segunda-feira, março 05, 2018
A arte pulp de Francesco Francavilla
O prazer do sexo
Atualmente, no mundo ocidental, temos uma visão muito
específica da sexualidade. Inventamos categorias sexuais excludentes, como
homossexual, heterossexual, bissexual e congêneres, tentamos enjaular toda a
diversidade sexual nesses rótulos. Entretanto, embora essas palavras usem
radicais gregos e latinos, elas não refletem a maneira como gregos e romanos
viam o sexo. Para eles, por exemplo, um homem que se relacionava com outro
homem não era homossexual pela simples razão de que o conceito não existia. É
essa variedade de comportamentos (que podia incluir desde o incesto dinástico
aos agrupamentos militares de amantes) que se debruça o livro O prazer do sexo,
de Vicki León (Apicuri, 334 páginas).
Vicki León é especialista em pesquisas em documentos
históricos, tendo escrito os livros Mulheres audaciosas da antiguidade,
Mulheres audaciosas da Idade Média e Meu chefe é um senhor de escravos.
As fontes históricas originais consultadas pelo autor fazem
a diferença do livro no meio de vários lançamentos sobre sexualidade que
abarrotam as livrarias recentemente, muitos dos quais com pouco conteúdo. Para
entender como gregos e romanos viam o sexo, o autor consultou documentos
oficiais, como leis, cartas, narrativas teatrais e vários outros.
Uma das informações que certamente irão chocar o leitor é a
relação entre sexo e religiosidade. Num
mundo dominado pela religião cristã, no qual a sexualidade é vista como pecado,
pode ser espantoso descobrir que os antigos constantemente uniam as duas
coisas. No Egito antigo, por exemplo, o
novo Faraó deveria semear o Egito. Ele fazia isso se masturbando e ejaculando
no rio Nilo. O ritual garantiria a inundação anual do rio, providenciando a
prosperidade da região.
A palavra orgia, por exemplo, tem origem em uma cerimonia em
honra aos deuses (o mais famoso deles, Dionísio, deus grego do vinho, ou seu
equivalente romano Baco – de onde vem a palavra bacanal). As orgias, ou
bacanais, envolviam bebidas alcóolicas, danças frenéticas e segredos
espirituais – afinal, era uma cerimônia religiosa, não?
Em quase toda a antiguidade, eram comuns prostíbulos sagrados.
Havia centenas de escravas religiosas vinculadas a centenas de templos
diferentes, chamadas de cortesãs sagradas.
Na Roma antiga, um dos rituais mais famosos eram os
lupercais, ou lupercalis, em homenagem a Inuo, deus do sexo e realizado no dia
15 de fevereiro. Os mancebos começavam o dia reunindo-se nos arredores da
cidade, onde sacrificavam um bode à divindade, tiravam a pele do bode, cortavam
em tiras e faziam chicotes com elas.
Depois percorriam as ruas da cidade, seminus, o corpo reluzindo de óleo.
As moças se aglomeravam para receber uma chibatada nas nádegas. Acreditava-se
que isso afastava os espíritos maléficos, tornava a mulher mais receptiva ao
marido, dava-lhe uma boa gravidez e um parto sem incidentes. Ou seja: o sonho
de toda mulher romana.
Além disso, havia pênis na maioria dos templos. O deus Príapo,
conhecido por sua enorme ereção, era famoso na península itálica e sua imagem
aparecia em casas e muros. Objetos fálicos eram considerados uma espécie de talismã
contra o mau-olhado e as forças malignas e por essa mesma razão era comum
encontra-los na maioria das casas.
Outro aspecto interessante é a análise do autor sobre a
sexualidade, em especial grega e romana, que ele chama de polissexualidade.
Para esses povos, deveria parecer absurdo definir esta ou aquela opção sexual
como opções de vida ou práticas anti-naturais: “A questão era que não tinham de
escolher isto ou aquilo. Podiam provar de tudo, ou quase tudo”.
