quinta-feira, agosto 05, 2021

A origem do Batman

 

O surgimento do Super-homem foi um fenômeno de vendas sem precedentes. Logo todo editor estava pedindo a seus artistas que fizesse cópias daquele heróis. Uma dessas cópias surgiu um ano mais tarde, em 1939 e ficaria tão famoso quanto o Homem de aço: o Batman.
Bob Kane, assim como os criadores de Super-homem, era um garoto judeu que sonhava se tornar uma estrela com os quadrinhos. Seu pai era gráfico do New York Daily e conhecia um pouco do negócio (o que faria grande diferença na hora de negociar os direitos autorais).
Bob queria criar um super-herói que fizesse tanto sucesso quanto o super-homem. Acontece que ele não era exatamente um intelectual, e não conseguia escrever a histórias. Quando ele conheceu o jovem escritor Bill Finger, foi um casamento perfeito. Embora Finger pretendesse se tornar um escritor sério, ele também era apaixonado pelos pulp fiction e estava disposto a produzir qualquer coisa que lhe rendesse dinheiro.
Procurando inspiração para sua criação, Bob Kane vasculhou sua coleção de Flash Gordon e se deparou com os homens-pássaros desenhados por Alex Raymond. Ele então apresentou para Finger um herói vestido de vermelho, com asas mecânicas, chamado Homem-pássaro.
Finger achou que não era uma boa idéia. Como o personagem ia estrelar uma revista chamada Detetive Comics, ele pensava que deveria ter um ar mais soturno, uma criatura noturna, furtiva, envolta em uma capa preta. Que tal se fosse inspirado num morcego? Eles bolaram então um personagem vestido de cinza, com uma capa preta recortada, um capuz com orelhas e olhos que pareciam apenas frestas, dando um ar assustador ao conjunto. Para completar o conjunto, colocaram um morcego no peito do herói (para imitar o S do Super-homem) e lhe deram um cinto de utilidades com mil e uma bugigangas.
Os editores da National acharam o personagem perfeito para a Detetive Comics, mas Kane se negou a vender os direitos totais do personagem. Seu pai consultou um advogado e conseguiram um bom contrato que garantia muitos direitos para o desenhista. Posteriormente, quando Jerry Siegel e Joe Shuster tentaram conseguir na justiça os direitos do Super-homem, estes procuraram Bob para que ele entrasse com eles no processo. Ao invés de fazer isso, ele procurou a editora e negociou um contrato ainda melhor para ele.
Batman estreou no número 27 da revista Detetive Comics, em maio de 1939 e foi um sucesso imediato. Como Bill Finger não conseguia dar conta de todos os roteiros, Kane pediu à editora um segundo roteirista e apareceu Gardner Fox, que, na primeira história, mostrou o personagem levando um tiro. Isso definiu algo que ficaria claro nos anos seguintes: o personagem era o oposto do Super-homem. Enquanto um era a luz, o outro era as trevas. Enquanto o Super-homem vivia na ensolarada e otimista Metrópolis, Batman se esgueirava pelos becos escuros da corrompida Gothan City. Se o Super-homem era invencível e gostava de ricochetear balas em seu peito, o Batman era falível, um humano normal, que só ganhava graças à sua astúcia e ao cinto de utilidades.
Por muito tempo os leitores achavam que Bob Kane fazia todos os desenhos (a sua assinatura constava em todas as histórias), mas logo surgiram vários desenhistas fantasmas. Entre eles, Jerry Robinson, Jim Mooney e Sheldon Moldoff. Na época, Kane ficou famoso e costumava levar garotas em seus carrões para ver sua mansão adornada por uma série de quadros de palhaços pintados por ele. Dizia-se que até esses quadros haviam sido feitos por um desenhista fantasma.
Com o tempo, a descoberta de que muitas crianças liam a história fez com que fosse introduzido um parceiro mirim, o Robin. A partir de então, todo herói que se prezava tinha que ter um parceiro infantil. Geralmente eram eles que vendiam lancheiras para crianças.

