sábado, março 14, 2026

Red – Aposentados e perigosos

 


A minissérie Red, de Warren Ellis e Cully Hamner parte de uma premissa interessante: um ex-espião norte-americano, encarregado de matar políticos estrangeiros a mando de seu pais, vive em paz e aposentado numa casa de campo. Um dos seus poucos contatos sociais são suas ligações para a moça responsável pelo gerenciamento de aposentados.

 Mas esse sossego cai por terra quando o novo diretor da agência resolve fazer uma queima de arquivo: ”A gente precisa eliminar todo o vestígio desse... desse...ninguém pode saber que isso aconteceu, que o mundo foi desse jeito”.   

A série tem boas sequências de ação... 


Isso, claro, dá margem uma movimentada cena de ação, com o protagonista simplesmente exterminando o grupo enviado para matá-lo.

Depois, ele invade a sede da agência em busca de vingança.

... mas não vai além disso. 


É uma premissa interessante, com ótimas sequencias de ação, mas não vai além disso. Ellis parece estar com preguiça. Não há qualquer aprofundamento dos personagens ou mesmo da trama.  A impressão que dá é de que os autores estavam apenas fazendo uma HQ que servisse story board para um filme. De fato, os direitos da hq foram comprados e deram origem a um filme dirigido por Robert Schwentke com Bruce Willis no papel principal.  

O filme aproveitou até a estética das capas no cartaz. 


A série foi lançada num volume só pela panini em 2010. É tão rasa que você lê tudo em menos de mei-hora.

Karatê Kid

 

Filmes sobre artes marciais fizeram enorme sucesso na década de 1970, mas em 1984 um filme revitalizou o interesse pelo assunto ao focar menos nas lutas e muito mais no treinamento e na relação entre professor e aluno. Além disso, surpreendentemente, apresentava um mestre de Karatê pacifista. Seu nome? Karatê Kid.

Na trama, Daniel Larusso se mudou com sua mãe de Nova York para o Vale do São Francisco, na Califórnia. Daniel não aceita a mudança, considerando que não irá se encaixar na nova cidade. Tudo muda quando ele conhece uma garota, Ali, e se apaixona por ela. Mas a garota tinha um namorado campeão de karatê, Johnny Laurence, que não aceita a separação e irá enfernizar a vida de Daniel.

Numa das situações em que está apanhando do grupo liderado por Laurence, Daniel é salvo por senhor Miyagi, aparentemente apenas alguém que vive de pequenos serviços. Mas o japonês na verdade é um mestre de karatê. A contragosto ele aceita ensinar Daniel a lutar, com a ressalva de que Karatê é apenas para defesa. O objetivo é participar do campeonato local, onde ele deverá enfrentar Johnny Laurence.

A trama em si é interessante e chamaria a atenção dos adolescentes da década de 80, até pela escolha da ótima trilha sonora. Mas o que eleva esse filme acima da média de filmes adolescentes é o processo de treinamento de Daniel, uma mistura de humor, filosofia oriental e situações inusitadas.

A sequência em que o senhor Miyagi coloca Daniel para lavar carros, lixar assoalho e pintar a cerca é antológica: o expectador é levado a acreditar que o velhinho na verdade está se aproveitando do rapaz, forçando-o a fazer serviços em sua casa ao invés de ensiná-lo artes marciais.

Quando fica claro que tudo aquilo fazia parte do treinamento, o expectador se sente maravilhado (eu assisti no cinema, na época e lembro da reação entusiasmada da plateia). Em meio a isso, situações de humor (o senhor Miyagi tentando pegar um mosca com palitinhos, vendo Daniel conseguir isso de primeira e comentando: sorte de principiante!) e a relação terna entre os dois. Soma-se a isso uma trilha sonora característica da década de 80.

Não bastasse, quando finalmente o combate acontece, é apoteótico. Como um herói clássico da jornada do herói, Daniel tem tudo contra si: é o único contra uma academia de fortões, sofre uma lesão na perna, depois outra, mas no final consegue superar as dificuldades e ganhar o torneio com um golpe inusitado.

