sexta-feira, julho 17, 2026

Bonnie e Clyde

 

Bonnie e Clyde, filme de 1967, produzido e idealizado por Warren Beatty e dirigido por Arthur Penn, abriu caminho para a Nova Hollywood, a geração de cineastas que revolucionou o cinema norte-americano com obras como Sem Destino e O poderoso Chefão. O tema básico dessa geração já estava lá: o conflito de gerações, que aparece com maior destaque no final. Para quem não sabe, os dois eram assaltantes de bancos que ficaram famosos na década de 1930. Nessa época de depressão, muitas pessoas estavam perdendo suas propriedades para os bancos (fato muito bem mostrado no filme Vinha da Ira) e a população logo se identificou com a dupla, muitas vezes protegendo-os. Para a geração do final dos anos 60, a identificação foi imediata: eles eram como o casal, em busca de aventura e novidades, e a polícia representava a geração anterior, conservadora. 
Dizem que Warren Beatty se jogou aos pés do presidente da Warner (que já estava praticamente falindo na época) para fazer esse filme. Ao invés de receber um cachê normal de astro, ficou com 40% da bilheteria, o que o tornou milionário quando o filme (indo contra todas as expectativas do estúdio) se tornou um sucesso de bilheteria. 
Um dos aspectos curiosos do filme foram as adaptações feitas no roteiro. Na história original, Clyde era bissexual, e só conseguia se excitar com a presença do terceiro membro da gangue, C.W. Moss. Os executivos proibiram essa parte do roteiro e a solução foi sugerir que o personagem tinha problemas de ereção, o que, de certa forma aumentou a tensão entre o casal, deu um ar de humanidade ao personagem e colocou a relação entre Bonnie e Clyde num patamar mais complexo, já que ficamos o tempo todo os nos perguntando o que os mantém juntos (talvez o gosto pela aventura). 
Uma figura central no sucesso do filme foi o roteirista Robert Towne. Towne era extremamente inseguro quando estava escrevendo um roteiro próprio, mas era o melhor para consertar roteiros de outros. Uma das maiores contribuições dele foi antencipar uma cena que acontecia após a visita de Bonnie à mãe. A gangue rouba um carro e, no final, acaba dando carona aos donos do carro. O grupo está se divertindo quando Clyde pergunta ao homem qual a sua profissão. Agente funerário, diz ele. Bonnie ordena: "Tirem esse cara daqui". A cena, antecipada, marca o final do segundo ato e o início do terceiro ato. Dali em diante sabemos que o fim do casal está próximo e que eles serão mortos. 
Uma curiosidade sobre o filme é que o seu sucesso entre a nova geração foi tão grande que a boina usada por Bonnie se tornou moda entre as garotas do final dos anos 60.

Monstro do Pântano: pontas soltas

 


Antes de reformular o personagem Monstro do Pântano, na história Lição de Anatomia, Alan Moore escreveu uma história do personagem pouco conhecida, publicada em Swamp Thing 20. Intitulada “Pontas soltas”, o objetivo era exatamente esse: fechar as pontas soltas deixadas pelo roteirista anterior, Martin Pasko, preparando terreno para a reformulação do personagem.
Pontas soltas é injustamente pulada nas antologias do personagem. É Alan Moore na sua melhor forma. E os desenhos de Dan Day não deixam nada a desejar aos outros artistas que trabalharam com o personagem na fase mais famosa, como Stephen Bissette. Sob a orientação de Moore, Day cria diversas páginas espelhadas e a página de abertura, com uma moldura no formato de colunas que desmoronam é espetacular.
Uma das páginas espelhadas da história.

A história se passa logo depois do confronto do Monstro com Arcane, cuja nave cai, provocando sua morte. A corporação Sunderland aproveita a oportunidade para tentar matar o monstro e seus amigos. Como sabemos, o personagem é aparentemente morto, para renascer como elemental na história lição de anatomia.
Talvez o maior impacto dessa história seja sobre Lizabeth Tremayne e seu namorado, Dennis Barclay. Ela uma jornalista renomada, ele um veterano do Vietnã. À certa altura ela solta a frase “Tudo que temos em comum é o horror em nossas vidas”, o que fará com que Dennis a envolva numa teia de falsas conspirações como forma de manter seu amor através do medo. Essa relação abusiva seria abordada em Swamp Thing 54, 34 números depois desse gancho ter sido lançado, o que mostra a habilidade de Moore para pensar a trama a longo prazo.

Uma família segurada

 


Era uma família segurada. O pai, Rivaldo, fizera a primeira apólice como presente de casamento para a esposa. Se ele morresse nas núpcias, já estava tudo arranjado...

Em seguida nasceu a primeira filha, Patrícia, e Rivaldo providenciou logo um seguro para a esposa, tendo como beneficiária a filha.