O mistério dos sete relógios

 


Agatha Crhistie não só é um das mais famosas autoras policiais. É também uma das mais inventivas escritoras do gênero, criando formulas que seriam repetidas à exaustão por outros autores (como a trama de pessoas num local fechado que começam a morrer uma a uma). Mas era também alguém que conseguia subverter e satirizar as regras do gênero que ajudara a estabelecer.

É exatamente o que vemos em O mistério dos sete relógios.

A trama começa numa casa de campo. Um grupo de jovens resolve dar uma lição no incorrigível Gerry Wade, incapaz de acordar antes das 11 da manhã. Eles compram 8 relógios e os colocam para despertar logo cedo em seu quarto. Mas na manhã seguinte, mesmo com a barulheira infernal, ele não acorda. Quando vão verificar, descobrem que ele está morto.

A polícia acredita que se trata de uma overdose de sonífero, mas a situação faz com que um grupo comece a investigar as circunstâncias estranhas, entre elas o fato de um dos relógios ter sido jogado no jardim e sete dos relógios terem sido organizados sobre a lareira. A trama esquenta quando um dos jovens que estava na casa aparece baleado.

Por trás desse crime parece estar um grupo secreto de sete pessoas que se identifica como horas e parece ter conexões com a máfia.

A protagonista é Bundle, uma garota corajosa, que dirige perigosamente e não consegue parar quieta.

Um diálogo dela com o pai, fina peça de humor, dá o toque do romance:

- Nem cheguei a Londres – explicou Bundle. – Atropelei um homem.

- O quê?

- Só que não foi bem assim. Ele já tinha levado um tiro.

- Mas de que jeito?

- Sei lá. Só sei que levou.

- Mas porque você deu um tiro nele?

- Não fui eu quem deu.

- Você não devia andar dando tiros por aí.

O trecho mostra o tom leve e divertido do livro. A obra brinca com chavões das histórias policiais pulps, repletas de sociedades secretas e entrega um final supreendente exatamente por brincar com esses chavões.

Família Titã: Uma insólita obra-prima

 


Jefferson Nunes 

Em 1990 a dupla Gian e Bené, deu um tempo de suas estórias de terror para contar aquela que é sem duvida a melhor estória de super heróis já produzida em solo brasileiro: A Insólita  Família Titã.
Influenciados pela leitura de Watchmen e principalmente de Miracleman (ambas obras primas de Alan Morre), a dupla resolveu homenagear a Família Marvel da DC Comics através de uma ótica inovadora e totalmente inusitada.
Franco Rosa, Editor da Editora Nova Sampa na época, pediu que a dupla fizesse uma história de 30 páginas um a revista que ele estava lançando e só havia uma semana para realizar todo o trabalho, do roteiro à arte-final.
Assim, Bennett e Gian se reuniram em um cômodo que eles chamavam de estúdio situado na clínica de um tio do desenhista, que estava fechada. Então, eles conversaram sobre as possíveis estórias e surgiu a idéia de fazer uma homenagem à Família Marvel.
A estória foi elaborada naquele momento. À pedido de Franco, ela deveria conter cenas de sexo, entretanto, para os autores, não havia como encaixar sexo na HQ. Então, Bené ficou como responsável para adicionar esse tema. De fato, das 30 páginas, apenas duas contiveram cenas de sexo.
No mesmo dia, Benné fez o rafe da estória e Danton os balões. Em menos de uma semana, o artista desenhou e arte-finalizou a Família Titã. Foi um recorde, afinal, era um trabalho urgente.
O interessante foi que, como tiveram pouco tempo para conversar sobre a HQ, cada um teve uma interpretação diferente sobre ela. Para Gian, o personagem Tribuno era o herói, para Bené, o vilão. Assim, enquanto o desenho mostrava o protagonista em uma cruzada de vingança, o texto intimista justificava suas ações. Isso criou uma dupla possibilidade de interpretação: alguns leitores entenderam o personagem como um sanguinário, outros como um homem bem-intencionado.
Outra característica interessante é que a história se passa, boa parte, numa favela da cidade fictícia de Santa Helena e o herói Tribuno é, na verdade, um deficiente físico.
Embora fosse publicada em revista lacrada com saco plástico, a história fez grande sucesso entre os fãs. Chegou a ter quatro tiragens, vendendo um total de 120 mil exemplares, mais do que a venda do Homem-aranha na época.
A história foi também a responsável pela entrada de Bené no mercado de quadrinhos dos EUA. Ao vê-la, um agente americano se convenceu de que ele seria um ótimo desenhista de super-heróis. Atualmente, Bené assina como Joe Bennett e desenha as histórias da Liga da Justiça.

