terça-feira, outubro 19, 2021

Antonino Homobono: o mestre dos quadrinhos

 


Quem acha que o Amapá não tem nenhuma tradição em quadrinhos não sabe que um dos principais quadrinistas brasileiros da década de 1980 morou muito tempo aqui. Seu nome: Antonino Homobono Balieiro
Homobono, como ficou mais conhecido, nasceu em Afuá, no Pará, mas veio para Macapá aos 3 anos. Estudou na escola Alexandre Vaz Tavares e foi o primeiro secretário da Escola Cândido Portinari. Em 1974, foi para o Rio de Janeiro, tentar a Escola de Belas Artes. Foi aprovado, mas perdeu a inscrição por acreditar que não passaria. Seu destino seria mesmo as histórias em quadrinhos. No final da década de 1970 ele começou a publicar seu trabalho pelas editoras cariocas. Chegou a participar da equipe que passou para os quadrinhos o Sítio do Pica-pau Amarelo, pela editora RGE, de propriedade da Globo, que exibia o programa.
Também começou a colaborar com a editora Vecchi, em especial nas revistas Spektro, Sobrenatural, Chet e Chacal. O editor da Vecchi, Ota, lembra que ele era conhecido por ser um “pau para toda obra”. Desenhava rápido, em qualquer estilo, e sempre cumpria os prazos. Quando algum desenhista não entregava o material, era o Homobono que salvava os editores. 
Na editora Bloch seu traço se destacou na revista Capitão Mistério desenhando o vampiro Drácula, com grande elegância.
Posteriormente ele começou a trabalhar para a editora Abril, onde fez, entre outros trabalhos, a versão em quadrinhos do boneco Falcon.
Antonino morreu no dia 07 de julho de 2001 de uma grave doença no coração. 

Que escritores apoiaram o nazismo?

 

Lous-Ferdinand Céline
Embora muitos escritores tenham denunciado os horrores dos regimes totalitários, pelos menos dois se destacaram pelo apoio que deram não só aos fascistas, como à perseguição aos judeus.
O escritor francês Lous-Ferdinand Céline é um exemplo. Autor do importante romance Viagem ao fim da noite, ele publicou, em 1937 e 1938, respectivamente, Bagatelas por um massacre e Os belos trapos, panfletos profundamente anti-semitas. Nos textos ele chama os judeus de “esterco que deveria ser varrido do chão da história”.
Em 1943 ele reeditou o texto, com fotografias, para mostrar seu apoio ao holocausto.
Celine, que era um bom médico, respeitado pela comunidade, não teve pudores ao apoiar os nazistas quando eles invadiram a França.
Preso na Dinamarca, após a guerra, ele só conseguiu voltar para a França em 1951, e morreu completamente esquecido.
Outro que apoiou o nazismo foi o norte-americano Ezra Pound. Ele estava na Itália quando Mussolini chegou ao poder e colaborou com revistas anti-semitas e programas de rádio pregando o ódio aos judeus e louvando o fuhrer e o dulce. Quando foi preso pelos soldados da resistência italiana, em 1945, chegou a compara Hitler com Joana D´arc.
Depois de preso, foi mandado para um sanatório. Nunca mais escreveria grandes livros. 

Redundância na comunicação

 



    O conceito de redundância é absolutamente oposto ao de informação.

              Enquanto a informação significa variedade, novidade, a redundância significa falta de variedade ou simplesmente repetição.
              Geralmente os indivíduos que chamamos de chatos são na verdade tremendos redundantes. É o caso, por exemplo, das pessoas que contam a mesma história diversas vezes.
              Indivíduos previsíveis também são redundantes.
              Durante algum tempo, acreditou-se que utilizar a retórica era criar um discurso aparentemente bonito, mas inócuo. Esse tipo de comportamento foi satirizado através do personagem Rolando Lero, do humorístico Escolinha do Professor Raimundo.
              Se quisermos tirar uma informação de Rolando Lero, teremos de agüentar meia-hora de um discurso totalmente redundante.
              Veja um exemplo de um discurso redundante ao extremo:

