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quinta-feira, outubro 15, 2026

Jornada nas estrelas - Onde nenhum homem jamais esteve

 

 

Depois do episódio The Cage ter sido recusado, Gene Roddemberry criou uma nova versão, com William Shatner como capitão, versão essa que se tornaria a mais famosa e conhecida de toda a franquia. 

O episódio onde nenhum homem jamais esteve mostra a transição entre uma versão e outra. 

Na história, a Enterprise encontra a sonda de uma nave desaparecida há dois séculos. Pelos registros, o próprio capitão mandou destruir a nave depois que tripulantes começaram a desenvolver dons paranormais ao passar por uma barreira energética. O mesmo ocorre com a Enterprise: ao passar pela barreira um dos tripulantes se torna um verdadeiro deus e deverá ser detido. 

Apesar do tema do poder absoluto corromper absolutamente, tão abordado no seriado, há muito aqui que não se encaixa no que conhecemos sobre o seriado. Spock, por exemplo, parece mais frio que aquele que conhecemos, e chega a sugerir o assassinato do tripulante. Aliás, a primeira cena é emblemática. Spock e Kirk estão jogando xadrez tridimensional e Kirk ganha ao jogar de maneira ilógica e impulsiva. A caracterização do personagem já aparecia ali 

Há um momento, logo no início do episódio, em que Kirk pede para ver os chefes das sessões e aparece Scott e Sulu, mas apenas como figurantes. E o médico de bordo não é McCoy. 

A falta da interação entre o trio Kirk McCoy Spock se faz sentir aqui. Há também um aspecto mais sério e menos despojado, reflexo da primeira proposta. 

Mas a maior diferença está nos uniformes. Nada das camisas coloridas e todos usam gola rolê. Talvez pelo fatos dessas golas deagastatem muito rápido, esse aspecto foi modificado na versão definitiva.

Nessa versão também as mulheres usam calças ao invés das  minissaias que se tornaram características da série.

Em tempo: há uma atriz, que aparece na ponte e que parece ter grande importância no início, a ponto de personagem principal do episódio segurar na mão dela durante a transição da barreira, sugerindo que há alguma relação entre os dois, mas depois ela é simplesmente esquecida. Coisas de Jornada nessa fase de transição.

quarta-feira, outubro 14, 2026

O rei de porcelana

 


O rei de porcelana, série coreana dirigida por Song Hyun-wook, parte de uma situação real: antigamente, em países como Coréia e Japão, o nascimento de gêmeos era visto como mau agouro. Se fosse na nobreza então, a situação era ainda pior.

A história começa com o nascimento do filho do príncipe herdeiro. Quando se descobre que se trata de uma casal de gêmeos, o desespero toma conta de todos. Quem aceitaria ser governado por um homem que dividiu o útero com uma mulher? Assim, o rei decide por matar a menina e esconder a história, matando todos os criados que de alguma forma participaram do parto.

Mas a princesa não quer ver sua filha morrer e convence o médico real a usar acumputura para simular a morte da menina, que depois é levada para local desconhecido.

Anos depois, essa menina reaparece no palácio, como uma dama de companhia e o príncipe, percebendo a semelhança entre ambos, começa a trocar de lugar com ela. Numa dessas trocas, ele acaba sendo morto e quem assume seu lugar é a irmã gêmea. A situação, entretanto, é extremamente perigosa: se um dia descobrirem a troca, todos os envolvidos podem ser mortos.

Esse mote cria a espinha dorsal de uma trama viciante, que envolve romance (a princesa, disfarçada de príncipe, apaixona-se por seu preceptor), aventura, suspense, humor e cenas de ação.

Esse talvez seja o aspecto mais interessante desse dorama (ou, o que seria mais apropriado dizer, k-drama): é uma história de amor misturada com tramas palacianas.

A direção traz algo inusitado para os ocidentais: o uso das mãos como elemento dramático. Em diversas cenas são usados planos detalhes das mãos dos personagens para demonstrar seu estado de espírito (raiva, paixão, medo) ou suas intenções.

Também vale destacar a boa escolha do elenco. Park Eun-bin, que faz o papel principal é extremamente expressiva. Embora visualmente não seja nada parecida com um homem, consegue entregar uma atuação muito diferente de quando não está como mulher. O astro K-pop Rowoon, que faz seu par romântico destaca-se por trazer alívio cômico para diversas cenas.

O rei de porcelana irá agradar diversos públicos e não só quem se interessa por histórias românticas, mas um aviso: cada capítulo tem aproximadamente uma hora e são vinte capítulos. Ou seja, é  necessário um grande comprometimento de tempo para assistir.

terça-feira, outubro 13, 2026

Trocando as bolas

 


A ciência durante muito tempo teve como base a ideia de que todos os fenômenos eram determinados como um relógio. Essa percepção surgiu diante do sucesso da teoria da gravitação universal, de Newton, que conseguia prever com exatidão até mesmo quando um cometa apareceria novamente.

