Filme foi assistido por 4,7 milhões de pessoas em 37 dias.E segue há seis semanas na liderança dos mais vistos no país. Leia mais.
Comentário: Parece que a fórmula da rede Globo de fazer filmes com astros globais está finalmente funcionando...
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Plano de voo

Ontem passou Plano de voo, filme com Jodie Foster. É a história de uma mulher cuja filha desaparece num avião. Seria um filme médio, não fosse a atuação de Jodie Foster. O roteiro, apesar do final pífio, é bem construído. Gostei da maneira como os roteiristas (Billy Ray e Peter A. Dowling) conseguiam resolver a situação sempre que o filme chegava num ponto de estrangulamento (quando você acha que não dá mais para desenvolver a trama). Nesse sentido, lembrou A morte pede carona.
Os estóicos e a felicidade

Um dos principais representantes da corrente filosófica estoicismo, na Grécia antiga, foi o escravo Epíteto.Como escravo, Epíteto deparava-se com um problema que dizia respeito diretamente à sua felicidade. Ao pensarmos na relação senhor-escravo, todos imaginam imediatamente que o senhor será feliz e o escravo infeliz. Afinal, o senhor tem tudo o necessário à felicidade: as melhores comidas, as melhores roupas, os mais variados divertimentos... e não precisa trabalhar. Já o escravo não tem nada, nem mesmo o seu próprio corpo, que pertence ao senhor.
Como o escravo poderia ser mais feliz que o seu dono? Isso seria possível?
O filósofo resolveu a questão através de uma inversão de valores. Para ele, o que nos deixa felizes não são as coisas que temos, mas o significado que damos a elas. Por exemplo, se um belíssimo carro nos lembra uma pessoa querida, que morreu, esse carro será fonte não de alegrias, mas de tristezas.
Para Epíteto, o que nos torna felizes é a forma como encaramos aquilo que nos ocorre. Assim, devemos distinguir entre as coisas que podemos mudar e aquelas que não podemos mudar. Entristecer-se ou preocupar-se com algo que não podemos mudar, é tolice.Esse ponto de vista foi expresso na frase: “Deus me dê paciência para agüentar aquilo que não pode ser mudado, coragem para mudar aquilo que pode ser mudado e principalmente sabedoria para distinguir um do outro”.
Mas os estóicos não só propunham paciência para aquilo que não pode ser mudado. Na verdade, os infortúnios podem ser fonte de felicidade, dependendo do sentido que se dá a isso. Se tudo que tenho é minha roupa do corpo, mas amo essa roupa, ela é fonte de felicidade. Essencialmente, o que importa é a atitude mental. “Se sou forçado a morrer, porém não entre gemidos, a ir para a prisão, mas não em meio a lamentações, a sofrer o exílio, mas o que impede que seja alegremente e de bom humor?”, dizia Epíteto.
Para ele, o que nós realmente possuímos não são os bens, os amigos, a saúde, nem o nosso próprio corpo, mas apenas o uso de nossas representações, o significado que damos às coisas que nos ocorrem, pois ninguém pode nos forçar a um uso que não desejamos.
Assim, para estóicos, devemos passar pelos momentos tristes da mesma forma que passaríamos pelos alegres.É tolo aquele que no dia de sol, reclama de calor e num dia de inverno, reclama do frio. Sábio é aquele que sabe usufruir o melhor tanto do inverno quanto da doença.
Curiosamente, o estoicismo, uma filosofia que tinha como um dos principais representantes um escravo, foi adotado por pessoas ricas e poderosas. O imperador Marco Aurélio (que aparece no filme Gladiador) foi um dos mais importantes adeptos do estoicismo.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Projeto livro livre já está em Roraima
O projeto Livro Livre Amapá está fazendo sucesso. Vários professores e alunos vieram falar comigo sobre o assunto. E descobri que nosso movimento inspirou a criação de um movimento semelhante em Roraima, que está sendo puxado pelo blog Política com Pimenta. No próprio blog é dito que a iniciativa amapaense serviu de inspiração para o projeto lá.
História do Brasil em quadrinhos