Em uma noite escura e tempestuosa, berrara pela primeira vez Roberto, o caçula. O pai achou que era um mal agouro e fez um seguro para Patrícia, tendo como beneficiário o irmão.

Desde então, a família pegou a febre do seguro. Carro, bicicleta, casa, móveis, até os seios de Márcia (que, aliás, eram belíssimos) foram segurados.

Viveram felizes por vários anos, coberto pelo manto protetor de duas ou mais dezenas de apólices. Até aquela tarde...

Márcia fora visitar o marido no escritório e tivera de esperar ao lado da Secretária.

- O seu Rivaldo está ocupado. A senhora espera um instantinho... – sugeriu a Secretária.

- Só dez minutos, advertiu Márcia.

Esperou meia-hora. Só então a porta se abriu e saiu dela um homem gordo, vestindo um terno antigo e suando bicas. Era um segurador. Márcia conhecia-o muito bem. Vira-o várias vezes em sua casa. Mas, de tudo que tinham, apenas um candelabro velho que ficava jogado no porão ainda não fora segurado. Não, não podia ser. Não, a explicação era outra: o sacripanta arranjara uma amante. E, não satisfeito, ainda fazia um seguro para a concubina... Hipócrita, desavergonhado, fanfarrão!

Havia de se vingar!

A partir daquela tarde, a vida de Rilvado passou a ser uma contagem regressiva. Até que aconteceu. Numa noite de chuva, o freio falhou. Os pneus derraparam, o carro despencou num despenhadeiro e explodiu. Não sobrou muito para ser investigado.

Márcia recebeu o seguro do marido e do carro. Estava feita! Comprou uma casa nova – bem maior – contratou um motorista, colocou o resto do dinheiro no banco e viveu numa boa desde então. Ou viveria, se não fosse aquela tarde...

Se havia uma coisa que enervava completamente Patrícia, era a matemática. Odiava fazer as lições de casa e já tinha repetido um ano na escola por causa da dita. Naquela tarde, ela e a mãe tiveram uma briga dos diabos. Márcia queria obrigá-la a fazer a lição de casa.

- Eu não preciso fazer a lição de casa, eu sou rica! – gritou a garota.

- Ah, é? Pois fique sabendo que enquanto eu estiver viva, você não toca em um tostão... aliás, pode ir esquecendo a mesada, que este mês não tem!

Foi uma briga feia! Feia demais por sinal. Se fosse um pouco mais esperta, Márcia teria se preocupado com a expressão maquiavélica que a filha passou a ostentar desde então. Passava horas trancada no quarto e andava com ares de quem pensa – o que, aqui para nós, era bastante raro naquela família...

Por fim, aconteceu. Foi durante o banho. Um fio solto provocou um curto circuito e eletrocutou a dona da casa. Quando finalmente desligaram a chave, não havia sobrado muita coisa de Márcia para ser enterrado.

Estavam ricos. Patrícia com 18 anos e Roberto com 16, sozinhos em casa, donos de seu futuro. Era a vida que qualquer jovem pediria a Deus, mas não Patrícia. Pegara o gosto pela coisa e a lembrança de que teria de dividir a herança com o irmão simplesmente a aterrorizava. Resolveu, então, matá-lo. Mandou preparar um jantar especial, dispensou os empregados e armou o seu circo.

- Jantar à luz de velas, maninha? – perguntou Roberto, entrando na sala.

- Claro! Antes de morrer, papai fez um seguro para este candelabro velho. Coloquei aí para ver se quebra... pedi à cozinheira para fazer seu prato predileto... isso tudo para o meu irmãozinho predileto...

Sentaram-se.

- Vejo que temos vinho. – observou Roberto.

- É do Porto. Não faz mal mexer na adega de vez em quando, não é? Especialmente para ocasiões especiais.

- Claro, passe a garafa.

- Não, deixe que eu o sirva...

- Está bem, mas só se você deixar que eu a sirva...

- Claro.

Serviram-se. Disfarçadamente, Patrícia despejou um pouquinho de pó no copo. Era um veneno feito especialmente para não deixar vestígios. Tivera um grande trabalho para conseguir...

Tilintaram os cristais, beberam de uma só vez e ficaram sorrindo um para o outro.

Patrícia foi a primeira a falar:

- Sabe, maninho, que você é um tipo insuportável?

- Pode ter certeza de que tenho os mesmos sentimentos com relação a você...

Patrícia cortou-o:

- Mas eu tomei providências para que isso não dure muito!

De repente uma dor aguda despontou como uma alfinetada no peito de Patrícia. O sorriso desapareceu do rosto de Roberto. Foi substituído por grandes rugas de dor.

- Não me diga que... – gemeu ele.

- ... você colocou... – continuou Patrícia.

- ...Veneno no vinho! – completaram juntos.

Deram um último suspiro e morreram um nos braços do outro. Teria dado um bom dinheiro de seguro...

