quarta-feira, maio 06, 2026

Demolidor – O arauto da morte

 


Até o final da década de 1970 o Demolidor era um dos personagens da Marvel que pareciam que nunca iam decolar. O personagem já passara por várias fases: do herói galhofeiro da fase Stan Lee a parceiro da Viúva Negra na fase de Gerry Conway. Mas nada conseguia alavancar as vendas que iam tão mal que o título passou a bimestral. A razão disso parecia estar ligada ao fato de que o herói não parecia ter uma identidade própria, que o distinguisse dos outros personagens da Marvel. Isso só iria mudar em 1979, quando um jovem talento foi agregado ao título. Seu nome? Frank Miller.

Miller estreou em Daredevil 158, de maio de 1979.

A história em questão era uma continuação do número anterior, com plot de Roger McKenzie, texto de Mary Jo Duffy e desenhos de Gene Colan e Klaus Jason (imaginem a responsabilidade de Miller ao substituir Colan!). Nessa história o Demolidor enfrentava o Araúto da Morte, que depois mandava os Homens-animais para sequestrarem Matt Murdock.

Miller foi anunciado com grande alarde. 


A história do numero 158 começa no escritório de advocacia: o local está destruído, com uma mesa derrubada, papeis espalhados, Foggy Nelson caído no chão, a Viúva Negra enxugando o sangue que escorre de sua boca enquanto os Homens-animais tentam capturar o advogado cego. A cena é construída de modo que não vemos o que está acontecendo de fato (a tentativa de sequestro), mas apenas suas consequências e já ali tinha um pouco da genialidade de Miller.

Os editores pareciam adivinhar o futuro, pois anunciaram Miller com todas as honras. Num grande balão de splash, toda a equipe criativa dá boas-vindas à chegada daquele que é anunciado como desenhista sensação. Talvez fosse apenas mais uma daquelas jogadas de marketing que Stan Lee usava tanto, mas com hoje em dia parece profético.

Miller inovou ao mostrar o radar do herói. 



Os antagonistas não são nem de longe relevantes (tanto que um deles, o Homem-pássaro, é derrubado por um objeto jogado pela secretária de Matt Murdock). Embora o vilão principal, o tal do Arauto da Morte, fosse um adversário perigoso, era apenas mais um dos muitos vilões da Marvel. 

Miller dava um show nas sequências de ação. 


O que faz com que essa trama insossa ganhe relevância é a narrativa de Miller, em especial quando começa o confronto entre herói e antagonista. Na primeira página dessa sequencia, Matt Murdock se transforma em demolidor em cinco quadros que são um exemplo perfeito de como miller era um narrador nato que sabia usar muito bem ângulos e planos. Na mesma página vemos também a solução gráfica de Miller para o radar, com círculos concêntricos  que funcionam perfeitamente.   

Uma história boba, que com o tempo seria vista como um clássico.

terça-feira, maio 05, 2026

Watchmen

 



