segunda-feira, agosto 17, 2026

Homem-Animal - O mito da criação

 

 

A revista Secret Origins era uma publicação dedicada a recontar a origem dos personagens da DC Comics. No número 39 o astro foi o Homem-Animal, o que mostra o sucesso que a releitura de Grant Morrison estava fazendo. Afinal, o gibi do personagem estava sendo publicado há menos de um ano.

A história começa com o herói testando seus poderes e descobrindo que estão de fato descontrolado. A certa altura, por exemplo, ele tenta absorver os poderes de um cachorro, mas consegue os de uma pulga.

Os poderes do personagem estão descontrolados. 


A cena corta para dois alienígena que observam o personagem e refletem sobre o que está acontecendo com ele. 

Acho que devemos rever a criação do Homem-Animal, mas como nos lembramos”, diz um dos alienígenas.

Alienigenas teriam criado o herói? 


Maroto, Morrison usa o recurso para trazer, para a sua história, a primeira HQ do personagem (publicada em Strange Adventures 180) ao mesmo tempo em que o redefinia. Vale lembrar que Alan Moore já tinha usado, em Monstro do Pântano, um recurso semelhante.

A editora Abril não só publicou a história como.a colocou em ordem cronológica com relação a revista do personagem, o que mostra o cuidado editorial.

A fantástica história do homem que não existia

 


Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.

Perry Rhodan – O Mundo dos Regenerados

 


Uma das características que faziam de William Voltz um dos melhores — senão o melhor — escritores da série Perry Rhodan era o cuidado minucioso na construção do texto, como podemos observar no volume 252, O Mundo dos Regenerados.

O livro abre com uma nota sensorial direta:

"Uísque! A garrafa exalava um aroma inconfundível."

Trata-se do Major Don Redhorse que, por meio do Sargento Brazos Surfat, descobrira que o álcool livrava os humanos da influência dos Biodegradadores. Ele vai até o camarote do sargento justamente para confiscar a garrafa. No número anterior, os anões haviam conquistado a nave Crest III, dominando a tripulação através de uma substância expelida por eles durante seu processo de regeneração.

A busca pelo álcool era uma tentativa desesperada de remediar a situação. Mas não era a única frente de batalha: Rhodan, Atlan, Gucky e Kalak (um Engenheiro Cósmico) partiram para o planeta dos anões na tentativa de resgatar a gigantesca nave.

A capa original alemã. 


O volume foca principalmente na luta dos humanos para sobreviver em um mundo primitivo enquanto tentam retomar o controle tecnológico. Há passagens curiosas, como o fato de os anões possuírem uma civilização tão atrasada que utilizam fogueiras e tochas para iluminação, ao mesmo tempo em que usam seus dons biológicos para escravizar grandes sauros para o trabalho pesado.

No geral, é um volume interessante, embora menos empolgante que o anterior. Sentimos falta, por exemplo, do ponto de vista de Bitzos, o líder dos anões, que tanto enriqueceu a narrativa do livro 251.

Contudo, o desfecho é magistral em sua simetria. O livro termina com o Sargento Brazos Surfat recuperando-se do tiro que havia levado e recebendo de Don Redhorse uma garrafa. O texto reverbera a abertura, mas introduz uma ironia que transforma a sequência em humor refinado:

"O líquido que havia na garrafa era da cor do uísque. Mas o aroma que saiu dela era inconfundível. Chá!"

Como o exemplo demonstra, Voltz pensava o texto como um organismo vivo, onde as peças se encaixam como em um quebra-cabeça, recompensando o leitor atento com esse tipo de "eco" narrativo.

Fundo do Baú: Josie e as Gatinhas

 


Um grupo musical enfrenta perigos e mistérios em meio a muita comédia.

Parece familiar? Embora esse mote tenha sido usado por outros desenhos, como Tutubarão, Josie e as Gatinhas é um pioneiro do gênero. Josie and the Pussycats era uma revista em quadrinhos criada por Dan DeCarlo e publicada pela Archie Comics de 1963 a 1982.