Todos os elementos se encaixam tão bem, de uma forma tão fluída que não é de surpreender que o filme tenha se tornado um sucesso estrondoso, dando origem a duas continuações e atualmente a uma série de sucesso, Cobra Kai. Aliás, é curioso que em Cobra Kai a situação tenha se invertido: no seriado é Johnny Laurence que exerce a função do sensei que ensina seus alunos com métodos inusitados em meio a situações de humor.

Kid Miracleman e a pós-verdade

 

Para alguns, Kid Miracleman era um herói. 
Uma das passagens mais marcantes da série Miracleman, de Alan Moore é quando o Kid Miracleman, seu parceiro mirim, sai do controle. Enlouquecido pelo poder, ele destrói Londres e mata milhares de pessoas. Não só mata. Ele tortura, amputa, decepa. A dor torna-se uma forma dele afirmar seu poder. Muitos dos heróis da história morrem para deter ao massacre.
Os quadrinhos mostravam pessoas mortas e torturadas. 

O curioso é que, logo após esses eventos, surge um grupo que idolatra o Kid Miracleman. Para eles, ele era o verdadeiro herói e os crimes associados a ele pela mídia eram apenas invenções. Nem mesmo as milhares de fotos, vídeos e relatos de sobreviventes eram capazes de convencer esse grupo de que o Kid Miracleman era um vilão.
A história é uma metáfora do Moore para pessoas que se recusam a acreditar nas evidências, preferindo acreditar que a mídia, os relatos, os historiadores, as fotos são falsos e que suas convicções são verdadeiras.

Para o grupo que idolatra Kid Miracleman, o massacre é uma invenção da mídia.


Explicando melhor: eu não fui preso em um campo de concentração, não fui perseguido pelos nazistas. Mas eu sei que tudo isso aconteceu porque leio relatos de sobreviventes, vejo fotos, leio livros de historiadores e matérias da mídia especializada.
Eu não precisava estar lá presente para saber que esses fatos aconteceram. Há muitas evidências.
Entretanto, há um grupo que quando vê matérias sobre nazismo diz que relatos de sobreviventes são falsos, que a mídia e historiadores estão mentindo etc.
Os adoradores de Kid Miracleman são uma metáfora do Moore para esse tipo de situação, cada vez mais comum em que as convicções pessoais são mais relevantes que os fatos, o depoimento de sobreviventes, as matérias jornalísticas, os livros de historiadores etc.
Ou, trazendo para um exemplo mais brasileiro, a pessoa que prefere acreditar que a matéria jornalística (de um jornal que pode ser processado - e deve - se publicar uma notícia falsa) não tem credibilidade nenhuma, mas que um texto anônimo de zap zap, que ninguém sabe quem escreveu (e, portanto, quem escreveu não tem nada a perder) é a verdade absoluta - isso quando a pessoa não assina com o nome de uma pessoa famosa (como aconteceu recentemente com o Padre Fábio de Melo) para dar credibilidade ao texto e fazer essa pessoa ser processada pelas informações erradas, calúnias etc.
Moore como sempre antecipando e discutindo situações extramente atuais.

O mágico de Oz e a reflexão sobre o poder

 


