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quarta-feira, agosto 12, 2026

Lembrança de Sangue


Casas mal-assombradas são um tema recorrente nas histórias de terror. Em "Lembrança de Sangue", HQ publicada na revista Calafrio nº 88, eu utilizo essa premissa, mas com outro enfoque: e se as aparições fossem, na verdade, um aviso? Essa história surgiu a partir de um sonho — que figura na própria abertura da narrativa —, no qual uma garota foge de um perigo indeterminado e, ao tentar alertar uma idosa sobre a ameaça, depara-se com uma xícara cheia de sangue. Quando acordei, estas palavras ainda ecoavam em minha mente: "Começou com sangue. Terminou com sangue" — frase que abre e encerra a narrativa. A história foi espetacularmente desenhada por Andrios Moreira, cuja habilidade artística conseguiu captar com perfeição o clima sombrio do roteiro.

A revista pode ser adquirida atráves do e-mail revistacalafrio@gmail.com. 


sábado, julho 25, 2026

Ajuricaba e o uso dos quadrinhos na educação



No ano de 2024, o amigo Romahs me presenteou com um exemplar do álbum de quadrinhos Ajuricaba, escrito por Ademar Vieira, desenhado por Jucylande Júnior e arte-finalizado por Tieê Silva. Há obras que chegam até nós no momento exato. Eu estava justamente começando a direcionar meu interesse para a pesquisa de temas amazônicos, e a leitura de Ajuricaba revelou-se um verdadeiro divisor de águas.

Ali estava a Amazônia narrada com propriedade pelos próprios amazônidas, exibindo uma qualidade técnica e estética que não devia absolutamente nada aos grandes clássicos dos quadrinhos mundiais. Escrever um artigo analisando a obra sob a perspectiva decolonial e investigando sua aplicação no ambiente educacional foi um desdobramento natural e inevitável dessa experiência. O estudo foi finalmente publicado na revista Estação Científica.

Mais do que uma análise acadêmica, esse artigo é um convite para reconhecermos a força da nossa própria cultura. Ajuricaba prova que a ancestralidade e a resistência amazônica podem e devem ocupar o centro das atenções na nona arte. Para quem quiser aprofundar essa reflexão e conhecer como os quadrinhos podem transformar o ensino de história e cultura regional, o artigo completo já está disponível para leitura no site da revista EstaçãoCientífica



quinta-feira, julho 16, 2026

A Força dos Quadrinhos do Norte: Do Diagnóstico ao Troféu Mapinguari

 


No ano de 2025, realizei uma pesquisa sobre o Prêmio Angelo Agostini, a mais antiga premiação de quadrinhos do Brasil. Meu interesse era mapear como as premiações se dividiam em termos regionais. Embora esperasse uma predominância natural do Sudeste — e, principalmente, de São Paulo —, o resultado final ainda assim me surpreendeu.

Em toda a história do prêmio, até aquela data, apenas 0,7% das estatuetas haviam sido destinadas à Região Norte. De toda a imensidão da Amazônia Legal, somente os estados do Amazonas e do Amapá tinham sido laureados em alguma categoria. Em contrapartida, a predominância do Sudeste era esmagadora: no ano de 2023, por exemplo, absolutamente todos os premiados pertenciam a essa região.



Essa pesquisa foi apresentada no I Encontro Internacional do Aspas e publicada originalmente como capítulo do livro Quadrinhos: Conceitos e Linguagens.

Como consequência direta e transformadora desse diagnóstico, foi criado o Troféu Mapinguari, uma premiação voltada exclusivamente para valorizar e destacar os quadrinistas do Norte. Além disso, de lá para cá, o próprio Prêmio Angelo Agostini passou por um processo de democratização e se tornou muito mais representativo. O impacto foi tamanho que, na última edição, a Amazônia conquistou três merecidos vencedores.