A história era focada em Josie, uma ruiva de cabelos curtos que liderava a banda Pussycats. O grupo incluía também Valerie, a membro negra que tocava pandeiro, e Melody, uma loira de pouca inteligência que constantemente proferia frases sem sentido. O empresário do grupo era Alexander Cabot, um rapaz rico e covarde, sempre acompanhado de sua temperamental irmã, Alexandra. Completavam a equipe o gato Sebastian e o loiro musculoso Alan.

A série em quadrinhos fez tanto sucesso que foi adaptada para animação pela Hanna-Barbera de 1970 a 1972, num total de 32 episódios. A série é lembrada pela marcante trilha sonora, pelos colants de leopardo das meninas – incluindo orelhas felinas e rabos – e por Valerie, que se tornou a primeira protagonista negra de um desenho animado.

As histórias se passavam em vários locais do mundo, acompanhando as turnês do trio.

Um bom exemplo do tom de humor da série é o episódio "X Marca o Lugar", no qual um cientista em fuga se abriga no ônibus da banda. Ele está sendo perseguido por um homem invisível por ter descoberto a fórmula para torná-lo visível. A história mistura ação, mistério e humor, como na cena em que o vilão coloca Melody numa máquina da verdade para descobrir onde está a fórmula, mas as respostas da loirinha são tão sem sentido que a máquina simplesmente entra em pane e quebra.

domingo, agosto 16, 2026

O tempo e o vento

 


A trilogia O tempo e o vento, de Érico Veríssimo, é uma das obras mais importantes da literatura brasileira, em especial o primeiro livro, O continente, que narra a formação do estado do Rio Grande do Sul através das famílias Terra-Cambará. A obra é tão impactante que ganhou diversas adaptações audiovisuais, a mais recente delas dirigida por Jayme Monjardim e lançada no ano de 2013.

Monjardim e a roteirista    Letícia Wierzchowski enfrentaram um grande dilema: como condensar quase 500 páginas de um livro, passando por várias gerações de uma família, de forma coerente, no tempo de um longa metragem?

A estratégia escolhida  foi interessante por destacar uma personagem de pouco relevo em outras adaptações e até mesmo no livro Veríssimo.

A história começa durante o cerco ao casarão, no período da Revolução Federalista. Os Terra-Cambará estão entrincheirados lá dentro, passando por sede e fome, mas não desistem. Do lado de fora, a família inimiga, os Amaral, tenta a todo custo tomar o local. Esse início, aliás, é muito parecido com o da obra literária. As mudanças começam quando vemos o Capitão Rodrigo Cambará entrando na cidade. Ele passa pelos Amaral e pelos sitiados e adentra o quarto onde repousa a velha vovó Bibiana. Só então percebemos que ele é um fantasma, ou talvez uma lembrança dela. Ao conversar com seu amado, ela rememora toda a história de sua família, desde o mestiço Pedro Missioneiro, o ataque às missões com o massacre dos indígenas, sua fuga, a chegada, quase morto, à fazenda dos Terra e o romance com Ana Terra.

Essa abordagem surpreende e agrada por uma série de razões. Primeiro, por mostrar os acontecimentos sob o olhar de uma mulher. Segundo porque permite narrar fatos de uma forma contextualizada. Aliás, o filme vai além do primeiro livro, mostrando o fim da saga do casarão. Vale destacar o final, com forte teor simbólico e emotivo, que não consta no livro, mas bem poderia ser escrito por Érico Veríssimo.

Um aspecto do filme que vale o registro é a escolha de atores.

Thiago Lacerda orna perfeitamente com o Capitão Rodrigo, da mesma forma que Tarcísio Meira havia feito na minissérie da Globo. Mas um acerto digno de destaque diz respeito à escolha das atrizes. Cléo Pires revive o papel de Ana Terra, que havia sido interpretado por sua mãe, Glória Pires, na minissérie. Marjorie Estiano surpreende como Bibiana e sua aperência física combina perfeitamente com Fernanda Montenegro, que faz Bibiana idosa.