Li o História do Brasil em quadrinhos, dos roteiristas Jota Silvestre e Edson Rossatto com desenhos de Laudo, Celso Kodama e Omar Viñole. Antes de analisar a obra, é necessário comentar a dificuldade que é fazer uma HQ didática. Pouca gente sabe fazer isso. No Brasil, o exemplo mais clássico é o estúdio Maurício de Sousa, que já fez ótimos trabalhos nesse ramo. Para fazer esse tipo de trabalho, é necessário lembrar de um item básico: quadrinhos existem para divertir. Esse aspecto muitas vezes é esquecido em algumas obras que se propõe a fazer essa junção de educação com HQ, o que fez com que muita gente dissesse ser impossível fazer bons quadrinhos educativo. Mas quem foi que disse que aprender não é divertido? Monteiro Lobato está aí para provar diversão e aprendizado podem sim andar juntos.
Os autores de História do Brasil em quadrinhos tiveram esse cuidado. A obra é divertida e interessante. Percebe-se, por exemplo, que houve a preocupação de atingir o público infanto-juvenil, ao colocar como protagonistas três crianças em visita ao Museu do I
piranga. As crianças estão fugindo dali porque não gostam de história, e encontram com um professor de história que vai ser o narrador da história. Do ponto de vista do roteiro, é uma boa estratégia colocar personagens com os quais o público-alvo possam se identificar. Assim, na medida em que os personagens começam a se interessar pela história do Brasil, o leitor também vai junto.

Há alguns pequenos problemas. Achei, por exemplo, que as crianças começam a se interessar muito rápido pelo assunto. Mas não é nada que atrapalhe.
Os desenhos do Laudo, como sempre, estão muito bons e nem precisam de mais comentários. Taí um cara que transita bem entre vários gêneros.
Espero ver mais e mais lançamentos desse tipo. Em outros países, as histórias em quadrinhos são largamente usadas como recurso didático. No Brasil, ainda são poucas iniciativas, infelizmente.
História do Brasil em quadrinhos é um lançamento da editora Europa.
domingo, fevereiro 08, 2009
sábado, fevereiro 07, 2009
E-book dos Exploradores do Desconhecido ganha resenha elogiosa

O meu e-book Amanhã é ontem, baseado na história em quadrinhos minha e do Jean Okada, mereceu uma resenha elogiosa de Raul Bittencourt, do blog Adega do Raul:
¨O cenário aonde os personagens interagem é de fato alienígena a eles, diferente das suas experiências habituais, gerando no leitor uma expectativa sobre o que se esconde adiante. A justificativa para a situação na qual se encontravam também é muito interessante, sendo bem resolvida e partindo de pressupostos aceitáveis no contexto da história.Em suma, é um ótimo material de ficção cientifica, escrito por Gian Danton, e muito bem ilustrado, que vale a pena ser lido, não por ser gratuito ou brasileiro, mas por suas qualidades intrínsecas acima da média do que normalmente é distribuído na rede¨.
200 anos de Darwin
1916: Nascimento do Dadaísmo