Fundo do bau - Falcão Azul

 


Falcão Azul é um desenho animado da Hanna-Barbera criado em 1976 como uma sátira dos quadrinhos de Batman e Robin.

A trama gira em torno do milionário Radley Crown que combate o crime disfarçado como o sério herói Falcão Azul. Para ajudá-lo (ou atrapalhá-lo), ele conta com um parceiro canino, o robô Bionicão, que usa uma máscara e tem até uma identidade secreta (o cachorro Dinamite).  

As semelhanças com Batman são tão grandes que o personagem é chamado através do falco-sinal e anda num falcomóvel.  

A dupla defendia a cidade de Cidadópolis de vilões como a Liga da Injustiça da América, o Abutre Vermelho. Tim kong e o Minhoca, um gênio cujo cérebro foi transplantado para uma minhoca e anda no Minhocão, um carro no formato de... minhoca!

Normalmente nas histórias, o herói está pronto para capturar o vilão quando o Bionicão se atrapalha com suas bugigangas tecnológicas, o que faz com que eles fujam. No final, claro, tudo acaba dando certo.

Uma curiosidade é que, embora no Brasil o destaque fosse para o Falcão Azul, originalmente o desenho levava o nome do Bionicão (Dynomutt, Dog Wonder, em inglês).

Guia dos Mochileiros das galáxias

 

O Guia dos Mochileiros das galáxias surgiu inicialmente como um programa de rádio idealizado por Douglas Adams e transmitido pela BBC em 1978. Pouco tempo depois se tornou uma coleção de cinco livros, publicados entre 1979 e 1992.
A história trata das andanças estelares de um herói atrapalhado e seu amigo extraterrestre após a destruição da terra para a construção de uma via espacial (os responsáveis, os Vogons, seres tão burocráticos que não se importam com o fato da terra ser habitada).
O título refere-se a uma espécie de enciclopédia multi-uso que traz todas as informações necessárias para um mochileiro interestelar. A ideia surgiu ao escritor em sonho quando ele dormia bêbado em um campo na Áustria e é uma referência a um guia de viagem pela Europa famosa na época.
Pela descrição do autor, o livro é uma espécie de tablet no qual é possível acessar as mais diversas informações relevantes, como a importância da toalha – Sim, a toalha é um dos itens mais importantes na mochila de qualquer aventureiro. Com ela você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kabrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.
A importância da toalha na trama é tal que o dia do orgulho nerd é chamado de dia da toalha justamente em homenagem à obra de Adams.
E, antes que eu me esqueça, sempre vale seguir o grande conselho do Guia, impresso em letras garrafais na capa do livro: NÃO ENTRE EM PÂNICO!

Como fugir de uma roubada

 


            Vocês vão dizer que sou um cara azarado, mas a verdade é que sempre vivo me metendo em roubadas. Tanta experiência me levou a criar um verdadeiro manual de como fugir desse tipo de programa indesejável. São dicas que podem ser divididas em cinco leis. Se você é azarado como eu, memorize-as, ou imprima e guarde na carteira, para nunca esquecer:

Primeira lei – desconfie de convites de cunhados

            Certa vez o namorado de minha irmã me convidou para ir a um balneário. Depois de mais de uma hora de ônibus, chegamos a um local chamado Piscina dos Padres, onde era proibido tomar banho de sunga. O cunhado, claro, me emprestou uma bermuda que ia até o joelho e aparentemente não ofendia nenhum dogma católico. Entrei na água e vi toda a minha vida passar congelada diante dos meus olhos. A água estava abaixo de zero grau!
Passei o tempo todo sentado em um banco, tentando advinhar como o meu cunhado conseguia se divertir tanto em uma lagoa de gelo.

Segunda lei – olhe o nome do lugar
            Se eu tivesse reparado que o nome do balneário era Piscina dos Padres, não teria me metido naquela roubada e não teria tido vontade de matar meu cunhado.
            Perto de minha casa tem um bar chamado NOSTAUGIA´S BAR. Um lugar desaconselhável para qualquer um que tenha terminado a quinta série.
            Certa vez tentei explicar ao proprietário que nostalgia é com “l” e que o ´s é possessivo, mas desisti quando ele tirou um facão de trás do balcão e me perguntou o que eu queria dizer com aquilo.

Terceira lei – cuidado com convites de namoradas para almoçar na casa dos pais dela

            Essa lei é especialmente válida se você é vegetariano. Quase sempre o sogrão está fazendo um churrasco com carne de segunda.  Sua namorada se entoca na cozinha e você é obrigado a escolher entre o programa do Silvio Santos e a ladainha dos parentes (falando nisso, já perceberam como o Silvio está cada vez melhor?).
            Um amigo meu costumava levar uma marmita de casa, mas não acho que essa é uma maneira razoável de conseguir a simpatia da família da moça...

