domingo, outubro 02, 2022

Quadrinhos e conexões intermídia - livro publica artigos de professor e alunas da Universidade Federal do Amapá


 

Acaba de ser publicado pela Aspas o livro Quadrinhos e conexões intermídias -volume 2.

O livro traz um texto meu sobre a série Psicopatas, na qual analiso o processor de produção do roteiro.
Traz também um artigo das minhas alunas Beatriz Cardoso Viegas e Lorena Cardoso Lima sobre a HQ Persépolis.
Dos dois o que me dá mais orgulho e felicidade é o artigo dessas duas alunas, cujo trabalho foi orientado por mim. Acho que para todo professor a realização dos alunos é motivo de mais orgulho e felicidade quanto as próprias realizações.
Em tempo: o livro pode ser baixado gratuitamente no link: https://blogdaaspas.blogspot.com/p/publicacoes.html

Fundo do baú - Futurama

 


Futurama surgiu em 1999, obra de Matt Groening, o mesmo criador dos Simpsons.

A ideia era levar para o futuro toda a ousadia dos Simpsons para satirizar os principais temas da ficção científica, de invasões espaciais a revoltas de robôs.

Na época em que se passa a história, o ano 3000, existem filas em cabines de suicídio (que podem ser acionadas por apenas 25 centavos), travesseiros irradiam mensagens publicitárias e a maioria corporação do planeta é comandada por uma velhinha corrupta chamada Mamãe. Para criar o visual e os conceitos da série, Groening e sua equipe mergulharam em uma vasta coleção de livros de ficção científica, dos clássicos aos mais descartáveis. As capas de livros de FC dos anos 50 foram, inclusive, a principal inspiração para o visual das naves e arquitetura das cidades futuristas.

A história é protagonizada por Philip J. Fry, um jovem entregador de pizzas nova-iorquino que é acidentalmente congelado e acorda mil anos no futuro. Ali ele se torna entregador na empresa Planet Express, do seu 30 vezes sobrinho-neto (que, na história, é muito mais velho que Fry).

A galeria de personagens secundário é memorável, a começar pelo carismático Bender, um robô alcóolatra, cleptomaníaco e egocêntrico. Leela, a responsável capitã da nave, é uma ciclope alienígena criada em um orfanato. O professor Professor Hubert J. Farnsworth é um gênio de 159 anos, que constantemente se esquece das coisas. Dr. John A. Zoidberg é um alienígena crustáceo que trabalha como médico da nave e, embora diga o contrário, não sabe nada sobre anatomia humana.

A equipe de roteiristas aproveitou o fato da animação se passar no futuro para criar todo tipo de situações extravagantes. Na série, por exemplo, o Natal não é uma data festiva. Ao contrário, é a época em que todos se recolhem em suas casas com medo de um robô assassino que acha que é o Papai Noel.

Entre facas e segredos

 


Entre facas e segredos, filme de Rian Johnson disponível na Amazon Vídeo, é uma homenagem e sátira às tramas policiais de Agatha Christie.

Na trama, um escritor policial é encontrado morto no dia seguinte ao seu aniversário de 85 anos. Aparentemente cometeu suicídio, mas um detetive particular, contratado por um cliente não identificado, desconfia que ele pode ter sido assassinado. Conforme vai entrevistando as várias pessoas que estiveram presente à festa de aniversário, o detetive percebe que muitas teriam motivos para matar o escritor. É o filho cuja diretoria da editora será tirada de suas mãos, é a nora que desviava dinheiro da faculdade da filha e perderá a boquinha, é o genro que tem um caso extraconjugal descoberto pelo sogro...

No centro de toda essa trama, a enfermeira que cuidava do escritor e que vomita toda vez que conta uma mentira.

Difícil contar detalhes sem estragar as muitas reviravoltas do roteiro. Mesmo mostrando em flash back todos os acontecimentos Rian Johnson sempre guarda um segredo – o que o expectador vê pode ter acontecido, mas ter outro significado. Assim, o diretor faz um jogo com o receptor, surpreendendo-o a todo instante.