Ficou curioso para conhecer os dados completos e os detalhes dessa análise? Baixe o livro Quadrinhos: Conceitos e Linguagens e confira o estudo na íntegra.

domingo, maio 31, 2026

Artigo sobre Jornalismo em quadrinhos na revista Domínios da Imagem

 



Para quem não é da área acadêmica, uma informação interessante é que as revistas são avaliadas por um fator chamado Qualis, que pode ser A, B ou C (cada um tem sua subcategoria numérica, como A1, A2, A3). As revistas qualis A, obviamente, são as mais rigorosas em suas avaliações, de modo que é muito mas difícil publicar nelas. Minha primeira publicação em uma revista A aconteceu na Domínios da Imagem, com o artigo Histórias em quadrinhos não ficcionais e jornalismo como território do imaginário. 

O artigo foi escrito em parceria com Marcos Dickson, um velho amigo e parceiro da época da faculdade. Todos os trabalhos em grupo nós fazíamos juntos, pois nossa dinâmica, desde aquela época era muito boa. Geralmente dividíamos os capítulos, ficando metade para cada. Depois nos reuniamos para um ler o capítulo do outro e fazer a revisão. Nessa mesma reunião escrevíamos a introdução e a conclusão, um método que sempre funcionou muito bem e garantiu ótimas notas. 



Com o surgimento do Google Docs esse método pôde se tornar mais elaborado, com cada um contribuindo um pouco com cada parte. 

Confira o resumo: 

O presente artigo tem o intuito de explorar os processos híbridos da linguagem jornalística com as histórias em quadrinhos baseadas em fatos reais, não ficcionais, que passaram a ser chamadas de jornalismo em quadrinhos, nas quais vemos a apropriação de técnicas jornalísticas, principalmente dos recursos extraídos do new journalism, para construir seu discurso, indo além da fronteira do real e do ficcional abrindo espaços para novas experiências do consumo da informação jornalística. Propormos analisar esses espaços narrativos não ficcionais instrumentalizando os conceitos de jornalismo de subjetividade (MORAES, 2022), estratégias do sensível (SODRÉ, 2006) e Tecnologias do Imaginário (DURAND, 1988, SILVA, 2006).

Para ler o artigo, clique aqui

quarta-feira, maio 20, 2026

O Bom professor – Artigo na revista Educação

 



No ano de 2002 eu lecionava em faculdades particulares e uma coisa me incomodava: a ênfase excessiva no cumprimento de prazos acadêmicos.

Nos questionários aplicados aos alunos no final de semestre havia diversas perguntas do tipo: “O professor começa e termina a aula no horário correto?”; “O professor entrega as notas no prazo” etc.

Mas não havia uma única pergunta sobre se o professor dominava o conteúdo ou se tinha didática para ensinar esse conteúdo. O bom professor era, rigorosamente o que cumpria todas as regras burocráticas, por mais que não soubesse nada do assunto ou não tivesse a menor noção de metodologia educacional.

Na época eu vira um ótimo professor ser demitido por, por exemplo, chegar atrasado para a aula. Esse mesmo professor tinha uma produtora e continuamente levava seus alunos para lá e passava muitas vezes a madrugada com eles filmando ou editando. Mas para a direção só o que contava era o que ele fazia na sala e no horário de aula. 



Nessa época, uma das faculdades em que eu trabalhava assinava a revista Educação, da editora Segmento. Resolvi escrever um artigo sobre o assunto e mandei para a publicação. Para minha surpresa, ela foi publicada na última página da edição 68, um espaço privilegiado reservado a artigos de opinião.

O editor escolheu um trecho interessante do artigo para o destaque gráfico: “Aprender também pode significar ter de mudar os modelos mentais preestabelecidos de que só se aprende em sala de aula”.

domingo, maio 17, 2026

MAD 14 - Prepúcio

 

A sátira do filme Crepúsculo foi meu terceiro roteiro para a MAD. Foi um sufoco porque o filme ainda não havia estreado e tive que conseguir uma versão pirata. Fora isso, foi uma sátira que meio que se escreveu sozinha. O desenho ficou a cargo do grande Raphael Salimena. Nós enchemos a história de piadas de fundo, em especial na página dupla de apresentação dos personagens. Em um dos cantos aparecemos eu, o desenhista e o editora Raphael Fernandes como turistas. Eu comento: “Nossa, nessa cidade todos são virgens” ao que o editor responde: “Até os DVDs são virgens” enquanto segura o DVD “Fiz pornô e continuei virgem” (sim, existiu um filme com esse título!). Gosto particularmente da sequência do pai da Mella Swando com Fedward Cúllen.
Em tempo: já fui chamado de machista, racista e homofóbico por causa dessa capa, então gostaria de esclarecer que não desenhei a capa muito menos era o editor que escolhia a capa. 

