quinta-feira, outubro 29, 2026

X-men – A segunda gênese

 


Na metade da década de 1970 a Marvel resolveu dar mais uma chance para o grupo de mutantes, com uma nova formação composta por integrantes de vários países do mundo. Inicialmente a ideia era colocar heróis de países em que a Marvel vendia bem, mas ao longo do processo a ideia mudou e entraram personagens da África (tempestade) e até Rússia (Colossus).

Essa geração, que de fato levaria o título a se tornar um sucesso surgiria em 1975, em Giant-size X-men 1.

Len Wein, que era o editor a revista, escreveu o primeiro número, já pensando em entregar a bomba para um ex-estagiário da casa, Chris Claremont, e a história foi ilustrada por Dave Cockrum, responsável pelo visual dos novos personagens.

Na trama, os X-men originais vão até uma ilha em busca de um mutante descoberto pelo cérebro. Algo acontece e quando percebe, Cíclope está de volta ao jato. Ele volta para a escola e busca a ajuda do professor, que decide reunir o máximo de mutantes que conseguir para descobrir o que aconteceu com os X-men.

O início, com Noturno sendo perseguido, deixa claro o mote da nova série: os X-men serão párias da sociedade. 


A história começa exatamente com essa busca (as razões da busca são contadas em flash back) em uma sequência que certamente chamou a atenção dos leitores: Noturno sendo perseguido por uma turba que o considera um demônio. Já estava ali, naquela primeira sequência, uma das razões pelas quais essa nova formação se tornaria um sucesso: a ênfase no tema preconceito. O texto de Wein destaca essa esse aspecto. “São capazes de queimar a cidade inteira para me pegar!”, pensa o personagem. “E por quê? Só me aproximei deles para aprender... mas até agora só recebi lições de violência cega e gratuita!”.

Outro momento de destaque é a primeira aparição de Ororo. Africanos se aproximam de um portal e imploram ajuda. Mais uma vez, Wein mostra por que era considerado um dos melhores autores da década de 1970: “Em meio ao troar dos trovões e do lamento de ventos solitários... a deusa da tempestade aparece”.

A primeira aparição de Tempestade é um dos grandes momentos da história. 


Essa nova formação tinha problemas óbvios: Wolverine, Solaris e Pássaro Trovejante são praticamente o mesmo personagem, a ponto de até falarem de forma semelhante. Como uma decisão acertada, Claremont fará com que Solaris saia da equipe logo na segunda aventura e Pássaro Trovejante morre pouco depois, o que irá permitir que Wolverine ganhe destaque.

A trama é bem bolada: os X-men originais haviam sido aprisionado por uma ilha inteira, que, em decorrência de explosões atômicas, havia criado uma consciência coletiva e se alimentava de mutantes (razão pela qual Cíclope fora solto: o objetivo era fazer com que ele trouxesse mais “alimento”), mas, apesar de todo o brilho de seu texto, Wein nitidamente está preguiçoso. No auge da luta dos X-men contra a ilha viva, ele escreve: “Meras palavras não poderiam descrever a selvageria da batalha que se segue... por isso nem vamos tentar!”. Era óbvio que ele estava só cumprindo tabela e pretendia entregar o título para o iniciante Claremont o mais rápido possível.

Os mutantes enfrentam uma ilha viva. 


Ainda assim, foi um início promissor, que chamou atenção finalmente para os X-men. Posteriormente o amor de Chris Claremont pelos personagens faria com que as vendas aumentassem cada vez mais – até a entrada de John Byrne. Juntos, Claremont e Byrne transformariam os mutantes nos personagens mais populares da Marvel.

Um tempo: uma personagem que eu lamentei que Claremont tenha tirado do título é Polaris. Ela tinha um dos visuais mais bacanas de todos os X-men.

A menina que matou os pais/O menino que matou meus pais

 


Os filmes A menina que matou os pais e O menino que matou meus pais apresentam uma experiência cinematográfica instigante: contam a mesma história de dois pontos de vista completamente diferentes.

Escritos por Ilana Casoy e Raphael Montes, os filmes contam as versões de Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos para a morte dos pais de Suzane, baseados nos depoimentos dois dois réus.

Embora narrem essencialmente os mesmos fatos, tornam-se filmes muito diferentes.