Vale também destacar a direção inspirada de Jayme Monjardim, com suas belíssimas imagens que contribuem para tornar esse filme tão épico quanto o livro.  

Homem de ferro – A vingança do mandarim

 


Já desde as primeiras histórias do Homem de Ferro, o Mandarim, já era o grande antagonista. Nas edições 54 e 55 de Tales of Suspense  vemos um dos mais memoráveis embates entre esses dois personagens.

Escrita por Stan Lee e desenhada por Don Heck, a história gira em torno de foguetes espiões fabricados por Stark que, após tirarem algumas fotos de países comunistas, desapareciam misteriosamente.

Quando li a história, achei muito estranho. Como assim? Foguetes? Até que entendi que tratavam na verdade de satélites espiões. Essa não é a única derrapagem científica de Stan Lee na história.

Conseguirá o herói escapar dessa armadilha? 


Imaginem quem está por trás do desaparecimento dos satélites? Ele mesmo: o Mandarim. Como sabe que o Homem de Ferro não passaria pelas defesas anti-aéreas do castelo do vilão, Tony Stark vai como civil pra o local a fim de ser capturado. Quando os guardas do Mandarim abrem a maleta, um gás do sono se espalha pela sala e coloca todos para dormir, menos Stark, que convenientemente levou um lenço tratado quimicamente.

Assim, no quadro seguinte, o Homem de Ferro está frente a frente com seu maior inimigo, mas leva uma surra do poder dos anéis e... de golpes de karatê! Sério, golpes de karatê contra uma armadura de ferro.

O herói e seus vilões. Um bônus imperdível! 


No final da primeira história, no melhor estilo final de seriados matinês, o Homem de Ferro está preso por faixas de aço iquebráveis e os transistores da armadura estão descarregando. Será esse o fim do herói galante? Enquanto se prepara para morrer, o herói pensa na sua amada Pepper Potts e no ajudante Happy Hogan, o triângulo amoroso das primeiras histórias.

Claro que na edição seguinte, o Homem de Ferro consegue se livrar dessa situação aparentemente impossível com um estratagema simples, mas engenhoso. Aliás, outro problema científico. Como a armadura do Homem de Ferro se recarregava sozinha, sem a necessidade de nenhuma fonte externa? Seria como um celular que se recarrega simplesmente por não estar sendo usado. Stan Lee e seus problemas com a ciência.

Por que Happy não sorri? 


No final da aventura, como faltaram páginas para completar o caderno, Stan Lee acrescentou uma série de páginas como “fatos sobre o Homem de Ferro. No seu estilo marqueteiro, ele anunciou essas páginas na capa como se fosse um bônus, um presente para os leitores.

A sequência mostra os vilões do herói. O Derretedor? Alguém sabe quem é o Derretedor? E sr. Boneco?

O anexo mostrava como funcionava a armadura do herói.

Pepper Potts foise tornando mais bonita ao longo das histórias. 


Também explicava uma dúvida levantada por alguns leitores incapazes de compreender uma ironia: “Por que um personagem chamado Happy Hoogan nunca sorria?”. “A expressão de desânimo de Happy Hoogan pode ser um dos maiores mistérios da nossa época!”, escreveu Stan Lee.

O roteirista-editor tenta também explicar uma mudança na personagem Pepper Potts, que se foi se tornando mais elegante e bonita ao longo das histórias, reflexo do talento de Don Heck para desenhar mulheres (em algumas das primeiras histórias em que ela aparece, o desenho era de Steve Ditko, que sempre teve problemas ao desenhar mulheres). “Quando fez sua estreia nas páginas de Tales of suspense, Pepper tinha um nariz mais chato e rosto cheio de sardas, mas, depois que percebeu como Tony Stark se sentia atraído por mulheres glamourosas... Pepper foi ao salão de beleza e mandou ver! Hoje ela é uma das mulheres mais lindas ds quadrinhos... ou de qualquer outro lugar!”.

Naquela época salões de beleza podiam fazer cirurgias estéticas no nariz? Naquele período da Marvel tudo podia.