quarta-feira, maio 13, 2026

Literatura de fantasia na revista Letras Escreve

 


 
A revista Letras Escreve publicou, no número 2, volume 13, um artigo meu sobre a Literatura de Fantasia. No artigo eu discuto o conceito de fantasia e apresento um breve histórico do gênero.

Esse artigo tem uma trajetória curiosa.

Ele surgiu de uma palestra em um evento sobre literatura de gênero. A organizadora pediu para eu falar sobre literatura de fantasia e, ao final da palestra, solicitou um artigo com o conteúdo da dita para integrar um livro.


Passou um ano, dois anos, nada do artigo ser publicado. Ao final do segundo ano, a organizadora do evento deu uma devolutiva, solicitando diversas modificações, em especial dezenas de notas de rodapé explicativas (ela pedia, por exemplo, uma nota de rodapé explicando quem era o Conan). Fiz as mudanças e o texto quase dobrou de tamanho... mas não foi publicado. Passou mais um ano, outro ano.
Recentemente, eu soube que a prestigiosa revista Letras Escreve ia publicar um dossiê sobre Imaginários, Mito e Linguagem e resolvi arriscar, afinal, a literatura de fantasia tem tudo a ver com imaginários e mitos. Mas enviei o texto original, sem as dezenas de notas explicativas.
Para minha surpresa, as duas organizadoras do dossiê adoraram o artigo. Como ele não se encaixava diretamente na bibliografia usada no dossiê, ele foi publicado na seção livre.
Para acessar a revista, clique aqui

domingo, maio 10, 2026

Quadrinhofilia

 

Quadrinhofilia foi o nome de uma antologia de trabalhos do quadrinista curitibano José Aguiar publicada pela editora HQM no ano de 2008. Aguiar desenhou três histórias minhas, duas adaptações de contos: Em entropia um astronauta sozinho em uma estação espacial vê a terra sendo invadida por naves extraterrestres; Invasão é uma história de terror no estilo dos filmes B dos anos 1950.
Mas nosso melhor trabalho juntos é a adaptação do filme expressionista O Gabinete do Dr. Caligari. Caligari é um dos maiores clássicos do terror e um dos meus filmes prediletos de todos os tempos.
Lembro que foi um trabalho de fôlego: assistimos ao filme mais de uma vez, fazendo anotações e comentando aspectos relevantes para a adaptação.

O resultado foi uma história em quadrinhos que resgata toda a complexidade da obra original, inclusive com seus diversos sentidos.

A página que mostra pela primeira vez o sonâmbulo Cesare é a minha preferida, com o personagem avançando pelos quadrinhos, o que destaca sua figura alongada e soturna ao mesmo tempo em que quebra com a normatividade da diagramação dos quadrinhos da mesma forma que Caligari quebrou com diversas convenções do cinema da época. 

quarta-feira, maio 06, 2026

MAD 13 – Rephorma hortográfica

 




Na MAD 13 eu estava em minha terceira participação na antológica revista de humor da qual eu era fã desde criança. Na época estava entrando em vigor a reforma ortográfica e o editor Raphael Fernandes teve a ideia fazer piada com isso. Para isso, colocamos o professor Pasquale (devidamente renomeado como Pasquase) explicando a rephorma hortográfica. Uma das mudanças se daria no trânsito, onde os palavrões agora seriam politicamente corretos. FDP, por exemplo, passaria a ser “Faça o dispor de passar”. Os desenhos ficaram a cargo de Juarez Ricci. 

domingo, maio 03, 2026

Revista polonesa Krakers

 

Zulu é uma história em quadrinhos com texto meu (a partir de uma ideia de Walter Klattu) e arte do grande Will. É um exercício de narrativa paralela: enquanto Zullu enfrenta os perigos para cumprir sua missão de matar a Medusa, eu conto, com o texto. No final, as duas tramas se juntam e fica claro porque só ele seria capaz de matar a Medusa. Essa HQ foi publicada na revista polonesa Krakers no ano de 2015. É curioso ver meu texto em uma língua incompreensível para mim.