Nas ciências sociais, essa imagem do mundo como relógio deu origem a duas correntes: o determinismo genético e o determinismo social. Na primeira, as pessoas eram frutos de seus gens. A carga genética virava um destino inexorável, do qual não se poderia escapar. Assim, por exemplo, o filho de um ladrão, seria, inevitavelmente, um ladrão. Já no determinismo social, as pessoas eram fruto do meio. Nessa visão, alguém se tornaria ladrão por viver em um ambiente que favorecia o crime.

O confronto entre essas duas correntes científicas deu origem a uma das comédias mais bem sucedidas da década de 1980: Trocando as bolas (Trading Places), dirigido por John Landis e laçado em 1983.

Na história, dois irmãos milionários, os Duke, são adpetos, um do determinismo social e outro do determinismo genético e resolvem fazer uma aposta. Eles usam em sua experiência o diretor-gerente de sua empresa, Louis Winthorpe III (Dan Aykroyd) e um mendigo negro chamado Billy Ray Valentine (Eddie Murphy). O fato de Valentine ser negro é uma informação importante, pois, segundo o irmão adepto do determinismo genético, “os negros já nasciam roubando”.

Winthorpe é colocado em desgraça, preso por roubo, tem sua conta no banco congelada, seus cartões de crédito confiscados enquanto Valentine é tirado das ruas, acomodado em uma mansão e colocado como gerente-geral da empresa.

O roteiro deixa muito clara a crítica tanto ao determinismo genético quanto o determinismo social, algo claramente representado pelo final, em que as duas vítimas da experiência conseguem dar a volta por cima. E faz isso com bom humor, reforçado principalmente pelas ótimas atuações, com destaque para Eddie Murphy. Algumas piadas não funcionariam hoje em dia, mas no geral o filme consegue se sustentar bem.

Uma curiosidade é a presença, na película, de Jamie Lee Curtis, que interpreta uma prostituta.

segunda-feira, outubro 12, 2026

Jornada nas estrelas – O Dia da paz

 

Embora teoricamente a Enterprise tenha uma hierarquia militar, Jornada nas Estrelas é um seriado eminemente pacifista. Nenhum episódio deixou isso tão claro quanto O dia da paz, da terceira temporada.

Escrito por Jerome Bixby, o episódio mostra a Enterprise atendendo a um pedido de socorro de uma colônia terrestre. Mas quando chega lá, não há sequer vestígio da colônia. Nesse entremeio, uma nave klingon chega ao local também atendendo a um pedido de socorro e é destruída. Apenas o capitão e alguns homens sobrevivem e passam a culpar os humanos pelo ataque.

Levados para a nave, como prisioneiros, os klingons conseguem escapar quando os feisers da tripulação humana é transformada em espadas. A partir desse ponto instala-se uma guerra nas dependências da nave.

Por trás disso está um alienígena que se alimenta de situações de ódio e violência.

Para evitar que a nave seja destruída, Kirk precisa convencer o comandante klingon, Kang, de que as hostilidades devem cessar.

O episódio é repleto de fala emblemáticas de Kirk, entre elas: “Para o resto de nossas vidas, mil existências, numa luta sem sentido, enquanto um alienígena tem total controle sobre nós. O bom e velho jogo de guerra, peão contra peão, enquanto em algum lugar, uma coisa fica observando, rindo e começa tudo outra vez”. A fala, critica a guerra ao mostrar que os que que lutam são fantoches enquanto que os que lucram com a guerra se divertem e não correm nenhum risco.

O dia da paz faz o que Jornada faz de melhor: transformar um mote de ficção científica numa metáfora de nosso mundo.  

domingo, outubro 11, 2026

Entre facas e segredos

 


Entre facas e segredos, filme de Rian Johnson disponível na Amazon Vídeo, é uma homenagem e sátira às tramas policiais de Agatha Christie.

Na trama, um escritor policial é encontrado morto no dia seguinte ao seu aniversário de 85 anos. Aparentemente cometeu suicídio, mas um detetive particular, contratado por um cliente não identificado, desconfia que ele pode ter sido assassinado. Conforme vai entrevistando as várias pessoas que estiveram presente à festa de aniversário, o detetive percebe que muitas teriam motivos para matar o escritor. É o filho cuja diretoria da editora será tirada de suas mãos, é a nora que desviava dinheiro da faculdade da filha e perderá a boquinha, é o genro que tem um caso extraconjugal descoberto pelo sogro...

No centro de toda essa trama, a enfermeira que cuidava do escritor e que vomita toda vez que conta uma mentira.

Difícil contar detalhes sem estragar as muitas reviravoltas do roteiro. Mesmo mostrando em flash back todos os acontecimentos Rian Johnson sempre guarda um segredo – o que o expectador vê pode ter acontecido, mas ter outro significado. Assim, o diretor faz um jogo com o receptor, surpreendendo-o a todo instante.