A história da Família Titã desenrola se durante um período de 15 anos e se passa em Santa Helena, uma cidade fictícia. E em uma favela daquela cidade, viviam César – deficiente físico acometido por leucemia, que fugia da realidade abusando da leitura de livros achados no lixo e que idolatrava a antiga sociedade greco-romana; Paulo e Melissa, garotos amantes. Todos órfãos com, aproximadamente, 14 anos, que viviam de sobras de lixo e catando papel para reciclagem.
César amava Melissa, que amava Paulo. Esse triângulo, de fato, foi a fonte para todos os eventos da trama. César, inadvertidamente, encontrou um artefato alienígena que lhe garantiu toda e qualquer forma de poder. Por ser um trágico humanitário, o jovem deficiente decidiu compartilhar sua descoberta com seus amigos, que fizeram uso do disco e se tornaram os super-heróis Tribuno, Centurião e Vésper.
E durante algum tempo, eles foram os heróis do planeta, salvando as pessoas de ameaças e tragédias. Mas o clímax atinge quando todos passam a confrontar os ideais, resultando em uma tragédia digna da civilização grega.
"Quando Hulk 2 foi lançado, notei o entusiasmo do pessoal, dizendo que havia ficado legal o uso da Favela. Poxa, é isso aí! Na época que eu e Bené produzimos a Família Titã, as pessoas diziam que estória de super-herói não combinava com favela. Então, é necessário a vinda dos gringos para mostrar que isso podia ser feito, sim. Mas, com certeza, nós fomos os pioneiros", disse Danton.

"Sim, tragédia e realismo fazem a cabeça dos leitores de hoje e o engraçado é que nós introduzimos isso há quase 20 anos", completou Bennett.
Danton continua brincando que eles são Stan Lee e Jack Kirby, "dois caras bem diferentes, mas que usam essas diferenças nas estórias".
"Tanto que Franco a publicou várias vezes [Risos]", concluiu o artista.

Fora de catalogo, os exemplares da Familia Titã são  disputadíssima entre os colecionadores de Hqs e e sempre lembrada por vários estudiosos do quadrinhos nacionais como sinônimo de qualidade. Alem disso a dupla Gian e Bene mostrou que e possível sim criar boas estórias de super heróis no Brasil, desde que fuja das imitações baratas e da falta de originalidade que sempre caracterizou e caracteriza o gênero  no nosso pais. Um possível remake da estória vem sendo preparado e devera sair pela editora Quadrix aina este ano.

 Apesar de seu roteirista Gian Danton  afirmar que “Esta não é uma história de super-heróis”, Familia Tita e totalmente antenada com as mudanças  que o gênero estava passando naquela virada de década. O ambiente sombrio, os personagens psicologicamente profundos e o clima de niilismo eram típicos da cahamada “Era Sombria” dos quadrinhos. A dupla despretensiosamente  coloca essa pequena obra prima em pe de igualdade com a revolução  que mestres como Alan Moore, Grant Morrison e Frank Miller  imprimiam nas paginas dos então cansados comics americanos.

Casamento no Quarteto Fantástico

 

Em 1965 o quarteto fantástico era a revista mais popular do mercado de quadrinhos americano. Uma das grandes diferenças do título é que eles eram uma família.
Stan Lee e Jack Kirby resolveram marcar isso casando Sue e Red na edição anual do título. Isso em si era uma ideia revolucionária. Na rival DC nada nunca mudava. Clark Kent namorava Lois Lane há anos e nunca nem se mesmo ficavam noivos. Mesmo nos quadrinhos de forma geral essas mudanças era rara. O príncipe valente havia sido um dos poucos heróis de quadrinhos a contrair matrimônio.
O casamento dos heróis foi um dos momentos mais marcantes da história da Marvel.


