quinta-feira, junho 08, 2017
Grafipar, a editora que saiu do eixo
No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.
Alex Ross revisita os seriados da década de 1960
Ilustração de Alex Ross em homenagem a dois grandes seriados de super-heróis da década de 1960: Batman e Besouro Verde.
Tese disponível para leitura
Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.
O Mestre dos Sonhos
Um
dos roteiristas que mais se destacaram na chamada invasão britânica dos comics
americanos foi Neil Gaiman.
Quando jovem, ele lia
muito quadrinhos e deixou de fazê-lo quando percebeu que as revistinhas não
correspondiam mais às suas expectativas literárias. Nos anos 70, Gaiman se
dedicou completamente ao jornalismo e à literatura até descobrir o trabalho
de Alan Moore no Monstro do Pântano.
A partir daí ele
resolveu fazer roteiros para quadrinhos adultos e conheceu Dave McKean. Juntos
eles produziram as Graphic Novels Violent Cases e Signal to Noise no final dos
anos 1980.
Nessa época a editora
Karen Berger foi à Inglaterra em busca de novos talentos. Ansiosos para conseguir trabalhar para a DC,
Gaiman e McKean foram procurá-la no hotel. Ao serem informados de que não
poderiam tocar nos grandes personagens da editora (como Batman e Super-homem),
Gaiman sugeriu a Orquídea Negra. A editora nem se lembrava que a editora tinha
essa personagem.
A dupla ganhou carta branca
para fazer sua versão da heroina e produziu uma minissérie em três partes. O
realismo das imagens pintadas de McKean combinados com o texto poético de
Gaiman fizeram com que essa minissérie se tornasse um dos quadrinhos mais
cultuados dos anos 1980.
A qualidade do trabalho
da dupla fez com que a editora os convidasse para um outro projeto. McKean
faria as capas e Gaiman escreveria o texto. O personagem escolhido foi Sandman,
um herói secundário da era de ouro que tivera uma breve fase nas mãos de Jack
Kirby na década de 1970. “Queremos um novo Sandman. Mantenha o nome, mas o resto
é por sua conta”.
Gaiman re-imaginou o
personagem, afastando-o de sua origem super-heroiesca e aproximando-o da mitologia.
Assim, Sandman era um dos perpétuos, seres mais longevos que os deuses, que só
deixariam de existir quando o universo fosse destruído. Além de Sandman, que
era o sonho, havia a Morte, Destruição, Delírio e Destino, todos iniciados com
a letra D (em inglês, Dream – sonho e
Death, morte).
Gaiman leu diversos
livros sobre sonhos e pesadelos e colocou toda essa pesquisa em seus
quadrinhos, em especial as informações sobre a doença dos sono, que de fato
existiu. Além disso, encheu as histórias de referências literárias e textos
poéticos. Não bastasse isso, trouxe o personagem para a realidade cotidiana de
uma forma pouco vista antes nos quadrinhos.
Por outro lado, McKean
produziu uma célebre galeria de capas unindo influências dadaístas,
surrealistas e expressionistas.
Tudo aquilo era muito
diferente do que os quadrinhos americanos publicavam até então (diverso
inclusive do Monstro do Pântano, do também britânico Alan Moore, que inspirara
Gaiman) e isso chamou atenção de um público que até então parecia ter pouco
interesse pelos gibis: as mulheres. Afinal, a revista não era sobre marmanjos
trocando socos, mas, ao contrário, aproximava-se de uma espécie de fantasia
urbana e contemporânea.
Sandman foi uma das
revistas mais celebradas dos anos 1990, arrebatando uma legião de fãs e sendo
republicava diversas vezes, agora em formato álbum de luxo. A popularidade
conseguida com a revista fez com que Gaiman se tornasse um cultuado escritor de
livros de fantasia, entre eles Deuses americanos e Lugar Nenhum.
quarta-feira, junho 07, 2017
Quem foi Anne Frank?
Anne Frank foi uma garota judia que viveu com sua família
e mais quatro pessoas, escondidos em um local quarto escondido no escritório de
seu pai, em Amsterdã, nos países baixos. Nesse tempo, ela escreveu, contando
seu dia-a-dia e o medo dos nazistas, em um diário que ganhou no dia de seu
aniversário.
Ao fim de longos meses de silêncio total (qualquer
barulho poderia denunciá-los) e muito medo, a família acabou sendo denunciada
aos nazistas e deportada para campos de concentração.
Anne foi enviada inicialmente para Auschwitz e depois
para Bergen-Belsen, onde acabou morrendo de tifo, em 1945, poucas semanas antes
de seu campo ser libertado pelos aliados.