Essa trama poderia ser facilmente uma adaptação de um livro de Agatha Christie não fosse o toque de humor e o exagero proposital em algumas atuações e na própria direção. O detetive particular interpretado por Daniel Craig é prolixo, excessivamente auto-confiante, mas muitas vezes parece estar perdido na trama – e a solução sobre o caso surge de insight no último momento. Acrescente a isso uma edição rápida, ângulos e movimentos de câmera pouco convencionais e temos um filme policial realmente diferente.

sábado, outubro 10, 2026

Duas covas

 


“Antes de iniciar uma jornada de vingança, cave duas covas”. Essa citação, atribuída a Confúcio, resume e dá título à minissérie espanhola Duas Covas, disponível na Netflix.

Na história, duas garotas vão a uma festa em um local afastado e desaparecem. Algum tempo depois, o corpo de uma delas é encontrado no mar e tudo leva a crer que o corpo da outra se encontra no fundo oceano.

Depois de dois anos, até mesmo a polícia deixou de investigar o caso e todos parecem resignados, mas a avó de uma das garotas não se conforma e resolve fazer descobrir por si só o que aconteceu. Para isso, ela se alia ao pai da outra moça, um mafioso local conhecido por sua crueldade. Mas uma reviravolta muda tudo e agora resta à idosa tentar impedir o mafioso na sua jornada de sangue.

Duas Covas é um daqueles seriados policiais que se destacam pelo ótimo roteiro, em que nada é o que parece e no qual os personagens perdem o controle de suas ações. Se isso não fosse motivo o bastante para assistir Duas Covas, ainda temos o fato de que é uma série curta, de apenas três capítulos, sem enrolação, em que o expectador de fato fica no fio da navalha o tempo todo.

sexta-feira, outubro 09, 2026

Cobra Kai

 

Lançado em 1984, Karatê Kid foi um fenômeno e renovou um gênero, trazendo um novo olhar para filmes de luta. Na história, um garoto, Daniel Larusso se muda para uma nova cidade e se torna vítima dos valentões locais. Para aprender a se defender, ele convence um mestre japonês, o senhor Miyagi, a ensiná-lo karatê. O método de Miyagi é totalmente não convencional, como por exemplo coloca-lo para polir o carro, o que introduzia humor na história. Além disso, o mestre constantemente trazia filosofia oriental para as suas lições e ensinava que o karatê só pode ser usado para se defender.

Era uma quebra com com o que se via até então. O protagonista era um perdedor. A violência era vista como algo negativo e era mostrada a filosofia por trás das artes marciais.

Mais de 30 anos depois, os personagens e atores originais voltam em uma nova história, o seriado Cobra Kai, da Netflix. E, surpreendentemente, o seriado acrescenta camadas a mais na mitologia, mostrando principalmente que nem tudo é preto e branco, bom e mau (o que, aliás, reflete a filosofia taoista).

Na história, o valentão Johnny Lawrence virou um fracassado bêbado, que não consegue parar no emprego e vive de empréstimos de seu padastro. Já Daniel Larusso tornou-se um rico revendedor de carros. Curiosamente, aqui será Lawrence que exercerá o papel de mestre (que no filme original era a função do senhor Miyagi) ao ensinar karatê para um rapaz que é vítima de bullying. A experiência faz com que ele retome o Cobra Kai, a academia dos valentões dos filmes.

Nessa linha de explorar as complexidades dos personagens, ocorre uma curiosa inversão: em alguns momentos, Lawrence parece um herói, enquanto Larusso age como vilão. No fundo, entratanto, os dois são bem-intencionados e pretendem usar o karatê para ajudar seus alunos, cada um a seu modo. Há um episódio em que cada um deles, Lawrence e Larusso estão ensinando seus pupilos, e os métodos são completamente diferentes, mas ambos conseguem os resultados desejados.

É interessante também ver a versão de Johnny sobre os fatos que são mostrados em Karatê Kid. Na sua visão, Daniel era o vilão.

Tudo isso entremeado com flash backs dos filmes da década de 80 entremeados com temas atuais, como o ciberbuyilling e um elenco que convence.

Cobra Kai é uma bela surpresa.

quinta-feira, outubro 08, 2026

O rei do povo

 


Um filme indiano surpreendente por seu tema, o fanatismo religioso e por sua mensagem feminista, é O rei do povo, dirigido por Sidharth Malhotra

Na história, um jornalista luta contra um líder religioso que usa sua condição para praticar abusos contra mulheres.

