quinta-feira, outubro 01, 2026
Onde você quer dizer com isso?
sexta-feira, agosto 28, 2026
O historiador
Eu fui o primeiro coordenador do primeiro curso de comunicação do Amapá, em uma faculdade particular. Como era a primeira do estado, recebia muitas visitas inusitadas, como gente que não tinha sequer graduação querendo lecionar no curso. Mas o caso mais bizarro foi de um boliviano que chegou com uma pasta repleta de papeis sujos.
Ele se apresentou com pesquisador de história brasileira e queria ministrar uma palestra para nossos alunos. Era um negócio imperdível: uma palestra totalmente gratuita lecionada por um boliviano que havia descoberto fatos surpreendentes e totalmente inéditos sobre a história do Brasil!
Pedi para ver os papéis que ele trazia na pasta e era um amontoado de textos, sem citações, referências, nada. Parecia ser algo escrito por alguém que nunca tinha ouvido falar da ABNT. Ele me apresentou um diploma de graduação que achei muito suspeito e alguns papéis que deveriam comprovar que ele tinha mestrado e doutorado, mas não eram diplomas.
Perguntei qual era o órgão que financiava as pesquisas dele.
- Não recebo bolsa de nenhum órgão. Sou um pesquisador independente! – respondeu ele, com orgulho.
Indaguei quais eram essas novidades extraordinárias que ele havia descoberto e ele me deu uma prévia, empolgado. Na palestra, ele contaria, por exemplo, a origem da palavra Brasil que, pasmem, tinha relação com uma madeira que existia em nossas terras da qual era extraído um corante.
Olhei para ele, esperando uma risada que comprovasse que se tratava de uma pilhéria. Esse é o tipo de informação que eu havia tido nos primeiros anos de estudo, quando ainda era criança. Mas ele permanecia sério, esperando por aplausos como se tivesse dito uma grande novidade.
Ele tinha uma outra pasta, repleta de recortes de palestras que havia ministrado em faculdades particulares em cidades pequenas.
No final, eu o dispensei argumentando que precisava antes pedir a autorização do diretor e que o diretor estava viajando etc... mas fiquei me perguntando o que ele ganharia com essa palestra. Deveria haver algum golpe por trás disso.
Só fui entender tudo algum tempo depois quando descobri que ele de fato havia conseguido ministrar a tal palestra em uma outra faculdade local.
O golpe era o seguinte: ele ministrava a palestra, conseguia uma matéria de jornal e depois se apresentava nas escolas particulares se dizendo professor daquela faculdade e cobrando pela tal palestra um valor altíssimo.
Em Macapá mais de uma dezena de escolas haviam caído nesse golpe. A pessoa que me contou, dono de uma escola particular, chegou a comentar: “Eu não entendi como a faculdade tal poderia contratar alguém tão desqualificado. A palestra dele não fazia sentido nenhum!”.
Claro que era um golpe que tinha um prazo de validade (em algum momento os donos das escolas descobriam que ele não era professor universitário), o que o obrigava a ficar se mudando de cidade de tempos em tempos.
domingo, agosto 16, 2026
Ivan Carlo ou Ivan Carlos?
- Qual é o seu nome?
- Ivan Carlo.
- Ah, tá, Ivan Carlos.
- Não. O meu nome não tem “s”.
- Ah, entendi. Seu nome é Ivan Calo.
- Não, não é Ivan Calo.
- O senhor não disse que não tem “r” no seu nome?
- “R” tem. O que não tem é “s”.
- Ah, então é Ivan Calos.
- Quer saber, coloca aí Gian Danton.
sexta-feira, julho 17, 2026
Uma família segurada
Era uma família segurada. O pai, Rivaldo, fizera a primeira apólice como presente de casamento para a esposa. Se ele morresse nas núpcias, já estava tudo arranjado...
Em seguida nasceu a primeira filha, Patrícia, e Rivaldo providenciou logo um seguro para a esposa, tendo como beneficiária a filha.