Essa trama poderia ser facilmente uma adaptação de um livro de Agatha Christie não fosse o toque de humor e o exagero proposital em algumas atuações e na própria direção. O detetive particular interpretado por Daniel Craig é prolixo, excessivamente auto-confiante, mas muitas vezes parece estar perdido na trama – e a solução sobre o caso surge de insight no último momento. Acrescente a isso uma edição rápida, ângulos e movimentos de câmera pouco convencionais e temos um filme policial realmente diferente.

Centro budista em Macapá

 


Macapá já tem um local para estudos e meditação budista. Trata-se do Templo da paz - Centro de Meditação e Estudos Budistas Jardim de Lumbini. 
O templo fica na Rua José Serafim 669, entre Av Jose Tupinambas (Nações Unidas) e Av General Osörio. Bairro Laguinho, Macapá. Contato: 981042276 Whatsapp

Confira a programação:
Terça-feira (18:30 às 19:30h) - Meditação zazen. 
Quarta-feira (19 às 20h) - Yoga 
Sábado (18 às 20 h) - Aula de Qi Gong, estudo do Dharma e meditação Meta Bhavana

A máquina do tempo, de H.G. Wells

 


H.G. Wells foi um dos maiores gênios da ficção científica. Ele antecipou alguns dos principais temas do gênero, entre eles a viagem no tempo.

Escrito em 1895, o livro de Wells pode não ter sido o primeiro sobre viagens no tempo, mas certamente foi o primeiro a mostrar isso sob ação de uma máquina, que poderia ser controlada por um ser humano.

O livro começa, aliás, como uma discussão científica. O protagonista (simplesmente chamado de Viajante do Tempo) explica que todo objeto é normalmente visto como existente na altura, largura e profundidade, as três dimensões. Mas ele também existe no tempo, a quarta dimensão. E levanta a hipótese de que, da mesma forma que é possível viajar no espaço, também seja possível viajar pela quarta dimensão. E mostra para sua plateia o protótipo de um mecanismo, que desaparece ao ser acionado.

Tempos depois, o narrador volta à casa do Viajante do Tempo, que aparece totalmente andrajoso e, após tomar um banho, se vestir com roupas novas e comer, finalmente conta sua história.

Ele teria viajado no tempo, até o ano de 802701, uma era em que a humanidade havia sido completamente transformada (inteligente, Wells situou sua história muitos séculos além de sua época).

A engenhosa descrição da própria viagem em si já vale o volume: “A imagem ofuscada do laboratório pareceu sumir, e vi o sol saltando com rapidez pelo céu, pulando a cada minuto e cada minuto marcava um dia (...) A lesma mais lenta que já se arrastou corria muito rápido para mim”.

Mas o que é narrado após a chegada ao ano de 802701 é uma história empolgante que envolve mistério, ação, suspense, entremeados com várias reflexões filosóficas.

O que o viajante encontra no futuro são pessoas pequenas e bonitas, mas frágeis, os eloi, que vivem vidas despreocupadas, de puro prazer, comendo apenas frutas e aparentemente incapazes de manusear qualquer mecanismo. Além disso, são indivíduos preguiçosos, que cansam muito rápido. Quando uma das mulheres se afoga no rio, ninguém faz o menor esforço de tentar salvá-la e cabe ao viajante do tempo essa incumbência – o que gera um bizarro interesse romântico, já que Weena é mostrada praticamente como uma criança em sua alegria despreocupada.

Mas, se o mundo da superfície é povoado pelos belos e frágeis eloi, no subterrâneo viem os Morlock, uma raça de seres repugnantes de pele branca.

A explicação dada por Wells ecoa uma forte crítica social: à certa altura a classe dominante se estabelecera na superfície, relegante as galerias subterrâneas para a classe trabalhadora, que produzia tudo o necessário para a burguesia em diversas máquinas. Mas a evolução fez com que os operários se tornassem seres totalmente noturnos e, numa curiosa inversão, passassem a se alimentar dois eloi, mostrados como gado que vive alegremente e engorda para finalmente ser devorado.

