terça-feira, setembro 08, 2026

Jornada nas estrelas – E as meninas, do que são feitas?

 


No episódio “E as meninas, do que são feitas?” a Enterprise está à procura do arqueólogo Dr. Roger Korby que parece ter desaparecido durante as escavações em um planeta extremamente gelado. Existe uma integrante da equipe particularmente interessada no assunto: a enfermeira Chapel, noiva de Korby. Quando finalmente conseguem comunicação com o mesmo são surpreendidos pela exigência do cientista de que apenas Kirk e sua noiva desçam ao planeta.

Indo contra as exigências, o capitão da Enterprise leva consigo dois seguranças, que, como todos os vermelhinhos, são mortos logo no início do episódio.

Durante o episódio, Kirk descobre que os habitantes do planeta se refugiaram em canais subterrâneas quando a superfície se tornou excessivamente gelada, e criaram para si androides que acabaram se revoltando contra eles. Korby aproveitou essa tecnologia para criar androides, entre eles uma jovem atraente (que, claro, troca beijos com Kirk).

O episódio é um dos muitos da série clássica que tratam da questão da humanidade e do que nos torna humanos, mas faz de forma confusa e sem brilho. O roteiro de Robert Bloch, autor do livro de Psicose, parece não saber onde quer chegar. O plano de Korby, por exemplo, tem um caminho tortuoso, que inclui a criação de uma réplica de Kirk aparentemente apenas com o objetivo de impressioná-lo.

O episódio vale mais pela atuação carismática de William Shatner, em especial na cena em que os dois Kirks conversam entre si.

Em tempo, o nome do episódio, “E as meninas do que são feitas?”, é uma referência a uma canção folclórica inglesa. 

Monstro do Pântano – Bicho Papão

 


Durante muito tempo, assassinos seriais eram mostrados de maneira equivocada nos quadrinhos. Geralmente no final da história eles se revelavam vítimas da sociedade, pessoas em busca de amor ou com boas razões para matar. Talvez a primeira vez em que um psicopata assassino foi mostrado de forma realista nos quadrinhos foi em Swamp Thing 44.

A história, escrita por Alan Moore e desenhada por Stephen Bissette e John Totleben, já se tornava memorável pela capa, com o protagonista andando na direção do leitor e ao fundo uma bandeira dos EUA na qual as listras vermelhas vão se tornando manchas de sangue. A imagem é provavelmente uma referência ao fato de que os EUA são a pátria de alguns dos mais famosos e mortais assassinos seriais de todos os tempos.

A história é contada do ponto de vista de um serial killer. 


A história começa num bar, onde dois homens conversam. “Me teste. Vamos lá, pense num número!”. O outro diz cinquenta e oito. “Cinquenta e oito. Vejamos... ela tinha olhos cinza esverdeados como umas bolinhas de gude que já tive, só com que pintas ocre junto da pupila”.

O leitor, logo perceberá que o autor da frase é um psicopata e cada número se refere a uma de suas vítimas, das quais ele se lembra dos olhos como uma espécie de troféu.

Batman faz uma constrangedora participação especial. 


Há uma jogada narrativa impressionante nessa HQ. De tempos em tempos vemos os olhos das vítimas entremeados à ação, mas nunca vemos os olhos do psicopata. A história toda é mostrada do ponto de vista dele. Normalmente a visão subjetiva é usada para criar uma empatia do leitor com o personagem, mas aqui funciona ao contário. Os olhos representam a humanidade. Ao não mostrarem os olhos do assassino, os autores o identificam como alguém frio, sem sentimentos.

O psicopata tira o homem do bar e o para o pântano, onde pretende mata-lo. Mas, logo depois do crime, ele se depara com o Monstro do Pântano.

Uma curiosidade dessa história é que Batman faz uma participação especial.

Imagens dos olhos das vítimas são entremeadas à trama principal. 


John Constantine está conversando com um desconhecido quando a dupla é inquirida pelo defensor de Gothan: “Aqui fora é perigoso. A maioria já se recolheu para um ambiente fechado”. “Sem problema, parceiro. Meu amigo aqui é de um de vocês. Já ouviu falar de Mento?”. Batman tenta se lembrar: “Espere. Seria aquele Mento ligado à Patrulha do Destino?”. “Isso mesmo. Mais exatamente sou casado com alguém da Patrulha. Você esteve no nosso casamento!”.