Prezado e maravilhoso chefe, eu que conheço sua augusta figura há muitos anos, desde que entrei neste departamento, venho, neste momento difícil, através desta maneira informal representada pela fala, solicitar à Vossa Senhoria o prazer inestimável de comparecer ao mictório deste departamento com a máxima urgência, desde que isso seja possível e não vá contra nenhum regulamento de nossa gloriosa instituição na qual trabalho há muitos anos, desde que passei no concurso público, no ano de 1967 e do qual me lembro muito bem, pois não há coisa que passe em nossa vida sem que nos marque profundamente e é por isso que sou muito grato a todos que me ajudaram até aqui e principalmente todos os meus amigos e meus familiares, pois sem a ajuda da família e dos amigos, nós nada conseguimos, especialmente as coisas importantes, que realmente importam para todos nós e são coisas que acontecem todos os dias, todos os anos, que são anos porque juntam doze meses e, portanto, não são séculos e é por isso que termino aqui minha concisa, clara e objetiva solicitação, certo do pronto atendimento da mesma.
              No final, a informação é apenas: Preciso ir ao banheiro. Todo o resto é redundância (aliás, o excesso de redundância aqui, permite interpretação dúbia: alguns podem ler o texto como um pedido ao chefe para que ele vá ao banheiro).
              O exemplo mostra que a redundância sobrecarrega a mensagem. O que poderia ser dito com 22 caracteres, foi dito com 1001. Ou seja, 979 caracteres (incluindo espaços) eram totalmente desnecessários à transmissão da mensagem.
              O exemplo pode dar a entender que as melhores mensagens são aquela totalmente informativas. Isso não é verdade.
              Há dois casos de não-comunicação: quando a mensagem é totalmente redundante e quando ela é totalmente informativa.
              Uma mensagem redundante ao extremo é normalmente ignorada pelo receptor. Quando perguntado o que achava de certo livro recém-lançado, Osvald de Andrade respondeu apenas: Não li e não gostei”. Ou seja, o autor era tão previsível que Osvald não precisava nem mesmo ler o livro para saber que não gostaria.
              A mente humana gosta de informação.
              Neurologistas da Emory University Health Sciences Center, nos EUA, pingaram gostas de suco de frutas ou de água em voluntários monitorados por ressonância magnética. Quando a bebida era trocada, a atividade dos neurônios aumentava. A resposta chegava a ser mais forte que aquelas provocadas por sensação de prazer. (revista Saúde, abril de 2001)
              Os pesquisadores chegaram à conclusão de que a mente humana é atraída pelo inusitado, pelo diferente.
              A origem da hipnose está nesse repúdio à redundância. O hipnotizador usa um estímulo tão redundante que a mente simplesmente se recusa a continuar recebendo a mensagem e simplesmente “desliga”.
              Por outro lado, uma mensagem totalmente informativa acaba se tornando incompreensível. É o caso, por exemplo, de uma mensagem escrita sem código em uma língua desconhecida pelo receptor.
              A redundância tem também um papel importantíssimo no processo de comunicação. Ela é usada para combater ruídos que possam obstruir o canal.
              Essa é a razão pela qual, por exemplo, nós batemos várias vezes na porta de uma casa quando queremos ser atendidos pelos moradores.
              Bater uma única vez já transmitiria a mensagem, mas nós a reforçamos a fim de garantir que o receptor irá recebê-la.
              Quanto maior a vulnerabilidade a ruídos de um certo canal, maior a redundância necessária para garantir a integridade da mensagem. Em um ambiente barulhento, devemos aumentar o tom de voz e repetir partes da mensagem.
              Da mesma forma, quanto mais importante uma mensagem, maior a redundância aconselhada.
              Uma mãe zelosa cujo filho está doente irá lembrá-lo de tempos em tempos que é necessário tomar os remédios.
              Mesmo as línguas têm alta taxa de redundância para combater o ruído.
              O núcleo de informação de qualquer palavra está nas consoantes, em especial nas mais raras, como o R, o X e o Z.
              Se dou ao leitor as três vogais abaixo, dificilmente ele conseguirá descobrir a palavra da qual as mesmas foram tiradas:
               E A E
              No entanto, se eu apresento apenas as consoantes da mesma palavra, a tarefa se torna muito mais fácil:
              M N S G M
              Trata-se, como o leitor astuto já deve ter percebido, da palavra MENSAGEM.
              Abreviaturas têm como base a retirada de toda a redundância das palavras. É o que podemos fazer com a palavra MENSAGEM. Eliminando a redundância (inclusive de consoantes), poderíamos escreve-la da seguinte maneira:
              MSG
              A frase MENSAGEM PARA VOCÊ ficaria assim:
              MSG PR VC
              Por que razão, uma vez que as abreviaturas são mais informativas, não as usamos mais comumente nas comunicações?
              Porque uma mensagem como pouca redundância é vítima certa de ruídos.
              Se houver qualquer erro na mensagem abreviada, a comunicação fica prejudicada, como acontece no caso abaixo:
              MG PR VC
              O mesmo já não ocorre com a mensagem normal:
              MENSAEM PARA VOCÊ
              O ruído, embora visível, não tornou impossível a compreensão da frase.
              A língua inglesa é menos redundante que a portuguesa e, portanto, mais prejudicada pelos ruídos, como ocorre no caso abaixo.
              Em inglês, CASAS AMARELAS escreve-se YELLOW HOUSES. Em português, como se vê, há dois S indicativos do plural e se um for vítima de ruído, ainda assim o receptor compreenderá que se trata de mais de uma casa. Em inglês a perda de um único S prejudica toda a mensagem.
              Pesquisadores descobriram que os chineses têm o que chamam de ouvido absoluto, ou seja, sabem identificar a vibração exata de cada nota musical. Isso significa que o ouvido deles é menos propenso a ruídos. Assim, a palavra Má pode ter quatro significados (mãe, paralisado, cavalo ou xingamento), de acordo com a entonação utilizada. (Superinteressante, ano 13, n 12, dezembro de 1999)
              Além de ser uma ótima fonte de anedotas sobre equívocos de pronúncia, o fato demonstra que a língua chinesa pode ser mais informativa, pois o ouvido absoluto dos chineses tema maior proteção contra ruídos.
              Portanto, embora a redundância sobrecarregue a mensagem, ela também é necessária para evitar prejuízos.