Em 5 de fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o ponto de encontro para artistas "Cabaret Voltaire". Era o início do dadaísmo, uma tendência artística antiburguesa que se baseia no irracional.
"O dadaísmo é o produto da tensão dialética entre os ímpetos redutivo e criativo da atividade artística." Assim o descreve a historiadora de Arte Karin Thomas. Mas é também possível expressar-se de outra forma: "Dada é a vida sem pantufas e sem paralelas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro", pois "a arte não é séria", proclamava o escritor francês Tristan Tzara.
Tudo começou em 5 de fevereiro de 1916. Poucos dias antes da Batalha de Verdun, o poeta, diretor, anarquista e místico alemão Hugo Ball promoveu a primeira soirée de seu Cabaret Voltaire na parte antiga de Zurique. Ele queria realizar lá o que chamou de "coisas bonitas".
Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objetos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: "O almirante tenta alugar uma casa". Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério. Leia mais
"O dadaísmo é o produto da tensão dialética entre os ímpetos redutivo e criativo da atividade artística." Assim o descreve a historiadora de Arte Karin Thomas. Mas é também possível expressar-se de outra forma: "Dada é a vida sem pantufas e sem paralelas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro", pois "a arte não é séria", proclamava o escritor francês Tristan Tzara.
Tudo começou em 5 de fevereiro de 1916. Poucos dias antes da Batalha de Verdun, o poeta, diretor, anarquista e místico alemão Hugo Ball promoveu a primeira soirée de seu Cabaret Voltaire na parte antiga de Zurique. Ele queria realizar lá o que chamou de "coisas bonitas".
Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objetos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: "O almirante tenta alugar uma casa". Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério. Leia mais
Música do dia
VALOR – PLEBE RUDE
Música: Jander BilaphraLetra: Jander Bilaphra e André X
Há vidas que por vontade eu canto
Há vidas que por vontade eu conto
por muitos lugares andeiem muitos lugares morei
Muitas vidas vi passar
por isso lhe conto meu amigo
preste atenção, uma coisa vou cantar
A gente só dá valor à juventude
quando estamos na meia idade
a gente só dá valor à natureza
quando moramos na cidade
a gente só dá valor às amizades
quando estamos na solidão
a gente só dá valor à frieza
quando perdemos à razão
Quem não da valor ao que tem
não merece ter nada de valor
Há vidas que por vontade eu canto
Há vidas que por vontade eu conto
por muitos lugares andei
em muitos lugares morei
Muitas vidas vi passar
por isso lhe conto meu amigo
preste atenção, uma coisa vou cantar
A gente só dá valor às alegrias
quando estamos na tristeza
Só damos valor ao dinheiro
quando estamos na dureza
A gente só dá valor às máquinas
quando não funcionam mais
só damos valor à tranquilidade
quando tanto fez, tanto faz
Quem não da valor ao que tem
não merece ter nada de valor
Música: Jander BilaphraLetra: Jander Bilaphra e André X
Há vidas que por vontade eu canto
Há vidas que por vontade eu conto
por muitos lugares andeiem muitos lugares morei
Muitas vidas vi passar
por isso lhe conto meu amigo
preste atenção, uma coisa vou cantar
A gente só dá valor à juventude
quando estamos na meia idade
a gente só dá valor à natureza
quando moramos na cidade
a gente só dá valor às amizades
quando estamos na solidão
a gente só dá valor à frieza
quando perdemos à razão
Quem não da valor ao que tem
não merece ter nada de valor
Há vidas que por vontade eu canto
Há vidas que por vontade eu conto
por muitos lugares andei
em muitos lugares morei
Muitas vidas vi passar
por isso lhe conto meu amigo
preste atenção, uma coisa vou cantar
A gente só dá valor às alegrias
quando estamos na tristeza
Só damos valor ao dinheiro
quando estamos na dureza
A gente só dá valor às máquinas
quando não funcionam mais
só damos valor à tranquilidade
quando tanto fez, tanto faz
Quem não da valor ao que tem
não merece ter nada de valor
Livro livre Amapá