Watchmen surgiu de um pedido que Dick Giordano, editor da D.C., Comics fez a Alan Moore. A editora do Super-homem adquirira os direitos sobre os heróis da extinta Charlton Comics e a idéia era fazer uma minissérie em 12 partes com eles. Mas a proposta apresentada pelo roteirista era tão revolucionária que Giordano resolveu dissociá-la dos heróis da Charlton. Assim, o Capitão Atómo tornou-se o Dr. Manhattan, o Pacificador tornou-se o Comediante e o Besouro Azul contentou-se com o título de Nite Owl.
 O enfoque básico de Watchmen partia de uma idéia que Moore já havia experimentado em Miracleman: o que aconteceria se os super-heróis realmente existissem?
Moore havia pensado nessa possiblidade quando ainda era criança e lia as paródias de Harvey Kurtzman na revista Mad, que mostrava, por exemplo, o Super-homem fazendo compras num supermercado. Mas Kurtzman usava o recurso para causar um efeito cômico e Moore pretendia, girando o parafuso, alcançar um efeito dramático.
Assim, Moore faz a pergunta: como seria um mundo sobre o qual os super-heróis realmente caminhassem? Como eles se relacionariam com os seres humanos normais, quais seriam suas angústias, que consequências isso teria?
Para responder a essas perguntas, Moore lançou mão de um dos princípios da teoria do caos: o efeito borboleta. Esse conceito foi elaborado a partir da grande dependência das condições iniciais apresentadas pelos fractais. A mudança de um único número pode transformar completamente o formato de um desenho fractal.  A mesma regra vale para alguns eventos não lineares. Assim, o bater de asas de uma borboleta em Pequim pode modificar o sistema de chuvas em Nova York.
                Moore transpôs o conceito para os quadrinhos. Se o bater de asas de uma borboleta pode ter consequências tão imprevistas, imagine-se o surgimento de super-heróis... Para Moore, o mundo jamais seria o mesmo.
                Até então, os avanços tecnológicos conseguidos pelos super-heróis não afetavam em absoluto o mundo em que viviam. Um exemplo disso são as histórias do Quarteto Fantástico, no qual apareciam foguetes estelares e computadores capazes de criar realidade virtual, mas isso não mudava em nada a vida das pessoas comuns.
 O mundo de Watchmen que, até a década de 60 era semelhante ao nosso, transforma-se com o surgimento do primeiro herói com superpoderes de verdade, o Dr. Manhathan, um ser tão poderoso que um cientista teria dito sobre ele: “Deus existe, e é americano!”.
Assim, no mundo de Watchmen, carros elétricos são realidade, assim como perus com quatro coxas. Os EUA ganharam a guerra do Vietnã e Nixon permaneceu no poder, se reelegendo vezes seguidas. Tudo mudou, do micro ao macro.
Isso tudo é contado de forma realista, com heróis que morrem porque a capa enganchou na porta giratória do banco ou vilões que fogem porque o herói precisou parar a perseguição para ir ao banheiro.
Outra inovação foi a forma narrativa: Watchmen é repleto de flash-backs que vão destrinchando os personagens, suas motivações e os acontecimentos que, como um efeito borboleta, mudaram tudo. Moore inovou também ao colocar anexos às HQs, que ajudam a contar a história: prontuários médicos, trechos de livros, artigos científicos. Tudo isso forma um quebra-cabeça que precisa ser montado pelo leitor.
Watchmen é tão complexo que foi alvo de diversos estudos acadêmicos, que destrincham seus aspectos filosóficos, científicos, sociológicos. Ou seja: uma obra com múltiplas leituras.

Silenciadas

 


Silenciadas, filme espanhol dirigido por Pablo Agüero e lançado aqui pela Netflix parte de um fato histórico: a perseguição às “bruxas” pela inquisição na região dos países bascos.

No século XVII o juiz francês Pierre de Rosteguy de Lancre promoveu o massacre de centenas de mulheres. Ele vangloriava-se de ter queimado mais de 600 pessoas. A perseguição se estendeu até a Espanha e no final, entre os anos de 1609 e 1614, 6 mil pessoas foram queimadas na fogueira e outras 5 mil morreram na prisão.

No filme, um grupo de mulheres é presas depois de serem vistas dançando na floresta. O filme detalha a forma como aconteciam os processos contra as mulheres suspeitas de feitiçaria: não era permitido a elas sequer saber quem as havia denunciado. Na verdade, nem mesmo a acusação era conhecida (inicialmente elas acreditam que estão sendo presas por terem roubado uma cabra).

Era um jogo impossível de ser vencido: ao recusassem a confessar que eram bruxas as mulheres eram torturadas até a confissão, e se no fim isso não acontecesse, queimadas vivas da mesma forma. O processo para descobrir “provas físicas” demonstra bem isso. Pelo que acreditavam os inquisidores, o diabo havia colocado em mulheres uma marca na pele que se tornava insensível à dor. Esse processo de descoberta da marca era feito furando a pele da mulher. Se ela demonstrasse dor, partia-se para outro ponto (e os locais poderiam ir dos olhos ao órgão sexual). A única forma de parar a tortura era tentar demonstrar que não sentia dor em algum local – e o carrasco conseguia a prova da marca do diabo.