              A decisão sobre a quantidade de redundância da comunicação deve ser balizada por vários fatores: a taxa de ruído do canal, o repertório do receptor e a importância da mensagem. 

X-men 2099

 


Em 1993 a Marvel resolveu criar uma nova linha de quadrinhos, com versões futuristas de seus principais personagens. Entre os vários títulos lançados estava X-men 2099.
Na série os personagens tinham pouco a ver com os heróis originais. A única coisa que os unia era o fato de serem mutantes. Enquanto os X-men originais salvavam o mundo e combatiam supervilões, a versão futurista deles apenas queria sobreviver num mundo que caça quem era diferente.
Na história, o mundo havia visto um crescimento exponencial de mutantes, a maioria dos quais mortos em um evento chamado O grande expurgo. “Os mutantes dessa época fazem parte de uma classe oprimida, que não pode pagar para que seus filhos nasçam sem o fator X em seu DNA. Aqueles que apresentam características mutantes são tratados como párias em seu próprio meio social”, explicava o editor Tom DeFalco.
Era uma premissa interessante, que poderia render histórias realmente memoráveis e altamente críticas, mas que não passou da aventura superficial, como vimos no número 1 lançado pela editora Abril.
O roteiro era de John Francis Moore. Os desenhos ficavam a cargo de Ron Lin e Adam Kubert na arte-final.
A história acompanhava a chegada do personagem Timothy Fitzgerald no complexo nuevo sol, local que serve como refúgio de mutantes. Lá ele se depara com um show de rock e sua apoteose: a aparição do personagem Xian, o líder do local. Na sequencia Xian sofre um atentado, é salvo por Fitzgerald e depois todo o local é invadido por uma organização chamada o sindicato. Só alguns se salvam e conseguem fugir. E a trama segue esse caminho: a tentativa de encontrar um local seguro.
O visual dos personagens era totalmente baseado na "Era Image". 

Como dito, daria para aproveitar essa ambientação e esse plot que fugia dos moldes dos super-heróis para fazer algo realmente aprofundado tanto nos personagens quanto em termos sociais. A história, entretanto, não vai muito além do óbvio, embora seja divertida de se ler, ainda mais se considerarmos que essa era a época Image, em que a qualidade dos roteiros caiu vertiginosamente.
Já Ron Lin é um desenhista sem estilo cuja principal característica é mimetizar o traço de outros artistas – e aqui ele está imitando o estilo dos caras da Image, o que dá uma boa ideia do nível das ilustrações. Adam kubert parece salvar as ilustrações com sua arte-final, mas nem sempre. Na verdade, até a assinatura do Adam era melhor e mais legível que a de Ron Lim.
Talvez o que mais chame a atenção nesse gibi seja a capa, com efeito metalizado, uma novidade na época.