A trama inicia com uma celebração religiosa repleta de danças, músicas e um pó colorido que os fieis jogam uns nos outros. Durante a festa, o líder da seita, que todos acreditam ser uma reencarnação do deus Krishna, escolhe justamente a noiva do protagonista para o “serviço divino”. Ao procurá-la no palácio e informar que se trata do noivo da escolhida, ele é autorizado a assistir ao “serviço divino” junto com outros homens que pagaram para tanto. É quando ele descobre que o tal serviço é na verdade manter relações sexuais com o líder religioso.

Toda a situação gera um conflito que leva a noiva ao suicídio e dá ao jornalista uma missão: desmascarar o suposto deus. Ele descobre além dos abusos abortos forçados e até assassinato.

Claro que alguém assim não permitiria que seus crimes fossem denunciados e faz tudo que pode, desde confiscar os jornais a fechar os templos (os fieis não podiam se alimentar antes das orações matinais, o que, teoricamente, forçaria todos a um jejum forçado) e, finalmente, uma ação judicial.

Um filme desses é surpreendente pelo fato da Índia ser um país extremamente religioso e pelo fato dessa seita existir até hoje. Aliás, o diretor foi muito cuidadoso, chegando a incluir um aviso no final, indicando que a seita não era responsável pelas ações de seu líder.

Como filme, O rei do povo é uma boa obra, que prende o leitor. Nem mesmo a mania bollywoodiana de colocar musicais em tudo atrapalha. Há, por exemplo, um musical na qual a noiva tenta convencer as outras garotas a não se entregarem para o serviço divino.

Vale destacar a atuação de Jaideep Ahlawat como o líder religioso. Sua atuação contida e meticulosa encaixa muito bem em um personagem que se acha um deus acima dos mortais. Ele consegue parecer perigoso mesmo sem modificar o tom suave de sua voz e fisionomia.

O rei do povo está disponível na Netflix.

quarta-feira, outubro 07, 2026

Jornada nas estrelas – O Dia da paz

 



Embora teoricamente a Enterprise tenha uma hierarquia militar, Jornada nas Estrelas é um seriado eminemente pacifista. Nenhum episódio deixou isso tão claro quanto O dia da paz, da terceira temporada.

Escrito por Jerome Bixby, o episódio mostra a Enterprise atendendo a um pedido de socorro de uma colônia terrestre. Mas quando chega lá, não há sequer vestígio da colônia. Nesse entremeio, uma nave klingon chega ao local também atendendo a um pedido de socorro e é destruída. Apenas o capitão e alguns homens sobrevivem e passam a culpar os humanos pelo ataque.

Levados para a nave, como prisioneiros, os klingons conseguem escapar quando os feisers da tripulação humana é transformada em espadas. A partir desse ponto instala-se uma guerra nas dependências da nave.

Por trás disso está um alienígena que se alimenta de situações de ódio e violência.

Para evitar que a nave seja destruída, Kirk precisa convencer o comandante klingon, Kang, de que as hostilidades devem cessar.

O episódio é repleto de fala emblemáticas de Kirk, entre elas: “Para o resto de nossas vidas, mil existências, numa luta sem sentido, enquanto um alienígena tem total controle sobre nós. O bom e velho jogo de guerra, peão contra peão, enquanto em algum lugar, uma coisa fica observando, rindo e começa tudo outra vez”. A fala, critica a guerra ao mostrar que os que que lutam são fantoches enquanto que os que lucram com a guerra se divertem e não correm nenhum risco.

O dia da paz faz o que Jornada faz de melhor: transformar um mote de ficção científica numa metáfora de nosso mundo.  

terça-feira, outubro 06, 2026

O dilema das redes

 