O diário foi guardado por um amigo, Miep Gies e depois
publicado, com enorme sucesso. Atualmente o Diário de Anne Frank é publicado em
67 línguas, sendo um dos livros mais lidos do mundo.
Após o sucesso do livro, o local onde ela e sua família
ficaram escondidos virou um museu em homenagem às vítimas do holocausto.
Fahrenheit 451
Em
Fahrenheit 451, escrito em 1953, Ray Bradbury nos coloca a
interessantíssima questão do futuro e do controle da sociedade por um governo
ou uma classe.
Trata-se
de uma distopia (utopia ao contrário), como 1984, de George Orwell. No universo
dos dois livros, ler é uma atividade proibida. O título (Fahrenheit 451) se refere justamente à temperatura em que o papel
arde e se consome.
O
personagem principal é um bombeiro encarregado não de apagar incêndios, mas de
queimar livros.
É
interessante notar que há uma diferença de apenas cinco anos entre um livro e
outro. Apesar da proximidade de assunto e tempo, há diferenças básicas entre as
duas obras. Diferenças de motivos.
Orwell
escreveu 1984 baseado na sua experiência na Guerra Civil Espanhola, onde foi
perseguido pelos stalinistas, enquanto lutava contra os fascistas e via a
história ser mudada pelas versões oficiais. Bradury nunca foi à guerra, mas
experimentou as agruras de um dos momentos mais terríveis da história
americana: o machartismo. No início da década de 50, os EUA foram invadidos por
uma febre anti-comunista. Grandes escritores foram perseguidos, Charles Chaplin
teve de deixar o país para não ser preso.
Bradbury,
nessa época, já era um escritor famoso e trabalhava esporadicamente para a
editora de quadrinhos E.C. Comics.
A
E.C. foi, provavelmente, a primeira editora de HQ a manter uma atitude crítica
perante o mundo. Fazia propaganda pacifista em plena Guerra Fria
e fazia troça do modo de vida norte-americano.
Bradbury
sentiu o cheiro acre das revistas da EC sendo queimadas em praça pública, viu
amigos sendo presos, pessoas de bem sendo humilhadas. Viu toda uma nação se
levantar, insana, pedindo a cabeça de homens que nem conheciam.
É,
Bradbury tinha motivos para escrever Fahrenheit 451.
Além
de um protesto, o livro é também um tratado sobre o ato de ler. Bradbury
defende que os livros trazem em si três aspectos. O primeiro deles é a vida.
Livros devem ser repletos de vivências. E nesse sentido, não é só a vivência do
autor, mas também a do leitor, suas tristezas e alegrias, que ficam impregnadas
nas páginas dos livros.
O
segundo aspecto é o lazer. Nem o mais pedante dos intelectuais negaria que lê
porque se diverte enquanto o faz.
O
terceiro aspecto seria justamente a capacidade de transformação, de ação
consciente a partir da reflexão em cima dos dois primeiros aspectos.
Se
o livro representa a libertação, em Fahrenheit, a alienação é representada pela
televisão, assim como em 1984. Mas Orwell morreu em 1949, bem antes que a TV
tivesse ampla difusão. Bradbury, ao contrário, viveu o período de ascensão da
telinha. Talvez por isso, em Farenheith 451 a TV não é imposta às pessoas. Elas a
assistem por livre e espontânea vontade.
Aliás,
a proibição de leitura também não foi imposta pelo governo. Foram as próprias
pessoas que não só deixaram de ler, como passaram a ter medo de quem lia. Numa
sociedade unidimensional, as pessoas devem ser niveladas pela média. Pessoas
que lêem, pessoas que escrevem, pessoas que fazem poemas e outras que fazem da
sua própria vida um poema... todos esses tipos são perigosos para o cidadão
comum, para o pai de família barrigudo, que passa os domingos bebendo cerveja e
assistindo futebol...
É
interessante analisar os protagonistas dos dois livros. Montag, de Fahrenheit
451, é um puro instinto, chegando a tomar atitudes quase suicidas. Já Winston,
de 1984, é totalmente racional. Sua subversão é testada cuidadosamente, como
alguém que anda no escuro, tateando a parede. Mesmo assim, a subversão de
Winston, em certo sentido, é maior, já que ele não só lê, como escreve.
Aliás,
o que é proibido aos subordinados, é permitido à classe dominante. Beaty lê,
Big Borther escreve. Afinal, informação é poder. Tanto que os escribas do antigo Egito tinham
poder equivalente ao Faraós. Seria até de se perguntar se o pessoal do partido
interno, em 1984, praticava sexo, já que o sexo também é um ato político...
