sábado, abril 25, 2026
A arte única de Alex Toth
Alex Toth é um desenhista norte-americano mais conhecido pelos seus desenhos de produção para a Hanna Barbera, para animações como Superamigos, Jonny Quest e Herculóides. Mas Toth também tem uma produção memorável nos quadrinhos, com o destaque para o Zorro que ilustrou para Disney. Seu desenho aparentemente simples, mas extremamente funcional e bonito influenciou diversos artistas.
O Rapto do Garoto de Ouro, de Marcos Rey
Após o estrondoso sucesso de O Mistério do Cinco Estrelas, Marcos Rey consolidou-se como um dos autores mais importantes da renomada coleção Vaga-Lume. Era, portanto, natural que ele concebesse uma segunda trama, trazendo de volta personagens queridos do primeiro livro, como Leo, Gino e Ângela. O resultado dessa iniciativa foi O Rapto do Garoto de Ouro, lançado pela Editora Ática em 1982.
A narrativa é centrada no sequestro de Alfredinho, o
"Garoto de Ouro" do título. Aos dezesseis anos, o jovem se tornou uma
verdadeira mania nacional, saltando de um completo desconhecido a astro em
poucos meses. Para celebrar um ano de sua ascensão, seus familiares organizam
uma festa numa tradicional cantina italiana no bairro da Bela Vista, em São
Paulo, evento que contaria até com um show particular. No entanto, o garoto é
misteriosamente sequestrado antes da celebração.
Na cena do crime, Leo encontra uma caderneta que ele
suspeita pertencer ao sequestrador. A missão de investigar os nomes ali
anotados recai sobre ele e Ângela, coordenados por Gino, o cadeirante. A eles
se junta Jaimão, um antigo ator de radioteatro que foi o responsável por lançar
o Garoto de Ouro ao estrelato.
O livro se desenrola, essencialmente, com a ação dos dois
grupos (Leo e Ângela de um lado, Jaimão do outro) entrevistando as pessoas
cujos contatos estão na caderneta. A trama é repleta de reviravoltas, e todos
parecem suspeitos de envolvimento no crime: o fortão com um hematoma na testa,
a costureira que nutre ódio pela mãe de Alfredinho, ou o homem gordo que possui
uma agenda idêntica. Paralelamente, algumas testemunhas cruciais parecem estar
sendo silenciadas – uma é atacada com um golpe na cabeça, e uma ex-miss quase
morre após uma overdose de comprimidos.
Marcos Rey é reconhecido por sua literatura rica, marcada
por frases inusitadas e um uso criativo de gírias. Neste livro, ele adota um
estilo mais contido, embora ainda apresente momentos de grande inspiração, como
na descrição:
“No mesmo instante foi atacado por um pavor tão grande que
o paralisou. Reagindo, tentou forçar as pernas, cheias de chumbo, na direção da
porta salvadora.”
O humor característico do autor também se manifesta em
alguns trechos, especialmente na detalhada caracterização dos personagens. Um
exemplo vívido é a descrição de Heitor:
“Heitor era um homem de trinta e tantos anos, baixo e
encorpado, braçudo e dono duma patola que impunha respeito. Sempre de
camisa-de-meia, chamava também atenção pelas sobrancelhas, fartas e cerradas, e
pelo nariz, engraçado de tão grande e grosso. Para um caricaturista Heitor
seria um prato cheio.”
Não à toa, um dos trechos ilustrados do livro é,
justamente, o encontro com Heitor, tão perfeitamente delineado pelo autor.
Em O Rapto do Garoto de Ouro, Marcos Rey constrói
uma história policial mais convencional. Diferente de O Mistério do Cinco
Estrelas, no qual o protagonista e o leitor já conhecem o bandido e a trama
se foca em provar a culpa à polícia, neste segundo livro, o desafio é
ativamente descobrir a identidade do sequestrador. O escritor executa isso com
grande habilidade, espalhando pistas e pistas falsas ao longo da narrativa, e
revelando como culpado alguém totalmente insuspeito.
A Vida e a História de Madam C.J. Walker
sexta-feira, abril 24, 2026
Fundo do baú - Agente 86
O mecanismo
Super-homem e Mulher Maravilha – Invasão do povo de gelo
No final da década de 1970 e início da década de 1980, a DC Comics criou a revista DC Comics Presents, que apresentava sempre um herói em parceria com o Homem de Aço. No Brasil essas histórias foram publicadas principalmente na coleção Os clássicos da Década, da editora Ebal. O número 1 dessa coleção trouxe um encontro com a Mulher Maravilha, publicado em DC Comics Presents 9.
