segunda-feira, março 30, 2009


Já está nas bancas de Macapá o número 17 da revista Conhecimento Prático - Filosofia. Essa edição tem um artigo meu sobre o Conhecimento Artístico. Vale a pena conferir.

domingo, março 29, 2009

Caminho das Índias


A novela Caminho das Índias tem o mérito de ter chamado atenção para a Índia, o que deverá fazer com que muita gente descubra essa civilização ancestral. Também está tendo o mérito de colocar o tema psicopatas na pauta de discussões (considerando-se que a filha da autora foi morta por um psicopata, é surpreendente que só agora ela esteja tocando no tema). O problema é que os excessos da Glória Peres estão dando a idéia que na india vive-se uma eterna festa. Já surgiram até algumas piadas sobre o assunto:

O que o indiano faz quando acorda?
Ele dança!

O que o indiano faz antes de ir para o trabalho?
Ele dança!

O que o indiano faz quando perde o emprego?
Ele dança!

O que o indiano faz depois do almoço?
Ele dança!

O que o indiano faz na hora de dançar?
Ele descansa, afinal ninguém é de ferro!

O blog Algum Lugar publicou um artigo comparando os personagens de Watchmen com os personagens da Charlton, que lhes serviram de base. Para quem não sabe, Alan Moore bolou Watchmen quando a DC Comics comprou comprou a editora Charlton e os editores propuseram que ele pensasse numa histórias com os heróis da editora. Mas o conceito ficou tão revolucionário, que pediram a Moore que criasse outros heróis. Dizem que Joe Orlando, que gostava muito dos personagens da Charlton, se arrepende até hoje dessa decisão. Afinal, os Watchmen se tornaram um clássico e o heróis da Charlton só sobreviveram em aparições ocasionais na Liga da Justiça.

sexta-feira, março 27, 2009

Música do dia

O Vento vai Responder

(Zé Ramalho, adaptando Blow in the Wing, de Bob Dylan)
Quantos caminhos se tem que andar
Antes de tornar-se alguém
Quantos dos mares temos que atravessar
Pra poder na areia descansar
Quantas mais balas perdidas voarão
Antes de desaparecerem
Escute o que diz
O vento, my friend
o vento vai responder
Quantas vezes olharemos o céu
Antes de saber enxergar
Quantos ouvidos terá o poder
Para ouvir o povo chorar
Quantas mais mortes o crime fará
Antes de se satifazer
Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder
Quantos anos pode uma montanha existir
Antes do mar lhe cobrir
Quantos seres ainda irão torturar
Antes de libertar
Quantas cabeças viraram assim
Fingindo não poderem ver
Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder

quinta-feira, março 26, 2009

MAD 12 nas bancas de Macapá


Já está nas bancas de Macapá a MAD 12, edição de aniversário de um ano. Também é a edição em que faço minha estréia como roteirista da revista, com a sátira do BBB.

quarta-feira, março 25, 2009

Morre Donald Westlake


A notícia é de janeiro, mas como só soube agora, achei que não deveria deixar passar. Morreu Donald Westlake, um dos mais importantes escritores e roteiristas norte-americanos. Especializado em histórias policiais, Westlake teve alguns de seus livros adaptados para o cinema, como o filme O Troco, com Mel Gibson.
Eu conheci Westlake na Biblioteca Pública de Belém, com o livro que misturava humor e suspense: O Espião Pacifista. Nele, um militante pacifista é confundido com um terrorista e acaba, sem querer, infiltrando-se numa rede terrorista, servindo de espião para a CIA. Como se pode ver por esse plot, Westlake adorava tramas não-convencionais.
O que sempre me agradou nele foi a forma descontraida com que ele escrevia suas histórias e o humor ferino. Em O Espião pacifista, por exemplo, o protagonista sabe que está vigiado pela CIA, mas não denuncia porque depois ia ter que ter o trabalho de se livrar do lixo, já que os espiões recolhiam seu lixo. Uma delícia de humor.
O livro seguinte foi O incrível Roubo do Banco, em que policiais se juntam para assaltar um banco... e então A Vida Secreta de um homem sensual, uma deliciosa comédia sobre um escritor que produz livros eróticos, mas tem uma vida sexual totalmente frustrada. O interessante dessa obra é que a narrativa dos livros que ele escreve se mistura com o que está acontecendo ao escritor, mostrando como os fatos reais infuenciaram na obra e como a obra influencia na vida do escritor. Um livro delicioso, que foge do que se poderia esperar de um romance popular.

