Uma série longeva como Mestre do Kung Fu não poderia
se ancorar indefinidamente apenas nos embates contra Fu Manchu — as primeiras
histórias da revista demonstraram o quanto essa dinâmica poderia se tornar
tediosa. Desse modo, era imperativo criar adversários que estivessem à altura
do herói. Um dos mais emblemáticos foi Mordillo, antagonista que surgiu na
edição #33, em uma saga que se estendeu até o número #35 da publicação
norte-americana.
Essa saga marca a introdução de Leiko Wu, que viria a se
tornar uma personagem fundamental e o grande interesse romântico na mitologia
da série. Na trama, ela é hipnotizada para memorizar o segredo de uma arma
letal, um dispositivo capaz de abrir fendas na camada de ozônio e canalizar
raios ultravioletas para destruir localizaciones geográficas específicas.
Contudo, essa mesma programação mental fez com que ela esquecesse os dados
estratégicos, e a única pessoa que detinha a chave psicológica para resgatar tal
lembrança acabou sendo morta.
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| Em sua primeira aparição, Leiko é sequestrada pelo vilão Mordillo. |
Leiko é então sequestrada por um agente infiltrado, Simon
Bretnor, que havia se aproximado dela fingindo ser seu namorado. Bretnor, na
verdade, é ninguém menos que o próprio Mordillo, um vilão especializado em
robótica que construiu uma base em uma ilha isolada nos moldes de um parque
temático maluco. O cenário surrealista inclui um domo geodésico, um castelo
medieval, uma pirâmide e até um sapato gigante, sendo inteiramente povoado por
autômatos que imitam atrações de parque de diversões, como um trenzinho dotado
de um rosto humano estilizado e sorridente.
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| A história tinha tanto texto que não parecia sobrar espaço para o dessenho. |
A ilha de Mordillo, palco onde se desenrola a narrativa,
constitui um dos pontos altos de criatividade do roteirista Doug Moench, com
especial destaque para o robô Brynocki, cujas feições caricatas lembram um
boneco de desenho animado clássico e que profere tiradas bizarras como:
“Sabe o que é, chefia? Eu estava andando pela praia
quando te vi entranhado com a mocinha aqui e achei melhor laçar a bezerra e te
dar uma mão”.

O desenho de Gulacy parece vazio em alguns quadros.
Apesar da excelente premissa conceitual e de algumas
sequências de ação empolgantes, o resultado final do arco fica um pouco aquém
do esperado. O desenhista Paul Gulacy ainda estava em fase de testes com o seu
traço e sofria visivelmente para compor imagens de escala grandiosa — como na
primeira aparição da ilha, cujos cenários pareciam excessivamente vazios e
planos.
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| Brynocki chama atenção desde sua primeira aparição. |
Por outro lado, o roteiro mostrava-se um tanto capenga,
exibindo furos consideráveis de desenvolvimento. A revelação da traição de
Simon Bretnor/Mordillo simplesmente não impacta o leitor, pois o personagem já
é apresentado desde o primeiro instante sob uma aura suspeita e vilanesca. Um
Moench mais maduro saberia introduzir o coadjuvante gradualmente, preparando o
público com ganchos sutis antes da grande revelação de que se tratava de um
espião inimigo. O mesmo problema de construção afeta Leiko Wu, que carecia de
um background mais elaborado para que seu envolvimento emocional com
Bretnor fizesse real sentido narrativo.
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| A vilã Pavane reaparece, mas não faz quase nada. |
Além disso, Moench parecia acreditar que o melhor texto é o
texto excessivo. Em algumas sequências, o diálogo é tão carregado que os
personagens parecem se espremer no canto dos quadros.
As motivações do vilão também revelam-se consideravelmente
fracas. Mordillo ambiciona apenas obter a quantia de um milhão de dólares e, no
processo de chantagem global, decide de forma inconsequente destruir até mesmo
a sua amada ilha repleta de autômatos.
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| Brynocki protagoniza a cena mais tocante da história. |
O ponto alto e verdadeiramente memorável da história, no
fundo, reside na figura trágica e cômica do robô Brynocki. A cena final, que
mostra a criatura abraçada ao esqueleto inerte do vilão prometendo nunca
abandoná-lo, consegue ser genuinamente tocante. Brynocki demonstrou tanto
carisma que, futuramente, viria a ser resgatado e reaproveitado por Doug Moench
em outra trama memorável.









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