Quarta lei – se a pessoa que convidar você for fã do reginaldo rossi, não vá, não importa para onde

            Você acabará caindo em um lugar em que todo mundo masca palito de dente e chupa os dentes, fazendo aquele som característico.
            Evite sobretudo contar piadas de cornos. Há sempre um no balcão conversando com garçom e pedindo para tocar outro brega. E, acredite-me, cornos mansos são sempre muito sensíveis e violentos quando você toca no assunto.
           
Quinta lei – se tudo falhar, leve um livro

            Às vezes não há como se livrar de um programa de índio. Então aproveite para aumentar seu nível cultural. Leve um livro, de preferência um escrito pelo grande Gian Danton, e divirta-se. Isso, claro, se o bêbado babando no seu ombro deixar...  

Batman: Asilo Arkham – Os Subterrâneos da Loucura



O Batman possui muitas histórias do tipo Túnel do Tempo (Elseworlds), nas quais as narrativas se passam em diferentes momentos históricos. Entre elas, Batman: Asilo Arkham – Os Subterrâneos da Loucura destaca-se pela qualidade.

Escrita por Alan Grant e desenhada pelo argentino Enrique Alcatena, a história se passa na virada do século XIX para o século XX. Bruce Wayne é um rico magnata que resolve usar sua fortuna para acabar com o crime. Mas, em vez de sair pela cidade trocando sopapos com bandidos, ele decide usar os conhecimentos da Psicanálise para regenerá-los. Para isso, ele estuda com Sigmund Freud e abre um asilo para criminosos. O Batman existe nesta realidade, mas aqui ele tem o objetivo de capturar os vilões para poder curá-los em sua identidade civil.

Técnica expressionista: a sombra revela a verdadeira identidade de Jonathan Crane. 


A história começa com Ação, com o herói capturando o Duas-Caras, mas logo pula para uma sessão de terapia com o Crocodilo, que apresenta grande evolução. Entretanto, quando Bruce Wayne tenta capturar o Coringa e é infectado com seu gás do riso, o Doutor Jonathan Crane assume o controle e inicia um regime de medo. O detalhe aqui é a sombra do médico, que revela ser ele o Espantalho, em uma imagem que ecoa diretamente o Cinema Expressionista Alemão. Agora, Wayne precisa curar a si mesmo para consertar as coisas no Asilo.

Bruce Wayne tenta curar os vilões usando a psicanálise. 


Além do roteiro inspirado de Alan Grant, o que chama a atenção é o desenho de Alcatena, perfeito para o clima sombrio e antiquado da história. Ele demonstra uma criatividade ímpar ao utilizar molduras narrativas que funcionam como metalinguagem: as bordas das páginas deixam de ser espaços neutros e passam a refletir os sentimentos dos personagens ou aspectos do enredo. Em momentos de confusão mental de Bruce, as molduras tornam-se sinuosas e orgânicas, enquanto em cenas de opressão elas simulam grades, transformando a própria estrutura da página na prisão psicológica do protagonista.

As molduras refletem aspectos da história ou o sentimento dos personagens. 


De negativo, apenas o fato de que a história acaba rápido demais. Havia ali ganchos para muito mais tramas, talvez uma série. O conflito envolvendo o Espantalho, por exemplo, fica inacabado, deixando um gosto de "quero mais" no leitor.

quinta-feira, julho 16, 2026

As melhores HQs de super-heróis

 Quais os melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos? Essa é uma pergunta difícil. Da década de 40 para cá foram publicadas muitas obras-primas. Mas aqui vai a minha relação.  Concorda? Discorda?



Quarteto Fantástico, de Jack Kirby e Stan Lee
O gibi que reformatou no gênero dos super-heróis, criando o chamado "método Marvel", com heróis humanos. Destaque para a saga de Galactus, um dos momentos mais emocionamentes dos quadrinhos, em que as sagas cósmicas de Kirby se uniram perfeitamente ao texto humano de Lee. O melhor momento de uma dupla que só criou obras-primas. 

Homem-aranha, de Gerry Conway e Ross Andru/Gil Kane/John Romita
A morte de Gwen Stacy, namorada do herói, foi um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. Mas toda a fase de Conway no título é boa, com histórias que aproveitavam muito bem o clima psicodélico dos anos 1970 e vilões bizarros, como O Gibão. Diversão garantida.  


A última caçada de Kraven 
J.M.De Matteis se juntou ao desenhista Mike Zeck para fazer uma das poucas histórias realmente muito boas da fase do uniforme negro do personagem. O texto de De Matteis é poético e profundo e a arte de Zeck elegante.

Watchmen
Como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem? Alan Moore e Dave Gibbons respondem a essa pergunta em uma HQ que revolucionou o mercado. Watchmen tem tantas camadas que pode ser analisada do ponto de vista científico, político, social, filosófico, etc.
  