Só por demonstrar esse processo, o filme já valeria a pena – até pela ótima atuação das atrizes. A trama, no entanto, traz um elemento que faz toda a diferença: percebendo que os homens da aldeia vão voltar do mar, onde estão pescando, e podem salvá-las, a protagonista resolve ganhar tempo convencendo o inquisidor a fazer o ritual do Sabbath das bruxas.

É quando o filme engrena, ao demonstrar o quanto das acusações envolviam na verdade, fantasias sexuais dos inquisidores. Ana, a protagonista, vai criando sua versão do sabbath a partir das sugestões do inquisidor Rostegui. Enquanto ela fala, ele nitidamente parece estar chegando à beira do paroxismo sexual.

O ritual é outro ponto alto do filme, com as moças dançando e cantando uma canção folclórica enquanto o inquisidor mostra-se extasiado.

Uma curiosidade: pesquisando sobre o filme encontrei algumas pequenas resenhas de usuários do site Adoro Cinema. Uma delas reclamava que o filme não deixava claro se elas eram bruxas ou não! Provavelmente a pessoa tinha assistido Silenciadas achando que se tratava de um filme de terror sobre bruxas. Mal sabe ele que muitas vezes a maior fonte de terror é o próprio ser humano. 

Conan – Sombras de ferro ao luar

 


O trio de criadores Roy Thomas, John Buscema e Alfredo Alcala é provavelmente o mais célebre do personagem Conan. Entre as muitas histórias magníficas que fizeram, Sombras de ferro ao luar com certeza entraria em qualquer lista das melhores.

Publicada em Savage Sword of Conan 4, de fevereiro de 1975, a história começa com Shah Amurath perseguindo uma escrava, Olívia, pelos pântanos. A garota fugiu de seu cativeiro, mas foi alcançada pelo amo. Indomável, ela arranha do rosto do seu perseguidor, o que faz com ele decida matá-la, não sem antes estuprá-la.

É quando aparece pela primeira vez o cimério, numa splash page impressionante. A garota, em primeiro plano, tem a boca aberta num grito abafado, os olhos desesperados. O capitão agarra os braços frágeis da moça enquanto olha por cima do ombro e vê Conan surgindo no meio dos juncos ocupando quase metade da página. Não há aqui nada do elegante guerreiro de Barry Windson Smith. O que vemos é um selvagem grosseiro, o rosto tomado pelo ódio. A composição é impressionante.

A primeira aparição do templo é uma imagem impressionante. Mérito de Alfredo Alcala.


Ficamos sabendo que Conan fazia parte de um grupo de salteadores chamados Kozak, que havia sido dizimado pelas tropas de Shah Amurath. Só Conan sobrevivera, escondendo-se no pântano. E a fúria vingativa deste é mortal. Ele mata o comandante e para não ser pego pelos guardas, foge num barco – e a garota pede para ir com ele. Eles vão parar numa ilha aparentemente desabitada, mas coisas estranhas acontecem. Uma pedra imensa é lançada contra eles. Uma pedra tão pesada que até Conan tem dificuldade de levantar.

Buscando refúgio, eles entram na floresta e encontram um templo com estátuas que parecem vivas. A primeira vez que vemos esse templo a imagem é impressionante. Alcala capricha ao máximo, introduzindo centenas de detalhes para dar ao local uma impressão de abandono, mistério e terror. O mais impressionante ainda é saber que ele conseguia fazer várias dessas páginas por dia.

A sequência do sonho de Olívia é uma amostra da qualidade literária de Thomas. 


Claro que a situação vai gerar muita ação, violência e um ser gigantesco e ancestral, como é padrão nas histórias do cimério. Mas isso é feito com maestria absoluta tanto em termos de desenho quanto de roteiro. Enquanto Roy Thomas parece preguiçoso em outras histórias da mesma época, aqui ele parece inspirado. A sequência em que Olívia dorme e sonha com a explicação a respeito do templo é um exemplo de como o texto desse roteirista pode alcançar verdadeiros picos de qualidade literária: “Olívia sonha... e o mal rasteja em seus sonhos... seus sonhos são migalhas exóticas e pitorescas... fragmentos de sinais desconhecidos, estilhaçados... e ela flutua entre eles como uma felina ágil corre por jardins floridos... até que, de repente, eles se cristalizam numa imagem de horror e loucura!”.