As classes dominantes
precisam providenciar maneiras de reprimir o instinto de liberdade do ser
humano. O povo é continuamente submetido a uma rotina estressante. Além do
trabalho, as filas enormes, os ônibus que chegam sempre atrasados e lotados...
quando há revolta, ela é uma reação imediata e sem sentido, voltada quase
sempre para quem não é responsável pelo sofrimento do povo. Temos aí, então, as
portas de vidro quebradas nos hospitais, as pedras jogadas nos ônibus, nos
trens destruídos... quando acontece a reação, ela é sempre voltada para os
representantes mais inferiores da autoridade, como cobrador de ônibus ou a
enfermeira. No dia seguinte, tudo volta ao normal.
No tempo livre, é
necessário ocupar a cabeça das pessoas. Em Fahrenheit 451 o meio mais utilizado para evitar o uso criativo e reflexivo do tempo
livre é a televisão. Na obra de Bradbury, mulheres de palha conversam com a TV,
repetindo frases escritas previamente. Não há atividade criativa. Em 1984, o
povo é mantido sob estrita vigilância, seja através da teletela (uma televisão
que também transmite a imagem de quem a está assistindo), dos helicópteros ou
da polícia do pensamento.
Bradbury propõe a leitura
como opção. Para ele, somos o que lemos. Isso fica claro quando o personagem
principal de seu romance encontra um grupo de subversivos que vagueia pelas
antigas linhas de trem. Como não podiam correr o risco de levar livros consigo,
eles simplesmente os decoravam e depois queimavam, esperando pelo dia em que
ler não fosse mais proibido. A partir daí, cada um passava a ser responsável
pela obra que decorara. Uma tremenda metáfora do ato de ler...
Garra cinzenta
Publicado no jornal A Gazeta, entre 1937 e 1939, Garra Cinzeta é um dos personagens mais clássicos e interessantes do quadrinho nacional. Com roteiros de Francisco Armond e desenhos de Renato Silva, a história mostrava um vilão que apavora a Nova York da década de 1930 com uma série de crimes. Inteligente, capaz de mil disfarces e dono de vários atributos científicos, entre eles Televisões de monitoramento, o Garra desdenha da polícia da cidade enviando cartões com uma garra informando os crimes que irá cometer.
Os heróis são
dois inspetores de polícia, Higgins e
Miller, que apesar de tentarem de tudo, nunca conseguiam pegá-lo. Sempre que
conseguiam uma testemunha que poderia incriminá-lo, ela era morta.
Além dos capangas comuns, O
Garra Cinzenta contava com um gorila com o cérebro transplantado de um
cientista, uma antiga secretária, que após sofrer lavagem cerebral se torna a
femme fatale a Dama de Negro e um robô
construído pelo próprio Garra, chamado Flag.
A narrativa era fortemente
influenciada pelo gênero policial noir e principalmente pelos pulp fictions. O
escritor Francisco Armond imitava perfeitamente o
estilo de tiras famosas da época, como O Fantasma e Agente Secreto X-9 e os
desenhos de Renato Silva destacavam o ar sombrio das histórias.
Uma curiosidade
é que a produção das HQs envolve também um mistério: ninguém sabe quem foi
Francisco Armond. Especula-se que seja pseudônimo de algum escritor ou
jornalista da época. O quadrinista Gedeone Malagola afirmava que Armond na
verdade era a jornalista Helena Ferraz de Abreu, mas o filho da mesma nega. O
desenhista Renato Silva morreu antes que o
ressurgimento do interesse pelo personagem levasse alguém a perguntar-lhe quem
escrevia as histórias. Enfim, a identidade do roteirista parece mais um dos
mistérios do Garra Cinzeta.
terça-feira, junho 06, 2017
Aventura e ficção
Aventura e ficção foi uma revista mix em formato Conan e histórias em preto e branco lançada pela editora Abril em setembro de 1986. Inicialmente reunindo apenas histórias curtas das publicações em preto e branco da Marvel aos poucos começou a publicar também quadrinho europeu e até quadrinho nacional. Foi uma das melhores revistas a época, marcando uma geração. A revista, bimestral, teve 21 edições e foi cancelada em janeiro de 1990.
O que era o tesouro de Hitler?
O chamado tesouro de Hitler foi uma caixa cheia de
pertences do ditador encontradas por um sargento norte-americano.
