sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Conan e Elric

 


Quando começou a escrever Conan, Roy Thomas passou a colecionar livros de espada e magia “tão rápido quanto eles eram impressos”. Entre os vários personagens, um dos que mais chamaram sua atenção foi Elric de Melniboné, do autor britânico Michael Moorcock. O roteirista pensou: por que não promover um encontro de Elric com Conan? Os dois eram extremos opostos em tudo. Conan é forte, musculoso, Elric magro e fraco. Conan odeia magia, Elric é um mago.

Munido de uma tremenda cara de pau, Thomas escreveu para Moorcock perguntando se ele topava escrever uma história promovendo o encontro dos dois personagens por um valor irrisório. Surpreendentemente, o autor inglês topou. Na verdade, como Thomas descobriria depois, a história foi escrita por um amigo de moorcock, Jim Catwthorn. Mas mesmo assim era uma oportunidade incrível de unir, numa revista ainda incipiente, que lutava contra o cancelamento, dois dos mais importantes personagens do gênero.

A história começa com uma donzela em perigo. 


Essa história, roteirizada por Thomas e desenhada por Barry Smith foi publicada em Conan the barbarian 14 e 15.

A trama, como uma boa história de espada e magia, começa em plena ação: uma mulher está sendo perseguida por cavaleiros misteriosos e Conan resolve intervir. Ao salvá-la, descobre que se trata de Zephra, filha do feiticeiro Zukhala. Conan havia enfretado o feiticeiro no número 5 da revista e a garota se apaixonara por ele.


Dois heróis se encontram? É briga na certa! 


Mas, depois da desconfiança inicial, Conan descobre que zukhala está mudado. Ele não tem mais seus poderes, que usava para aterrorizar aldeões. E sua índole também mudou. Seu objetivo agora é salvar dois mundos da feitiçaria da Imperatriz Verde, uma antepassada de Elric que aterrorizara Melniboné e fora trancafiada num castelo no fundo de um lago. Em troca de ouro, Conan deverá impedir que ela seja despertada.

Claro que Conan e Zaphira vão se encontrar com Elric, que está indo para o mesmo lugar, o que inicialmente coloca os dois em combate, em consonância com a regra de ouro da Marvel: sempre que dois heróis se encontrem pela primeira vez eles devem lutar. Mas logo eles unem forças para impedir a destruição de dois mundos.

A primeira aparição da Imperatriz. 


O ápice da história é quando eles entram no castelo e encontram o feiticeiro Kulan-Gath promovendo um feitiço que irá despertar a Imperatriz Verde. Thomas joga muito bem com o suspense e Barry Smith cria uma batalha realmente empolgante. A página em que ela surge pela primeira vez é impressionante. Barry Smith consegue fazê-la linda e ao mesmo tempo aterrorizante, os pés delicados, a expressão de ódio, as mãos como garras. O texto de Thomas destaca ainda mais o momento: “Temam como nunca dantes, mortais... pois, em meio ao fulgor verdejante, uma tumba ancestral está desmoronando. Enfim ela ressuscitou! Terhali, a imperatriz verde e melniboné... reviveu!”.

Uma curiosidade é que na época, nas edições de bolso lançadas nos Estados Unidos, elric aparecia um chapéu cônico nas capas e os dois autores colocaram o personagem usando esse chapéu na história. Só anos depois Roy Thomas descobriu que Moorcock odiava esse chapéu, uma invenção dos editores americanos. Mas aí já era tarde demais.  

Corra!, de Jordan Peele

 


Existem alguns pouquíssimos diretores que em sua primeira tentativa conseguem fazer um clássico. Jordan Peele é um desses raros exemplos. Seu filme “Corra!”  tornou-se rapidamente um clássico do cinema de suspense.
É muito difícil falar da trama sem soltar spoiler, tão bem amarrado e tão cheio de reviravoltas é o roteiro. Mas a história trata de um homem negro namorado de uma garota branca que vai visitar os pais da moça. Ele inicialmente teme ser alvo de racismo, mas é muito bem acolhido. Entretanto, há algo muito estranho acontecendo: os empregados negros da casa parecem artificiais, lobotizados em uma cortesia eternamente sorridente. 
Como num bom suspense, as coisas estranhas vão se acumulando, mas nada de realmente grave acontece. O assustador se revela em pequenos detalhes, em algo que parece estar fora do lugar. Esses detalhes vão se acumulando até o final aterrorizante.
Como em Sexto Sentido, muitas cenas passam a ter outro significado quando chegamos ao final, a exemplo da sequência em que a garota reclama de deslizes dos pais no trato com os empregados ou com seu namorado. 
Jordan Peele consegue discutir temas como racismo sem ser panfletário ao focar muito mais no que realmente interesa: um roteiro sem arestas, uma direção tecnicamente perfeita e em atuações memoráveis.
E, claro, Corra! lembra muito de um episódio de além da imaginação. Não é por acaso, Jordan Peele foi convidado para comandar a versão mais recente do programa.