Cabanagem

 

1836. A cabanagem foi derrotada em Belém e se espalhou pelos rios da Amazônia. Um pequeno grupo de índios, negros e mestiços liderada pelo misterioso Chico Patuá se dirige para o Amapá singrando os pequenos rios da região. No seu encalço, o governo regencial mandou soldados comandados por um psicopata assassino, Dom Rodrigo. Em meio a essa disputa, soma-se outra, quando os seres da floresta (Matinta, Jurupari, Cobra Norato, Mapinguari) resolvem tomar partido na contenda, alguns ficando a favor de Chico e outros se aliando a Dom Rodrigo. Cabanagem é um romance de fantasia histórica que mistura fatos reais com mitologia amazônica e terror no melhor estilo Gian Danton.

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Ivan Carlo ou Ivan Carlos?

 

- Qual é o seu nome?

- Ivan Carlo.

- Ah, tá, Ivan Carlos.

- Não. O meu nome não tem “s”.

- Ah, entendi. Seu nome é Ivan Calo.

- Não, não é Ivan Calo.

- O senhor não disse que não tem “r” no seu nome?

- “R” tem. O que não tem é “s”.

- Ah, então é Ivan Calos.

- Quer saber, coloca aí Gian Danton.

O Retalho

 



Um dos personagens mais visualmente interessantes dos quadrinhos de super-heróis é o Retalho, criação de Joe Kubert (desenhos) e Robert Kanigher (roteiro).

O personagem, um veterano da guerra do Vietnã, é filho de um trapeiro, um negociante de quinquilharias que um dia compra um colchão que estava recheado de dinheiro sem o saber (ele descobre depois). Mas mafiosos estão atrás do dinheiro e, para forçar o homem e seus amigos a falarem, atiram em fios elétricos, fazendo com que eles sejam eletrocutados.

Fios elétricos não são uma forma inteligente de torturar alguém. 


Essa é, provavelmente, a maneira mais idiota de torturar alguém. Para começar, é necessária uma mira absoluta para acertar fios elétricos com tiros. Segundo, que a chance do pistoleiro ser atingido pelos fios elétricos era a mesma das suas vítimas. E, por fim, mesmo que tudo isso desse certo, era quase certo que essa estratégia servisse muito mais para matar do que para torturar.

A história toda, dividida em cinco partes gira em torno da busca do colchão recheado de dinheiro.

O visual criado por Kubert era realmente inovador. 


O protagonista é Rory Regan, o filho do trapeiro, herda do pai uma fantasia feita de retalhos de tecidos e passa a combater os mafiosos.

O leitor simplesmente não é informado como Retalho ganhou seus poderes, que muitas vezes parecem sobre-humanos. À certa altura são mostrados os amigos do pai (que posteriormente irão morrer eletrocutados junto com ele) e cada um revela uma habilidade. Um era um homem-forte de circo, outro era um boxeador e outro era um acrobata – mas em nenhum momento é mostrado ou sugerido que eles repassaram seus conhecimentos para Rory.

Casais interaciais não eram comuns nos quadrinhos. 


Além disso, se os mafiosos sabiam do tesouro na loja, deveriam saber também onde ele foi guardado.

Apesar dos problemas de roteiro, a série tinha muitos méritos, a começar pelo texto de Kanigher. Um exemplo: “Da escuridão salpicada de sol emerge uma figura estranha e impressionante... homem ou lenda? Sombra ou matéria? A máscara tenebrosa ocultará a face de um monstro ou de um ser humano? Terão as balas do criminoso atingido carne e osso? Só os enigmáticos olhos que brilham nas aberturas da máscara poderão revelar a espantosa verdade de... O retalho!”.

Os filipinos irmãos Redondo desenharam as primeiras histórias, emulando o traço de Kubert. 


Além disso, o visual sombrio, com a capa esvoaçante e rasgada dava um ar imponente e assustador para o personagem. Posteriormente alguns artistas iriam representar o Batman dessa forma e Spaw nitidamente tinha influência visual do Retalho.

