quarta-feira, junho 03, 2026

Sherlock Holmes e grandes contos de fantasmas, piratas e mistério

 


Embora seja mais conhecido por ter criado Sherlock Holmes, Conan Doyle tem uma ampla produção de contos nos mais variados gêneros. Mostrar essa diversidade literária através de quadrinhos é o objetivo do álbum Sherlock Holmes e grandes contos de fantasmas, piratas e mistério, organizado por Tom Pomplum e lançado aqui pela editora Rai.

O organizador Tom Pomplun foi buscar nos meios alternativos norte-americanos autores para essa antologia, de modo que a maioria dos nomes é desconhecida do público brasileiro.

Geary faz uma ótima adaptação de uma história de Sherlock Holmes. 


Talvez o mais conhecido entre nós seja Rick Geary, que já tinha participado da coleção Clássicos Ilustrados, publicado pela editora Abril e aqui assina uma adaptação de uma história de Sherlock Holmes, A aventura de Copper Beeches. Esta, aliás, é a melhor história do do volume. O traço simples, mas altamente funcional de Geary encaixa perfeitamente nessa história sobre uma governanta envolta com um trabalho cheio de exigências pouco convencionais e mistérios. Geary também assina a ótima capa.  

Capitão Sharkey, adaptado por Tom Pomplun é outro dos destaques do álbum. Conta a história do mais sanguinário e deplorável dos piratas: “Histórias assustadoras eram contadas sobre seu cruel senso de humor e sua inflexível ferocidade”. Mas um dia seus próprios comandados se cansam dele e resolvem deixá-lo numa ilha deserta para ser descoberto pelas autoridades. Preso, Shakey é condenado à forca. Mas ele tem um plano para fugir. A adaptação funciona, apesar do traço de Pomplun ser excessivamente sujo, com hachuras que na maioria das vezes parece não acrescentar nada.

O traço sujo de Poplum funciona na história sobre fantasmas. 


O mesmo Poplum assina Os fantasmas de Goresthorpe Grange, sobre um homem fascinado por fantasmas que compra um castelo medieval e contrata um “agente do mundo dos espíritos” para povoar o local de fantasmas. O traço de Poplum muda para um estilo mais caricato aqui, em consonância com o tom de farsa do conto, o que mostra uma boa visão narrativa. O traço novamente é muito sujo, embora essa característica combine bem com as sequências das aparições dos fantasmas.

Outro destaque do álbum é a história do Brigadeiro Gerard, um personagem pouco conhecido de Doyle. 


Além dessas há histórias curtas, algumas de pouco interesse, como O mestre, ilustrado por Roger Langridge, outras divertidas, como uma parábola de uma página ilustrada por Neale Blanden. Outras são completamentes em sentido, como O fiasco de Los amigos, ilustrado por J. B. Bonivert.

No geral, é um volume divertido, que permite perceber a amplitude da produção de Doyle.

Radioactive – filme conta a vida de Marie Curie

 


Marie Curie é uma das mulheres mais importantes da ciência. Ganhadora de dois prêmios Nobel por suas pesquisas sobre radiação, foi a pessoa que abriu caminho para que as mulheres pudessem ingressar na vida científica, até então um meio dominado praticamente só por homens.

É a vida dessa heroína da ciência que é contada no filme Radioactive. A diretora do longa lançado pelo Netflix é a iraniana Marjane Satrapi, mais conhecida no Brasil pela história em quadrinhos Persépolis. Por sua vez, Satrapi adapta a história em quadrinhos Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale of Love and Fallout, de Lauren Redniss.

O filme conta a história da cientista desde quando ela conhece seu futuro marido, Pierre Curie. Este não só se apaixona por ela, como consegue perceber que tratava com uma pessoa genial – e geniosa. O casal se envenou com radiação quando fazia suas experiências. Pierre, que adoeceu antes, foi atropelado por uma charrete e morreu. Marie morreu muito tempo depois. Sua trajetória inclui as dificuldades de uma mulher cientista sociedade conservadora e xenófoba e a falta de verbas para pesquisa.