Embora essa história seja uma adaptação de um conto de Robert E. Howard, esse texto não consta na obra original, o que mostra como Roy Thomas era capaz não só de adaptar bem Howard, mas de ainda acrescentar algo ao material original.

Uma curiosidade sobre essa história é que Olívia não tem nada cobrindo os seios durante toda ela. Mas os cabelos longos repousam cautelosamente sobre eles em todos os quadros.  

Homem-Animal – Deus Ex Machina

 

  

Toda a fase final do Homem-Animal sob a batuta de Grant Morrison parecia se guiar na direção de uma metalinguagem cada vez maior. Assim, não é espantoso que o personagem acabasse encontrando com seu roteirista.

Isso acontece nos números 25 e 26 do título.

No começo, o Homem-Animal vai parar em um limbo de personagens onde um macaco está escrevendo em uma máquina datilográfica e, segundo a lenda, um dia haverá de escrever uma história que irá tirar todos dali. Isso, obviamente, é uma referência direta ao famoso teorema do macaco, segundo o qual um macaco datilografando eternamente, em algum momento irá escrever uma obra prima, como uma peça do William Shakespeare.

Morrison homenageia personagens esquecidos da DC. 


O grupo de personagens encontrados pelo herói inclui alguns dos mais obscuros da DC Comics, como o Bobo da Corte, o Quinteto Inferior e o Abelha Vermelha. Os personagens imploraram para que o Homem-animal os tire de lá e um deles chega a dizer que ninguém se importa com eles. Vemos, então, uma imagem de Grant Morrison digitando no teclado e a legenda: “Eu me importo. Todas as coisas que significaram tanto quando éramos jovens estão perdidas... ou então esquecidas”.

É curiosa uma declaração como essa numa época de descontrução dos super-heróis, uma época em que era chique escrever super-heróis e dizer que não gostava deles. Fica óbvio que Morrison é apaixonado por esses personagens obscuros da DC e usa a história para homenageá-los.

A trama do macaco não dá em nada. 


A trama não vai muito além disso, no entanto.

O outros personagens avisam que o macaco está morrendo e o herói o pega no colo e anda com ele por páginas e páginas procurando uma tal cidade que nunca é encontrada.

No final dessa primeria parte, o Homem-Animal encontra com Morrison. “Eu sou o gênio maligno por trás dos bastidores. O marionetista que move os fios para você dançar. Eu sou seu roteirista”.

A história inclui Morrison fazendo uma auto-crítica.

Você matou minha família só para conseguir apelo emocional barato? 


“Por que eu tenho vagado por uma série de eventos não-relacionados, com pessoas me dizendo que tudo é relacionado?”, pergunta o personagem.

“Bom, esse é o problema com as minhas histórias... elas parecem avançar rumo a coisas que nunca acontecem de verdade!”.

Apesar da auto-crítica, muito justa por sinal, fica óbvio também que Morrison está usando a história para se auto-promover, algo no qual o roteirista sempre se mostrou um mestre.

Morrison usa a história para se auto-promover. 


Há um outro problema: o final dessa trama faz com que toda a saga da morte da família de Buddy Barker, assim como o ciclo de vingaça, perca todo o sentido. “É fácil obter choque emocional barato matando personagens populares”, admite Morrison.

A história é inovadora no meio dos super-heróis (Maurício de Sousa já usava o recurso, de aparecer nas histórias, muitos anos antes, na Turma da Mônica) e chega a ser até divertida, mas no final fica mesmo a impressão de que é apenas uma peça de marketing pessoal.

O Minotauro, de Monteiro Lobato

 

 

Em 1939, Monteiro Lobato resolveu levar o pessoal do Sítio do Pica-pau Amarelo para a Grécia antiga. A desculpa era procurar a Tia Nastácia, que havia desaparecido no livro anterior (Pica Pau Amarelo), tendo sido levada por um monstro (depois descobre-se que se tratava do Minotauro).