O protagonista estava envolvido em um triângulo amoroso que incluía uma namorada negra – algo certamente inovador numa época em que casais multirraciais eram incomuns na mídia norte-americana.

O personagem parecia ter poderes sobrenaturais. 


Com tantas potencialidades é uma pena que o título do Retalho tenha tido uma vida tão curta.

A Ebal publicou as cinco partes da história em formatinho e em cores entre 1977 e 1978.

Prelúdio à Fundação

 


Fundação é uma série monumental criada por Isaac Asimov: em um futuro distante os seres humanos se espalharam por milhões de planetas governados por um império. Mas o império está em decadência em breve será esfacelado em milhares de feudos, provocando uma era de trevas, violência e atraso científico que irá durar mil anos. Mas um homem, Hari Seldon, o criador da psico-história (disciplina capaz de prever estatisticamente o futuro da humanidade), tem um plano para diminuir esse tempo: a Fundação.
Essa história deu origem a uma trilogia, escrita na década de 1950. Posteriormente, Asimov escreveu quatro livros no mesmo universo. Prelúdios à Fundação é um deles.
O livro é focado na história de Seldon e como ele decide dar segmento à Psico-história, uma teoria matemática que ele considerava possível, mas impraticável. Ao mesmo tempo, mostra sua fuga pelo planeta Trantor, sede do império, enquanto vários grupos tentam se aproveitar da psico-história para seus próprios fins.
É o livro mais teórico da série, como longos diálogos sobre lógica matemática, história e a possível junção dos dois. Asimov esforça-se para tornar o livro mais palatável – a princípio com a trama de espionagem, mas principalmente com a abordagem antropológica: ao visitar os diversos setores de Trantor, Seldon conhece as diversas culturas ali representadas.
Um dos locais mais interessantes é Mycogen, um bairro cuja população se considera descendente dos habitantes de Aurora, o mundo em que a vida humana teria surgido (segundo eles). Na cultura local, pelos no rosto são considerados indecentes, repulsivos e indecentes. Quando entram na puberdade, tanto homens quanto mulheres são totalmente depilados. Visitantes devem usar toucas que cobrem completamente seus cabelos e faixas que cobrem suas sobrancelhas. Em determinado momento, Seldon é quase linchado em um ônibus quando sua toca se desloca, deixando aparecer parte de seu cabelo.
Asimov mostra assim, através de uma metáfora, como as questões morais podem variar de uma sociedade para outra: como o que é normal em um local pode ser obsceno em outro, como o que é considerado importante em um local pode ser irrelevante em outro.

Só por isso Prelúdio à Fundação já valeria a leitura. Mas estamos falando de Asimov, então temos também uma trama bem elaborada com uma surpreendente virada no final. De negativo apenas a extensão do livro: 450 páginas. Asimov se sai melhor quando é mais conciso.

Fundo do baú – Inumanoides

 


A série animada Inumanóides surgiu quando os executivos da Hasbro receberam uma pesquisa de mercado que mostrava que as crianças adoravam monstros e dinossauros. Perfeito para lançar uma linha de brinquedos com monstros! Na época, a melhor forma de divulgar brinquedos era lançar um desenho animado deles, fazendo com que as crianças reconhecessem os personagens nas lojas.

Assim que os bonecos ficaram prontos, a Hasbro contratou a Sunbow Entertainment e a Marvel Produções para desenvolverem o desenho. A animação ficou por conta do estúdio japonês Toei.

O desenho foi criado a partir de uma linha de bonecos. 


Na trama, os inumanódies são criaturas subterrâneas cthulloides (olha a referência ao Lovecraft!), monstros enormes e antiquíssimos. A história começa quando um deles, Tendrill é despertado acidentalmente e começa a despertar os outros. O objetivo deles é voltar a controlar o mundo.  

Os Earth Corps, humanos vestidos com armaduras, se disponibilizam a combater os monstros.  Ao pesquisarem pistas sobre os inumanóides, eles encontram com os Redwoods, seres vegetais que fazem parte dos Mutores, inimigos mortais dos inumanóides e responsáveis por aprisioná-los num passado longínquo.