O mágico de Oz é mais conhecido pelo musical de 1939, de modo que poucos lembram que ele é baseado num livro homônimo, escrito por L. Frank Baun e publicado em 1900.
E trata-se de um livro fantástico que esconde, por trás de uma história de contos de fadas uma profunda reflexão sobre o poder.
Antes de continuar, preciso avisar que o texto abaixo contém spoiller. Impossível analisar uma obra em que a discussão teórica está tão entranhada no roteiro sem falar sobre aspectos importantes da história.
O plot básico é conhecido: Doroty vive numa fazenda no Kansas com os tios em uma pequena casinha.  Um ciclone transporta a casa com menina e tudo para um local mágico além do deserto. Sua casa cai exatamente sobre a bruxa má do Leste. Com isso ela é ovacionada pelo povo local e ganha um beijo da bruxa boa do Norte (as bruxas do norte e do sul são boas e as bruxas do Leste e Oeste são más). Ela é informada de que a única forma de voltar para o Kansas é com a ajuda do poderoso Mágico de Oz, que vive exatamente no meio do país. No caminho até a cidade das esmeraldas, onde ele mora, ela encontra um espantalho, um homem de lata e um leão. E cada um tem um desejo: o Espantalho se sente burro e quer um cérebro; o homem de lata quer um coração para poder ter sentimentos e o leão quer coragem. Cada um deles se une a Dorothy acreditando que o mágico de Oz poderá lhe dar o que deseja.
A estrutura é de tira de quadrinhos, com perigos e perigos se sobrepondo quase eternamente num ritmo constante, o que provavelmente deve ter contribuído muito para o sucesso do livro.
Mas, por trás desse conto de fadas com muita ação se esconde uma discussão interessante: o que faz com que alguém tenha poder? Qual a natureza do poder e como ele pode ser usado para manipular outros?  
A primeira coisa que chama atenção é o fato de Dorothy matar, sem querer, uma bruxa que, afinal de contas tinha um poder relacionado ao movimento. Esse primeiro momento já inverte completamente a lógica das relações de poder.
Essa primeira sequência já dá o tom do livro: todas as figuras de poder que surgem na trama parecem de alguma forma farsantes e só exercem esse poder sobre outros porque seus subordinados foram de alguma forma enganados e levados a acreditar num poder que não existe. Exemplo disso é bruxa má do Oeste, que engana Dorothy para torná-la escrava.
Além disso, durante a trajetória do quarteto, o espantalho se revela o mais inteligente, sempre com boas ideias para escapar dos perigos. O homem de lata é nitidamente o mais bondoso e emotivo (antológicas as cenas em que ele fica enferrujado porque chorou muito) e o leão se revela o mais valente. Cada um recebe do mágico de Oz exatamente aquilo que já tinha.
O mesmo ocorre com Dorothy: a solução para voltar para casa estava literalmente aos seus pés e não dependia de mais ningém.
Entretanto, todos os personagens – e não só o quarteto de protagonistas – parecem ansiosos em entregar suas vidas e decisões nas mãos de figuras de poder, de um grande pai. Uma ação, por menor que seja, transforma alguém em soberano de um local mesmo que os habitantes deste local sejam mais habilidosos que o tal soberano.
A tal cidade de esmeraldas é um exemplo dessas realizações que são apenas simulacros: o mágico Oz obriga todos a usarem óculos verdes para que pareça que estão em um local repleto de esmeraldas.
Nem mesmo a protagonista Dorothy é poupada da crítica do autor: mesmo detentora de grande poder, ela só os usa quando alguém lhe diz. Na maioria do tempo é apenas manipulada por outros, como um galho levado pela correnteza.   
Quem diria que um conto de fadas traria um conteúdo tão crítico?
Em tempo: o livro ganhou no Brasil uma belíssima edição pocket em capa dura, pela editora Zahar, com as ilustrações da edição original.  

Demolidor – História de criança

 


O Justiceiro tornou-se, no final da década de 1980, um dos personagens mais populares da Marvel. Mas, embora tenha surgido no início da década de 1970 nas histórias do Aranha, as características do personagem só se delinearam de fato a partir da sua aparição na revista do Demolidor de Frank Miller.

A primeira vez que os dois personagens se encontraram foi em Daredevil 183, de junho de 1982. A capa já deixa claro que essa era uma versão mais hard do personagem com o Justiceiro atirando à queima roupa no herói cego.

Miller une com perfeição texto e imagem. 


A trama gira em torno de uma nova droga, o pó dos anjos, que estava sendo usada principalmente para viciar crianças. A história começa com uma menina tendo um flashback do efeito e se jogando da janela.