Na história, Clark Kent e Lois Lane (que a Ebal chamava de Mirian Lane) vão entrevistar um escultor, mas descobrem que ele está atormentado por uma obsessão: esculpir um gigante de gelo. Na sequência, o gigante de gelo ganha vida, fazendo com que o que o pacato repórter se transforme no Homem de aço para combatê-lo.
| Nessa história um avião consegue continuar voando tranquilamente sem uma porta. |
Aí temos o primeiro problema do roteiro de Martin Pasko. Eles estão num local afastado e, na página seguinte, o monstro de gelo está atacando o aeroporto. A quebra narrativa é muito óbvia e fica mais óbvia ainda quando se percebe que essa mudança de cenário tem como objetivo introduzir a Mulher Maravilha, que, disfarçada de Diana Prince, está num avião impedido de pousar em decorrência do ataque.
O que ela faz? Simplesmente pula do avião, num quadro que mostra a porta caindo. No mundo real, arrancar a porta de um avião em pleno vôo seriam muitos, podendo provocar até a queda a aeronava, mas o roteirista não parece ter pensado nisso.
| O gigante de gelo é imune aos poderes dos heróis. |
O gigante de gelo, como se descobre lá na frente é apenas o primeiro de uma invasão alienígena, e contra ele tanto o poder da Mulher Maravilha quando do Super-Homem parecem inúteis.
Para vencê-los, a amazona revela um poder que não tem em outras histórias e mesmo assim, a solução não bate com o que tínhamos visto até ali.
No final há uma reviravolta/piadinha, que explica porque uma raça de gigantes de gelo invadiria um planeta na maior parte tropical, como a Terra, mas essa pequena sacada não vale o resultado.
| A capa da Ebal. |
Para piorar, o desenho de Joe Staton não parece muito inspirado nessa história.
Considerando-se que essa coleção tinha diversos números desenhados pelo gênio Garcia-Lopez, é curioso que a Ebal tenha escolhido justo essa história para estrear a nova série.
Em tempo: embora os editores brasileiros tivessem à disposição uma belíssima capa de Ross Andru e DICK GIORDANO, a Ebal optou por uma capa nacional.
Blueberry – A pista dos Sioux
Embora o nono álbum seja continuação de uma aventura eletrizante Blueberry, ele provavelmente ficou célebre por uma razão visual: é aqui que vemos, pela primeira vez, o traço pelo qual Giraud ficaria conhecido como Moebius.
Na história, o vilão Jethro Stellfingers consegue arranjar as coisas para que todos pensem que Blueberry é responsável pelo roubo do dinheiro da Union Pacific, o que faz com que ele seja preso. Pior: todos no local querem se vingar dele, em um linchamento. Além do alerta do roteirista Charlier a respeito das notícias falsas e da justiça com as próprias mãos, essa sequência se destaca pelo encademamento de ação, com o protagonista conseguindo resistir aos atacantes que tentam botar fogo na prisão.
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| Finalmente começa a surgir o traço pelo qual Moebius ficaria conhecido. |
Mas é a página 8 que chama atenção do leitor atento. Nela um senhor idoso recebe uma mensagem pelo telégrafo. As suas feições quebram com o estilo que Giraud usava até então na série, usando um traço mais limpo e solto.
Mas o destaque vem na página 41, em que o desenhista abandona o esquema de divisão da página em dois grandes conjuntos de quadros, deixando a diagramação mais orgânica. Há inclusive uma imagem de Blueberry que se sobrepõe aos outros quadros, quebrando com o esquema rígido de diagramação usado até então. A partir daí temos quadros irregulares, quadros só com os personagens em fundo branco, sem delimitação de requadro. É nítido que o desenhista está experimentando e buscando cada vez um estilo próprio, distinto de Jijé, que havia sido seu mestre e mentor e que ele imitara nas primeiras histórias.
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| Blueberry na prisão tenta se defender dos que querem linchá-lo. |
No final, embora Blueberry tenta costurado um acordo com os indígenas, a chegada de um general fanático que pretende atacar as tribos enquanto os guerreiros caçam, matando mulheres, crianças e idosos, pode colocar tudo a perder e fazer o oeste se tornar um mar de sangue. O texto final diz: “A guerra voltará a manchar o oeste de sangue? Blueberry conseguirá evitá-la? Você ficará sabendo lendo... General Cabeça-Amarela”.
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| O desenhista começa a inovar também na diagramação. |
Uma curiosidade sobre essa história é que quando ela foi publicada pela primeira vez no Brasil, os editores da Abril sabiam que a revista seria cancelada e quiseram dar aos leitores a ideia de que a trama terminava ali. Assim, o texto final da história foi alterado para: “Confiantes na palavra dos caras-pálidas, e de nariz-quebrado, os peles-vermelhas podem, enfim, retomar suas atividades normais. O oeste está em paz!”.
Tanguy e Laverdure
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| O roteiro aproveita duas paixões de Uderzo: humor e aviões. |
Perry Rhodan – Xeque mate universo
No número 82 da série Perry Rhodan o administrador do império solar (eu nunca entendi porque é império, mas quem governa é um administrador, e não um imperador, mas tudo bem) está de volta e as coisas começam a entrar nos eixos.