Em uma noite escura e tempestuosa, berrara pela primeira vez Roberto, o caçula. O pai achou que era um mal agouro e fez um seguro para Patrícia, tendo como beneficiário o irmão.
Desde então, a família pegou a febre do seguro. Carro, bicicleta, casa, móveis, até os seios de Márcia (que, aliás, eram belíssimos) foram segurados.
Viveram felizes por vários anos, coberto pelo manto protetor de duas ou mais dezenas de apólices. Até aquela tarde...
Márcia fora visitar o marido no escritório e tivera de esperar ao lado da Secretária.
- O seu Rivaldo está ocupado. A senhora espera um instantinho... – sugeriu a Secretária.
- Só dez minutos, advertiu Márcia.
Esperou meia-hora. Só então a porta se abriu e saiu dela um homem gordo, vestindo um terno antigo e suando bicas. Era um segurador. Márcia conhecia-o muito bem. Vira-o várias vezes em sua casa. Mas, de tudo que tinham, apenas um candelabro velho que ficava jogado no porão ainda não fora segurado. Não, não podia ser. Não, a explicação era outra: o sacripanta arranjara uma amante. E, não satisfeito, ainda fazia um seguro para a concubina... Hipócrita, desavergonhado, fanfarrão!
Havia de se vingar!
A partir daquela tarde, a vida de Rilvado passou a ser uma contagem regressiva. Até que aconteceu. Numa noite de chuva, o freio falhou. Os pneus derraparam, o carro despencou num despenhadeiro e explodiu. Não sobrou muito para ser investigado.
Márcia recebeu o seguro do marido e do carro. Estava feita! Comprou uma casa nova – bem maior – contratou um motorista, colocou o resto do dinheiro no banco e viveu numa boa desde então. Ou viveria, se não fosse aquela tarde...
Se havia uma coisa que enervava completamente Patrícia, era a matemática. Odiava fazer as lições de casa e já tinha repetido um ano na escola por causa da dita. Naquela tarde, ela e a mãe tiveram uma briga dos diabos. Márcia queria obrigá-la a fazer a lição de casa.
- Eu não preciso fazer a lição de casa, eu sou rica! – gritou a garota.
- Ah, é? Pois fique sabendo que enquanto eu estiver viva, você não toca em um tostão... aliás, pode ir esquecendo a mesada, que este mês não tem!
Foi uma briga feia! Feia demais por sinal. Se fosse um pouco mais esperta, Márcia teria se preocupado com a expressão maquiavélica que a filha passou a ostentar desde então. Passava horas trancada no quarto e andava com ares de quem pensa – o que, aqui para nós, era bastante raro naquela família...
Por fim, aconteceu. Foi durante o banho. Um fio solto provocou um curto circuito e eletrocutou a dona da casa. Quando finalmente desligaram a chave, não havia sobrado muita coisa de Márcia para ser enterrado.
Estavam ricos. Patrícia com 18 anos e Roberto com 16, sozinhos em casa, donos de seu futuro. Era a vida que qualquer jovem pediria a Deus, mas não Patrícia. Pegara o gosto pela coisa e a lembrança de que teria de dividir a herança com o irmão simplesmente a aterrorizava. Resolveu, então, matá-lo. Mandou preparar um jantar especial, dispensou os empregados e armou o seu circo.
- Jantar à luz de velas, maninha? – perguntou Roberto, entrando na sala.
- Claro! Antes de morrer, papai fez um seguro para este candelabro velho. Coloquei aí para ver se quebra... pedi à cozinheira para fazer seu prato predileto... isso tudo para o meu irmãozinho predileto...
Sentaram-se.
- Vejo que temos vinho. – observou Roberto.
- É do Porto. Não faz mal mexer na adega de vez em quando, não é? Especialmente para ocasiões especiais.
- Claro, passe a garafa.
- Não, deixe que eu o sirva...
- Está bem, mas só se você deixar que eu a sirva...
- Claro.
Serviram-se. Disfarçadamente, Patrícia despejou um pouquinho de pó no copo. Era um veneno feito especialmente para não deixar vestígios. Tivera um grande trabalho para conseguir...
