quinta-feira, agosto 13, 2026
Quem foi Edgar Allan Poe?
quarta-feira, agosto 12, 2026
Perry Rhodan – Mundo de gelo em chamas
O número 33 da série Perry Rhodan destaca-se dos demais por abordar um tema delicado e, ao mesmo tempo essecial: o genocídio de uma raça inteira.
Na trama, Perry Rhodan acabou de voltar do planeta Peregrino e trouxe com ele uma arma impressionante: o transmissor fictício, capaz de transportar uma bomba atômica para dentro de qualquer nave, ultrapassando suas defesas energéticas.
Mas os perigos agora são dois: de um lado o clã dos superpesados querem dominar ou destruir a terra, do outro lado, o clã de Etzatak está prestes a destruir o mundo de gelo, onde se encontra abrigado Jullian Tifflor, Gucky e mais um grupo.
Quem se destaca no livro é justamente Gucky, que descobre uma civilização escondida nos recondidos do planeta gelado: os sonolentos, uma raça vegetal parecida com tulipas. Com seu texto primoroso, Clark Darlton faz uma ótima descrição dos mesmos: “Os longos talos sustentavam enormes coroas, que se mantinham fechadas. O formato típico das tulipas era inconfundível. O vermelho e alaranjado dominavam o quadro, mas também havia flores azuis, amarelas e roxas (...) têm pés delicados, que também desempenham a função de raízes. Podem mergulhar os pés no solo a fim de absorver água e alimentos. No verão, levam vida nômade, andam de um lugar para o outro”. Polisexuados, os casais de sonolentos são compostos por cinco indivíduos. Esses seres vegetais são também telepatas de elevada potência.
![]() |
| A capa original alemã. |
Quando percebe que foi enganado (Tifflor era apenas uma distração para que Perry Rhodan tivesse tempo de conseguir a arma com a qual venceria os adversários), o saltador Etzatak ordena a destruição do planeta gelado, lar dos sonolentos – e aqui a história ganha não só em suspense e drama, como também torna-se uma metáfora de todos os povos que já foram exterminados, a exemplo dos indígenas quando da ocupação das américas.
A descrição que Darlton faz do extermínio dos sonolentos é tocante: “No mesmo instante as moças sentiram-se dominadas por uma onda de pânico, emitidas pelos sonolentos morimbundos. As ideias que brotaram na mente da raça condenada à morte penetraram nos cérebro dos homens, enchendo-os de pavor e tristeza”.
Apesar de todas as qualidades, o livro tem uma nítida falha: Rhodan fica sabendo da existência dos sonolentos em um período em que Tifflor e Gucky estavam desaparecidos e, portanto, não poderiam ter repassado essa informação à frota.
terça-feira, agosto 11, 2026
O museu dos horrores
Eu, robô - um clássico da ficção científica
segunda-feira, agosto 10, 2026
Assassinato no Expresso do Oriente
domingo, agosto 09, 2026
A ceia dos acusados
Dashiell Hammett foi o criador do estilo policial noir. Ele foi detetive da famosa agência Pinkerton e ficava encucado com a forma pouco realista como as histórias policiais eram narradas, com detetives que resolviam tudo usando apenas a lógica.
Ao resolver colocar no papel sua prática, acabou colocando também sua visão de mundo em que todos pareciam ter um segredo sórdido a esconder. Também foi o responsável por criar o perfil do detetive cínico, as mulheres fatais e a maioria da características do cinema noir.
Um bom exemplo do estilo Hammett é A ceia dos acusados, de 1934, no qual um ex-detetive se vê envolvido com um caso de assassinato. A secretária de um inventor é morto e este o contrata (através de um advogado) para ajudar a descobrir o assassino. Ocorre que o inventor é o principal suspeito e, como um fantasma, passa o livro todo sem que nem mesmo a polícia seja capaz de achá-lo.
