segunda-feira, março 05, 2018

A arte pulp de Francesco Francavilla


Francesco Francavilla é um desenhista italiano fortemente influenciado pelos pulp fictions e cartazes de filmes antigos. Sua arte, com forte elementos vintage e ancorada nos artistas clássicos de quadrinhos agrada principalmente os saudosistas. Um dos seus principais trabalhos é o gibi The Black Beetle, uma homenagem aos pulps. Infelizmente pouco conhecido no Brasil, esse artista já trabalhou para a DC, para o selo Wildstorm e fez ilustrações de divulgação da fase Shadowland, do Demolidor. Também fez capas do Besouro Verde para a Dinamite.   
























O prazer do sexo



Atualmente, no mundo ocidental, temos uma visão muito específica da sexualidade. Inventamos categorias sexuais excludentes, como homossexual, heterossexual, bissexual e congêneres, tentamos enjaular toda a diversidade sexual nesses rótulos. Entretanto, embora essas palavras usem radicais gregos e latinos, elas não refletem a maneira como gregos e romanos viam o sexo. Para eles, por exemplo, um homem que se relacionava com outro homem não era homossexual pela simples razão de que o conceito não existia. É essa variedade de comportamentos (que podia incluir desde o incesto dinástico aos agrupamentos militares de amantes) que se debruça o livro O prazer do sexo, de Vicki León (Apicuri, 334 páginas).
Vicki León é especialista em pesquisas em documentos históricos, tendo escrito os livros Mulheres audaciosas da antiguidade, Mulheres audaciosas da Idade Média e Meu chefe é um senhor de escravos.
As fontes históricas originais consultadas pelo autor fazem a diferença do livro no meio de vários lançamentos sobre sexualidade que abarrotam as livrarias recentemente, muitos dos quais com pouco conteúdo. Para entender como gregos e romanos viam o sexo, o autor consultou documentos oficiais, como leis, cartas, narrativas teatrais e vários outros.
Uma das informações que certamente irão chocar o leitor é a relação entre sexo e religiosidade.  Num mundo dominado pela religião cristã, no qual a sexualidade é vista como pecado, pode ser espantoso descobrir que os antigos constantemente uniam as duas coisas.  No Egito antigo, por exemplo, o novo Faraó deveria semear o Egito. Ele fazia isso se masturbando e ejaculando no rio Nilo. O ritual garantiria a inundação anual do rio, providenciando a prosperidade da região.
A palavra orgia, por exemplo, tem origem em uma cerimonia em honra aos deuses (o mais famoso deles, Dionísio, deus grego do vinho, ou seu equivalente romano Baco – de onde vem a palavra bacanal). As orgias, ou bacanais, envolviam bebidas alcóolicas, danças frenéticas e segredos espirituais – afinal, era uma cerimônia religiosa, não?
Em quase toda a antiguidade, eram comuns prostíbulos sagrados. Havia centenas de escravas religiosas vinculadas a centenas de templos diferentes, chamadas de cortesãs sagradas.
Na Roma antiga, um dos rituais mais famosos eram os lupercais, ou lupercalis, em homenagem a Inuo, deus do sexo e realizado no dia 15 de fevereiro. Os mancebos começavam o dia reunindo-se nos arredores da cidade, onde sacrificavam um bode à divindade, tiravam a pele do bode, cortavam em tiras e faziam chicotes com elas.  Depois percorriam as ruas da cidade, seminus, o corpo reluzindo de óleo. As moças se aglomeravam para receber uma chibatada nas nádegas. Acreditava-se que isso afastava os espíritos maléficos, tornava a mulher mais receptiva ao marido, dava-lhe uma boa gravidez e um parto sem incidentes. Ou seja: o sonho de toda mulher romana.
Além disso, havia pênis na maioria dos templos. O deus Príapo, conhecido por sua enorme ereção, era famoso na península itálica e sua imagem aparecia em casas e muros. Objetos fálicos eram considerados uma espécie de talismã contra o mau-olhado e as forças malignas e por essa mesma razão era comum encontra-los na maioria das casas.  
Outro aspecto interessante é a análise do autor sobre a sexualidade, em especial grega e romana, que ele chama de polissexualidade. Para esses povos, deveria parecer absurdo definir esta ou aquela opção sexual como opções de vida ou práticas anti-naturais: “A questão era que não tinham de escolher isto ou aquilo. Podiam provar de tudo, ou quase tudo”.
Na verdade, a variedade sexual era vista como natural e muitas vezes parte do aprendizado. Na Grécia antiga, por exemplo, os casais masculinos eram invariavelmente cidadãos livres, sempre um homem adulto com um jovem de uma família não imediata. Essa relação era considerada pedagógica para o jovem e podia incluir aspectos sexuais e eróticos, nos quais o jovenzinho era sempre passivo. “Quando o adolescente atingia a plena idade adulta, o relacionamento acabava; mais tarde ele, por sua vez, tornava-se o mentor (erastés) de um erómenos, um jovem amado de doze a dezessete anos”.
Na verdade, se for necessária uma definição, esta será através da dicotomia ativo versus passivo. A grande questão na antiguidade clássica não era se a pessoa se relacionava com homens ou mulheres, mas quem penetrava e quem era penetrado. Havia aí, por exemplo, uma relação de poder. Um nobre poderia tranquilamente ter uma relação com seu escravo e isso não era visto com maus olhos pela sociedade (dependo da situação, poderia até mesmo ser elegante, como no caso dos delicatus, meninos bonitos e escravos sexuais usados para penetração anal por parte dos homens ricos). Mas o nobre deveria sempre manter na condição de ativo. Um escravo penetrando um nobre seria um verdadeiro escândalo.
O ato sexual passivo era visto como tão degradante que podia ser usado até mesmo como castigo. O adultero poderia, por exemplo, ser sodomizado pelo marido ofendido. Mais degradante que a penetração anal passiva, só o sexo oral. Os adeptos da felação e da cunilíngua que acabavam caindo na boca do povo nunca eram convidados para jantar. Dizia-se que sua conduta pervertida lhes dava um mau hálito terrível.
De aspecto negativo, o fato do livro em alguns momentos resvalar no que podemos chamar de fofoca histórica, aspecto destacado inclusive por alguns títulos, como “Otávia & Marco Antonio: o amor materno supera o resto”. O leitor, no entanto, pode simplesmente ignorar essas partes.