Tilintaram os cristais, beberam de uma só vez e ficaram sorrindo um para o outro.
Patrícia foi a primeira a falar:
- Sabe, maninho, que você é um tipo insuportável?
- Pode ter certeza de que tenho os mesmos sentimentos com relação a você...
Patrícia cortou-o:
- Mas eu tomei providências para que isso não dure muito!
De repente uma dor aguda despontou como uma alfinetada no peito de Patrícia. O sorriso desapareceu do rosto de Roberto. Foi substituído por grandes rugas de dor.
- Não me diga que... – gemeu ele.
- ... você colocou... – continuou Patrícia.
- ...Veneno no vinho! – completaram juntos.
Deram um último suspiro e morreram um nos braços do outro. Teria dado um bom dinheiro de seguro...
Como fugir de uma roubada
quarta-feira, julho 15, 2026
Relato de um velho sábio a respeito de sua viagem ao de país de bananolândia
terça-feira, julho 07, 2026
Mineirices
domingo, julho 05, 2026
Casamento
Obs: Este texto foi o vencendor do I concurso de crônicas e contos da editora Geração.
quarta-feira, julho 01, 2026
O Super-brasileiro
- Obrigado.
- Olha, eu tenho uma proposta irrecusável para vc.
- Ah, tá. Beleza.
- Eu tenho um personagem chamado Super-brasileiro e podia ter escolhido qualquer roteirista, mas escolhi você para escrever as primeiras histórias.
- Er... bem... obrigado. Mas vai sair como revista? Já tem editora?
- Cara, presta atenção: eu estou falando do Super-brasileiro! As editoras vão correr atrás da gente. Ontem mesmo mandei um e-mail para a Panini oferecendo e só estou esperando a resposta.
- Cara, obrigado pelo convite, mas ando bastante ocupado. Estou fazendo doutorado, já estou em outros projetos...
- Gian, você não está entendendo! É o Super-braileiro, cara! O Super-brasileiro! É um super-herói nacionalista que se veste como o mosquito da dengue para picar políticos corruptos! É sucesso garantido! Só vou precisar que você escreva as três primeiras revistas para eu desenhar e apresentar para as editoras. São só 60 e poucas páginas!
- Olha, obrigado pelo convite, mas tenho aqui na centenas de páginas de roteiros que escrevi para personagens de outras pessoas. No final, a revista não saiu e nem posso aproveitar para outra coisa, já que o roteiro era para o personagem específico daquela pessoa. Já perdi muito tempo assim.
- Gian, você não está entendendo: é o Super-brasileiro, é genial, cara. E eu vou te pagar pelos roteiros!
- Vai pagar?
- Assim que as revistas saírem cara. Vou te pagar muito bem. Estou te dizendo, mandei ontem e-mail para a Panini. As editoras vão correr atrás desse personagem.
- Cara, obrigado pelo convite. Mas vou ter que declinar. Se ainda fosse algo pequeno... não tenho tempo para escrever três revistas.
- Tá bom, seu arrogante FDP!
E assim eu ganhei mais um inimigo no Facebook.
segunda-feira, junho 15, 2026
João e Maria
Entrei. Um vento forte varria o chāo da estação, levantando pedaços de papel e folhas. Uma senhora aflita lidava com três filhos, tentando direcioná-los à locomotiva. O maquinista já apitava, fazendo com que rasgos de fumaça se misturassem ao vento.
Desci. Corri até eles. Peguei um dos guris no colo e outro pela mão. As grandes rodas de ferro já se movimentavam quando entramos. Coloquei o rapazote no chāo e enxuguei o suor do rosto. O serviço de escritório havia me enferrujado até a medula. O corpo todo arfava ao menor exercício.
- Brigado. – agradeceu a senhora, reunindo a ninhada ao seu redor.
- Não há de quê. - respondi, ofegante.
