quinta-feira, março 05, 2026
Jogador número 1
O filme é uma homenagem de Steven Spielberg à cultura pop, em especial aos jogos, filmes e seriados. São milhares de referências (ou easter eggs) espalhados pela trama, do carro do protagonista a uma das armas usadas por ele (o cubo Zemeckis). Destaque para a sequência-homenagem ao filme O Iluminado.
É também uma reflexão sobre o mundo hiper-real em que vivemos, em que o virtual se torna mais importante que a realidade concreta. Spielberg consegue manipular com perfeição essas instâncias, a ponto de muitas vezes o expectador não perceber onde começa um e termina outro. O simples fato de que a pessoa que ganhar um jogo virtual se tornará a pessoa mais rica do planeta é o melhor exemplo disso.
Uma aventura divertida, dirigida por um mestre do cinema, um filme homenagem e, principalmente, uma reflexão necessária para os tempos atuais.
E-book A linguagem dos quadrinhos
Já está disponível em versão digital o livro A linguagem dos quadrinhos. Organizado por mim, pelo Rafael Senra e pelo Matheus Moura reúne seis artigos sobre HQs, entre eles meu artigo O uso de elipse em Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Para baixar, clique aqui. Quem quiser adquirir a versão impressa, só mandar um e-mail para profivancarlo@gmail.com. O valor da versão impressa é dez reais (apenas para pagar o frete).
A sangria universitária
É comum ouvirmos comentários depreciativos a respeito das universidades da região Norte. As críticas estão geralmente relacionadas à baixa capacitação dos professores, a baixa produção acadêmica e os poucos curso de pós graduação. O que pouca gente sabe, no entanto, é que existe uma verdadeira sangria de vagas das universidades da Amazônia para as universidades do sudeste.
Funciona da seguinte maneira: professores do sudeste, geralmente mestres, fazem concurso para universidades da região Norte. Nesse meio tempo, fazem doutorado, normalmente com afastamento, já que os cursos de doutorado são raros na região. Quando voltam, já doutores, entram na justiça pedindo a remoção para uma universidade do sudeste. E remoção leva a vaga.E raramente um juíz nega o pedido.
Praticamente não há curso de universidade da região norte que não tenha passado por algo semelhante, mas há casos extremos. Em um exemplo recente um curso que tinha oito professores perdeu dois professores para um curso de universidade da região sudeste. E o curso da universidade do sudeste, que tinha 32 professores, ficou com 34, enquanto que o da região norte ficou com 6.
Em outro exemplo, um único curso perdeu metade das vagas para universidades do sudeste.
Com um número tão baixo de professores, provocado por essa sangria, os docentes ficam atolados de aulas e limitados apenas à docência nos cursos de graduação e às atividades administrativas, como coordenação de curso, coordenação de ACC, de estágio e de TCC. Sobra pouco tempo para pesquisa. Abrir um curso de mestrado e doutorado com tão poucos professores? Nem pensar.
Isso acaba gerando uma círculo vicioso. Com poucos programas de pós-graduação na região norte, quem faz concurso para professor das universidades da região norte geralmente são pessoas das outras regiões, em especial o sudeste. E são essas pessoas que depois vão levar as vagas para universidades do sudeste.
Em tempo: o mapa acima mostra a distribuição dos cursos de pós-graduação no Brasil. Os dados são de 2017, mas a situação pouco mudou. O grosso dos cursos se concentra na região sudeste e há pouquíssimos na região norte.
X-men - O inferno de Noturno
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| Para muitos essa história foi o primeiro contato com a obra de Dante. |
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| A HQ mostrou versões diferenciadas sobre o diabo e os círculos do inferno. |
Perry Rhodan – O olho vermelho do sistema Beta
O número 48 de Perry Rhodan, escrito por Clark Darlton, é um livro viciante por ser a continuação de uma trama muito bem elaborada, que fechava o primeiro ciclo.
Nos números anteriores, os aras resolvem acabar com a Terra e para isso usam os saltadores e superpesados, mas os mutantes conseguem entrar na nave do único superpesado que sabe a posição de nosso planeta e mudam as informações do computador.
A ideia era enganar os aras, saltadores e superpesados, fazendo-os atacar o terceiro planeta do sistema Beta como se fosse a Terra.
O olho vermelho do sistema Beta é focado nas duas naves terrenas que são envidas para esse sistema com a missão de rechaçar os ataques dos superpesados, simulando uma defesa terrena. Mas o major Deringhouse está curioso com o quarto planeta, onde há registro de vida inteligente e resolve investigar, o que leva à trama do volume e à solução magistral para o conflito que se avizinha.
