sexta-feira, novembro 06, 2026
O fim da eternidade, de Isaac Asimov
Entenda por que os comentários estão sendo moderados
- Gian, entrei no seu blog e tentei comentar numa matéria, mas não ele não foi publicado imediatamente
- Infelizmente eu tive que acionar a moderação de comentários.
- Caramba, são dezenas de comentários iguais o cara já começa te chamando de stalinista!
Como as estrelas na terra
Como as estrelas na terra, filme indiano de 2007 lançado recentemente aqui pela Netflix é uma obra que entrará para qualquer lista de melhores obras sobre a educação.
O filme conta a história de Ishaan Awasthi, um menino de nove anos que já reprovou a terceira série e irá reprovar novamente de ano, o que faz com que os pais o coloquem num colégio interno.
Visto como rebelde e preguiçoso, o garoto na verdade sofre de dislexia. As letras “dançam” na frente dele, o que faz com que ele seja incapaz de ler ou escrever.
A história do garoto muda quando o professor de artes do colégio interno percebe o problema do garoto e começa a ajudá-lo (a sequência em que ele ensina contas usando uma escada é um dos momentos mais interessantes). Mais ainda: o professor descobre que Ishaan não só não é burro, como é um gênio da pintura.
A primeira parte peca por um problema que dizem ser comum nos filmes indianos: o excesso de musicais. Há momentos em que eles funcionam, como quando estão mesclados com animações. Mas chega num ponto de exagero em que tudo vira motivo para um musical. O garoto está triste? Música. A família vai deixá-lo no colégio interno? Música. Entra o novo professor de música? Música com dança.
A história engrena de fato quando o diretor Aamir Khan se concentra em contar a história, deixando as sequências de música mais pontuais.
Descontado esse exagero nos musicais, Como as estrelas na terra é um filme divertido e emocionante que aborda perfeitamente o assunto dislexia.
Um conto de duas cidades
Comprei o livro Um conto de duas cidades, de Charles Dickens em maio de 1999. Era uma edição de banca, da Nova Cultural. Tirando a capa mole, era uma publicação interessante, com biografia do autor e muitas notas sobre o texto. Por alguma razão eu comecei a ler e abandonei antes de terminar o primeiro capítulo. Isso é comum para quem é professor: você começa um romance e logo uma outra leitura, mais urgente, geralmente um texto técnico, o obriga a abandonar a ficção.
O livro ficou lá, escondido na estante, por mais de 10 anos, até que mudei de casa e comecei a arrumar a nova estante. Colocar livros numa estante pode parecer uma atitude simples para quem não gosta de leitura. Para um leitor assíduo, é algo demorado. É difícil resistir à tentação de dar uma folheada e ler um parágrafo ou outro.
Foi assim que comecei a ler Um conto de duas cidades. Considerando-se o início, é difícil imaginar porque eu o abandonei da outra vez. O livro tem uma das melhores aberturas da história da literatura:
"Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da luz, a estação das trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o paraíso, íamos todos direto no sentido contrário".
O livro apresenta uma trama que começa um pouco antes da Revolução Francesa e vai até a era de terror, em que dezenas, às vezes centenas de pessoas eram mortas diariamente, a maioria apenas pelo crime de serem nobres ou pela simples suspeita de serem traidores da pátria. As duas cidades do título são Paris e Londres, locais percorridos pelos personagens (embora os melhores momentos são aqueles passados na França revolucionária).
A trama inicia com o resgate do médico Manette, preso durante anos na Bastilha. Solto, sua filha, Lucie e um funcionário do banco Tellson seguem para Paris a fim de levá-lo para a Inglaterra, uma vez que ele pode vir a ser preso novamente se continuar em solo francês.