Quando o jornalista Lúcio Flávio Pinto esteve em Macapá, ele me pediu para levá-lo num sebo. Claro que fiz questão de levá-lo (Macaco quer banana?). Lá encontramos um livro do Westlake e descobri que tínhamos esse gosto em comum: ambos éramos fãs desse ótimo escritor policial.



O blog dos quadrinhos publicou um interessante artigo sobre ¨Oesterheld e seu Eternauta¨. Oesterheld é o mais importante roteirista da Argentina e um dos mais importantes do mundo. Foi o grande responsável pelo sucesso da HQ portenha.

A farsa do fantasma de Macapá

Há alguns dias publiquei aqui o vídeo do fantasma que teria aparecido na Gruta, um balneáreo em Macapá. De fato, o vídeo foi analisado por equipes de duas emissoras da cidade, e não encontraram nenhum sinal de truncagem. O vídeo não havia sido manipulado e estava lá, frame a frame. Mas, o que muita gente logo descobriu, é que o truque era muito mais simples e não necessitava nem mesmo de edição. Os garotos simplesmente aproveitaram uma falha de resolução dos celulares com câmera VGA, que borra o que estiver ao fundo se esse objeto estiver em movimento. Até meus filhos fizeram filmes de fantasmas assim. Esse vídeo é de alguns amigos professores.

terça-feira, março 24, 2009

Eu e os ratos


Um jovem piloto experimentava um monomotor muito frágil, uma daquelas sucatas usadas no tempo da Segunda Guerra, mas que ainda tinha condições de voar...
Ao levantar vôo, ouviu um ruído vindo debaixo de seu assento. Era um rato que roia uma das mangueiras que dava sustentação para o avião permanecer nas alturas.
Preocupado pensou em retornar ao aeroporto para se livrar de seu incômodo e perigoso passageiro, mas lembrou-se de que devido à altura o rato logo morreria sufocado.
Então voou cada vez mais e mais alto e notou que acabaram os ruídos que estavam colocando em risco sua viagem conseguindo assim fazer uma arrojada aventura ao redor do mundo que era seu grande sonho...
MORAL DA HISTÓRIASe alguém lhe ameaçar, VOE CADA VEZ MAIS ALTO...
Se alguém lhe criticar, VOE CADA VEZ MAIS ALTO...
Se alguém tentar lhe destruir por inveja e fofocas, e por fim, se alguém lhe cometer alguma injustiça, VOE CADA VEZ MAIS ALTO...

Os ameaçadores, críticos, invejosos e injustos são iguais aos "ratos", não resistem às grandes alturas. Pense nisso...

(Autor desconhecido - se alguém souber quem é o autor, deixe um comentário, ok?)

Há alguns dias, vinha esquentando a cabeça com um camundongo que insistia em entrar no meu escritório e fazer coco por onde ia. Tentei de tudo: coloquei veneno, tampei o pequeno espaço por onde ela entrava... nada adiantava. Então, a amiga Kiara, do blog Neste Instante, conseguiu para mim uma ratoeira adesiva, uma folha de papel adesiva com uma isca no centro. Foi batata. A catita rapidamente ficou presa no adesivo. Talvez haja algo a ser aprendido aí. Os ratos, sejam eles roedores de verdade, ou invejosos, trolls... um dia acabam sucumbindo sob o peso de sua própria ganância. E devemos sempre agradecer aos amigos que nos ajudam a sobreviver aos ratos, de quatro, ou duas patas...
O jornalista Corrêa Neto foi internado por causa de uma virose e está na UTI do hospital São Camilo. A notícia é do blog da Alcinéa Cavalcante. Estamos rezando por sua recuperação.