A grande questão por trás da pesquisa de Pierre e Marie é que a descoberta feita por eles representou esperança e saúde, como a radioterapia para câncera e o raio x, que salvou diversas vidas, mas também provocou milhares, talvez milhões de mortes, a exemplo das bombas atômicas sobre o Japão. O filme explora muito bem esse aspecto ao introduzir insertes com cenas futuras, flash fowards, que explicam ao expectar os aspectos nocivos e benéficos da radiação. Mais do que uma biografia, o filme se torna também um comentário sobre como descobertas importantes podem ser apropriadas para o bem e para o mal.

Além da direção segura e realmente competente de Satrapi, o filme conta com a atuação inspirada de Rosamund Pike no papel principal. Difícil pensar em Marie Curie sem lembrar da atuação dessa atriz. Anya TaylorJoy, que faz a filha da cientista, aparece apenas na segunda parte, mas rouba a cena.

Em outras palavras: é um filme em que mulheres, apropriadamente, brilham.

Artigo sobre Cláudio Seto na revista Imaginário!

 

A revista Imaginário, do Núcleo de Arte, Mídia e Informação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual da Paraíba, publicou meu artigo "Shibari: a arte japonesa das cordas nos quadrinhos de Cláudio Seto". Para ler, clique aqui.

Fredric, William e a Amazona – perseguição e censura aos quadrinhos

 


Dois homens fundamentais para a história dos quadrinhos foram William Moulton Marston e Fredric Wertham. O primeiro foi o criador da Mulher Maravilha e o responsável pela introdução do feminismo nos quadrinhos. O segundo foi o psicólogo responsável tanto pela perseguição aos quadrinhos como pela péssima imagem que essa mídia ganhou por muito tempo (qual criança das décadas de 50, 60, 70 e 80 não foi em algum momento repreendida por ler gibis?).

É a história desses dois homens que  Jean-Marc Lainé e Thierry Olivier contam no volume Fredric, William e a Amazona – perseguição e censura aos quadrinhos recentemente lançado pela editora Pipoca e Nanquim.

Os autores usam a técnica da biografia paralela, em que as vidas de duas pessoas são contadas ao mesmo tempo, num narrativa que os compara.

A inspirada capa, exemplifica muito bem isso – e representa o único momento na história em que ambos se encontram: uma banca de revistas (que surge durante toda a história), tendo Wertham e Marston de cada lado, ambos folheando comics books e se observando pelo canto do olho, enquanto, acima da banca, vemos a bota da Mulher Maravilha.

Wertham acreditava que os gibis influenciavam a juventude a cometer crimes. 


É uma narrativa curiosa, poucas vezes vista nos quadrinhos. Não é contada como uma história linear, em que alguns fatos levam a outros que levam a outros que levam a outros. Ao contrário, o que temos são cenas isoladas de um e de outro personagem. Cabe ao leitor completar o que ocorre entre uma cena e outra (num exercício mais extenso daquilo que o leitor de quadrinhos já faz).

Essas cenas normalmente se cruzam em aspectos temáticos. Marston tenta inocentar um homem usando seu detector de mentiras (que não é aceito no tribunal), enquanto Wertham, ao trabalha como consultor psicológico, tenta entender as motivações do psicopata Albert Fish – um caso que o torna ainda mais resoluto em sua hipótese de que os crimes são cometidos não por uma índole genética, mas por influência do ambiente, algo que indiretamente o levaria a sua cruzada contra os quadrinhos. Momentos chaves da trajetória de um e de outro são mostrados, como a roteirista que iria escrever histórias da Mulher Maravilha recebendo um livro feminista ou a diretoria da DC tirando a personagem das mãos da família Marston e a entregando a um roteirista que levaria a personagem totalmente oposta do feminismo que a caracterizou.

O álbum conta os bastidores da criação da Mulher Maravilha.