Dickens, baseando-se no livro de Carlyle, The French Revolution, aproveita-se do fato de que os nobres mais influentes da época tinham cartas que lhes permitiam capturar e encarcerar na Bastilhas qualquer desafeto para construir sua trama. O Doutor Manette teria sido vítima de uma dessas cartas, mas a razão pela qual ele foi preso só será revelada no final do livro, provocando uma nova tragédia.Embora seja anterior a ele, Dickens parece ter lido o conselho de Edgar Alan Poe: imaginar primeiro o final e fazer todas as tramas e personagens se enlaçarem. Aliás, os últimos capítulos são uma aula de suspense. Como num filme de Hitchcock, acompanhamos as várias tramas avançando na direção da tragédia representada pela guilhotina.
Dickens tinha um olhar de fotógrafo: sua capacidade de ambientar o leitor através da visão de pequenos acontecimentos é única e pode ser bem apreciada no primeiro capítulo V, o primeiro em que aparece o bairro de Santo Antônio, onde é focada a maior parte da narrativa da era do terror. Um grande tonel de vinho tomba na rua e se quebra. O populacho se embriaga com o líquido, que escorre pelo calçamento acidentado: homens e mulheres cavoucam as poças com canecas de barro lascadas ou com lenços de cabeça das mulheres, que são torcidos para derramar gotas do líquido precioso na boca das crianças. O episódio, sem menor importância, torna-se um prenúncio do que virá quando um rapaz usando barrete vermelho usa o vinho para escrever no muro: "Sangue".
Dickens usa esses instantâneos para ambientar sua historia e criar expectativa, preparando o leitor para o que virá. Isso é feito de maneira lenta, própria de uma época em que se podia ler calmamente um livro: a narrativa avança aos poucos e há capítulos apenas com o objetivo de antecipar a carnificina que virá. O capítulo VI, por exemplo, é usado quase que só para descrever o local em que o Doutor e sua filha moram em Londres e um curioso efeito acústico, que lhes permite ouvir vozes e passos vindos de outras ruas, como se fossem uma multidão invisível: "Talvez vissem também a grande multidão de pessoas com seu ímpeto e seu rugido avançando sobre eles".
O leitor que resistir a essa narrativa lenta será recompensado não só pela bela prosa de Dickens ou pelo final de tirar o fôlego, mas também por uma análise interessante sobre uma época: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou Morte; a última muito mais fácil de conceder do que as outras, ó Guilhotine!".Suas descrições da carnificina são um verdadeiro estudo da natureza humana sob a influência da multidão. Em determinado ponto do livro, um dos prisioneiros é restituído à liberdade exatamente na noite em que os jacobinos decidem matar centenas de nobres que entulham as prisões. No meio da confusão, ele acaba sendo apunhalado. Chamado para atendê-lo, o doutor o encontra sendo atendido por um grupo de samaritanos sentados sobre os corpos de suas vítimas. Eles o ajudam com total solicitude, improvisam uma padiola e mandam uma escolta tirá-lo dali. Depois empunham suas armas e voltam a se dedicar à hedionda carnificina.
As notas do final do livro ajudam a entender melhor o sentido de algumas passagens ou acrescentam informações aos episódios. Sobre a noite referida, a nota cita Mercier, detalhando o assassinato da princesa de Lamballe: "Tendo os assassinos dividido os pedaços sangrentos do corpo dela, um desses monstros arrancou-lhe os pelos pubianos e fez um bigode para si mesmo com eles".
Dickens, que chegou a fazer uma reportagem sobre uma execução na guilhotina (na Itália) mostra a todo momento sua ojeriza aos crimes cometidos durante a era do terror. Mas não faz uma acusação cega dos revoltados. Ao contrário, deixa claro que tal estado de coisas só foi possível em decorrência da situação absurda em que vivia a França na época pré-revolução, com uma nobreza de poderes absolutos gastando fortunas em luxo enquanto a população miserável passava fome: "Seis carros mortuários rodam com estrondo pelas ruas de Paris. Faça-os regressar ao que eram antes, ó Tempo, poderoso mago, e eles serão vistos como luxuosas carruagens de monarcas absolutos, como equipagens de nobres feudais, como toucadores de mulheres deslumbrantes como Jezebel, como igrejas que não a casa do meu Pai, mas um covil de ladrões, como a choupana de milhões de camponeses esfaimados!".