Quando pensamos em máquinas dominando o mundo, pensamos em robôs assassinos destruindo a civilização e dizimando pessoas. Mas talvez as máquinas já estejam dominando e destruindo o mundo, mas fazendo isso através das redes sociais. Esse é o grande alerta do documentário O dilema das redes sociais, de Jeff Orlowski.
Numa estrutura que mistura depoimentos com narrativa ficcional, o documentário traça uma trajetória do surgimento das redes, a forma encontrada para fazer com que elas se transformassem em negócios e a forma como elas dominaram a humanidade. O entrevistados são pessoas de peso, algumas das quais foram essenciais para esse fenômeno, incluindo ex-diretores do Google, Facebook e Twitter (todos os entrevistados simplesmente proíbem seus filhos de usarem redes sociais).
O maior problema dessas redes é que elas são algoritmos sem controle humanos criados com objetivo de fazer com que as pessoas fiquem o máximo de tempo na tela e que esse tempo seja vendido a quem pague melhor para quem quiser influenciar o comportamento dessas pessoas. Essa influência pode ser para comprar determinado produto ou fazê-las acreditar em algo.
O doc tem algumas informações impressionantes, como o aumento de depressão e de suicídios entre adolescentes que coincide com o surgimento das redes sociais – resultado direto da pressão por aceitação social através dos likes.
Mas o que mais impressiona é o resultado político disso. Notícias falsas têm seis vezes mais visualizações do que notícias verdadeiras. É da natureza humana querer preferir algo impressionante a algo corriqueiro. O problema é que o algoritmo, vendo isso, decide dar cada vez mais visibilidade para essas notícias falsas e teorias da conspiração como forma de gerar engajamento e, com isso, cada vez mais lucros. E algumas pessoas pagam para repassar novas teorias da conspiração para quem já está recebendo teorias da conspiração. O resultado estamos vendo aí: um aumento cada vez maior de pessoas que acreditam que a terra é plana, movimentos anti-vacina e o retorno de doenças erradicadas, como o sarampo.
O ápice disso foi a notícia falsa Pizzagate, segundo a qual porões de pizzarias norte-americanas estavam sendo usadas para traficar crianças – o que fez com que pessoas invadissem armadas pizzarias que sequer tinham porões.
Por outro lado, o radicalismo político também provoca um grande engajamento e com mais tempo nas redes, aumenta o lucro, então, as redes sociais estimulam ainda mais o radicalismo político, expondo as pessoas apenas a posts e notícias que concordam com suas ideias radicais. Com certeza você deve conhecer pessoas que postam o dia inteiro sobre política e só postam sobre isso. E o resultado estamos vendo aí: antigamente pessoas de espectro político totalmente diferentes conversavam e eram até amigas. Hoje o nível de radicalização chegou a um ponto que tornou isso impossível.
Essa mistura de radicalismo político com profusão de notícias falsas pode ser a fórmula para o fim da humanidade? Só o tempo dirá.

segunda-feira, outubro 05, 2026

Jornada nas estrelas – O castigo dos deuses

 


Como produzir um episódio memorável de Jornada nas estrelas com quase nenhum efeito especial, muitos poucos cenários e poucos atores? Foi esse desafio que o roteirista  Lee Erwin e o diretor Herb Wallerstein levaram a cabo no episódio o “Castigo dos deuses”, da teceira temporada.

Na história, Kirk e Spock descem a um planeta manicômio para onde levam um remédio que poderá curar os loucos, entre eles um ex-capitão de nave estelar, Garth, que, após um acidente, passou a desenvolver sonhos megalomaníacos de se tornar o mestre de todo o universo. Sua própria tripulação se revoltou contra ele quando ele ordenou a destruição de um planeta pacífico.

Ocorre que Garth aprendeu a criar uma ilusão na qual pode se fazer passar por qualquer pessoa. Usando do artifício, ele conseguiu tomar o lugar do diretor do hospital psiquiátrico. Seu plano é usar a Enterprise como meio para seus planos loucos.

Ocorre que, após aprisionar Kirk e Spock e tomar a aparência de Kirk, ele descobre que o capitão se precaviu deixando uma senha (Rainha – Rainha nível 3) que deve ser respondida com uma contrassenha.

Segue-se toda uma série de sequências de tentativas de conseguir a contrassenha que envolvem tortura física, tortura psicológica e engodo. O enredo, muito bem elaborado, trabalha muito bem esse gênio enlouquecido com reviravoltas e até uma sequência maravilhosa em que Spock deverá decidir quem é o verdadeiro capitão Kirk.

No entanto, quem se destaca no episódio é Marta, interpretada por Yvonne Craig. Ela faz uma das pacientes do hospital que aderem ao ditadura Garth, tornando-se seu par romântico ao mesmo tempo em que flerta com Kirk. Sua atuação é memorável pela complexidade que ela dá à personagem de muitas facetas: sensual, rebelde, louca, impresível, apaixonada. Numa comparação atual, ela lembra muito a Arlequina de Margot Robbie. Curiosidade: como a ideia era mostrar que ela era uma alienígena, os maquiadores a pintaram toda de verde (exceto a sola dos pés, que aparecem em alguns takes).

Em tempo: o título nacional não faz juz ao original, Whom Gods Destroy. O título foi tirado de um ditado romano: A quem os deuses querem destruir, eles primeiro enlouquecem. 

domingo, outubro 04, 2026

Jornada nas estrelas – O sobrevivente

 


A Enterprise descobre um planeta jovem cuja atmosfera e flora parece inconsistente com sua idade e Kirk resolve descer ao planeta para fazer investigações geológicas. No momento em que estão descendo, uma mulher aparece na sala de teletransporte e mata o responsável, simplmente tocando-o (todas as suas células explodem).

Quando o capitão Kirk, o Dr. McCoy , o tenente Sulu e o geólogo D'Amato descem, o planeta é abalado por um forte tremor, que, misteriosamente, envia a Enterprise milhares de anos luz de distância do local. Além disso, a mulher volta a aparecer na nave e danifica os sistema de controle do motor, que usa matéria e anti-matéria.

Isso gera um duplo suspense: a tripulação conseguirá consertar o defeito e chegar a tempo de salvar o grupo de descida? O grupo de descida conseguirá sobreviver aos ataques da mulher misteriosa?