Wells reflete que esse modelo de sociedade tirou das classes dominantes qualquer traço de inteligência, pois a inteligência e a inventividade são originárias da necessidade. Séculos de uma vida de puro prazer fez com que os seres da superfície perdessem até mesmo a capacidade de ler.

A máquina do tempo mistura essa crítica social e reflexão filosófica com uma trama muito bem elaborada e repleta de ação e suspense – uma vez que a máquina do tempo é roubada, ameaçando deixar o viajante preso para sempre no futuro. É um verdadeiro triller, que deixa o leitor primeiro curioso para entender o que está acontecendo e depois tentando imaginar como o Viajante conseguirá se salvar.

Um clássico absoluto em pouco mais de 100 páginas.  

Hulk e Coisa: a grande mudança

 


Se há dois personagens da Marvel que merecem ser chamados de pesos-pesados são o Hulk e o Coisa. E os encontros dos dois sempre renderam boas histórias. Um dos mais célebres desses encontros foi a história A grande mudança, publicada no Brasil no primeiro número da coleção Graphic Marvel.
Essa graphic era também o encontro de dois monstros, mas dessa vez da indústria de quadrinhos: Jim Starlim e Berni Wrightson.
A história tinha uma forte pegada de humor, o que já fica explícito desde a primeira página, com close do Coisa com um tomate esmagado no alto de sua cabeça e o suco escorrendo pelo rosto. O texto dava a entender que ele estava enfrentando um grande inimigo. Quando viramos a página descobrimos que o grande inimigo era... a turma da rua Yancy! Antes que seja atigindo por novos tomates, ele é teleportado. O mesmo acontece com o Hulk numa sequência hilária em que um escultor faz uma grande estátua em homenagem ao Coisa, e esta acaba sendo destruída pelo... gigante esmeralda!
Os dois são teleportados para um planeta onde devem entregar uma intimação para um mafioso que sequestrou um cientista. Em troca, terão direito a dois desejos.
Starlin abusa dos trocadilhos no nome os personagens. O cientista chama-se  Dhu Ente. O sequestrador chama-se Kissal Afrário e seu chefe responde pela singela alcunha de Senth Obbraço.


Berni Wrightson conseguia unir humor com desenho anatômico.

É uma sequência momumental de situações absurdas e hilárias. À certa altura, por exemplo, o Hulk precisa se disfarçar e não pensa duas vezes: soca um ser no formato de polvo e o coloca na cabeça.
Se o texto é muito divertido, o desenho é um deslumbre.  Wrightson é um mestre do desenho e da narrativa, que consegue aliar um desenho anatômico com humor e fazer algumas splash pages realmente fantásticas.
Essa graphic é um ótimo exemplo de é que possível fazer quadrinhos fast food, como pura diversão e ainda assim manter a qualidade.

Introdução à metodologia científica

 


O sucesso do Manual de redação científica me estimulou a lançar um novo livro, mais amplo, denominado Introdução à metodologia científica. A obra abarcava os mais diversos assuntos, desde os tipos de conhecimentos à formatação de projetos de pesquisas, além, claro, das regras da ABNT para trabalhos acadêmicos. O livro foi lançado em 2004 por uma faculdade na qual eu trabalhava na época e teve tiragem de mil exemplares. Em nosso acordo, eu fiquei com metade da tiragem e a faculdade com a outra metade. Em seis meses eu tinha vendido todo o meu estoque. O livro foi adotado em várias faculdades e a tiragem de mil exemplares se esgotou em menos de um ano.

sábado, outubro 01, 2022

Livro para baixar: 2021 reúne alguns do melhores autores de ficção científica do Brasil

 


A partir de sete ilustrações de Edgar Franco, sete contos de ficção científica de Edgar Smaniotto, Fábio Fernandes, Fabio Shiva, Gazy Andraus, Gian Danton, Nelson de Oliveira e Octavio Aragão. Os contos têm no máximo 2021 palavras, como referência ao ano de 2021, que para Edgar representa o tempo de um admirável ou abominável mundo novo, em que o velho "normal" segue incólume, em aceleração absoluta tornando-se HIPERNORMAL.

