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domingo, abril 20, 2025

O que é criatividade?

 


Afinal, o que é criatividade? O publicitário Roberto Dualibi a define como "a técnica de resolver problemas". De fato, nós não seríamos criativos se não existissem obstáculos que precisassem ser superados.

Como se diz, a necessidade é a mãe da invenção. Mas a criatividade é também a capacidade de resolver problemas de maneira original, de forma que ninguém havia pensado antes.

Há pessoas que são exímias para resolver problemas, mas não são criativas. O mecânico, por exemplo, que conserta um carro. Ele aprende a resolver os problemas do carro e continua fazendo isso pelo resto da vida, sempre do
mesmo jeito.

A pessoa criativa, ao contrário, pega coisas que todo mundo conhece e que, aparentemente não têm qualquer relação, e faz coisas completamente inesperadas. Um exemplo célebre é aquela cena em que Charles Chaplin pega dois pães, finca em garfos e faz eles dançarem, como se fossem os pés de um bailarino. Pois é. Todo mundo conhece os pães e os garfos, mas ninguém até então havia pensado em juntá-los para fazer um número de sapateado. Isso é criatividade.

A dança dos pãenzinhos de Chaplin é um ótimo exemplo de criação.


O criativo faz conexões absolutamente inesperadas. Essas conexões, fisiologicamente falando, são representadas por ligações entre as células cerebrais, chamadas de sinapses. Os estudos indicam que a maioria das pessoas tem a mesma quantidade de células cerebrais, mas os criativos
têm mais sinapses.

A fase em que a pessoa realiza a maior parte das sinapses é a infância. A criança vê o fogo, aproxima a mão e se queima. Imediatamente cria-se uma sinapse: fogo = queimadura.

Essas sinapses às vezes são tão inesperadas que acabam sendo engraçadas.

Na época da Segunda Guerra, em que eram comuns os apagões para evitar bombardeamento, Monteiro Lobato perguntou a um garoto o que era um blecaute, ao que ele respondeu: "É fechar as cortinas para a guerra não entrar!".Indagado sobre o que era a guerra, o garoto respondeu: "É navio afundado e falar muito em Hitler".

Recentemente o meu filho, de quatro anos, decidiu que eu deveria aprender a dirigir uma locomotiva e se ofereceu como instrutor. Ele me explicou que eu deveria pegar no volante e virar para o lado quando viesse outro trem na mesma linha. Ou seja: ele percebeu uma semelhança entre o carro e o trem, já que os dois são meios de transporte - e concluiu que os dois são dirigidos da mesma forma.

A idéia me pareceu absurda, mas então me lembrei dos ônibus articulados de Curitiba, que transportam mais gente e gastam muito menos combustível. Eles são exatamente uma junção da idéia da locomotiva com a idéia do carro e funcionam muito bem (para aumentar a comparação, eles param em estações, com o os trens).

A pessoa criativa procura sempre novas soluções para os problemas, sejam eles novos ou antigos, e essa solução parte quase sempre de uma lógica bizarra. Uma pessoa certamente muito criativa foi a que inventou as vacinas. Afinal, a lógica da vacina é absolutamente inesperada: injetar um pouco da doença em uma pessoa sã para que seu organismo crie anticorpos...

Ser criativo significa ser também um pouco filósofo: olhar para ascoisas sempre com olhos de criança e ver conexões onde elas parecem não existir.

segunda-feira, março 10, 2025

A criatividade é o oposto da burocracia

 

O conceituado sociólogo italiano Domenico De Masi afirma que o século XXI será o século da criatividade. De fato, mais que qualquer bem material, a criatividade é um dos bens mais valiosos da atualidade.


Vejam, por exemplo, Bill Gates. O que fez dele o homem mais rico do mundo? Terras? Ouro? Fábricas? Não. O que ele tinha era uma idéia que facilitava o uso dos computadores.

A primeira e mais importante coisa para se dizer a respeito da criatividade é que ela é o oposto da burocracia.

O burocrata faz sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, e nunca erra, mas também não cria nada.

Você já reparou que quando um time está sendo incapaz de inovar, de surpreender o adversário, o locutor diz que a equipe está jogando um "futebol burocrático" ? E é isso mesmo: o burocrata é aquela pessoa incapaz de encontrar soluções novas para os problemas, seja um jogador de futebol ou um político.

A burocracia surge onde há o medo de errar.

Há chefes que dizem aos seus subordinados: "Não admito erros!". Se alguém lhe mostra um trabalho que apresenta algum problema, ele a repreende severamente.

Outros dizem: "Tenho sempre razão e demito qualquer funcionário que me disser o contrário".

Chefes assim são criadores de burocratas, pois seus subordinados, com medo da bronca, vão sempre fazer as mesmas coisas que já deram certo anteriormente e vão sempre concordar com ele. Ou seja, serão incapazes de criar.

Santos Dumont errou muito antes de inventar o avião. 



Os exemplos de invenções que começaram com erros são inúmeros. Santos Dumont, por exemplo, passou por vários vexames antes de conseguir criar um avião capaz de voar.

Muitas vezes o novo surge justamente do erro. O Champagne foi um vinho que fermentou. Cristóvão Colombo achava que chegaria às Índias navegando para o oeste. Errou feio, mas descobriu a América.

E quantas outras invenções e descobertas não surgiram em decorrência do erro?

Mas quem tem medo de errar, e incute esse medo em seus funcionários, fica parado, não evolui, e leva a breca.