Um casamento poderia ser um tema monótono nas mãos de quaiquer outros criadores, mas a dupla Lee e Kirby transforma o tema em uma aventura eletrizante, um crossover de vários heróis e vilões.
A grandiosidade da história já era expressa na capa, um amontoado de personagens.  Na história, o Dr Destino cria uma máquina que influencia vilões a atacarem o casamento. O ritmo é alucinante: quando uma ameaça é debelada, surge outra. Lee ainda exagerava no texto e Kirby tornava as sequência grandiosas.
 Uma aventura que marcou época.
Um único porém: a arte final de Vince Colletta, que simplificava em muito o traço de Kirby, muitas vezes até mesmo apagando os cenários.
No Brasil essa história foi publicada pela última vez no volume 4 da coleção de clássicos Marvel Salvat.

Fábula

 

O presidente chamou os deputados, senadores, ministros e os homens mais ricos do país e para mostrar-lhes algo e pediu que lhe trouxessem uma galinha.
Um soldado a segurou e o presidente tirou-lhe todas as penas, uma a uma, reduzindo a galinha uma massa de dor e sangue.
“Como podem ver, eu lhe tirei tudo”, disse o presidente, “inclusive a dignidade. Agora observem o que faço”.
O presidente pegou um saco de farelos e começou fingir que os jogava no chão. A pobre galinha esqueceu a dor e o sofrimento e correu atrás do presidente, suplicando pelas migalhas que ele fingia que lhe oferecia, enquanto dizia: "Está vendo? Se não fosse eu, iam lhe tirar até esses farelos!".
Ministros, deputados, senadores, milionários, todos estavam atônitos com a cena, sem acreditar. “Assim é o povo”, explicou o presidente aos homens mais poderosos do país. “Nós podemos lhe tirar tudo, os direitos trabalhistas, a aposentadoria, posso aumentar o preço dos alimentos, da gasolina e da energia. Enfim, posso lhes tirar tudo, e ainda assim correrão atrás de mim, me amarão e me defenderão contra tudo e contra todos”.
Ao ouvirem essa grande verdade, aqueles homens se regozijaram, pegaram um helicóptero e foram para uma mansão comemorar com um grande banquete.

quarta-feira, agosto 04, 2021

Jornada nas estrelas - Um pedaço de ação

 


Na década de 60 era muito comum nos seriados de ficção científica episódio que se passavam no passado. Isso geralmente era uma forma de reaproveitar cenários de outras produções.

O episódio um pedaço de ação faz isso, mas com resultados muito mais interessantes.

Na história uma nave espacial num período anterior à primeira diretriz visita um planeta e deixa vários objetos no local. Depois desaparece. Anos depois a Enterprise capta o relatório enviado ao espaço pela nave desaparecida e resolve conferir uma possível contaminação.

Quando descem descobrem que um dos objetos deixados foi um livro sobre gangsters dos anos 20 e que toda a sociedade de moldou a partir das informações ali contidas.

O resultado apresenta uma divertida crítica social exemplificada pela cena em que Kirk, Mcoy e Spock descem no planeta e se vêem numa rua em que todos que passam estão armados: homens com metralhadoras, mulheres com pistolas e crianças com facas. O resultado é ridículo, sinal da verve pacifista dos roteiristas.

Esse episódio é um daqueles em que William shatner rouba a cena, em especial quando decide incorporar o chefão mafioso.

É também curioso como roteiro e direção fazem uma bela homenagem aos filmes de gangsters.

O resultado é tão divertido que até relevamos as lutas mal coreografadas.

A arte saudosista de Norman Rocwell

 

Norman Rocwell foi o mais popular ilustrador norte-americano, em especial por causa das capas que fez para a revista The Saturday Evening Post durante mais de quatro décadas. Seus temas refletiam assuntos da época, como os direitos civis para os negros e a II Guerra Mundial, mas se destacavam principalmente pelos temas saudosistas. Em contraste com uma América que se industrializava e se tornava, aos poucos, a maior potência econômica do mundo, as imagens de Rocwell refletiam a pureza de outros tempos e a inocência das crianças. Quando morreu, milhares de pessoas compareceram ao seu funeral e sua casa foi transformada em museu, deixada exatamente como estava no dia de sua morte. Conheça o trabalho desse grande ilustrador e mergulhe em uma viagem repleta de saudosismo.
