Ao contrário do que se poderia esperar, Wertham não é mostrado como vilão (sua atuação junto à comunidade negra mostra que ele era bem intencionado), da mesma forma que Marston não é mostrado como herói. São dois homens complexos cujas várias facetas são visíveis no álbum. Wertham talvez tenha sido o mais complexo, pois, apesar de sua boas intensões, o resultado de sua atuação teve resultados desastrosos.

No final, parece que as 92 páginas do álbum foram pouco para dois personagens tão complexos. Pouco também para a história contada.

A arte impressionante de Ken Barr

 


Ken Barr é um artista escocês conhecido por suas pinturas que ilustram capas de quadrinhos, livros e cartazes de cinema.

Ele começou sua carreira na década de 1950 com capas na revista de ficção científica Nebula.

Em 1968 mudou-se para os EUA e começou uma prolífera carreira com capas de fantasia para publicações da Warren, como Creepy e Vampirella.

Nos quadrinhos ele fez trabalhos para a DC e para a Marvel, incluindo Doc Savage e Planeta dos Macacos.

Aos poucos ele foi estabelecendo também uma reputação com pintor de capas de livros. Suas capas para o selvagem Conan se tornaram célebres.

Além disso, ele pintou diversos cartazes de cinema.

Ken Barr morreu  em 2016, aos 83 anos. 
















A Máquina do Tempo, de H. G. Wells

 

Viagens no tempo sempre existiram. Rip van Winkle, de Washington Irving, publicado em 1819, conta a lenda de um homem que dorme na floresta e acorda 20 anos depois. Um conto de Natal, de Dickens, publicado em 1843, conta a história de um homem avaro visitado por três espíritos que o levam ao passado, ao futuro e ao presente. Já Um Yanke na corte do rei Arthur, de 1889, escrito por Mark Twain, mostra as aventuras de um americano que retorna à Idade Média.
Mas as viagens no tempo se tornam um gênero próprio com A máquina do tempo, escrito por HG Wells e publicado em 1895. Até então as viagens eram involuntárias, fruto de acontecimentos fantásticos. Wells trouxe a ciência para a jogada. Seu protagonista não viaja no tempo graças a fantasmas ou seres sobrenaturais, mas com uma máquina construída graças ao progresso técnico.
O escritor britânico também inovou ao introduzir a crítica social e o paradigma evolucionista à trama. Na história, o protagonista viaja até o ano de 802.701 e vê uma Londres decadente, dominada por dois grupos: os Eloi, evoluídos a partir da aristocracia, que se transformam em seres diminutos, frágeis e ocioso e os Murdock, evoluídos a partir das classes trabalhadora, seres monstruosos, canibais, que vivem no subterrâneo.
Ao introduzir a ciência na viagem no tempo e usar o recurso para refletir sobre o mundo em vivemos e como será seu futuro, Wells abriu as portas para diversas outras obras, desde o ingênuo seriado Túnel do Tempo até o complexo filme Os 12 macacos.

Paris - guia de viagem

 