Há algum tempo a revista Exame publicou uma matéria intitulada "A excelência mata". Nela, temos contato com vários casos de empresas que fracassaram por serem certinhas demais, em outras palavras, burocráticas.

Um ótimo exemplo é a Olivetti. Ela durante muito tempo dominou completamente o mercado de equipamentos para escritórios, fabricando máquinas de escrever.

Quando surgiram os primeiros computadores pessoais, os PCs, ela resolveu não investir. Afinal, os computadores eram caros e na época só os nerds pareciam se interessar por eles.

A Olivetti teve medo de errar e hoje está com um mercado que em breve não terá mais demanda.

Claro que passar o resto da vida se conformando com os próprios erros não vai tornar ninguém mais criativo, mas compreender que o erro é um risco quando se quer ser criativo, já é bom caminho.

Nas palavras de Domenico de Masi: "Enquanto o burocrata tem razão nove vezes em dez, o criativo, erra nove vezes, mas quando acerta uma vez, está abrindo novos caminhos para a humanidade. Na sociedade pós-industrial haverá cada vez menos lugar para burocratas".

segunda-feira, abril 24, 2023

Dicas de criatividade

 


Para ser uma pessoa criativa, você precisará viver  de forma criativa.. Uma pessoa avessa a novas idéias, novos conceitos, jamais terá uma idéia criativa.

Além disso, é necessário ver as coisas com olhos de criança, ou de filósofo: como se cada coisa fosse diferente a cada dia.

Dessa percepção podem surgir ótimas idéias. Quer um exemplo? Todo mundo que olhava
para garrafas plásticas de refrigerante via apenas uma garrafa. Mas, de repente alguém olhou para uma garrafa e viu uma flor. Outra olhou e viu um coelho de páscoa.

Hoje é comum usar garrafas de refrigerante usadas para fazer enfeites, mas isso não teria acontecido se uma primeira pessoa não tivesse olhado de maneira diferente para uma garrafa.

Para ser criativo também é importante reservar um tempo livre. Pessoas muito atarefadas dificilmente conseguem ser criativas. É o que Domenico de Masi chama de ócio criativo. Brincar com os filhos, ouvir uma música, ler tranquilamente um livro... são atividades que despertam a criatividade.  Às vezes temos ótimas idéias até quando estamos tomando banho.

O governo norte-americano pagava Von Newman, um dos criadores da cibernética, por cada idéia que ele tivesse enquanto estivesse se barbeando...

Outra maneira de ser criativo é fazer conexões. Pessoas criativas fazem conexões inesperadas. Os exemplos são muitos. Os inventores do radar, por exemplo, basearam-se no radar do morcego. Da constatação de que o morcego usa o radar para se movimentar sem bater em obstáculos, alguém teve a idéia:e se usássemos esse mesmo princípio para aviões?

Nós já sabemos que criatividade é a capacidade de resolver problemas. Imagine, então, que você tem um problema. Imagine, por exemplo, que você é um publicitário  encarregado de fazer uma
propaganda de uma panificadora Y.

Comece associando a idéia de panificadora com outras idéias, inclusive as mais absurdas.

Um exemplo absurdo: panificadora e vacas.

Aparentemente padarias e vacas não têm qualquer relação. Pense, então, na expressão e se... . E se uma manada de vacas entrasse na padaria à procura de pães?
- Mas vacas não comem pão!
- Para ver como são gostosos os pães da panificadora Y!

Claro que qualquer coisa criada com esse método deve passar, depois, pela fase da avaliação. Mas na fase inicial não descarte nenhuma idéia, mesmo uma absurda como a exposta acima.

Uma das propagandas mais famosas do Brasil foi claramente criada com esse método. Todo mundo conhece a propaganda da Bombril, com seu simpático garoto-propaganda.

Os anúncios da Bombril sempre faziam conexões inesperadas. 


O primeira dessa série de anúncios aconteceu numa época de eleições. O publicitário relacionou propaganda política com propaganda da Bombril.Ele se perguntou: E se eu fizesse uma propaganda mostrando o Bombril como um político?

O resultado foi uma peça publicitária que mostrava um homem em um palanque, dizendo: "Amiga eleitora, chegou a hora de escolher quem sempre foi eleito pela maioria... quem sempre colocou tudo em pratos limpos, talheres limpos, panelas limpas... chegou a hora de escolher quem tem
um passado brilhante. Chegou a hora de eleger mais uma vez Bombril".

O anúncio fez tanto sucesso que a fórmula foi usada por décadas.

Um outro exemplo.

Agora uma propaganda sobre óleo para motor. Relacione com algo que aparentemente não tem nada a ver com carros. Um tigre, por exemplo. O que um tigre tem de semelhante a um carro? A velocidade. O anúncio poderia mostrar um tigre correndo ao lado do carro e o texto: "Ponha um tigre no seu motor. Use óleo X..."

Certa vez desafiei meus alunos a fazerem uma propaganda relacionando postes com salsichas Sadia.

Um dos grupos teve uma idéia muito criativa: um homem estava preso por longo período em um local no qual não se servia salsichas. Ao ser liberto, a primeira coisa que ele vê é um poste e a fome faz com que ele tenha uma alucinação em que o poste se transforma em uma enorme salsicha, que abocanha com grande fome.

domingo, abril 23, 2023

O que é criatividade?

 


Afinal, o que é criatividade? O publicitário Roberto Dualibi a define como "a técnica de resolver problemas". De fato, nós não seríamos criativos se não existissem obstáculos que precisassem ser superados.