O livro está sendo disponibilizado gratuitamente. 

Para baixar o livro, clique aqui.  

A arte magnífica de Alex Ross

 


Alex Ross é dos mais aclamados desenhistas de quadrinhos da atualidade. Ele se tornou famoso após o sucesso da minissérie Marvels, com roteiro de Kurt Buziek, um dos trabalhos melhores quadrinhos publicados nos anos 1990. Sua arte pintada se tornou disputada pelos editores a partir de então. Além de quadrinhos, ele fez capas de diversas revistas. Seu estilo é inconfundível, casando perfeitamente realismo com a grandiosidade dos heróis dos quadrinhos.


























Clarabela e o jornalismo

 

 

A primeira lição que eu tive sobre o jornalismo aconteceu muito antes de entrar na faculdade.
Eu era ainda uma criança quando li, numa revista Disney, uma história em que Clarabela era contratada como repórter. A situação era meio surreal, pois ela não era formada em jornalismo, não tinha experiência e nem mesmo pauta. O editor simplesmente mandou que ela fosse a campo em busca de notícias.
 A primeira matéria dela foi sobre coisas que aconteciam com ela: o que ela havia feito durante o dia, etc. Era até informação, mas que só interessava a ela e aos amigos. Quando o editor vê o texto, fica desesperado: "Não, a notícia não pode ser sobre você!".
E lá foi a Clarabela em busca de outra notícia...
Nisso ela passa na frente do banco e acaba sendo tomada como refém.
Apesar do assalto ter  sido algo que atiçara a curiosidade de todos, Clarabela não escreve a notícia, pois o fato havia acontecido com ela e o editor havia dito que ela não era notícia.
O leitor, esperto, descobria que ambos, editor e repórter eram verdadeiras antas e que notícia é informação, mas um tipo específico de informação: a que tem interesse público. O cotidiano de Clarabela não tem interesse público, mas o assalto ao banco tem. 
Jornalismo trabalha com informação de interesse público. Simples, não? 

Perry Rhodan – O flagelo do esquecimento

 


O capítulo 36 da série de ficção científica Perry Rhodan se passa em plena guerra dos saltadores contra Perry Rhodan. Os números anteriores mostraram que os chefes de clãs haviam se reunido no planeta Goszul afim de decidir o destino a Terra.

Os mutantes John Marshall, Tako Kakuta, Kitai Ishbashi e Tama Yokida haviam se infiltrado em uma nave e penetrado na reunião com objetivo de fazer com que os mercadores acreditassem que seria suicídio atacar os terranos.

Em O flagelo do esquecimento, os mutantes, com a ajuda de Gucky, colocam em ação o plano de Rhodan para livrar o planeta dos saltadores, libertando os habitantes locais de um longo período de jugo.

O plano já está expresso no título: espalhar no planeta uma doença do esquecimento. Como explica Perry Rhodan à certa altura: “Todo homem que entrar em contato com a bomba, manifesta logo sintomas de uma doença desconhecida. Placas vermelhas no rosto, dores na nuca, sensação de cansaço etc. Mas o pior vem ainda: o cérebro da pessoa atingida não funciona mais direito. Não poderá se lembrar mais de nada”.

Para que os saltadores não desconfiem que se trate de uma guerra bacteriológica, o que de fato é, os mutantes infectam primeiro os habitantes locais do planeta e são esses que passam a doença para os invasores.

Alguém da equipe editorial responsável pela publicação de Perry Rhodan deve ter pensando: “Ei, fazer uma guerra bacteriológica não é algo digno de um herói”. Ou talvez tenha sido o próprio organizador dos volumes, K. H. Scheer.

A capa original alemã. 