Kazar – somente para seus olhos

 


Kazar era um personagem de terceiro escalão da Marvel. Mas conquistou uma legião de fãs no Brasil ao ser publicado pela editora Abril dentro da revista do Homem-Aranha.

Boa parte da responsabilidade sobre isso era da equipe criativa formada por Bruce Jones no roteiro e Brent Anderson no desenho.

Exemplo da sintonia da dupla é a história Somente para seus olhos, publicada no número 6 da revista.



A história inicia com uma ótima sequência: Shanna está dormindo e a imagem vai se aproximando cada vez mais de seu rosto até focar num close de seu olho aberto espantando. O texto diz: “Todo seu corpo treme! O frio é muito intenso e suas pernas ameaçam desfalecer! De repente, Shanna percebe porque a montanha de seus sonhos brilha como alabastro... porque o chão, o céu e o ar ao seu redor estão cheios de flocos brancos e cintilantes de... neve!”. Segue-se uma sequência em que a garota acorda seu amado para mostrar a neve que envolve toda a Terra Selvagem, apenas para descobrir que é um tudo um sonho.



Essa pequena sequência serve tanto para estabelecer a relação entre os personagens quanto à perturbação cognitiva da personagem depois de ter passado pela máquina de transferir mentes. A máquina, na verdade, a colocou em contato com um sobrevivente de Atlândida, cujo corpo foi guardado em criogenia. Este se apaixona por Shanna e oferece a ela uma vida de imortalidade.

Em meio a esse conflito pessoal, surgem também conflitos físicos: um escorpião gigante e um pterodátilo.

No final, a dupla Bruce Jones e Brent Anderson consegue criar uma história simples e tocante.

No Brasil essa história foi publicada em Homem-aranha 17, da editora Abril.

segunda-feira, outubro 18, 2021

Vale a pena continuar com o blog

 


Algumas pessoas me perguntam se vale a pena continua com o blog. Especialmente depois de ver alguns comentários que costumam postar aqui, com ofensas, calúnias e até ameaças. Esse depoimento de um leitor assíduo do blog é a resposta. Enquanto eu puder continuar estimulando outras pessoas a lerem, a frequentarem bibliotecas e a difundirem o hábito da leitura, valerá a pena continuar com este blog, mesmo que isso provoque a ira dos intolerantes. 

Direto da estante - coleção graphic novel

 

Graphic Novel foi uma coleção lançada pela editora Abril em 1988 para aproveitar o interesse por edições de luxo, voltadas para um público mais adulto. O conceito de graphic novel foi criado provavelmente por Will Eisner (há alguma controvérsia a respeito disso) para se referir a histórias com melhor qualidade artística e literária. No Brasil o interesse por esse tipo de edição começou com Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.
No começo, a coleção se limitou a publicar histórias com super-heróis. Mas com o tempo começou a publicar material autoral norte-americano e até europeu. No geral, o nível era altíssimo. A coleção durou 29 números, terminando em julho de 1992.
O sucesso da coleção fez com que surgissem outras nesse mesmo formato, como a Graphic Marvel, da própria Abril, a Graphic Sampa, da Nova Sampa e a Graphic Glob, da editora Globo. 

Álcool é droga!

 

O álcool é a porta de entrada para outras drogas. Quem diz isso é o presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado. Segudo o psicólogo, essa é a droga que mais afeta a juventude: "Quanto mais disponíveis estão as drogas, mais são utilizadas. Disponibilidade tem a ver com preço e aceitação social. O álcool e tabaco são drogas que, apesar de todas as resistências, têm elevada aceitação social. Por isso, acabam sendo muito usadas".
O álcool é também a droga que mais afeta a sociedade. É, por exemplo, a principal causa de violência doméstica. O consumo de álcool está associado também a acidentes de trânsito e homicídios.
O interessante aí é que a prefeitura pode interferir diretamente nesse quadro, fiscalizando os bares. Um estudo mostrou que fechar bares uma hora mais  cedo diminui em 16% a criminalidade.
A cidade de Diadema, em São Paulo, considerada a mais violenta do Brasil, diminuiu em 80% os homicídios com uma medida simples: impondo um horário de 23 horas para fechamento dos bares.  Os poucos bares que têm autorização para funcionar além desse horário deve cumprir uma rigorosa legislação, que inclui isolamento acústico, proibição de venda de bebidas para menores, etc.
Em Macapá não existe legislação limitando o funcionamento de bares, ou, se existe, ela não é respeitada. No dia da eleição, por exemplo, os bares funcionaram normalmente, mesmo com a Lei Seca. Moro ao lado de um bar e vejo que ele funciona até a hora em que o proprietário decide. Pior: vejo muitos pais trazerem seus filhos para o bar, inclusive bebês, que ficam no carrinho enquanto os pais enchem a cara. Em Macapá não há qualquer fiscalização, nem com relação ao horário e funcionamento, nem com relação à presença de crianças.
Pode até ser que os pais não consumam drogas pesadas, mas essas crianças, ensinadas desde cedo que é normal consumir substâncias químicas em grande quantidade, têm grande chance de se tornarem usuários de crack, cocaina e outras drogas.