Miller usa o texto para descrever o estado mental da menina enquanto o desenho a mostra em desespero (uma fumaça branca saindo de sua boca representando visualmente o efeito da droga). O texto diz: “As cobras caíram sobre seu cabelo e agora rodopiam por suas pernas e abrem caminho por sua garganta”. A confusão mental da menina é representada por frases que muitas vezes ficam incompletas ou parecem fragmentos de um trecho maior. Essa sequência é uma demonstração de como Miller sabia jogar magistralmente com os dois elementos dos quadrinhos, a instância textual e a visual.

O encontro do Justiceiro com o Demolidor gerou cenas memoráveis de ação.


O responsável por ter viciado a menina é um tal de Porcão, o chefe do tráfico na região, e o irmão da menina resolve vingá-la. Mas o Demolidor e Justiceiro também estão atrás do Porcão.

O Justiceiro é descrito por Bem Urich como um assassino: “É bom de luta corpo a corpo. Matou doze homens durante o tumulto na prisão. E você quer enfrentar esse cara?”.

O Justiceiro de Miller era capaz de espancar um viciado apenas para conseguir uma informação.


O Justiceiro de Miller é capaz de torturar até a morte um viciado para conseguir uma informação. É também um personagem de ação, que usa tanto as mãos quanto armas para conseguir o que quer – o que permite a Miller algumas ótimas sequências de luta.

O trabalho de Miller com o Justiceiro foi tão marcante que a partir daí ele se tornou um personagem recorrente da série do homem sem medo, da mesma forma que o Rei, que também havia surgido nas páginas do Homem-aranha.

A incrível arte sensual de Milo Manara

 

O italiano Milo Manara começou sua carreira nos quadrinhos na década de 1960, desenhando uma série noir chamada Genius. Depois fez vários outros trabalhos para diversas editoras.

Mas o sucesso mesmo viria em 1983 quando ele produziu o álbum erótico O clic. Na história, um homem sequestra uma recatada e respeitável senhora e implanta nela um dispositivo, que acionado, provoca rompantes de lascívia, deixando-a insaciável. No final, descobre-se que o aparelho não estava funcionando.

O álbum elevou o nome de Manara ao panteão dos grandes artistas de quadrinhos da Itália. Depois disso ele fez um álbum em parceria com o cineasta Federico Fellini, Viagem a Tulum, além de continuações de O clic e álbuns isolados como Gullivera, na qual adapta a famosa história de Swift com uma mulher como protagonista. Um dos seus grandes trabalhos é a série Borgia, com roteiro de Alejandro Jodorowsky.

As mulheres de Manara são sempre lindas, longilíneas, com bumbuns perfeitos e lábios carnudos.

Sua habilidade para desenhar mulheres fez com que ele fosse contratado pela Marvel para desenhar uma história dos X-men focada apenas nas heroínas do grupo.

Recentemente, durante o pico da pandemia de covid-19, ele usou seu talento para homenagear as guerreiras que ajudaram a salvar vidas.  




















Fases do processo criativo

 

 Como acontece o processo  de criação? Seja uma grande lei da física ou uma nova maneira de fazer uma receita de bolo, as idéias criativas passam pelas mesmas fases.

A primeira é a fase da preparação. Aristóteles já dizia que antes de começar a escrever, devemos pesquisar tudo que se sabe sobre o assunto. De fato, você não será capaz de resolver um problema se não conhecê-lo a fundo.

Essa fase se relaciona muito com a curiosidade. Pessoas curiosas têm mais chances de ter boas idéias, pois estarão mais antenadas às informações relacionadas ao problema.

Para escrever este texto, por exemplo, pesquisei em diversas revistas e livros.

Também é necessário pensar e pensar muito no problema, mesmo que não se chegue a uma solução satisfatória.

Em seguida vem a fase da incubação. É o famoso "deixar a idéia dormir", ou "consultar o travesseiro". Se, depois de ter pesquisado muito, a solução não se apresenta, esqueça. Vá fazer outra coisa, ou até mesmo durma.