Na verdade, a variedade sexual era vista como natural e
muitas vezes parte do aprendizado. Na Grécia antiga, por exemplo, os casais masculinos
eram invariavelmente cidadãos livres, sempre um homem adulto com um jovem de
uma família não imediata. Essa relação era considerada pedagógica para o jovem
e podia incluir aspectos sexuais e eróticos, nos quais o jovenzinho era sempre
passivo. “Quando o adolescente atingia a plena idade adulta, o relacionamento
acabava; mais tarde ele, por sua vez, tornava-se o mentor (erastés) de um
erómenos, um jovem amado de doze a dezessete anos”.
Na verdade, se for necessária uma definição, esta será
através da dicotomia ativo versus passivo. A grande questão na antiguidade
clássica não era se a pessoa se relacionava com homens ou mulheres, mas quem
penetrava e quem era penetrado. Havia aí, por exemplo, uma relação de poder. Um
nobre poderia tranquilamente ter uma relação com seu escravo e isso não era
visto com maus olhos pela sociedade (dependo da situação, poderia até mesmo ser
elegante, como no caso dos delicatus, meninos bonitos e escravos sexuais usados
para penetração anal por parte dos homens ricos). Mas o nobre deveria sempre
manter na condição de ativo. Um escravo penetrando um nobre seria um verdadeiro
escândalo.
O ato sexual passivo era visto como tão degradante que podia
ser usado até mesmo como castigo. O adultero poderia, por exemplo, ser sodomizado
pelo marido ofendido. Mais degradante que a penetração anal passiva, só o sexo
oral. Os adeptos da felação e da cunilíngua que acabavam caindo na boca do povo
nunca eram convidados para jantar. Dizia-se que sua conduta pervertida lhes
dava um mau hálito terrível.
De aspecto negativo, o fato do livro em alguns momentos
resvalar no que podemos chamar de fofoca histórica, aspecto destacado inclusive
por alguns títulos, como “Otávia & Marco Antonio: o amor materno supera o
resto”. O leitor, no entanto, pode simplesmente ignorar essas partes.
domingo, março 04, 2018
Inspeção - adaptação da peça O inspetor geral
Inspeção surgiu de uma sugestão minha para que fizessem uma adaptação da peça O inspetor Geral, do escritor russo Nicolai Gógol, um dos meus autores prediletos. Eu e Bené já tínhamos adaptado outra obra de Gógol, ,o conto O nariz, que virou a HQ Phobus e o compadre gostou da ideia.
Na peça, os políticos corruptos de uma cidadezinha russa descobrem que irão receber a visita de um inspetor e, quando chega um espertalhão, pensam que se trata dele e passam a fazer de tudo para agradá-lo. Na nossa história, são os internos de um hospício que chamam um demônio para libertá-los (e este aparece na forma de um inspetor). Mas, como se diz: cuidado com o que você pede. Sempre há consequências. Essa história foi publicada na revista Calafrio 47.
Na peça, os políticos corruptos de uma cidadezinha russa descobrem que irão receber a visita de um inspetor e, quando chega um espertalhão, pensam que se trata dele e passam a fazer de tudo para agradá-lo. Na nossa história, são os internos de um hospício que chamam um demônio para libertá-los (e este aparece na forma de um inspetor). Mas, como se diz: cuidado com o que você pede. Sempre há consequências. Essa história foi publicada na revista Calafrio 47.
Conservadores e progressistas
Há uma famosa charge do cartunista norte-americano Gary Larson, no
qual dois homens das cavernas observam jovens passando com arco e flecha e
comentam, inconformados: “Olhe só para isso! Bons tempos aqueles em que os
homens carregavam um tacape e tinham o cérebro do tamanho de uma castanha”. A
charge representa bem o embate entre conservadores e progressistas, que existe
desde que o mundo é mundo.
Progressistas são aquelas pessoas, geralmente jovens, inconformadas
com as maneira como as coisas são e que querem realizar mudanças, fazer coisas
diferentes, de maneira diferente e, no rastro, mudar o mundo.
Exemplo disso são um grupo do século XIX, criado a partir das ideias
do Conde Cláudio Henrique de Saint Simon (1760-1825), os samsionistas. Influenciados pelo
iluminismo, eles sonhavam mudar o mundo através da ciência e da tecnologia.
Essa doutrina ajudou a criar a crença na importância social da ciência e da
técnica e influenciou poderosamente o desenvolvimento industrial. Até mesmo a
construção do Canal de Suez se deve aos samsionistas.