O projeto Livro Livre Amapá já está começando a acontecer. Trata-se de uma iniciativa de incentivo à leitura patrocinada e divulgada pelos blogueiros amapaenses. A idéia é soltar livros pela cidade. A pessoa que pegar, leva para casa, lê e depois solta o livro em um local público, e assim permitimos que mais e mais pessoas tenha acesso à leitura. No blog Livro Livre Amapá é possível conferir os livros que foram libertados e comentar a leitura. Eu comecei a fazer a seleção de livros e resolvi começar pelos de ficção-científica. Depois passo para os quadrinhos e depois para literatura geral. A Alcinéa Cavalcante já disse que vai libertar livros de autores amapaenses... Se quiser colaborar, é só salvar a etiqueta do projeto e colar no livro que vai soltar. A cultura agradece. Em tempo: a logo do projeto foi criada pelo Diniz Sena.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Lobato contra modernistas: a guerra que não existiu
Uma das histórias mais contadas nos cursos de letras e em grande parte dos livros de literatura é a guerra que teria sido travada entre Monteiro Lobato e os autores modernistas. Lobato é mostrado como retrógrado, ultrapassado e inimigo de posições revolucionárias. Sua produção literária de contos é vista como pobre, de um regionalismo de pouco calibre. O criador do Jeca Tatu é tido, no máximo, como um escritor infantil importante. Mas essa guerra com os modernista teria realmente existido? Essa é a pergunta que muitos intelectuais têm feito e a resposta parece não ser tão óbvia quanto foi durante muito tempo.
A exposição Anita Mafalti
A suposta guerra entre Monteiro Lobato e os modernista teria começado em 1917, com a publicação, no jornal O Estado de São Paulo, de uma crítica de Lobato à exposição de Anita Mafalti. Esse texto, intitulado Paranóia ou mistificação, foi incluído posteriormente no livro Idéias de Jeca tatu.
Lobato começou elogiando Anita: ¨Essa artista possue um talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida em má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se, de qualquer daqueles quadrinhos, como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva¨, mas acrescenta que, seduzida por teorias modernas, ela deixou sua arte descambar para um novo tipo de caricatura.
Lobato aproveita também para cutucar os que se dizem encantados com esse novo tipo de arte, pois esses descobrem na tela intenções inacessíveis ao vulgo e conclui, ironicamente: o público é uma besta e eles um grupo genial de iniciados.
O escritor reservou especial atenção a uma tela do cubista americano Bolynson, um carvão representando uma figura em movimento, que foi colocado na exposição como exemplo do caminho segundo por Mafalti. ¨Aqueles gatafunhos não são uma figura em movimento; foram, isto sim, um pedaço de carvão em movimento¨.
Essa crítica, publicada em 1917, ecoou por muitos anos fazendo, inclusive que muitos ainda acreditem que Lobato havia criticado a Semana de Arte Moderna, um evento ocorrido cinco anos depois. Também por conta desse texto, muitos tentaram desqualificá-lo como crítico e renegar suas idéias sobre arte e cultura.
Na verdade, Lobato não direcionava sua crítica à inovação, mas ao estrangeirismo. Nacionalista radical, o escritor não admitia que se fosse procurar nas vanguardas européias um norte para a arte brasileira. Para ele, isso impediria a criação de um ideal estético nacional, colocando-nos sempre como macacos imitadores dos povos colonialistas.
Outro fator importante é a personalidade independente de Lobato (resumida na frase de Shakespeare, que ele adorava citar: ¨isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo¨) que não admitia reduzir a arte às regras de uma escola artística.
Por fim, Lobato procurava sempre atingir, com sua literatura, um público o mais amplo possível, numa proposta de democratização das artes. O oposto disso seriam as obras herméticas e aristocráticas, que Lobato enxergava no quadro de Bolynson.
A semana de arte moderna
No livro Furacão no Botocúndia, Carnem Lúcia de Azevedo, Márcia Camargos e Vladmir Sachetta argumentam que o preconceito contra Lobato, motivado pelo episódio Mafalti foi a única razão pela qual Lobato ficou fora da Semana de Arte Moderna, já que Lobato seria o líder natural deles. Afinal, no campo das idéias sociais, políticas e econômicas, ele foi o praticante mais sistemático da agenda modernista. Mas nas artes, os modernistas foram bater às portas de Graça Aranha, que pouco tinha a ver com o movimento.
Lobato fez graça com a situação: ¨Se eu tivesse participado da Semana, talvez me tivessem contaminado com a inteligência nela manifestada. Preferi ficar na minha burrice¨, escreveu ele, dispondo-se a participar de uma segunda Semana, aumentada, na qual ficaria com o cargo de papa, logo abaixo do Papão Oswald de Andrade.
Aliás, a relação entre Lobato e Oswald sempre foi das mais amistosas. Ambos tinham espírito independente e um grande senso de humor. Oswald chamava Lobato de ¨O Gandhi do modernismo¨ e dizia que o autor do Jeca só não participou da Semana por causa do nacionalismo: ¨sua luta significava a repulsa ao estrangeirismo afobado de Graça Aranha, às decadências lustrais da Europa podre, ao esnobismo social que abria seus salões à Semana¨.
Lobato jamais perdeu contato com os modernistas, muitos dos quais eram publicados por sua editora. Além disso, ele se correspondia regularmente com nomes como Di Cavalcanti, Graça Aranha, Oswald e Mario de Andrade e Sérgio Millet.
Coerente com sua opinião de que Anita era uma grande artista, Lobato chamou-a para ilustrar a capa dos livros ¨O Homem e a morte¨, de Menotti Del Picchia e ¨Os condenados¨, de Oswald de Andrade, ambos lançados por ele. O livro ¨Idéias de Jeca Tatu¨ teve como capa O Homem Amarelo, quadro de Anita Mafalti.
Além disso, Lobato nunca escreveu contra a Semana. Na verdade, o que parece ter acontecido foi um episódio de ciúmes, por conta de um artigo no qual Lobato creditava a Semana à Oswald de Andrade.
A morte de Lobato
No artigo ¨Nosso dualismo¨, publicado no em e reunido no livro ¨Na Antevéspera¨, Lobato diz que ¨O futurismo apareceu em São Paulo como fruto da displicência dum rapaz rico e arejado de cérebro: Oswald de Andade¨. Segundo Lobato, Oswald era um turista integral que, por sua visão cosmopolita tinha capacidade de perceber a cristalização mental da inteligência brasileira. Para tirar o país desse marasmo, ele teria recorrido ao processo da atrapalhação e exemplifica com o caso da peninha. Um sujeito propõe a outro uma advinhação: ¨Qual é o bicho que tem quatro pernas, come ratos, mia, passeia pelos telhados e tem uma peninha na ponta da cauda?¨. Como ninguém adivinhasse, ele explicou: ¨É o gato!¨. ¨Mas e a peninha?¨. ¨Está aí só para atrapalhar¨. O processo de atrapalhação teria dado uma sacudida na cultura brasileira, mas, segundo Lobato, a coisa teria dado errado quando outros autores resolveram transformar esse processo num dogma: ¨Oswald sempre repeliu os sectários e sempre refugiu de transformar sua colher de mexer, hoje colher de pau-brasil, em paradigma, em maracá sagrado. E passa a vida a criar cismas dentro do grupo, a renegar sumos pontífices¨.
Mário de Andrade responde com o texto ¨Post-scriptum Pachola¨no qual chega a anunciar a morte de Monteiro Lobato, que ele recebia com o coração sangrando e os olhos mojados de lágrimas. É de se perguntar se em seu texto não havia um tanto de ciúmes, por Lobato ter creditado a Semana a Oswald e não a ele.
O autor do Jeca, entretanto, não fez caso. Em carta ao jornalista Flávio Campos, Lobato diz que Mário, por seu talento, tem direito a tudo, ¨até de meter o pau em você e em mim. Eu tenho levado pancadinhas dele. Certa feita matou-me e enterrou-me. Em vez de revidar, conformei-me, e sem mudar minha opinião sobre ele. Mário é grande. Tem o direito de nos matar à moda dele¨.
Lobato sempre esteve mais alinhado com os ideais modernos do que com a tradição. Seu movimento pelo petróleo brasileiro e pela industrialização está mais próximo do futurism
o do que da tradição intelectual brasileira, que se prendia aos bons tempos do café . Sua obra infantil é moderna ao extremo, inclusive em termos de linguagem, ao aproximar a literatura da fala coloquial. Suas várias editoras sempre foram inovadoras e tiveram papel importante na divulgação dos autores modernistas. Até mesmo no campo social Lobato se revelava revolucionário, defendendo, por exemplo, que os jovens fizessem uma espécie de ¨estágio¨, morando com seus futuros conjugues antes de casarem.
Mesmo Mário de Andrade, provavelmente o maior responsável pela disseminação da idéia de que Lobato era inimigo dos modernistas, mesmo ele admitiu o alinhamento desse autor com os ideiais daquele movimento: ¨Quanto a dizer que éramos, os de São Paulo, uns antinacionalistas europeizados, creio ser falta de sutileza crítica. É esquecer todo o movimento regionalista aberto justamente em São Paulo e imediatamente antes, pela Revista do Brasil, é esquecer todo o movimento editorial de Monteiro Lobato¨.
Artigo originalmente publicado na revista Discutindo Literatura, n. 20, da editora Escala.
A exposição Anita Mafalti