Sherlock Holmes tocava violino durante a fase de incubação.


O monge-detetive Guilherme de Baskerville, do livro O Nome da Rosa, costumava tirar uma soneca quando se deparava com um problema insolúvel.. O psicólogo Jung costumava construir casas de brinquedo. Sherlock Holmes tocava violino. Há quem goste de ouvir uma música, ou ler um livro.

Nessa fase o importante é deixar o inconsciente trabalhar em busca de uma solução.

Mas atenção: o inconsciente só vai lhe dar uma idéia se você tiver fornecido antes informações sobre o assunto. Sua mente precisa de subsídios para trabalhar, subsídios que são recolhidos na fase de preparação.

Finalmente, depois de pesquisar muito e deixar a idéia dormir, vem a iluminação. É o eureka!

Um célebre exemplo de iluminação foi a que aconteceu com o químico alemão Firedrich Kekulé. Ele passou dias tentando descobrir como os seis átomos do se benzeno se ligavam, sem sucesso.

Então cochilou e sonhou com uma cobra mordendo o próprio rabo. Era a resposta! Os átomos se ligavam em círculo!

Outro exemplo famoso, embora alegórico, é a maçã de Newton, que, ao cair sobre a cabeça do cientista, deu-lhe a idéia para a teoria da gravitação universal.

Finalmente vem a fase da avaliação. Só aqui entra o senso crítico. A avaliação serve para peneirar as idéias e perceber as que funcionam e as que não funcionam. Se a idéia não se revelar a mais adequada para a situação, o jeito é voltar ao início e começar tudo de novo. Como dizemos cientistas dos
desenhos animados, "De volta à prancheta".

Mas lembre-se: só descarte as idéias na fase final de criação.

sexta-feira, março 13, 2026

Os mussarelas

 



Os mussarelas (The Roman Holidays, no original) foi uma tentativa da Hanna-Barbera de repetir o sucesso dos Flintstones e dos Jetsons.

O desenho seguia a linha de sitcom familiar dos seus antecessores. Mas, ao invés da ambientação no futuro ou na idade das pedras, trazia uma família romana, batizada no Brasil de os Mussarelas: Zecas Mussarela, o patriarca, arquiteto; sua esposa, Laura; Jocas, o filho mais velho, apaixonado pela namorada Ruivias e por rock e a caçula Precócia, uma garotinha que se destacava por sua inteligência.

A família tinha como animal de estimação um leão, chamado Brutus, cujas confusões eram geralmente o motor das tramas. Um personagem recorrente era o senhorio Chatus, que sempre implicava com Brutus e constantemente ameaçava despejar a família.

O roteiro fazia diversas alusões à Roma, incluindo números romanos, banquete romano, salada Caesar e era cheio de trocadilhos com comidas italianas. À certa altura, por exemplo, a família vai à rodoviária e os alto-falantes anunciam a chegada de um ônibus da cidade de Lasanha. Aliás, o ônibus era nada mais nada menos que uma liteira carregada por dois escravos.

Os tradutores brasileiros também aproveitaram para fazer referências a situações e pessoas reais. Em um dos episódios, por exemplo, Jocas troca de lugar com um famoso cantor de rock. Os tradutores colocaram seu nome como Erasmus, o tremendão.



Apesar de ter algumas sacadas interessantes (como relógios de pulso no formato de ampulheta), o desenho não conseguiu se distinguir dos demais sitcons lançados pela Hanna-barbera e fez pouco sucesso, tendo apenas 13 episódios. No Brasil, no entanto, a atração chegou a ficar em primeiro lugar na audiência quando foi transmitida pela rede Globo. A editora Abril chegou a lançar um gibi com a tradução do título original, Folias Romanas.