A marvel lançou o gibi. 


O desenho na época chamou atenção por seu tom sombrio, com elementos de terror.  Os desenhos eram repletos de sombras e detalhes macabros. Dentre todos os personagens o que mais dialogava com o gênero era D. 'Compor, que transformava as pessoas em monstros ou zumbis. Aliás, em um dos primeiros episódios ele transforma uma das integrantes dos Earth Corps, em uma cena de grande impacto.

A série foi lançada junto com outras no programa "Super Sunday" com a primeira história dividida em cinco partes, que depois foram unidas e transformadas num filme.

A Marvel aproveitou a onda a lançou também o gibi dos personagens com roteiro de Jim Salicrup e arte de James W. Fry Joe Del Beato. O gibi durou apenas quatro números.

sábado, agosto 15, 2026

Jornada nas estrelas - Um pedaço de ação

 


Na década de 60 era muito comum nos seriados de ficção científica episódio que se passavam no passado. Isso geralmente era uma forma de reaproveitar cenários de outras produções.

O episódio um pedaço de ação faz isso, mas com resultados muito mais interessantes.

Na história uma nave espacial num período anterior à primeira diretriz visita um planeta e deixa vários objetos no local. Depois desaparece. Anos depois a Enterprise capta o relatório enviado ao espaço pela nave desaparecida e resolve conferir uma possível contaminação.

Quando descem descobrem que um dos objetos deixados foi um livro sobre gangsters dos anos 20 e que toda a sociedade de moldou a partir das informações ali contidas.

O resultado apresenta uma divertida crítica social exemplificada pela cena em que Kirk, Mcoy e Spock descem no planeta e se vêem numa rua em que todos que passam estão armados: homens com metralhadoras, mulheres com pistolas e crianças com facas. O resultado é ridículo, sinal da verve pacifista dos roteiristas.

Esse episódio é um daqueles em que William shatner rouba a cena, em especial quando decide incorporar o chefão mafioso.

É também curioso como roteiro e direção fazem uma bela homenagem aos filmes de gangsters.

O resultado é tão divertido que até relevamos as lutas mal coreografadas.

Livro discute a Cultura Pop

 


 

Cultura pop, comunicação e linguagem é uma antologia organizada por Ivan Carlo Andrade de Oliveira (Gian Danton) e Rafael Senra. Divididos em artigos e ensaios, os textos abordam os mais diversos temas dentro do leque da cultura pop.

No âmbito dos quadrinhos, começamos com uma análise da adaptação da história de Conan "A torre do elefante", passando pelo conceito de Gynoid no mangá "Hyper future vision", e até uma interpretação da jornada do herói a partir da saga "Estação das brumas" em Sandman. No campo da música, temos uma abordagem semiótica da capa do álbum "Artpop" da cantora Lady Gaga, e, na interface entre literatura e outras mídias, uma análise de adaptações da obra "The Witcher".

Para completar o livro, os ensaios tratam de representações da Grande Depressão em dois quadrinhos, além das obras de Chris Ware e, para concluir, uma reflexão sobre o papel de Jim Shooter no comando da editora Marvel Comics. 

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As aventuras de uma criminóloga: coragem de matar

 


Como repetir a mesma história sem parecer cansativo ou redundante?
Berardi mostra um como fazer isso na série de histórias com Mirna, a psicopata apaixada por Júlia Kendall e sua grande antagonista. A série inclui diversas histórias com a personagem, a maioria delas focada nas tentativas de Mirna de matar a criminóloga. Para que não pareça que está contando sempre a mesma história, o genial roteirista italiano foca nos personagens secundários, sua relação seus encontros com a psicopata.
A história Coragem de matar, publicada na edição 122 da revista é um dos melhores exemplos dessa dinâmica. Na HQ, Mirna fugiu da cadeia, mas ao invés de ir para outra cidade, prefere ficar em Garden City onde acaba conhecendo um cafetão e uma prostituta travesti agenciada por ele. Mirna acaba passa a se prostituir, mas seus clientes terão muito mais do que imaginam.
O destaque aqui vai para a relação de Mirna com a travesti e é escrito com uma candura quase poética. Contribui muito para isso o excelente trabalho de Laura Zuccheri, a desenhista desta história. A artista consegue captar perfeitamente o clima de beleza e morte que a história exigia e a escalada de violência que se sucede. Destaque para a expressão facial de Mirna, que muda completamente quando seu lado psicopata se revela.