A guerra civil espanhola

 


Em 1936 um governo de coalização de esquerda foi eleito na Espanha. A União Militar Espanhola, associação militar de caráter ultra-direitista e anti-republicana, preparou um golpe para derrubar o novo governo, mas os planos vazaram e os republicanos prenderam José Antonio Primo de Rivera, da Falange Espanhola Tradicionalista, e os principais generais de direita foram transferidos para localidades distantes. O general Manuel Goded foi enviado para as ilhas Baleares e o general Franco para as ilha Canárias.
Parecia que a ameaça de um golpe estava eliminada, mas novos acontecimentos políticos mudaram a situação. A discussão sobre as reformas estruturais, entre elas a reforma agrária, ganharam as ruas. Camponeses confiscavam terras de grandes proprietários, greves ocorriam em todo o pais. Como a Igreja estava nitidamente do lado dos grupos de direita, seminários e conventos eram incendiados. Essa agitações fizeram com que a burguesia moderada e católica se aliasse aos militares fascitas.
A revolta militar teve início em 17 de julho de 1936, nas cidades marroquinas de Melilla, Ceuta e Tetuán, mas logo se alastrou por toda a Espanha. O general Francisco Franco assumiu o comando do exército e estabeleceu contato militar com outros chefes militares que temiam o “perigo vermelho”.
Em julho daquele ano, Franco foi nomeado pelos militares como Dirigente Máximo da Espanha Nacionalista.
O exército praticamente todo estava do lado de Franco. Os republicanos só contavam com os policiais e as massas de voluntários. Entre os republicanos havia os mais variados grupos, de anarquistas a democratas. 
Iniciou-se uma guerra civil que chamou a atenção do mundo. Voluntários vieram de diversos países para lutar contra os fascistas, entre eles o escritor inglês George Orwell, que posteriormente ficaria famoso com os livros A revolução dos bichos e 1984. A Rússia enviou armas e aviões para os republicanos, enquanto a Alemanha e a Itália abasteciam os nacionalistas.
Depois de uma severa resistência por parte das milícias populares, Franco finalmente entrou em Madri no dia 28 de março de 1939, instalando uma ditadura fascista.
Poucas pessoas perceberam isso na época, mas o resultado da Guerra Civil Espanhola iria traçar os caminhos da Europa a partir daquele momento. A razão disso guerra civil espanhola foi o principal campo de provas das novas técnicas de luta que seriam introduzidas pelos alemães e seriam fundamentais nas vitórias nazistas na primeira fase da II Guerra Mundial.
Os alemães usaram a guerra civil espanhola para testar os prinícipios da guerra relâmpago.


A Alemanha enviou à Espanha centenas de carros de combate, aviões, artilharia, armamento individual e aproximadamente 5 mil especialistas militares, na maioria pilotos reunidos na Legião Condor.
Os estrategistas alemães usaram a Espanha para testar a guerra aérea, muito propagada pelos teóricos militares. Descobriram que os aviões da época eram deficientes para atingir objetivos estratégicos. Havia, por exemplo, a falta de precisão dos bombardeios. Isso levou os técnicos da Luftwaffe a desenvolverem um novo sistema de navegação, o X-Gerat e o Knickebein.
Os aviadores aprenderam a coordenar suas ações com as forças terrestres, fornecendo apoio e ágil poder de fogo. Os aviões junkers e Stukas tornam-se especialistas em bombardeamento em mergulho, que irá provocar muitas perdas nos combates da Polônia.
Os alemães compreendem que é necessário romper com as táticas em que os caças atacavam sozinhos, comuns na I Guerra. Assim, criam a formação de quatro, com dois pares, cada um contando com um líder e um ponteiro.
Mas o maior ganho dos nazistas com a guerra da Espanha foi a experiência adquirida pelos pilotos. Os que passavam pela escola espanhola voltavam para a Alemanha repassar sua experiência para os colegas, enquanto outros iam aprender na prática. Quando estoura a II Guerra Mundial, nem um outro país do mundo tem tantos pilotos experientes em combate.