O militar achou o tesouro no subsolo do bunker no qual
Hitler passou seus últimos dias. O local estava inundado e havia uma caixa que
todos estavam usando como degrau, para não molhar os pés. O sargento foi tomado
pela curiosidade e abriu a caixa, descobrindo vários objetos embrulhados com
jornal. Dentro havia um caderno com capa em couro vermelho. O sargento abriu,
viu vários escritos em alemão e jogou fora. Era o diário de Hitler.
Um superior do sargento quis ficar com uma pistola de
ouro. Um tenente pegou uma caixa cheia de diamantes.
O sargento levou a caixa para os EUA e deu algumas das
coisas, como louças e talheres para amigos e parentes, perdeu o relógio de
Hitler num café e escondeu o restante.
Um milhonário da indústria do queijo ficou sabendo e
arrematou o tesouro.
Entre as coisas encontradas na caixa estava um retrato da
mãe de Hitler, um retrato da cadela Blondi, a pastora alemã do ditador, um anel
fetio de ouro e platina, uma pistola em ouro e um caderno que deveria ser dado
a Mussolini, mas que ficou tão bonito que foi guardado por Hitler.
Que escritores apoiaram o nazismo?
Embora muitos escritores tenham denunciado os horrores
dos regimes totalitários, pelos menos dois se destacaram pelo apoio que deram
não só a Hitler e Mussolini, como à perseguição aos judeus.
O escritor francês Lous-Ferdinand Céline é um exemplo.
Autor do importante romance Viagem ao fim da noite, ele publicou, em 1937 e
1938, respectivamente, Bagatelas por um massacre e Os belos trapos, panfletos
profundamente anti-semitas. Nos textos ele chama os judeus de “esterco que
deveria ser varrido do chão da história”.
Em 1943 ele reeditou o texto, com fotografias, para
mostrar seu apoio ao holocausto.
Celine, que era um bom médico, respeitado pela
comunidade, não teve pudores ao apoiar os nazistas quando eles invadiram a
França.
Preso na Dinamarca, após a guerra, ele só conseguiu
voltar para a França em 1951, e morreu completamente esquecido.
Outro que apoiou o nazismo foi o norte-americano Ezra
Pound. Ele estava na Itália quando Mussolini chegou ao poder e colaborou com
revistas anti-semitas e programas de rádio pregando o ódio aos judeus e
louvando o fuhrer e o dulce. Quando foi preso pelos soldados da resistência
italiana, em 1945, chegou a compara Hitler com Joana D´arc.
Depois de preso, foi mandado para um sanatório. Nunca
mais escreveria grandes livros.
segunda-feira, junho 05, 2017
Coleção Graphic Novel
A coleção Graphic Novel foi lançada em 1988 pela editora Abril aproveitando a onda de valorização dos quadrinhos provocada pela mini Cavaleiro das Trevas. Tinha um tratamento gráfico melhor, com formato álbum e papel couchê. A revista foi publicada até o número 29, lançado em junho de 1992.
Capas de pulp fictions
Pulp fictions foram publicações anteriores ao surgimento das revistas em quadrinhos (comic books, nos EUA). Publicava contos, inicialmente de autores consagrados, como Poe e H. G. Wells. Posteriormente começaram a contratar novos escritores. Alguns dos autores mais famosos do século XX, como Isaac Asimov, surgiram nos pulps. O nome se deve ao fato do papel ser feito com a polpa da madeira, um papel vagabundo ao extremo, que vazava as letras para o outro lado e se esfarelava com o tempo. Como precisavam se destacar nas bancas, essas revistas tinham capas chamativas, algumas das quais se tornaram clássicas. Abaixo algumas capas de pulps.
Mulher-Maravilha
Finalmente a DC acertou em um filme. Mulher Maravilha é um filme fiel à personagem (inclusive o discurso do amor contra a guerra, que alguns consideraram piegas era o discurso do criador da personagem, William Moulton). O cenário da I Guerra foi bem escolhido, aproveitando a origem vintage da personagem (Talvez a II Guerra fosse mais interessante). Ao contrário do Superman de Snyder, temos uma heroína que tem suas dúvidas, mas não fica chorando pelos cantos. Há humor na medida certa. O visual da personagem ficou perfeito e a atriz tem seu carisma, com uma atuação contida, digna de uma princesa. Depois da decepção que foi o último filme, é bom ver a DC finalmente acertando.
A piada mortal
Em
1988, Alan Moore já era um roteirista famoso. Já tinha transformado o título do
Monstro do Pântano num dos mais premiados dos quadrinhos norte-americanos e
feito Watchmen, que revolucionaria o gênero super-heróis. Mas nunca tinha
trabalhado com outra estrela britânica: o desenhista Brian Bolland.