O escritor francês Júlio Verne era praticamente um porta-voz do
samsionismo. Em sua obra ele mostrava um mundo em que maravilhas eram possíveis
graças à ciência, uma sociedade diferente e utópica, em que existiam aviões,
submarinos e se podia dar a volta ao mundo em apenas 80 dias.
Capitão Nemo, o protagonista do mais famoso livro de Verne, 20 mil
léguas submarinas, era um revolucionário que se exila no fundo do mar por não
suportar a guerra e a opressão. Nemo sempre se coloca a favor dos oprimidos e
chega a financinar os gregos em sua luta contra o domínio turco.
Aqui, uma explicação necessária. A luta da Grécia pela liberdade foi
uma das causas que conquistaram os liberais do
século XIX. O poeta Lord Byron chegou a ir lutar a favor dos gregos. Delacroix,
o mesmo que viria a pintar o quadro “A liberdade guiando o povo”,símbolo de
todas as revoltas, fez um quadro denunciando o massacre de Chios, em que turcos
dizimaram uma vila grega que nem mesmo havia se levantado contra eles, matando
20 mil pessoas. Uma das cenas mais chocantes é do bebê que tenta mamar no peito
da mãe morta.
Outra inquietação social visível na obra de Verne é a abolição dos
escravos. Em diversos livros, mas especialmente em “Um capitão de quinze anos”,
ele mostra a escravidão como uma chaga que deveria ser eliminada da sociedade.
O fim da escravidão foi outra causa que colocou em lados opostos
conservadores e progressistas. Figuras libertárias, como o jornalista e
cartunista Ângelo Agostini, empreenderam uma luta árdua contra os escravocratas,
que achavam que o fim da escravidão seria uma ameaça à sociedade e à família
tradicional. Aliás, foi no seio dessas mesmas famílias tradicionais que
surgiram jovens abolicionistas, muitos dos quais financiavam e davam suporte
para a fuga dos escravos.
Outro exemplo: o visionário Steve Jobs, criador da Aple. Jobs mudou
tudo, praticamente criando o mundo em que vivemos. Sua proposta de computador
pessoal permitiu que milhões de pessoas no mundo inteiro tivessem acesso à era
da informação. No final dos anos 1990 os celulares estavam se tornando cada vez
menores. Alguns eram pouco maiores que uma caneta. Então Jobs bolou o I-phone,
um celular repleto de recursos, inaugurando a era dos smartphones. Depois criou
os tablets, que já vendem mais que os notebooks e permitem às pessoas acessarem
informações a qualquer momento. “Aqui é o
lugar dos malucos, rebeldes e desajustados. São as pessoas loucas o suficiente
para pensar que podem mudar o mundo que realmente o fazem”, diz Jobs, na sua
recente cinebiografia.
Jobs achava que mudanças tecnológicas estavam diretamente relacionadas
a mudanças sociais. Influenciado pelos hippies e pela contracultura, ele acreditava
que o acesso à tecnologia permitiria uma melhor participação política por parte
da população, dando voz a grupos que normalmente não tinham voz.
O famoso comercial da Aple, exibido uma única vez, em 31 de
dezembro de 1983, no super bowl, exemplifica esse aspecto político da
tecnologia. Numa clara referência ao livro 1984, de George Orwell e os dois
minutos de ódio, em que a população era doutrinada, vemos dezenas de pessoas
sentadas passivamente. Todas vestem o mesmo uniforme e são todas iguais. À
frente delas, em uma tela, uma figura autoritária, referência ao Big Brother do
romance de Orwell, diz: “Hoje celebramos o primeiro glorioso aniversário da
diretiva de purificação da informação. Nós criamos, pela primeira vez na
história, um jardim de pura ideologia, onde cada trabalhador poderá florescer
longe das pestes que causam pensamentos contraditórios. A unificação de
pensamento é uma arma mais potente do que qualquer frota ou exército da terra.
Somos um povo único, com um desejo único, uma resolução, uma causa! Nossos
inimigos falarão até a morte e nós os enterraremos em suas próprias confusões”.