domingo, março 22, 2009

Edgar Morin e o pensamento complexo - parte 1

Um dos pensadores mais importantes da atualidade é o francês Edgar Morin. Suas idéias, inicialmente criadas para discutir a questão do conhecimento, espalharam-se por várias áreas e tornaram-se uma referência obrigatória na área de educação a partir do livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, escrito a pedido da Unesco.
Essencialmente, a teoria de Morin baseia-se na critica ao que ele considera os três pilares da ciência moderna: a ordem, a separabilidade e as lógicas indutivas e dedutiva.
A busca da ordem sempre foi o interesse principal da ciência. Quando desconhecemos como algo funciona, aquilo é caótico para nós. Quando aprendemos sobre aquilo, a ordem se revela aos nossos olhos.
Há várias formas de definir ordem. A teoria da informação nos ensina que ordem é falta de varidade/informação. Já caos é variedade/informação em estado puro. Um relógio é um exemplo perfeito de ordem. Ele sempre fará as mesmas coisas, sempre se movimentará de maneira uniforme a totalmente previsível. Já a bolsa de valores é um fenômeno mais caótico, pois é muito mais difícil prever seus movimentos.
Uma outra maneira de definir ordem, complementar à anterior, é através da determinação. Fenômenos ordenados são determinados. Determinação sugere uma relação causal. Se determinado fenômeno ocorre, ele terá obrigatoriamente uma conseqüência.
Para Isaac Newton, Deus criou, no princípio, as partículas materiais, as forças entre elas e as leis fundamentais do movimento. Todo o universo foi posto em movimento desse modo e continuou funcionando, desde então, como uma máquina, governada por leis imutáveis.
A relação de causa e consequência é extremamente determinada na ciência clássica. Se solto uma pedra, essa obrigatoriamente irá cair, pois a lei da gravidade a força a isso.
A crença na determinação fez com que os cientistas e filósofos sonhassem com a possibilidade de decifrar a verdade definitiva. Essa ambição encontrou uma metáfora no demônio de Laplace. Laplace imaginou que, se uma inteligente tivesse todas as informações sobre todos os átomos do universo e fosse poderosa o bastante para calcular as relações de causa e conseqüência, o presente, o passado e o futuro se descortinariam diante de seus olhos.
A ciência clássica ignorava os fenômenos dinâmicos, que estão mais próximos do caos que da ordem. A bolsa de valores, o trânsito de cidade, as sociedades e até a vida humana são fenômenos que escapam ao determinismo.
Nas ciências humanas, até há pouco tempo, predominava um determinismo biológico ou social. Os adeptos do determinismo biológico chegaram ao seu extremo na eugenia. Para essa corrente de pensamento, os comportamentos são governados por traços genéticos. Assim, o filho de um sábio será também ele um sábio e o filho de um assassino será, também ele, um assassino. A eugenia defendia que apenas pessoas viáveis do ponto de vista social e biológico pudesse procriar e essa foi a base teórica para o nazismo.
No outro extremo, havia aqueles que diziam que o homem é fruto do meio. Uma pessoa criada em um meio intelectualizado se tornará um intelectual, independente de qualquer fator genético. Já uma pessoa criada em uma ambiente desfavorável intelectualmente não desenvolverá suas potencialidades.
O determinismo, tanto genético quanto social, se revelou falho. O atual presidente do Brasil é talvez o melhor exemplo do quanto é falho o determismo social. Quem poderia imaginar que um menino que saiu do sertão nordestino fugindo da seca um dia ia se tornar presidente do maior país da América Latina?
Edgar Morin diz que a complexidade nos dá a liberdade, pois nos livra do determinismo. Somos nós que construímos nosso próprio destino a partir de nossas escolhas, sejam elas conscientes ou não.
Como o Neo de Matrix, que deve decidir se toma ou não a pílula, constantemente nos vemos em encruzilhadas, em bifurcações. O que será de nosso destino será resultado direto do caminho que tomarmos.
Nada melhor do que uma frase do próprio Edgar Morin para demonstrar isso: “Quando penso na minha vida, vejo que sou fruto de um encontro muito improvável entre meus progenitores. Vejo que sou produto de um espermatozóide salvo entre cento e oitenta milhões que, não sei por sorte ou infortúnio, se introduziu no óvulo de minha mãe. Soube que fui vítima de manobras abortivas, que deram resultado com meu predecessor, mas ninguém saberá dizer porque escapei à arrastadeira. E cada vida é tecida dessa forma, sempre com um fio de acaso misturado com o fio da necessidade. Sendo assim, não são fórmulas matemáticas que vão dizer-nos o que é uma vida humana, não são aspectos exteriores sociológicos que a vão encerrar no seu determinismo
.”.