quarta-feira, abril 29, 2026

Spaceballs

 

Spaceballs foi lançado no ano 2000. Foi o sexto volume da coleção Fantástica, organizada por Cesar T. Silva e Marcelo Simão Branco, ambos editores do zine Megalon.
O título da história é uma referência à música homônima do Pato Fu. Para quem não conhece, Spaceballs é uma letra pacifista sobre pessoas com seus longos cabelos que atravessam o universo. Eles não têm a glória da guerra porque simplesmente não acreditam na guerra. Isso me levou a refletir sobre como a ficção-científica, em especial a space opera, é militarista. Até mesmo Jornada nas Estrelas, uma série pacifista, tem militares como protagonistas.
O editor apresentou assim o livro: “Nesta edição a ação vai para o espaço, literalmente. Um grupo de revolucionários hippies sequestra uma astronave e, sem usar de qualquer organização hierárquica, conseguem lubridiar todo o aparelho repressor do estado totalitário que domina o mundo em sua realidade. Uma história bem ao gosto dos leitores que apreciam a aventura no estilo agradável e bem desenvolvido de Gian Danton”.
A coleção Fantástica foi um marco na ficção-científica brasileira. Em formato de bolso, edição praticamente artesanal, custava 20 reais a assinatura com todos os números. Foram iniciativas como essa que seguraram a FC nacional em uma época em que as editoras tinham banners nos quais se lia: “Não aceitamos originais de ficção-científica, fantasia e terror”.

domingo, abril 26, 2026

A casa das mil portas

 


A casa das mil portas foi um projeto idealizado por Nemo Nox e lançado em 2005. O site reunia centenas de microcontos escritos por blogueiros brasileiros e portugueses.
Para quem não conhece,  microconto é (segundo da definição de Nemo Nox),  “uma história em prosa contada em cinqüenta letras ou menos. Se parece pouco é porque é realmente pouco. Fazer um microconto é um desafio literário, uma tentativa extremamente econômica de contar ou sugerir uma história inteira. Um microconto exemplar, e possivelmente o mais famoso de todos, é do escritor guatemalteco Augusto Monterroso: "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá."
Eu fui um dos escritores-blogueiros convidados a participar do projeto, que na época ganhou grande destaque na mídia.
O site ainda existe e pode ser acessado aqui: http://www.nemonox.com/1000portas/index.php

domingo, abril 19, 2026

O Gralha – o herói, o pinhão, o louco e a morte

 


O Gralha é o personagem símbolo de Curitiba. Criado por mim e mais 8 artistas em 1997, ele se tornou bastante popular na capital paranaense a ponto de até mesmo que não curte quadrinhos conhece-lo. E tem toda a história do Capitão Gralha, que seria o personagem original e avô do herói.
Além de ter sido publicado por mais de um ano no jornal Gazeta do Povo, o Gralha ganhou três álbuns. O herói, o pinhão, o louco e a morte é o terceiro.
Neste eu colaborei com o roteiro de duas histórias. O que acho interessante no personagem é seu ecletismo. É um herói que você pode usar para histórias mais densas, mais de aventura, mais cotidianas ou até histórias de humor.

Na HQ Encontros e desencontros eu explorei o lado pouco convencional do personagem: ele vai fazer compras em um supermercado e encontra o vilão Bagre humano também fazendo compras. Começa um diálogo aparentemente pueril, mas recheado de suspeitas e sentidos ocultos (o vilão estaria apenas fazendo compras ou planejando um assalto ou um atentando?). O tom aí é de humor, acentuado pelo divertido traço de Paulo Gerloff.