Seguimos em frente e talvez por coincidência, havia somente quatro lugares vagos. Sentamos Os cinco juntos, a senhora de frente para mim. Pude, então, observá-la Devia ter uns 25 anos, embora aparentasse mais. Varizes serpenteavam por toda sua perna. O vestido de chita, estampado de flores, a custo segurava os seios moles. Tinha mão grossas, de gente que lida com a terra. O rosto era marcado pela vida. Rugas precoces avolumavam-se sobre a pele queimada. O cabelo, descuidado, deslizava simplesmente em direção aos ombros. Os olhos, tinha-os tristes, cabisbaixos, injetados de sangue. Havia de ter sido bela um dia.
-Seu marido não vem? - perguntei eu, depois de algum tempo.
Ela abaixou o rosto. Passou algum tempo assim. Depois observou os meninos. Estavam todos vestidos iguais, com calças que deixavam entrever o joelho e camisas de algodão. Ela vistoriou o que estava no seu colo. Arrependi-me da pergunta e olhei pela janela, desconcertado.
- Não vem, não senhor. - exclamou ela, de repente
Olhei-a. Ela abaixou os olhos
- Esta esperando você? - arrisquei
- Não tá mais não. O pobre ficou lá na cidade.
Interessou-me. Fiz-lhe novas perguntas que ela respondia com monossílabos, até que desatou a chorar. Consolei-a. Segurei sua mão. Pedi que demonstrasse força diante dos filhos, ao que ela se recompôs. Encostou na cadeira enxugou as lágrimas e pôs-se a falar. Soluçava e às vezes até vinha-lhe à garganta novo ataque de choro, que ela segurava heroicamente.
Contou-me que havia casado nova, com um rapaz das redondezas, lavrador como ela. Naquela época ainda não existia o trem e até a cidade eram léguas no lombo do cavalo, se o viajante fosse rico, ou a pé, se fosse pobre. Contou-me das andanças que precisou fazer no dia do casório. Falou do caminho estreito, sujo de esterco, que teimava em grudar na ponta do seu vestido branco. Narrou o episódio de uma cobra que aparecera no meio do mato e como seu futuro esposo a matou querendo impressioná-la
Casaram na cidade e voltaram à noite para a roça
No começo viveram com sua mãe, depois construíram uma choça de pau-a-pique. Teriam sido felizes, não fosse uma promessa que o marido lhe havia feito na lua de mel: ficaria rico! Havia de ver! Ficaria rico de comprar fazendas até onde a vista pudesse alcançar. Eles beberiam cafë em xicaras, como haviam visto na casa do coronel, e seus filhos estudariam na capital. Seriam doutores
- Vão sê dotô, Maria, de falar difícil de ninguém entender.
Tiveram um filho e depois outro e outro. Ele não se esquecia da promessa Haviam de ser ricos.
Foi quando surgiu o trem de ferro. Passava a umas tantas terras da choupana, mas João - esse era seu nome- ia todo dia religiosamente, ver o trem passar. Regalava-se. Batia palmas, ria, gritava para os passageiros. Seis olhos brilhavam
-É isso, mulher! O trem! É o jeito da gente ficar rico, não vê?
- Mas como, João
- Como? Como? Mas então, com aquela ferraiada toda.. é coisa de rico, coisa de rico, mulher! O homem que dirige aquele trem deve de ser rico até não mais podé contá..
- E comoé que voce vai ganhá dinheiro com isso, João?
- Mas como? Como?! Eu entro no trem e converso com o homem, sô. Proponho sociedade.. eu trabalho para ele e recebo uma parte das passage..
- Mas e se ele não aceitá?
- Sempre vale a viage, num vale?
-E como é que ocê vaì entrar no trem, homem de Deus?
- Ah, isso é cá comigo.
João mudou. Não cuidava da roça. Deixava a vaca pastando ao léu, voltava tarde para casa... Ficava o tempo todo no morro, observando os trilhos, esperando a hora em que trem passava.