Paris é um principais pontos turísticos do mundo. E não é para menos. São tantas atrações que para ver tudo seria necessário um mês. Mas é possível conhecer os principais em uma semana.
Uma das dicas é otimizar o tempo, aproveitando que alguns locais são próximos. Por exemplo, o Arco do triunfo fica em uma ponta e na outra o Obelisco, a Praca da Concórdia e o Jardim de Tulheiras. E, entre os os dois, a Champ Elysees. Assim, é possível fazer todos esses no mesmo dia, saindo do arco. Perto da praça da Concórdia fica o museu do Louvre.
A dica é dar uma olhada no mapa e traçar um roteiro com pontos próximos para fazer no mesmo dia.
O metrô custa 2 euros e corta toda a cidade. O ticket tem validade de uma hora. Não jogue fora. Você vai precisar dele para sair (e nas poucas vezes que vimos um funcionário, foi para pedir para ver o ticket – se você tiver jogado fora o mesmo, deve pagar uma multa).  Nem sempre compensa. Para ir do Arco do Triunfo para o Obelisco, por exemplo, você vai ter que pegar o metrô, descer em outra estação e fazer conexão. No final, o tempo gasto será quase equivalente a ir a pé.
Aliás, cuidado com o metrô. O local é cheio de batedores de carteira. Minha filha foi roubada lá. Abriram a bolsa dela e por pouco não levam também o passaporte. Ao contrário de São Paulo, em que o metrô é um dos locais mais seguros da cidade, com vários seguranças e câmeras, no metrô de Paris é praticamente impossível encontrar um segurança ou um policial. É difícil até mesmo encontrar funcionários que possam dar informações.
Aliás, os batedores de carteira são comuns até em pontos turísticos famosos, como o Museu do Louvre e o palácio de Versalhes. Há várias placas indicando para que os visitantes tenham cuidado com seus pertences.
Outro golpe comum é pedir doações para uma suposta instituição de caridade. Enquanto a vítima preenche seus dados em uma prancheta, os ladrões mexem nos seus bolsos em busca de dinheiro 
Isso explica porque é tão comum encontrar turistas com pochetes cruzadas no peito: é uma forma segura de guardar objetos de valor.
A arquitetura da cidade é uma atração por si só. 

Os hotéis costumam cobrar por fora pelo café da manhã. Não vale a pena. O café é o famoso baguete, manteiga, café, leite (pouco) e um suco industrial. Os brasileiros, acostumados com o nosso baguete vão estranhar: o francês é um pão duro e seco.
Por um preço muito mais baixo você consegue um capuccino, um suco de laranja natural etc em locais como o Carrefour ou Franprix. Há vários no centro, com máquinas de café e de suco, feito na hora. O suco de laranja deles, aliás, é uma delícia. Não saia da França sem experimentar. Se onde você estiver não houver nenhum dos dois, coma em cafés, ainda são mais baratos que os hotéis. Esses locais, aliás, são uma boa opção para quem está com pouco dinheiro: é possível comprar várias comidas prontas (há micro-ondas para esquentar) e montar uma salada, por exemplo.
Os franceses andam com o pão baguete na mochila.

O baguete, a propósito, é uma instituição nacional. As pessoas compram e andam com eles para cima e para baixo. A embalagem de papel não cobre todo o pão, de modo que metade dele fica aparecendo. Vimos várias pessoas no metrô com baguete na mochila, metade dele do lado de fora.
Prepare-se para filas. Locais turísticos como o Louvre e Versalhes têm filas imensas (no castelo a média é de mais de duas horas de espera). Muitas pessoas levam o baguete ou um sanduíche para comer na fila, enquanto esperam para entrar.
Mas, além dos pontos mais convencionais, há vários outros, menos concorridos. Igrejas, por exemplo. Se a fila para entrar na catedral de Notre Dame, quando ela estava aberta, era imensa, é possível entrar em belíssimas igrejas góticas que pouca gente visita sem nenhuma dificuldade.
Abaixo alguns dos pontos turísticos.
Palácio de Luxemburgo
Um belíssimo palácio que foi residência da mãe de Luís XIII. Construído no século XVII, é uma bela construção, com jardim imenso, muito frequentado por franceses e turistas. É possível também apreciar os típicos crepes franceses. Em um dos pontos do palácio é possível ver bustos em homenagem a grandes pintores franceses.
O palácio fica próximo ao Panteão, então, programe-se para visitar os dois no mesmo dia.

Panteão
O Panteão era originalmente uma igreja dedicada a Santa Genoveva. Quando eclodiu a Revolução Francesa, o prédio foi transformado em um ponto histórico, onde são enterrados os grandes nomes franceses. Voltaire e Rousseau estão enterrados lá, um de frente para o outro. Ali também está o túmulo do famoso escritor Victor Hugo.
A arquitetura neo-clássica, por si só já é digna de nota, mas o local tem muitos outros atrativos. O edifício é no formato de uma cruz grega e tem várias pinturas e estátuas, inclusive dois conjuntos frente a frente: um em homenagem a Rousseau, outro em homenagem a Voltaire.
O altar foi ocupado por uma homenagem à Marianne, a deusa da razão e da liberdade.