Lobato começou elogiando Anita: ¨Essa artista possue um talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida em má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se, de qualquer daqueles quadrinhos, como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva¨, mas acrescenta que, seduzida por teorias modernas, ela deixou sua arte descambar para um novo tipo de caricatura.
Lobato aproveita também para cutucar os que se dizem encantados com esse novo tipo de arte, pois esses descobrem na tela intenções inacessíveis ao vulgo e conclui, ironicamente: o público é uma besta e eles um grupo genial de iniciados.
O escritor reservou especial atenção a uma tela do cubista americano Bolynson, um carvão representando uma figura em movimento, que foi colocado na exposição como exemplo do caminho segundo por Mafalti. ¨Aqueles gatafunhos não são uma figura em movimento; foram, isto sim, um pedaço de carvão em movimento¨.
Essa crítica, publicada em 1917, ecoou por muitos anos fazendo, inclusive que muitos ainda acreditem que Lobato havia criticado a Semana de Arte Moderna, um evento ocorrido cinco anos depois. Também por conta desse texto, muitos tentaram desqualificá-lo como crítico e renegar suas idéias sobre arte e cultura.
Na verdade, Lobato não direcionava sua crítica à inovação, mas ao estrangeirismo. Nacionalista radical, o escritor não admitia que se fosse procurar nas vanguardas européias um norte para a arte brasileira. Para ele, isso impediria a criação de um ideal estético nacional, colocando-nos sempre como macacos imitadores dos povos colonialistas.
Outro fator importante é a personalidade independente de Lobato (resumida na frase de Shakespeare, que ele adorava citar: ¨isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo¨) que não admitia reduzir a arte às regras de uma escola artística.
Por fim, Lobato procurava sempre atingir, com sua literatura, um público o mais amplo possível, numa proposta de democratização das artes. O oposto disso seriam as obras herméticas e aristocráticas, que Lobato enxergava no quadro de Bolynson.
A semana de arte moderna

