segunda-feira, abril 08, 2013

Game of Thrones: os sete reinos da incerteza

por Daniel Pellizzari

Daenerys Targaryen e os Imaculados

Os produtos mais bem-sucedidos da indústria do entretenimento tendem a se alimentar da previsibilidade. Apostando no conforto, as narrativas costumam progredir por caminhos já estabelecidos, para a satisfação fácil do leitor ou espectador. É como uma guloseima industrializada: você sabe o que esperar daquilo, e sente prazer quando a expectativa se confirma. Via de regra, é da exploração dessa busca pelo familiar que nascem os fenômenos pop. Leia mais

Arma phaser rara de "Star Trek" é leiloada por US$ 231 mil

  • Arma phaser de "Star Trek" leiloada por US$ 231 mil
    Arma phaser de "Star Trek" leiloada por US$ 231 mil
Uma arma phaser utilizada por William Shatner em um episódio da série "Star Trek" foi vendida por US$ 231 mil em um leilão da Julien"s.

Segundo o site da revista "Hollywood Reporter", o objeto foi o segundo mais caro da série original dos anos 1960 vendido em um leilão. A cadeira do capitão Kirk foi vendida por US$ 304,750 mil em 2008. Entretanto, o mais caro de todos foi um modelo em miniatura da nave Enterprise usada pela equipe de efeitos especiais de "Star Trek: A Nova Geração", vendido por US$ 576 mil em 2006.

A arma foi usada no episódio "Where No Man Has Gone Before", que foi feito como um piloto e depois exibido na TV como o terceiro episódio da primeira temporada. Ela nunca mais foi usado na série, mas apareceu em diversas peças de publicidade. Leia mais

quinta-feira, abril 04, 2013

A origem

A origem é um filme de 2010 do badalado filme de Chris Nolan, diretor do Batman. De fato, é um filme que vai entrar para a história. Não só pelos ótimos efeitos especiais, mas também pelo roteiro super complexo.
O filme trata de um ladrão de sonhos, que entra no sonhos das pessoas para descobrir segredos. Mas ele se vê diante de um trabalho aparentemente impossível: injetar uma ideia na cabeça de um empresário. Para isso, ele arma uma trama que se passa em vários níveis do sonho: do mais leve, em que o tempo é mais ou menos parecido com o nosso, até os mais profundos, em que uma hora de nosso tempo pode ser equivalente a anos. E, conforme os personagens vão descendo de nível, sempre fica alguém no nível superior, até termos pelo menos quatro níveis de narrativa. E detalhe: cada uma com um  tempo diferente. Uma aula de roteiro! Só um roteirista extramente competente conseguiria manusear uma narrativa tão complexa. Como o roteiro também é do Nolan, ponto para ele.
Se você ainda não assistiu A origem, assista: ótimas atuações, um roteiro complexo, fenomenal, uma direção competente (ótima a cena da arquiteta criando o mundo onírico) e um final, bem... melhor nem falar do final que nos deixa pensando sobre o que é ou não realidade.

Chamada de artigos para a revista Imaginário

Imaginário! é uma publicação eletrônica semestral do GP-HQG (Grupo de Pesquisa em Humor, Quadrinhos e Games), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da
Paraíba, com trabalhos dirigidos especialmente aos profissionais e estudantes de Comunicação e Artes, mas também abertos ao diálogo acadêmico com outras áreas do conhecimento, num empenho
de construção interdisciplinar. Recebe contribuições de pesquisas concluídas, sob a forma de artigos e ensaios, além deresenhas e comunicações científicas.
O envio de material para avaliação sedá em fluxo contínuo, contudo o fechamento da quarta edição será 31 de maio de 2013. Os artigos enviados após o fechamento da edição podem ser publicados
na edição subsequente, depois de As três edições da revista Imaginário!, com artigos sobre Quadrinhos e Cultura Pop aprovados pelo conselho editorial.
Os artigos devem ser enviados para este email (imaginario.artigos@gmail.com).