A nave principal é curiosa: o altar foi substituído por um monumento em homenagem à revolução francesa (é possível ver, entre as estátuas, Danton, saudando Marianne, a deusa da razão e da liberdade). Um pouco antes temos o Pêndulo de Foucault, a experiência realizada por Jean Bernard Léon Foucault para demonstrar a rotação da terra.
O panteão é uma verdadeira viagem pela história e ciência francesas.
Ao lado do Panteão é possível visitar a belíssima a igreja Saint-Étiene-du-Mont, onde estão guardados os restos mortais de Santa Genoveva e do filósofo Blaise Pascal. Em estilo neo-clássico, a igreja se destaca também pelos belíssimos vitrais.
A fachada de pedra da catedral não foi afetada pelo fogo.


Catedral de Notre Dame
A Catedral está fechada ao público depois do incêndio, mas vale a visita. O fogo não danificou a estrutura que pode ser vista de fora. É um dos mais belos exemplos de arquitetura gótica, com as portas repletas de esculturas e as gárgulas. É o tipo de construção para ser apreciada em detalhes, por um longo tempo, pois há muita coisa para ver, mesmo na parte externa. A catedral fica numa pequena ilha, no meio do rio Sena, que corta a cidade, e divide a cidade.
Há várias lojinhas de lembrança nas redondezas. Uma dica: quanto mais distante da catedral, menores são os preços.
Próximo à catedral de Notre Dame há o hotel del Ville, outro ótimo exemplo da arquitetura francesa.

O Museu de Armas é visita obrigatória para quem gosta de história. 
Museu das armas
Originalmente criado como um hospital para os soldados que voltavam da guerra (estes podiam inclusive passar a morar no local), o palácio foi transformado em museu de guerra. Nos guias turísticos aparece como Museu dos inválidos, mas os parisienses só conhecem como Museu das armas. Para quem gosta de história é um local obrigatório.
As salas são temáticas mostrando como eram as guerras desde a pré-história à II Guerra Mundial. E não se trata de réplicas. Há armaduras etruscas, pontas de lanças da pré-história, armaduras gregas. 
O Museu tem muitas armaduras antigas, inclusive etruscas e gregas.

A parte dedicada à Idade Média é impressionante, com centenas de armaduras. Além das armaduras convencionais é possível ver armaduras infantis e para cavalos. A parte dedicada à primeira guerra mundial traz uniformes, armas, maquetes de trincheiras. Na seção da II Guerra Mundial há até um enorme míssil.


O local era cenário de inúmeras e caríssimas festas da nobreza. 
Palácio de Versailles
O palácio de Versalhes é o mais esplendoroso exemplo de arquitetura maneirista. Foi construído a mando de Luís XIV para abrigar os nobres que estavam perdendo seus feudos – e portanto seu poder – para o rei. Em troca, Luís XIV lhes oferecia um emprego na corte: muitas vezes esse emprego era apenas abotoar o vestido da rainha. 
Para isso ele transformou o pavilhão de caça de seu pai no mais luxuoso palácio do mundo. Esse luxo já pode ser observado no portão de entrada, todo revestido de ouro. 
A galeria dos espelhos é o local mais luxuoso do palácio

O ponto alto do palácio é a galeria dos espelhos, um salão de quase oitenta metros de extensão com 17 janelas, na frente de cada uma das quais há um enorme espelho (os espelhos na época eram caríssimos), que, junto com os candelabros criam um efeito de luz impressionante – fora as belíssimas estatuas. No palácio viviam, além do rei e da rainha, dois mil nobres em eterno luxo e festas. 
A cama do rei: o despertar do soberano era um espetáculo. 