Mas o perigo do computador regente de Árcon e dos druufs continua, pois ambas as forças são capazes de exterminar a Terra. Assim, Rhodan elabora um plano para forçar esses dois gigantes estelares e guerrearem entre si, rompendo a guerra fria que se estabeleceu na fronteira entre as dimensões.
Para isso que isso aconteça, uma artimanha se estabelece. Os terranos fingem que o coronel Tiff desertou com mais 14 homens. Seu objetivo é ir para a dimensão temporal dos druufs e convencê-los a atacar a frota arcônida.
A parte inicial do livro é toda uma tentativa de simular um sequestro de Tiff totalmente desnecessária, que parece ter o único objetivo de incluir um pouco de ação no início modorrento.
Além disso, Rhodan avisa o computador regente sobre os desertores, o que coloca boa parte da frota arcônida em busca da nave que pode revelar a localização da Terra, o que não parece muito inteligente e quase acaba provocando uma tragédia (na verdade, provoca).
Além disso, o plano dá certo apenas por um acaso que não fazia parte do plano original e mesmo assim não provoca uma diminuição nas frotas dos inimigos a ponto dos terranos poderem enfrentá-los. Há um fator lá no final do livro, meio aleatório, que acaba fazendo toda essa aventura valer a pena, mas até ali fiquei me perguntando se esse livro era realmente relevante para a série.
Kurt Mahr escreve uma boa história de ação e de batalhas espaciais, embora provavavelmente não tão boa quando o faria K. H. Scheer, que serviu na II em um submarino alemão, o que provavelmente contribuiu para que ele se tornasse um especialista em relatos de guerras entre naves.
Há uma pequena sequência do livro que mostra uma preocupação de Mahr em dar mais contextos para o livro. Ela é focado no responsável pela limpeza em uma nave arcônida: “Panjel Dreeb era um homem de Iriam. Pelos padrões da Terra, teria um metro e meio de altura, cabeleira densa e cabeça ovalada (...) Os serviços que Panjel executava eram muito humildes – tinha de apanhar o lixo miúdo e jogá-lo no conversor. Era um trabalho para cuja execução seria antieconômico o uso de um robô. E um homem como Panjel parecia nascido para essa função”.
quinta-feira, abril 23, 2026
Groo, o errante
Charlier, o mestre dos quadrinhos franco-belgas
A maldição do Onde
Sabre – A primeira graphic novel?
Pioneirismos à parte, Sabre, lançada aqui pela Nova Sampa, é uma tremenda história, em que um texto impecável se junta a um Paul Gulacy em plena forma.
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| A história se passa em um futuro apocaliptico. |
A história se passa em um futuro distópico. Uma epidêmica devastou boa parte da população. Vazamentos atômicos contaminaram estados inteiros. Em paralelo a isso, pessoas começaram a colecionar armas antigas com melhorias futuristas (o que garante o visual futurístico retrô da história).
Nesse futuro, um forte movimento rebelde se espalha pelos estados unidos e o governo responde não só com uma forte repressão como com uma lavagem cerebral intitulada sincronização.
A trama é focada em Sabre, o líder da revolução, que embarca em uma jornada para libertar seus companheiros presos. A ele junta-se Melissa Siren, a primeira pessoa a nascer de forma artificial, sendo gerada em laboratório.
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| Os personagens chegam a dançar uma valsa em meio a reflexões. |
Ao contrário do que se poderia esperar, Sabre e Siren não enfrentam uma forte oposição ao entrar no local, um antigo parque de diversões repleto de animatrônicos.
Don McGregor constrói a trama de forma que eles andam pelo local, chegando a dançar uma valsa e a confraternizar com sereias em meio a reflexões filosóficas e sociológicas.
Quando, no entanto, a ação acontece, ela simplesmente explode nas páginas, de forma initerrputa. O traço fotográfico de Gulacy impressiona e se destaca nas cenas de ação – vale lembrar que o artista vinha da série Mestres do Kung Fu.
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| Quando começa, a ação explode nas páginas. |
Essa história também se destaca por mostrar uma relação inter-racial, já que é Sabre é negro e Siren branca, o que certamente deve causado sensação entre os leitores à época.
Uma curiosidade é que essa história foi feita em vista da insatisfação de McGregor com o pouco pagamento recebido na Marvel e pelo fato de não receber royalties. Tanto que ele aceitou receber só 300 dólares pela história, prevendo que conseguiria depois um valor maior com os direitos. A história chegou a atrasar porque algumas páginas enviadas por Gulacy se extraviaram quando o carteiro não conseguiu entregar na casa do roteirista. Mesmo assim, o desenhista se empenhou igualmente na nova página, tanto que é impossível, hoje em dia, saber quais páginas foram refeitas.