Embora a premissa seja interessante, o roteiro peca em alguns pontos. À certa altura, por exemplo, Kirk diz que a mulher matou o responsável pelo teletransporte fazendo explodir todas as suas células, algo que ele não tinha como saber.

Além disso, por que a mulher não atacou diretamente o grupo de descida, já que seu objetivo era defender o planeta contra possíveis intrusos?

A caracterização de Spock também peca por mostrá-lo ríspido em diversos momentos, o que não condiz com sua caracterização convencional, em que ele é mostrado sempre lógico e racional, mas também amigável.

Enfim, O sobrevivente é um daqueles episódios que ficam no meio termos: não são grandes exemplos de qualidade, mas também não chegam a decepcionar.  

sábado, outubro 03, 2026

Aconteceu naquela noite

 

Aconteceu Naquela noite foi o primeiro filme de grande sucesso de Frank Capra (ganhou 5 dos principais prêmios do Oscar), o diretor que seria símbolo da era pós-recessão com suas histórias de caráter otimista. 
Em Aconteceu... uma garota (Claudette Colbert), filha de um milionário, foge de seu pai e passa a ser procurada por todo o país. Numa viagem de ônibus ela conhece um jornalista (Clark Gable) desempregado que vê na fuga uma grande reportagem capaz de fazê-lo conseguir seu emprego de volta. Os dois viajam dias juntos, de ônibus, a pé, de carona, de carro, em situações que oscilam entre o lirismo e o humor. 
Como a censura era forte na época, o diretor e roteirista usa de metáforas visuais, como o cobertor, colocado entre as camas, chamado de Muralha de Jericó. 
Capra não é inovador nem no uso da câmera, nem na montagem, mas, assim como Billy Wilder tem uma característica essencial dos grandes narradores: usa as imagens para contar a história. Não há um único take desnecessário ou mesmo planos abertos. O foco é todo nos atores e na história. Com isso, o diretor consegue criar uma química entre a dupla que só existia na tela. 
Na verdade, Clark Gable havia sido emprestado à Colúmbia como punição por sua constante recusa de roteiros na MGM e Claudette Colbert havia sido igualmente emprestada pela Paramount por medida disciplinar. Dizem que os dois se odiavam e que a atriz simplesmente não queria fazer uma das cenas mais famosas do filme, aquela em que a mocinha mostra as pernas para conseguir uma carona. 
Colbert, sempre de má vontade, acabou se encaixando bem no papel da garota mimada. Aconteceu naquela noite pode não ter a mensagem espiritual de A felicidade não se compra ou o conteúdo crítico de A mulher faz o homem. Ainda assim, é uma ótima comédia de costumes com uma das melhores duplas do cinema. E, convenhamos, o título é muito bom.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Jornada nas estrelas – O mundo finito

 


O mundo finito, episódio da terceira temporada de Jornada nas Estrelas, apresenta um plot já usado anteriormente no seriado: um computador dominando um povo inconsciente sobre sua condição.

A trama já pode ser deduzida pelo título original do episódio: For the world is hollow and I have touched the sky (O mundo é oco e eu toquei o céu). A frase, dita por um dos personagens à certa altura, resume toda a ambientação: um mundo oco que na verdade é uma nave espacial. Há dez mil anos, uma raça alienígena percebeu que seu sol iria se transformar numa supernova e escolheu um grupo para ser enviado para um lugar seguro em uma nave espacial. Por alguma razão, que não é devidamente explicada no episódio, a nave tinha o formato de um planeta. É possível deduzir que isso tivesse a intenção de manter a sanidade da gerações vindouras, evitando a claustrofobia, mas o roteiro não deixa isso claro.

Em algum momento (isso também não é explicado), o computador responsável pela navegação tomou o poder e instituiu uma espécie de religião na qual as pessoa são punidas se fizerem qualquer coisa que revele que estão numa nave (como subir numa montanha, o que permitira tocar o céu, ou ler o livro deixado pelos “criadores”).

O que há de interessante aqui é a relação de McCoy com Natira, a alta sacerdotisa. McCoy está sofrendo de uma doença incurável, o que faz com que ele decida ficar na nave asteróide, mesmo sabendo que este vai se chocar com um planeta habitado.

A trama é muito parecida com A síndrome do paraíso, episódio da mesma temporada, mas se destaca por abordar a questão da religião e de como ela pode ser uma fonte de cegueira e obediência cega.

O roteirista Rick Vollaerts aborda de forma competente os dois aspectos principais da trama.

Em tempo: as roupas dos habitantes da nave, em especial dos soldados, poderia constar em qualquer baile de carnaval.

quinta-feira, outubro 01, 2026

Decamerão – a série

 


Uma das séries mais inusitadas (e polêmicas) da Netflix no momento é Decamerão, criada por Kathleen Jordan.