Uma das cenas emblemáticas é a primeira relação sexual do casal.

Na versão de Suzane, ela era virgem, foi apresentada às drogas na ocasião e teve uma relação não totalmente consentida. Na versão de Daniel, Suzane lhe apresentou às drogas e comandou toda a relação. Roteiro, direção e atuação se juntam para fazer duas cenas com o mesmo fato, mas totalmente diversas.

Os filmes ganham muito com a ótima atuação de Carla Diaz. O fato dela ser pequena ajuda a compor a versão de Suzane, na qual ela era apenas uma criança manipulada pelo namorado ganancioso para matar os pais. E, curiosamente, a mesma atriz consegue compor uma mulher fatal, fria e mergulhada nas drogas, na versão de Daniel.

O grande desafio dos filmes é tentar identificar o que é verdade e o que é mentira em cada uma das versões, pois é uma obra na qual sabemos que um dos dois – ou, muito provavelmente os dois – está mentindo.  

A menina que matou os pais e O menino que matou meus pais estão disponível na plataforma Amazon Video.

Júlia Kendall – O elevador

 


Algo que só grandes roteiristas conseguem é escrever histórias que se passem num local fechado, com poucos personagens. Giancarlo Berardi consegue isso com maestria na história O elevador, publicada no Brasil no número 53 da revista As aventuras de uma criminóloga.

Na trama, é o último dia de funcionamento da Receita antes de férias coletivas para dedetização do prédio. Júlia recebeu uma notificação e acorre ao local, chegando um pouco antes do fechamento, só para descobrir que errou o mês.



Ao tentar retornar para casa, ela fica presa no elevador com um dos contadores que trabalham no local. como o prédio foi totalmente esvaziado e nenhum dos dois tem um celular, eles poderão ficar presos no local até morrer de fome.

O roteiro foca na relação entre os dois, uma relação inicialmente superficial, de dois desconhecidos que se vêem de repente presos no mesmo local, depois de cooperação e, finalmente, quando todas as tentativas de fuga falham e eles estão afetados psicologicamente, de conflito.

Uma grande sacada da história é mostrar, em vários momentos, o poço do elevador. Isso dá ao leitor a sensação de claustrofobia que os personagens estão sentindo, além de aumentar o suspense.

As imagens do poço do elevador ajudam a criar a sensação de claustrofobia. 


Lá pelas tantas o homem com quem Júlia está presa começa a lhe contar como planejou e executou um assassinato. Isso gera mais uma camada de interesse no leitor: ele está mentindo, apenas inventando histórias para passar o tempo ou está dizendo a verdade, e, nesse caso, Júlia corre perigo?

Berardi conecta muito bem esses elementos ao mesmo tempo em que cria uma narrativa paralela nos quais os amigos de Júlia tentam descobrir o que aconteceu com ela. Conseguirão eles chegar a tempo de salvá-la?

O surgimento do Homem-aranha

 