Como se diz, a necessidade é a mãe da invenção. Mas a criatividade é também a capacidade de resolver problemas de maneira original, de forma que ninguém havia pensado antes.

Há pessoas que são exímias para resolver problemas, mas não são criativas. O mecânico, por exemplo, que conserta um carro. Ele aprende a resolver os problemas do carro e continua fazendo isso pelo resto da vida, sempre do
mesmo jeito.

A pessoa criativa, ao contrário, pega coisas que todo mundo conhece e que, aparentemente não têm qualquer relação, e faz coisas completamente inesperadas. Um exemplo célebre é aquela cena em que Charles Chaplin pega dois pães, finca em garfos e faz eles dançarem, como se fossem os pés de um bailarino. Pois é. Todo mundo conhece os pães e os garfos, mas ninguém até então havia pensado em juntá-los para fazer um número de sapateado. Isso é criatividade.

A dança dos pãenzinhos de Chaplin é um ótimo exemplo de criação.


O criativo faz conexões absolutamente inesperadas. Essas conexões, fisiologicamente falando, são representadas por ligações entre as células cerebrais, chamadas de sinapses. Os estudos indicam que a maioria das pessoas tem a mesma quantidade de células cerebrais, mas os criativos
têm mais sinapses.

A fase em que a pessoa realiza a maior parte das sinapses é a infância. A criança vê o fogo, aproxima a mão e se queima. Imediatamente cria-se uma sinapse: fogo = queimadura.

Essas sinapses às vezes são tão inesperadas que acabam sendo engraçadas.

Na época da Segunda Guerra, em que eram comuns os apagões para evitar bombardeamento, Monteiro Lobato perguntou a um garoto o que era um blecaute, ao que ele respondeu: "É fechar as cortinas para a guerra não entrar!".Indagado sobre o que era a guerra, o garoto respondeu: "É navio afundado e falar muito em Hitler".

Recentemente o meu filho, de quatro anos, decidiu que eu deveria aprender a dirigir uma locomotiva e se ofereceu como instrutor. Ele me explicou que eu deveria pegar no volante e virar para o lado quando viesse outro trem na mesma linha. Ou seja: ele percebeu uma semelhança entre o carro e o trem, já que os dois são meios de transporte - e concluiu que os dois são dirigidos da mesma forma.

A idéia me pareceu absurda, mas então me lembrei dos ônibus articulados de Curitiba, que transportam mais gente e gastam muito menos combustível. Eles são exatamente uma junção da idéia da locomotiva com a idéia do carro e funcionam muito bem (para aumentar a comparação, eles param em estações, com o os trens).

A pessoa criativa procura sempre novas soluções para os problemas, sejam eles novos ou antigos, e essa solução parte quase sempre de uma lógica bizarra. Uma pessoa certamente muito criativa foi a que inventou as vacinas. Afinal, a lógica da vacina é absolutamente inesperada: injetar um pouco da doença em uma pessoa sã para que seu organismo crie anticorpos...

Ser criativo significa ser também um pouco filósofo: olhar para ascoisas sempre com olhos de criança e ver conexões onde elas parecem não existir.

terça-feira, abril 11, 2023

Fases do processo criativo

 


 

Como acontece o processo  de criação? Seja uma grande lei da física ou uma nova maneira de fazer uma receita de bolo, as idéias criativas passam pelas mesmas fases.

A primeira é a fase da preparação. Aristóteles já dizia que antes de começar a escrever, devemos pesquisar tudo que se sabe sobre o assunto. De fato, você não será capaz de resolver um problema se não conhecê-lo a fundo.

Essa fase se relaciona muito com a curiosidade. Pessoas curiosas têm mais chances de ter boas idéias, pois estarão mais antenadas às informações relacionadas ao problema.

Para escrever este texto, por exemplo, pesquisei em diversas revistas e livros.

Também é necessário pensar e pensar muito no problema, mesmo que não se chegue a uma solução satisfatória.

Em seguida vem a fase da incubação. É o famoso "deixar a idéia dormir", ou "consultar o travesseiro". Se, depois de ter pesquisado muito, a solução não se apresenta, esqueça. Vá fazer outra coisa, ou até mesmo durma.

Sherlock Holmes tocava violino durante a fase de incubação.



O monge-detetive Guilherme de Baskerville, do livro O Nome da Rosa, costumava tirar uma soneca quando se deparava com um problema insolúvel.. O psicólogo Jung costumava construir casas de brinquedo. Sherlock Holmes tocava violino. Há quem goste de ouvir uma música, ou ler um livro.
Nessa fase o importante é deixar o inconsciente trabalhar em busca de uma solução.

Mas atenção: o inconsciente só vai lhe dar uma idéia se você tiver fornecido antes informações sobre o assunto. Sua mente precisa de subsídios para trabalhar, subsídios que são recolhidos na fase de preparação.

Finalmente, depois de pesquisar muito e deixar a idéia dormir, vem a iluminação. É o eureka!

Um célebre exemplo de iluminação foi a que aconteceu com o químico alemão Firedrich Kekulé. Ele passou dias tentando descobrir como os seis átomos do se benzeno se ligavam, sem sucesso.

Então cochilou e sonhou com uma cobra mordendo o próprio rabo. Era a resposta! Os átomos se ligavam em círculo!

Outro exemplo famoso, embora alegórico, é a maçã de Newton, que, ao cair sobre a cabeça do cientista, deu-lhe a idéia para a teoria da gravitação universal.