quarta-feira, abril 03, 2013

Pop arte invade o Sesc - AP

Convite Claudio Tozzi
No período de 05/04 a 28/05 a Galeria de Artes do Sesc Amapá, Antônio Munhoz Lopes, estará promovendo a exposição “Canteiro de Obras” do artista paulistano que conquistou o Brasil pelo seu vanguardismo artístico: Claudio Tozzi.
Reunindo 33 gravuras, a exposição propõe uma imersão na trajetória do artista que despertou empatia nas décadas 70, 80 e 90 pela forte relação simbólica de suas obras com os conflitos e aspirações daquela época. Leia mais

terça-feira, abril 02, 2013

Editora Draco lança linha de quadrinhos em ebook


Com o sucesso de sua linha de livros digitais, editora investe nos quadrinhos digitais.
Especializada em autores brasileiros de literatura fantástica, a Editora Draco acaba de lançar os títulos de sua coleção Dracomics, a sua linha de quadrinhos, em ebook com distribuição em todas as grandes livrarias virtuais do Brasil e do mundo. Os primeiros títulos do catálogo de HQs digitais são a coletânea “Imaginários em Quadrinhos – Volume 1” e o álbum “Para Tudo se Acabar na Quarta-feira” de Octávio Aragão e Manoel Ricardo.
“Imaginários em Quadrinhos” acabou de ser lançada em livro impresso e tem grandes nomes do quadrinho nacional entre os autores: Raphael Salimena, Alex Mir, Jaum, Dalton Soares, Camaleão, Raphael Fernandes, Alex Genaro, Zé Wellington e Marcus Rosado.
Os próximos títulos da linha são as versões digitais de “Ida e Volta” e “Ditadura No Ar” #1 e 2, publicações em papel do selo independente Contraversão Quadrinhos. Ambos têm roteiros de Raphael Fernandes e arte de Doug Lira, Rafael “Abel” Vasconcellos, Pedro Pedrada e Rafael Louzada.
A Editora Draco pretende usar o meio digital como mais um canal para apostar em autores talentosos e projetos inovadores. Os interessados podem enviar roteiros, projetos e portifólios para o email editoradraco@gmail.com.

segunda-feira, abril 01, 2013

Erótica Steampunk em pré-venda

No passado que jamais vivemos – aquela Era Vitoriana cheia de engenhocas e inventores loucos, mocinhas e bandidos, aeronavios e autômatos a vapor – havia algo muito mais vaporoso que as máquinas fumarentas que percorriam as cidades. Nas casas de família, nos cabarés, nos ares e nos mares, além de todas as batalhas, em todo canto sempre houve uma brisa de sensualidade acariciando as faces de heróis e anti-heróis. Esse lado lascivo que muitos, devido ao pudor, preferem ignorar e varrer para debaixo dos tapetes de grandes mansões ou das saias com muitos tecidos das damas da sociedade. É nesse contexto que nasce a antologia Erótica Steampunk, pois nem só de potentes lutas entre máquinas gigantescas viveu a Era do Vapor. Intrigas, romance e muita sensualidade os esperam nas páginas desse livro. Aventurem-se!
Preço especial de pré-venda: R$ 33.90
*Em pré-venda especial pelo email: ornitorrinco.editora@gmail.com
Por tempo limitado, aproveite!

Valiant Entertainment chega ao Brasil

Durante a WonderCon neste final de semana, a própria Valiant Entertainment anunciou que chega em breve ao Brasil pelas mãos da HQM Editora.

Até então totalmente inédito em nosso pais, o Universo Valiant será apresentado primeiramente nas páginas da revista mensal X-O Manowar, com distribuição em bancas e comic shops. Logo na primeira edição serão apresentadas as séries X-O Manowar, com roteiro de Robert Venditti (Substitutos) e arte por Cary Nord (Conan); e Harbinger, escrita por Joshua Dysart(Soldado Desconhecido, Monstro do Pântano) e desenhada por Khari Evans
. Leia mais

Primeiro de abril


Resultado do edital de literatura

Eu fui um dos  selecionados para o edital de literatura Simãozinho sonhador. Apresentei um projeto de quadrinhos infantis ambientados em uma tribo indígena. Uma curiosidade é que, além do meu projeto em quadrinhos, também foi selecionado um projeto de litetura de fantasia, o livro Botos, Sátiros e Dragões, da Samila Lages. 
Confira abaixo a lista dos selecionados: 