Marvels
Depois de obras como Watchmen, parece impossível criar uma história com um enfoque novo no gênero super-heróis. Mas Kurt Buziek e Alex Ross conseguiram com uma HQ que mostra o ponto de vista das pessoas normais, que convivem com os heróis. A grande obra-prima dos anos 1990.

Piada Mortal 
A história do Batman em que o Coringa é o astro e o conflito é psicólogico. Uma obra tão boa que influenciou diretamente duas versões para o cinema.  

Cavaleiro das Trevas
A obra-prima de Frank Miller ecoou em quase todos os trabalhos posteriores. Miller mostrou um Bruce Wayne velho voltando a ser herói para tentar dar um jeito na cidade, que se tornou extramente violenta. Uma HQ revolucionária em quase todos os sentidos.

A queda de Matt Murdock
Um dos mais profundos trabalhos já feitos nos quadrinhos de super-heróis. O Rei do Crime descobre a identidiade do Demolidor e resolve destruir sua vida aos poucos, fazendo-o perder tudo que tem. Transformado em mendigo, Matt Murdock precisa dar a volta por cima e proteger a Cozinha do Inferno, bairro onde nasceu. Também merece destaque a arte de David Mazzuchelli.

Batman ano 1
Depois de Cavaleiro das Trevas, qualquer HQ do Batman seria apenas mais do mesmo. Mas Miller e Mazzuchelli mostraram que ainda era possível surpreender. Numa cidade dominada pelo crime, o herói surge com sede de vingança. Acompanhamos passo a passo sua transformação no herói mascarado numa história que amarra muito bem a origem do personagem. 

Starman 
James Robinson criou uma narrativa poética e bem elaborada para revonar esse personagem clássico da DC em uma história empolgante.


Super-homem - Para o homem que tem tudo e O que aconteceu com o homem de aço? 
O principal personagem da DC iria ser reformulado e Alan Moore implorou para fazer pelo menos uma história com a mitologia do personagem, que seria apagada na reformulação. O resultado foram duas histórias, "Para o homem que tem tudo" (arte de Dave Gibbons) e "O que aconteceu com o homem de aço?" (arte de Curt Swan e Geoge Perez) que mostraram que nostalgia também podia ser revolucionária. 

Os supremos 
A obra de Mark Millar e Brian Hitch balançou a Marvel. Era para ser só uma versão alternativa dos Vingadores, mas fez tanto sucesso que se tornou a versão oficial da Marvel no cinema. A sequência incial, do Capitão América na II Guerra é um dos momentos mais empolgantes dos quadrinhos de super-heróis. 



X-men, de Chris Claremont e John Byrne
Essa dupla representou para a Marvel dos anos 1980 o que foi Jack Kirby e Stan Lee para os anos 1960. A saga da Fênix em especial fez com que os mutantes se tornassem os personagens mais populares das décadas seguintes.

Miracleman, de Alan Moore e vários autores
Miracleman foi uma espécie de laboratório, em que Moore experimentou vários dos conceitos e estilos que viria a adotar em obras posteriores, como Watchmen. Foi também uma obra muito imitada. Sua visão extremamente realista dos super-heróis e, ao mesmo tempo, utópica, com um herói resolvendo, de fato, mudar o mundo, marcaram os quadrinhos.

Lanterna e Arqueiro Verde – Como se enfrenta um pesadelo

 


A passagem da dupla Denny O´Neil e Neal Adams foi caracterizada por histórias de fundo social, mas também por tramas de aventuras, como se pode observar no número 82 da revista.

Na história, O arqueiro dá um presente para a Canário Negro, uma caixa de flores, mas de lá saem duas harpias, que ameaçam o casal. Curiosamente nenhum dos dois estranha que o presente tenha se convertido em duas mulheres aladas, o que compromete a verossimilhança. Uma única fala da Canário a respeito (esse é o tipo de presente que você me dá?) resolveria.

O presente do Arqueiro trazia uma surpresa. 


O arqueiro joga uma flecha de fumaça, que é direcionada pelas harpias com bater de asas. Essa burrada é uma desculpa para introduzir o tema da história: o feminismo. O tópico aparece tanto na crítica à estratégia do parceiro quando na fala dela, no final da sequência: “Me solta, caramba! Eu decido quando e aonde vou!”.

Diante da ameaça, o casal resolve pedir ajuda do Lanterna, que ao chegar ao local é aprisionado em outra dimensão por uma vilã chamada A rainha das bruxas. Na verdade, como se descobre depois, é tudo um plano de Sinestro para se livrar do seu maior adversário.

O desenho de Neal Adams se destaca. 