A edição da Nova Cultural já está fora de catálogo, mas existe uma outra, da Estação Liberdade, para os que ficarem interessados.
Uma história de Saravejo
Entre os anos de 1992 e 1995 a Bósnia foi palco de uma sangrenta guerra étnica. Saravejo, uma cidade até então símbolo de tolerância, tornou-se o centro sangrento de um conflito em que um civil poderia ter seus bens expropriados ou até ser morto apenas por pertencer à etnia errada.
É esse conflito que Joe Sacco narra em Uma história de Saravejo, publicado no Brasil pela Conrad em 2005.
O principal informante de Sacco é Neven, um veterano que atuou em uma das milícias que defenderam a capital contra os sérvios. O álbum todo é costurado em torno da figura de Neven. Ele mente para Sacco, o explora, inventa histórias, arranja informantes que no final não sabem nada sobre a guerra, mas querem dinheiro. Mesmo assim, acaba sendo útil por mostrar o quanto a guerra foi dúbia e o tipo de pessoa que se envolveu nela.
Neven mostra também como Saravejo ficou repleta de ex-combatentes, pessoas que haviam acostumado a matar e não sabiam fazer outra coisa. O apartamento de Neven, totalmente caótico e repleto de lixo espalhado por todos os lugares é a perfeita definição visual de Saravejo no pós-guerra.
A guerra teve início com a desintegração das repúblicas comunistas no pós-queda do muro de Berlim. Na Bósnia, o partido nacionalista sérvio organizou grupos paramilitares para expulsar os não sérvios e se unir à Sérvia. O governo bósnio tinha sido obrigado a entregar suas armas para o Exército Popular da Iuguslávia. Quando os sérvios começaram a atacar Saravejo, só quem podia defender a cidade eram grupos paramilitares, verdadeiras gangues lideradas por bandidos e até por um cantor pop.
Essas gangues defendiam a cidade, mas também tocavam o terror. Podiam entrar na casa de alguém e confiscá-la. Matavam cidadãos de descendência sérvia. Sequestravam civis para cavarem trincheiras, uma atividade extremamente perigosa num local repleto de franco-atiradores. Chegou num ponto em que o próprio governo Bósnio, que finalmente conseguira montar um exército, teve que dar um basta.
Joe Sacco não só conta a história, mas também faz o perfil de cada um dos líderes de guanges, que se tornaram verdadeiros astros pop. Entre eles o surpreendente caso de Jusuf Prazina Aka Juka, um bandido que fora atingido num tiroteio antes da guerra e andava com muletas. Mesmo com a dificuldade de movimento, era um dos mais cruéis e mais populares, conquistando a admiração de milhares de fãs e seguidores, que embarcavam com ele nessa jornada de sangue e atrocidades.
É essa guerra sem mocinhos que Joe Sacco narra em seu álbum.
Fundo do baú - Bozo
Pouca gente sabe, mas uma das primeiras aparições do Bozo na TV foi na forma de desenho animado. Produzidos pela Larry Harmon Pictures, os episódios tinham apenas cinco minutos e eram focados principalmente em gags humorísticas.
A história acompanhava Bozo e o garoto Juquinha em suas andanças pelos EUA e as confusões nos quais se metiam.
Já no primeiro episódio, apareciam os dois em um circo, andando de bicicleta sobre uma corda. “O circo é o lugar mais feliz do mundo. E Bozo é o palhaço mais feliz. Mas não por muito tempo...”. Na sequência o dono do circo grita por ele, e caem os dois. Mas ao invés de se preocupar com possíveis ferimentos, eles se preocupam com a notícia trazida pelo dono do circo: o local será fechando, pois as pessoas estão cansadas das atrações e querem algo diferente.