Jonah Hex – A enforcadora

 



O faroeste foi durante décadas um gênero caracterizado pelo maniqueísmo. De um lado, mocinhos ilibados, totalmente bons, e do outro, foras-da-lei que eram punidos por suas maldades ao final da história. Jonah Hex colocou essas princípios de cabeça para baixo, mostrando uma visão crua do velho oeste, como podemos ver na história A enforcadora, publicada em Weird Western Tales 17.

A história começa com um bando de ladrões, liderados por Delvin Dinamite, assaltando um banco. Como o próprio nome sugere, eles usam dinamite para explodir o prédio e até mesmo o xerife.

"Matanças e roubos não perturbam sua refeição?"


Enquanto isso, Hex está jantando num sallon. “Matanças e roubos não perturbam sua refeição?”, pergunta o dono do local. “Não! Agora cala a boca e me dá mais café!”.

Essa sequência, com o protagonista frio, jantando calmamente enquanto um assalto acontece, por si só já quebra muito dos paradigmas do gênero.

Mas Hex acaba se envolvendo quando uma velha rica o contrata para caçar os assaltantes. A mulher é a Juiza Hatchet, também chamada de enforcadora. Todos os crimes locais são julgados por ela e a punição invariavelemente é uma só: a forca.

A juiza Hatchet é conhecida como "A enforcadora". 


Hex, claro, consegue alcançar os assaltantes, que acabam mortos na troca de tiros. Só um sobrevive para ser enforcado pela juíza Hatchet.

Até então, apesar da crueza do roteiro, temos algo próximo dos padrões do faroeste. A segunda parte da história, na qual Hex descobre o lado sombrio da juíza, traz uma reviravolta. Ela manda queimar as casas dos fazendeiros que se negam a vender sua produção para ela.

Os bandidos não têm nenhuma chance contra Hex. 


Essa inversão vai num crescendo até o final, com uma tremenda ironia do destino: a enforcadora morre enforcada.

O roteiro cru e revolucionário de José Albano ganha ainda mais impacto e se torna ainda mais revolucionário com os desenhos do filipino Tony DeZuniga, cujo traço repleto de ângulos estranhos causa uma estranheza desde a primeira olhada.

Os goonies

 

 

Imagine um filme produzido por Steven Spielberg (ET), dirigido por Richard Donner (Superman) e escrito por Chris Columbus (de esquecerem de mim e Harry Potter). Com uma equipe dessas, o resultado só poderia ser um clássico, não? Pois é exatamente o que aconteceu com Os Gonnies, filme de 1985.

Na trama, um grupo de garotos (os auto-denominados Goonies) vão se separar: as famílias serão desalojadas por conta de uma hipoteca que irá vencer. Mas eles encontram um mapa do tesouro que poderá saldar a dívida e garantir que todos permaneçam no local.

No processo, eles acabam se deparando com uma família de bandidos, os Fratelli, que também querem o tesouro.

O resultado é uma tremenda aventura com toda a cara dos anos 80, uma jornada cheia de perigos e armadilhas que, claro, terminará com um final feliz. Mais Spielberg impossível.

O roteiro e as atuações forçam a mão no início, em especial o personagem Bolão, que não parece fazer outra coisa além de gritar ou reclamar da fome. Mas aos poucos, roteiro e atuações vão se ajustando e o expectador começa a simpatizar com os personagens, que se tornariam antológicos, a exemplo do sonhador Mikey Walsh.

Muito do sucesso do filme se deve à direção segura de Richard Donner, alguém que sabia trabalhar com efeitos especiais e dar verossimilhança a uma trama fantástica – afinal, ele havia feito o mundo acreditar que alguém poderia voar com o filme Superman.

O resultado é um filme que se tornou um clássico da sessão da tarde. 

Para as novas gerações, uma curiosidade: Os goonies foram uma das principais inspirações para Strange Things.