Hammett é habilidoso para nos dar pistas o tempo todo (o próprio título original, O homem magro, é uma grande pistas), mas nós não prestamos atenção. Na verdade, em certo ponto o livro começa a parece óbvio demais. Tudo vai em determinado caminho... até a revelação final, que é absolutamente inesperada.
Um destaque vai para os personagens, a maioria deles totalmente corruptos e parecem estar mentindo o tempo todo. Mimi, por exemplo, é o paradigma do noir: ela mente e ao ser descoberta, inventa outra mentira, ao ver que essa segunda mentira foi descoberta, mente de novo, a ponto de não se saber quando ela diz a verdade.
Eu relutei muito tempo a ler esse livro por uma razão estilística: a tradução é de Monteiro Lobato, que tem um estilo bem diverso do de Hammett e tem fama de impor seu estilo aos autores traduzidos. Ocorre que A ceia dos acusados é um livro baseado em diálogos (ótimos, por sinal) e nisso a tradução de Lobato interfere pouco. Provavelmente o ponto negativo da tradução foi no título, que tem pouco a ver com o conteúdo.
Em tempo: o livro virou filme no mesmo ano em que foi lançado, só para dar uma ideia do impacto de Hammett sobre Hollywood. Confesso que não assisti a essa versão cinematográfica.
sábado, agosto 08, 2026
Perry Rhodan – O robô espião
O número 61 da série Perry Rhodan tem uma característica completamente diferente de todos os números anteriores. Neste número, pela primeira vez, tivemos uma trama policial.
Na história, o agente de Rhodan em um mundo de microtécnicos envia uma mensagem de urgência e pede para ser resgatado. Quando chega ao planeta, o administrador do sistema solar descobre que, aparentemente, o mutante não fez o chamado de socorro. Mais: ele traz consigo a bordo um possoncal, um animal semelhante a um cão basset.
Quando realizam um salto, o sistema da nave descobre que alguém enviou a localização do mesmo para o espaço. Ao rastrearem o local de onde vem o impulso descobrem um mecanismo de localização pouco maior que um grão de poeira.
![]() |
| A capa original alemã. |
A situação é terrível: fica claro que um robô se infiltrou na tripulação da nave com o objetivo de descobrir a localização da Terra. A nave Drusus passa a fazer saltos aleatórios na tentativa de enganar no robô regente de Árcon. Mas em algum momento eles terão que voltar à Terra. Antes disso será necessário descobrir quem é o espião.
sexta-feira, agosto 07, 2026
Perry Rhodan - O sol chamejante
Os volumes finais do segundo ciclo, depois que a ameaça dos druufs já tinha sido debelada e Atlan ocupará o lugar do computador regente de Arcon, foram destinados a costurar as pontas soltas. O volume 94 tinha o objetivo de fazer isso com uma história publicada no volume 81, A nave dos antepassados. Nele, Gucky encontra uma velha nave arconida repleta de colonos que vaga pelo espaço há milhares de anos e parece estar sendo governada por um computador déspota.
No volume em questão Atlan pede que Rhodan vá atrás dessa nave, pois precisa de arconidas não degenerados para ajudá-lo a administrar o império.
O sol chamejante começa com uma situação que não tem relação nenhuma com a trama. Uma dezena de naves druufs entra na nossa dimensão e Rhodan os persegue e elimina. Essa sequência, que ocupa as 30 primeiras páginas, não tem importância nenhuma no livro e parece ter sido escrita apenas para preencher o total de páginas necessárias para o padrão da série.
É um livro tenso, escrito por um dos melhores autores da série. Pena que o início não seja promissor, o que pode afastar alguns leitores.
quinta-feira, agosto 06, 2026
Juliette Society
Perry Rhodan – Arrastados pra Andro-Alfa
O número 221 da série Perry Rhodan gira em torno de um plano do Marechal Mercant pra descobrir os planos dos alienígenas maahks, cujas naves estão se acumulando em torno do planeta Horror. Eles teriam o objetivo de atacar a Terra? Para descobrir o que está acontecendo, ele recruta um grupo de soldados cuja missão é libertar alguns maahks aprisionados pelos terranos e se infiltrarem como espiões nas linhas inimigas. Como dificilmente eles conseguirão voltar, são escolhidos homens infectados por uma doença que os fará morrer em breve.