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| A capa original alemã. |
É o próprio Deringhouse que batiza o quarto planeta, chamando-o de Aqua.
O planeta é uma incógnita, pois é quase todo tomado por um mar, com uma pequena faixa de terra do tamanho da Europa. No entanto, a única construção que os terrestres encontram é uma construção baixa, com cúpulas, na beira da água. “É uma coisa singular”, pensa o major. “O planeta só tem esse continente e a gente supõe que os habitantes teriam que aproveitar cada metro quadrado. Devia haver lá embaixo um emaranhado de casas e instalações como em nossas capitais. E o que vemos? Nada, absolutamente nada. Onde estão os homens?”.
Essa pergunta estabelece o clima de mistério do volume e é a principal razão pela qual a leitura é interessante no início.
Entretanto, depois, quando os humanos dão de cara com os tópsidas, a trama pega fogo e ganha uma reviravolta inteligentíssima. Os tópsidas foram um dos primeiros adversários siderais dos terranos. Seres reptilianos, eles tentavam invadir o sistema Veja e foram impedidos pelo grupo de Rhodan, que chegou ao ponto de lhes roubar uma nave.
Ao colocar os tópsidas nesse volume, Scheer, o autor da trama geral, costura perfeitamente a história, criando uma situação em que estão no palco todos os principais inimigos dos terranos nesse primeiro ciclo, o que deixa o leitor ainda mais apreensivo para ler o volume seguinte.
Demolidor – Purgatório
A saga da queda de Matt Murdock, de Frank Miller e David
Mazzucchelli, é célebre por muitos motivos, mas o principal deles é o estudo
psicológico de como as pessoas reagem diante das adversidades. Não por acaso, o
número dois começa com Foggy Nelson tentando trocar uma lâmpada e caindo da
escada. Glori, ex-namorada de Matt, preocupa-se, mas ele a tranquiliza: “Caí
sobre a minha parte mais macia.”. Logo depois a garota recebe uma ligação do
ex-namorado e podemos imaginar o que ele está dizendo pela expressão perplexa
dessa: “Ele não está dizendo coisa com coisa”.
Como tudo o mais nessa saga impressionante, até mesmo esses
pequenos fatos são pensados para refletir aspectos importantes dos personagens:
diante da queda, Foggy reage com bom humor e Matt sucumbe à loucura e à paranoia.

Diante da queda, Foggy reage com bom humor, Matt Murdock enlouquece.
Na imagem seguinte vemos Murdock deitado em uma cama de um
hotel barato. A imagem traz um contraste assustador com a página de abertura do
número anterior. As duas são vistas de cima, mas se antes víamos Matt em sua
cama em sua mansão, agora a precariedade do lugar impressiona. Mazzucchelli
contribui com a ambientação ao desenhar um rato embaixo da cama. “Este lugar
fede a ratos. Eu preferia ficar com um amigo. Mostre-me um e fico com ele. Mostre-me
uma única pessoa no mundo que não tenha me traído...”.
Esse quadro, no contraste com o da edição anterior, mostra
a decadência do personagem e reflete sua deterioração mental.

A splash page de abertura reflete da decadência do personagem.
Nessa fase, Miller, embora não desenhasse mais, fazia o
rafe das páginas e sua narrativa visual é impressionante incluindo o melhor uso
da elipse quadrinística que já vi em toda a minha vida.
Na página em questão, Matt reflete sobre quem é o
responsável por sua desgraça, O Rei, e decide sair para se vingar. As ações mostradas
detalhadas, como se fosse uma câmera lenta. Ele se levanta da cama, aproxima-se
da porta, coloca a mão na maçaneta, gira... Na página seguinte, vemos uma
imagem do Rei caído ao chão, sua cabeça estourada numa poça de sangue. “Eu
esmurro o rei sem dó e ele suplica por clemência e me devolve tudo que me tirou
e se entrega à polícia”, pensa Matt Murdock.

A tentativa de sair do quarto é lenta, como uma câmera lenta...
Mas é apenas a imaginação do personagem. Na imagem
seguinte, ele está de volta à cama. A elipse é perfeita ao mostrar o quanto o
personagem está quebrado: embora saiba quem é o responsável por sua ruína, ele
é incapaz até mesmo de sair da cama. Seu caminho até a porta durou uma
eternidade, mas ele voltou rapidamente para a cama e para a incapacidade de
lidar com a situação.
Enquanto isso, o Rei se rejubila como se estivesse jogando
com um brinquedo novo, ou como uma criança que tortura uma mosca.