domingo, março 04, 2018

Inspeção - adaptação da peça O inspetor geral

Inspeção surgiu de uma sugestão minha para que fizessem uma adaptação da peça O inspetor Geral, do escritor russo Nicolai Gógol, um dos meus autores prediletos. Eu e Bené já tínhamos adaptado outra obra de Gógol, ,o conto O nariz, que virou a HQ Phobus e o compadre gostou da ideia. 
Na peça, os políticos corruptos de uma cidadezinha russa descobrem que irão receber a visita de um inspetor e, quando chega um espertalhão, pensam que se trata dele e passam a fazer de tudo para agradá-lo. Na nossa história, são os internos de um hospício que chamam um demônio para libertá-los (e este aparece na forma de um inspetor). Mas, como se diz: cuidado com o que você pede. Sempre há consequências. Essa história foi publicada na revista Calafrio 47. 

Conservadores e progressistas



Há uma famosa charge do cartunista norte-americano Gary Larson, no qual dois homens das cavernas observam jovens passando com arco e flecha e comentam, inconformados: “Olhe só para isso! Bons tempos aqueles em que os homens carregavam um tacape e tinham o cérebro do tamanho de uma castanha”. A charge representa bem o embate entre conservadores e progressistas, que existe desde que o mundo é mundo.
Progressistas são aquelas pessoas, geralmente jovens, inconformadas com as maneira como as coisas são e que querem realizar mudanças, fazer coisas diferentes, de maneira diferente e, no rastro, mudar o mundo.
Exemplo disso são um grupo do século XIX, criado a partir das ideias do Conde Cláudio Henrique de Saint Simon (1760-1825), os samsionistas. Influenciados pelo iluminismo, eles sonhavam mudar o mundo através da ciência e da tecnologia. Essa doutrina ajudou a criar a crença na importância social da ciência e da técnica e influenciou poderosamente o desenvolvimento industrial. Até mesmo a construção do Canal de Suez se deve aos samsionistas.
O escritor francês Júlio Verne era praticamente um porta-voz do samsionismo. Em sua obra ele mostrava um mundo em que maravilhas eram possíveis graças à ciência, uma sociedade diferente e utópica, em que existiam aviões, submarinos e se podia dar a volta ao mundo em apenas 80 dias.
Capitão Nemo, o protagonista do mais famoso livro de Verne, 20 mil léguas submarinas, era um revolucionário que se exila no fundo do mar por não suportar a guerra e a opressão. Nemo sempre se coloca a favor dos oprimidos e chega a financinar os gregos em sua luta contra o domínio turco.
Aqui, uma explicação necessária. A luta da Grécia pela liberdade foi uma das causas que conquistaram os liberais do  século XIX. O poeta Lord Byron chegou a ir lutar a favor dos gregos. Delacroix, o mesmo que viria a pintar o quadro “A liberdade guiando o povo”,símbolo de todas as revoltas, fez um quadro denunciando o massacre de Chios, em que turcos dizimaram uma vila grega que nem mesmo havia se levantado contra eles, matando 20 mil pessoas. Uma das cenas mais chocantes é do bebê que tenta mamar no peito da mãe morta.
Outra inquietação social visível na obra de Verne é a abolição dos escravos. Em diversos livros, mas especialmente em “Um capitão de quinze anos”, ele mostra a escravidão como uma chaga que deveria ser eliminada da sociedade.