O lançamento do Quarteto Fantástico foi uma verdadeira revolução no mercado, abrindo caminho para que a Marvel se tornasse a editora predileta dos fãs. Mas o personagem que melhor representaria esse método Marvel de fazer quadrinhos só surgiria em 1962. Trata-se do Homem-aranha.
            Quando Stan Lee apresentou a idéia para o personagem, todos na editora, especialmente o dono, Martin Goodman, acharam que seria um fracasso. Afinal, ele não era rico, era cheio de complexos e falhas de caráter e nem ao menos era bonito, fisicamente. Além disso, todo mundo odeia aranhas.
            Mas era justamente nesses pontos negativos do personagem que Lee apostava. Ele achava que os leitores iriam se identificar com aquele nerd que só se dava mal, era rejeitado por todos, mas, quando vestia sua máscara, tornava-se o grande herói da cidade. Para destacar ainda mais esses supostos aspectos negativos, Lee chamou Steve Ditko, que fazia Peter Parker franzino, com cara de nerd. Jack Kirby, o outro grande artista da editora, foi rejeitado por fazer o personagem musculoso. A idéia era mostrar um perdedor que se tornava o herói do pedaço.
            O homem-aranha fez um sucesso imediato. A história mostrava o garoto frágil, Peter Parker, vítima de gozação dos outros, que ganha super-poderes ao ser picado por uma aranha radioativa. Inicialmente ele usa esses poderes para ganhar dinheiro, apresentando-se na TV, mas tudo muda quando ele deixa escapar um bandido, que depois irá matar seu tio Ben.  A partir de então, ele passa a adotar como lema uma frase do tio: ¨Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades¨ e usa suas novas habilidades para ajudar as pessoas e combater os criminosos. Como contraponto, Parker convive com uma tia super-protetora. Tornou-se comum a cena em que ele liga para tia, ainda vestido de homem-aranha, e ela lhe diz para tomar cuidado, usar agasalho para não se resfriar e, principalmente, tomar cuidado com o Homem-aranha.
            A série levou ao extremo os temas já abordados no Quarteto Fantástico. O homem-aranha é extremamente humano. Ele fica doente, tem dúvidas sobre sua atuação com herói, recebe foras das namoradas... Os poderes recebidos parecem mais um fardo, um problema a mais para um garoto que enfrenta vários problemas, entre eles o aluguel do fim do mês. A morte da namorada Gwen Stacy, na década de 1970 mostrou a que ponto o realismo podia chegar: mesmo os protagonistas poderiam morrer.
            Uma das histórias mais antológicas do personagem é aquela em que ele precisa conseguir um composto químico capaz de salvar Tia May, mas esse composto também está sendo procurado também pelo doutor Octopus. De repente o herói se vê preso sob uma pesada viga. A seqüência mostra, em várias páginas, ele tentando se livrar do obstáculo. Quando finalmente consegue levantar a viga, o frágil Peter Parker é mostrado (no desenho de Steve Ditko) como um homem musculoso. É como se o grande inimigo que ele precisasse vencer fosse a si mesmo e, ao se tornar vitorioso, ele se tornava um herói. Era algo com que os adolescentes de qualquer lugar do mundo podiam se identificar. Afinal, o que é a adolescência, senão um período de dúvidas, dramas e vitórias?
            A grande qualidade dos artistas que passaram pelo personagem (Stan Lee e Gerry Conway nos roteiros, Steve Ditko, John Romita e Ross Andru nos desenhos) só fizeram resaltar o ar de mito que o personagem ganhou. Em todas as culturas há histórias de jovens guerreiros que são desprezados pelos demais, mas que, nos momentos decisivos, acabam salvando a aldeia, ou o reino, ou a cidade. Como Davi, vencendo o gigante Golias.

A Primeira Reportagem


Lançado em 1983 pela icônica Coleção Vaga-Lume, da editora Ática, o livro A Primeira Reportagem, de Sylvio Pereira, tornou-se um clássico incontornável da literatura infanto-juvenil brasileira.

A trama principal gira em torno do sequestro planejado de um garoto. Excepcionalmente, naquele dia, sua irmã de 14 anos o acompanhava no carro e acaba sendo levada pelos criminosos também. O pai das vítimas, um influente secretário de governo, temendo pela vida dos filhos, ordena expressamente que a polícia não interfira nas negociações. Contudo, o líder da quadrilha, o brutal Valdomiro, planeja friamente assassinar os dois jovens assim que receber o dinheiro do resgate, com o intuito de não ser reconhecido posteriormente.

O protagonista da história é Roberto, um jovem de 17 anos que acaba de ingressar como office boy na redação de um grande jornal e que alimenta o sonho de, um dia, tornar-se repórter. Durante o período do crime, enquanto está em uma lanchonete próxima ao trabalho, ele escuta por acaso a conversa reservada entre um dos jornalistas policiais da folha e o próprio Valdomiro, descobrindo assim a localização exata do cativeiro das crianças. Essa revelação, no entanto, o coloca diante de um grave dilema moral: o medo de que a polícia cause uma tragédia ao intervir ou de que a sua denúncia caia nas mãos de algum agente aliado dos bandidos. Diante do impasse, ele resolve agir por conta própria, unindo forças com Beatriz, uma garota do setor de publicidade por quem nutre uma paixão secreta.

Sylvio Pereira possui uma prosa sucinta e bastante fluida, que transforma o livro em uma leitura extremamente agradável. O ritmo dinâmico da narrativa faz o leitor ignorar que o gancho detonador da trama apoia-se em uma tremenda coincidência — um verdadeiro artifício do tipo deus ex machina —, que coloca o protagonista no lugar exato e na hora certa para testemunhar o diálogo confidencial entre os cúmplices. A resolução do clímax também soa um tanto forçada, evidenciando que os jovens heróis contam com uma dose massiva de sorte em uma empreitada que, na realidade, seria extremamente arriscada.

