusive, costumava levar o primo para os sets de filmagem, onde ele começou a trabalhar como cenógrafo. Com o tempo, Taglietti começou a trabalhar também como assistente de direção. Entre os filmes que ele participou estão Julieta dos espíritos, de Federico Fellini.

Na década de 1970 os quadrinhos de terror e erotismo conheceram seu auge na Itália e Taglietti foi contratado pela editora Edifumetto para a qual pintou mais de 500 capas. Sua arte se destacava pelas belas mulheres quase sempre em situação de perigo.

Na década de 1980 esse tipo de quadrinho entrou em declínio e o artista passou a se dedicar à pintura a óleo e ao ensino de decoração de murais. Ele tentou conseguir seus originais de volta, mas foi informado que esses haviam sido roubados. Até hoje não se sabe o paradeiro dessas pinturas.














Quando a milícia toma conta


 

Ontem tivemos o fato mais assustador de toda essa campanha e um alerta para o que nos espera. Policiais tinham prendido bandidos e viram três garotas com camisas do Lula. Eles pararam elas e as obrigaram a tirar a camisa para colocar nos bandidos e criar a farsa de que eles eram petistas. Isso é assustado nos mais diversos niveis: desde o total desrespeito às mulheres, que foram obrigadas a tirar a camisa (uma delas estava sem sutiã) até o roubo descarado com certeza de impunidade. Dizem que esse tipo de situação é comum nas regiões dominadas pela milícia. E isso pode se espalhar pelo Brasil inteiro. 

sexta-feira, outubro 23, 2026

Fundo do baú - Capitão caverna

 


Capitão Caverna e as panterinhas (Captain Caveman and the Teen Angels, no original) era uma mistura de várias atrações famosas à época. Tinha mistérios, como Scooby-doo, um personagem humorístico, super-heroismo e um trio de garotas detetives como no seriado As panteras.

Na trama, três garotas, Sabrina, Neli e Gilda encontram um homem das cavernas com poderes especiais congelados num bloco de gelo. Depois de descongelado, ele passa a ajudar as meninas, contribuindo para decifrar diversos mistérios.

O Capitão Caverna tinha o corpo repleto de pelos de onde tirava as coisas mais absurdas, incluindo dinossauros e dragões. Além disso, carregava um porrete que usava não só para bater nos oponentes, mas também para voar e do qual tira as mais diversas ferramentas. Ele constantemente dizia frases sem sentido, como “Unga bunga” e, nos momentos de ação, soltava seu grito de guerra: “Capitão Caveeeerrnnnnaaaa!!”.

O padrão recorrentes dos episódios era algo valioso sendo roubado por um vilão misterioso, as panterinhas seguindo pistas deixadas pelo mesmo e o Capitão Caverna capturando-o. Em um episódio, por exemplo, as panteras investigam um ladrão de tigres de circo, em outro, um tubarão que rouba tesouros.

O desenho teve três temporadas, num total de 40 episódios.

Glory, de Alan Moore

 


Glory é uma personagem “criada” por Rob Liefield, uma cópia da Mulher Maravilha tão descarada que havia nascido na Penísula Paraíso.

Em 1999, Alan Moore foi convidado a escrever a personagem e fez isso, como sempre, de modo revolucionário. A ideia de Moore era por um lado fazer uma homenagem à personagem-raiz, no caso, a Mulher Maravilha, e por outro, trazer novos aspectos, aproveitando a mitologia da personagem e elementos do tarot e da cabala.

Moore mistura diversas mitologias na origem dessa nova Glory. 


Assim, na versão de Moore, Glory decide ter a experiência de ser uma humana normal e encarna em uma garçonete chamada Gloria West. Acontece que Gloria é (ou parecer ser) esquizofrênica, o que nos garante alguns dos melhores momentos da série.

Moore divide sua narrativa em três linhas: a de Glória, a de Glory no mundo místico e a de histórias em quadrinhos lidas por Gloria. O interessante aqui é que as três instâncias se mesclam e se confundem.