O fim da escravidão foi outra causa que colocou em lados opostos conservadores e progressistas. Figuras libertárias, como o jornalista e cartunista Ângelo Agostini, empreenderam uma luta árdua contra os escravocratas, que achavam que o fim da escravidão seria uma ameaça à sociedade e à família tradicional. Aliás, foi no seio dessas mesmas famílias tradicionais que surgiram jovens abolicionistas, muitos dos quais financiavam e davam suporte para a fuga dos escravos.
Outro exemplo: o visionário Steve Jobs, criador da Aple. Jobs mudou tudo, praticamente criando o mundo em que vivemos. Sua proposta de computador pessoal permitiu que milhões de pessoas no mundo inteiro tivessem acesso à era da informação. No final dos anos 1990 os celulares estavam se tornando cada vez menores. Alguns eram pouco maiores que uma caneta. Então Jobs bolou o I-phone, um celular repleto de recursos, inaugurando a era dos smartphones. Depois criou os tablets, que já vendem mais que os notebooks e permitem às pessoas acessarem informações a qualquer momento. “Aqui é o lugar dos malucos, rebeldes e desajustados. São as pessoas loucas o suficiente para pensar que podem mudar o mundo que realmente o fazem”, diz Jobs, na sua recente cinebiografia.
Jobs achava que mudanças tecnológicas estavam diretamente relacionadas a mudanças sociais. Influenciado pelos hippies e pela contracultura, ele acreditava que o acesso à tecnologia permitiria uma melhor participação política por parte da população, dando voz a grupos que normalmente não tinham voz.
O famoso comercial da Aple, exibido uma única vez, em 31 de dezembro de 1983, no super bowl, exemplifica esse aspecto político da tecnologia. Numa clara referência ao livro 1984, de George Orwell e os dois minutos de ódio, em que a população era doutrinada, vemos dezenas de pessoas sentadas passivamente. Todas vestem o mesmo uniforme e são todas iguais. À frente delas, em uma tela, uma figura autoritária, referência ao Big Brother do romance de Orwell, diz: “Hoje celebramos o primeiro glorioso aniversário da diretiva de purificação da informação. Nós criamos, pela primeira vez na história, um jardim de pura ideologia, onde cada trabalhador poderá florescer longe das pestes que causam pensamentos contraditórios. A unificação de pensamento é uma arma mais potente do que qualquer frota ou exército da terra. Somos um povo único, com um desejo único, uma resolução, uma causa! Nossos inimigos falarão até a morte e nós os enterraremos em suas próprias confusões”. No final, o narrador contropõe:  “Em 24 de janeiro de 1984 a Aple lançará o Macintosh. Então você verá por que 1984 não será como 1984”. Ou seja: para Jobs era a tecnologia de informação que evitaria que o mundo se tornasse um regime totalitário.  
Como Jobs imaginava, as tecnologias foram apropriadas pelas novas gerações como forma de mobilização política. Jovens utilizam computadores pessoais, tablets e smartphones para marcarem protestos, seja no mundo árabe ou no Brasil. Protestos com muitas vozes, em que a multidão de pessoas com cartazes diferentes, com reinvidicações diferentes, lembra o fluxo de um fluxo de uma rede social.
São o sonho de Jobs.