A solução: há um antídoto, que faz com que a pessoa volte a ter memória. Mesmo assim, deve ter parecido muito cruel usar os pobres habitantes de Goszul como vetores. Aí veio o acréscimo: a doença não só era curável com um soro, como ainda aumentava a inteligência dos curados em 20%, algo bem a calhar para os habitantes do planeta.

Lá pelo final surge mais um dilema ético: os saltadores poderiam espalhar a doença por outros planetas, provocando uma pandemia universal. Aí mais uma vez o autor Clark Darlton cria uma explicação, na voz de Perry Rhodan: depois de algum tempo a memória volta, independente do soro.

Embora tenha uma boa trama de aventura, O flagelo do esquecimento chama mais atenção pelos dilemas éticos levantados pela trama.  

Coringa - mergulho em uma mente ensandecida

 


Coringa é um filme perturbador. Um mergulho profundo na mente do mais perigoso vilão de Gothan.
Alan Moore já havia introduzido a ideia de que a personalidade louca havia surgido após um dia difícil. Frank Miller havia sugerido que ele era tão perigoso justamente por ser imprevisível: ao contrário de outros vilões que querem dinheiro ou poder, o Coringa só quer o caos.
Mas nenhum dois aprofundou tanto o  personagem quanto o diretor Todd Phillips.
O diretor explora o processo de transformação de Arthur Fleck, um palhaço e humorista fracassado  que aos poucos se torna um louco e imprevisível assassino.
E esse processo é um acúmulo de acertos, a começar pela ambientação nos anos 1970, que ecoa diretamente a Nova York de Taxi Drive, de Martin Scorsese. Mas Gothan do filme é uma uma Nova York ampliada à quinta potência. Uma greve de lixeiros faz com que o lixo se espalhe pelas ruas, a economia está em frangalhos, uma revolta está prestes a eclodir.
Nessa panela de pressão, o programa de maior audiência é um talk show apresentado por Murray Franklin, interpretado por Robert De Niro. A referência é óbvia: na década de 1970, De Niro fez o papel de um comediante fracasso que sequestra Jerry Lewis para aparecer em seu programa.    
Há diversas outras referências: o visual final do personagem é parcialmente inspirado na maquiagem de John Wayne Gacy, o palhaço psicopata, que quando não estava matando garotos, estava se apresentando para crianças em um hospital infantil (em uma das cenas Arthur Fleck  também se apresenta em um hospital infantil). Há, óbvio, a referência à Piada Mortal, de Alan Moore e o conceito de que o vilão era inicialmente um humorista fracassado que só conseguia fazer a esposa rir (mas o filme eleva ainda mais o nível de tensão ao mostrar qual é a verdadeira natureza da relação entre Fleck e sua namorada).
Outro grande acerto é conectar a origem do Coringa à origem do Batman, inclusive a suspeita do personagem de que ele poderia ser filho de Thomas Wayne.
Soma-se a isso a atuação de Joaquim Fênix, simplesmente antológica. Dizem que todos os atores que aturam como o Coringa teriam sido abalados por ele. Conta-se que Heath Ledger teria praticamente enlouquecido durante as filmagens do Cavaleiro das Trevas. Difícil não acreditar que Fênix também não tenha sido afetado. Sua atuação é perturbadora, em especial a risada, que no filme tem uma história: seria um problema neurológico, fruto de maus tratos na infância, que o fariam rir nos momentos mais inoportunos ou quando está nervoso.
Some a isso a trilha sonora, tensa, nervosa, pesada que faz com que uma simples cena de dança se torne assustadora. Aliás, o filme brinca com o expectador, fazendo-o ficar tenso em momentos cotidianos e levando-o a rir durante um assassinato.
De tudo, apenas uma coisa a lamentar: que esse filme não tenha conexões com futuras da produção da DC. Adoraria ver esse Coringa já totalmente desenvolvido  em outras produções.