Apesar de não apresentar o mesmo refinamento urbano e a complexidade de tramas de Marcos Rey — autor que se notabilizou como o maior expoente dos livros policiais e de mistério da Coleção Vaga-Lume —, Sylvio Pereira cumpre com maestria o papel de prender a atenção do leitor do início ao fim. Vale também destacar as expressivas ilustrações de Negreiros, profissional amplamente conhecido no meio editorial por suas charges políticas, mas que aqui entrega um excelente trabalho visual, enriquecendo a atmosfera de suspense da obra.

quarta-feira, outubro 28, 2026

Guerras Secretas – Situação desesperadora

 


O número quatro da série Guerras Secretas começa com o Homem Molecular destruindo a fortaleza dos heróis e recebendo afagos apaixonados de Vulcana (a personagem que Jim Shooter tirou da cartola ao escrever a série):

- Incrível! Você destruiu esse lugar só com um gesto, Homem Molecular.

- Ora, para alguém quem controla moléculas, isso não é nada!

O Homem-Molecular garante a vitória dos vilões. 


Mesmo assim, com a fortaleza sendo dizimada molécula por molécula, os heróis sobrevivem – o roteirista não se preocupa em explicar como.

Ao perceber que os heróis se salvaram, o Homem Molecular joga uma montanha em cima deles (mesmo assim eles sobrevivem graças ao Hulk, que segura a montanha, gerando uma bela capa). Logo depois, Thor e Encantor aparecem por ali depois do interlúdio romântico e os vilões resolvem matar o deus do trovão, algo que é feito por Ultron com um raio desintegrador. Depois descobrimos que Thor sobreviveu ao invocar um trovão e sumir dali.

Os heróis morrem... mas não morrem. 


É tanto morre-não-morre-morre-não morre que começa a incomodar. Fica óbvio que as aparentes mortes são apenas um artifício dramático barato – o que tiraria o impacto de qualquer morte real. Numa comparação com Crise nas infinitas terras: na série da DC todo mundo que morria, morria de fato (pelo menos ali, naquela publicação).

Em uma narrativa paralela, os X-men se refugiam na fortaleza de Magneto, onde encontram o moço no interlúdio romântico com Vespa.  Magneto argumenta que o grupo de mutantes deve assumir um papel agressivo: “Se Destino triunfar, Beyonder realizará todos os seus desejos egoístas! Porém nós, com a ajuda de um ser tão poderoso, criaríamos uma nova era, onde humanos normais e mutantes viveriam em paz”.

Thor morre... mas não morre. 


Surpreendentemente, a Vespa, que até então parecia apaixonada pelo rei do magnetismo passa a atacá-lo. Qual a parte de “Humanos normais e mutantes vivendo em paz” que a fez se tornar tão agressiva, do nada?

Os personagens pareciam agir de acordo com as necessidades narrativas do roteirista, que precisava ali de um conflito para ter mais algumas páginas de porrada.

Aliás, todos os personagens parecem agir assim. Ninguém tem uma ação que seja fruto da sua jornada e da lógica interna da história – são todos escravos das necessidades da roteirista.

A curiosa experiência de Thomas Dumbar

 

  

O segundo e-book da série Sci-fi Tropical é também focado no tema super-humanos (o Primeiro foi O reinado do Super-homem, de Jerry Siegel).

Escrito por Gertrude M. Barrows,  A curiosa experiência de Thomas Dumbar foi publicado na revista Argosy em março de 1904, o que faz dessa obra senão o primeiro, certamente uma das primeiras obras a abordarem o tem “humano com super-poderes”. Uma curiosidade é que o editor considerou que os leitores não aceitariam bem o texto de uma mulher, de modo que creditou a história como G. M. Barrows.

O conto narra a história de um homem, vítima de um acidente de automóvel que acaba sendo levado pelo responsável pelo acidente para sua casa, onde é tratado. Pode parecer um mote estranho, mas considerando-se que nos EUA não existe serviço público de saúde, nesse contexto parece verossimilhante alguém aceitar ser levado para a casa de alguém ao invés de para um hospital.