Finalmente vem a fase da avaliação. Só aqui entra o senso crítico. A avaliação serve para peneirar as idéias e perceber as que funcionam e as que não funcionam. Se a idéia não se revelar a mais adequada para a situação, o jeito é voltar ao início e começar tudo de novo. Como dizemos cientistas dos
desenhos animados, "De volta à prancheta".

Mas lembre-se: só descarte as idéias na fase final de criação.

terça-feira, abril 04, 2023

A criatividade é o oposto da burocracia

 

O conceituado sociólogo italiano Domenico De Masi afirma que o século XXI será o século da criatividade. De fato, mais que qualquer bem material, a criatividade é um dos bens mais valiosos da atualidade.


Vejam, por exemplo, Bill Gates. O que fez dele o homem mais rico do mundo? Terras? Ouro? Fábricas? Não. O que ele tinha era uma idéia que facilitava o uso dos computadores.

A primeira e mais importante coisa para se dizer a respeito da criatividade é que ela é o oposto da burocracia.

O burocrata faz sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, e nunca erra, mas também não cria nada.

Você já reparou que quando um time está sendo incapaz de inovar, de surpreender o adversário, o locutor diz que a equipe está jogando um "futebol burocrático" ? E é isso mesmo: o burocrata é aquela pessoa incapaz de encontrar soluções novas para os problemas, seja um jogador de futebol ou um político.

A burocracia surge onde há o medo de errar.

Há chefes que dizem aos seus subordinados: "Não admito erros!". Se alguém lhe mostra um trabalho que apresenta algum problema, ele a repreende severamente.

Outros dizem: "Tenho sempre razão e demito qualquer funcionário que me disser o contrário".

Chefes assim são criadores de burocratas, pois seus subordinados, com medo da bronca, vão sempre fazer as mesmas coisas que já deram certo anteriormente e vão sempre concordar com ele. Ou seja, serão incapazes de criar.

Santos Dumont errou muito antes de inventar o avião. 



Os exemplos de invenções que começaram com erros são inúmeros. Santos Dumont, por exemplo, passou por vários vexames antes de conseguir criar um avião capaz de voar.

Muitas vezes o novo surge justamente do erro. O Champagne foi um vinho que fermentou. Cristóvão Colombo achava que chegaria às Índias navegando para o oeste. Errou feio, mas descobriu a América.

E quantas outras invenções e descobertas não surgiram em decorrência do erro?

Mas quem tem medo de errar, e incute esse medo em seus funcionários, fica parado, não evolui, e leva a breca.

Há algum tempo a revista Exame publicou uma matéria intitulada "A excelência mata". Nela, temos contato com vários casos de empresas que fracassaram por serem certinhas demais, em outras palavras, burocráticas.

Um ótimo exemplo é a Olivetti. Ela durante muito tempo dominou completamente o mercado de equipamentos para escritórios, fabricando máquinas de escrever.

Quando surgiram os primeiros computadores pessoais, os PCs, ela resolveu não investir. Afinal, os computadores eram caros e na época só os nerds pareciam se interessar por eles.

A Olivetti teve medo de errar e hoje está com um mercado que em breve não terá mais demanda.

Claro que passar o resto da vida se conformando com os próprios erros não vai tornar ninguém mais criativo, mas compreender que o erro é um risco quando se quer ser criativo, já é bom caminho.

Nas palavras de Domenico de Masi: "Enquanto o burocrata tem razão nove vezes em dez, o criativo, erra nove vezes, mas quando acerta uma vez, está abrindo novos caminhos para a humanidade. Na sociedade pós-industrial haverá cada vez menos lugar para burocratas".

sábado, abril 30, 2022

A criatividade é o oposto da burocracia

 

O conceituado sociólogo italiano Domenico De Masi afirma que o século XXI será o século da criatividade. De fato, mais que qualquer bem material, a criatividade é um dos bens mais valiosos da atualidade.


Vejam, por exemplo, Bill Gates. O que fez dele o homem mais rico do mundo? Terras? Ouro? Fábricas? Não. O que ele tinha era uma idéia que facilitava o uso dos computadores.

A primeira e mais importante coisa para se dizer a respeito da criatividade é que ela é o oposto da burocracia.

O burocrata faz sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, e nunca erra, mas também não cria nada.

Você já reparou que quando um time está sendo incapaz de inovar, de surpreender o adversário, o locutor diz que a equipe está jogando um "futebol burocrático" ? E é isso mesmo: o burocrata é aquela pessoa incapaz de encontrar soluções novas para os problemas, seja um jogador de futebol ou um político.

A burocracia surge onde há o medo de errar.

Há chefes que dizem aos seus subordinados: "Não admito erros!". Se alguém lhe mostra um trabalho que apresenta algum problema, ele a repreende severamente.

Outros dizem: "Tenho sempre razão e demito qualquer funcionário que me disser o contrário".

Chefes assim são criadores de burocratas, pois seus subordinados, com medo da bronca, vão sempre fazer as mesmas coisas que já deram certo anteriormente e vão sempre concordar com ele. Ou seja, serão incapazes de criar.

Santos Dumont errou muito antes de inventar o avião. 



Os exemplos de invenções que começaram com erros são inúmeros. Santos Dumont, por exemplo, passou por vários vexames antes de conseguir criar um avião capaz de voar.

Muitas vezes o novo surge justamente do erro. O Champagne foi um vinho que fermentou. Cristóvão Colombo achava que chegaria às Índias navegando para o oeste. Errou feio, mas descobriu a América.