No final, o narrador contropõe: “Em 24
de janeiro de 1984 a Aple lançará o Macintosh. Então você verá por que 1984 não
será como 1984”. Ou seja: para Jobs era a tecnologia de informação que evitaria
que o mundo se tornasse um regime totalitário.
Como Jobs imaginava, as tecnologias foram apropriadas pelas novas
gerações como forma de mobilização política. Jovens utilizam computadores
pessoais, tablets e smartphones para marcarem protestos, seja no mundo árabe ou
no Brasil. Protestos com muitas vozes, em que a multidão de pessoas com
cartazes diferentes, com reinvidicações diferentes, lembra o fluxo de um fluxo
de uma rede social.
São o sonho de Jobs.
Juventude, progresso social e tecnológico sempre andaram de mãos
dadas. E geralmente são eles que triunfam sobre os conservadores. Ainda bem, ou
ainda viveríamos em cavernas e andaríamos por aí carregando clavas.
sábado, março 03, 2018
Projeto de pequisa: hipótese
A hipótese é uma resposta
provisória para o problema. É sempre representada por uma frase afirmativa e
deve, preferencialmente, estabelecer a relação entre as mesmas variáveis do
problema:
EXEMPLO:
PROBLEMA: O uso do
computador torna as pessoas mais solitárias?
HIPÓTESE: O computador
promove a socialização de tímidos.
As hipóteses podem ser indutivas ou dedutivas. Se forem indutivas,
pesquisa-se vários casos para se chegar a uma lei geral. Parte-se do singular
para o universal. A hipótese dedutiva parte do universal para o singular.
Assim, formula-se uma lei geral, que deve ser confirmada ou falseada pelo
estudo dos casos. Atualmente a hipótese dedutiva é mais usada.
Lembre-se: sua hipótese pode ser confirmada ou falseada.
Sua hipótese deve permitir o falseamento, assim, quanto mais
específica for, melhor. Popper já dizia que o enunciado “Vai chover amanhã” não
é científico, pois certamente vai chover amanhã em algum lugar do mundo. É
impossível falsear essa hipótese.
Imaginemos o seguinte problema:
A doença X é causada por uma bactéria ou um vírus?
A hipótese pode ser ou “A doença X é causada por uma bactéria”
ou “A doença X é causada por um vírus”.
A hipótese: “A doença X é causada por uma bactéria ou por um vírus” não
é científica, pois é difícil de ser falseada.
Rudio (2002, p.990) explica que uma hipótese deve ser: a) plausível;
b) consistente; c) específica; d) verificável; e) clara; f) simples; g)
econômica; h) explicativa.
A seguir, analisaremos cada um desses critérios.
Plausível
A hipótese deve indicar uma situação possível de
ser admitida. Assim, diante da problemática “O remédio X cura a inflamação de
garganta?”, não serve a formulação: “O remédio X cura imediatamente não só a
inflamação de garganta, como a diarréia, o câncer de mama e alergia”. A
hipótese não é científica porque, primeiro, nenhum remédio cura imediatamente
uma doença e, segundo, nenhum remédio consegue curar doenças tão díspares
quanto inflamação de garganta, diarréia e câncer de mama. Formulações desse
tipo são características da pseudociência, não da ciência.
Consistente
A consistência indica que a hipótese não está em contradição
com o conhecimento científico existente. Ela também indica que o enunciado não
tem contradições internas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura a
inflamação de garganta, pois essa doença
não tem causas físicas e só pode ser curada
através de um processo espiritual”. A hipótese está errada, pois o
conhecimento científico tem demonstrado que a inflamação de garganta tem sim
causas físicas. Além disso, o enunciado tem uma contradição interna. Se a
doença só pode ser curada através de um processo espiritual, então um remédio
físico não pode curá-la.
É importante notar que há situações incomuns em que as hipóteses
vão contra o paradigma dominante. Entretanto, essas hipóteses revolucionárias
são baseadas em fatos científicos que não se encaixam na explicação do
paradigma, as chamadas anomalias.