... e a volta para a cama é rápida.
No final, quando Matt finalmente consegue ir ao seu
encontro e enfrentá-lo, o Rei não só o surra, como manda prendê-lo num taxi
roubado que é jogado no rio. “A Morte de Murdock não deve ser misteriosa ou
suspeita. Não deve haver margem para dúvidas ou motivo para investigação”, diz
o texto.
No entanto, no último quadrinhos, vemos o herói entrando em
um beco cheio de mendigos, a roupa encharcada.

Matt Murdock é preso em um carro que é jogado no rio, mas sobrevive.
É difícil explicar, hoje em dia, o impacto que essa
sequência teve sobre os leitores da época. Para todos ficava óbvio que depois
disso as histórias de super-heróis nunca mais seriam as mesmas.
TJAP divulga campanha 2ª edição da campanha “Leitura que Liberta” nesta quinta-feira (5)
A 2ª Campanha de Doação de Livros “Leitura que Liberta: Doe Livros, Transforme Vidas!”, promovida pela 1ª Vara de Execução Penal da Comarca de Macapá (1ª VEP), será lançada nesta quinta-feira (5), às 8h30, em entrevista coletiva realizada na VEP, no Fórum de Macapá. A iniciativa busca mobilizar a sociedade para a doação de livros destinados às pessoas privadas de liberdade custodiadas no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen/AP). O objetivo é incentivar a leitura como ferramenta de transformação, educação e reinserção social.
A campanha é iniciativa do juiz substituto Diogo Sobral, magistrado à frente da 1ª Vara de Execução Penal de Macapá, e está alinhada à Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta a remição de pena pela leitura no âmbito da execução penal.
A ação reflete a humanização da execução penal ao estimular o acesso ao conhecimento, promover o desenvolvimento intelectual e contribuir para a saúde mental das pessoas privadas de liberdade.
Por meio da leitura e da produção de resenhas avaliadas pela equipe técnica, os internos podem obter remição de parte da pena, conforme os critérios estabelecidos pela legislação e pela normativa do (CNJ).
Serviço:
2ª Campanha de Doação de Livros “Leitura que Liberta: Doe Livros, Transforme Vidas!”
Período de arrecadação: 05 de de março a 5 de abril 2026
Local de entrega:
1 - Cepar – 1ª Vara de Execução Penal, localizada no térreo do Fórum Leal de Mira, na Avenida Manoel Eudóxio, Macapá/AP.
2 – Nos prédios da Defensoria Pública do Amapá ( Eliezer Levy, Procópio Rola e Raimundo Álvares da Costa )
Tipos de livros: autoajuda e história (em bom estado de conservação).
quarta-feira, março 04, 2026
Dark – segunda temporada
Cobra Norato de Augusto Morbach
Livro História dos quadrinhos
O mais novo lançamento da editora da Unifap é leitura obrigatória para os fãs da nona arte. Trata-se do livro História dos quadrinhos, de autoria do professor do curso de Jornalismo Ivan Carlo Andrade de Oliveira.
Ivan Carlo também é conhecido como Gian Danton, pseudônimo com o qual assina seus quadrinhos. No início da década de 1990, em decorrência sua experiência na área, ele foi convidado a escrever uma coluna sobre Histórias em quadrinhos no jornal O Liberal. Além das novidades na área, ele começou a introduzir textos sobre clássicos dos quadrinhos, textos esses que fizeram muito sucesso. Com o fim da coluna, o autor continuou escrevendo novos textos, publicando em fanzines e, depois, com o advento da internet, em sites e blogs.
Com o tempo surgiu a ideia de reunir esses textos em uma publicação. Para isso foram selecionados o mais relevantes, revisados e atualizados. “Não se pretende que esta obra seja um apanhado de toda a história dos quadrinhos. Essa mídia tem uma história tão ampla, em tantos países, que um volume sobre História dos Quadrinhos que abrangesse tudo seria gigantesco. Mesmo assim, algo ficaria de fora”, explica o autor. Assim, o livro focou nas obras mais conhecidas do público brasileiro e que foram publicadas aqui.
A obra tem prefácio da professora Fernanda Santos, docente do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Amapá (PPGLET/UNIFAP), do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH/UNIFAP) e da Graduação em Letras/Português do Campus Santana da UNIFAP.
O ebook História dos quadrinhos pode ser baixado gratuitamente no site da Editora da Unifap: https://www2.unifap.br/editora/files/2024/03/HISTORIA-DOS-QUADRINHOS-diagramado.pdf
Patrícia Swzen, a pet humana
MAD especial quadrinhos
De todas as revistas que eu perdi numa das muitas mudanças, a que eu mais me arrependo foi um número especial da MAD dedicado aos quadrinhos da editora Record.