A cena é constrangedora. Batman despende-se de maneira desajeitada e sai correndo, como alguém que não consegue lidar com convenções sociais.

Perry Rhodan - 6 décadas de aventuras espaciais

 

A maior série de ficção científica do mundo. Trata-se de Perry Rhodan, uma space opera alemã que vem sendo publicada ininterruptamente desde 1961. No mundo todo já foram publicados mais de um bilhão de livros nas mais diversas línguas e há fã-clube espalhados por vários países, inclusive em alguns em que o personagem não é mais publicado. É um fenômeno poucas vezes observado na história da literatura de gênero. 

Perry Rhodan surgiu como uma reação à dominação norte-americana no campo da FC. No final da década de 1950, esse mercado era totalmente dominado por material vindo dos EUA e os alemães só conseguiam publicar sob pseudônimo. Foi quando dois autores, Karl-Herbert Scheer e Walter Ernsting (também conhecido pelo pseudônimo de Clark Darlton) apresentaram o projeto de um herói audaz à editora alemã Moewig, que topou publicar depois de algumas alterações. Para fazer a capa foi chamado Johnny Bruck, um dos mais famosos ilustradores alemães de ficção-científica. À equipe criativa juntaram-se mais dois escritores, Klaus Mahn (Kurt Mahr) e Winfried Scholz (que assinava W.W. Shols). Scher escreveu a sinopse dos 10 primeiros volumes e começaram a produzir. 




Para dar ideia de que a série era importada, o personagem principal era o astronauta americano Perry Rhodan. Em viagem à Lua, encontra uma nave de uma civilização super-desenvolvida, mas decadente, os arcônidas, e seus dois ocupantes. Voltando à Terra, ele usa a tecnologia alienígena para impedir uma guerra nuclear e funda a Terceira Potência, unindo a humanidade em torno de um ideal: a conquista do espaço.

Os autores acharam que a série ia fazer, no máximo, um sucesso relativo, e planejaram apenas 30 números. Mas Perry Rhodan vendeu tanto que os primeiros números foram rapidamente republicados e a série foi exportada outros países, inclusive no Brasil. Logo a quantidade de livros publicados era tão grande que ficou difícil explicar como uma pessoa normal vivia tantas aventuras. A solução foi tornar o protagonista praticamente imortal graças a um ativador celular (atualmente Perry Rhodan tem mais de 3 mil anos) e encher a trama de personagens secundários, muitos dos quais vivem aventuras solo. 


Para conseguir contar uma trama tão complexa e cheia de detalhes e personagens secundários, que abarca centenas de anos na história da humanidade, os autores desde o primeiro número fazem um planejamento detalhado. Um dos autores é nomeado líder e escreve um resumo de cada volume semanal por todo um ciclo (que pode durar 50 ou 100 livros). Esse resumo deverá ser seguido à risca pelo autor do volume. Assim, se uma nave parte com uma determinada tripulação em um volume, ela deverá ter a mesma tripulação no volume seguinte. Os livros também são revisados para encontrar incoerências. 

Muitos dos principais conceitos da FC e dos quadrinhos foram antecipados pela série. Os mutantes, por exemplo, já exibiam seus poderes em Perry Rhodan anos antes do surgimento dos X-men. Outra antecipação são os pós-bis, uma raça de robôs que pretendem destruir toda forma de vida orgânica, conceito muito semelhante aos borgs, vilões que surgiriam na série Jornada nas estrelas - nova geração, décadas depois. 

Apesar da enorme quantidade de livros publicados e de alguns escorregões, na média, os autores nunca deixaram cair a qualidade da série e houve momentos em que os livros chegavam a uma qualidade insuspeita para esse tipo de publicação. 



Exemplo disso é o número 52, O Pseudo, escrito por Clark Darlton. O livro é uma adaptação da peça O Inspetor Geral, do dramaturgo russo Nicolai Gógol. Gógol escreveu sua peça como uma crítica ao autoritarismo e à corrupção do Estado Czarista. Darlton atualizou a discussão, transpondo-a para um cenário futurista. 