Inicialmente, eles pensaram num encontro do Batman com o Juiz Dredd, personagem
que tornou Bolland famoso. Quando essa proposta fracassou, Moore perguntou ao
desenhista o que ele queria fazer. A resposta foi: “O Coringa, por favor!”.
Assim
nasceu a graphic novel A piada mortal, uma história avassaladora, ganhadora de
diversos prêmios, que serviu de base até para as versões cinematográficas do
Batman.
A
história começa com o Batman entrando na cela do Coringa, no Asilo Arkhan:
“Olá, eu vim conversar. Estive pensando muito ultimamente sobre você e eu.
Sobre o que vai acontecer conosco no fim. Vamos acabar matando um ao outro,
não? Talvez você me mate. Talvez eu o mate. Talvez mais cedo. Talvez mais
tarde. Eu só queria estar certo de ter tentado mudar as coisas entre nós”.
Esse
começo dá o tom da história: trata-se de um conflito psicológico em que Batman
e Coringa são dois lados da mesma moeda.
O
vilão, solto da cadeia, bola um plano para provar a tese de que todo mundo pode
ficar doido depois de um dia difícil. Assim, ele invade o apartamento do
Comissário Gordon, atira em Bárbara Gordon (Batmoça) e seqüestra o Comissário.
Em
um parque de diversões abandonado, ele tortura o policial, mostrando fotos de
sua filha nua e alvejada. A narrativa é intermediada de flash backs que contam
a origem do Coringa, um comediante fracasso que participa de um assalto a uma
fábrica para sustentar a esposa grávida, mas a vê morrer num acidente
doméstico. O trauma, junto com os elementos químicos da fábrica o transformam
num dos maiores vilões do universo DC. No final, a HQ dá a entender que Batman
é tão louco quanto o Coringa, embora o trauma de infância (a morte dos pais) o
tenha levado a outros caminhos.
A
piada mortal foi tão revolucionária que influenciaria tanto a versão
cinematográfica de Tim Burton (1989) quanto a de Cristopher
Nolan (2008). Tim Burton chegou a declarar: “Eu adorei A piada mortal. É o meu
favorito. O primeiro gibi que gostei”.
Os alemães foram perseguidos no Brasil?
Com a entrada do país na guerra ao lados dos aliados, a
maioria dos empresários alemães saiu do país, mas os imigrantes pobres não
podiam fazer isso e acabaram sendo realmente perseguidos. Na época, até falar
alemão em público era considerado crime.
De 1942
a 1945, 3 mil alemães, japoneses e italianos foram
presos pelo governo em 13 campos de concentração, em oito estados.
Em alguns casos, os alemães eram humilhados em praça
pública. O agricultor Leopoldo Will é um exemplo. Por não ter aprendido
português, ele só falava alemão. Ele foi preso e levado para a praça de
Agrolândia, em Santa Catarina.
Lá os policiais enfiaram uma baioneta em sua boca e passaram
por ali diesel com óleo de rícino, obrigando-o a defecar em público.
domingo, junho 04, 2017
Monstro do Pântano formatinho
Na década de 1990 eu encadernei todas as histórias do Monstro do Pântano que saíram pela editora Abril em formatinho (incluindo as que foram publicadas em revistas como Novos Titãs e Superamigos). A encadernação pegou mofo e cheguei a pensar em jogar as revistas fora - até descobrir que o problema era só na capas. A minha nora me ajudou a reencadernar. Podem criticar, mas eu gostava dos formatinhos.
DUETOS ESSENCIAIS: novo álbum de Edgar Franco apresenta parcerias com quadrinistas
Foi lançado em março desse ano, pela editora Marca de Fantasia o álbum DUETOS ESSENCIAIS, um volume de 80 páginas que apresenta uma seleção de histórias em quadrinhos curtas feitas em parcerias do quadrinista Edgar Franco com 23 significativos artistas da cena brasileira de quadrinhos, entre nomes consagrados como Júlio Shimamoto, Gian Danton, Gazy Andraus, Luciano Irrthum, Omar Viñole, Petter Baiestorf & Antonio Eder e outros emergentes. Lei mais no Zine Brasil.
Havia espiões nazistas no Brasil?
Sim. Aparentemente o principal espião nazista no Brasil
foi Gustav Engels, um pacato pai de família que chegou ao Brasil na década de
1920 pra trabalhar na Siemens. Entusiasmado com o nazismo, ele foi passar um
tempo na Alemanha, onde recebeu treinamento e o codinome Alfredo.