Ocorre que o homem que o socorreu é um cientista cuja experiência, inadvertidamente, irá transformar o acidentado em uma pessoa com poderes extraordinários.

Gertrude Barrows é uma escritora de talento, como já podemos perceber pela primeira frase: “Voltei à existência consciente ouvindo um suspiro nos meus ouvidos, como a respiração profunda de um grande monstro”.

Embora a autora seja muito hábil ao descrever situações, ela parece usar essa habilidade mais para esconder o que está acontecendo do que para revelar – uma estratégia que ela usa como elemento de suspense. Talvez se tornasse cansativo, mas funciona em um conto. Não por acaso, ela posteriormente se tornaria uma discípula de H.P. Lovecraft.

Por ser sobre o mesmo tema, é impossível não comparar com a obra de Jerry Siegel, publicada na mesma coleção. Enquanto a narrativa de Siegel seja capenga, quase infantil, a de Barrows é bem elaborada, mas perde justamente naquilo que Siegel se dá bem: falta uma trama. Todo o conto, narrado em minúcias, revela apenas o processo que levará o homem a adquirir seus poderes. Não há qualquer revelação sobre os desdobramentos futuros: como ele usará esses poderes?

A coleção foca em textos inéditos ou pouco conhecidos no Brasil. Para adquiri-los, basta fazer um pix de três reais por exemplar para a chave PIX: rubensangelo@yahoo.com.br e enviar o comprovante para o Rubens Angelo: rubensgrafico@gmail.com.

Duplex

 


Um casal recém casado realiza o sonho de comprar uma apartamento em Nova York. O local parece perfeito, especialmente para o marido, que é escritor e precisa terminar o seu livro. É um duplex e o apartamento de cima está alugado para uma velhinha. Eles são impedidos pela lei de coloca-la para fora, mas tudo leva a crer que ela tem poucos dias de vida.

Essa trama simples e até caseira é o mote do filme Duplex, de Danny DeVito lançado em 2003 e atualmente disponível na Netflix.

A reviravolta da história é que a gentil e doente velhinha transforma a vida o casal em um inferno: ela bate o tempo todo na porta pedindo favores, liga a TV no volume máximo durante a noite, impedindo que eles durmam, liga para a esposa no trabalho fazendo que ela cometa um erro que leva à sua demissão...

Diante de uma situação insuportável, chega um ponto em que o casal pensa em matar a inquilina.

O filme na época foi um fracasso de bilheteria, tendo custado 40 milhões de dólares e faturado 9 milhões nos EUA, mas vem sendo resgatado com o tempo. Obviamente não se trata de uma comédia inteligente.

Esse é um típico besteirol repleto de situações absurdas, mas mesmo assim gera boas gargalhadas. É um filme perfeito para relaxar e rir um pouco sem precisar usar os neurônios.

Capitão América e o Cubo Cósmico

 

 A volta do Capitão América na década de 1960 foi a oportunidade ideal para Stan Lee e Jack Kirby contarem histórias repletas de grandiosidade e ação desenfreada.

Exemplo disso é a saga do Cubo Cósmico, publicada em Tales of Suspense 80 e 81.

A história começa com uma splash page grandiosa, um close do Capitão América, espantando com uma explosão nos céus de Nova York. Vamos ser sinceros: só Jack Kirby conseguiria fazer com que um close se tornasse grandioso.

A história começa com um close grandioso. 

O capitão segue a cápsula de fuga da nave que explodiu e salva seu tripulante, um dos integrantes da I.M.A – ideias mecânicas avançadas (é, na década de 60 eles adoravam essas siglas), que balbucia sobre um grande perigo, o cubo cósmico, que foi roubado pelo Caveira Vermelha: “O cubo cósmico... mortífero... é a arma definitiva! Foi a maior realização da IMA... nas mãos erradas... pode causar o fim da humanidade”.

O cubo cósmico é um instrumento que realiza todos os seus desejos de quem o segura... e esse objeto terrível está sendo levado para o caveira pelo piloto do avião, dominado mentalmente pelo vilão.

Como o Capitão América é o Capitão América, ele pega um foguete da Shield para alcançar o avião, pula sobre ele, entra na cabine e aciona o assento injetor.