Pelo menos um dos escritores é considerado um mestre da FC do porte de Isaac Assimov e Ray Bradbury: Willian Voltz. Dono de um estilo poético que lembra Bradbury, Voltz colocou humanismo e filosofia na série. O estilo Voltz ficou muito bem claro desde os primeiros livros desse autor na série. No volume 99, a história era pueril e maniqueísta: um dos arcônidas encontrados por Perry Rhodan na lua, Crest, vai para um planeta longínquo para passar os seus últimos dias, mas recebe a visita inconveniente de seres extraterrestres que querem se apoderar de sua nave, o ápice da tecnologia terrestre até então. Voltz transformou essa sinopse numa parábola sobre a amizade e a lealdade, recheada de poesia. 

Na fase em que liderou os escritores, a humanidade passou a questionar seu papel no universo, percebendo que a evolução espiritual era tão importante quanto a material. As histórias passaram a ser mais filosóficas e contemplativas, fugindo do militarismo da fase anterior. 

Os personagens, mesmo os vilões, começaram a questionar sua própria existência, fugindo do maniqueísmo. Nessa nova fase, mesmo os mais ferozes inimigos tinham motivos que justificavam sua suposta maldade. 



No Brasil a série foi publicada pela editora Tecnoprint S.A. a partir de 1975 e durou até o número 536. No início as histórias eram publicadas em formato livro de bolso pequeno, com borda branca. Posteriormente, o formato aumentou, com livros compridos e estreitos e a borda ficou preta. No início da década de oitenta, amparada por propagandas de TV, a série ganhou popularidade e as edições passaram a ser semanais. 

No início da década de 1990, a era Collor provocou uma crise sem precedentes no mercado editorial e o personagem não resistiu, deixando de ser publicado no número 536. 



Apesar de não ser mais publicada, a série continuou aglutinando fãs que se reuniam em torno de fanzines e tentavam articular a volta do personagem. Como o surgimento da internet, essa articulação foi para as redes sociais. Surgiu o Perry Rhodan Fã Clube do Brasil (PRFCB) e o fã-clube começou a negociar com grande editoras, ao mesmo tempo que organizava uma lista de possíveis assinantes. Embora essa lista aumentasse cada vez mais, nenhuma editora parecia se interessar. 

A solução surgiu de um fã, Rodrigo de Lelis, dono de uma pequena empresa de informática, a SSPG, voltada para a documentação eletrônica e editoração de publicações, que passou a publicar a série em volumes que incluíam duas histórias e vendidas através de assinaturas. 
Mais recentemente a editora tem lançado volumes únicos que podem ser comprados como e-book ou impressos. Clique aqui para acessar a loja da SSPG.

Thor contra o Homem-radioativo

 


No início da década de 1960 era muito comuns que os vilões da Marvel fossem ameaças comunistas, a exemplo do Homem-radioativo, surgido Journey into Mystery 93, de 1963.

Na história, Thor interfere na guerra entre a China e Índia e com isso provoca a fúria das autoridades chinesas, que convocam seus melhores cientistas e fazem um ultimato: “Vocês são os nossos maiores estrategistas militares e gênios científicos! Falem! Eu exijo que me deem soluções imediatas para nos livrarmos de Thor!”.

O curioso, nessa época, é que os vilões se diziam literalmente vilões: “Cedo ou tarde teremos que enfrentar a democracia!”.

O cientista ganha super-poderes ao se expor à radiação. Naquela época era muito fácil ganhar super-poderes.


Um dos cientistas resolve se bombardear com radiação, transformando-se no... Homem-radioativo!!!!!! (A justificativa para ele não ter sido torrado pela radiação é que ele vinha aumentando sua imunidade ao se expor continuamente à radiação, o que, ao invés de dar-lhe um câncer, tornou-o resiste!).

A história, com plot de Stan Lee, diálogos de Robert Bernstein e desenhos de Jack Kirby, é um primor daqueles tempos mais ingênuos. O vilão viaja a Nova York para derrotar Thor. Lá o deus do trovão descobre que seu martelo encantando é repelido pela radiação. Pior, o Homem-radioativo cria um redemoinho que hipnotiza o viking.

Um redemoinho de radiação que hipnotiza Thor? Santo roteirismo, Batman! 