A dimensão para onde o Lanterna verde foi enviado é povoado exclusivamente por amazonas expulsas de nosso plano por um feiticeiro magoado por ter sido esnobado pela rainha das amazonas. Como só é possível um homem por vez entrar na dimensão, é Canário que precisa entrar para livrar o amigo da ameaça.

Parece muito trabalho por parte das amazonas para eliminar um único homem e. além do plano da rainha das bruxas e seu irmão sinistro, não parece haver nenhuma razão real para as amazonas se esforçarem tanto.

Um dos bons momentos da história. 


O feminismo aqui parece tão exagerado que parece mais uma crítica.

O maior destaque da história, fica de fato com o desenho de Adams, sempre belíssimo, como destaque para a página em que a Canário Negro se destaca, ultrapassando o limite dos quadros, ou a luta dela com as amazonas, em uma sequência sem requadros. Essa sequência, aliás, mostra que O´Neil, embora estivesse derrapando na trama, tinha um bom texto: “Essa é Canário Negro... frágil, delicada e feroz como uma tigresa! Ninguém se equipara a seus dotes marciais. Ela se move com a graça de uma bailarina... e a suavidade de um beija-flor”.

No final, o maior mérito do roteiro é que O´Neil consegue resolver a trama nas 22 páginas da história. Roteiristas mais recentes levariam pelo menos 10 números nessa trama insossa.

Billy Wilder: o mestre do cinema

 


Gian Danton e Alexandre Magno

Billy Wilder é um dos melhores diretores de todos os tempos. Sua inventividade e ousadia marcaram o cinema norte-americano. Além disso, algumas das cenas mais marcantes da sétima arte, como a de Marilyn segurando a saia levantada pelo vento, são criações suas.
Nascido em 22 de junho de 1906, na cidade de Sucha, que atualmente pertence à Polônia mas na época era parte do império austro-húngaro, filho de pai e mãe judeus, Samuel Wilder iniciou seus estudos com a intenção inicial de formar- se advogado, ainda bem que não seguiu por ai, ou o mundo teria várias obras primas cinematográficas a menos.
 Decidiu-se pelo jornalismo, exerceu a profissão em Viena (capital austríaca) quando por alguns anos. Nesse período aconteceu um episódio interessante. Wilder foi encarregado de entrevistar ninguém menos que Sigmund Freud, na residência do pai da psicanálise Wilder teria dito a Freud algo que o irritou, fazendo-o expulsa-lo de sua casa. O que ele disse? Sempre que perguntado Wilder respondia: “Esse segredo vou levar comigo para o túmulo”. E levou.
Emigrou para hollywood nos anos 30 e estreou na direção em na América em 1939 com A Incrível Suzana. Ganhou o Oscar de melhor diretor em duas ocasiões por Farrapo Humano (1945) e Se Meu Apartamento Falasse (1960). Aposentou-se em 1981 e faleceu em 2002, em Los Angeles.
Separamos aqui algumas das características que fazem de Billy Wilder um dos mais importantes cineastas de todos os tempos:
Pacto de sangue

Corajoso - Para começar, Wilder já se mostrou corajoso já em sua chegada aos Estados Unidos, nos anos 30, fugindo da perseguição nazista. Ele mal sabia falar inglês. Ao se apresentar no consulado, era apenas um jovem roteirista estrangeiro quase sem dinheiro e com documentação inadequada. O oficial que lhe atendeu leu seus documentos e fez apenas uma pergunta: “O que você faz?”; “Escrevo filmes” respondeu Wilder, surpreendentemente, o oficial validou seu visto e ao lhe entregar a documentação, acrescentando: “faça bons filmes”. 
Seus filmes de estreia na América não mostram muito de sua coragem. Ele começa a mostrar a que veio em Pacto de Sangue (1944), um clássico do gênero noir que alia uma trama complexa, contada em flash back, à influência do expressionismo alemão ao apostar em uma iluminação low key (fraca, o que torna a cena escura). O filme é corajoso por contar uma história cheia de assassinatos e erotismo em uma sociedade ainda conservadora, que não estava acostumada a ver violência na tela.
Também não poupou criticas à imprensa marron (sensacionalista) e ao bastidores do próprio cinema. Em filmes como Montanha dos sete abutres (1951) e Crepúsculo dos deuses (1950) o diretor mostra personagens aproveitadores, que não se importam com o mal que provocam para conseguirem o que querem. Crepúsculo dos deuses por sinal merece ser melhor analisado. Ao mostrar o personagem de William Holden, um roteirista medíocre que se aproveita e ao mesmo tempo é manipulado pela ex estrela de cinema interpretada por Gloria Swanson, o diretor expõe como hollywood pode ser cruel, como todos agem movidos por seus próprios interesses. Não por acaso, houve executivos que após verem o filme ficaram extremamente irritados com Wilder.
Além de corajoso era também ético. Durante o período de caça as bruxas (que teve como resultado o exílio de vários gênios como Orson Wells e Charles Chaplin) no auge da guerra fria, mesmo diante da pressão do governo e da postura de vários colegas de profissão, , recusou-se a delatar colegas investigados pelo FBI suspeitos de simpatizar com o comunismo.  
Finalmente, este tópico ficaria incompleto se Quanto mais quente melhor (1959) não fosse mencionado. O filme que hoje é considerado a melhor comédia da história causou rebuliço na época de seu lançamento. Na história, os personagens de Jack Lemmon e Tony Curtis são obrigados a se disfarçarem de mulheres para fugir de mafiosos. Wilder faz muitas brincadeira implícitas que puristas e a igreja católica acharam um flerte com o homossexualismo. Mesmo que o filme pareça comportado para os padrões de hoje, Quanto mais quente melhor foi um dos que iniciou uma revolução sexual nos filmes que explodiria nas décadas de 60/70. A partir dali, o Código Hays (que disciplinava o uso da violência e sexo nos filmes de Hollywood) foi lentamente perdendo força até ser arquivado. 
 