A trama já é interessante, mas se torna ainda melhor por ser escrita por William Voltz, o melhor autor da série. Voltz escreve a história do ponto de vista de um dos soldados recrutados, como se fosse um diário que ele estivesse escrevendo. Como resultado, temos trechos deliciosos, como: “A nave Explorer 8080 em que eu viajava pousou num dos pequenos planetas desérticos cujo aspecto é pacato que nem o da cozinha da vovó – e que na verdade são venenosos que nem o cachimbo do vovô”.
Voltz caracteriza muito bem os personagens, mostrando que preferia trabalhar com personagens secundários do que os medalhões da série, como Rhodan. Destaque para o carismático Major Sorlund, cujo comportamento fleumático nos traz alguns dos momentos mais interessantes do livro – alguns muito próximos do humor.
![]() |
| A capa original alemã. |
A missão é mais difícil do que parece, pois todos devem acreditar que eles de fato estão cometendo um ato de traição, o que significa que os soldados precisarão driblar todo o esquema de segurança da base espacial – o que ocupa a maior parte do livro.
Quando eles finalmente conseguem fugir com os alienígenas, o livro entra em outra fase, agora de horror psicológico, pois tudo leva a crer que o plano deu errado e o destino dos personagens será uma morte terrível.
No livro os personagens não são mostrados como heróis imbatíveis. Voltz humaniza-os com frases como: “No interior da cabine eu tive medo. Quando chega a hora em que você encara a morte frente a frente, você acha que cada dia que ainda pode viver é uma grande benção”.
É possível que o escritor já estivesse treinando para elaborar uma equipe de personagens secundários carismática, como a que protagonizaria os números 241 e 242 da série, com a história do Planeta dos Pântanos.
quarta-feira, agosto 05, 2026
O mistério dos sete relógios
Agatha Crhistie não só é um das mais famosas autoras policiais. É também uma das mais inventivas escritoras do gênero, criando formulas que seriam repetidas à exaustão por outros autores (como a trama de pessoas num local fechado que começam a morrer uma a uma). Mas era também alguém que conseguia subverter e satirizar as regras do gênero que ajudara a estabelecer.
É exatamente o que vemos em O mistério dos sete relógios.
A trama começa numa casa de campo. Um grupo de jovens resolve dar uma lição no incorrigível Gerry Wade, incapaz de acordar antes das 11 da manhã. Eles compram 8 relógios e os colocam para despertar logo cedo em seu quarto. Mas na manhã seguinte, mesmo com a barulheira infernal, ele não acorda. Quando vão verificar, descobrem que ele está morto.
A polícia acredita que se trata de uma overdose de sonífero, mas a situação faz com que um grupo comece a investigar as circunstâncias estranhas, entre elas o fato de um dos relógios ter sido jogado no jardim e sete dos relógios terem sido organizados sobre a lareira. A trama esquenta quando um dos jovens que estava na casa aparece baleado.
Por trás desse crime parece estar um grupo secreto de sete pessoas que se identifica como horas e parece ter conexões com a máfia.
A protagonista é Bundle, uma garota corajosa, que dirige perigosamente e não consegue parar quieta.
Um diálogo dela com o pai, fina peça de humor, dá o toque do romance:
- Nem cheguei a Londres – explicou Bundle. – Atropelei um homem.
- O quê?
- Só que não foi bem assim. Ele já tinha levado um tiro.
- Mas de que jeito?
- Sei lá. Só sei que levou.
- Mas porque você deu um tiro nele?
- Não fui eu quem deu.
- Você não devia andar dando tiros por aí.