Ainda nessa edição colaboro com a história final, Dias Duvidosos, que introduz na cronologia do Gralha o grande vilão do Capitão Gralha, o Doutor Destruição. A história começa metalinguística, com o herói lendo um gibi com as aventuras do avô. Uma curiosidade: o que é mostrado no gibi é a parte final da trama que aparece no livro Francisco Iwerten, a biografia de uma lenda, mas na forma de radionovela. Sim, o Gralha é um personagem intertextual e transmídia! Os desenhos de Edson Kohatsu, que consegue ir do vintage ao contemporâneo, dão todo o charme da história. 
O álbum está à venda na loja da Quadrinhópole: https://quadrinhopole.com/loja/

quarta-feira, abril 15, 2026

MAD 17 - Twitter

 

Em 2009 o Twitter estava no seu auge. Todo mundo tinha uma conta no microblog e o editor Raphael Fernandes resolveu fazer uma edição especial sobre o assunto. Eu propus mostrar como seria se o Twitter já existisse desde a antiguidade (e começamos com a Hebe comentando que havia encontrado com Deus e que ele havia criado o mundo). Tínhamos Eva reclamando que os ciúmes de Adão estavam transformando o paraíso num inferno, Nero reclamando que ninguém o entendia (dá vontade de botar fogo em tudo), Napoleão e Hitler anunciando que invadiriam a Rússia etc. O  Raphael acrescentou algumas tags, o que deixou tudo ainda mais engraçado. As imagens de fundo da matéria ficaram por conta do Amorim. 

domingo, abril 12, 2026

Vestígios - revista portuguesa de quadrinhos

 


Vestígios é uma revista alternativa portuguesa editada por Don Lay (proveniente da Guiné-Bissau). Eu participei com duas histórias: “Como ser enganado por um psicopata”, com arte de Antonio Eder, e Arlequim, com arte de Don Lay. “Como ser enganado por um psicopata” explica o que é um psicopatia a partir da minha experiência com o assunto, que fez com que eu me interessasse pelo tema. Arlequim se passava na época do regime militar no Brasil. A história foi adaptada por Don Lay, em especial por causa da linguagem, que era estranha para o público português. 

domingo, abril 05, 2026

Floresta Negra - a estreia da dupla Gian - Bené

 


Floresta Negra foi a primeira história da dupla Gian-Bené. Foi também um divisor de águas para a arte de Bené, que até então era caracterizada pelo exagero, principalmente na musculatura dos personagens. Bené fez a história como uma homenagem a Hall Foster, criador do Príncipe Valente e, para simular o estilo do mestre, usou pincel para fazer a arte-final. Por outro lado, a diagramação, a perspectiva e a anatomia remetiam ao mestre José Luís Garcia-Lopez. Imagine Hall Foster mistura com Garcia-Lopez. Essa era a arte de Floresta Negra. Essa história marca a entrada de Bené numa fase totalmente madura de seu trabalho e virou instantaneamente um clássico.
Lembro que quando ele me mostrou os originais, fiquei maravilhado. Já gostava do traço do Bené, mas ali tinha um verdadeiro salto estético, algo que mostrava que ele seria o grande desenhista de terror dos anos 1990.
Confesso que quando ele me pediu para escrever o texto, senti um frio na barriga, mas aceitei. Bené tinha uma boa ideia de como seria o texto, inclusive no fato do demônio falar em rimas – uma referência direta ao personagem Etrigan, da DC, uma das grandes criações do mestre Jack Kirby.
A história acabou sendo publicada na revista Calafrio número 45 e fez grande sucesso com os leitores, fazendo o editor Rodolfo Zalla pedir mais histórias da dupla.

Uma curiosidade é que a revista Calafrio tinha uma estrutura que tinha que ser seguida por todas as histórias - e a floresta negra não se encaixava em nenhum dos modelos de roteiro deles. Aí o editor mudou o final para encaixar. No último quadro, quando o cavaleiro coloca o crucifixo para abençoar a floresta e afastar novos demônios, o texto mudou para: "Você coloca o crucifixo na árvore, pois sabe que agora é o novo DEMÔNIO DA FLORESTA NEGRA!!!", um texto totalmente em desacordo com o que o desenho mostrava.

quarta-feira, abril 01, 2026

Livro infantil Os gatos

 