A ceia dos acusados

 



Dashiell Hammett foi o criador do estilo policial noir. Ele foi detetive da famosa agência Pinkerton e ficava encucado com a forma pouco realista como as histórias policiais eram narradas, com detetives que resolviam tudo usando apenas a lógica. 
Ao resolver colocar no papel sua prática, acabou colocando também sua visão de mundo em que todos pareciam ter um segredo sórdido a esconder. Também foi o responsável por criar o perfil do detetive cínico, as mulheres fatais e a maioria da características do cinema noir.
Um bom exemplo do estilo Hammett é A ceia dos acusados, de 1934, no qual um ex-detetive se vê envolvido com um caso de assassinato. A secretária de um inventor é morto e este o contrata (através de um advogado) para ajudar a descobrir o assassino. Ocorre que o inventor é o principal suspeito e, como um fantasma, passa o livro todo sem que nem mesmo a polícia seja capaz de achá-lo.
Hammett é habilidoso para nos dar pistas o tempo todo (o próprio título original, O homem magro, é uma grande pistas), mas nós não prestamos atenção. Na verdade, em certo ponto o livro começa a parece óbvio demais. Tudo vai em determinado caminho... até a revelação final, que é absolutamente inesperada.
Um destaque vai para os personagens, a maioria deles totalmente corruptos e parecem estar mentindo o tempo todo. Mimi, por exemplo, é o paradigma do noir: ela mente e ao ser descoberta, inventa outra mentira, ao ver que essa segunda mentira foi descoberta, mente de novo, a ponto de não se saber quando ela diz a verdade.
Eu relutei muito tempo a ler esse livro por uma razão estilística: a tradução é de Monteiro Lobato, que tem um estilo bem diverso do de Hammett e tem fama de impor seu estilo aos autores traduzidos. Ocorre que A ceia dos acusados é um livro baseado em diálogos (ótimos, por sinal) e nisso a tradução de Lobato interfere pouco. Provavelmente o ponto negativo da tradução foi no título, que tem pouco a ver com o conteúdo.
Em tempo: o livro virou filme no mesmo ano em que foi lançado, só para dar uma ideia do impacto de Hammett sobre Hollywood. Confesso que não assisti a essa versão cinematográfica.

Stranger Things – terceira temporada

 


A terceira temporada de Stranger Things é a melhor até agora.
Na história, os russos tentam abrir um portal para o mundo invertido e descobrem que Hawkins é o local ideal para isso. Para camuflar suas atividades, ironia das ironias, os comunistas abrem um shopping na cidade!
Sim, é mirabolante, mas não mais que as temporadas anteriores. Além disso, o ritmo narrativo, os personagens carismáticos e um bom equílbrio entre ação, humor e drama dão verossimilhança ao conjunto – lições bem aprendidas de mestres como Steven Spielberg e Stephn King.
Talvez o mais interessante desta temporada é que desta vez há dois perigos simultâneos: de um lado os russos abrindo o portal, do outro o devorador de mentes, que começa a controlar cidadãos de Hawkins – lembrando muito o clássico Vampiros de almas, filme de 1956, de Don Siegel. É um roteiro com dois McGuffin, o que funciona muito bem em um seriado.
Outro aspecto interessante é o fato grupo de personagens se dividir em três, cada um envolvido com um dos perigos e sem ter conhecimento dos outros.
Destaque para o trio Dustin, Steve e Robin. Steve, que era apenas um playboy no começo, vinha crescendo na série desde a segunda temporada, mas nessa torna-se uma atração por si só e sua dinâmica com Robin (os dois trabalham na sorveteria do shopping) nos traz alguns dos melhores momentos.