Kirby usa planos apertados para criar suspense e tensão. 

Interessante aí como Kirby consegue encher a sequência de suspense e tensão ao fazer as imagens apertadas nos quadros, como se o leitor tivesse vendo as ação de dentro da pequena cabine, algo que contrasta totalmente com os planos abertos e monumentais repletos de splahs a partir do momento em que o Caveira se apodera do artefato e se torna extremamente poderoso.

Aí o leitor se pergunta: como o capitão américa, um homem forte e bem treinado, mas sem grandes podereses poderia vencer a maior ameaça que o mundo já conheceu? Só para ter uma ideia, o cubo cósmico é tão poderoso que depois vai se tornar uma das joias recolhidas por Thanos para sua manopla.

Como o Capitão América poderá derrotar alguém com poder absoluto? 

Mas o herói não desiste e derrota o vilão usando para isso a própria astúcia e coragem: “Não posso entrar em pânico! Não me renderei ao desespero! Não importa a dificuldade... lutarei como vivi... sem nunca perder a espença!”.

O Capitão América que era um herói de verdade.

A arte magnífica de Arthur Rackham

 



Arthur Rackham começou sua carreira na era vitoriana, fazendo ilustrações para revistas enquanto trabalhava como escriturário.

Em 1892 ele pediu demissão e resolveu se dedicar apenas ao trabalho de ilustração. À princípio imitando artistas famosos da época, ele só desenvolveu um estilo um estilo próprio quando começou a ilustrar livros.

A grande virada viria em 1905, quando Rackham colocou suas pinturas numa edição de Rip Van Winkle Washington Irving. Estava encontrado seu caminho: a fantasia. Esse livro já apresentava as características que o tornaram famoso: as linhas sinuosas suavizadas por aquarela, as árvores ameaçadoras, as fadas castas e ao mesmo tempo sensuais, ogros e trolls incrivelmente feios, mas igualmente simpáticos. Suas imagens transmitiam saudosismo, beleza e sensualidade recatada.

Outros trabalhos importantes do pintor foram Peter Pan, Alice no país das maravilhas, Sonhos de uma noite de verão e Contos, de Edgar Alan Poe e O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner.









terça-feira, outubro 27, 2026

Jornada nas estrelas – O último duelo

 


Alguns dos episódios mais interessantes da série clássica de Jornada nas Estrelas são aqueles que ocorrem no passado da Terra. Mas como fazer personagens do futuro viverem situações do passado? A volta no tempo era a estratégia mais óbvia, mas o episódio “O último duelo”, da terceira temporada, trouxe uma solução curiosa.

Na trama, a Enterprise recebe a missão de fazer contato com a civilização melkotiana. No caminho, encontra uma bóia daquela raça avisando que se afastem, mas Kirk ignora o aviso. Quando finalmente uma delegação terrana se teletransporta para o planeta, os melkotianos, temendo tratar-se de uma raça violenta, prendem a equipe numa espécie de realidade virtual que simula a cidade de Tombstone onde ocorreu o célebre duelo do OK Curral, no qual os irmãos Eerps mataram a quadrilha dos Clantons.

Todos na cidade vêem os tripulantes da Entreprise como membros da quadrilha dos Clantons, o que significa que eles serão inevitavelmente mortos ao final do duelo.

Quem brilha nesse episódio é Chekov. Assim que entram num salão uma moça se joga em seus braços, achando que ele é Billy Clanton. A moça beija apaixonadamente o rapaz. Kirk tenta dar uma bronca, no navegador, que responde:  “O que posso fazer, Capitão? Sabe que temos que manter boas relações com os nativos.”. E volta a beijar a moça.  

Um aspecto interessante do episódio é que, como a essa altura o orçamento da série tinha reduzido consideravelmente, a produção não conseguiu construir uma Tombstone completa. O cenário é nitidamente falso, com uma casinha aqui e outra ali, na maioria das vezes só com a fachada. O roteiro, no entanto, aproveita muito bem isso e o que deveria ser um defeito se torna um trunfo.

Ao final, o que poderia ser uma ode a um dos períodos mais violentos da história norte-americana acaba se tornando uma mensagem de paz, bem ao estilo de Jornada.  