  • Claudia Patrícia Nunes Almeida – Remanso das Águas.
  • Herbert Emanuel Valente de Oliveira – Isto: Toda Poesia
  • Ivan Carlo Andrade de Oliveira – Turma da Tribo
  • Joseli Pereira Dias – Amapá Cordel
  • Manoel Ribeiro do Vale Junior – Uns Contos por Aí.
  • Maria Ângela da Costa Nunes – De Amor e de Fé
  • Maria Ester Pena Carvalho – As Aventuras do Professor Pierre na Terra Tucuju.
  • Samila Cavalcante Lages – Botos, Sátiros e Dragões
  • Sérgio João de Araújo Sales – Amor, Meu Grande Amor
  • Tiago de Oliveira Quingosta de Souza – Foz Florescente

Programa traz cultura pop para o rádio



Agora as manhãs de quarta-feira estão mais interessantes, com muita música, cinema, quadrinhos e seriados. Esses são alguns dos temas do Rádio Pop, programa apresentado toda das 10 às 11 horas, na Rádio Unifap, 96,9 FM.
O programa faz  parte  de  um projeto de extensão do curso de Jornalismo da Unifap e é capitaneado pelo professor, Ivan Carlo, e pela acadêmica Jackeline Carvalho.
Entre os quadros apresentados estão notícias da cultura pop, do fundo do baú (que fala sobre antigos seriados e desenhos animados), o filme de sua vida (no qual um convidado fala um pouco sobre um filme que o marcou), trilha sonora (no qual é apresentada uma música e o público interage através das redes sociais tentando adivinhar o filme) e, finalmente, música pop (com discos que fogem do convencional, ou são pouco conhecidos).
Para Ivan, o programa é uma oportunidade de mostrar algo diferente, uma linguagem diferente do que normalmente se ouve nas rádios. “É a linguagem dos podcasts transposta para a rádio com muito bom humor”, diz.
Já Jackeline acredita que programas que abordam entretenimento pelas manhãs, como o caso do Rádio Pop, atraem principalmente o público jovem, ávido por cultura e informação.
Quer interagir com o Rádio Pop? Então sigo o twitter @radiopop_ e confira tudo sobre cultura pop.

domingo, março 31, 2013

Lançamento: Artelectos & pós-humanos 7

Revista com HQs de Edgar Franco, premiada com o troféu Bigorna e apontada por críticos como um marco dos quadrinhos experimentais brasileiros, chega ao seu sétimo número. Dessa vez incluindo HQs inspiradas e/ou criadas em estados ampliados de consciência. Leia mais

sábado, março 30, 2013

Sobre a ditadura militar

Um leitor deixou um comentário no blog defendendo a ditadura militar. Segundo ele, se hoje tenho liberdade de expressão é por causa dos militares que tomaram o poder em 1964. Esse mesmo comentário dizia que, se eu não gostava da ditadura militar brasileira, deveria ir morar em Cuba ou no Irã.
Para começo de conversa, sou contra qualquer tipo de regime ditatorial, seja ele de direita (a ditadura militar no Brasil), de esquerda (Cuba, Coréia do Norte) ou religioso (como é o caso do Irã e foi, durante algum tempo, o caso do Afeganistão).
Ademais, é idiotice achar que os militares estavam lutando pela democracia ou até mesmo contra o comunismo.
Em toda a história, o único país que se tornou comunista na América foi Cuba e isso mesmo porque os EUA se negaram a apoiar a revolução e jogaram os cubanos no colo dos soviéticos.
Na verdade, mesmo países que nunca sofreram golpes militares nunca se tornaram ditaduras. No Brasil, a guerrilha comunista só surgiu na década de 1970, quase seis anos depois do início da ditadura. Ou seja: não havia um perigo comunista e mesmo que houvesse, o melhor remédio contra ele sempre foi o desenvolvimento econômico, vide o exemplos de países como a Alemanha, Japão, Coréia do Sul.
Os próprios americanos logo perceberam que uma democracia com desenovolvimento econômico é um meio muito mais seguro de manter um país longe do comunismo (tanto que o presidente Jimmy Carter chegou a cobrar um prazo para que a ditadura no Brasil acabasse).
Os militares tomaram o poder e se mantiveram nele porque o poder é doce para algumas pessoas. A busca do poder é a maior motivação. E, se poder é doce para essas pessoas, o poder absoluto de uma ditadura é um verdadeiro manjar. O mesmo poder, aliás, que tem o torturador na sala de tortura, por isso não existe ditadura sem presos políticos e tortura. Como dizia George Orwell: "pense no futuro e imagine uma bota esmagando um rosto humano". Esse é o sonho dos ditadores.
A democracia pode não ser o melhor sistema, e, como estamos vendo pelas notícias do Congresso, de fato não é. Mas, enquanto não temos uma democracia direta, a democracia representativa é muito melhor que qualquer ditadura.