Específica
O enunciado deve ser específico. Hipóteses muito amplas são
impossíveis de serem falseadas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura
doenças”. Quais são as doenças que ele cura? Em que situação? Outro exemplo:
“Em qualquer caso, em qualquer situação, o uso de psicotrópicos levará seus
consumidores a praticarem crimes”. É impossível observar qualquer caso,
qualquer situação referente a esse fenômeno. Por outro lado, uma hipótese
específica caracteriza-se como científica: “Os jovens do bairro do Congós em
Macapá, envolvidos em crimes no ano de 2000, na sua maioria, são consumidores
de drogas psicotrópicas”.
Verificável
A
hipótese deve ser verificável em termos do conhecimento científico atual.
Assim, a hipótese “O remédio X cura doenças de origem espiritual” não é
científica porque não tem como investigar o espírito humano. Outro exemplo de
hipótese que não pode ser verificada: “Os crimes são cometidos por influência
de forças malignas”
Clara
A hipótese deve ser a mais clara possível. Termos não muito
claros devem ser evitados, assim como frases repletas de períodos compostos.
Exemplo: “Num contexto holístico humano, dentro de uma perspectiva pós-moderna
do neoliberalismo contigente, o remédio X pode servir de paliativo numa
situação de enfermidade crônica”.
Simples e
econômica
Deve-se evitar todas as palavras que não são necessárias à hipótese.
Não enrole ou use uma linguagem pomposa. Exemplo: “Diante do problema dado,
pode-se afirmar que o remédio X, de ótima fórmula, cura a doença Y, que tantas
vítimas tem feito”. Para começo, toda a parte inicial da hipótese pode ser
simplesmente eliminada. “Diante do problema dado” não acrescente nada à
hipótese. Ademais, expressões como “de ótima fórmula” ou “que tantas vítimas
tem feito” só servem para embelezar a frase, mas não trazem nenhuma informação.
Podem, portanto, ser cortadas.
Explicativa
A
hipótese deve, obrigatoriamente, se relacionar com o problema. Uma hipótese que
não responda à problemática não tem utilidade. Assim, diante do problema “O
remédio X cura a doença Y? “ não serve a hipótese: “O remédio X tem um sabor
agradável”.
A arte fantástica de P. Craig Russell
P. Craig Russell é um ilustrador norte-americano especializado em fantasia. Seu traço detalhista e imaginativo se revelou perfeito para adaptações de livros fantásticos ou mitológicos, como O anel de Nibelungo. No Brasil ele ficou conhecido por seu trabalho com o personagem Elric e pelas histórias do Dr. Estranho. Russell se notabilizou também pelas parcerias com Neil Gaiman, entre elas a edição número 50 de Sandman. Aprecie o trabalho deste grande artista.
sexta-feira, março 02, 2018
Mulher diaba
Mulher Diaba no rastro de Lampião foi lançada pela editora Nova Sampa em 1992, como primeiro número da coleção Graphic Brasil. O roteiro, de Ataíde Braz emulava o estilo dos cordéis e o desenho de Colin lembrava muito as xilogravuras nordestina. A reunião desses dois talentos produziu um dos melhores quadrinhos nacionais de todos os tempos.
quinta-feira, março 01, 2018
Asterix
Asterix é o personagem mais famoso dos quadrinhos europeus e um dos mais importantes do mundo. O herói gaulês foi criado em 1959, por René Goscinny e Albert Uderzo e desde então tem arrebatado legiões de fãs no mundo todo e estrelado desenhos animados e filmes de sucesso.
Goscinny é um filho de judeus ucranianos e poloneses. Ainda criança, mudou-se com os pais para a Argentina, onde começou a trabalhar com publicidade aos 17 anos. Em 1949 recebeu uma carta de um tio instalado em Nova York e foi para os EUA, onde trabalhou no mesmo estúdio que outros grandes artistas como Harvey Kurtzman, Will Elder e John Severin, que posteriormente viriam a criar a revista MAD.
Em 1950 conheceu dois quadrinistas europeus, Jijé e Morris, que lhe apresentaram o editor Georges Troisfontaines. Este, por cortesia, disse que ele passasse em Bruxelas para lhe mostrar seus trabalhos. Só não esperava que Goscinny fosse levar esse convite a sério. Três semanas depois, Goscinny desembarcou na Bélgica e Troisfontaines não teve outro remédio senão empregá-lo em sua editora, destinando-lhe a sucursal parisiense da editora. Lá, Goscinny conheceu Uderzo e os dois começaram uma rica colaboração. Goscinny tinha um texto humorístico genial e Uderzo era um grande cartunista. Essas características já se revelam em U-pah-pah, um índio americano que tem muitas das características que depois viriam a fazer o sucesso de Asterix.