Juventude, progresso social e tecnológico sempre andaram de mãos dadas. E geralmente são eles que triunfam sobre os conservadores. Ainda bem, ou ainda viveríamos em cavernas e andaríamos por aí carregando clavas. 

Solomon Asch - Aceitação do errado por conformidade ao grupo .

sábado, março 03, 2018

Projeto de pequisa: hipótese

A hipótese é uma resposta provisória para o problema. É sempre representada por uma frase afirmativa e deve, preferencialmente, estabelecer a relação entre as mesmas variáveis do problema:

EXEMPLO:

PROBLEMA: O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

HIPÓTESE: O computador promove a socialização de tímidos.

         As hipóteses podem ser indutivas ou dedutivas. Se forem indutivas, pesquisa-se vários casos para se chegar a uma lei geral. Parte-se do singular para o universal. A hipótese dedutiva parte do universal para o singular. Assim, formula-se uma lei geral, que deve ser confirmada ou falseada pelo estudo dos casos. Atualmente a hipótese dedutiva é mais usada.
         Lembre-se: sua hipótese pode ser confirmada ou falseada.
         Sua hipótese deve permitir o falseamento, assim, quanto mais específica for, melhor. Popper já dizia que o enunciado “Vai chover amanhã” não é científico, pois certamente vai chover amanhã em algum lugar do mundo. É impossível falsear essa hipótese.
         Imaginemos o seguinte problema:
         A doença X é causada por uma bactéria ou um vírus?
         A hipótese pode ser ou “A doença X é causada por uma bactéria” ou “A doença X é causada por um vírus”.  A hipótese: “A doença X é causada por uma bactéria ou por um vírus” não é científica, pois é difícil de ser falseada.
         Rudio (2002, p.990) explica que uma hipótese deve ser: a) plausível; b) consistente; c) específica; d) verificável; e) clara; f) simples; g) econômica; h) explicativa.
         A seguir, analisaremos cada um desses critérios.
Plausível
A hipótese deve indicar uma situação possível de ser admitida. Assim, diante da problemática “O remédio X cura a inflamação de garganta?”, não serve a formulação: “O remédio X cura imediatamente não só a inflamação de garganta, como a diarréia, o câncer de mama e alergia”. A hipótese não é científica porque, primeiro, nenhum remédio cura imediatamente uma doença e, segundo, nenhum remédio consegue curar doenças tão díspares quanto inflamação de garganta, diarréia e câncer de mama. Formulações desse tipo são características da pseudociência, não da ciência.

Consistente
         A consistência indica que a hipótese não está em contradição com o conhecimento científico existente. Ela também indica que o enunciado não tem contradições internas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura a inflamação de garganta, pois essa  doença não tem causas físicas e só pode ser curada  através de um processo espiritual”. A hipótese está errada, pois o conhecimento científico tem demonstrado que a inflamação de garganta tem sim causas físicas. Além disso, o enunciado tem uma contradição interna. Se a doença só pode ser curada através de um processo espiritual, então um remédio físico não pode curá-la.
         É importante notar que há situações incomuns em que as hipóteses vão contra o paradigma dominante. Entretanto, essas hipóteses revolucionárias são baseadas em fatos científicos que não se encaixam na explicação do paradigma, as chamadas anomalias.