Homem-aranha contra o sexteto sinistro


Uma das fórmulas do sucesso da Marvel eram eletrizantes edições anuais com mais páginas e encontros de heróis e vilões. Um bom exemplo disso é a edição anual do Homem Aranha de 1964, publicada diversas vezes aqui no Brasil. 
Essa HQ reúne o melhor da dupla Lee Ditko. 
Na história, o Dr Octupous sequestra Betty Brant e a tia May e exige que o aracnídeo siga pistas para libertá-las. E cada pista está com um vilão.
Poucas vezes o texto descontraído de Lee se adaptou tão bem a um personagem e a narrativa gráfica de Ditko foi tão revolucionária. A ação ocorre em quadrinhos pequeno, apertados, que eclodem em Splash Pages grandiosas, uma para cada vilão. Na década de 90 houve uma banalização das Splash. Está história é um exemplo perfeito de como elas devem ser usadas e como elas podem valorizar a narrativa. 
Por outro lado, o texto de Lee valoriza o humor e a ironia, como a tia may encantada com o Dr Ocpotus e não percebendo o que está acontecendo. 

terça-feira, agosto 03, 2021

Narcos, terceira temporada

 

Narcos chegou à terceira temporada com um desafio monstruoso: sobreviver à morte de Pablo Escobar. A interpretação de Wagner Moura foi tão marcante que parecia que ele estava carregando a série nas costas. Como continuar a série sem ele? Em especial porque os traficantes do Cartel de Cali não pareciam tão interessantes ou dúbios, exceto por Pacho Herrera, magistralmente interpretado por Alberto Ammann (a homossexualidade do personagem faz um contraponto à selvageria do personagem). 
A série, no entanto, conseguiu desenvolver a trama e os personagens de maneira competente. E introduziu um novo personagem: Jorge Salcedo (Matias Varela). Chefe da segurança do Cartel de Cali, ele vive a dubiedade de não se considerar alguém mal e jamais ter matado alguém, mas trabalhar para um cartel de drogas. As melhores cenas de toda a temporada sem dúvida são com esse personagem.
Embora a direção seja segura, o roteiro (de Chris Brancato, criador da ´serie) foi fundamental para que esta temporada desse certo. Trabalhando o tempo todo com narrativas paralelas, a trama deixa o expectador sempre no fio da navalha, em especial nos capítulos finais.
Narcos é uma das melhores séries da atualidade e mostra a que nível chegou a influência do tráfico de drogas: até mesmo governos que dizem combater as drogas, na verdade estão ligados a ele. Em países da América Latina, senadores, ministros e até presidentes parecem comer nas mãos dos carteis de drogas.

O Super-homem

 

Na década de 1930 dois jovens judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster andaram por quase todas as editoras e sindicates da época tentando vender um personagem que haviam criado. Todo mundo achava que o personagem era irreal demais e dificilmente venderia bem. O nome desse personagem era Super-homem, um dos maiores sucessos dos quadrinhos de todos os tempos.

O personagem havia surgido em um fanzine de ficção-científica editado por Siegel, o Science Fiction. Era um homem pobre, escolhido na fila para sopa e submetido a uma experiência científica que lhe dava poderes de ouvir o pensamento das pessoas e comandar seu comportamento. Graças a esses poderes, ele se transforma no governante despótico do mundo. Ou seja, inicialmente, o Super-homem era um vilão.

Com o surgimento das revistas em quadrinhos baratas (que no Brasil foram chamadas de gibis), Siegel percebeu ali um mercado e decidiu transformar seu personagem em um herói, aos moldes de Doc Savage, herói da literatura pulp.

O super-homem unia todos os elementos da cultura pop norte-americana: o valentão bonzinho batendo nos malfeitores (como nos pulp fiction), a malha colante dos fisiculturistas da época e a dupla identidade.

Conta a lenda que numa noite abafada de verão, Siegel não conseguia dormir e passou insone, pensando em seu personagem. De quando em quando ele se levantava, tomava água e fazia anotações. Quando amanheceu, ele já tinha o personagem estruturado, com sete semanas de história.

A história não é bem assim. Na verdade, o Super-homem foi sendo estruturado com o tempo, de acordo com as diversas recusas dos editores. Os dois quadrinistas chegaram até a fazer uma versão mais hard, para uma revista masculina.

Os sindicatos de distribuição, editoras e até estúdios (como o de Will Eisner, que posteriormente iria criar o ótimo Spirit) recusavam a tira com observações do tipo “Trabalho imaturo” ou “Prestem mais atenção ao desenho”.