Além de escrever para Uderzo, Goscinny colabora com vários outros artistas, como Morris na série Lucky Luke.
Em 1955, Uderzo, Goscinny e o roteirista Jean-Maria Charlier tentam criar um sindicato de quadrinistas para defender suas reivindicações. Ao saber disso, Troisfontaines demitiu os três, que, desempregados, resolveram criar uma nova editora, cujo carro-chefe seria a revista Pilot. Para o número de estréia, Goscinny e Uderzo criaram um simpático gaulês chamado Asterix, mas nem de longe esperavam que eles fizessem tanto sucesso.
Em 29 de outubro de 1959 surge o primeiro número da revista, trazendo o novo personagem e é um sucesso imediato. A história se passa no auge do Império Romano, quando toda a Gália foi dominada, toda não, uma única aldeia resiste e nela vivem Asterix e seu inseparável companheiro Obelix. O segredo dessa aldeia para resistir ao invasor é uma poção mágica que lhes dá força extrarodinária, preparada pelo druida Panoramix.
Goscinny exercitou toda sua verve cômica e seu pendor para trocadilhos, que abundam na história. Mesmo os nomes dos personagens são trocadilhos. Asterix vem de asterisco e Obelix vem de Obelisco. A dupla tem um cachorro de estimação, Ideiafix, que ganhou esse nome por tinha a idéia fixa de segui-los para onde quer que eles fossem. Na história, todos os gauleses têm nomes terminados em ¨ix¨, os romanos nomes terminados em ¨us¨ (Acendealuz, Apagaluz, etc).
O humor se dava principalmente através de situações que se repetiam, mas de modo diferente. Os romanos, por exemplo, estão sempre tentando conquistador a aldeia e sempre levando sopapos (¨Esses romanos são uns neuróticos¨, diz Obelix), Obelix , que caiu na poção mágica quando bebê, está sempre querendo beber um pouquinho da poção, os piratas sempre têm seu navio afundado quando encontram com os dois heróis... (em uma das histórias mais engraçadas, os próprios piratas destroem o navio ao encontrar com Asterix e Obelix), Automatix sempre reclama dos peixes de Ordenalfabetix, o que gera uma briga na qual se envolvem todos os integrantes da aldeia... e as histórias sempre terminavam num banquete com javali assado, com o bardo Chatotorix amarrado para evitar que cante uma de suas músicas insuportáveis.
Além das histórias serem muito boas, elas representavam um sentimento nacional francês. Na década de 1950 o país perdia sua importância para a nova potência mundial, os EUA e Asterix acabou se tornando símbolo da resistência cultural francesa.
Projeto de pesquisa: problema
Todo trabalho começa com
um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. De acordo com Köche , um problema inteligente é aquele que contem uma possível
resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveis: “Um
problema de investigação delimitado expressa a possível relação que possa haver
entre, no mínimo, duas variáveis conhecidas. Deve ser uma pergunta inteligente,
isto é, que indique os possíveis caminhos que devem ser seguidos pelo
investigador”.
Assim, o problema abaixo
não é uma pergunta inteligente:
Qual o impacto das novas
tecnologias sobre o comportamento das pessoas?
O
que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa, segundo ele
não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso
da seguinte maneira:
O uso do computador torna
as pessoas mais solitárias?
Formulado assim, o
problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a
respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele
estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e
uma variável dependente (aumento de solidão).
A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.
Um outro exemplo:
Qual a causa do grande número de assassinatos com armas
brancas em Macapá?
A problemática acima, embora seja uma pergunta, não cumpre a
função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.
O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:
O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá
é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?
Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção
de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos
com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas
(variável independente).
Segundo Rudio (2002, p. 94), o problema deve apresentar três
qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma
pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de
processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do
investigador.
Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico,
pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.
Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente
não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a
ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para
essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.
Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática
que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher
sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século
XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada
por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da
seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na
literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.
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