A solução parece surgir quando os dois leem no jornal que no Imalaia existe uma criatura fantástica chamada Pezão. A narração dá o tom de humor: “Mais rápido do que você consegue dizer Itaquaquecetuba, nossos heróis estão a caminho”. Eles conseguem de fato aprisionar um abominável homem das neves, mas depois descobrem que ele é apenas um filhote.
O segundo episódio se passa no oeste e eles são assaltados por um pistoleiro, Buraco na Cabeça Fred, que rouba os baús dos dois. Ao abrir o baú, o bandido percebe que está cheio de roupas de palhaços e tem uma ideia: usar as mesmas para assaltar bancos, o que faz com que o Bozo se torne procurando pela justiça.
A cena em que o Bozo verdadeiro e Juca entram na cidade foca totalmente no humor. Alguém diz para o xerife que o pistoleiro mais veloz do oeste chegou à cidade. “Vá você atrás dele”, responde o xerife, enquanto imita uma galinha. “Eu sou medroso!”.
Como se vê, eram episódios em que tudo era pensado para criar gags de humor tanto visual quanto de diálogos. Não por acaso, fez sucesso. Foram três temporadas e um total de 157 episódios. No Brasil, esse desenho foi exibido pelo SBT.
Uma curiosidade é que Lou Scheimer , que futuramente iria fundar a Filmation , foi o diretor de arte da série.
X-men – O caso Doomsmith
Chris Claremont seria um escritor tão importante para o grupo de mutantes que seu nome estaria para sempre ligado a eles, mas quando escreveu a primeira história dos personagens era só um ex-estagiário substituindo o já veterano Len Wein, tanto que ele escreveu em cima de um plot criado por Wein.
A história, publicada em X-men 94 e 95 chamava-se O caso Doomsmith e já começava com os X-men originais avisando o professor Xavier que estavam fora do grupo. Dos antigos, apenas Banshee e Cíclope ficam, de modo que a equipe é quase toda renovada.
O próprio Claremont viria a declarar depois que a o grupo tinha três personagens muito parecidos: Solaris, Pássaro Trovejante e Wolverine, o que era um problema para o roteirista. Como criar situações e diálogos sem que um parecesse cópia do outro? Claremont já se livra de Solaris logo na segunda página: o japonês invocado simplesmente diz que seu único compromisso é com seu país e seu imperador e dá no pé.
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| A destruição do jato dos X-men é uma desculpa para Cockrum fazer uma das suas famosas cenas de impacto. |
A trama gira em torno do Conde Nefária, que usa seus homens-animais para invadir a montanha de Valhalla, o centro nervoso do sistema de defesa dos EUA. Ocorre que ele inadvertidamente liga o sistema Doomsmith, que faz com que os misseis nucleares sejam lançados automaticamente – um sistema que a partir de certo ponto não pode ser desativado.
Assim que chegam ao local, o avião dos X-men é atingido, uma desculpa para que Dave Cockrum fizesse uma de suas cenas de impacto, com os heróis caindo. Essa sequência, inclusive, já revela um problema de Claremont: o excesso de diálogos. Durante a queda os personagens conversam tanto que dava tempo deles caírem, subirem e caírem de novo.
Ainda assim, a trama é divertida, envolvente e repleta de ação e boa caracterização de personagens.
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| Pássaro Trovejante morre fazendo algo idiota. |
Até o final da história, claremont dá um jeito de se livrar de mais um herói, dessa vez o Pássaro Trovejante. Ele simplesmente pula no jato do Conde Nefária e bate no veículo até que ele fique desgovernado e simplesmente exploda. Era claremont usando e abusando do roteirismo: como não gostava do personagem, obriga o personagem a fazer algo idiota, que culmina na sua morte.