E quantas outras invenções e descobertas não surgiram em decorrência do erro?

Mas quem tem medo de errar, e incute esse medo em seus funcionários, fica parado, não evolui, e leva a breca.

Há algum tempo a revista Exame publicou uma matéria intitulada "A excelência mata". Nela, temos contato com vários casos de empresas que fracassaram por serem certinhas demais, em outras palavras, burocráticas.

Um ótimo exemplo é a Olivetti. Ela durante muito tempo dominou completamente o mercado de equipamentos para escritórios, fabricando máquinas de escrever.

Quando surgiram os primeiros computadores pessoais, os PCs, ela resolveu não investir. Afinal, os computadores eram caros e na época só os nerds pareciam se interessar por eles.

A Olivetti teve medo de errar e hoje está com um mercado que em breve não terá mais demanda.

Claro que passar o resto da vida se conformando com os próprios erros não vai tornar ninguém mais criativo, mas compreender que o erro é um risco quando se quer ser criativo, já é bom caminho.

Nas palavras de Domenico de Masi: "Enquanto o burocrata tem razão nove vezes em dez, o criativo, erra nove vezes, mas quando acerta uma vez, está abrindo novos caminhos para a humanidade. Na sociedade pós-industrial haverá cada vez menos lugar para burocratas".

quinta-feira, abril 21, 2022

O que é criatividade?

 



Afinal, o que é criatividade? O publicitário Roberto Dualibi a define como "a técnica de resolver problemas". De fato, nós não seríamos criativos se não existissem obstáculos que precisassem ser superados.

Como se diz, a necessidade é a mãe da invenção. Mas a criatividade é também a capacidade de resolver problemas de maneira original, de forma que ninguém havia pensado antes.

Há pessoas que são exímias para resolver problemas, mas não são criativas. O mecânico, por exemplo, que conserta um carro. Ele aprende a resolver os problemas do carro e continua fazendo isso pelo resto da vida, sempre do
mesmo jeito.

A pessoa criativa, ao contrário, pega coisas que todo mundo conhece e que, aparentemente não têm qualquer relação, e faz coisas completamente inesperadas. Um exemplo célebre é aquela cena em que Charles Chaplin pega dois pães, finca em garfos e faz eles dançarem, como se fossem os pés de um bailarino. Pois é. Todo mundo conhece os pães e os garfos, mas ninguém até então havia pensado em juntá-los para fazer um número de sapateado. Isso é criatividade.

A dança dos pãenzinhos de Chaplin é um ótimo exemplo de criação.


O criativo faz conexões absolutamente inesperadas. Essas conexões, fisiologicamente falando, são representadas por ligações entre as células cerebrais, chamadas de sinapses. Os estudos indicam que a maioria das pessoas tem a mesma quantidade de células cerebrais, mas os criativos
têm mais sinapses.

A fase em que a pessoa realiza a maior parte das sinapses é a infância. A criança vê o fogo, aproxima a mão e se queima. Imediatamente cria-se uma sinapse: fogo = queimadura.

Essas sinapses às vezes são tão inesperadas que acabam sendo engraçadas.

Na época da Segunda Guerra, em que eram comuns os apagões para evitar bombardeamento, Monteiro Lobato perguntou a um garoto o que era um blecaute, ao que ele respondeu: "É fechar as cortinas para a guerra não entrar!".Indagado sobre o que era a guerra, o garoto respondeu: "É navio afundado e falar muito em Hitler".

Recentemente o meu filho, de quatro anos, decidiu que eu deveria aprender a dirigir uma locomotiva e se ofereceu como instrutor. Ele me explicou que eu deveria pegar no volante e virar para o lado quando viesse outro trem na mesma linha. Ou seja: ele percebeu uma semelhança entre o carro e o trem, já que os dois são meios de transporte - e concluiu que os dois são dirigidos da mesma forma.

A idéia me pareceu absurda, mas então me lembrei dos ônibus articulados de Curitiba, que transportam mais gente e gastam muito menos combustível. Eles são exatamente uma junção da idéia da locomotiva com a idéia do carro e funcionam muito bem (para aumentar a comparação, eles param em estações, com o os trens).

A pessoa criativa procura sempre novas soluções para os problemas, sejam eles novos ou antigos, e essa solução parte quase sempre de uma lógica bizarra. Uma pessoa certamente muito criativa foi a que inventou as vacinas. Afinal, a lógica da vacina é absolutamente inesperada: injetar um pouco da doença em uma pessoa sã para que seu organismo crie anticorpos...

Ser criativo significa ser também um pouco filósofo: olhar para ascoisas sempre com olhos de criança e ver conexões onde elas parecem não existir.

terça-feira, abril 12, 2022

Fases do processo criativo


 

Como acontece o processo  de criação? Seja uma grande lei da física ou uma nova maneira de fazer uma receita de bolo, as idéias criativas passam pelas mesmas fases.

A primeira é a fase da preparação. Aristóteles já dizia que antes de começar a escrever, devemos pesquisar tudo que se sabe sobre o assunto. De fato, você não será capaz de resolver um problema se não conhecê-lo a fundo.

Essa fase se relaciona muito com a curiosidade. Pessoas curiosas têm mais chances de ter boas idéias, pois estarão mais antenadas às informações relacionadas ao problema.

Para escrever este texto, por exemplo, pesquisei em diversas revistas e livros.

Também é necessário pensar e pensar muito no problema, mesmo que não se chegue a uma solução satisfatória.