Rodval Matias, o melhor desenhista erótico brasileiro

 

Rodval Matias foi um dos principais desenhistas da editora Grafipar. Sua habilidade para desenhar mulheres libidinosas fez dele um dos mais requisitados para histórias eróticas. Posteriormente ele produziu, para a Europa, uma adaptação do livro Os 120 dias de Sodoma, do Marquês de Sade. O roteiro ficou a cargo do Ataíde Braz. Na Europa saiu apenas como Silva. Algumas revistas nacionais publicaram esse material no Brasil, um capítulo em uma revista, outro em outra revista. Mas é um material obrigatório para fãs de erotismo. Rodval não fica nada a dever aos mestres do erotismo, como Manara ou Crepax. Para baixar o álbum em arquivo digital, clique aqui. Para ler on-line clique aqui.

Perry Rhodan – Os microtécnicos

 


O volume 63 da série Perry Rhodan é focado numa grave ameaça à humanidade: os saltadores, em conjunto com o regente robótico de Árcon querem criar um goniômetro, um aparelho capaz de identificar a origem de qualquer nave após o salto, mesmo que esta use os compensadores estruturais. Com isso, a localização do planeta Terra poderá ser descoberta, o que poderá inclusive redundar em sua destruição.

O aparelho está sendo construído no planeta Swoofon e o plano de Rhodan é introduzir agentes no local para copiarem os planos do mesmo com o objetivo de criar um outro mecanismo, que o neutralize.

Para isso, ele cria uma estratégia de distração, pousa no planeta com três grandes naves terrenas e isola o sistema alegando que está procurando um criminoso que estaria, de alguma forma, ligado aos invisíveis.

É uma trama forçada e morosa, que nem mesmo o texto de Clark Darlton consegue salvar.

A capa da edição alemã destacou os habitantes de Swoofon. 


O livro acaba valendo muito mais pelas descrições do mundo Swoofon e seus simpáticos habitantes, pequenos como pepinos, capazes de enxergar em nível quase atômico e dotados de quatro braços com mãos extremamente habilidosas. Os aparelhos fabricados por eles mal podem ser vistos a olho nu. São capazes de construir, por exemplo, transmissores que podem ser guardados no buraco de uma agulha.

A série, que inicialmente apresentava aparelhos cibernéticos imensos, torna-se antecipatória ao prever o surgimento da miniaturização, um fenômeno que vemos nos dias atuais.

Em tempo: o livro fica mais interessante no final, quando o novo plano de Rhodan precisa de um disfarce. Isso gera um impasse ético que é bem aproveitado por Clark Darlton.

Quarteto Fantástico contra o Superskrull

 


Uma das características que faziam do Quarteto Fantástico um grupo único nos quadrinhos era o fato de que eles eram mostrados como celebridades, como provavelmente aconteceria se os super-heróis de fato existissem.

No número 18, por exemplo, vemos a família fazendo compras em uma grande lojas de departamento quando algumas pessoas os reconhecem. O assédio é tão grande que eles acabam envolvidos pela multidão de fãs e precisam de ajuda do coisa para saírem. Quando uma ameaça surge na cidade, eles demoraram para agir porque precisam primeiro se livrar do assédio.

Os heróis do Quarteto são tão populares... 


E a ameaça é ninguém menos que o Superskull, um ser alienígena que tem todos os poderes de cada um dos integrantes do Quarteto, com a diferença de que suas habilidades são ainda mais acentuadas. Assim, ele é mais forte que o Coisa, controla o fogo melhor que o Tocha e se estica mais que o Senhor Fantástico. E, embora os cientistas skrulls afirmem que ele consegue ser melhor que a Mulher Invisível, a verdade é que ele só fica invisível (vale lembrar que, nessa época, esse era o único poder dela).

... que precisam desviar dos fãs para combaterem a ameaça do Superskrull


Como enfrentar um personagem tão poderoso, com tantas habilidades? Stan Lee tira da cartola um deus ex machina, um ponto fraco no vilão descoberto sem mais nem menos por Reed Richards.

Mas a aventura era tão empolgante que a maioria das crianças da época nem deve ter se tocado que a solução encontrada para derrotar o Superskrull era forçada.

O vilão tem os poderes de todos os membros do Quarteto. 


Em tempo: o Superskrull, embora derrotado nessa primeira história, ainda iria voltar outras e outras vezes, como todos os vilões do Quarteto.