Mas o vilão comete um erro: manda que Thor jogue longe seu martelo, mas ele joga longe demais. Enquanto o homem-radioativo vai procurar o mjorn, o herói volta a ser Don Blake.

Curiosamente, o vilão encontra com o médico logo depois da transformação e, claro, fala como um vilão, pois naquela época não bastava agir e pensar como vilão, também era necessário fazer discursos de vilão: “Você, seu verme insignificante... viu para onde foi Thor?”. Blake aponta uma direção qualquer e depois corre para seu consultório, onde fabrica uma máquina capaz de encontrar seu martelo. Mais uma coisa impressionante daquela época: todo herói da Marvel era um grande inventor e inventava coisas com a rapidez das necessidades do roteiro.

Don Blake inventa uma máquina para ajudar a achar o martelo. Tudo é possível quando o roteirista quer.


No final, depois de toda essa trama rocambolesca com um vilão aparentemente invencível, Thor resolve toda a situação em mera meia-página. O vilão invencível no final se revela esquecível.

Para piorar (ou melhorar, dependendo do ponto de vista), o desenho de Kirby não parece muito inspirado. O rei só pareceu voltar a ter interesse por Thor quando começou a ser publicada a série Contos de Asgard.

O terror da EC

 


 No início dos anos 1950, a nona arte viu nascer e morrer a melhor edi­tora de HQs de todos os tempos: a EC.
A editora tinha surgido no início da década de 40, publicando coisas insossas, como adaptações da Bíblia e coisas do gênero. Com a morte de Max Gaimes, em 1947seu filho, William Gaines, foi obrigado a assumir a editora. Nessa época ele foi procurado pelo desenhis­ta e roteirista All Feldstein que tinha uma proposta completamente inova­dora. Em maio de 1950Gaines e Feldstein lançaram uma nova linha de gibis: dois de histórias de crimes, dois de guerra e três de terror. Nes­sas revistas desfilaram os melhores artistas da época, de Joe Orlando a All Williamson.



O sucesso foi imediato. Milhares de garotos americanos passaram a devorar sua dose mensal de horror e fantasia. Escritores famosos, como Stephen King, eram fanáticos pela EC quando crianças. No filme “Con­ta comigo’ baseado num livro de King, um dos garotos aparece lendo uma revista da EC. Gente famosa, co­mo o escritor Ray Bradbury, colabo­rava com a EC.
Até aí, tudo bem. O problema é que a EC era uma editora crítica, tal­vez a primeira da historia dos quadri­nhos. A EC fazia propaganda pacifista durante a guerra da Coréia, questio­nava os heróis e as instituições ame­ricanas. Numa das histórias um homem é encontrado próximo de uma moça atropelada e é torturado uma noite inteira até admitir que cometeu o cri­me. No final da história o policial que o torturou vol­ta para casa e trata de limpar a mancha de sangue no pára-brisa de seu carro. Ele era o assassino...



A revolução da EC, entretanto, não ficou só no conteúdo. Mudou também a forma. Todas as histórias da EC seguiam um certo ritmo óbvio até o final - quando davam uma guina­da de 180 graus, numa conclusão totalmente imprevista. Isso desconcertava o leitor, levando-o a uma leitura criti­ca da realidade (se alguém se lembrou dos filmes de M. Night Shyamalan, acertou – o diretor de Sexto Sentido sempre foi fã de quadrinhos e transformou essa “virada” final na sua marca pessoal).





A festa não durou muito. Gaines foi chamado para depor numa comis­são do Senado americano liderada por Frederick Wethan e fez o que pôde para defender suas publicações. Não adiantou muito: as editoras (para as­segurar suas vendas) criaram um có­digo de ética que praticamente proibia as revistas da EC. O resulta­do foi uma das épocas mais medío­cres da história dos quadrinhos. Os grandes artistas, desiludidos com o fim da EC, deixaram de lado os qua­drinhos, indo a maioria parte deles pa­ra a publicidade.
      Das revistas da EC, a única a per­manecer foi a MAD — durante décadas uma das revistas mais vendidas nos EUA e no mundo. O curioso é que ela é pu­blicada pelo mesmo grupo proprietá­rio da DC — a editora que liderou o levante contra as revistas de Gaines...