No livro Furacão no Botocúndia, Carnem Lúcia de Azevedo, Márcia Camargos e Vladmir Sachetta argumentam que o preconceito contra Lobato, motivado pelo episódio Mafalti foi a única razão pela qual Lobato ficou fora da Semana de Arte Moderna, já que Lobato seria o líder natural deles. Afinal, no campo das idéias sociais, políticas e econômicas, ele foi o praticante mais sistemático da agenda modernista. Mas nas artes, os modernistas foram bater às portas de Graça Aranha, que pouco tinha a ver com o movimento.
Lobato fez graça com a situação: ¨Se eu tivesse participado da Semana, talvez me tivessem contaminado com a inteligência nela manifestada. Preferi ficar na minha burrice¨, escreveu ele, dispondo-se a participar de uma segunda Semana, aumentada, na qual ficaria com o cargo de papa, logo abaixo do Papão Oswald de Andrade.
Aliás, a relação entre Lobato e Oswald sempre foi das mais amistosas. Ambos tinham espírito independente e um grande senso de humor. Oswald chamava Lobato de ¨O Gandhi do modernismo¨ e dizia que o autor do Jeca só não participou da Semana por causa do nacionalismo: ¨sua luta significava a repulsa ao estrangeirismo afobado de Graça Aranha, às decadências lustrais da Europa podre, ao esnobismo social que abria seus salões à Semana¨.
Lobato jamais perdeu contato com os modernistas, muitos dos quais eram publicados por sua editora. Além disso, ele se correspondia regularmente com nomes como Di Cavalcanti, Graça Aranha, Oswald e Mario de Andrade e Sérgio Millet.
Coerente com sua opinião de que Anita era uma grande artista, Lobato chamou-a para ilustrar a capa dos livros ¨O Homem e a morte¨, de Menotti Del Picchia e ¨Os condenados¨, de Oswald de Andrade, ambos lançados por ele. O livro ¨Idéias de Jeca Tatu¨ teve como capa O Homem Amarelo, quadro de Anita Mafalti.
Além disso, Lobato nunca escreveu contra a Semana. Na verdade, o que parece ter acontecido foi um episódio de ciúmes, por conta de um artigo no qual Lobato creditava a Semana à Oswald de Andrade.
A morte de Lobato