Os personagens dos gibis lidos por Gloria interagem com ela. 


Por exemplo, à certa altura, Glória está lendo um quadrinho da Glory quando a vilã, Lilith, vira-se para ela e diz: “Assim como vou destruir você, Gloria West”.

Em outro momento, Gloria se vê como Glory enquanto ela está no mundo dos deuses: “Eu estava num jardim mágico, certo? Olhando para uma piscina? E tinha umas pequenas fadas da água”.

Moore faz referência direta à origem BDSM da Mulher Maravilha. 


Só a mistura dessas três instâncias já fariam de Glory uma série memorável, mas Moorre ainda aproveita para fazer um estudo metalinguístico da Mulher Maravilha, imergindo nas características da personagem.

Ele, por exemplo, aproveita o fato de Glory ser a Mulher Maravilha sem oficialmente ser a Mulher Maravilha para abordar até o aspecto de BDSM inerente à heroina.

A versão com saia branca influenciou o visual de Promethea. 


Assim, uma das vilãs é a Madame Algema, que governa um país que reverbera diretamente a iconografia BDSM, incluindo escravos puxando charretes. A vilã, inclusive, prende Glory em um gramofone gigante e, claro, a personagem é amarrada.

Se o roteiro de Alan Moore é genial, o mesmo não se pode dizer do desenho. Marat Mychaels é um artista ainda muito ligado ao estilo Rob Liefield e altamente inconstante. Em alguns momentos ele até consegue fazer um bom trabalho, mas no geral é abaixo da média e estereotipado.

Os planos terrano e mitológico interagem. 


Os melhores trechos, visualmente falando, são quando aparecem as revistas que Gloria está lendo, desenhados por Melinda Gebbie e Matt Martin. O capítulo zero, desenhado por Brandon Peterson, também é acima da média.

Infelizmente, essa série durou apenas três números, sendo um deles o zero. Ou felizmente, pois nitidamente Alan Moore reaproveitou boa parte dos conceitos em outra série, agora com uma personagem sua, Promethea. O uniforme de Promethea, aliás, parece nitidamente influenciado pelo que Moore tinha pensado para Glory, principalmente a versão clássica da personagem, com a saia branca, que seria a versão de Glory na era de ouro.

Ágora, a história de Hipátia

 

 


Ágora é um filme de 2009, Alejandro Amenábar, sobre a filósofa Hipátia, uma das mentes mais brilhantes de sua época e que acabou morrendo nas mãos dos cristãos depois de ter sido torturada e humilhada por eles.          
A película permite uma reflexão sobre vários assuntos e torna-se, desde já, grande candidato a ser exibido em aulas de história e filosofia, à semelhança de O nome da Rosa. 
Além das questões filosóficas levantadas no filme (curioso ver os filósofos discutindo o sistema de Ptolomeu em que os planetas tinham uma órbita em torno da terra e uma outra órbita em torno de si mesmos), há as questões teológicas e históricas.
Os cristãos daquela época eram o equivalente hoje dos fanáticos islâmicos. A destruição da Biblioteca de Alexandria pelos cristãos foi um crime contra humanidade equivalente ou até maior que a destruição do World Trade Center. Em termos culturais, maior, pois muito do conhecimento acumulado à época se perdeu. Na cena, Amenábar simplesmente inverte a câmera para mostrar que o mundo virou de cabeça para baixo.
O mais triste é perceber que as lições de Ágora ainda não foram aprendidas.


Ps: Quem me apresentou esse filme foi um ex-amigo, que virou bolsonarista e hoje em dia diz que a Hipátia era comunista e que esse filme é marxismo cultural. Se a filósofa voltasse hoje em dia, tenho certeza de que ele seria um dos que ajudariam a matá-la, rasgando-a com conchas e chamando-a de comunista. 