A teoria comportamental na educação

 

Um dos pensadores mais importantes da educação no século passado foi o norte-americano Frederic Skinner. Suas idéias influenciaram a educação a tal ponto que, de uma análise dos CD-ROM educativos de meus filhos, conclui-se que todos eles são baseados na teoria de Skiner de condicionamento e reforço. 
As origens do pensamento de Skinner remontam ao fisiologista russo Ivan Pavlov. Ganhador do prêmio Nobel de 1904 na categoria de medicina fisiológica, Pavlov ficou famoso por sua experiência com um cachorro. Ao mostrar comida para um cão, o cientista percebeu que este salivava e chamou a isso reflexo incondicionado. Em um segundo momento, o cientista tocou uma campainha e anotou que a resposta do cão era apenas virar a cabeça para olhar de onde se originava o som. Pavlov passou a tocar a campainha toda vez que apresentava a carne ao cão. Em um terceiro momento, apenas o toque da campainha já era capaz de provocar salivação no animal.

Pavlov conclui que o comportamento dos seres vivos pode ser controlado através de um processo de condicionamento. Para isso, basta associar à resposta desejada uma outra resposta, já natural do organismo e agradável. Para Pavlov a recompensa deveria vir um pouco antes do estímulo que se quer condicionar para que se estabeleça uma relação. Para o cientista, também é necessário um reforço constante para manter o comportamento desejado. Essa técnica é utilizada pela publicidade, quando os anúncios associam situações de prazer (viagens, esportes, sexualidade) com produtos. Da mesma forma, ao se associar determinado comportamento a respostas negativas, pode-se eliminar esse comportamento. No filme Laranja Mecânica, cientistas tentam reabilitar um delinquente aplicando injeções que o fazem ter enjôos enquanto observa cenas de violência e sexo.
No filme Laranja mecânica, a teoria comportamental é usada para reabilitar um delinquente juvenil. 


Skinner reformulou a teoria de Pavlov, lançando as bases do neo-behavorismo ou teoria do condicionamento. Para eles, existem dois tipos de comportamento.
O comportamento respondente são os reflexos e respostas inatas ao ser humano. São respostas naturais. Quando nosso corpo começa a tremer quanto está frio, por exemplo, temos um comportamento respondente.
O comportamento operante é aquele cuja freqüência foi aumentada ou diminuída como resultado de um condicionamento.
Para Skinner, todos os comportamentos têm a mesma possibilidade de ocorrer, mas se determinada resposta for reforçada, esse comportamento terá maior chance de ocorrer do que outros. Correr é um comportamento inato do rato, assim como andar, mas se, ao final da corrida, ele recebe comida, a chance dele passar a correr se torna maior.
Skinner discordou de Pavlov afirmando que o reforço à resposta deve ocorrer depois, e não antes do comportamento desejado. Para ele, se, no momento em que houver uma resposta correta, houver um reforço, o sujeito terá uma tendência a repetir esse comportamento. Por outro lado, se não houver reforço, o comportamento terá uma tendência a ser extinto. Um exemplo é a criança que faz bagunça para chamar atenção dos pais. Se os pais não demonstrarem nenhuma atitude, a tendência da criança será parar esse comportamento. Por outro lado, a criança que é aplaudida e parabenizada ao guardar os brinquedos de forma organizada, terá a tendência de apresentar novamente esse comportamento.
Para essa corrente de pensamento, a inteligência é vista como a capacidade do organismo de responder aos estímulos do ambiente. Uma pessoa inteligente é aquela que responde melhor ao condicionamento. Um exemplo disso é a chamada caixa de Skinner, em que um rato é deixado em uma caixa e deve apertar uma tecla. A toda vez que a tecla é apertada, o animal recebe alimento. Ou seja, a resposta correta à situação foi premiada com alimento. Um rato inteligente é aquele que percebe logo essa relação e passa a agir de acordo com o condicionamento.

Para a teoria comportamental, a função da escola é manter e conservar os padrões de comportamento aceitos como úteis e desejáveis para uma determinada sociedade, dentro de um determinado contexto cultural, assim como eliminar os comportamentos indesejáveis.
Como o comportamento é moldado a partir da estimulação externa, o aluno não deve participar das decisões curriculares. Essas decisões são tomadas pelos dirigentes e pelo professor, sempre amparados nos objetivos e tendo em vista as necessidades da sociedade.

