segunda-feira, maio 25, 2026
Skizz – Contato imediato de Alan Moore
O roteirista profissional, de Marcos Rey
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JANDIRA (categórica): Neste hotel não vejo, não escuto, não falo!
DIÁLOGOS
Para ler os quadrinhos
A primeria vez que li um texto sobre quadrinhos foi um artigo do Arnaldo Prado Júnior no jornal O Liberal sobre o Fantasma. Eu estava encerando a casa. Para quem não é da minha época, antigamente a casa era encerada e depois eram colocados jornais por cima, para que as pessoas pudessem passar enquanto a cera secava.
Estava ali, espalhando os jornais pelo chão quando um texto me chamou a atenção. Era o tal texto sobre o Fantasma. Parei o serviço e comecei a ler. Fiquei fascinado. Embora eu lesse quadrinhos desde que me entenda por gente, nunca tinha visto alguém escrever sobre quadrinhos.
O autor desse artigo depois viria a ser meu orientador de TCC, mas essa é outra história.
Um pouco mais velho, conheci a biblioteca pública Arhtur Viana, no centro de Belém. Foi lá que, vasculhando as prateleiras, descobri que existiam livros sobre quadrinhos. Os dois que constavam no acervo era de autoria de Sônia M. Bibe Luyten, uma pesquisadora da USP. O primeiro deles era o volume O que é história em quadrinhos, da Coleção Primeiros Passos. O outro era a antologia Histórias em quadrinhos – leitura crítica, da editora Paulinas.
Eu li e reli esses livros diversas vezes (nas primeiras vezes o funcionário responsável pelos empréstimos me avisava que eu já tinha emprestado aquele livro, depois simplesmente passou a ignorar) e foram obras fundamentais para que eu decidisse pesquisar e escrever sobre quadrinhos. Todos os livros que escrevi sobre o assunto tiveram sua origem lá, naqueles livrinhos lidos e relidos diversas vezes.
O volume O que é história em quadrinhos eu consegui comprar, até porque a Coleção Primeiros Passos até hoje é fácil de encontrar em sebos. Mas o História em quadrinhos – leitura crítica eu nunca achei em sebo e já estava fora do catalogo da Paulinas quando comecei a procurar. Apesar de ter muitos livros sobre quadrinhos, esse era um que faltava na estante.
Recentemente consegui achar, via estante virtual, um sebo que tinha o livro para vender.
Foi uma alegria reencontrar essa obra tão fundamental.
Somerset Holmes
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| Capa original. |
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| Capa original da minissérie |
A arte espetacular de Luiz Eduardo Cardenas
Luiz Eduardo Cardenas nasceu em 1972, em Aracaju, Sergipe. Desde pequeno revelou talento para o desenho e logo começou a trabalhar na área. Sua primeira história em quadrinhos publicada foi Mais do mesmo, na revista Mestres do Terror, da editora D’Arte.
Além dos quadrinhos, transitou por áreas como publicidade, marketing, educação a distância e cinema, atuando com roteiro, ilustração, storyboard, design de personagens, cenografia, figurino e direção de arte.
No cinema, colaborou com o diretor capixaba Rodrigo Aragão nos filmes Mar Negro, As Fábulas Negras, O Cemitério das Almas Perdidas, Prédio Vazio e A Mata Negra. Suas HQs mais recentes foram Bergtagna: A Dimensão das Sombras, PIGZ, O Livro Maldito de Cipriano e Crônicas Tentaculares.
Campos do Jordão: História, Natureza e Espiritualidade
Campos do Jordão fica a 170 quilômetros de São Paulo, quase na divisa com Minas Gerais. Sendo a cidade mais alta do país, sempre teve vocação para o turismo. Na virada do século XIX para o século XX, a busca era pelo turismo médico: acreditava-se que o ar limpo e montanhoso da região ajudava a curar doenças respiratórias, o que fez com que várias clínicas se instalassem na região.
Atraídas pela cura, pessoas de todo o mundo vinham para a cidade e muitas acabaram fixando residência, conferindo-lhe um caráter cosmopolita. Com o tempo, Campos do Jordão se reinventou como um dos principais destinos turísticos do Sudeste, especialmente no período natalino. No Capivari, centro pulsante da cidade, há uma praça com diversas árvores de Natal, cada uma ornamentada por uma loja local, o que garante uma decoração variada e criativa.