Quando a National precisou de uma história pronta para colocar em uma nova revista que estavam lançando e que precisava estar nas bancas o quanto antes, Sheldon Mayer se lembrou do Super-homem que estava na pilha de materiais rejeitados. Não se sabe se foi uma antecipação do sucesso ou se era simplesmente a coisa que estava mais à mão, mas o fato é que a editora mandou uma carta com os originais para os dois rapazes dizendo que se eles conseguissem transformar aquelas tiras em uma história de 13 páginas o quanto antes, eles a comprariam.

Assim, Action Comics estreou no dia 1 de junho de 1938, tendo o Super-homem na capa, na sua pose clássica, segurando um carro acima dos ombros, para espanto de bandidos que fogem desesperados. Era um trabalho grosseiro, como se diversas histórias estivessem coladas sem muito nexo, mas mesmo assim provocou uma revolução no mercado. Não era só o heroísmo, mas também o humor. Em uma seqüência, o Super-homem corre por fio de alta tensão, levando um bandido consigo. “Não se preocupe. Os passarinhos ficam nos cabos telefônicos e não são eletrocutados – desde que não toquem num  poste telefônico! Opa! Quase bati naquele ali!”. Era algo novo: um herói fazendo piada. Isso conquistou os garotos.

A revista começou a vender horrores. Os donos da editora National mandaram algumas pessoas perguntarem nas bancas o que estava provocando o sucesso do gibi e o que ouviram foi: “As crianças querem mais desse herói”.

Conforme aumentava a popularidade do herói, aumentavam também seus poderes. No começo, ele apenas dava saltos enormes, mas logo estava voando. No começo ele era imune a balas (famosa a cena em que bandido atiram e as balas ricocheteiam em seu peito), mas logo ele já era capaz de agüentar até uma bala de canhão. Em uma história o herói foi obrigado a entrar telhado a dentro porque suspeitava que numa casa se escondia um bandido. Para evitar que novos telhados fossem danificados, foi inventada a visão de raio x.

Se por um lado ele era o herói mais poderoso da Terra, por outro lado, em sua identidade secreta, ele era Clark Kent, um repórter bobalhão que era sempre passado para trás pela colega Lois Lane. A diferença entre eles era de apenas um óculos, mas mesmo assim Kent conseguia enganar a todos. Alguns roteiristas acreditaram que o alter-ego de Super-homem fosse mesmo um bobalhão, mas trabalhos mais recentes, como de Grant Morrison em All Star Superman mostram que na verdade, ele apenas se faz passar por bobalhão.

Essa falsa dualidade Super-homem x Clark Kent permite um processo de identificação e projeção. O leitor se identifica com Clark Kent, mas se projeta no super-herói e suas realizações.

Com o tempo foram adicionados novos elementos à mitologia do personagem. Surgiu a kriptonita para contrabalancear os poderes cada vez maiores do personagem. A kriptonita verde pode até matar o herói. Já a vermelha tem efeitos imprevisíveis, podendo transformar o herói até mesmo em um monstro. Foi criada uma fortaleza da solidão, no pólo Ártico, um local em que o personagem guarda recordações de seu mundo e de suas aventuras.

Com o tempo, ficou claro também que um personagem tão poderoso não poderia combater reles marginais e surgiram os super-vilões, como Lex Luthor, Bizarro e Brainiac.

Marlene não desiste nunca

 


Marlene é uma série de humor criada pelo cartunista capixaba Alpino. Alaor é famoso pelas suas tiras de humor para a Playboy, mas estorou recentemente na internet com a personagem Marlene.
A primeira aparição da personagem surgiu a pedido de uma leitora, cujo marido não entendia suas insinuações sexuais. Ela queria mostrar para o marido na esperança de que ele se tornasse menos lento em suas interpretações. Deu certo e Alpino começou a produzir diversas outras histórias de Marlene e seu marido Alaor.
A dinâmica das histórias é sempre a mesma: Marlene tentando alguma fantasia sexual ou se insinuando para o marido e o lento Alaor não entendendo o contexto sexual. Curiosamente, Marlene jamais falou nas histórias: só vemos os diálogos de Alaor.
Em tempo: nas postagens com as histórias da personagem, há sempre dezenas de comentários de mulheres dizendo que se identificam com ela. Confira um pouco das tentativas de Marlene.