Como na maioria dos livros infantis de Lobato, o limite era apenas a imaginação dos personagens. Bastava querer e eles iam parar onde e quando quisessem (Lobato inventa inclusive um segundo pirlimpimpim,que permite viajar no tempo e não só no espaço).

Uma das características que fazem dos livros de Lobato tão agradáveis de ler é a forma natural com que ele coloca informações dos mais variados tipos em meio à trama. Assim, o livro já inicia com Dona Benta comentando diversas informações sobre a Grécia antiga. Ou, nos dizeres de Lobato, “Dona Benta ia derramando pingos de História na cabeça das crianças”.

Assim descobrimos, por exemplo que “Aurora era a deusa grega da manhã, que abria o dia com seu carro puxado por corcéis de asas, com uma estrela na testa e um archote aceso na mão”.

Os pica-paus vão parar na Grécia em seu auge, sob o governo de Péricles e conhecem várias figuras históricas, como o próprio Péricles, o escultor Fídias, o teatrólogo Sófoles e o filósofo Sócrates. É uma verdadeira aula de história, artes e filosofia. Fiquei imaginando como seria um livro de história da filosofia escrito pelo criador da Emília.

Em uma trama paralela, Pedrinho, Visconde e Emília retornam ainda mais no tempo e chegam a fazer uma visita ao Olimpo antes de salvar a Tia Nastácia das garras do Minotauro. O monstro acabara se viciando nos bolinhos da cozinheira.

Um aspecto que hoje pode incomodar no livro é seu eurocentrismo. A influência da Grécia no mundo, e em especial no Brasil é exaltada no livro, como se pode ver no trecho: “Pequenina foi a Grécia em tamanho – e tornou-se o maior povo da Antiguidade pelo brilho da inteligência e pelas realizações artísticas. Tão grande foi o seu valor que até hoje o mundo anda impregnado de Grécia”. É preciso ressaltar, no entanto, que àquela época, poucos pensadores se debruçavam sobre a cultura ou filosofia que não fosse de origem greco-romana. O pensamento oriental, por exemplo, só se tornou conhecido entre nós a partir da década de 1970.

Outro aspecto a destacar é a personalidade complexa e muitas vezes contraditória de Lobato, inclusive em termos de opinião. Se no início do livro ele critica a arte moderna na comparação com a arte grega, lá para a frente ele diz: “A arte é uma estilização, isto é, uma falsificação da natureza, em certo sentido. Você bem sabe que não é nas fotografias que encontramos o belo – é nos desenhos que modificam o real segundo o gosto do desenhista”. A citação, aliás, deixa claro que àquela época a fotografia não era considera uma arte, como hoje. 

Demolidor – Renascido

 


A principal característica do Demolidor de Frank Miller foi expressa textualmente na quarta parte da saga A queda de Murdock. Depois de quase ter sido morto pelo Rei do Crime, de ter sido atropelado, esfaqueado e ter se tornado um mendigo, ele é socorrido por uma freira e se recupera no hospital da igreja e pensa: “Tudo mais da minha vida se foi, exceto a lição que aprendi de meu pai. Nunca desista. Nunca”.

Esse é o grande mote da série. Frank Miller empurra o Demolidor até o fundo do poço, mas mesmo assim ele consegue se reerguer, como vemos na história Renascido.

A splah page de Murdock deitado agora mostra seu renascimento e sua relação com o catolicismo. 


É bom lembrar que essa recuperação do personagem não é aleatória ou forçada. A presença de uma freira, que se desconfia ser a mãe do personagem é o ponto de equilíbrio que faz com que ele volte à sanidade perdida nos tempos da queda.

Enquanto Matt Murdock se recupera, inclusive psicologicamente, Karen Page tenta encontrá-lo. Para chegar aos EUA ela se tornou amante de um violento traficante de drogas que poderá matá-la caso descubra que ela pretende abandoná-lo.

Miller e Mazzucchelli reproduzem o ambiente caótico de uma redação de jornal. 