Onde você quer dizer com isso?

 


Dizem que Vicente Mateus, o presidente do Corinthias, pediu para a secretária fazer uma convocação, marcando uma reunião para uma sexta-feira. A secretária perguntou:
- Sexta-feira se escreve com x ou com s?
E ele:
- Marca a reunião para a quinta.
Se fosse hoje, ele diria:
- Coloca onde.
E a frase ficaria algo como “A Diretoria do Corinthias marca uma reunião para a onde-feira”.
Parece piada, mas é exatamente o que estão fazendo com o “onde”. “Onde” é advérbio e se refere a lugar. Tem o sentido e “no lugar em que”. Mas essa palavra virou o coringa da língua portuguesa, sendo usado no lugar de qualquer palavra que a pessoa não se lembre no momento. Assim, ele tem substituído palavras tão díspares quanto “porém”, “pois”, “quando”, “assim”, “e”, “em que”, “no qual”,  “enquanto”, “todavia” e muitas outras.
Assim, temos frases como:
A teoria ONDE o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão ONDE estava com fome.
Eu gosto de pizza, ONDE vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem ONDE professores e alunos estão separados.
Compre o produto ONDE ganhe o cupom.
O atentado aconteceu ONDE o secretário estava de férias.

Se formos levar ao pé da letra, a interpretação dessas frases seria:

A teoria NO LUGAR EM QUE o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão NO LUGAR EM QUE estava com fome.
Eu gosto de pizza, NO LUGAR EM QUE vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem NO LUGAR EM QUE professores e alunos estão separados.
Compre o produto NO LUGAR EM QUE ganhe o cupom.
O atentado aconteceu NO LUGAR EM QUE o secretário estava de férias.

Na verdade, o que se queria dizer era:

A teoria NA QUAL o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão, POIS estava com fome.
Eu gosto de pizza, PORTANTO vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem NO QUAL professores e alunos estão separados.
Compre o produto E ganhe o cupom.
O acidente aconteceu ENQUANTO o secretário estava de férias.

Algumas vezes é quase impossível entender o que o autor queria dizer, como em:
Sempre com novas atração, ONDE nosso objetivo é sua opinião.


E o cúmulo quando encontrei o seguinte exemplo em um trabalho:
Faça sua pesquisa DONDE tire uma hipótese.

Além de ser gramaticalmente incorreto, o uso indevido do ONDE dificulta a compreensão do texto, prejudicando o processo de comunicação e ocasionando equívocos. Assim, da próxima vez em que for usar a palavra ONDE, pense bem e veja se é isso mesmo que você está querendo dizer. Na dúvida, troque o “onde” por “no lugar em que”. Se der certo, o onde está correto, caso não, coloque a palavra correta.

domingo, outubro 17, 2021

Quarteto Fantástico – Naquela noite...

 


As escaramuças entre o Tocha Humana e o Coisa são famosas nas histórias do Quarteto Fantástico. Mas será que elas renderiam uma HQ inteira, só para isso? Esse foi o desafio de Barry Windsor Smith em Marvel Fanfare 15.

Na história, Bem Grinn acorda e se depara com uma série de “ciladas” meticulosamente criadas pelo Tocha. São canudinhos grudados o rosto como se fosse barba, são panquecas que explodem junto com o molho, são brinquedos que escorregam junto com o herói, levando-o até uma piscina de bolinhas...



Essa seria uma história totalmente descartável e boba nas mãos de outro artista. Mas Smith consegue transformar essa bobagem num clássico desde os primeiros quadros, em que o Coisa é acordado pelo despertador, o destrói e depois pega outro, entre dezenas de reservas no armário.



É o desenho maravilhoso e a narrativa visual que fazem com que essa história se torne especial e divertida, com o toque certo de humor.