Perry Rhodan - Um sopro de eternidade

 

 


Um sopro de eternidade, volume 65 da coleção Perry Rhodan, é uma sequência direta do volume A prisão do tempo, no qual alguns dos homens de Rhodan ficam presos na dimensão dos invisíveis.

Também escrito por Clark Darlton, Um sopro de eternidade mostra o administrador do Império Solar resgatando seus homens. Para isso ele manda que seja construído um aparelho capaz de abrir um portal grande o bastante para passar uma nave.

É um livro empolgante, muito bem escrito, de ação e suspense do início ao fim: os terranos chegam, resgatam os homens, mas quando vão escapar de volta pelo portal, são atacados por centenas de pequenas naves, que impedem o retorno. Pior: aos poucos, os terranos começam a se adaptar ao tempo daquela dimensão, o que pode ter uma consequência terrível. Horas passadas nesse ritmo de tempo pode significar décadas no nosso universo.

A capa alemã. 


Quando Gucky é feito prisioneiro pelos invisíveis, o nível de tensão do livro aumenta ainda mais. Ele escapa, mas numa sequência fantástica, quase que metafísica, que envolve viagem no tempo.

Tudo isso misturado com uma dose de especulação científica: o que acontece quando se ultrapassa a velocidade da luz? Ou qual a consequência de uma explosão atômica contra uma muralha temporal?

Darlton estabelece mais um nível de suspense quando brinca com as expectativas do leitor sobre quem seriam os senhores daquela dimensão. Primeiro são apresentados seres esféricos, com vários tentáculos, mas logo se descobre que são robôs.

Depois aparece um caranguejo-abelha, mas logo descobrimos que ele é só um lacaio dos verdadeiros senhores daquela dimensão: os druffs. A aparência desses ficará para outro volume.

Eis um livro empolga até mesmo quem não é fã da série.

A Fortaleza Móvel e o Mundo subterrâneo

 


Enrique Alcatena é conhecido dos leitores brasileiros principalmente por seus trabalhos na DC e na Marvel. Mas ele tem uma vasta produção em seu país local, a Argentina, quase desconhecida no Brasil, a exemplo do álbum A fortaleza móvel e o mundo subterrâneo, lançado em 2020 pela editora Pipoca e Nanquim.

O álbum reúne histórias do mercenário Bass de Avregaut com roteiro do também argentino Ricardo Barreiro. É um encontro de mestres. Barreiro é um roteirisita extremamente criativo, com conceitos absurdamente inovadores e Alcatena, embora estivesse ainda em início de carreira, deslumbrava ao levar os conceitos criados pelo roteirista a caminhos inusitados.

Os superlativos não são por acaso. A fortaleza móvel e o mundo subterrâneo é um trabalho realmente surpreendente pela qualidade – e por fugir daquilo que estamos acostumados no gênero espada e magia.

A trama acompanha o mercenário Bass em uma série de infortúnios. Inicialmente ele está atravessando o deserto em um triceratops (chamado na história de Orlock) quando é atacado por um monstro gigantesco que se move pelas areias.



Ele encontra abrigo numa fortaleza amaldiçoada de onde é obrigado a fugir num dirigível. Na sequência é abatido e colocado como escravo na fortaleza móvel, um gigantesco veículo acionado por uma espécie de carvão radioativo que deforma quem entra em contato com ele (os que trabalham nas caldeiras, como Bass, são obrigados a usar uma roupa especial que nunca pode ser tirada). A fortaleza será usada para devastar uma cidade.

Quando a guerra finalmente se define, Bass foge novamente num dirigível até ser capturado pelo povo subterrâneo, composto por albinos cruéis. Ali ele deve combater pela princesa contra outros campeões em um torneio em que quem vence deverá fecundar todas as mulheres virgens.



Como se vê, os conceitos são bizarros. Mas Alcatena os torna ainda mais bizarros. Nada é previsível em em sua visão desse mundo. Assim, a caldeira da forteleza móvel parece um monstro, torres parecem homens meditando, montanhas assemelham-se a caretas grotescas prontas a abocanhar o dirigível.

