terça-feira, setembro 01, 2026

Sonja, a guerreira

 

 


Uma das personagens mais queridas pelos fãs de quadrinhos,  a guerreira Sonja teve uma trajetória bastante atribulada.
Para começar, ela não começou como uma guerreira da era hiboriana, nem como parceira de aventuras de Conan.
O conto no qual aparece Sonja foi publicada numa revista sobre o oriente mágico. 

Ela foi criada em 1934 por Robert E. Howard com o nome de Red Sonya de Rogatino publicada na revista The Magic Carpet (e no Brasil no livro A sombra do abutre). Era uma espadachim cuja aventura se passava na renascença italiana.
A primeira aparição de Sonja nas histórias da Marvel. 

Quando a revista de Conan começou a fazer sucesso, o roteirista Roy Thomas teve a ideia de introduzir essa personagem de Howard, situando-a na mesma época que o cimério. A estréia da personagem aconteceu na revista Conan, the barbarian 23, desenhada por Barry Smith. Smith a fez vestida com um shortinho uma camisa de cota de malha. A personagem sequer aparecia na capa, o que mostrava que não o próprio Thomas não acreditava que ela fosse muito longe.
O desenho de Maroto que mostrou pela primeira vezo icônico traje.

A sorte da ruiva mudou quando o desenhista espanhol Esteban Maroto resolveu fazer sua própria versão da heroína. Ele criou um traje estilo biquíni de cota de malha que deu uma personalidade única para Sonja, diferenciando-a de outras personagens que até então haviam aparecido em Conan.
Esse desenho apareceu pela primeira vez no fanzine Comixscene, editado por Jim Steranko. Thomas viu o desenho e publicou a versão de Maroto da heroína em Savage Tales 3. 

No terceiro número da revista Savage Sword of Conan, Maroto iria desenhar uma HQ da personagem em parceria com Neal Adams. Pronto, essa nova versão conquistou os leitores. Quando John Buscema desenhou a personagem em uma história de Conan, usou o visual criado por Maroto.  
História de Maroto e Adams publicada em Savage Sword of Conan 1.

A personagem a essa altura já tinha se tornado tão popular que ganhou um título próprio, em Marvel Feature, de 1975. O primeiro número foi desenhado por Dick Giordano, mas a partir do número 2 a revista contaria com o traço daquele que definiria para sempre seu visual e ficaria eternamente ligado à guerreira ruiva: Frank Thorne. Thorne não só aproveitou a roupa criada por Maroto, como ainda acrescentaria olhos felinos, que davam um encanto especial à personagem. 
As três versões da personagem: a original de Howard, a de Smith e a de Thorne. 

A revista, com roteiros de Bruce Jones, se tornaria uma sensação entre os leitores, mas durou apenas sete números.
A partir daí a personagem faria aparições especiais nas revistas da Marvel. Uma das mais célebres delas publicada no volume 79 da revista Marvel Team-up, em que a personagem se encontra com o Homem-aranha. Desenhada por John Byrne com roteiro de Chirs Claremont, é uma das histórias mais lembradas pelos leitores.

Thorne gostou tanto de Sonja que criou sua própria versão da personagem, a sensual Ghita. 

Escola do Rock

 

Escola de rock é um filme de 2003 dirigido por Richard Linklater, escrito por Mick White, e estrelado por Jack Black. Na história, um roqueiro fracassado se disfarça de professor substituto em uma rígida escola tradicional. Ao perceber o talento das crianças para a música, ele as convence a participar da batalha de bandas argumentando que se trata de uma competição entre escolas. 
Curioso como a maioria dos filmes sobre educação tratam de professores criativos em conflito com a educação tradicional. As crianças desenvolvem seus talentos não só musicais, mas capacidade de organização, liderança e até mesmo matemática (como o garoto que fica responsável por organizar a iluminação do show), mas o professor é repreendido mesmo quando, após ser pego com uma guitarra, usa a música para ensinar matemática para as crianças. Mas, ao contrário de outro filme muito semelhante, Sociedade dos poetas mortos, neste não temos um final depressivo. Ao contrário: o final é realmente empolgante, quando as crianças, após todas as dificuldades, conseguem se apresentar na batalha de bandas. 
Jack Black é alma do filme, com uma atuação espetacular, mas o que chama atenção são as talentosas crianças cujo talento musical fica ainda mais explícito nas cenas de improvisação musical. 
Não por acaso, o filme se tornou um enorme sucesso (Se você tem Netflix, corra para assistir, pois ele irá sair do streaming até o final do ano). 

Miracleman – Nêmesis

 



O ponto culminante da série Miracleman é, inegavelmente, o retorno de Kid Miracleman, arco que se inicia a partir da edição número 10 da revista.

No prelúdio desta história, os alienígenas responsáveis pela tecnologia que conferiu poderes aos Miracleman, visitam a Terra com o objetivo de destruir todos os seres superpoderosos. Nesse ínterim, surge mais um integrante da família: Miraclewoman. A personagem tinha mantido a consciência de seus poderes e se transformara em uma médica, atuando incógnita.

Miraclewoman, personagem criada por Alan Moore, torna-se fundamental na trama. 


A concepção de Winter, a filha de Miracleman, altera fundamentalmente o panorama. Um híbrido superpoderoso eleva a Terra à condição de "planeta inteligente". Como consequência, Miracleman e Miraclewoman são transportados para um planeta distante, onde uma conferência intergaláctica é convocada para decidir o destino de nosso planeta.