Fundo do baú - He-man

 

O desenho animado He-man é um filho bastardo do Conan. No início dos anos 1980, a Mattel comprou os direitos para fazer os bonecos do cimério, mas considerou que o filme era muito adulto. Assim, criou a série Mestres do Universo e encomendou para a Filmation uma série de desenhos animados para ajudar a alavancar as vendas. Em 1983 foi lançada a série He-man e os mestres do universo tornando-se um enorme sucesso. Foram duas temporadas de 65  episódios cada. Além disso, ainda surgiu uma série irmã, She-ha, a princesa do poder, com 93 episódios.
A Filmation usou a técnica da rotoscopia, em que os desenhos eram feitos em cima de filmagens de atores. O estúdio já havia usado essa técnica em Tarzan e Flash Gordon e costumava repetir os movimentos. Tarzan, Flash Gordon e He-man corriam da mesma maneira.
No Brasil He-man foi uma febre. Surgiu até um álbum de figurinhas que esgotava rapidamente nas bancas.
Uma das curiosidades do seriado são os conselhos de He-man dados ao final de cada episódio, que acabaram de transformando memes na web.

A Balsa da Medusa

 


A Balsa da Medusa, de Théodore Géricault, pintura de 1818,  é considerada por muitos como o marco inicial do romantismo nas artes plásticas. Ela retrata um fato real: o naufrágio da barcaça Medusa. O barco, que levava colonos para a África, afundara graças à inabilidade do capitão, que conseguira o cargo graças a indicações políticas.
Embora a Medusa transportasse 400 pessoas, incluindo 160 tripulantes, os barcos só tinham espaço para cerca de 250 pessoas. Os outros 146 homens e uma mulher, amontoaram-se numa jangada feita às pressas. Tinham para comer apenas um saco de biscoitos. Para beber, dois barris de água (que se perderam no mar depois de uma briga) seis barris de vinho. Foram 13 dias à deriva até serem encontrados por acaso por um navio francês que passava pela região. Para sobreviver, tiveram que recorrer até mesmo ao canibalismo. O quadro mostra o momento em que os sobreviventes avistam o barco que os resgataria.
A história na época gerou grande comoção na opinião pública francesa. Gericault pintou o tema com grande emoção e, embora retratasse pessoas normais, a imagem é épica (reforçada pela escolha de colocar a cena no meio de uma tempestade), duas das características do romatismo nas artes, além do tema social. Uma curiosidade: Delacroix, que viria a ser o grande nome do romantismo era amigo de Géricault e pousou para o amigo (é a figura caída em primeiro plano, com o braço estendido).

Perry Rhodan – Comando Andro-Beta

 


Há alguns livros de Perry Rhodan que são tão preparação para outros volumes que parecem não ter força própria. São livros que poderiam facilmente ser um prelúdio de outro volume.  Ótimo exemplo disso é o número 234 – Comando Andro Beta, escrito por H. G. Ewers.

Na história os terranos conseguiram atravessar para Andro-Beta, a meio caminho para a galáxia de Andrômeda, e começam a investigar o local. Rhodan quer um local para guardar mantimentos.

Primeiro eles tentam um planeta gelado e os dois astronautas que descem lá são vítimas de ilusões provocadas por um cristal alucinógeno. Depois Rhodan encontra um Mobi morto e resolve usar eu corpo do ser gigantesco como esconderijo, mas o local já é habitado por seres com trombas, apelidados de twonosers. Esses aprisionam a Crest e Rhodan tenta fugir num avião comum, mas é impedido e quase morre.

A capa alemã. 


Dá para perceber? Falta coesão, como se fosse um livro desconjuntado em que as coisas não se conectam.

É possível que esses fatos se conectem nos livros seguintes, mas aqui eles são soltos, provavelmente por inabilidade do escritor. É um começo ruim para uma nova rase do ciclo.

Homem de ferro contra o fabuloso Unicórnio

 

  

Uma das características que diferenciam os heróis da Marvel dos de outras editoras era o fato de que na maioria das vezes os superpoderes eram para eles um fardo e não uma benção. Essa relação conflituosa com as próprias habilidades é o mote central da história publicada em Tales of Suspense 56. 