Para conhecer os arredores, é possível fazer passeios guiados (cerca de R$ 70 por pessoa), com visitas aos castelos, à Ducha de Prata, ao Pico do Itapeva, ao bairro das mansões — onde residem algumas das pessoas mais ricas do Brasil —, à Vila Holandesa e às tradicionais lojas de chocolate.
Outra atração imperdível é o Mosteiro de São João, das monjas beneditinas. Além da paz e da beleza do local, é possível lanchar com quitutes feitos por elas. Mas a grande atração é o canto gregoriano, a partir das 17h30: uma experiência transcendente, ampliada pela beleza e pela acústica da pequena igreja.
Para os amantes da natureza, o parque Amantikir é parada obrigatória. O local se destaca pelos belíssimos jardins e pela vista incrível da Serra da Mantiqueira. A entrada custa R$ 100 por pessoa, mas vale a pena contratar um guia. Em nossa experiência, pagamos R$ 120 por pessoa, valor que já incluía o transporte e o ingresso.
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| O parque Capivari é um dos principais pontos turísticos da cidade. |
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Próximo do parque há um centro comercial. Além da arquitetura em estiulo europeu, a ornamentação se destacada. ![]() |
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| A cidade se destaca pela ornamentação natalina. |
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| O mosteiro é o local ideial para quem busca paz e tranquilidade. |
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| A arquitetura das lojas remente a estilos eruopeus. |
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O Parque Amantikir é repleto de jardins e tem uma bela visão da serra da Mantiqueira. Uma boa opção para quem gosta de natureza. ![]() ![]() ![]() |
domingo, maio 24, 2026
Realidades adaptadas, de Philip K. Dick
Pateta faz história
Pateta faz história é uma coleção criada pelo argentino Jaime Diaz na década de 1970. Foi um pedido da Disney, já que a editora americana, a Western, não estava dando conta da demanda internacional. Diaz imaginou uma série revolucionária, a começar por colocar o Pateta como protagonista, deixando o Mickey como personagem secundário (o que tornou a série muito mais interessante). Além disso, a diagramação era inovadora, com partes do cenário formando molduras dos quadrinhos.
The good bad mother
Confesso que gosto de, desde os primeiros momentos, de um filme ou série, saber qual é a trama, qual o conflito central. Quando isso não fica muito claro, por exemplo, no primeiro capítulo, minha tendência é abandonar pela metade achando que continuar seria perder tempo com um roteirista que não sabe onde quer chegar.
O dorama (ou k-drama) coreano The good bad mother me mostrou que essa pode ser uma atitude precipitada. Até ali pelo final do segundo capítulo não está clara qual é a trama e o expectador só consegue entender de fato tudo que está acontecendo no nono capítulo. Eu só persisti porque a série tinha sido muito bem recomendada por amigos – e não me decepcionei.
Para continuar, preciso contar um pouco da história, então, se não gosta de spoiller, melhor parar aqui.
A história é focada em Kang Ho, um garoto inteligente e esforçado, que é criado de forma dura e até mesmo cruel pela mãe, que não lhe deixa ir nos piqueniques da escola e nem mesmo assistir televisão. A mãe na verdade, não o deixa nem mesmo comer o quanto quer, pois, segundo ela, comer muito dá sono e quem está com sono não pode estudar. O sonho dela, de que ele se forme em Direito e se torne um promotor público, acaba se realizando, mas aparentemente à custa do relecionamento entre os dois. Para piorar, o pai havia morrido há muitos anos, assassinado por um mafioso em um caso encoberto por um promotor.
Tudo muda quando Kang Ho sofre um acidente e não só fica paralítico, mas também perde a memória e a capacidade cognitiva, tornando-se o que seria equivalente a uma criança de sete anos.