Decamerão é um livro clássico, escrito por Boccaccio entre 1348 e 1353. A história se passa durante a grande peste que devastou a Europa. Um grupo de dez nobres se refugia em um castelo no campo para tentar fugir da doença e, para passar o tempo, contam histórias.

Assim, a maioria dos que conheciam o livro, esperavam uma versão semelhante, com nobres reunidos contando histórias. A versão de Kathleen Jordan não é nada disso. Embora existam alguns momentos em que os personagens contem causos, a trama é focada nos conflitos gerados por pessoas abrigadas em um castelo enquanto a peste os ronda lá fora. E isso é transformado em uma comédia, e não em um dramalhão, a começar pela sequência inicial, com os personagens fugindo da cidade enquanto corpos são jogados no rio.

Todos ali parecem ter algo a esconder: é a criada que tomou o lugar da patroa nobre, são os nobres ricos que na verdade estão falidos e sendo perseguidos por credores, são os empregados que tentam esconder a todo custo que o dono da propriedade morreu da peste, é a esposa do dono do castelo tentando esconder o fato de que não casou com ele.

De todos os personagens, o mais interessante é Tíndaro, interpretado por Douggie McMeekin, o nobre especializado em guerras romanas e que se acha um grande guerreiro, mas na verdade é totalmente inepto para qualquer tipo de batalha. Esse é o personagem que mais cresce ao longo da história e que protagoniza algumas das melhores cenas, como a desastrada tentativa de proteger o castelo contra invasores.

quarta-feira, setembro 30, 2026

O Jeremias

 


Uma agradável surpresa na Netflix é o filme mexicano O Jeremias.

A obra acompanha a trajetória de um garoto de oito anos (o Jeremias do título) que se descobre superdotado e precisa lidar com esssa situação.

O filme é narrado pelo próprio Jeremias, uma estratégia do diretor Anwar Safa que faz com que o expectador já simpatize com o protagonista desde a primeira cena.

A família está assistindo a uma novela mexicana e, no meio de uma sequência de um velório, o garoto pergunta: “Já repararam que ninguém fala mal de um morto?”, ao que é repreendido pelos que querem assistir à atração. “Desde que tenho memória, tive mais perguntas do que respostas”, diz em ele, em off. Segue-se uma deliciosa sequências de flash backs do personagem nas quais ele questionava o mundo ao seu redor (uma delas, por exemplo, mostra o garoto chorando enquanto é acalantado pela mãe, que canta nana neném “Por que achavam que cantar sobre um monstro que come crianças me faria dormir?”).

Essa sequência inicial serve tanto para apresentar o personagem quanto para demarcar a diferença dele para o resto da família, todos com baixo QI. É uma perfeita demonstração de como apresentar os personagens, ambientar e ao mesmo tempo estabelecer o tema de uma obra, tudo de maneira divertida e natural.

A diferença de Jeremias não é apenas com relação à família. Na escola ele é escarnecido pelas outras crianças e alvo de irritação da professora, já que ele questiona tudo. Sua salvação acontece quando ele, correndo de garotos que o perseguiam, vai parar ao lado de dois homens que jogavam xadrez na calçada de uma livraria. Os dois apresentam não só proteção, mas também compreensão. quando Jeremias se revela um gênio do xadrez, o que leva o dono da livraria a pagar para ele um teste de QI. É curioso que isso é feito às escondidas, uma vez que o pai se recusa a acreditar que seu filho seja um gênio.

Embora a vida de Jeremias pudesse ser um drama, afinal ele é um gênio incompreendido, sua forma de ver o mundo faz com que o filme seja suave e divertido. Afinal, é o olhar de uma criança.

Vale destacar a atuação incrível do garoto Martín Castro, que consegue dar vida ao protagonista e, ao mesmo tempo, entregar uma atuação que encaixa perfeitamente no clima da obra.

Em tempo: como logo percebemos no filme, Jeremias é um gênio exatamente por ser alguém que sempre pergunta e não vergonha de dizer que ignora algo. Exemplo disso é quando a professora pergunta algo a ele que não foi ensinado. “Você não é um gênio? Deveria saber?. “Eu sou um gênio, não um adivinho”, retruca ele.

terça-feira, setembro 29, 2026

Tempo, de M. Night Shyamalan

 


M. Night Shyamalan é um dos poucos cineastas que ainda conseguem fazer filmes autorais no cinema norte-americano numa época tomada por grandes sagas e franquias. Filmes de sucesso, como A visita e Fragmentado dão a ele cafice para contar suas próprias histórias, mas também colocam sobre suas costas uma grande responsabilidade. O expectador sempre espera histórias de suspense com finais surpresa.

Tempo, filme de 2021, segue essa linha e não decepciona.

Na história, um grupo de turistas é deixado numa praia deserta onde o tempo parece correr de maneira muito mais rápida. Em cada uma das famílias parece haver pelo menos uma pessoa com problemas de saúde, o que aumenta ainda mais o mistério sobre a situação.