O despertar e o recolher do rei eram assistidos por centenas de cortesão, em rituais tão importantes para a corte quanto o nascer do sol. Cada refeição do rei exigia a presença de quase 500 pessoas. O lago artificial era tão grande que permitia que os nobres passeassem em gôndolas. Era tanta água que para encher o lago foram necessários 30 mil soldados. Os gastos excessivos de Versalhes, aliados às dividas com a guerra, levaram o povo à penúria, provocando a revolução francesa.

O Louvre reúne algumas das obras de arte mais famosas de todos os tempos.

Museu do Louvre
Uma dica: compre ingresso antecipado e vá cedo.
O Museu abre 9 horas da manhã. Esteja lá na frente, com seu ingresso e se prepare para sair tarde. É muita coisa para ver em um dia.
Assim que os portões abrem é uma correria para chegar até a Monalisa. Há um cordão de isolamento de quase dois metros em volta do quadro e uma verdadeira multitão em volta.
Mas o Louvre vai muito além da Monalisa. Há obras-primas de todas as fases da história da arte (aconselho a dar uma lida em algum livro básico sobre o assunto antes de visitar o Museu).
Uma multidão se aglomera para ver a Monalisa.

Destaque para os enormes quadros de Delacroix, o pintor mais famoso da França e o homem que definiu o romantismo na arte.
Há também uma variedade imensa de estátuas romanas, egípcias, etruscas e gregas, além de estátuas francesas, da época do absolutismo.
Destaque também para o luxo dos aposentos de Napoleão III, que usou o Louvre como Palácio.
Os quadros mais famosos de Delacroix estão no Louvre. 

Do lado de fora há a famosa pirâmide, e, ao lado da pirâmide, quase esquecida, uma estátua de Luís XIV montado num cavalo realizado pelo arquiteto italiano Gian Lorenzo Bernini. Como se tratava do rei sol, a estátua foi pensada de modo que fica sempre na direção do astro – em algumas horas do dia o sol fica exatamente atrás da cabeça do rei.
Como vai passar o dia inteiro no Museu, uma boa dica é comer um lanche em um dos cafés nas laterais do palácio.

O D´Orsay é especializado em arte moderna.

Museu D´Orsay
Se o Louvre é o paraíso da arte antiga, barroca, romântica, o Museu D´Orsay é o ponto alto da arte moderna em Paris. Há muita coisa, por exemplo, dos impressionistas: Degás, Renoir, Monet.
Mas a grande atração é a sala dedicada a Van Gogh. Completamente ignorado em vida (ele só conseguia vender quadros para o próprio irmão), ele se tornou uma verdadeira sensação atualmente. Turistas correm para ver suas obras. Na mesma sala há quadros de Gaugan, com o qual o pintor holandês morou durante algum tempo.
O polêmico quadro "Almoço na relva" faz parte da coleção do Museu.

Há também vários quadros de artistas realistas, como Millet e até mesmo o famoso e controverso Quadro A Origem do mundo, de Gustave Courbet (conhecimento pela maioria das pessoas por ter sido censurado pelo Facebook).
Falando em polêmica, nada causou mais polêmica na época do que os quadros de Manet, também presentes no Museu. Dois exemplos são Olímpia e Almoço na relva. Os conservadores da época acusaram o artista de indecência por colocar mulheres nuas em seus quadros. O nu era comum nas artes, mas era um nu idealizado, de deusas gregas. Manet colocou mulheres de verdade em suas obras e por isso provocou a ira dos consevadores. Olimpia se tornou tão famosa que ganhou releituras, como a de Gaugan, também presente no Museu.
O Museu também tem vários quadros de simbolistas e uma série de belíssimas estátuas.
O arco do triunfo foi construído a mando de Napoleão para enaltecer suas vitórias militares.