Se meu apartamento falasse.
Sintaxe cinematográfica – A maior limitação de alguns filmes do primeiro cinema (1895-1915) era o de serem teatrais demais. À época, não havia códigos narrativos próprios para o cinema e por conta disso alguns filmes parecem hoje uma espécie de teatro filmado. Billy Wilder jamais se utilizou de técnicas não cinematográficas em seus filmes. Sempre usando do artifício para mergulhar o espectador nas histórias, ele o fazia de tal modo que por momentos esquecemos até mesmo que aquilo é cinema.
Wilder era um diretor discreto. Não no sentido de sua vida pessoal, mas no sentido de o público não perceber a mão do diretor na película. Como ele também co-escrevia todos os roteiros de seus filmes, não permitia improvisações e seguia o roteiro à risca, ou seja, preferia enfatizar a história ao artifício que a conta.     
Alguns exemplos em seus filmes explicam como ele conseguia ser genial sem ser extravagante. No vencedor do Oscar de melhor filme de 1960 Se meu apartamento falasse, em uma das cenas finais, Wilder utiliza apenas um dolly in (aproximar a câmera frontalmente) para demonstra a solidão do personagem de Jack Lemmon. Em Farrapo humano (1945) ele só precisa mostrar mancha de água feitas por um copo em um balcão para nos demostrar a dimensão do drama do protagonista alcoólatra.


Inovador: Por se tratar de um diretor da Hollywood clássica muitos podem pensar que Wilder era conservador. Não é bem assim. Ele era conservador sim quando se tratava de movimentos de câmera por exemplo, mas  compensava isso criando cenas com composições extremamente inteligentes. Também não hesitava em utilizar novidades como a profundidade de campo em seus filmes logo após Orson Wells consagra-la em Cidadão Kane. Este é apenas um caso de como o diretor se envolveu em tendências e não tinha medo de ser criticado ao inovar. 
Mas suas maiores ousadias se encontravam mesmo nos roteiros. A metalinguagem presente em Crepúsculo dos Deuses por exemplo  é extremamente criativa e inovadora por utilizar vários elementos da Hollywood real no filme (uma das cenas se passa em um set de filmagem real e os diretores e atores figurantes interpretavam a si mesmos, tal como o diretor C.B. De Mille e o ator Buster Keaton). 
 Suas comédias com um humor ousado e irônico também são dignas de nota. Dispensava puritanismo e talvez tenha sido precursor da revolução no retrato do sexo no cinema que ocorreria anos mais tarde. 
Gian Danton e Alexandre Magno

Billy Wilder é um dos mais importantes diretores do cinema mundial. Judeu austríaco, mudou-se para a América fugindo do nazismo e fez obras-primas, como Crepúsculo dos Deuses. Conhecido por seu ecletismo, ele dirigia tanto ótimas comédias (a melhor delas Quanto mais quente, melhor) e ótimos dramas (como o filme sobre alcoolismo Farrapo Humano).
Em artigo anterior, destacamos alguns pontos que fazem de Wilder um diretor tão especial. Neste, apresentamos outras características:
A cena final de Quanto mais quente melhor. 