No Brasil a história foi publicada em Homem-aranha 31, da editora Abril.    

Introdução à metodologia científica

 

Escrito em linguagem clara e simples, este livro explica os principais conceitos da metodologia e do texto científico. Atualizado de acordo com a NBR 6023:2018. Valor: 32 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Fundo do baú – A poderosa Isis

 


A Poderosa Ísis foi o segundo seriado americano a ter uma heroína como protagonista, surgindo pouco depois da Mulher Maravilha de Lynda Carter.
O seriado surgiu em 1975 e teve 22 episódios produzidos pela Filmation. A produtora já fazia o herói Shazan e resolveu criar uma super-heroina que faria parceria com ele em alguns episódios. Fez tanto sucesso que acabou virando até quadrinhos, publicados pela editora DC.
A personagem surgiu na TV e acabou sendo adaptada para os quadrinhos

A série conta a história de uma professora de ciências que descobre um amuleto de uma rainha egípcia e se transforma numa super-heroina.
A professora pronunciava as palavras “Poderosa Isis” e ganhava diversos poderes: super-força, reflexos sobre humanos e a capacidade de invocar os elementos deuses egípcios para voar, ver eventos em outros locais, fazer objetos intangíveis, parar o tempo numa área, e até revertê-lo.
Isis era interpretada pela carismática Joanna Cameron.

O Guerreiro, de Mike Grell

 


Na década de 1960, Conan se transformou numa febre. A adaptação da Marvel da obra de Robert E. Howard não só vendia muito, como gerou outras séries igualmente populares, como Sonja e Kull.

Enquanto isso, a DC comia poeira. A única série da distinta concorrente no estilo espada e magia que chegou a fazer sucesso foi o personagem Guerreiro (Warlord), de Mike Grell, publicado pela primeira vez em 1976.

A primeira história mostrava um aviador norte-americano, Travis Morgan, que, ao sobrevoar o polo norte e de repente se vê numa terra totalmente ensolarada e desconhecida, Skartaris.

Já na sua chegada ele se depara com uma mulher sendo atacada por um dinossauro que será seu interesse romântico durante toda a saga. Já nessa primeira história eles conhecem Deimos, o mago da cidade de Thera que com o tempo se tornará um dos grandes vilões da série. Aparentemente essa terra, na qual o sol jamais se punha, se encontrava no centro oco da terra e era aquecido por uma bola de gases (posteriormente o autor decidiu que o personagem tinha, na verdade, ido para outra dimensão).  



Com esse enredo, Grell fazia uma bela salada: misturava espada e magia com ficção científica, teorias da conspiração e... dinossauros! Por incrível que pareça, essa mistureba funcionou, fazendo com que o título chegasse a ser o mais vendido da DC por um período e sendo publicado por mais de uma década, perfazendo 133 edições, fora seis edições anuais.

Grell tinha o péssimo defeito de abusar do deus ex machina nas primeiras edições. Quando o personagem estava para ser morto, aparecia algo que o salvava, mas com o tempo isso foi reduzido. Além disso, Grell manejava bem a narrativa gráfica e foi melhorando cada vez mais seu desenho, tornando as histórias do personagem visualmente empolgantes. As páginas duplas da série, com uma imagem de ação espetacular, se tornaram célebres e destacavam a revista de outras publicações.

No Brasil, O Guerreiro foi publicado pela editora Ebal em revista própria e pela editora Abril na Heróis em Ação e depois na Superamigos.

Duetos Essenciais

 


Em meados da década de 1990 eu conheci o trabalho de quadrinhos de Edgar Franco e me impressionei com seu estilo (que viria a ser chamado de poético-filosófico). Eu percebi que aquele traço era muito mais adequado para transmitir ideias do que para contar histórias tradicionais. E fiz um roteiro para ele, baseado no mito da caverna, de Platão. Esse foi um dos trabalhos que marcaram a maturidade artística desse quadrinistas, a começar pela belíssima primeira página, em que desenho, textos se unem, formando uma única image. Publicada em diversos fanzines ao longo da década de 1990, essa HQ chegou a ser objetivo de apresentação em congresso no qual Edgar explicitava o processo criativo e discutia as referências filosóficas da obra. Recentemente a HQ foi publicada no álbum Duetos Essenciais, lançada em 2017 pela Marca de Fantasia.