Deadman – Amor após a morte

 


Deadman, personagem da DC Comics, significa homem morto. Entretanto, esse personagem normalmente é mostrado como uma pessoa normal, apenas na forma espectral.

A minissérie Deadman, amor após a morte, de Mike W. Baron e Kelley Jones, inovou ao mostrar o personagem como um cadáver, o que se adequava muito ao estilo de Jones.

Na história, Boston Brand descobre que uma determinada casa é assombrada pelo fantasma de uma trapezista. Em todos os anos vagando sobre a Terra, o personagem jamais encontrou outro fantasma, e ele sonha acabar com a solidão. Assim, resolve visitar o local.

A forma como o personagem era retratado lembrava um cadáver. 


Lá ele encontra o que parecem restos de Colby Circus, um show freak com um tigre, palhaços, um esqueleto humano, uma mulher-serpente, uma mulher  baleia e um cara de bode. Para surpresa do herói, ele vê o fantasma da linda trapezistas, mas não só isso: vê também os trapézios se movendo com ela (embora tenha capacidade de incorporar em pessoas, Deadman não consegue interferir no mundo físico quando está na sua forma humana).

Mike W. Baron constrói uma trama complexa na qual algum tipo de força sobrenatural e anscestral deu ao dono do circo poderes extraordinários, que lhe permitiram manter as atrações do circo presas ao local mesmo depois de sua morte. O objetivo do herói, portanto, passa a ser libertar a pobre trapezista. Para isso ele encorpora no corpo atlético de um homem que está à beira da morte.

O herói se apaixona pelo fantasma de uma trapezista. 


É uma boa trama, que consegue reunir elementos interessantes e se encaixar bem no sopro criativo da DC dos anos 1980, com situações adultas e personagens complexos (com o tempo descobrimos que a trapezista não é tão ingênua ou inocente quanto imaginamos). Há, no entanto, alguns problemas com diálogos, que parecem quebrados – e em alguns casos parecem ter sido balonados errados, com a seta indicando para a pessoa errada.

Quem realmente brilha é Kelley Jones, com seu traço expressionista e deformado, que já aparece em toda a sua estranhesa logo na segunda página, que mostra o herói flutuando sobre a cidade: seu corpo esguio ocupa quase toda a página e podemos ver seus ossos se destacando abaixo do uniforme. É o tipo de história que não funcionaria com outro desenhista.

A arte de Janet e Anne Graham Johnstone, as ilustradoras dos contos de fadas

 


É impossível falar de contos de fadas sem citar as irmãs gêmeas Janet e Anne Graham Johnstone. Nascidas na Inglaterra e filhas da bem-sucedida retratista e figurinista britânica Doris Zinkeisen, elas cativaram o público da partir da década de 1950 com sua ilustrações de livros infantis repletas de cenários bonitos e perfeitos e crianças fofas com olhos enormes e bochechas rosadas. 

Elas foram responsáveis por ilustrar vários contos de fadas famosos, em especial de Hans Christian Andersen e livros de mitologia grega. 

Janet gostava mais de pintar animais e Anne preferia os trajes de época. A união dessas duas preferências se revelou perfeita para o tipo de história que elas ilustravam. 

Quando Janet morreu, em 1979, a irmã foi obrigada a aprender a desenhar animais. Foi tão bem sucedida nisso que chegou a ser nomeada para a sociedade de artistas equestres. Confira um pouco do trabalho dessas duas irmãs geniais.