Por três anos ele comandou uma rede de espiões que
incluía 50 pessoas e enviava relatórios para os alemães por rádio. Seus
relatórios tinham informações sobre o trânsito de aviões norte-americanos no
Brasil, sobre os depósitos de gasolina nos portos e até sobre o tamanho das
pistas dos aeroportos.
Para ter certeza de que sua mensagem havia chegado aos
nazistas, ele pedia uma confirmação pela rádio oficial alemã, instruíndo que se
tocasse determinada música.
Engels foi preso por espionagem em novembro de 1942 e
condenado a 14 anos de prisão, dois quais cumpriu cinco.
sábado, junho 03, 2017
O que aconteceria se Hitler dominasse o Brasil?
A hipótese dos nazistas conquistarem o Brasil é muito
remota, pois, segundo a maioria dos analistas, os EUA nunca os deixariam se
apoderar do maior país da América Latina.
Caso Hitler ganhasse na Europa, a guerra fria seria entre
EUA e Alemanha e não entre EUA e URSS, como de fato aconteceu.
Mas, imaginando que os nazistas chegasse a tomar o
Brasil, não é muito difícil deduzir o que aconteceria. O Brasil se tornaria um
dos grandes fornecedores de matéria-prima para as indústrias alemãs. Além de
produtos agrícolas, o Brasil iria exportar minérios.
Cetamente seriam perseguidos e exterminados judeus,
ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e socialistas. O restante do povo
provavelmente seria transformado em escravos sob comando dos imigrantes
germânicos.
Hitler diversas vezes declarou que povos inferiores
seriam tratados como escravos. Como o Brasil tem uma grande miscigenação, nosso
destino seria certamente a escravidão.
sexta-feira, junho 02, 2017
Como escrever quadrinhos
No livro Como escrever quadrinhos, Gian Danton explica, a partir de sua própria experiência, os princípios básicos do roteiro para quadrinhos incluindo as especificidades do texto quadrinístico. Livro finalista do prêmio HQ Mix.
Valor: 25 reais.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.
Monstro do Pântano 36
Embora toda a fase de Alan Moore no Monstro do Pântano seja genial, a história do número 36 se destaca pela narrativa. Lançada em maio de 1985, ela mostra uma mesma história contada pelo ponto de vista de vários personagens.
Latveria: exemplo para o mundo
Todo mundo sabe que isso de aquecimento global é balela. Vários estudos mostram que na verdade, o que provoca aquecimento são as árvores. A Antártida não tem árvores e é o local mais frio do mundo. O presidente da Latvéria, Victor Von Don mandou cortar todas as árvores e proibiu o casamento gay. O resultado foi que a temperatura do país caiu de 30 para 20 graus.
É verdade que o fusca foi criado pelos nazistas?
Sim, Volkswagen significa carro do povo em alemão. O famoso
fusquinha foi criado a mando de Hitler, que queria um carro popular, de boa
qualidade, que pudesse quebrar os privilégios automobilísticos da classe rica.
Quando Hitler chegou ao poder, em 1933, a Alemanha só tinha um carro para cada
100 habitantes, enquanto a França tinha 28 e os EUA um para cada seis.
Apaixonado por carros, ele decidiu que cada alemão teria um carro popular.
Em 1933 um assessor de Hitler procurou Ferdinand Porshe,
que já vinha elaborando planos para um carro popular. Porshe não ficou muito
empolgado porque tinha um sócio judeu, mas acabou indo ao encontro com o ditador.
Hitler não fez um convite, mas uma intimação. Porshe
deveria produzir um carro que pudesse transportar de quatro a cinco adultos,
atingir uma velocidade de 100 quilômetros por hora, fazer 14 quilômetros por
litro e custar abaixo de mil marcos.
Era uma missão quase impossível, até porque Hitler queria
que a prestação fosse de apenas 20 marcos mensais, mas Porshe, sem saída,
acabou aceitando.
Inicialmente Hitler pretendia dar o projeto para as
quatro principais montadoras do país, mas depois mudou de idéia e resolveu
criar uma estatal, a Volkswagen, para produzir o novo carro. A fábrica foi
inaugurada em 1937 e muitos alemães aderiram ao consórcio. Mas não chegaram a
receber seus carros. Com o início da guerra, toda a produção foi destinada a
carros de guerra.
Aliás, o fusca fez muito sucesso na II Guerra. Era um
carro confiável, que não quebrava mesmo em situações difíceis, como o front
africano. Dizia-se que ele passava até onde um camelo não conseguia passar.
quinta-feira, junho 01, 2017
Grafipar, a editora que saiu do eixo
No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.