sexta-feira, março 20, 2009

Watchmen: o que eu esperava ver


Acho que uma das razões pelas quais muita gente não gostou de Watchmen, é que foram para o cinema com muita expectativa. Confesso que as minhas expectativa eram as piores possíveis Esse era o filme que eu esperava assistir:

O grupo Watchmen descobre que um terrível vilão está planejando explodir uma bomba atômica em Nova York. Nisso eles pedem a ajuda de Roschach, um vigilante que prefere agir sozinho, mas aceita liderar o grupo nessa situação especial.
Sob a liderança de Roschach, os heróis descobrem que o vilão é na verdade um amigo deles, Ozymandias, que ficou louco e se aliou aos terroristas islâmicos pensando que assim pode conseguir a paz mundial.
Este está superpoderoso graças a suas habilidade mentais, mas consegue ser derrotado no momento em que vai acionar a bomba, por Rorschach, claro.
No final, os heróis agradecem a ajuda do violento, mas esperto herói, e pedem que ele seja o líder do grupo. Ele agradece, mas diz que jurou combater a escória do mundo, principalmente os terroristas e acha que só pode fazer isso sozinho, pois um grupo grande chama muita atenção.
Termina com Rorschach andando de moto, a toda velocidade e, depois dos créditos, aparece o anúncio do filme solo do personagem, para 2010.

Spirit


O próximo filme baseado em quadrinhos, que deverá estrear em breve, será The Spirit, dirigido por Frank Miller. Muita gente está reclamando dos traileres, argumentando que o filme parece mais com Sin City que com The Spirit, mas Álvaro de Moya, amigo do criador do personagem, escreveu um texto defendendo Miller no Estadão. Leia aqui.

quinta-feira, março 19, 2009

Um texto meu sobre o livro Para ler o Pato Donald virou referência no verbete americanização, na Wikipédia. Confira.

Aos meus amigos

Quem é muito querido


O sucesso da novela Caminho das Índias criou um grande interesse pela Índia e fui convidado a colaborar com uma revista da editora Escala sobre o assunto. Foi um reencontro, porque sempre tive uma relação muito forte especialmente com a religião indiana. Na época da faculdade, elaborei um trabalho de antropologia sobre os Hare Krishna, uma observação participante, convivendo com eles numa comunidade rural que existia nos arredores de Belém. O Bhagavad Gita, principal livro religioso dos indianos, é até hoje uma das minhas leituras preferidas. Então foi interessante descobrir, através do meu amigo Matheus Moura, que existe uma versão do Bhagavad cantada por grandes astros da MPB. De Arnaldo Antunes a Arrigo Barnabé, cada um cantou uma parte do poema. Minha versão predileta é de Elba Ramalho, que acabou virando não só uma música religiosa e filosófica, mas um belo hino sobre a amizade. Abaixo, a letra da música:

Quem é muito querido

Quem é muito querido a mim
É muito querido a mim
Aquele que não inveja
Que é amigo sincero
De todos os seres vivos
Que não tem senso de posse
Que tem a mesma atitude
Na tristeza ou na alegria
Que é sempre determinado
Tendo a mente e o intelecto
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Quem nunca perturba os outros
Nem se deixa perturbar
Além da dualidade
Do sofrimento e prazer
Livre do medo e da angústia
Também é muito querido
Aquele que não se apega
Nem ao prazer nem à dor
Que não rejeita ou deseja
Ao que agrada ou aborrece
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Quem age do mesmo modo
Com amigos e inimigos
E não muda de atitude
No ostracismo ou na glória
No sucesso ou no fracasso
Que nunca se contamina
E sempre fica contente
Com o que lhe é oferecido
Este me é muito querido
É muito querido a mim
Este me é muito querido
É muito querido a mim

Sempre fui um crítico da revista Veja, mas não há como negar a importância histórica e política dessa revista, especialmente na época da ditadura militar. Pois agora a revista está disponibilizando todo o seu acervo na internet, desde a primeira revista, de 1968. Para acessar, clique aqui.

quarta-feira, março 18, 2009

Magia e literatura

Há algum tempo, em entrevista à revista Veja, o escritor Paulo Coelho declarou que não é mais um bruxo. Caminho oposto fez o roteirista inglês Alan Moore, autor de algumas das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Alan declarou que utiliza magia para escrever suas obras.
Para Moore, o ato de escrever está diretamente ligado à magia: “Eu percebi que você tem que ter cuidado com o que diz e escreve. Há algo de estranho no ato escrever. Recentemente li uma entrevista com a cartunista Carol Lay na qual ela menciona que tinha o cuidado de não desenhar nada de muito negativo em seus roteiros porque provavelmente aconteceria”.
Para Moore as idéias de magia e arte em geral estão ligadas desde o início da cultura: “As primeiras pessoas que conjuraram a imagem de um bisão na parede de uma caverna era magos para uma audiência que não tinha idéia de representação visual”.
Da mesma forma, as primeiras pessoas a empregarem a palavra escrita, numa fase em que a comunicação era extremamente rudimentar, eram tão inexplicáveis e misteriosas quanto o seriam os telepatas hoje. Afinal, através de algumas marteladas no barro elas conseguiam transmitir seus pensamentos a outras pessoas... “O fato de alguém conseguir enviar seus pensamentos para uma outra pessoa, registrar seus pensamentos e poder entender a passagem do tempo, tudo isso era visto como mágico”, diz Moore.
Não é uma coincidência que boa parte dos deuses dos panteões antigos eram também deuses da escrita ou da comunicação. Civilizações como a egípcia e a asteca revereciavam os escribas como verdadeiros representantes dos deuses na terra.
Em um de seus livros, A voz do fogo (publicado no Brasil pela editora Conrad), Alan Moore narra a história de sua cidade natal, Northampton, desde o período pré-histórico até a atualidade. Em um dos contos, um feiticeiro manda tatuar em sua pele o mapa da cidade e, a partir daí, o que ocorre a ele influencia a cidade e o que ocorre à cidade o influencia: “Esta aldeia é parte de mim. Suas doenças são as minhas. Se há besouros nas sementes dos campos ao sul, meus órgãos vitais aqui também são corroídos. Se as velhas rodas lá na Colina-da-fera caem na ruína e no esquecimento, os ossos de minhas costas ficam fracos tal como pedra amarela e se esfacelam ondee um raspa o outro. As pessoas são a pior parte. Quando Jebba Dente-quebrado fica louco e mata sua mulher e seus filhos, algo escorre de meu ouvido. Ou, se os irmãos Muito-cavalos estão em rixa, meus dentes ardem de dor”.
Da mesma forma, todo escritor é influenciado pela sociedade na qual vive e, ao mesmo tempo, a transforma com seus escritos.
Escrever pode ser uma elegia a um futuro melhor, uma promessa de dias mais felizes, como Júlio Verne e a era tecnológica ou Thomas Morus e a Utopia. Ou pode ser um exorcismo, uma forma de conter em palavras um futuro terrível e torna-lo impossível justamente porque foi escrito, como fez George Orwell em 1984.
Elegia ou exorcismo, escrever será sempre um ato de magia. Senão, como explicar que escritores possam fazer chorar ou rir, promover a esperança ou o desespero, o amor ou ódio?