Mário de Andrade responde com o texto ¨Post-scriptum Pachola¨no qual chega a anunciar a morte de Monteiro Lobato, que ele recebia com o coração sangrando e os olhos mojados de lágrimas. É de se perguntar se em seu texto não havia um tanto de ciúmes, por Lobato ter creditado a Semana a Oswald e não a ele.
O autor do Jeca, entretanto, não fez caso. Em carta ao jornalista Flávio Campos, Lobato diz que Mário, por seu talento, tem direito a tudo, ¨até de meter o pau em você e em mim. Eu tenho levado pancadinhas dele. Certa feita matou-me e enterrou-me. Em vez de revidar, conformei-me, e sem mudar minha opinião sobre ele. Mário é grande. Tem o direito de nos matar à moda dele¨.
Lobato sempre esteve mais alinhado com os ideais modernos do que com a tradição. Seu movimento pelo petróleo brasileiro e pela industrialização está mais próximo do futurism

Mesmo Mário de Andrade, provavelmente o maior responsável pela disseminação da idéia de que Lobato era inimigo dos modernistas, mesmo ele admitiu o alinhamento desse autor com os ideiais daquele movimento: ¨Quanto a dizer que éramos, os de São Paulo, uns antinacionalistas europeizados, creio ser falta de sutileza crítica. É esquecer todo o movimento regionalista aberto justamente em São Paulo e imediatamente antes, pela Revista do Brasil, é esquecer todo o movimento editorial de Monteiro Lobato¨.
Artigo originalmente publicado na revista Discutindo Literatura, n. 20, da editora Escala.
Mais crises e menos leitores?
Por Sérgio Codespoti (04/02/09)
Segundo Rich Johnston, autor da coluna Lying in the Gutters, do site Comic Book Resources, é possível que a Crise Final, da DC Comics, tenha o mesmo resultado de One More Day, da Marvel: perda de leitores.Johnston afirma que a Marvel perdeu um terço dos leitores de Amazing Spider-Man depois das mudanças polêmicas promovidas na vida do Homem-Aranha.
No caso da DC, parece que, embora na internet tudo esteja relativamente tranquilo, nas comic shops a situação é outra, com vários casos de clientes fiéis desistindo das revistas da DC, reclamando que tudo ficou incompreensível. Leia mais no Universo HQ.
Comentário: Eu fui um dos que deixaram de comprar por causa dessas mega-sagas. Chegou num ponto em que você tem que comprar quatro revistas para entender uma. Atualmente, só estou comprando o Superman do Grant Morrison (que é fechado) e a revista Fábulas.
Segundo Rich Johnston, autor da coluna Lying in the Gutters, do site Comic Book Resources, é possível que a Crise Final, da DC Comics, tenha o mesmo resultado de One More Day, da Marvel: perda de leitores.Johnston afirma que a Marvel perdeu um terço dos leitores de Amazing Spider-Man depois das mudanças polêmicas promovidas na vida do Homem-Aranha.
No caso da DC, parece que, embora na internet tudo esteja relativamente tranquilo, nas comic shops a situação é outra, com vários casos de clientes fiéis desistindo das revistas da DC, reclamando que tudo ficou incompreensível. Leia mais no Universo HQ.
Comentário: Eu fui um dos que deixaram de comprar por causa dessas mega-sagas. Chegou num ponto em que você tem que comprar quatro revistas para entender uma. Atualmente, só estou comprando o Superman do Grant Morrison (que é fechado) e a revista Fábulas.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Entrevista com professora que montou uma gibiteca na escola