Específica
         O enunciado deve ser específico. Hipóteses muito amplas são impossíveis de serem falseadas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura doenças”. Quais são as doenças que ele cura? Em que situação? Outro exemplo: “Em qualquer caso, em qualquer situação, o uso de psicotrópicos levará seus consumidores a praticarem crimes”. É impossível observar qualquer caso, qualquer situação referente a esse fenômeno. Por outro lado, uma hipótese específica caracteriza-se como científica: “Os jovens do bairro do Congós em Macapá, envolvidos em crimes no ano de 2000, na sua maioria, são consumidores de drogas psicotrópicas”.

Verificável
         A hipótese deve ser verificável em termos do conhecimento científico atual. Assim, a hipótese “O remédio X cura doenças de origem espiritual” não é científica porque não tem como investigar o espírito humano. Outro exemplo de hipótese que não pode ser verificada: “Os crimes são cometidos por influência de forças malignas”

Clara
         A hipótese deve ser a mais clara possível. Termos não muito claros devem ser evitados, assim como frases repletas de períodos compostos. Exemplo: “Num contexto holístico humano, dentro de uma perspectiva pós-moderna do neoliberalismo contigente, o remédio X pode servir de paliativo numa situação de enfermidade crônica”.
Simples e econômica
         Deve-se evitar todas as palavras que não são necessárias à hipótese. Não enrole ou use uma linguagem pomposa. Exemplo: “Diante do problema dado, pode-se afirmar que o remédio X, de ótima fórmula, cura a doença Y, que tantas vítimas tem feito”. Para começo, toda a parte inicial da hipótese pode ser simplesmente eliminada. “Diante do problema dado” não acrescente nada à hipótese. Ademais, expressões como “de ótima fórmula” ou “que tantas vítimas tem feito” só servem para embelezar a frase, mas não trazem nenhuma informação. Podem, portanto, ser cortadas.

Explicativa

         A hipótese deve, obrigatoriamente, se relacionar com o problema. Uma hipótese que não responda à problemática não tem utilidade. Assim, diante do problema “O remédio X cura a doença Y? “ não serve a hipótese: “O remédio X tem um sabor agradável”.

A arte fantástica de P. Craig Russell

P. Craig Russell é um ilustrador norte-americano especializado em fantasia. Seu traço detalhista e imaginativo se revelou perfeito para adaptações de livros fantásticos ou mitológicos, como O anel de Nibelungo. No Brasil ele ficou conhecido por seu trabalho com o personagem Elric e pelas histórias do Dr. Estranho. Russell se notabilizou também pelas parcerias com Neil Gaiman, entre elas a edição número 50 de Sandman. Aprecie o trabalho deste grande artista.













sexta-feira, março 02, 2018

Mulher diaba

Mulher Diaba no rastro de Lampião foi lançada pela editora Nova Sampa em 1992, como primeiro número da coleção Graphic Brasil. O roteiro, de Ataíde Braz emulava o estilo dos cordéis e o desenho de Colin lembrava muito as xilogravuras nordestina. A reunião desses dois talentos produziu  um dos melhores quadrinhos nacionais de todos os tempos.