Embora a morte de um X-man tenha sido anunciada na capa, no miolo o professor Xavier passa exatamente uma página lamentando a morte, o que mostra o quanto o episódio teve pouca importâcia. Perto da morte da Fênix, que mobilizou edições inteiras, é como se a morte de Pássaro Trovejante passasse batido. O lado bom é que isso liberou Wolverine para se tornar um personagem de destaque no grupo.
quinta-feira, novembro 05, 2026
Perry Rhodan – Os salvadores da Crest
No primeiro número do ciclos Os senhores da galáxia, a nave Crest II, onde estava Perry Rhodan, é transportada para um ponto entre a via láctea e galáxia de Andrômeda. A água desaparece da nave e tudo leva a crer que todos dentro da nave irão morrer se não receberem ajuda.
O número 202 começa exatamente nessa situação, mas do ponto de vista dos que ficaram e que organizam uma missão de resgate através de uma nave dos pós-bis, a raça cibernética (sim, Perry Rhodan antecipou esse conceito, que seria amplamente utilizado por Jornada nas Estrelas – a nova geração).
Embora seja um volume parado, com poucos acontecimentos, ele é escrito por Clark Darlton, um autor que já exibira seus talentos nos primeiros volumes e aqui mostra que evoluiu com o tempo. Seu texto fluído faz com que a leitura seja agradável.
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| A capa alemã. |
Além disso, Darlton inclui um intermeio, um capítulo inteiro em que uma nave terrestre encontra uma nave que parece abandonada e à deriva. Ao investigarem, descobrem que ela não está à deriva, mas tem um destino muito bem traçado. Toda a sequência apresenta um suspense muito bem narrado, dando ao leitor a impressão de que algo vai acontecer a qualquer momento. Como li poucos números posteriores, não sei se essa nave terá papel fundamental na saga, mas o capítulo vale a leitura, como se fosse um conto no meio de uma trama maior.
No seguimento principal, quem se destaca é o rato-castor Geco, um dos filhotes salvos por Gucky quando o planeta Vagabundo foi destruído. Aqui ele já é um jovem audacioso, que tem papel fundamental no salvamento dos terranos. Geco, Gucky e Icho Tolot são os personagens mais carismáticos do livro e talvez de todo o ciclo.
Uma curiosidade específica é que o livro que li foi comprado em um sebo e pertencia originalmente a um tal de Marcos Baumann. Eu sempre gostei de livros de sebos porque eles quase sempre trazem uma história. Nesse caso, isso é mais que verdadeiro. Baumann era um leitor atento. Corrigia erros de revisão (como, por exemplo, quando o texto se referia ao personagem errado) e fazia, ao final dos capítulos, comentários muito interessantes. Há, por exemplo, um comentário sobre a possiblidade de existência dos pós-bis e de como, na época, já se pensava em um computador feito de plasma de DNA. Em outro comentário, ele fala da teoria da semeadura e faz a interligação com o capítulo. Isso fez com que o livro se tornasse duplamente interessante.
Crise - Três mundos, três mortes
O número 6 da série Crise nas Infinitas Terras é baseada toda no processo de junção das terras. Além das terras 1 e 2, que já estavam sendo unidas, havia mais três prestes a serem destruídas. Os heróis da Terra 1 vão para esses locais prestes a serem destruídos supostamente para ajudar, mas que ajuda de fato eles poderiam dar?
Enquanto isso, no mundo do Antimonitor, cujo visual robótico fora finalmente revelado no último número, este decide usar o Pirata Psiquico para manipular o povo dos três planetas que estão sendo sugados pela antimatéria, inclusive os heróis.
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| O Pirata Psíquico é usado para controlar a população de três mundos. |
Não faz muito sentido. Afinal, essa interferência não muda em nada os planos do vilão. No máximo, apressa o resultado fazendo com que algumas pessoas corram na direção da cortina de antimatéria.
Era um roteirismo, uma desculpa do roteirista Marv Wolfman para criar conflito numa edição que, de outra forma, seria morna. E conflito é o que não falta.