Tempo não é um filme de terror. Não espere sustos. Mas funciona bem como suspense. O tempo todo está acontecendo algo e a direção privilegia isso. Nesse sentido, o que não é mostrado é mais importante do que o que é mostrado. Um close num personagem pode estar escondendo algo que está acontecendo em outro local, o que deixa o expectador tenso, sem saber o que virá a seguir (mas tendo certeza de algo está acontecendo além do que está sendo mostrado). E as situações provocadas pelo tempo acelerado vão do óbvio ao inusitado.

Como se poderia esperar de Shyamalan, este filme também tem um final surpresa – e talvez daí venha o ponto franco da obra. A trama tem toda uma possibilidade de discussão filosófica sobre o tempo (nesse sentido, o título nacional é bem melhor que o original, Old): como somos afetados pelo tempo? Realmente aproveitamos o tempo? Qual o impacto da morte de entes queridos numa época de pandemia? O final, entretanto, torna todas essas discussões rasas. 

Tempo vale pelas situações de suspense e pelas discussões que podem ser geradas a partir de sua história, e não necessariamente pelo que é estabelecido no final.

Em tempo (desculpem o trocadilho, foi mais forte que eu): muitos não sabem, mas o filme é adaptação da história em quadrinhos "Castelo de areia", de Pierre Oscar Lévy e Frederik Peeters. Ou seja, mais um filme surgido a partir dos quadrinhos. Se antigamente a literatura era a grande força criativa por trás dos cinema, hoje em dia parece que essa força são os quadrinhos.

segunda-feira, setembro 28, 2026

X-men: first class

 

Não há dúvidas: X-men first class é o dos melhor filme dos X-men da Fox. O curioso de tudo é que, antes de estrear, todos apostavam que seria mais uma bomba. Os primeiros cartazes eram estranhos, o orçamento parecia baixo demais para um filme de super-heróis (80 milhões - uma ninharia comparado com Thor, por exemplo). Muita gente dizia que só valeria a pena pela oportunidade de ver a Rainha Branca de lingiere... 
Mas a falta de dinheiro parece ter trabalhado a favor do filme: a pirotecnia de efeitos especiais e ação contínua foram substituídos por uma ótima história, um grande roteiro e um aprofundamento de personagens poucas vezes visto nos outros X-men.
A relação Xavier - Magneto, por exemplo, só é de fato compreendida nesse filme. Nos outros ela fica implícita, mas jamais é explorada de fato. A relação de amizade e inimizade cria alguns dos melhores momentos do filme.
A falta de dinheiro também contribuiu em outro ponto: sem dinheiro para usar e abusar de efeitos, o diretor deixou-os para o final. Quando finalmente vemos Magneto levantando um submarino, ficamos espantados com isso. O  impacto desse tipo de efeito se perde nos filmes de grande orçamento justamente pelo excesso.
O filme também acerta em situar a história nos anos 1960, dando um tom histórico de realismo (especialmente pelo contexto da crise dos mísseis em Cuba). Até mesmo do ponto de vista comportamental: quando os mutantes jovens se divertem dançando rock  é inevitável se lembrar da juventude dos anos 1960.
O diretor Matthew Vaughn , o mesmo de Kick Ass, lembrou de algo essencial no gênero super-heróis: todo gibi é uma diversão juvenil e isso se reflete no filme. A sequência em que os mutantes aprendem a lidar com seus poderes é memorável e divertida e prende os telespectadores na cadeira mesmo sem gastar muito com efeitos especiais.
Outro aspecto importante é a forma como o filme consegue costurar vários elementos que depois apareceriam na trilogia X-men, inclusive a forma como Xavier ficou paralítico, o capacete de Magneto, a aparência do Fera, etc.
Pessoalmente, gostei de ver a personagem Moira com um pouco mais de destaque (minha filha adorou).

Finalmente, é possível fazer uma relação interessante do antagonismo entre Xavier e Magneto e os teóricos da comunicação que Umberto Eco chamou de apocalípticos e integrados. Criado numa família rica, nos prósperos EUA, Xavier é um otimista e acredita que a relação entre humanos e mutantes é possível. Vítima de nazistas, Magneto resume sua filosofia na frase: "A paz nunca foi uma opção". Lembra a frase de Adorno: "Não é possível fazer poesia depois de Auschwitz".
A amargura de Magneto reflete a angústia da escola de Frankfurt, enquanto que a visão até certo ponto ingênua, mas bem intencionada do professor X lembra os funcionalistas norte-americanos. Não é uma relação descabida (embora Adorno não fosse gostar de se ver retratado em um filme hollywoodiano): para além da diversão, humor, drama e ação, X-men first class realmente deixa aberto um rico caminho para reflexões dos mais variados tipos. 
Um filme para assistir e assistir de novo.