quinta-feira, março 01, 2018

Asterix


Asterix é o personagem mais famoso dos quadrinhos europeus e um dos mais importantes do mundo. O herói gaulês foi criado em 1959, por René Goscinny e Albert Uderzo e desde então tem arrebatado legiões de fãs no mundo todo e estrelado desenhos animados e filmes de sucesso.
     Goscinny é um filho de judeus ucranianos e poloneses. Ainda criança, mudou-se com os pais para a Argentina, onde começou a trabalhar com publicidade aos 17 anos. Em 1949 recebeu uma carta de um tio instalado em Nova York e foi para os EUA, onde trabalhou no mesmo estúdio que outros grandes artistas como Harvey Kurtzman, Will Elder e John Severin, que posteriormente viriam a criar a revista MAD.
     Em 1950 conheceu dois quadrinistas europeus, Jijé e Morris, que lhe apresentaram o editor Georges Troisfontaines. Este, por cortesia, disse que ele passasse em Bruxelas para lhe mostrar seus trabalhos. Só não esperava que Goscinny fosse levar esse convite a sério. Três semanas depois, Goscinny desembarcou na Bélgica e Troisfontaines não teve outro remédio senão empregá-lo em sua editora, destinando-lhe a sucursal parisiense da editora. Lá, Goscinny conheceu Uderzo e os dois começaram uma rica colaboração. Goscinny tinha um texto humorístico genial e Uderzo era um grande cartunista. Essas características já se revelam em U-pah-pah, um índio americano que tem muitas das características que depois viriam a fazer o sucesso de Asterix.
     Além de escrever para Uderzo, Goscinny colabora com vários outros artistas, como Morris na série Lucky Luke.
     Em 1955, Uderzo, Goscinny e o roteirista Jean-Maria Charlier tentam criar um sindicato de quadrinistas para defender suas reivindicações.  Ao saber disso, Troisfontaines demitiu os três, que, desempregados, resolveram criar uma nova editora, cujo carro-chefe seria a revista Pilot. Para o número de estréia, Goscinny e Uderzo criaram um simpático gaulês chamado Asterix, mas nem de longe esperavam que eles fizessem tanto sucesso.
     Em 29 de outubro de 1959 surge o primeiro número da revista, trazendo o novo personagem e é um sucesso imediato. A história se passa no auge do Império Romano, quando toda a Gália foi dominada, toda não, uma única aldeia resiste e nela vivem Asterix e seu inseparável companheiro Obelix. O segredo dessa aldeia para resistir ao invasor é uma poção mágica que lhes dá força extrarodinária, preparada pelo druida Panoramix.
     Goscinny exercitou toda sua verve cômica e seu pendor para trocadilhos, que abundam na história. Mesmo os nomes dos personagens são trocadilhos. Asterix vem de asterisco e Obelix vem de Obelisco. A dupla tem um cachorro de estimação, Ideiafix, que ganhou esse nome por tinha a idéia fixa de segui-los para onde quer que eles fossem. Na história, todos os gauleses têm nomes terminados em ¨ix¨, os romanos nomes terminados em ¨us¨ (Acendealuz, Apagaluz, etc).
     O humor se dava principalmente através de situações que se repetiam, mas de modo diferente. Os romanos, por exemplo, estão sempre tentando conquistador a aldeia e sempre levando sopapos  (¨Esses romanos são uns neuróticos¨, diz Obelix), Obelix , que caiu na poção mágica quando bebê, está sempre querendo beber um pouquinho da poção, os piratas sempre têm seu navio afundado quando encontram com os dois heróis... (em uma das histórias mais engraçadas, os próprios piratas destroem o navio ao encontrar com Asterix e Obelix), Automatix sempre reclama dos peixes de Ordenalfabetix, o que gera uma briga na qual se envolvem todos os integrantes da aldeia... e as histórias sempre terminavam num banquete com javali assado, com o bardo Chatotorix amarrado para evitar que cante uma de suas músicas insuportáveis.

     Além das histórias serem muito boas, elas representavam um sentimento nacional francês. Na década de 1950 o país perdia sua importância para a nova potência mundial, os EUA e Asterix acabou se tornando símbolo da resistência cultural francesa. 

Projeto de pesquisa: problema

Todo trabalho começa com um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. De acordo com Köche , um problema inteligente é aquele que contem uma possível resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveis: “Um problema de investigação delimitado expressa a possível relação que possa haver entre, no mínimo, duas variáveis conhecidas. Deve ser uma pergunta inteligente, isto é, que indique os possíveis caminhos que devem ser seguidos pelo investigador”.

Assim, o problema abaixo não é uma pergunta inteligente:

Qual o impacto das novas tecnologias sobre o comportamento das pessoas?

         O que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa, segundo ele não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso da seguinte maneira:

O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

Formulado assim, o problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e uma variável dependente (aumento de solidão).
         A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.
         Um outro exemplo:
         Qual a causa do grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá?
         A problemática acima, embora seja uma pergunta, não cumpre a função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.
         O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:
         O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?
         Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (variável independente).
         Segundo Rudio (2002, p. 94), o problema deve apresentar três qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do investigador. 
         Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico, pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.
         Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.

         Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.