Em várias páginas, alcatena apresenta um quadro maior, em que deixa sua imaginação fluir em imagens que sintetizam o melhor da fantasia.



Altamente influenciado por Hector Oesterheld, Barreto apresenta um texto que flerta com o litário e complementa com perfeição as aloprações visuais de alcatena.

Ao ler, é impossível não imaginar o que seria o trabalho da dupla nos famosos personagens Marvel-DC. Certamente seria revolucionário.

Lanterna e Arqueiro Verde – A ameaça de plástico

 


No número 84 da revista do Lanterna e do Arqueiro Verde, Denny O´Neil e Neal Adams abordaram o tema da alienação.

Na história, o Lanterna descobre que onde a namorada está internada para um tratamento está ameaçada pelo rompimento de uma represa. Quando consegue conter o vazamento, ele é parabenizado pelo prefeito, recebe uma chave e um broche, que espirra perfume.

Um exemplo de como Adams sabia ser inovador na diagramação. 


Toda a cidade é caracterizada por uma distopia capitalista em que as pessoas são controladas pelos broxes, todo o ar é poluído e tudo é de plástico, inclusive a chave da cidade. O plástico aqui tem uma forte simbologia de algo artificial e fútil.

A cidade é uma distopia capitalista em que tudo é de plástico e o ar é poluído. 


A história perde um pouco da força quando se descobre que quem está por trás de tudo é um vilão chamado Mão Negra, mas é ele que nos traz uma definição do que está acontecendo na cidade. Segundo ele, ao serem borrifadas pelo perfume, as pessoas perdem a concentração, sendo incapazes de pensar. ”Lavagem cerebral em massa... seu calhorda! E para que tanto esforço?”, pergunta o herói. “É bem simples, lanterna. Para agradar os patrões. Ao eliminar a ambição e a curiosidade... nós temos empregados perfeitos!”.

O vilão explica o processo pelo qual as pessoas são controladas. 


Embora nem de longe essa história seja o melhor exemplo do trabalho de Neal Adams, ela sem dúvida tem alguns momentos impressionantes. Um deles é a sequência que mostra o Lanterna e a namorada se beijando no chão da sala e os ladrilhos se transformam em quadrinhos que mostram outras atividades do casal, como cavalgar ou nadar. Um ótimo exemplo de como o artista poderia ser inovador na diagramação.

A Arte Espetacular de Ron Turner


Ron Turner foi um ilustrador e desenhista britânico conhecido principalmente por seu trabalho pioneiro no gênero da ficção científica.

Nascido em 1922, na Inglaterra, Turner cresceu fascinado pelas tiras de jornal de Flash Gordon, ilustradas por Alex Raymond, e pelas capas das clássicas revistas pulp de FC. Seus primeiros traços foram justamente tentativas de imitar essas ilustrações.

Aos catorze anos, conseguiu um emprego como aprendiz no estúdio de arte da editora Odhams Press. Dois anos depois, em 1938, começou a colaborar com a revista Modern Wonder, mas sua carreira artística foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito, foi contratado para desenhar a série em quadrinhos Big, que narrava as aventuras da tripulação da "Toupeira Atômica" — uma nave que explorava as profundezas da Terra.

Quando a Odhams passou a publicar romances de ficção científica em formato paperback (livros de bolso), Turner foi encarregado de ilustrar as capas. O sucesso de suas artes foi tão marcante que diversas outras editoras começaram a encomendar trabalhos semelhantes.