Os gatos foi meu primeiro livro publicado, no ano de 1998, pela editora Módulo com ilustrações de Antonio EderLuciano Lagares e José Aguiar.. É a história de uma menina cujo gato desaparece e vai procurá-lo e, claro, se envolve em muitas aventuras. As situações nas quais ela se envolve foram pensadas a partir de quadros famosos da história da arte. Entre os artistas homenageados estavam: Klint, Norman Rockwell, Matisse, Leonardo da Vinci, Lautrec, Van Gogh, Escher, Munch, Renoir. A capa mostrava a menina e seu gato dentro de um quadro de Miró. 


domingo, março 29, 2026

Diário Marco Zero

 

 

No ano de 2001 um empresário de Macapá me pediu para editar um jornal para ele. Ele já tinha uma emissora de TV, uma rádio e queria um jornal impresso. Também contribuía para essa vontade o fato de uma gráfica ter uma dívida com ele. O resultado disso foi o Diário Marco Zero, um nome que ele já tinha registrado. Uma ironia, já que as edições eram semanais.

Era literalmente uma euquipe. Eu fazia tudo, do projeto gráfico à redação dos textos, passando pelas fotos. Para piorar, por alguma razão, a gráfica não aceitava arquivos em Page Maker, o programa usado à época para diagramar jornais, então tive que diagramar tudo no Corel Draw. Como na época todo jornal precisava ter uma sessão de horóscopo, tínhamos a da Morgana Le Frey. Claro que os textos eram escritos por mim – com previsões aleatórias.



No número Zero eu publiquei uma matéria sobre Pontal das Pedras, um balneário no caminho para Ferreira Gomes (que atualmente foi inundado pela represa). Todas as outras vezes que eu tinha ido lá, tinha sido muito bem atendido, mas da vez em que fiz a matéria foi diferente. Eles não só foram indiferentes, como até um pouquinho agressivos, como se uma matéria no jornal fosse de alguma forma prejudicá-los.

O meu xodó era o suplemento Marco Zero Kids na qual eu publicava quadrinhos e matérias sobre desenhos animados e outras voltadas para o público infantil. Era com esse suplemento que eu realmente me divertia.



Fazer um jornal sozinho, mesmo que semanal, era um esforço hercúleo, mas o que acabou mesmo com a publicação foi quando resolveram contratar um “jornalista” não formado para me auxiliar. Eu passava mais tempo tentando impedir que ele colocassem jabá no jornal do que de fato editando. Para quem não sabe, jabá é quando você recebe dinheiro para falar bem – ou mal de alguém (esse segundo caso mais problemático, pois, como assinava o jornal, eu poderia ser processado). A gota d´água aconteceu quando ele foi à gráfica de madrugada para mexer nos arquivos e introduzir um jabá.



A última notícia que tive desse “jornalista” foi quando ele usou o cargo em uma prefeitura do interior do Amapá para furar a fila da vacina contra covid e se imunizar junto com os profissionais de saúde, um escândalo nacional. Logo ele, que passava o dia fazendo publicações contra vacinas nas redes sociais.

domingo, março 22, 2026

Metal Pesado - Imortalidade

 

 

Metal Pesado foi a versão nacional da famosa revista Heavy Metal (que, por outro lado, era a versão americana da Metal Hurlant).Publicada na década de 1990, a revista marcou época e mostrou que havia muita qualidade nos quadrinhos nacionais. Eu participei de três números. Um deles foi o número 3, com a história Imortalidade, com desenhos de Luciano Lagares. A ideia para a história havia partido do desenhista: um povo contaminado por uma estranha doença. O protagonista é um carteiro em seu primeiro dia de trabalho que descobre um mundo que nunca imaginou. Gosto particularmente da narrativa (embora o pessoal da editora tenha colocando algumas legendas como se fossem falas do personagem). 





quarta-feira, março 18, 2026

Team Kids Drogas

 

Team Kids é um grupo de personagens da editora NES cujas histórias trabalham temas como ecologia, cidadania e outros. Eu escrevi para eles o volume sobre drogas. Tema difícil, que deve ser abordado com delicadeza, ser informativo e, ao mesmo tempo, divertido. Pesquisei muito, tivemos a consultoria de uma pessoa ligada a uma ONG de combate às drogas e acho que o resultado foi interessante. A revista foi distribuída em escolas do Rio Grande do Sul.