O trecho mostra o tom leve e divertido do livro. A obra brinca com chavões das histórias policiais pulps, repletas de sociedades secretas e entrega um final supreendente exatamente por brincar com esses chavões.
terça-feira, agosto 04, 2026
Príncipe Caspian
O primeiro parágrafo de príncipe Caspian, quarto volume da série crônicas de Nárnia, dá o tom da história: “Era uma vez quatro crianças – Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia – que se meteram numa aventura extraordinária, já contada no livro O leão, a feiticeira e o guarda-roupa. Abriram a porta de um guarda-roupa encantado, viram-se num mundo totalmente diferente do nosso, e nesse mundo, um país chamado Nárnia, tornaram-se reis e rainhas. Durante a permanência deles em Nárnia acharam que tinham reinado anos e anos; mas, ao regressarem pela porta do guarda-roupa à Inglaterra, parecia que a aventura não tinha levado tempo algum”.
Na trama, as crianças são transportadas de volta a Nárnia centenas de anos após a primeira viagem.
O castelo onde viviam agora está em ruínas e as criaturas mágicas são perseguidas pelos novos governantes locais: humanos vindos de outro país. Caspian é descendente direto do primeiro rei dessa nova linhagem, mas é fascinado pela antiga Nárnia e suas histórias. Quando seu tio tem um filho, ele é obrigado a fugir e se internar na floresta para não ser morto. Acaba sendo ajudado por dois anões e um texugo, que enxergam nele a possibilidade de um retorno aos velhos tempos.
Mas o rei está disposto a destruir o exército de seres encantados e a única saída é tocar a trompa dada de presente a Susana no primeiro livro - o que traz as crianças de volta à Nárnia.
O livro é escrito num estilo deliciosamente infantil, mas por traz da aparência ingênua há discussões filosóficas profundas. A trama, por exemplo, reflete duas visões de mundo. De um lado, a visão estreita, utilitária e autoritário do mundo e do outro uma visão guiada pela imaginação e pela curiosidade.
Os mais velhos estão associados ao primeiro tipo e as crianças aos segundo. Enquanto a maioria dos adultos, em especial aqueles que haviam ocupado cargos de poder, não aceita um novo mundo, crianças e jovens na maioria aderem alegremente a Aslan. Há trechos que refletem diretamente a fala de jesus sobre ser como crianças para entrar no reino do céu - indício direto da visão de mundo verdadeiramente cristã de C S Lewis. Essa visão juvenil também está associada a proteção da natureza: enquanto os mais velhos derrubam as árvores, secam as fontes, os mais jovens, exemplificados por Caspian, estão em íntima ligação com a floresta.
Ser cristão, para Lewis, está associado a manter a visão juvenil de maravilhamento com o novo e com a natureza. Essa percepção permeia toda a obra.
segunda-feira, agosto 03, 2026
Perrry Rhodan – Os sócias de Andrômeda
Dificilmente se poderia pensar em uma missão mais arriscada do que aquela cumprida pelos agentes terranos no número 222 da série Perry Rhodan.
No livro anterior, o governo do Império Solar havia identificado uma grande movimentação dos maahks em torno do sistema de Horror, o que poderia indicar uma preparação para uma invasão da Via Lactea. Para tentar descobrir o que está acontecendo, o serviço secreto resolve recrutar homens para libertarem maahks aprisionados e fugir com eles. A empreitada é tão arriscada que são escolhidos homens que estão prestes a morrer por uma doença alienígena chamada peste do centro, que paralisa a pessoa como se fosse pedra.
O que acontece com essa missão suicida é narrado no livro Os sócias de Andrômeda.
Escrito por K. H. Scheer, é um bom livro que se sustenta principalmente sobre o suspense do que acontecerá com os agentes.
Mas o livro tem outros méritos, como, por exemplo, trazer detalhes da cultura dos maahks, como o fato de, por exemplo, eles sempre serem chamados de Grek nas negociações com os arcônidas, nome seguido de um número que designa a patente. Assim, Grek-1 seria a pessoa mais graduada no local.