Os comportamentos desejáveis por parte dos alunos são mantidos através de reforços imediatos, como elogios, notas, prêmios, e reforços remotos, como diploma, vantagens na futura profissão e possibilidade de ascensão social.

Homem de Ferro e Doutor Destino – Na corte do Rei Arthur

 


Embora um seja herói e o outro vilão, Homem de ferro e Doutor Destino têm uma coisa em comum: ambos usam armaduras. E houve uma época em que todos os guerreiros usavam armaduras: a Idade Média.

Os roteiristas David Michline e Bob Layton perceberam essa conexão e resolveram transformar isso numa história no mínimo inusitada, publicada em Iron Man 149 e 150, em 1981.

Na trama um dos executivos da Stark vende equipamentos para Victor Von Doom. Suspeitando que esse equipamento será usado para a construção de algum tipo de arma, o Homem de Ferro vai para a Latvéria. Lá, ele e o Dr. Destino se envolvem numa violenta luta, mas no meio dela são transportados para o passado por um dos cientistas do tirano. E eles vão parar exatamente na época do Rei Arthur e dss cavaleiros da távola redonda.

A chegada dos dois à Idade Média é a cena mais memorável da história. 


A sequência da chegada deles ao período arthuriano é memorável, a começar pela splash page inicial, com os dois rodopiando em meio a esrtuturas psicodélicas  até a deslumbrante página dupla. O texto diz: “Diferente dos efeitos especiais do cinema, que tentam representá-lo, o tempo não é uma dimensão gloriosa, mas uma espessa e tenebrosa realidade povoada de possibilidades, incertezas e alternativas”.

Uma vez em Camelot, os dois personagens tomam caminhos distintos: O Dr. Destino alia-se à feiticeira Morgana e o Homem de Ferro ao rei Arhtur. O final, empolgante, envolve uma guerra na qual lutam cavaleiros de um lado e cadáveres de outro.

Destino alia-se à feiticeira Morgana. 


O interessante aí é que, embora seja um vilão frio e calculista, Destino na verdade é movido pelo desejo de salvar sua mãe das garras do inferno. Ou seja: embora seus métodos sejam escusos, sua motivação é a mais nobre possível.

O desenhista, John Romita Jr, imitava o pai nessa época (pouco depois ele mudaria seu traço, trazendo uma forte influência de Jack Kirby) e, apesar da sombra do pai, consegue ter um brilho próprio, especialmente nas splash pages e páginas duplas. Sua interpretação de Morgana também é acertada, um misto de erotismo e vilania.

O auge da trama é a luta entre os dois exércitos. 


John Romita Jr, David Micheline e Bob Layton conseguem criar uma trama envolvente e dar verossimilhança a uma história no mínimo inusitada.  

No Brasil essa história foi publicada pela editora Abril em Grandes Heróis Marvel 11.

segunda-feira, setembro 07, 2026

Os melhores filmes de terror

 


E lá vamos nós para mais uma lista. Dessa vez, a relação é de filmes de terror e suspense. Listas são sempre pessoais e servem mais como indicação de obras interessantes que podem ser lidas ou assistidas. Aqui, dei prioridade aos filmes que assisti. Mas podem acrescentar outros nos comentários.




O Iluminado
Talvez o grande filme de terror. Uma das primeiras opções quando se pensa num filme do gênero que se aproximou da genialidade. O iluminado é baseado em um livro de Stephen King sobre um menino com poderes paranormais preso com a família num hotel no meio da neve. E as coisas começam a complicar quando fantasmas começam a aparecer, despertando o lado assassino do pai. O curioso aí é que existe sempre a dúvida: os fantasmas existem mesmo, ou é apenas o pai tendo um surto psicótico? As cenas das garotinhas gêmeas e do corredor sendo inundado de sangue são antológicas. Kubrick sabiam como criar images que ficavam na retina.




Sexto Sentido
O filme de Shyamalan pegou muita gente de surpresa: o que parecia um simples filme de fantasmas revelou-se uma obra com muitas camadas de significado. É o tipo de filme que você precisa assistir várias vezes.