quarta-feira, março 27, 2013

Livro sobre a Grafipar indicado para o HQ Mix

O meu livro Grafipar, a editora que saiu do eixo foi indicado para o troféu HQ Mix na categoria melhor livro teórico. A obra pode ser comprada aqui.

terça-feira, março 26, 2013

Guerra dos tronos no SBT

A assessoria de imprensa do canal SBT divulgou a aquisição de um novo pacote de seriados de grande sucesso da Warner, e Game of Thrones é um deles!

Leia mais.

segunda-feira, março 25, 2013

As expectativas para a terceira temporada de Game of Thrones

Com estreia marcada para 31 de março de 2013, a terceira temporada de Game of Thrones promete trazer ao público o que há de melhor na televisão. Fantasia, drama, aventura, sexo e muita ação nos dez episódios que serão transmitidos pela HBO e suas correspondentes internacionais. A sinopse oficial, divulgada pelo canal, já mostra o que podemos esperar:

“À medida que a Baía da Água Negra esfria, os vitoriosos consolidam seu poder e reconstroem Porto Real. Mas novos desafiadores do Trono de Ferro surgem dos lugares menos esperados. Personagens antigos e novos devem navegar entre as exigências da família, da honra, da ambição, do amor e – acima de tudo – da sobrevivência, uma vez que a guerra civil em Westeros avança outono adentro. Leia mais

E-books Jornalistas no cotidiano das redes sociais

A obra de Marina Magalhães é baseada em sua dissertação do Mestrado em Comunicação da UFPB, concluída em 2011, em que analisa como se instalam as comunidades virtuais na internet com
interesse nas discussões relativas ao jornalismo cultural.
Para desenvolver sua análise a autora buscou fundamentação teórica na obra
de Massimo Di Felice, Lucia Santaella  Pierre Lévy, André Lemos e Michel Maffesoli, entre outros pesquisadores, que vêm colaborando com um embasamento sólido para a compreensão da cultura
tecnológica no tangente aos conceitos de pós-humanismo, inteligência coletiva, cibercultura e tribalismo.
O trabalho investiga as interações na comunidade Jornalismo Cultural – PB, hospedada na rede de relacionamentos Orkut, a maior rede de relacionamentos digitais no Brasil à época da pesquisa.
O objetivo, segundo Marina, foi “compreender como o grupo, representante de uma categoria profissional tão atuante no contexto das sociedades atuais, revela um campo propício para
empreendermos um monitoramento do jornalismo cultural e das relações entre mídia, cotidiano e sociedade”. Leia mais

Jornalistas no cotidiano das redes digitais
Marina Magalhães
Série Veredas, nº 28.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2013. 169p. Ebook em pdf. R$5,00

sábado, março 23, 2013

Mano Juan, de Marcos Rey

Mano Juan é um lançamento da Global, editora que está publicando as obras completas de Marcos Rey. O livro, escrito na década de 1970 e lançado após a morte do autor, conta a história de um guerrilheiro ferido que chega a são Paulo e, sem ter a quem recorrer, procura um jornalista que escrevera diversos artigos sobre ele. Mas é a época da ditadura militar e o repórter teme se comprometer. Além disso, Dalila, uma atriz de pornochanchadas pela qual se apaixonara, lhe prometera para aquele dia uma noite de amor em troca da publicação de suas fotos no jornal. 
Marcos Rey é um dos grandes roteiristas de cinema do Brasil, tendo escrito diversas pornochanchadas e novelas (experiência que ele conta nos livros O roteirista profissional: televisão e cinema e Esta noite ou nunca. Esse olhar cinematográfico permeia a maior parte de sua obra, inclusive a juvenil, como O Mistério do Cinco Estrelas e O Rapto do Garoto de Ouro, mas é ainda mais visível em Mano Juan. O capítulo de abertura do livro é uma boa amostra desse tino visual: construído emtakes, mostra a chegada de um guerrilheiro a São Paulo e a balbúrdia da rodoviária num feriado prolongado:

"Como era sexta-feira da Paixão parte da população da cidade batia asas. São Paulo, parcialmente deserta, transformava-se numa amplo parque ideal ao adestramento de motoristas de carta nova. (...) O número de mulheres e crianças, superior ao de homens, contribuía para intensificar a irritante sonorização do ambiente, apenas dominada pela voz de uma locutora que anunciava a partida dos ônibus numa robotizada emissão vocal (...) O tumulto maior e mais angustiante concentrava-se nas escadas, a de degraus e a rolante, onde acontecia um massacre de proporções razoáveis. Inúmeros balcões e guichês de transportadoras informavam por escrito: 'Não há mais passagens' (...) Uma mulher grávida, segurando uma criança em cada mão, parecia ter perdido o marido e chorava, um grupo de cabeludos ameaçava destruir um dos balcões de passagens, um estrangeirão, loiro, tentava fazer-se entender".

A história toda parece ter sido escrita como um roteiro de cinema, inclusive com flash backs e e referências diretas a filmes em trechos como: "Batista diante daquela bem-rodada cena do cinema nacional, ficou cabreiro e começou a lançar olhares de pesquisa ao redor", "os seios, que só vira em filmes pornô, saltaram como molas, pagando na boca do caixa o trabalho das fotografias". 

Marcos Rey constrói a trama como um thriller de humor com personagens marcantes: o guerrilheiro saudoso da infância, o jornalista que o tempo todo divide o pensamento entre o medo de ser preso e a possibilidade de conseguir, finalmente, levar a atriz para a cama; a atriz de pornochanchadas que se deslumbra com a possibilidade de fama, mas se apaixona pelo guerrilheiro; o líder sindical que é respeitado pelos trabalhadores, mas em casa é tiranizado pela mulher... O autor apresenta uma verdadeira fauna de tipos que vão desfilando diante do leitor num verdadeiro plano sequência que vai das 19h10 da sexta às 4h05 da madrugada de sábado. 

O livro tem gosto da década de 1970 em que a tensão provocada pela ditadura militar se misturava à revolução sexual, à moda hippie de vestir e à profusão de gírias. Expressões como "cana brava", "manjo seu truque, malandro", "a velha teve outro balacobaco" ajudam a dar o clima do momento histórico.

Mano Juan foi escrito em 1978, mas permaneceu inédito até 2005. Em 2003, quando a Global negociou com a viúva Palma Donato a publicação de toda a obra de Rey, ficou acertado que, além dos títulos já publicados, a editora teria prioridade sobre esse inédito. Cumprindo o acordo, a viúva entregou à editora os originais datilografados. 

A Global fez um verdadeiro trabalho de fã, com uma edição belíssima, que segue o padrão das outras obras da coleção Marcos Rey, uma sugestiva capa Victor Burton, com imagens que simbolizam bem a trama, como uma loira, um revólver, uma garrafa de uísque e um botton de Che Guevara. Além disso, incluiu uma apresentação de Ignácio de Loyola Brandão, que acertadamente escreve: "Ele (Marcos Rey) foi um homem desprezado pela crítica, mas lentamente começa a ser reavaliado, revisado e sua obra reciclada. Era um narrador sutil e fino, e a prova está em cada página deste livro que inclusive é permeado pela mais intensa ironia, pelo sarcasmo. Quem nunca leu Marcos Rey pode começar por este Mano Juan". Bom conselho. 


Em tempo, O mistério do Cinco Estrelas, que também está no catálogo da Global, será transformado em filme. Os direitos foram comprados pela RT Features e o roteiro será de do paulista André Sirangelo. Ainda não foi definido o diretor da produção.

Talvez com a produção cinematográfica aumente o interesse por esse pouco valorizado escritor brasileiro. Para aqueles que se deliciarem com o filme e quiserem conferir o autor dessas histórias, a coleção da Global é uma ótima iniciativa.