Arco do triunfo
O Arco do triunfo é um monumento para o qual convergem algumas das principais ruas de Paris, incluindo a famosa Champs-Élysées. Ele foi começou a ser construído em 1806 por ordem de Napoleão Bonaparte para comemorar suas vitórias militares.
O arco era o ponto de partida dos desfiles militares franceses após capanhas vitoriosas.
Um dos destaques do monumento é o alto relevo O Triunfo de Napoleão. Realizado por Cortot, representa a paz e a conquista napoleônica, alcançados pela celebração do Tratado de Viena. A imagem é uma alegoria, com o imperador francês sendo coroado pela Vitória e reverenciado pela extinta Monarquia.O arco fica no centro da praça Charles de Gaulle.

Na Champs-Élysées ricos fazem fila para entrar nas lojas mais caras do mundo. 

Champs-Élysées
Essa é a avenida mais chique de Paris e um dos metros quadrados mais caros do mundo. O nome faz uma referência ao paraíso dos gregos antigos. É nessa avenida que estão os cafés e restaurantes mais caros de Paris, assim como as lojas mais elegantes (a loja de Louis Vuilton tem fila para entrar). O cenário é belíssimo em especial graças às castanheiros-da-índia. Nos dois extremos dessa rua de aproximadamente dois quilômetros temos, de um lado o Arco do triunfo e do outro a Praça da concórdia.
Praça da Concórdia é o local onde nobres eram guilhotinados durante a Revolução Francesa. 

Praça da concórdia
Essa praça tem um forte significado histórico. Era aqui que eram guilhotinados os nobres durante a revolução francesa.
Inicialmente chamada praça Luis XV, a praça foi construída em homenagem a esse monarca francês.
Em 1792 a estátua do rei que havia no local é derrubada e o local passa a se chamar praça da revolução.
Após a fase do terror revolucionário, a praça é rebatizada de Praça da concórdia.
O obelisco no centro da praça veio de Egito e anteriormente ornava o palácio de Ramsés II em Tebas. A praça tem também duas belíssimas fontes construídas pelo arquiteto Jacques-Ignace Hittorff em homenagem à marinha francesa.




Jardim de Tulherias
O Jardim de Tulherias fica ao lado da Praça da concórdia. É um parque enorme construído a mando de Catarina de Médicis, no século XVI, para adornar o seu palácio. Nesse jardim fica o Musée de l'Orangerie, especializado em arte impressionista e pós-impressionista.



A ponte de Alexandre é adornada por várias estátuas. 

Ponte de Alexandre
Essa ponte liga o bairro dos inválidos aos Champs-Élysées. O nome é uma homenagem ao czar Alexandre III, com o qual a França acabara de assinar uma aliança. É provavelmente a mais bonita ponte de Paris, totalmente ornamentada com belíssimas estátuas e ornamentos. Em cada lado da ponte há um conjunto de estátuas, as famas: Na margem direita estão a "Fama das Ciências" e a "Fama das Artes". Na margem esquerda a "Fama do Comércio", de Pierre Granet e a "Fama da Indústria. A ponte é tão bonita que foi cenário para diversos filmes, entre eles Meia-Noite em Paris. Nas proximidades da ponte deo Alexandre há dois Museus, o grande palácio e o pequeno palácio. Este último é gratuito.


A basílica fica no ponto mais alto de Paris.

Basílica de Sacré-Cœur
A Basílica de Sacré-Cœur (Sagrado Coração) é uma das mais famosas igrejas de Paris. Construída no final do século XIX, ela resgatou a arquitetura romana e bizantina, com paredes sólidas.
A igreja é adornada com belíssimos vitrais, pinturas e esculturas – e uma réplica do santo sudário. E, embora tenha um estilo arquitetônico oposto ao de Notre Dame, também tem várias gárgulas que podem ser vistas na lateral do prédio.

A basília fica no alto do Monte Martre, o local mais alto de Paris e de lá é possível observar toda a cidade. Nos arredores há dezenas de lojas de lembrancinhas, café, restaurantes e quiosques nos quais são vendidos os tradicionais sanduíches parisienses, com pão baguete.