Lembro que ia viajar de ônibus e antes passei na banca do Zé, no São Brás (atualmente o último sebo de rua de Belém) e comprei essa edição. Enquanto esperava para embarcar, lia e gargalhava a ponto de chamar a atenção dos outros passageiros.
Recentemente consegui uma versão em scan dessa revista e me surpreendi em perceber o quanto esse material até hoje parece muito bom.
A reunião de talentos era realmente incrível: Wallace Wood, Don Martin, Sérgio Aragonés... só para citar os mais famosos.
Wood parecia disposto a colocar o máximo de anedotas no menor espaço possível. Fico imaginando o quanto esse tipo de humor influenciou filmes como Apertem os cintos o piloto sumiu. E, olhando em retrospecto, teve influência sobre todos os roteiros de humor que já fiz.
Outra história desenhada por Wood que me arrancou gargalhadas era uma em que se imaginava o que aconteceria com os personagens de quadrinhos se eles tivesse envelhecido ao invés de se manterem com a mesma idade. Entre as várias sequências, um Super-homem que não tem mais peito ou dentes – e portanto não tem como segurar as balas.
Hoje pode não ser tão conhecido, mas Dom Martin era uma verdeira sensação nas décadas de 70 e 80, a ponto da Mad lançar livros apenas com trabalhos dele. Nessa edição, um trecho de uma história sobre Zorro é digna de nota. Zorro deixa Tonto cuidando dos cavalos e quando volta pergunta se passou muito tempo fora, ao que Tonto responde batendo os pés no chão, como faria um... cavalo! Um humor totalmente visual que só seria possível nos quadrinhos.
Algo que não lembrava era a quantidade de histórias envolvendo os peanuts. Ao que parece, o sucesso da tira (provavelmente alavancada pelo desenho animado) era estrondoso na época, a ponto de se tornar o personagem mais popular do período. Uma das histórias brinca exatamente com isso, imaginando se o sucesso teria mexido com a cabeça dos personagens.
A mad poderia ser muito boa para falar de política, filmes, seriados, mas era simplesmente insuperável quando falava de quadrinhos.
Caçador - o anti-herói da DC Comics
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| Primeira página da primeira história: narrativa em flash back. |
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| A narrativa visual lembra o que Frank Miller faria anos depois no Demolidor. |
Perry Rhodan – Gigantes do polo sul
No número 213 da série Perry Rhodan os personagens estão miniaturizados (em uma proporção de um para mil) na superfície do planeta Horror. A única chance de voltar ao normal parece ser destruir a base no polo sul, o que, teoricamente, os devolveria ao tamanho normal.
Mas como seres minúsculos, reduzidos a insetos, poderiam destruir uma base com quilômetros de extensão? E pior: sem poder usar armas atômicas, já que todo o material atômico perdeu sua função durante o processo de miniaturização. Além disso, eles podem contar apenas com aviões dos modelos antigos.
O volume é o relato dessa missão suicida e árdua cujo melhor momento é a escalada pela cúpula que protege a base. Os personagens são tão pequenos que conseguem descansar nas reentrâncias do metal.
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| Capa alemã. |
Além da própria dificuldade da escalada em si, o grupo ainda precisa levar os explosivos. Apesar de ser um peso enorme para os personagens miniaturizados, tudo junto representa apenas um quilo de explosivos. Seria possível causar algum dano real no equipamento que provocou a miniaturização?
O livro é escrito por H.G. Ewers, que faz um bom trabalho, descrevendo bem todos os obstáculos enfretados pelos personagens, apesar de algumas partes que não fazem sentido ou não estão contextualizadas. À certa altura, por exemplo, o autor solta a frase: “E tudo isso se juntava ao ruído provocado pelos átomos liberados...”, mas não explica o que está provocando isso. Parece que o autor tinha em mente a explicação para essa frase, mas esqueceu de colocar no livro.
Mas o maior problema desse volume é que ele parece totalmente descartável. A missão é um retumbante fracasso e não interfere em nada na situação dos terranos. Eles chegam lá, percebem que o local é grande demais para se procurar um local estratégico, e simplesmente montam a bomba na engrenagem mais próxima e depois saem correndo. E, claro, isso não provoca nenhum dano real, servindo apenas para colocar as defesas da base mecanizada no encalço dos aviões, provocando mais e mais situações de desgaste físico e mental.












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