Mas, de toda a história, o trecho mais impressionante é focado no repórter Bem Urich.

Frank Miller e David Mazzucchelli conseguem reproduzir com perfeição o ambiente caótico de uma redação de jornal da época da máquina de escrever. Um editor está dando um bronca em Urich por ele, aparentemente, ter se tornado incapaz de escrever um texto decente depois que seu dedo foi quebrado a mando do Rei.

Ben Urich ouve pelo telefone um homem sendo morto... 


Urich recebe uma ligação. É o policial que denunciou Matt Murdock disposto a fazer uma declaração de que mentiu. Nisso entra a enfermeira a serviço do Rei e o mata. São 14 quadros horizontais, alternando entre a cena do hospital e o ambiente do jornal.  A imagem vai se aproximando cada vez mais do rosto de Urich, seu olhar de desespero enquanto ouve pelo telefone o seu informante sendo assassinado.

A sequência toda é torturante. Para destacar esse efeito, o próprio desenho do personagem muda: de realista no início para uma imagem expressionista, com o rosto alongado e distorcido, como se Miller e Mazzucchelli estivessem procurando reproduzir a inquietação de quadros como O grito, de Munch.

... e sua reação é de terror. 


Por mais revolucionária que fosse qualquer outra história de Miller no Demolidor, nunca ele havia chegado a tal impacto narrativo, o que mostra que a parceria com Mazzucchelli era o encontro de dois gênios dos quadrinhos.

Guerra dos Tronos e a manobra Kansas City

 

ATENÇÃO: Contém spoiller da sétima temporada
O episódio 3 da sétima de GOT foi um bom exemplo do uso no roteiro da chamada Manobra Kansas City. Essa expressão surgiu no filme Cheque mate e exemplifica a técnica usada pelos mágicos: faça todos olharem para a direita, enquanto o que é realmente importante está acontecendo à esquerda. 
É um dos expedientes prediletos de George Martin e um dos atrativos da série, uma das razões pelas quais alguns episódios surpreendem o público.
No episódio em questão acompanhamos o ataque das forças de Danierys ao rochedo Casterly, sede da família Lannister. Sob a narração de Tyrion, acompanhamos como os soldados irão invadir o castelo através de uma passagem secreta ao invés de um ataque frontal. A narrativa enaltece as habilidades e motivações dos soldados da rainha dos dragões, que lutam por fidelidade e amor a ela. O heroísmo da narrativa irá contrastar com o fracasso da missão, criando uma ironia narrativa que pega o expectador desprevenido.
Mas, enquanto ocorre o ataque, que parece um sucesso, acontece, Jamie Lannister está comandando um ataque aos Tyrell, o reino mais rico e estratégico dos sete reinos.
Ou seja: Danierys conseguiu um rochedo cujas riquezas já foram todas exauridas e Cercei agora tem em suas mãos uma riqueza incalculável, que irá abastecer seu exército e pagar suas dividas.
Aliás, o ataque aos Tyrell é uma pérola da elipse: vemos apenas o exército chegando e depois Jamie caminhando entre os defensores, mortos e, finalmente, conversando com a derrotada avó Tyrell.

segunda-feira, maio 04, 2026

Homem de Ferro enfrenta o Cavaleiro Negro

 

 

Uma das regras básicas dos heróis da Marvel em sua origem era o princípio que Stan Lee chamava de “pés de barro” ou seja, uma deficiência qualquer que os fazia mais humanos e menos perfeitos. A expressão tinha ver com a expressão “ídolo de pés de barro”.

No Homem de Ferro essa falha era o problema do coração, que o fazia usar uma placa peitoral e praticamente o obrigava a usar a armadura. 

O Cavaleiro Negro ataca a fábrica...


Em muitas histórias essa falha era o motivo dramático da trama, como na história publicada em Tales of Suspense 59. 

Na história, o Cavaleiro Negro ataca a fábrica de Tony Stark e justamente nesse momento o dispositivos peitoral falha. Para isso ele precisa recarregar a placa. Ironicamente, é a preocupação dos amigos Happy Hogan e Pepper Pots que coloca sua vida em risco, já que eles insistem em levá-lo para o hospital só invés de deixá-lo entrar no escritório para recarregar. 