![]() |
| A capa alemã. |
Outra curiosidade é com relação às micro-bombas, que chegam a ser quase usadas pelos agentes em determinado momento.
O texto diz que certo físico tivera a ideia de colocar três microbombas nucleares numa lata de conserva e que estas haviam sido inspecionadas por investigadores aconenses. Um dos investigadores mordeu acidentalmente o detonador, que ficava embaixo da pele do caroço. Segundo Scheer, outro tipo de detonador passara a ser fabricado, mas não explica como funcionava.
Além da própria existência de bombas capazes de destruir um planeta do tamanho de um caroço de fruta parecer algo pouco verossímil, qual seria esse tipo de detonador possível pequeno, mas capaz de ser manuseado sem levar pelos ares tudo à volta?
Parece um daqueles casos em que, além da questão técnica, traz também a questão de praticidade.
Apesar desse aspecto, que parece forçado, é um bom livro, prejudicado apenas pelo título, que traz em si um tremendo spoiler do final.
domingo, agosto 02, 2026
O que é fascismo e outros ensaios
George Orwell é mais conhecido por seus livros de ficção, em especial A revolução dos bichos e 1984. Entretanto, ele era um grande ensaísta. Seus textos límpidos, com argumentação clara e rigorosa influenciaram muita gente, inclusive o maior articulista brasileiro, Paulo Francis. Durante muito tempo esses textos permaneceram inéditos no Brasil, mas agora estão sendo publicados pela Companhia das Letras. Entres eles se destaca O que é fascismo e outros ensaios, de grande relevância nos tempos atuais.
sábado, agosto 01, 2026
O reinado do Super-homem, de Jerry Siegel
Em 1933 o fanzine de ficção científica The advance guard of future civilization publicou um conto de Herbert Fine sobre um homem com poderes extraordinários. Teria passado despercebido se não fosse o embrião dos super-heróis e se o tal do Herbert Fine não fosse um pseudônimo de Jerry Siegel, criador do Super-homem.
Essa história chega finalmente ao Brasil em uma coleção para lá de interessante. Trata-se da Biblioteca de Livros impossíveis, capitaneada pelo escritor Rubens Angelo.
Todos os volumes contam com textos introdutórios e esse aqui explora a origem dos super-heróis e a importância desse conto para o gênero.
Quanto ao conto, apesar de toda a sua relevância histórica, é muito óbvio que se trata de um texto de alguém que ainda estava dando os primeiros passos na escrita.
Na história, um cientista procura uma cobaia na fila do pão (a história, aparentemente se passa durante a grande depressão norte-americana), até encontrar a pessoa ideal, um tal de Bill Dunn. Seu objetivo é fazer o mendigo ingerir uma substância produzida a partir de um meteoro (o que provavelmente é a origem da kriptonita). Essa substância havia provocado “uma estranha influência nos animais de laboratório aos quais era administrado”, diz o texto, sem especificar que influência era essa.
O cientista leva o mendigo para casa, manda o mordomo cuidar dele e lhe dá novas roupas (“Pela primeira vez em semanas seu rosto estava barbeado. Roupas limpas e impecavelmente passadas substituíram suas vestes desgastadas”).
A fórmula estava no café, mas após ingerir a refeição, Dunn fica desconfiado e foge da casa do cientista – é quando descobre que tem poderes. Não há nenhuma preparação nesse sentido. Ele descobre e com muita facilidade que é capaz de ler mentes, ver à distância (ele vê uma cena de combate em Marte) e ver o futuro, o que lhe permite ganhar dinheiro com apostas e bolsa de valores. Ele também é capaz de sugestionar pessoas, fazendo com que elas lhe dêem seu dinheiro.
A transformação moral do personagem é tão rápida quanto a descoberta dos poderes: de uma pessoa boa e preocupada em seguir a lei, ele logo se torna um tirano disposto a destruir o mundo.