Em seguida vem a fase da incubação. É o famoso "deixar a idéia dormir", ou "consultar o travesseiro". Se, depois de ter pesquisado muito, a solução não se apresenta, esqueça. Vá fazer outra coisa, ou até mesmo durma.

Sherlock Holmes tocava violino durante a fase de incubação.



O monge-detetive Guilherme de Baskerville, do livro O Nome da Rosa, costumava tirar uma soneca quando se deparava com um problema insolúvel.. O psicólogo Jung costumava construir casas de brinquedo. Sherlock Holmes tocava violino. Há quem goste de ouvir uma música, ou ler um livro.
Nessa fase o importante é deixar o inconsciente trabalhar em busca de uma solução.

Mas atenção: o inconsciente só vai lhe dar uma idéia se você tiver fornecido antes informações sobre o assunto. Sua mente precisa de subsídios para trabalhar, subsídios que são recolhidos na fase de preparação.

Finalmente, depois de pesquisar muito e deixar a idéia dormir, vem a iluminação. É o eureka!

Um célebre exemplo de iluminação foi a que aconteceu com o químico alemão Firedrich Kekulé. Ele passou dias tentando descobrir como os seis átomos do se benzeno se ligavam, sem sucesso.

Então cochilou e sonhou com uma cobra mordendo o próprio rabo. Era a resposta! Os átomos se ligavam em círculo!

Outro exemplo famoso, embora alegórico, é a maçã de Newton, que, ao cair sobre a cabeça do cientista, deu-lhe a idéia para a teoria da gravitação universal.

Finalmente vem a fase da avaliação. Só aqui entra o senso crítico. A avaliação serve para peneirar as idéias e perceber as que funcionam e as que não funcionam. Se a idéia não se revelar a mais adequada para a situação, o jeito é voltar ao início e começar tudo de novo. Como dizemos cientistas dos
desenhos animados, "De volta à prancheta".

Mas lembre-se: só descarte as idéias na fase final de criação.

sábado, abril 02, 2022

Dicas de criatividade

 


Para ser uma pessoa criativa, você precisará viver  de forma criativa.. Uma pessoa avessa a novas idéias, novos conceitos, jamais terá uma idéia criativa.

Além disso, é necessário ver as coisas com olhos de criança, ou de filósofo: como se cada coisa fosse diferente a cada dia.

Dessa percepção podem surgir ótimas idéias. Quer um exemplo? Todo mundo que olhava
para garrafas plásticas de refrigerante via apenas uma garrafa. Mas, de repente alguém olhou para uma garrafa e viu uma flor. Outra olhou e viu um coelho de páscoa.

Hoje é comum usar garrafas de refrigerante usadas para fazer enfeites, mas isso não teria acontecido se uma primeira pessoa não tivesse olhado de maneira diferente para uma garrafa.

Para ser criativo também é importante reservar um tempo livre. Pessoas muito atarefadas dificilmente conseguem ser criativas. É o que Domenico de Masi chama de ócio criativo. Brincar com os filhos, ouvir uma música, ler tranquilamente um livro... são atividades que despertam a criatividade.  Às vezes temos ótimas idéias até quando estamos tomando banho.

O governo norte-americano pagava Von Newman, um dos criadores da cibernética, por cada idéia que ele tivesse enquanto estivesse se barbeando...

Outra maneira de ser criativo é fazer conexões. Pessoas criativas fazem conexões inesperadas. Os exemplos são muitos. Os inventores do radar, por exemplo, basearam-se no radar do morcego. Da constatação de que o morcego usa o radar para se movimentar sem bater em obstáculos, alguém teve a idéia:e se usássemos esse mesmo princípio para aviões?

Nós já sabemos que criatividade é a capacidade de resolver problemas. Imagine, então, que você tem um problema. Imagine, por exemplo, que você é um publicitário  encarregado de fazer uma
propaganda de uma panificadora Y.

Comece associando a idéia de panificadora com outras idéias, inclusive as mais absurdas.

Um exemplo absurdo: panificadora e vacas.

Aparentemente padarias e vacas não têm qualquer relação. Pense, então, na expressão e se... . E se uma manada de vacas entrasse na padaria à procura de pães?
- Mas vacas não comem pão!
- Para ver como são gostosos os pães da panificadora Y!

Claro que qualquer coisa criada com esse método deve passar, depois, pela fase da avaliação. Mas na fase inicial não descarte nenhuma idéia, mesmo uma absurda como a exposta acima.

Uma das propagandas mais famosas do Brasil foi claramente criada com esse método. Todo mundo conhece a propaganda da Bombril, com seu simpático garoto-propaganda.

Os anúncios da Bombril sempre faziam conexões inesperadas. 


O primeira dessa série de anúncios aconteceu numa época de eleições. O publicitário relacionou propaganda política com propaganda da Bombril.Ele se perguntou: E se eu fizesse uma propaganda mostrando o Bombril como um político?

O resultado foi uma peça publicitária que mostrava um homem em um palanque, dizendo: "Amiga eleitora, chegou a hora de escolher quem sempre foi eleito pela maioria... quem sempre colocou tudo em pratos limpos, talheres limpos, panelas limpas... chegou a hora de escolher quem tem
um passado brilhante. Chegou a hora de eleger mais uma vez Bombril".

O anúncio fez tanto sucesso que a fórmula foi usada por décadas.

Um outro exemplo.