Vieram avisá-la. Estava morto. No fim da tarde, quando o trem passava, João pulara sobre ele como se fosse um cavalo. Até conseguira se agarrar, mas desiquilibrara, perdera o pé... e caira. Seu corpo rolou pelo morro e a cabeça deslizou para debaixo do trem.
A mulher agora vinha do enterro. O padre insistira para que fossem depositar o corpo no cemitério da cidade. Algumas pessoas juntaram seus cobres, a fim de pagar-lhe a passagem, a ela, aos ortãos e ao marido morto.
No enterro compareceram alguns gatos pingados, mais por curiosidade que por piedade. Os amigos estavam todos na roça.
Nisso o trem parou.
-Brigado, seu moço, brigado. - disse ela, pegando os filhos.
Desceram. Observei-os durante algum tempo, mas o trem pegou velocidade e eles desapareceram no meio do rastro de fumaça.
sexta-feira, maio 15, 2026
Hipocondríacos
A moça irrompeu, esbaforida, pela porta, enquanto a enfermeira terminava de aplicar o soro.
- Ei, não pode entrar agora!- Rafael, Rafael! Você está bem? Vim correndo quando soube que você estava doente.
- Por favor, ainda não é o horário de visitas. Como a senhora conseguiu entrar? - perguntou a enfermeira, puxando a moça para fora.
- Não, não me afaste do meu Rafael! Por favor, me diga: ele está bem?
Nisso o doente se mexeu no leito, murmurando:
- Beatriz? Você está aí?
Foi o bastante. A mulher se desvencilhou dos braços da enfermeira e se jogou aos pés da cama.
- Rafael, Rafael, você ainda está vivo?
- Beatriz, você está aí? Eu não consigo vê-la...
- Mas ele só está... - interveio a enfermeira.
- Santo Deus, o que fizeram com o meu amado?! Você consegue me ouvir, querido?
- Beatriz? É você mesmo? Agora que vou morrer, quero que saiba que te amo...
- Oh, Rafael! Eu também te amo. Do fundo do meu coração...
- Beatriz, por favor, me dê um último beijo.
Houve um minuto de silêncio, ao fim do qual Beatriz pulou sobre ele, num último e ardoroso beijo de amor. A enfermeira tentou impedi-la, mas era impossível até mesmo saber quem era quem no meio dos aparelhos, seringas e tubos.
- Querida, você sabe o quanto eu amo você. - garantiu ele, depois que se desgrudaram. Não chore por mim. Também quero que você arranje outro homem. Não perca sua juventude por mim...
- Não, não me diga isso, meu amor, você vai sobreviver... E eu jamais terei outro homem...
Ficaram em silêncio. Beatriz enxugava as lágrimas com um lenço.
- Querida, agora que estou morrendo, acho que deveria saber de uma coisa. Lembra-se de Ana?
- A Ana?
- Sim, aquela estudava com você quando nos conhecemos...
- Rafael, você não...
- Eu tive um caso com ela.
- Não, não acredito... não é possível!
Ficou repetindo isso, balançando a cabeça em negativa, a enfermeira parada num canto, os olhos arregalados, sem saber o que fazer....
- Beatriz... agora que estou morrendo, não faz mais sentido esconder meu caso com Maria...
- A minha melhor amiga? Desgraçada!
- Calma, foi coisa pequena: durou só dois anos...
- Dois anos? Seu safado! Cretino!
- Cretino, eu? Pensa que não sei do Paulo?
Beatriz ficou estática.
- Paulo?
- Pensa que não sei? Tenho até fotos...
- Seu cretino! - gritou a mulher e pulou no pescoço dele.
- Gasp, gasp - fez o doente, envolvendo com as mãos o pescoço de Beatriz, que caiu no chão, sob ele.
Rolaram pelo chão do hospital até perderem as forças e só então caíram nos braços um do outro, jurando:
- Beatriz, eu te amo.
- Também te amo, Rafael.
A enfermeira ficou alguns instantes estarrecida, depois saiu do quarto, murmurando consigo:
- Esses hipocondríacos... e era só uma infecção intestinal.