A história inicia com o herói ferroso tendo uma crise de identidade: “Estou cheio de ser o Homem de Ferro! Farto de ter que usar placa peitoral eletrônica 24 horas por dia! Cansado de viver com os dias contados... sem nunca saber qual momento será o último!”.

Assim, ele resolve aposentar o herói e viver plenamente sua vida de playboy. 

Tony Stark considera um Homem de Ferro um fardo. 


Mas exatamente quando ele coloca em prática essa mudança de atitude, sua fábrica é atacada por um vilão comunista, o Unicórnio.

Nessa época, os quadrinhos Marvel eram extremamente políticos e era comum que os vilões, especialmente nas histórias do Homem de Ferro viessem do outro lado da cortina de ferro. Considerando se que Tony Stark é um capitalista, faz sentido. Já quanto ao nome do vilão, era uma demonstração de como as boas ideias já pareciam ter sido todas usadas. Não sei como foi na época, mas hoje em dia duvido que um vilão chamado Unicórnio fosse levado a sério. 

Don Heck sabia desenhar mulheres. 


Quando o vilão de nome fofinho invade a fábrica e ataca Happy Hogan, o Homem de Ferro percebe que não pode abdicar de seus poderes ou pessoas poderão se machucar. Esse é um padrão que se repetiria em várias outras séries da Marvel, em especial no aranha, que tentou aposentar seu lado heroiesco várias vezes, mas logo percebia que isso era impossível. 

Em tempo: embora seja muito pouco badalado que Kirby ou Ditko, Don Heck, o desenhista dessas primeiras histórias era um artista espetacular que conseguia captar perfeitamente o estilo divertido do título. Além disso, ele era ótimo para desenhar mulheres.

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O que é uma barriga em roteiro?

 


Em roteiro, barriga significa encheção de linguiça, enrolação. É um termo usado quando o roteirista coloca situações que não contribuem em nada para a trama. Não é à toa que o termo técnico, em inglês, é filler, que significa enrolar.
Eu também chamo de labirinto narrativo, porque faz com que a trama fique rodando em círculos, sem seguir em frente.
Vamos imaginar a seguinte situação: uma moça briga com o namorado e resolve ir para a casa da mãe. Mas ela volta com o namorado. E volta para a casa dele. Mas depois briga de novo e volta para a casa da mãe. Nessa segunda ida à casa da mãe ela descobre uma caixa com segredos importantes sobre o passado da família.
A volta com o namorado foi uma tremenda barriga que só fez esticar a narrativa sem acrescentar nada à trama. O tempo que a moça ficou na casa da mãe a primeira vez e a volta à casa do namorado só fizeram a trama ficar andando em círculos, sem avançar.
Em quadrinhos de super-heróis esse é um erro comum. Provavelmente para colocar mais ação na revista, muitos roteiristas colocam os heróis enfrentando várias vezes o mesmo vilão. Se esses vários enfrentamentos não acrescentam nada à trama, são apenas barrigas.
Outro exemplo: o vilão que é derrotado e, de repente, usa poderes maiores do que havia exibido até então e consegue vencer o herói. Ou o contrário: o herói enfrenta várias vezes o vilão e no final o derrota demonstrando um poder que não havia usado antes. O leitor fica se perguntando: por que ele não usou esse poder antes? Resposta: porque o roteirista precisava encher linguiça! :)

Homem-Animal – Brincando nos campos do senhor

 

 

Quando começou a escrever para o mercado norte-americano, Grant Morrison se apresentou como o anti Alan Moore. A história publicada nos número 18 e 19 da revista, no entanto, mostram que na verdade, ele tinha grande influência do mago inglês.

Na história, o físico James Higwater aparece na casa de Buddy e o leva em uma jornada de auto-conhecimento que parece estar sendo guiada por um personagem misterioso. Entre outras coisas, esse personagem faz com que apareça um mapa no bolso do físico. O local marcado é um deserto na fronteira entre os territórios dos Hopi e dos Navajo. No alto de um platô os dois encontram várias sementes de peyote, um alucinógeno.

As sequências de alucnação lembram o Monstro do Pântano, de Alan Moore. 


A sequência a seguir lembra muito as histórias alucinógenas do Monstro do Pântano, de Alan Moore. À certa altura os dois personagens vêem uma espécie de ilha, uma forma gigantesca, se aproximando deles – e no final se revela uma baleia. A cena lembra muito, inclusive visualmente, a saga da Brujeria, também do Monstro do Pântano, com a diferença de que ali era a ponta de um dedo.

Esta sequência também lembra muito o Monstro do Pântano. 