Na década de 1960, ilustrou quadrinhos e tiras de franquias consagradas como Doctor Who, Jornada nas Estrelas (Star Trek) e Terra de Gigantes. Já na década de 1970, chegou a desenhar o icônico personagem Juiz Dredd para a lendária revista 2000 AD.











quinta-feira, outubro 22, 2026

Arcimboldo

 


Arcimboldo é, provavelmente, um dos mais criativos pintores de toda a história da arte. Seus retratos eram feitos a partir da junção de imagens: flores, verduras, frutas, raízes e até animais. Foi protegido do rei Fernando I, monarca do reino da Boêmia, e de seus sucessores. Na época, a Boêmia, embora fosse um reino católico, era um local bastante tolerante, o que permitiu que o pintor pudesse realizar sua arte repleta de dualidade e simbologias. Embora tenha sido ignorado após a sua morte e quase esquecido por séculos, Arcimboldo foi resgatado pelos surrealistas, que o consideravam uma forte influência. Foto no Museu do Louvre.

O homem que copiava

 


Se há um filme cuja força está no roteiro, esse é O homem que copiava. Lançado em 2003 e escrito e dirigindo por Jorge furtado, ele conta a história de André (interpretado por Lázaro Ramos), um operador de fotocopiadora apaixonado por uma vizinha que ele espiona toda noite através de um binóculo.

O roteiro é do tipo em que um fato vai puxando o outro que puxa outro etcetera. Para impressionar a garota ele fica de comprar um Chambre na loja que ela trabalha. Para isso ele falsifica dinheiro na xerox. Para trocar dinheiro, ele faz um jogo na lotérica. Cada um desses pequenos fatos, aparentemente aleatórios vai ganhando importância na trama. Até mesmo a galinha do clímax ganha relevância. 

Além disso, temos uma ótima caracterização dia personagens, tão diversos quanto carismáticos. O elenco, afinado, ajuda a dar credibilidade para a história. Além de Lázaro Ramos, temos Leandra Leal, como a garota interesse romântico do protagonista, Luana Piovani, como a colega de trabalho que só pensa em casar com um homem rico e Pedro Cardoso, o malandro dono de uma loja de usados.

Se não bastasse tudo isso, temos uma reviravolta final que ressignifica tudo. O espectador percebe que tudo que viu até ali não era nada do que ele imaginava. 

O filme está disponível na Netflix.

Hulk e Coisa: A grande mudança

 


Se há dois personagens da Marvel que merecem ser chamados de pesos-pesados são o Hulk e o Coisa. E os encontros dos dois sempre renderam boas histórias. Um dos mais célebres desses encontros foi a história A grande mudança, publicada no Brasil no primeiro número da coleção Graphic Marvel.
Essa graphic era também o encontro de dois monstros, mas dessa vez da indústria de quadrinhos: Jim Starlim e Berni Wrightson.
A história tinha uma forte pegada de humor, o que já fica explícito desde a primeira página, com close do Coisa com um tomate esmagado no alto de sua cabeça e o suco escorrendo pelo rosto. O texto dava a entender que ele estava enfrentando um grande inimigo. Quando viramos a página descobrimos que o grande inimigo era... a turma da rua Yancy! Antes que seja atigindo por novos tomates, ele é teleportado. O mesmo acontece com o Hulk numa sequência hilária em que um escultor faz uma grande estátua em homenagem ao Coisa, e esta acaba sendo destruída pelo... gigante esmeralda!
Os dois são teleportados para um planeta onde devem entregar uma intimação para um mafioso que sequestrou um cientista. Em troca, terão direito a dois desejos.
Starlin abusa dos trocadilhos no nome os personagens. O cientista chama-se  Dhu Ente. O sequestrador chama-se Kissal Afrário e seu chefe responde pela singela alcunha de Senth Obbraço.


Berni Wrightson conseguia unir humor com desenho anatômico.

É uma sequência momumental de situações absurdas e hilárias. À certa altura, por exemplo, o Hulk precisa se disfarçar e não pensa duas vezes: soca um ser no formato de polvo e o coloca na cabeça.
Se o texto é muito divertido, o desenho é um deslumbre.  Wrightson é um mestre do desenho e da narrativa, que consegue aliar um desenho anatômico com humor e fazer algumas splash pages realmente fantásticas.
Essa graphic é um ótimo exemplo de é que possível fazer quadrinhos fast food, como pura diversão e ainda assim manter a qualidade.