Abapuru, de Tarsila do Amaral

 

Abapuru é o quadro mais famoso e importante da arte brasileira. Ele foi pintado em segredo por Tarsila do Amaral e dado de presente para seu esposo no dia de seu aniversário, em 11 de janeiro de 1928.
Oswald de Andrade ficou fascinado com o quadro e mostrou para o poeta Raul Bopp. Juntos começaram a analisar a imagem e ver ali um índio canibal, aquele que iria devorar a cultura vinda de fora para apossar-se dela e reinventá-la.
Tarsila procurou um dicionário de tupi e encontrou ali as palavras “aba” e “poru”, homem que come. Assim foi batizado o que se tornaria o quadro mais importante da arte brasileira.
Oswald usou o quadro como exemplo de sua proposta para a arte brasileira: ao invés de imitar os europeus, como se fazia até então, procurar uma arte nacional através da assimilação de vários elementos e reinvenção dos mesmos.
Quando o casal se separou, Tarsila quis ficar com o quadro – e ofereceu para Oswald um outro quadro seu, na época mais valioso.
Conforme participava de exposições no Brasil e no exterior, Abapuru foi ganhando fama.
Nos anos 1960, Tarsila vendeu o quadro para o crítico de arte  Pietro Maria Bardi, fundador do MASP. Sua ideia era que o quadro passasse a integrar o acervo do Museu. Mas Bardi preferiu ganhar dinheiro. O quadro foi vendido e revendido, tornando-se mais valioso a cada ano, até ir parar nas mãos de um colecionar argentino, que o colocou no acervo de um museu de Buenos Aires.
A volta do quadro para o Brasil em 2019, em uma exposição temporária no MASP, levou uma verdadeira multidão para o museu (foi quando tirei essa foto).
Uma curiosidade é que o quadro surge depois de uma visita do casal Tarsila-Oswald para as cidades históricas de Minas Gerais. Tarsila ficou encantada com a cultura local, principalmente as cores e passou a incorporá-la nas suas pinturas. Há um depoimento dela segundo o qual ao estudar na Europa ela aprendeu que as cores vivas eram feias e deviam ser evitadas, e depois dessa visita a Minas ela deixou de se envergonhar de usá-las em seus quadros.
Aliás, essa proposta lembra muito as ideias de um amigo do casal, Monteiro Lobato, segundo o qual os artistas brasileiros deveriam deixar de simplesmente imitar os europeus e buscar em nossas raízes populares o norte para uma arte brasileira. 

Jon Sable – freelancer

 

Em 1983, a editora First entrou com tudo no mercado dos comics convidando artistas já consagrados para produzirem séries inéditas e autorais. O resultado foram trabalhos revolucionários, como American Flagg, mas também HQs que era essencialmente boas histórias bem contadas. Nessa última categoria se enquadra Jon Sable, de Mike Grell.

Sable é um mercenário urbano que combate criminosos e terroristas e, nas horas vagas, escreve histórias infantis no estilo senhor dos anéis através de seu alter-ego BB Flemm. É o tipo de personagem com o qual Grell se sente à vontade, vide sua ótima fase no Arqueiro Verde: muita ação misturada com toques de espionagem.

A sequencial inicial, com o personagem sendo atacado por três homens em uma espetacular página dupla dá o tom da história. No final, descobrimos que os três homens trabalham para o presidente Ronald Reagan, que teme um atentando na abertura da reunião das Nações Unidas e quer contratar os serviços de Sable. É de se perguntar porque simplesmente não contratá-lo ao invés de colocar três capangas para trocar socos com ele, mas esse é um quadrinho de ação, e o autor aproveita cada oportunidade de mostrar uma peleja.

As histórias começavam com uma página dupla. 



E, claro, o terrorista é alguém do passado de Sable, o que costura o roteiro, deixando-o redondido.

Grell gostou tanto da série que abandonou todos os outros compromissos para se concentrar apenas nesse gibi.

Sable fez sucesso e foi publicado até o número 56. No Brasil saíram apenas quatro exemplares, pela Cedibra.