Mas não pense que essa história é apenas imitação. Morrison inova ao introduzir a metalinguagem na trama. A versão antiga do Homem-Animal, por exemplo, aparece e reclama: “Apagaram minha vida e substituíram pela sua! O que acontece quando a cronologia muda? O que acontece com todas aquelas vidas? Quem é o responsável?”.

Em outro momento, o peyote faz com que o herói consiga perceber além da sua própria dimensão e com isso ele consegue ver... os leitores! “Eu posso ver você!”, grita ele, em uma splash page impressionante.

O personagem consegue ver os leitores. 


Alan Moore deve ter sentido o baque. Afinal, embora tenha sido absolutamente revolucionário no Monstro do Pântano a ponto de influenciar todos os autores posteriores, ele não tinha brincado com a metalinguagem. Tanto que a partir daí ele começou a fazer diversos trabalhos com flertavam com o metalinguístico, como 1963 e Supreme.

Vozes da Segunda Guerra

 

 

O título brasileiro da série documental World War II: From the Frontlines, Vozes da Segunda Guerra, não faz juz ao seu verdadeiro mérito.

Embora haja depoimentos de sobreviventes do conflito, tanto civis quanto militares, de todos os lados, o que realmente chama atenção é a reconstituição em imagens da guerra. Filmagens foram resgatadas, restauradas, colorizadas e editadas de forma a apresentarem uma narrativa coerente. O resultado é como se víssemos um filme sobre a segunda guerra, uma total imersão.

Colabora para isso o fato dessa ter sido uma das guerras mais registradas de todos os tempos, muito por responsabilidade dos nazistas, que idolatravam o cinema e usavam a maioria dessas imagens como propaganda de guerra. Para não ficarem atrás, os aliados também passaram a filmar tudo que podiam.

Reunir, restaurar e editar esse material deve ter sido uma tarefa gigantesca, mas valeu a pena.

Embora seja muito breve e pule muitos fatos importantes, de forma que algunas acontecimentos ficam sem explicação (por exemplo: a importância dos atiradores de elite russos na batalha de Stalingrado ou a forma como os aliados conseguiram reverter a guerra na África), o resultado é uma obra impressionante e viciante.

Assistindo Vozes da segunda guerra, a maior lição é que os verdadeiros vilões nunca se dizem vilões. Os vilões sempre acham que são os mocinhos.

Kinhin: meditar andando

 

Quem nunca praticou zazen acha muito estranho quando ouve falar do Kinhin. Como assim? Meditar andando? Parece estranho, não parece? Afinal, a maioria das pessoas, quando pensa em meditação, pensa em alguém sentado, em descanso. Como acalmar a mente com o corpo em movimento?

Para começar, o Kinhin se encaixa perfeitamente na proposta budista de atenção plena, estar presente, estar centrado no aqui e agora. Isso pode ser feito em qualquer momento, em qualquer situação: quando a pessoa está tomando chá, comendo, e até mesmo andando.

Há um outro aspecto interessante nesse tipo de meditação: normalmente associamos movimento a pressa. Andando, queremos ir mais rápido possível, no carro, queremos acelerar o máximo possível. O Kinhin nos obriga a desacelerar.

O desafio, nesse tipo de meditação, é andar lentamente, no ritmo da respiração, cada respiração correspondendo a um passo e cada passo correspondendo a uma respiração. É necessária total atenção aos passos para cadenciá-los com o ato de respirar.

O andar também é diferente. No Kinhin não damos passos largos, apressados. Cada movimento corresponde a meio passo, começando sempre pelo pé direito. Os presentes andam um atrás do outro, em sentido horário. O grupo ainda acrescenta mais um elemento de atenção: é necessária total cuidado para não atropelar a pessoa da frente. No final, o grupo entra em harmonia, todos andando no mesmo ritmo.

Não por acaso, muitas pessoas relatam que a segunda parte do zazen, após o Kinhin, é muito mais produtiva: a mente está mais concentrada no momento presente e também mais leve.

Bragança do Pará

 


Bragança é uma das mais antigas cidades do Pará. Inicialmente habitada pelos tupinambás, ela foi colonizada pelos franceses e depois pelos portugueses, que trouxeram os negros como escravos. O resultado disso foi um local com rica herança arquitetônica e cultural. E de belezas naturais incomparáveis.

O próprio centro histórico já é uma atração, com belas casas do período colonial (infelizmente nem todas bem conservadas). Nele, destaca-se a Igreja de São Benedito, construída pelos escravos.

Também vale a pena visitar a praça da cidade na qual há várias barracas de comidas típicas.

Vale também a pena subir o mirante para visitar a estátua de Sâo Benedito e ter uma visão panorâmica da cidade. 