Guia de viagem - Montevideo

 


Montevideo é uma boa opção de destino turístico internacional para brasileiros. É fácil chegar na capital do Uruguai via carro ou ônibus. E a cidade vale a pena, principalmente graças aos edifícios e monumentos históricos. 
Uma ressalva: cuidado com os hotéis. Alguns têm fotos maquiadas no booking. O que ficamos foi um desses, Richmond. A diferença entre o hotel real e o que eu lembrava era tão grande que fiz questão de entrar no site do Booking novo para ver as fotos. Era o mesmo hotel, mas com fotos maquiadas. Além disso, o box para banho era tão pequeno que o jeito foi tomar banho com a cortina recolhida, o que molhava todo o banheiro.
Uma curiosidade é a praia. Montevideo tem muitos quilômetros de praias belíssimas e uma extensa beira Rio. Os habitantes locais descem dos prédios com suas cadeiras de armar, suas garrafas terminacas e cuias, afinal um dos principais programas da cidade é tomar o tererê na beira da praia. Talvez por todos já levarem suas própria bebida, não há quiosques ou vencedores ambulantes vendendo água ou água de coco, como no Brasil. Então, leve sua água. 
Prepare o bolso. A comida é cara. A boa notícia é que geralmente o cliente ganha um desconto se pagar no cartão. Então vale a pena usar o cartão em restaurantes.
O prato típico do Uruguai é o chivito, um sanduíche de prato com carne, batata frita, salada, ovo frito, carne, queijo e presunto. Uma verdadeira bomba calórica, mas vale a pena experimentar.  

Um dos locais mais conhecidos para se comer é o Mercado Del Puerto. Ali o churrasco é preparado na hora, de uma forma muito diferente do Brasil. Como usam madeira, ao invés de carvão, a carne é colocada ao lado do fogo, e não em cima. Há um prato chamado parrilha, que é um mix de carnes. Para carnívoros é literalmente um prato cheio. Além da carne costuma vir apenas um acompanhamento, chamado de guarnição, que pode ser pão, arroz, batata frita, purê ou salada, mas todos são pagos, então verifique o preço de tudo antes de pedir.

Atenção: coma nós balcões e não nas mesas chiques. Como chegamos cedo, vimos a organização. Eles simplesmente jogam no chão as toalhas de mesa e guardanapos e separam os que estão muito sujos. Os que ainda estiverem relativamente limpos são colocados de volta na mesa. 
La Fonda, um restaurante especializado em massas artessanais. 

Próximo do mercado um restaurante que gostamos muito foi o La Fonda, especializado em massas artesanais. As massas e molhos são preparados na frente dos clientes. Comemos um nhoque com creme de champions e nozes que estava simplesmente divino. 
As massas são preparadas na hora, na frente do cliente. 
O prato que comemos: nhoque com molho de  champions e nozes.

Uma das vantagens de Montevideo é que a maioria dos espaços públicos, como praças e praias, tem wi-fi gratuito, o que facilita bastante para consultar um mapa ou chamar um Uber, então faça o login e aproveite. 
Uma boa opção para conhecer a cidade é pegar o bus turístico, que percorre os principais pontos turístico. Uma dica: se for descer em locais como o jardim botânico, leve água: ao contrário do Brasil, não se encontra vendedores ambulantes em nenhum local.
Palácio Salvo, uma das atrações turísticas da cidade. 

Um dos locais mais interessantes da cidade é o Palácio Salvo, com a sua arquitetura única. Construído em... el foi durante algum tempo o mais alto da América Latina e ainda hoje está em funcionamento. É possível fazer uma visita orientada paga e subir no mirante, no qual é possível ver uma bela imagem da cidade por cima. 
Vista da cidade a partir do mirante do Palácio Salvo

Palácio Legislativo.


Memorial aos últimos charrúas (índios que habitavam a região) no Jardim Botânico.

A maconha é legalizada no Uruguai e pode ser encontrada em lojas. 

As propagandas da Coca-cola são com pin-ups. 

As lixeiras de Montevideo são uma atração à parte. 

Livraria Más Puro Verso.
Praça Zabala
A cidade fica à beira do rio da Prata. 
Teatro Solis.