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| Os heróis da Quality ocupam um mundo... |
Durante anos, sempre que a DC comprava uma outra editora, ela alocava seus heróis em um mundo paralelo, como aconteceu com a Charlton. Assim, esses heróis são colocados em conflito com os heróis da Terra 1.
No final, acaba virando uma grande homenagem aos heróis clássicos.
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| ... enquanto os heróis da Charlton são de outro mundo. |
Wolfman vai desde os mais conhecidos, como Besouro Azul e Shazan até os mais obscuros, como Tio Sam ou Safira Estrela.
É tanta coisa acontecendo que fica difícil acompanhar.
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| A Precursora em retícula e monocromia, unindo os mundos. |
No final, a Precursora usa seus poderes para juntar as Terras S, X e 4 às duas outras que já estavam unidas. George Perez, como sempre, encontra soluções inteligentes para narrar visualmente a sequência, incluindo colocar as imagens da Percursora em monocromia e retícula, vazando os quadros, como se a diagramação refletisse o processo de fusão que estava sendo efetuado.
Surfista Prateado - o herói filósofo
Batman – O Livro do Juízo Final
O Batman sempre foi retratado como o "Maior Detetive do
Mundo", e essa essência investigativa foi magistralmente explorada pelo
roteirista Mike W. Barr na história publicada em Detective Comics nº
572.
A trama inicia com Slam Bradley, um personagem
clássico (e hoje mais obscuro) criado pela dupla Jerry Siegel e Joe Shuster.
Bradley é apresentado sob a estética do detetive noir, incluindo a
clássica narração cínica em primeira pessoa, como se observa no trecho:
“Não precisava ser um detetive lá muito genial para saber que tinha caroço naquele angu. Eu não era o detetive mais genial, mas soube de cara que havia algo de errado com a história”.
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| Bradley é um detetive noir, que age na rua. |
Na trama, Bradley é procurado por um homem para encontrar
sua noiva, raptada por um grupo misterioso. No desfecho desse arco, mesmo com a
intervenção do Batman, o próprio cliente acaba sendo sequestrado.
Mike W. Barr constrói a narrativa em capítulos, cada um
ilustrado por artistas distintos. A primeira parte conta com a arte dinâmica de
Alan Davis. A segunda, que mergulha na investigação de Bradley, é
desenhada por Terry Beatty e pelo veterano Dick Giordano. Como um
autêntico detetive hardboiled, Bradley percorre os subúrbios da cidade
interrogando informantes. Vale lembrar que um dos precursores desse estilo foi Dashiell
Hammett, que foi detetive particular na vida real e começou a escrever
justamente por considerar os detetives da ficção pouco verossímeis.
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| O Homem-elástico também participa da história. |
A terceira parte introduz outro investigador do universo DC,
o Homem-Elástico, desta vez desenhado pelo mestre Carmine Infantino
e por Al Vey.
Já o quarto capítulo é protagonizado por ninguém menos que Sherlock
Holmes, apresentando o detetive vitoriano impedindo uma tentativa de
assassinato contra a Rainha Vitória. Este trecho conta com os desenhos
detalhistas do filipino E. R. Cruz. Nele, Barr mimetiza perfeitamente o
estilo de Arthur Conan Doyle, utilizando a famosa técnica da dedução — como no
momento em que Holmes descobre que seu interlocutor é canhoto, recém-casado e
que parou de fumar cachimbo, apenas através da observação cuidadosa.
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| O capítulo focado em Sherlock Holmes é desenhado pelo filipino E.R. Cruz. |
No capítulo final, Alan Davis retorna para costurar as
diferentes épocas e estilos, integrando-os em uma trama coesa e competente. Não
por acaso, essa história histórica foi a escolhida pela editora Abril para
estrelar a edição nº 13 da revista Batman (2ª série).




