A economia do município gira em torno principalmente da pesca para exportação (o local é um dos maiores fornecedores de lagosta para o nordeste brasileiro).

Em termos de belezas naturais, destaca-se a praia de Ajuruteua, de água salgada.

É possível ir de Belém para Bragança de ônibus. Sai do terminal rodoviário de Belém e a viagem dura quatro horas. Por carro são 3 horas e meia de viagem via BR 316 e depois PA 010.


As casas do período colonial são uma das atraçoes. 

A marujada é a principal manifestação cultural da cidade.


A igreja de S. Benedito é uma das atrações da cidade. 







O calçadão da beira-rio remonta à época colonial. 



Coreto da praça. 

Livraria e loja de artesanato da cidade. 

No centro histórico se destacam construções da época colonial. 

Na praça da cidade é possível apreciar as comidas típicas paraenses.

A cidade exporta pescado principalmente para o nordeste. 

São Benedito, o padroeiro da cidade, foi homenageado com uma estátua no mirante.


No mirante é possível ter uma visão panorâmica da cidade. 

A praia de Ajuruteua é a principal atração natural da cidade. 


Marvel horror

 

 

Em 1971 o Comics Code, que limitava severamente a publicação de quadrinhos nos EUA foi abrandado. A restrição a histórias de terror foi finalmente retirada. A Marvel, claro, decidiu embarcar com tudo nessa onda, ressuscitando monstros clássicos como Drácula ou criando novos, como o Motoqueiro Fantasma e Homem-Coisa.
O volume Marvel Horror, da coleção de graphic novels Marvel Salvat reúne um apanhado dessas histórias.
Como o objetivo era principalmente reunir histórias de origem, o resultado é bastante irregular.
Uma das coisas que saltam aos olhos é perceber porque Gerry Conway era considerado a grande estrela da Marvel naquele período. Os melhores roteiros da edição são dele.
A belíssima HQ com a origem do Homem-coisa é um dos destaques da edição. 


A começar pela história curta, em preto e branco, que conta a origem do Homem-coisa, publicada em Savage Tales 1. O texto magistral de Conway se une ao desenho do clássico absoluto do terror Gray Morrow em uma história de 11 páginas em que tudo é perfeito. O poético texto de abertura lembra muito o tipo de coisa que Alan Moore faria posteriormente no Monstro do Pântano: “Por quanto tempo você esperou? Por quanto tempo definhou nesse inferno de pútrida escuridão? Por quanto tempo ouviu o chamado da noite no canto das garças (...) por quanto tempo viveu esse pesadelo, aqui na escuridão?”.
Em tempo: a primeira história do Homem-coisa foi publicada antes da primeira do Monstro do Pântano e Len Wein e Gerry Conway dividiam apartamento em Nova York. Depois, Len Wein disse que as histórias “Não eram parecidas”.


É também de Conway a primeira história de Drácula, que se tornaria célebre com roteiro de Marv Wolfman. O roteirista tinha plena noção de que o gênero terror era muito diferente dos super-heróis. No terror, desenho e texto precisam criar a atmosfera correta, opressiva e isso se reflete na primeira legenda da história: “Horas se passaram desde que a tempestade começou. Longas horas desde que a luz do dia se foi e sombras foram tecidas sobre a montanha escarpada”. Para completar, essa primeira história já tinha o traço do gênio do terror Gene Colan, que se tornaria o desenhista principal do título.
O texto de Conway consegue salvar do Lobisomen, desenhada por um inseguro Michael Ploog, ainda em início de carreira na Marvel. Embora fosse fortemente influenciado por Will Eisner, o resultado era bastante irregular e nem sempre funcional.
Motoqueiro Fantasma foi o mais longevo personagem de terror da Marvel


Outro destaque do volume é o Motoqueiro Fantasma de Gary Friedrich, provavelmente o personagem mais longevo da galeria de horror da Marvel. Friedrich foi o autor que melhor conseguiu fazer a junção do gênero com o de super-heróis, criando um estilo Marvel de horror. Satã aparece aqui não como o demônio da Bíblia, mas como um vilão de quadrinhos em sua eterna obsessão pela alma de Johnny Blaze.
O roteirista ainda uniu isso à moda das gangues de motoqueiros, construindo um quadrinho que se tornou síntese dos anos 1970.
Essa é a única história que não é de origem. De forma inteligente, os editores escolheram uma história clássica do personagem, pegando-o em plena ação. Destaque para a segunda história, desenhada por Jim Money, cuja página de abertura é magistral.
Os leitores que acompanhavam o Motoqueiro Fantasma nas páginas da Heróis da TV certamente vão achar esse um dos melhores momentos do álbum.