O bebê de Rosemary
Um filme sem monstros ou sem terror explícito, mas mesmo assim um dos mais assustadores de todos os tempos: uma mulher, está grávida e desconfia que o marido participa de uma seita satânica e que o bebê é filho do demônio. Uma das obras-primas de Roman Polanski. 




Alien, o oitavo passageiro
Ficção-científica e terror se unem perfeitamente nesse filme de Ridley Scott. O roteiro explora muito bem a tensão de pessoas em um local fechado lutando contra uma ameaça terrível.




Os outros
Dirigido pelo espanhol Alejandro Amenábar, esse filme rivaliza com Sexto Sentido em termos de final surpresa. Não, nem tudo é o que parece. Além do ótimo final, um filme com suspense a cada minuto.




Carrie, a estranha
Outra grande obra de Stephen King levada às telas, dessa vez por Brian De Palma. O filme capta perfeitamente o clima tenso do livro, no qual uma adolescente descobre que tem poderes paranormais e praticamente destroi uma cidade depois de ser vítima de bullying. A cena dela andando pela cidade toda suja de sangue é uma das mais famosas do cinema e foi imitadíssima. E o final, bem, até o King disse que o final do filme é melhor do que o do livro.


O gabinte do Dr. Caligari

Um dos grandes clássicos do terror e um dos meus filmes prediletos de todos os tempos. Foi o primeiro filme a mostrar que o cinema podia trabalhar com uma realidade subjetiva, imaginária. Foi o primeiro filme a ter flash back. Também foi o primeiro filme a utilizar as vanguardas artísticas como base (no caso, o expressionismo, com inquietantes paineis pintados). Também foi um dos primeiros filmes a ter um plot twist. Galigari é o melhor do terror psicológico e foi tão inovador para a época que até hoje é atual. Poucos cineastas se aventuraram a experimentar tanto, mesmo depois de 90 anos. Direção de Robert Wiene a partir de um roteiro realmente genial de Hans Janowitz, Carl Mayer e Fritz Lang.

Livro Teorias da comunicação

 

 

O Intercom é o mais importante congresso brasileiro da área de comunicação. Em 2014, o Intercom lançou um livro, no formato de e-book com artigos dos mais renomados professores de Teorias da Comunicação do Brasil. Intitulado Teorias da Comunicação: correntes de pensamento e metodologia de ensino, o volume foi organizado por Rose Vidal, José Marques de Melo e Osvando Morais. Eu colaborei com dois artigos, um sobre a teoria hipodérmica e outro intitulado "Da cibernética à teoria do caos". O volume, que se tornou bibliografia obrigatória em cursos de Comunicação, pode ser baixado aqui.

Superdeuses, de Grant Morrison

 