Agora uma propaganda sobre óleo para motor. Relacione com algo que aparentemente não tem nada a ver com carros. Um tigre, por exemplo. O que um tigre tem de semelhante a um carro? A velocidade. O anúncio poderia mostrar um tigre correndo ao lado do carro e o texto: "Ponha um tigre no seu motor. Use óleo X..."

Certa vez desafiei meus alunos a fazerem uma propaganda relacionando postes com salsichas Sadia.

Um dos grupos teve uma idéia muito criativa: um homem estava preso por longo período em um local no qual não se servia salsichas. Ao ser liberto, a primeira coisa que ele vê é um poste e a fome faz com que ele tenha uma alucinação em que o poste se transforma em uma enorme salsicha, que abocanha com grande fome.

sexta-feira, abril 16, 2021

Dicas de criatividade

 


Para ser uma pessoa criativa, você precisará viver  de forma criativa.. Uma pessoa avessa a novas idéias, novos conceitos, jamais terá uma idéia criativa.

Além disso, é necessário ver as coisas com olhos de criança, ou de filósofo: como se cada coisa fosse diferente a cada dia.

Dessa percepção podem surgir ótimas idéias. Quer um exemplo? Todo mundo que olhava
para garrafas plásticas de refrigerante via apenas uma garrafa. Mas, de repente alguém olhou para uma garrafa e viu uma flor. Outra olhou e viu um coelho de páscoa.

Hoje é comum usar garrafas de refrigerante usadas para fazer enfeites, mas isso não teria acontecido se uma primeira pessoa não tivesse olhado de maneira diferente para uma garrafa.

Para ser criativo também é importante reservar um tempo livre. Pessoas muito atarefadas dificilmente conseguem ser criativas. É o que Domenico de Masi chama de ócio criativo. Brincar com os filhos, ouvir uma música, ler tranquilamente um livro... são atividades que despertam a criatividade.  Às vezes temos ótimas idéias até quando estamos tomando banho.

O governo norte-americano pagava Von Newman, um dos criadores da cibernética, por cada idéia que ele tivesse enquanto estivesse se barbeando...

Outra maneira de ser criativo é fazer conexões. Pessoas criativas fazem conexões inesperadas. Os exemplos são muitos. Os inventores do radar, por exemplo, basearam-se no radar do morcego. Da constatação de que o morcego usa o radar para se movimentar sem bater em obstáculos, alguém teve a idéia:e se usássemos esse mesmo princípio para aviões?

Nós já sabemos que criatividade é a capacidade de resolver problemas. Imagine, então, que você tem um problema. Imagine, por exemplo, que você é um publicitário  encarregado de fazer uma
propaganda de uma panificadora Y.

Comece associando a idéia de panificadora com outras idéias, inclusive as mais absurdas.

Um exemplo absurdo: panificadora e vacas.

Aparentemente padarias e vacas não têm qualquer relação. Pense, então, na expressão e se... . E se uma manada de vacas entrasse na padaria à procura de pães?
- Mas vacas não comem pão!
- Para ver como são gostosos os pães da panificadora Y!

Claro que qualquer coisa criada com esse método deve passar, depois, pela fase da avaliação. Mas na fase inicial não descarte nenhuma idéia, mesmo uma absurda como a exposta acima.

Uma das propagandas mais famosas do Brasil foi claramente criada com esse método. Todo mundo conhece a propaganda da Bombril, com seu simpático garoto-propaganda.

Os anúncios da Bombril sempre faziam conexões inesperadas. 


O primeira dessa série de anúncios aconteceu numa época de eleições. O publicitário relacionou propaganda política com propaganda da Bombril.Ele se perguntou: E se eu fizesse uma propaganda mostrando o Bombril como um político?

O resultado foi uma peça publicitária que mostrava um homem em um palanque, dizendo: "Amiga eleitora, chegou a hora de escolher quem sempre foi eleito pela maioria... quem sempre colocou tudo em pratos limpos, talheres limpos, panelas limpas... chegou a hora de escolher quem tem
um passado brilhante. Chegou a hora de eleger mais uma vez Bombril".

O anúncio fez tanto sucesso que a fórmula foi usada por décadas.

Um outro exemplo.

Agora uma propaganda sobre óleo para motor. Relacione com algo que aparentemente não tem nada a ver com carros. Um tigre, por exemplo. O que um tigre tem de semelhante a um carro? A velocidade. O anúncio poderia mostrar um tigre correndo ao lado do carro e o texto: "Ponha um tigre no seu motor. Use óleo X..."

Certa vez desafiei meus alunos a fazerem uma propaganda relacionando postes com salsichas Sadia.

Um dos grupos teve uma idéia muito criativa: um homem estava preso por longo período em um local no qual não se servia salsichas. Ao ser liberto, a primeira coisa que ele vê é um poste e a fome faz com que ele tenha uma alucinação em que o poste se transforma em uma enorme salsicha, que abocanha com grande fome.

quarta-feira, abril 14, 2021

Fases do processo criativo


 

Como acontece o processo  de criação? Seja uma grande lei da física ou uma nova maneira de fazer uma receita de bolo, as idéias criativas passam pelas mesmas fases.

A primeira é a fase da preparação. Aristóteles já dizia que antes de começar a escrever, devemos pesquisar tudo que se sabe sobre o assunto. De fato, você não será capaz de resolver um problema se não conhecê-lo a fundo.

Essa fase se relaciona muito com a curiosidade. Pessoas curiosas têm mais chances de ter boas idéias, pois estarão mais antenadas às informações relacionadas ao problema.