Próton 6
Curitiba: cidade modelo
Curitiba
é hoje uma das cidades mais elogiadas e copiadas do mundo. O modelo urbano
premiado surgiu na década de 1970 quando um engenheiro foi nomeado prefeito de
Curitiba pelo regime militar.
Ao
invés de nomear um político, como havia sido feito em outros locais (Collor,
por exemplo, foi indicado prefeito de Maceió), na capital paranaense resolveram
colocar como gestor um técnico: Jaime Lerner. Eu vi propagandas políticas de
Lerner e posso garantir que ele nunca seria eleito. Não era um político. Seus
vídeos eram ele com um pincel atômico, desenhando suas propostas. Parecia um técnico
apresentando sua proposta para clientes.
No
entanto, lá estava ele, no comanda da capital paranaense e o resultado todos
conhecem: ele transformou uma cidade provinciana, quase desconhecida em uma
referência mundial de planejamento e mobilidade urbana. Um planejamento tão
acertado que impediu até mesmo que a cidade tivesse uma cracolândia, já que não
há áreas por onde as pessoas não passam (a cidade foi pensada para promover essa
movimentação de pedestres).
No
entanto, nunca ouvi nenhum defensor dos militares citar
Curitiba ou Jaime Lerner. Da mesma forma, nunca vi nenhum desses citar o
general Golbery, um dos mentores do regime militar, grande gênio, conhecedor de
filosofia, política, sociologia. É curioso que nenhum desses seja sequer
citado.
Construindo um estilo
Use como
referência grandes roteiristas, mas aos poucos busque estabelecer um estilo
próprio
Na prática da escrita não existem
gênios que surgem do nada, com um estilo próprio e revolucionário. Todo grande
escritor é fruto de suas leituras. Todo grande escritor se assenta sobre os
ombros dos que vieram antes dele. Só para citar um exemplo mais famoso: O nome
da Rosa, de Umberto Eco é o resultado de uma série de influências, entre elas,
principalmente Conan Doyle (o nome do protagonista, Guilherme de Barskerville,
é uma referência direta aos romances de Sherlock Holmes) e Jorge Luís Borges (o
nome do vilão, Jorge, é uma referência direta ao escritor argetino).
Na verdade, o estilo de um escritor é
o resultado de suas influências literárias em conjunto com sua experiência de
vida. Essa sopa, bem temperada, dá origem às grandes obras.
![]() |
| Miracleman, de Alan Moore, foi um dos trabalhos que mais me influenciaram. |
Isso não significa copiar um autor,
mas absorver um pouco de vários e digerir essas influências. Com um autor você
pode aprender narrativa, com outro diálogo, com outro a forma de lidar com as
elipses quadrinísticas, outros sobre a estrutura da trama... cada um tem algo a
nos ensinar.
Quando comecei a escrever quadrinhos
durante algum tempo tive uma produção prolixa, já que a editora Nova Sampa,
para a qual eu trabalhava, comprava praticamente tudo que eu escrevia. Isso me
permitiu fazer um exercício que recomendo a todos novos autores: fazia
histórias imitando o estilo deste ou daquele roteirista. Em uma HQ seguia o
modo de escrever de Neil Gaiman, em outro, o de Grant Morrison e em outro, o de
Alan Moore (só para citar os que mais me influenciaram). Para fazer isso eu precisava
estudar o estilo de cada um para fazer a “história homenagem”.
Acabei gostando da brincadeira e
produzi um fanzine literário, Ideias de Jeca-tatu em que, a cada número
publicava a biografia de um escritor e um conto-homenagem no estilo dele. Foram
homenageados Monteiro Lobato, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, entre outros. Com
cada um eu aprendia algo, fosse o humor lobatiano, o clima poético de Poe, o
sarcasmo sutil de Machado.
Ao final, meu próprio estilo foi se
definindo. Um estilo que não era uma imitação de nenhum desses escritores ou
roteiristas, mas uma mistura de todos eles, uma sopa antropofágica da qual
emergiu minha própria maneira de escrever e bolar tramas.
SKETCHBOOK REÚNE 38 ARTISTAS TIPO EXPORTAÇÃO
O SketchBook CUSTOM IHQ STUDIOS (Instituto HQ) é um portfólio consistente do estúdio IHQ — comandado pelo também artista Klebs Junior. Este álbum de 64 páginas dá uma boa ideia do nível artístico atingido pelos quadrinhistas nacionais que vêm produzindo quadrinhos dos mais variados gêneros e com os mais famosos personagens de todo o mundo.