Grant Morrison é um dos mais importantes roteiristas de quadrinhos da atualidade. Foi um dos primeiros a experimentar a metalinguagem nos super-heróis, com o Homem-animal. Sua passagem por séries como Liga da Justiça e X-men são tanto memoráveis quanto polêmicas. Polêmicas, aliás, são também algumas de suas atitudes e declarações. Em outras palavras: é uma figura tão interessante quanto os personagens que escreve. Daí que o lançamento do livro Superdeuses (Seoman, 496 páginas) tem chamado tanta atenção.
O volume inicialmente era para ser uma antologia de entrevistas dadas pelo roteirista, mas Peter McGuigan, agente do escritor, sugeriu que o livro ficaria bem mais interessante com textos inéditos e Morrison se viu escrevendo centenas páginas numa mistura de análise do mito dos super-heróis com biografia e críticas lisérgicas sobre filmes, quadrinhos e seriados.
Um dos pontos interessantes do livro é a abordagem sobre a criação do mito dos super-heróis. Para ele, esses personagens “falam mais alto e com mais força frente aos nossos grandes medos, nossos desejos mais profundos e nossas maiores aspirações”.
Sua análise do surgimento mito, a partir do Super-homem, é um dos momentos mais inspirados do livro. Segundo ele, “O Superman original era uma reação humanista e audaciosa aos temores do período da Grande Depressão, do avanço científico desregrado e da industrialização sem alma (...) Se as perspectivas distópicas da época previam um mundo desumanizado, mecanizado,  Superman sugeria outra possibilidade: a imagem de um amanhã decididamente humano, que entregava o espetáculo do individualismo triunfante exercendo sua soberania sobre as forças implacáveis da opressão industrial”.
Essa visão é corroborada pelo fato do personagem estar sempre destruindo máquinas, como na primeira aparição do personagem, em que ele aparece na capa de Action Comics segurando um carro sobre a cabeça, pronto a jogá-lo contra uma pedra.
Se Superman merece uma apaixonada análise de sua primeira história, a outra estrela da DC, o soturno Batman, ganha de Morrison uma retrospectiva hilária dos desastres cinematográficos. Não é difícil imaginar o roteirista chapado com algum tipo de droga da moda assistindo a seriados, como os da década de 1940 e se divertindo a valer com seu humor ácido: “O Batmóvel era um conversível brega no qual Batman trocava de roupa no banco de trás enquanto o teto fechava e presto! O roadster facilmente identificável no qual Bruce e Dick tinham acabado de chegar, num piscar de olhos, virava o magnífico Batmóvel! Enquanto Batman se debatia para tirar as roupas e botar a fantasia de morcego, o dito Menino Prodígio assumia o volante ilegalmente e, quando era a vez do devasso Robin revirar-se para entrar nos trajes, Batman fazia as honras na frente. Era uma parceria lendária, afinal de contas”.  
Um ponto que não poderia ficar de fora de um livro de Morrison é sua antológica briga com Alan Moore, autor de Watchmen, V de Vingança e outras séries de renome. O escocês Morrison é nitidamente fã do trabalho de Alan Moore e tem que fazer um verdadeiro contorcionismo verbal ao elogiá-lo ao mesmo tempo em que o critica: “Alan Moore era autodidata, ambicioso, de uma inteligência feroz e extravagante, e o maior truque no seu arsenal de grandes truques era parecer totalmente inovador, como se não houvesse história dos quadrinhos anterior ao seu surgimento”.
A eterna inimizade entre os dois rende alguns dos melhores momentos do livro, como quando Alan Moore diz que a graphic novel Asilo Arkhan, de Morrison, é “cocô embrulhado em ouro” e Morrison afirma que Watchmen é “um poema colegial de 300 páginas”.
Também vale destacar os trechos com as esquisitices de Morrison, como a fase em que ele praticava magia do caos vestido de travesti. Ou a vez em que ele mascou haxixe e se sentiu abduzido por extraterrestres que lhe revelaram o segredo do universo – segredo que ele, gentilmente, compartilha com os leitores do livro.
Não se espere isenção de Morrison. Ele alfineta desafetos (como Moore), antigos amigos (como Mark Millar) e simplesmente ignora quem é da turma de Alan Moore, como Neil Gaiman, que merece apenas uma pequena menção na obra. Além disso, embora a Marvel rivalize com a DC na criação de mitos, ele se concentra muito mais nos heróis da DC, provavelmente reflexo de sua traumática passagem pelo título X-men.
Um ponto positivo da edição brasileira é que ela é traduzida por Érico Assis, jornalista especializado em quadrinhos, que sabe do que Morrison está falando. Isso evitou, por exemplo, que nomes de personagens fossem traduzidos de maneira diferente da usual no Brasil.
Um ponto negativo é a capa nacional, um assunto que não poderia ser ignorado em qualquer resenha mais séria. A capa original emula uma sequência de quadrinhos, com um planeta sendo destruído, um foguete sendo enviado ao espaço e o pequeno Karl-El sendo achado pelos Kents.  O título e o crédito são distribuídos de maneira elegante entre os quadros. A edição nacional deixou a elegância de fora. Ela é dominada por um título que surge de um rasgão, em letras garrafais, lembrando o cartaz do Superman da década de 1970, com um fundo de estrelas. A capa original é lembrada apenas pela parte de baixo, em que aparecem um homem e uma mulher. Sem a sequência é muito difícil deduzir que são Martha e Jonathan Kent e que eles estão achando o superbebê. Espera-se que a capa seja repensada para a próxima edição. Afinal, Superdeuses é leitura obrigatória para fãs de quadrinhos e pessoas que desejam entender o fenômeno de super-heróis.