...justamente nessa hora o dispositivo peitoral descarrega. 


Comparado com esse drama pessoal, a luta contra o vilão parece menos perigosa ou mesmo urgente. 

Foram tramas como essa que ajudaram a sedimentar o estilo Marvel e fizeram com que até um personagem menor, como o ferroso, vendesse bem.

Camelot 3000 – Cavaleiro Judas

 


No número 8 da série Camelot 3000 o grupo é traído, colocando fora de ação o feiticeiro Merlin, o que os deixa sem a proteção mística.

Mike W. Barr constrói muito bem o roteiro, usando a estratégia de levar o leitor a pensar que algo aconteceu de uma maneira, quando na verdade, aconteceu de outro jeito.

Morgana oferece um acordo. 


Nos números anteriores, Morgana já havia aparecido para Tristão com a promessa de transformá-la e um homem caso ela traísse os companheiros. Essa edição inclusive começa com esse acordo, selado pela entrega de uma gargantilha com o símbolo masculino.

De fato, sob a orientação de Morgana, alguém entra no quarto de Merlin e destrói um amuleto. Ato contínuo, uma mulher misteriosa chamada Nyeve sequestra Merlin e o leva para um destino desconhecido.

Merlim é aprisionado. Quem é o traidor? 


Ao entrar no quarto do feiticeiro, Arthur encontra Tristão, agachado ao lado do amuleto quebrado. Barr constrói a narrativa de modo a fazer o leitor acreditar que Tristão é o traidor, mas quando ele segura Excalibur e jura que não é o traidor, a espada não o mata, provando sua inocência.

Essa estratégia de roteiro tem sido chamada de trapaça Kansas City (ela é citada com esse nome no filme Xeque Mate). A trapaça, que resume a tática usada pelos mágicos, consiste em fazer a plateia olhar para um lado quando o que é realmente importante está acontecendo em outro lugar.

Tom se sacrifica para salvar o Rei Arthur. 


Assim, todas as pistas a respeito de Tristão têm como objetivo esconder do leitor o verdadeiro traidor, que é descoberto logo depois.

Em paralelo a isso, Morgana e o diretor de segurança da ONU aproveitam a ausência de Merlim para efetuar um ataque contra Nova Camelot. Um ataque no qual Arthur quase é morto, sendo salvo pelo seu traidor e por Tom, que sobrevive, mas em estado grave. Esse é o gancho para que os cavaleiros decidam procurar pelo santo Graal, o cálice capaz de curar qualquer ferida ou doença. 

A ilha do Cumbu em Belém

 

Uma das atrações mais incríveis para quem visita Belém é a ilha do Cumbu, a apenas 15 minutos de Belém. Para ir para a ilha é possível pegar um barco na praça Princesa Isabel, na rua Alcindo Cacela, no bairro do Condor. A passagem é uma média de cinco reais a sete reais por pessoa.

A ilha é uma grande produtora de açaí e cacau e tem uma fábrica de chocolate - um dos itens básicos do passeio é visitar a fábrica e comprar o chcolate artesanal.
Há vários restaurantes-balneários, mas o melhor parece ser o Saldosa Maloca. Sim, saldosa com L. Pelo que nos explicaram, a primeira placa foi escrita de maneira errada e para não perdê-la, o dono resolveu deixar esse nome diferenciado.


O restaurante, como fica de frente para o rio, é muito ventilado e ornamentação é um dos diferenciais. Fica uma dica: eles vendem um copo de água por cinco reais. O copo vem caracterizado e já seria uma ótima lembrança, mas tem mais: dá direito a refil. Ou seja, o cliente pode beber água quantas vezes quiser. Ou seja: uma ótima lembrança e água a preço muito baixo. Os pratos são deliciosos, com destaque para o peixe.
Vários barquinhos fazem a travessia para a ilha. 



O chalé da ilha conta com balneário e até rede dentro da água.



Chalé da ilha é uma boa opção para quem busca diversão. 


A ilha permite uma bela vista de Belém.