O estúdio IHQ especializou-se no agenciamento de desenhistas, arte-finalistas e coloristas conduzindo, com profissionalismo, o desenvolvimento da carreira de cada um dos seus agenciados. Há mais de 15 anos no mercado, tornou-se um dos maiores estúdios de produção de arte, ilustração e quadrinhos do mundo, sendo procurado pelas maiores editoras do ramo do Brasil, Estados Unidos e Europa, como um celeiro de grandes talentos.
Atualmente, o IHQ agencia aproximadamente 51 artistas, e produz, em média, 2.500 páginas de quadrinhos por mês. Alguns de seus principais trabalhos são: Doctor Who (Titan); Assassin’s Creed (Titan); Avengers (Marvel); X-Force (Marvel); Thor (Marvel); Spider-Man (Marvel); Deadpool (Marvel); Wolverine (Marvel); Star Wars (Marvel); Superman (DC Comics); Capitão Átomo (DC Comics); Conan (Darkhorse); Star Trek (EDW); entre outros.
Klebs Junior, além de participar desse livro coletivo, também está lançando o seu próprio volume na Coleção SketchBook CUSTOM, que no próximo dia 11 de Junho será apresentada no evento SketchCON I – Art Convention, no Jazz Restô e Burgers, com a presença de 8 desses autores, autografando seus álbuns e conversando com o público. Confirmaram a presença Klebs Junior, Renato Arlem, Guilherme Raffide, Mauricio Leone, Dave Santana, Paulo Borges, Leandro Casco, Wellington Diaz...
Serviço:
Entrada franca
Data: Domingo, 11 de Junho de 2017 - Das 13h às 18h
Local: Jazz Restô e BurgersLargo Dona Ana Rosa, 33 - Vila Mariana [ao lado do Metrô Ana Rosa]....
Entrada franca
Data: Domingo, 11 de Junho de 2017 - Das 13h às 18h
Local: Jazz Restô e BurgersLargo Dona Ana Rosa, 33 - Vila Mariana [ao lado do Metrô Ana Rosa]....
LISTA DOS ARTISTAS PARTICIPANTES DO LIVRO SketchBook CUSTOM IHQ STUDIOS (Instituto HQ)
• Adauto Silva • Adriano Vicente • Alexandre Jubran • Arabson • Belardino Brabo • Carlos Magno • Carlos Rafael • Dave Santana • Eber Evangelista • Edu Menna • Elton Tomasi • Gabriel Andrade Junior • Georges Duarte • Guilherme Raffide • Ivan Rodrigues • J.B. Bastos • Jadson • James Cordatto • Klebs Junior • Leandro Casco • Leandro Ricardo • Luiz Campello • Manny Clark • Marcelo Salaza • Marcio Freire • Mauricio Leone • Nelson Pereira • Nilton • Paulo Borges • Ph • Rafael Dantas • Raphael Lobosco • Renato Arlem • Rui Wobeto • Stephani Renne • Walter Geovanni • Wellington Diaz • Wilton...
Qual a relação da igreja católica com o nazismo?
A igreja católica não teve relação direta com o nazimo,
mas foi muito próxima do fascismo italiano.
Em 1870, as várias cidades italianas se uniram num único
país e as terras papais foram transformadas em propriedade do estado. Isso fez
com que a Igreja ficasse pobre e sem poder político. Dizem que o Vaticano caía
aos pedaços, com esgoto entupido e ratos espalhados pelo prédio. A situação se
reverteria com a chegada de Mussolini ao poder. O ditador italino assinou com o
papa Pio 11 o Tratado de Latrão, que não só dava à Igreja um território, como
fazia uma doação de cerca de 90 milhões de dólares.
Embora tenha recuperado as finanças da igreja, o pacto
foi péssimo para a imagem do Vaticano. No fim da vida, Pio 11, arrependido,
escreveu uma encíclica condenando o anti-semitismo e, portanto, o nazismo.
Faltavam apenas dois dias para a publicação quando o papa morreu, sendo
substituído por Pio 12, que simplesmente arquivou o documento. Ele considerava
o nazismo um mal menor diante do perigo do comunismo.
Mesmo quando a perseguição e morte de judeus se tornou
pública, o papa nunca se pronunciou contra o nazimo, razão pela qual tem sido
chamado de O Papa de Hitler.
Após a guerra, grupos católicos ajudaram oficiais
nazistas a escaparem para países da América Latina.
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