Enquanto isso, na Inglaterra, Johnny Bates (a identidade humana de Kid Miracleman) vive seu próprio inferno. Internado em um orfanato, ele sofre bullying constante dos outros garotos e resiste a dizer a palavra secreta que o transforma. Contudo, quando os garotos resolvem abusar sexualmente dele, ele finalmente se transforma, libertando seu lado maligno.

Johnny Bates resiste a se transformar em Kid Miracleman... 


Os agressores são mortos das formas mais cruéis possíveis. Ao sair do local, o vilão encontra uma enfermeira, a única pessoa que o havia tratado com dignidade. Ele finge poupá-la, apenas para voltar e esmagar sua cabeça com um soco. “Lamento. Diriam que eu fiquei frouxo, não?”, diz ele. Essa pequena sequência é simbólica: demonstra que já não há limite algum para a crueldade do personagem, cuja humanidade foi totalmente extinta.

... mas quando diz a palavra, o horror é solto no mundo. 


Quando Miracleman finalmente retorna à Inglaterra, encontra Londres transformada em um campo de extermínio. O texto descreve o horror: 

“As intermináveis horas que o maldito preenchera com séculos de sofrimento humano; as estreitas ruas laterais tomadas por quilômetros de dor. Tendo exaurido todas as crueldades banais conhecidas pelo homem ainda no início daquela tarde, ele havia avançado para inovações inconfundivelmente suas.”

Totleben se esmerou nos detalhes macabros... 


Se o texto de Alan Moore destacava a crueldade dos atos, o desenho de John Totleben torna visual todo esse horror: pessoas amarradas com arame farpado, cabeças empaladas, restos de corpos. Uma mulher com os olhos vazados e sem braços grita de dor enquanto seus filhos a acompanham, chorando.

A luta contra Kid Miracleman emerge como uma sequência visceral, superando em muitos pontos o que qualquer quadrinho de terror norte-americano havia publicado.

O desenho destaca a carnificina provocada por Kid Miracleman. 


No desfecho, para se salvar, Kid Miracleman reverte forçadamente para a forma de Johnny Bates. Resta a Miracleman tomar medidas drásticas para que essa ameaça jamais se repita, culminando em uma sequência pungente e inevitável.

Apesar de toda a popularidade de Watchmen, foi em Miracleman que Alan Moore se mostrou mais radical e foi mais longe em sua visão extrema da mitologia dos super-heróis. É lamentável que essa abordagem tenha sido, posteriormente, totalmente distorcida nos quadrinhos da década de 1990 (e, mais tarde, no cinema), resultando em heróis "realistas" e visões apocalípticas do futuro que parecem inteiramente forçadas.

Superman: Para o homem que tem tudo

 



Alan Moore escreveu três histórias do Superman. Uma delas, “O que aconteceu ao Homem de aço” é uma bela homenagem à era de prata. Uma história nostálgica até a medula. Já “Para o homem que tem tudo” é Alan Moore fazendo aquilo que o notabilizou: uma visão totalmente inovadora sobre um super-herói.
A história se passa durante o aniversário do Superman. Batman, Robin e Mulher Maravilha vão visitá-lo na Fortaleza da Solidão e o encontram paralisado com uma planta alienígena grudada ao seu peito. 
O parasita fornece ao hospedeiro a realização do seu maior sonho... 


O vilão Mongul aparece e explica que se trata da Clemência Negra, um parasita que se alimenta da bioaura de suas vítimas. Em troca, ela concede à vítima seu maior desejo. Assim, imersas em um mundo ilusório, as vítimas não reagem e se deixam sugar. Escapar dessa prisão psíquica seria como arrancar o próprio braço, explica o vilão.
Alan Moore usa o conceito para destrinchar a psicologia do Superman, suas motivações e, ao mesmo tempo, criar uma história imaginária aproveitando muitas das pontas soltas criadas por outros roteiristas.
... e o maior sonho do Superman é ser uma pessoa comum. 



No mundo de sonhos vivido pelo herói, Kripton não explodiu e Kal-El vive uma vida pacata, como cientista, é casado com uma ex-atriz e tem dois filhos.
A sacada de Alan Moore é genial: o maior sonho do Superman é não ser o Superman.
A HQ traz duas tramas paralelas: no mundo real, a Mulher Marvilha enfrenta Mongul (que lhe pergunta se ela seria a “procriadora” do Homem de aço) e Batman tenta retirar a planta.
Enquanto isso, no mundo de sonhos, Kal-El vive uma vida pacata.
Mas o sonho se transforma em pesadelo quando Kripton é tomada por um grupo de extrema direita e fica á beira da guerra civil. 


Mas há algo de podre no paraíso: Kripton está dividido por duas correntes ideológicas e o conflito entre essas duas pode levar a uma guerra civil. De um lado aqueles que acham que a zona fantasma é um tipo de tortura e culpam a família El por isso (Kara, a prima do herói, conhecida como Supermoça é agredida por um grupo). Do outro lado um grupo conservador, liderado por Jor-El, pai do Superman, que culpa imigrantes por uma suposta decadência kriptoniana e prega um retorno à velha Kripton.
Com o desenho do sempre competente Dave Gibbons essa história se tornou instantaneamente em um dos maiores clássicos do Homem de aço.