A tragédia acaba se transformando em uma espécie de segunda chance entre mãe e filho, de forma que relação que se reconstrói do zero. A mãe má se transforma em uma mãe boa e amorosa, capaz de fazer tudo pelo filho, mas retorna de tempos em tempos. Quando, por exemplo, o filho não consegue levantar a mão, ela o faz passar fome. Ele só volta a comer quando conseguir se alimentar sozinho. Quando ela percebe que ele pode voltar a andar, ela o joga da cadeira de rodas em um rio diversas vezes até que ele se levante e ande. Ao longo da história, também entendemos as motivações para que ela tivesse sido tão má quando criava a criança. Até mesmo detalhes como não deixar o filho ir ao piquenique da escola tinha uma explicação.
Essa relação entre mãe e filho por si só já dariam uma ótima série, mas o que temos aqui é muito mais. Há toda uma trama policial e política e envolvida assegura os momentos de suspense.
A roteirista Bae Se-youn dá uma verdadeira aula de como utilizar as elipses na narrativa, contando os fatos, mas pulando partes que só serão mostradas lá na frente. Se por um lado isso deixa o expectador confuso no início, por outro lado, torna a série instigante e mostra um domínio único da trama.
Vale destacar também a escolha inspirada do elenco.
Lee Do-hyun, como o promotor Kang Ho, consegue mudar completamente sua atuação entre os dois momentos – aquele em que ele é um homem adulto e um promotor respeitado, e aquele em que volta a ser criança. Apesar de ser um homem adulto, Lee Do-hyun consegue convencer como uma criança, com ótimas expressões faciais e corporais.
Outra atuação memorável é Ra Mi-ran, que interpreta a mãe. Ela também consegue oscilar perfeitamente entre a mãe má e e boa mãe sem nunca perder o encanto. A relação dela com o filho é emocionante e se sustenta na ótima interpretação dos dois.
Assim, siga o conselho: por mais que você não esteja entendendo muito no início, persista. A série The good bad mother vale muito a pena.
Batman – Ego trip
Qual o vilão mais mortal do Batman? Essa é a pergunta que John Byrne se faz na graphic novel Ego trip, publicada aqui no Brasil pela Opera Graphica.
A história começa com o Pinguim gravando um vídeo e confessando o assassinto de um milionário chamado Hardman Twine. Mas outras pessoas reivindicam o assassinato, que até então vinha sendo tratado como suicido, entre eles o Charada. A história, aliás, começa com o Batman escapando de uma das muitas armadilhas do Charada e recebendo uma fita com três enigmas: “Quando um apartamento de cobertura se parece com um iceberg?; Como é possível viajar 300 km sem sair de Gothan?; O que o chinês que vive na montanha disse para a sua filha quando ela se mudou para o vale?”.
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| A história começa com o Pinguim gravando um vídeo no qual confessa um assassinato. |
A trama é basicamente, Batman seguindo cada uma dessas pistas e encontrando os esconderijos do Duas Caras, o Pinguim e o Coringa e, ao mesmo tempo, tentando descobrir qual deles é o assassino.
É, em essência, uma história policial que lembra muito o seriado da década de 1960.
Essa HQ parece anacrônica se considerarmos que foi publicada em 1990, uma época em que artistas como Frank Miller estavam se esforçando para dar ao Batman um ar mais sombrio e às suas histórias um ar mais adulto.
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| O Charada prepara uma armadilha para o Batman, mas não parece nada realmente perigoso. |
É anacrônica também do ponto de vista narrativo, com os pensamentos do Batman sendo mostrados o tempo todo, seja para refletir sobre os acontecimentos, seja para ajudar o leitor a entender o que estava acontecendo. Vamos lembrar que naquela época autores como Miller, Moore, Morrison e Gaiman estavam colocando em desuso o balão de pensamento, assim como os monólogos narrativos dos personagens.
Ainda assim, é uma história divertida e instigante.
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| Para tornar a históira #D, a DC coloriu. Byrne deve ter odiado. |
Há uma curiosidade sobre essa graphic. Byrne fez ela com papel doubletone. Nesse papel, a aplicação de um líquido com pincel faz aparecer uma textura, algo que funciona muito bem em trabalhos em preto e branco. Por alguma razão os editores da DC resolveram publicar em 3D, e aplicaram algumas cores. O resultado parece horrível. A Opera Graphica, acertadamente, publicou em preto e branco, em respeito à arte de Byrne.









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