O blog Toka di Rato publicou uma entrevista com a professora Natania Nogueira. A Natania montou uma gibiteca da escola de ensino fundamental onde leciona, na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais. Ao que se saiba, é a primeira iniciativa do gênero no Brasil. Na entrevista ela fala de como os quadrinhos ajudaram os alunos a se interessarem pelas aulas e da dificuldade que foi para montar a gibiteca (que foi feita numa sala da escola que servia de depósito). Enquanto muita gente só reclama sobre a falta de leitura dos jovens brasileiros, a professora Natania fez algo concreto para melhorar essa situação. Parabéns a ela!
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Watchmen
A divulgação do filme Watchmen continua a toda (em alguns casos, hoje em dia, gasta-se mais em divulgação do que com a própria produção do filme). Além de cartazes, trailer, já foram lançados bonecos e vários outros itens para colecionadores. Para ajudar, a história já tem todo um movimento viral de pessoas que fazem bonecos lego dos personagens, por exemplo. Abaixo algumas das imagens que podem ser conseguidas na internet. 
Bonecos lego feitos provavelmente por um fã. Com uma divulgação dessas, fica fácil para o estúdio chamar atenção. O problema é que, ao mesmo tempo, isso cria uma grande expectativa por parte dos fãs...
Foto de divulgação do filme. Os Minutemen foram os heróis que inspiraram os Watchmen.




Essa imagem dos watchmen como personagens da série Snoopy ficou impagável. O Minduim como Dr. Manhattan está perfeito! 

segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Propaganda é isso aí
O blog Papo de Quadrinhos fez cinco perguntas para Márcio Baraldi, um dos mais importantes quadrinistas brasileiros - especialmente quando o assunto é rock ou imprensa sindical. Clique aqui para ler.
domingo, fevereiro 01, 2009
Ratatouille e O mais longo dos dias

Este foi o final de semana dos bons filmes. Saimos do cinema e fomos na locadora, onde pegamos, entre outros, O Mais Longo dos dias e Ratatouille. O mais longo dos dias é um dos melhores filmes sobre o dia D, a invasão aliada à Normandia. Os roteiristas tiveram o cuidado de serem bem fieis do ponto de vista histórico. A invasão é vista do ponto de vista de soldados que foram de planador para ocupar uma ponte, da resistência francesa, dos para-quedistas que saltaram antes da invasão e dos homens que embarcaram em cada uma das praias. Pensei que eles fossem pegar leve, atenuando alguns fatos históricos, mas as coisas são mostradas como realmente aconteceram: a queda dos paraquedistas em locais errados, como pântanos, ou no meio de locais ocupados por nazistas - o que fez com que eles fossem alvos fáceis - e o massacre da praia de Omaha, em que nove em cada dez soldados aliados morreram.
A fidelidade histórica é o ponto forte, mas também a fragilidade do filme. Como queriam mostrar tudo, faltou foco e, nesse sentido, O resgate do soldado Ryan é melhor.
Ratatouille é um belíssimo filme sobre um ratinho que gosta de cozinhar. Só a Pixar se arriscaria a fazer um filme com uma premissa tão estranha - assim como só a Pixar se arriscaria a fazer um filme sobre um robô lixeiro, como em Wall-E. Ratatouile é melhor ainda se você gosta de cozinhar, como é o meu caso.
Incrivel como o roteirista consegue fazer um filme sobre um cozinheiro ficar tão interessante. Muita gente diz que o diferencial da Pixar é a animação. Eu discordo. Hoje muita gente consegue fazer fazer filmes com o mesmo nível de animação da Pixar. O que os diferencia é o roteiro muito bem costurado, os personagens carismáticos, a ação que se encaixa bem dentro da trama, a poesia... o resultado é um filme para crianças que os pais assistem com prazer.
Ah, para quem gosta de cozinhar, aqui tem a receita do ratatouille, o prato principal do filme. 

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