O texto, como dito, é primário. Há metáforas que não funcionam, como “De repente, enquanto estava deitado no chão, um verdadeiro holocausto de confusão irrompeu em sua mente”. Além disso, há problemas de coerência interna. Dunn fugiu da casa do cientista barbeado e usando a roupa nova, mas Siegel esquece isso e, mais lá na frente, o descreve como um mendigo.
Vale mais como curiosidade e como registro do personagem que depois seria modificado e transformado em herói, tornando-se uma das figuras mais conhecidas do mundo, o Super-homem.
A coleção tem mais três livros (A Curiosa Experiência de Thomas Dunbar, de Gertrude M. Barrows; Eu, Robô, Eando Binder e A máquina pensante, de JJ Connington), todos inéditos ou pouco conhecidos no Brasil. Para adquiri-los, basta fazer um pix de três reais por exemplar para a chave PIX: rubensangelo@yahoo.com.br e enviar o comprovante para o Rubens Angelo: rubensgrafico@gmail.com.
sexta-feira, julho 31, 2026
Lembranças da biblioteca
Na época em que eu fazia o ensino médio, um endereço certo, visitado todo dia depois das aulas, era a biblioteca do Centur, em Belém.
Eu lia uma barbaridade. Chegava a ler até mais de um livro por semana. Era meio que para tirar o atraso, pois até os 14 anos, quando descobri a biblioteca do Centur, eu só tinha lido Aventuras de Xisto (lido e relido mais de vinte vezes).
Eu ia direto à biblioteca circulante (que emprestava livros) e procurava algo interessante. Se não encontrava nada muito bom, levava um do Júlio Verne, que era diversão garantida.
Fiz amizade com as bibliotecárias e elas me indicavam livros. Uma delas me indicou Menino de Engenho, de José Lins do Rego, um clássico da literatura regional nordestina. Mas o primeiro livro que li lá foi um volume de contos de H.G. Wells. A biblioteca tinha um mural em que ficavam as resenhas dos livros escritas pelos leitores. Incentivado pela bibliotecária, fiz uma resenha do livro de Wells (confesso que não lembro qual era o título). Com certeza foi minha primeira resenha. Chegou uma época em que todas as resenhas do mural eram de minha autoria. O curioso é que muitos anos depois, fui trabalhar no Centur e a bibliotecária que me dava dicas virou minha colega de trabalho...
Comecei a trabalhar no Centur quando eles resolveram montar a gibiteca. Antes disso, eu já freqüentava o local e ajudava as servidoras, inclusive dando dicas sobre como elas poderiam classificar as revistas em quadrinhos, que eram guardadas em caixas arquivo. Sugeri que elas fossem separadas por títulos ou por personagens. Aquelas que não tinham em quantidade suficiente para montar uma caixa, nós uníamos por gênero: humor, infantil, drama, terror, aventura, ficção-científica... antes de serem catalogcadas, as revistas ficavam todas guardadas em um armário de metal e para mim era mágico abrir aquelas portas e folhear as publicações. Era como nadar em um oceano de informação.
![]() |
| Nos dias de sábado eu podia ler clássicos, como o álbum de Flash Gordon da Ebal. |
No Centur ninguém gostava de trabalhar aos sábado. Eu gostava, pois era o dia que dava menos gente e era possível sentar para ler. Era o dia em que eu aproveitava para ler os clássicos, publicados em álbuns da Ebal ou na enorme revista GIBI. Impossível ler esse material grande e grandioso nos dias de corre-corre.
Foi nessa época em que li uma das melhores e mais desconhecidas HQs: Capitão César. O título original era Wash Tubs. O desenhista trabalhava muito bem com papel reticulado, criando efeitos fantásticos. E as histórias eram envolventes. Lembro de uma em que o Capitão César, em missão na Alemanha, acaba indo parar em um campo de concentração e escapa de lá. Propaganda norte-americana do tempo de guerra, evidentemente, mas quem liga? Como diria Spielberg, os nazistas são ótimos vilões porque não aparece ninguém com cara de pau para defende-los.






