Bons finais sempre: Há muitos cineastas cujos filmes são obras primas. Filmes muito bem escritos, com composições visuais excelentes e interpretações impecáveis. Mas quando chegam ao final, acabam de maneira estranha, que não condiz com a qualidade do restante, enfim, finais passáveis. Com Billy Wilder chega a ser impressionante a coerência de sua carreira no que se trata de tramas bem construídas, e bem encerradas.
Talvez o caso mais emblemático deste quadro seja o filme Testemunha de Acusação (1958). Neste, o final é tão surpreendente e importante para a trama que quem assiste ao filme inteiro com exceção dos minutos finais pode ficar com a impressão de que se trata de um filme menor. Nos créditos, há um pedido para que os espectadores não comentem a respeito do final com amigos. Wilder sabia que a força do filme estava no final.  
Também temos o que possivelmente é o melhor final de um filme de todos os tempos. Na ultima cena de Quanto Mais Quente Melhor (1959) vemos aquele que é considerado o mellhor diálogo final de um filme em todos os tempos. Jack Lemmon, disfarçado de mulher e usando o nome de Daphne, tenta convencer o milionário Osgood que não pode se casar com ele:
Daphne: É, Osgood. Não posso me casar no vestido da sua mãe. É que – eu e ela, nós não temos o mesmo tamanho.
Osgood: Nós podemos alterá-lo.
Daphne: Oh não faça isso! Osgood, Eu vou falar de uma vez. Não podemos nos casar de forma alguma!
Osgood: Por que não?
Daphne: Bem, em primeiro lugar, eu não sou loira de verdade.
Osgood: Não importa.
Daphne: Eu fumo! Eu fumo o tempo todo!
Osgood: Eu não ligo.
Daphne: Bem, eu tenho um péssimo passado. Faz três anos que eu moro com um saxofonista.
Osgood: Eu te perdoo.
Daphne: Nunca poderemos ter filhos!
Osgood: Podemos adotar alguns.
Daphne: Mas você não entende, Osgood! Eu sou um homem!
Osgood: Bem, ninguém é perfeito!

Esse final, escrito em parceria com I. A. L. Diamond, grande parceiro do diretor, ficou tão famos que Wilder mandou escrever em seu túmulo: “Eu sou um escritor... mas ninguém é perfeito”.
Isso tudo só ocorre porque Wilder, seguindo o princípio consagrado por alguns movimentos cinematográficos que estabelece condições para que um diretor seja também um autor, também roteiriza todos os seus filmes. Esse fato que lhe permitia muito mais liberdade criativa. Esse fator, somado à liberdade que os estúdios lhe davam (poucos diretores desfrutavam deste luxo à época) contribuía para que ele quase sempre optasse pelo melhor final no seu ponto de vista.
A atuação de Marilin em Quanto mais quente melhor é memorável.

Direção de atores – Wilder não era um mestre só ao manejar a câmera. Era também um especialista em tirar de seus atores suas melhores interpretações. O exemplo mais clássico talvez seja Marilyn Monroe em Quanto mais quente melhor. Conta-se que na época ela já estava com problemas psicológicos tão graves que não conseguia decorar nem mesmo uma frase simples, como “I´m sugar!”. Ainda assim, sua atuação no filme é perfeita. A cena em que ela tenta conquistar Tony Curtis, que, por sua vez, tenta se fazer de tímido, é uma das melhores do cinema com atuação brilhante dos dois atores. Aliás, essa mesma cena é um exemplo perfeito da maneira como o diretor manejava o diálogo de modo a permitir várias interpretações. Nela, quase toda fala tem duplo sentido.
Inferno n. 17: filme de guerra de Wilder. 

Eclético -  Billy Wilder costumava dizer: “Ninguém gosta de comer todos os dias a mesma coisa” para justificar a variedade de seus filmes. Ele fez um dos melhores dramas jornalísticos de todos os tempos (A Montanha dos sete abutres) e a melhor comédia da história do cinema (Quanto mais quente, melhor). E passeou pelos gêneros noir (Pacto de sangue), comédia romântica (A incrível Suzana, Sabrina), filme de guerra (Sete covas do Egito e Inferno n. 17),  comédia de costumes (Se meu apartamento falasse, O Pecado mora ao lado), metalinguístico (Crepúsculo dos deuses) e até policial (A vida íntima de Sherlock Holmes). Dos gêneros mais conhecidos de Hollywood, os únicos que ele não abordou foram a ficção científica e o faroeste.
Kirk Dougla interpreta um jornalista sem escrúpulos em A montanha dos sete abutres.

Roteiros – Já foi dito sobre os finais perfeitos de seus filmes, mas quem conhece o trabalho Billy Wilder sabe que tudo em seus filmes era feito em torno do roteiro. A textura da trama era perfeita, sem pontas soltas ou deus ex-machinas (situações ou soluções que não se encaixam no contexto). Até mesmo quando Wilder parece falhar no roteiro, isso na verdade faz parte da trama, como em Testemunha de acusação, quando uma personagem aparece do nada apresentando provas fundamentais para o julgamento. Além disso, ele manejava o diálogo como poucos, revelando detalhes sobre os personagens a cada fala. Exemplo disso é quando Kirk Douglas, em A montanha dos sete abutres diz que irá conseguir uma grande notícia, mesmo que para isso precise morder um cachorro, mostrando, nessa simples fala, a falta de ética do personagem.
Todos esses fatores e muitos outros fazem com que Billy Wilder seja obrigatório para qualquer um que goste de cinema.