O ponto culminante da série Miracleman é, inegavelmente, o retorno de Kid Miracleman, arco que se inicia a partir da edição número 10 da revista.
No prelúdio desta história, os alienígenas responsáveis
pela tecnologia que conferiu poderes aos Miracleman, visitam a Terra com o
objetivo de destruir todos os seres superpoderosos. Nesse ínterim, surge mais
um integrante da família: Miraclewoman. A personagem tinha mantido a
consciência de seus poderes e se transformara em uma médica, atuando incógnita.
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| Miraclewoman, personagem criada por Alan Moore, torna-se fundamental na trama. |
A concepção de Winter, a filha de Miracleman, altera
fundamentalmente o panorama. Um híbrido superpoderoso eleva a Terra à condição
de "planeta inteligente". Como consequência, Miracleman e
Miraclewoman são transportados para um planeta distante, onde uma conferência
intergaláctica é convocada para decidir o destino de nosso planeta.
Enquanto isso, na Inglaterra, Johnny Bates (a identidade
humana de Kid Miracleman) vive seu próprio inferno. Internado em um orfanato,
ele sofre bullying constante dos outros garotos e resiste a dizer a
palavra secreta que o transforma. Contudo, quando os garotos resolvem abusar
sexualmente dele, ele finalmente se transforma, libertando seu lado maligno.
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| Johnny Bates resiste a se transformar em Kid Miracleman... |
Os agressores são mortos das formas mais cruéis possíveis.
Ao sair do local, o vilão encontra uma enfermeira, a única pessoa que o havia
tratado com dignidade. Ele finge poupá-la, apenas para voltar e esmagar sua
cabeça com um soco. “Lamento. Diriam que eu fiquei frouxo, não?”, diz ele. Essa
pequena sequência é simbólica: demonstra que já não há limite algum para a
crueldade do personagem, cuja humanidade foi totalmente extinta.
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| ... mas quando diz a palavra, o horror é solto no mundo. |
Quando Miracleman finalmente retorna à Inglaterra, encontra Londres transformada em um campo de extermínio. O texto descreve o horror:
“As
intermináveis horas que o maldito preenchera com séculos de sofrimento humano;
as estreitas ruas laterais tomadas por quilômetros de dor. Tendo exaurido todas
as crueldades banais conhecidas pelo homem ainda no início daquela tarde, ele
havia avançado para inovações inconfundivelmente suas.”
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| Totleben se esmerou nos detalhes macabros... |
Se o texto de Alan Moore destacava a crueldade dos atos, o
desenho de John Totleben torna visual todo esse horror: pessoas
amarradas com arame farpado, cabeças empaladas, restos de corpos. Uma mulher
com os olhos vazados e sem braços grita de dor enquanto seus filhos a
acompanham, chorando.
A luta contra Kid Miracleman emerge como uma sequência
visceral, superando em muitos pontos o que qualquer quadrinho de terror
norte-americano havia publicado.
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| O desenho destaca a carnificina provocada por Kid Miracleman. |
No desfecho, para se salvar, Kid Miracleman reverte
forçadamente para a forma de Johnny Bates. Resta a Miracleman tomar medidas
drásticas para que essa ameaça jamais se repita, culminando em uma sequência
pungente e inevitável.
Apesar de toda a popularidade de Watchmen, foi em Miracleman
que Alan Moore se mostrou mais radical e foi mais longe em sua visão extrema da
mitologia dos super-heróis. É lamentável que essa abordagem tenha sido,
posteriormente, totalmente distorcida nos quadrinhos da década de 1990 (e, mais
tarde, no cinema), resultando em heróis "realistas" e visões
apocalípticas do futuro que parecem inteiramente forçadas.






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