Para escrever este texto, por exemplo, pesquisei em diversas revistas e livros.

Também é necessário pensar e pensar muito no problema, mesmo que não se chegue a uma solução satisfatória.

Em seguida vem a fase da incubação. É o famoso "deixar a idéia dormir", ou "consultar o travesseiro". Se, depois de ter pesquisado muito, a solução não se apresenta, esqueça. Vá fazer outra coisa, ou até mesmo durma.

Sherlock Holmes tocava violino durante a fase de incubação.


O monge-detetive Guilherme de Baskerville, do livro O Nome da Rosa, costumava tirar uma soneca quando se deparava com um problema insolúvel.. O psicólogo Jung costumava construir casas de brinquedo. Sherlock Holmes tocava violino. Há quem goste de ouvir uma música, ou ler um livro.
Nessa fase o importante é deixar o inconsciente trabalhar em busca de uma solução.

Mas atenção: o inconsciente só vai lhe dar uma idéia se você tiver fornecido antes informações sobre o assunto. Sua mente precisa de subsídios para trabalhar, subsídios que são recolhidos na fase de preparação.

Finalmente, depois de pesquisar muito e deixar a idéia dormir, vem a iluminação. É o eureka!

Um célebre exemplo de iluminação foi a que aconteceu com o químico alemão Firedrich Kekulé. Ele passou dias tentando descobrir como os seis átomos do se benzeno se ligavam, sem sucesso.

Então cochilou e sonhou com uma cobra mordendo o próprio rabo. Era a resposta! Os átomos se ligavam em círculo!

Outro exemplo famoso, embora alegórico, é a maçã de Newton, que, ao cair sobre a cabeça do cientista, deu-lhe a idéia para a teoria da gravitação universal.

Finalmente vem a fase da avaliação. Só aqui entra o senso crítico. A avaliação serve para peneirar as idéias e perceber as que funcionam e as que não funcionam. Se a idéia não se revelar a mais adequada para a situação, o jeito é voltar ao início e começar tudo de novo. Como dizemos cientistas dos
desenhos animados, "De volta à prancheta".

Mas lembre-se: só descarte as idéias na fase final de criação.

segunda-feira, abril 12, 2021

O que é criatividade?

 


Afinal, o que é criatividade? O publicitário Roberto Dualibi a define como "a técnica de resolver problemas". De fato, nós não seríamos criativos se não existissem obstáculos que precisassem ser superados.

Como se diz, a necessidade é a mãe da invenção. Mas a criatividade é também a capacidade de resolver problemas de maneira original, de forma que ninguém havia pensado antes.

Há pessoas que são exímias para resolver problemas, mas não são criativas. O mecânico, por exemplo, que conserta um carro. Ele aprende a resolver os problemas do carro e continua fazendo isso pelo resto da vida, sempre do
mesmo jeito.

A pessoa criativa, ao contrário, pega coisas que todo mundo conhece e que, aparentemente não têm qualquer relação, e faz coisas completamente inesperadas. Um exemplo célebre é aquela cena em que Charles Chaplin pega dois pães, finca em garfos e faz eles dançarem, como se fossem os pés de um bailarino. Pois é. Todo mundo conhece os pães e os garfos, mas ninguém até então havia pensado em juntá-los para fazer um número de sapateado. Isso é criatividade.

A dança dos pãenzinhos de Chaplin é um ótimo exemplo de criação.


O criativo faz conexões absolutamente inesperadas. Essas conexões, fisiologicamente falando, são representadas por ligações entre as células cerebrais, chamadas de sinapses. Os estudos indicam que a maioria das pessoas tem a mesma quantidade de células cerebrais, mas os criativos
têm mais sinapses.

A fase em que a pessoa realiza a maior parte das sinapses é a infância. A criança vê o fogo, aproxima a mão e se queima. Imediatamente cria-se uma sinapse: fogo = queimadura.

Essas sinapses às vezes são tão inesperadas que acabam sendo engraçadas.

Na época da Segunda Guerra, em que eram comuns os apagões para evitar bombardeamento, Monteiro Lobato perguntou a um garoto o que era um blecaute, ao que ele respondeu: "É fechar as cortinas para a guerra não entrar!".Indagado sobre o que era a guerra, o garoto respondeu: "É navio afundado e falar muito em Hitler".

Recentemente o meu filho, de quatro anos, decidiu que eu deveria aprender a dirigir uma locomotiva e se ofereceu como instrutor. Ele me explicou que eu deveria pegar no volante e virar para o lado quando viesse outro trem na mesma linha. Ou seja: ele percebeu uma semelhança entre o carro e o trem, já que os dois são meios de transporte - e concluiu que os dois são dirigidos da mesma forma.

A idéia me pareceu absurda, mas então me lembrei dos ônibus articulados de Curitiba, que transportam mais gente e gastam muito menos combustível. Eles são exatamente uma junção da idéia da locomotiva com a idéia do carro e funcionam muito bem (para aumentar a comparação, eles param em estações, com o os trens).

A pessoa criativa procura sempre novas soluções para os problemas, sejam eles novos ou antigos, e essa solução parte quase sempre de uma lógica bizarra. Uma pessoa certamente muito criativa foi a que inventou as vacinas. Afinal, a lógica da vacina é absolutamente inesperada: injetar um pouco da doença em uma pessoa sã para que seu organismo crie anticorpos...

Ser criativo significa ser também um pouco filósofo: olhar para ascoisas sempre com olhos de criança e ver conexões onde elas parecem não existir.