Li A hora do vampiro, de Stephen King.
O livro é de 1975 e foi lançado na sequência de Carrie. Mostra um King em plena forma: na pequena cidade de Salem´s Lot, uma antiga mansão, na qual um homem se matou e matou a esposa, volta a ser ocupada. Desde o começo, o leitor advinha que os novos moradores são vampiros, mas na primeira metade da obra, o que mais interessa são os ótimos personagens (entre eles o protagonista, um escritor que volta para a cidade natal) e a ambientação. King cria uma cidade tão realista que, quando surge o terror,você fica pensando: Será que os heróis serão presos por homicídio após cravarem a estaca no coração do vampiro? Quem leu a história sobre vampiros escrita por Alan Moore para o Monstro do Pântano vai lembrar imediatamente dessa HQ ao ler A hora do vampiro. Moore nitidamente se inspirou em King ao estabalecer a ideia de uma cidade habitada por vampiros.
A hora do vampiro também é interessante por antecipar o King da escrita automática, solta, que veríamos em Saco de ossos, por exemplo.
A garotada que hoje curte Crepúsculo deveria ler King para saber o que realmente é trabalhar com vampiros.
Como não poderia deixar de ser, A hora do vampiro virou filme e fez tanto sucesso que surgiram vários outros títulos semelhantes em português. Quando a Sampa resolveu fazer uma copilação de histórias minhas e do Bené, eles a chamaram de A hora do Crepúsculo
quinta-feira, outubro 25, 2018
quarta-feira, outubro 24, 2018
Mistérios no espaço
Na década de 1950, com a crise nos quadrinhos de
super-heróis, as editoras tentaram vários gêneros alternativos. Um dos gêneros
de maior sucesso foi a ficção-científica.
Embora
a FC existisse nas tirs de jornais desde o final da década de 1920, foi só na
década de 1950 que os gibis do gênero começaram a fazer grande sucesso nos
gibis. Strange adventures (1950) e Mystery in Space (1951), dois lançamentos da
National, puxaram a fila. As revistas eram compostas de histórias curtas, sem
continuação ou personagens fixos. A ação estourava em qualquer lugar do espaço
ou em qualquer período temporal.
A
editora EC Comics, embora fosse especializada em terror, deu uma grande
contribuição à FC nos quadrinhos, aproximando-a do que era feito na literatura.
Aliás, Ray Bradbury, um dos grandes escritores do gênero, era fã e colaborador
da editora.
As
histórias da EC eram instigantes, sempre com finais surpreendentes. Numa
história, por exemplo, os terrestres vão ter seu primeiro contato com seres de
outro planeta. À medida que se aproximam, contam, pelo rádio, a história da
humanidade e de suas guerras. No final, ao descerem, descobre-se que os
terrestres são ratos, a única espécie que sobreviveu a uma guerra atômica.
Com a
perseguição aos quadrinhos, os gibis de ficção da EC foram cancelados e os da
National se tornaram inócuos, com histórias bobas, como a de um robô que
precisa encontrar a cabeça na qual está a informação que salvará a terra.
Em
1958, o escritor Gardner Fox voltar a dar vitalidade ao gênero, relacionando-o
com os super-heróis. Ele recebeu, do editor Julius Schwartz, a missão de criar
um herói espacial para estrelar a revista Mystery in Space. Então criou Adan
Strange, um norte-americano que era arremessado a 25 trilhões de milhas no
espaço ao ser capturado pelo raio zeta, indo parar no planeta Rann. Lá, usando
apenas sua esperteza e um par de jatinhos que lhe permite voar, ele se torna o
herói local.
O
sucesso de Adan Strange fez com que a DC encarregasse Gardner Fox de
ressuscitar um herói da era de ouro, o Gavião Negro. Na versão clássica, ele
era Carter Hall, a reencarnação de um príncipe egípcio. Na nova versão, era
Katar Hol, um policial do planeta Thanagar que vem à Terra. Com arte de
fenomenal de Joe Kubert, a série tornou-se um sucesso.
Tanto
o Gavião negro quanto Thanagar passaram a exercer papel fundamental na
cronologia da DC Comics desde então. E uma versão feminina da personagem consta
no ótimo desenho animado da Liga da Justiça, atualmente em exibição.
PROGRAMAÇÃO DO ASPAS NORTE
Dia 25 - UNIFAP CAMPUS MARCO ZERO - PRÉDIO ARANHA
Manhã
8:30 – Oficina Todo mundo pode fazer quadrinhos, com Rafael
Senra
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A BOYS’
LOVE STORY: A NARRATIVA DE HISTÓRIAS GAYS PARA GAROTAS HETEROSSEXUAIS NO MANGÁ
GRAVITATION - RAFAELA
FERNANDES BITTENCOURT
A
HIPERSEXUALIZAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DA HEROÍNA
MAJESTOSA – Rayanne Rodrigues dos Santos, Marcos Paulo Torres Pereira.
MS. MARVEL E A REPRESENTATIVIDADE MUÇULMANA
NO UNIVERSO MARVEL — Ana
Beatriz Santos Ayres de , Luan Saulo Pureza Callins
A JORNADA DA HEROÍNA
NO MANGÁ SAINTIA SHÔ — Fernanda
Rabelo de Souza
A QUESTÃO GYNOID NO MANGÁ “GUNNM” –Débora de Sá Ribeiro Aymoré.
O DUALISMO CORPO E
MENTE NO MANGÁ “THE GHOST IN THE SHELL” - Cindi Lucia Brito da Silva
RAMADAN: DEVOÇÃO E SACRIFÍCIO EM SANDMAN,
DE NEIL GAIMAN –Marcos
Paulo Torres Pereira
VONTADE DE
PODER NA JORNADA DO HERÓI: UMA LEITURA NIETZSCHIANA DE FULLMETAL ALCHEMIST- Sidarta Amorim Araújo
17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos
18 h – Palestra com Iuri Reblin - Religião nas histórias em
quadrinhos: parâmetros e perspectivas de análise
19 h - Mesa-redonda Os quadrinhos no cinema - com professores Marcos Paulo, Rafael Senra e Ivan Carlo.
19 h - Mesa-redonda Os quadrinhos no cinema - com professores Marcos Paulo, Rafael Senra e Ivan Carlo.
Dia 26 - BIBLIOTECA PÚBLICA ELCY LACERDA
Manhã
8:30 – Oficina de mangá, com Cibele Tenório
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A
UTILIZAÇÃO DAS HQS EM SALA DE AULA NO ESTADO DO AMAPÁ: UMA REVISÃO DE
LITERATURA –Leno Serra Callins
GRUPO “PONTO DE FUGA”: O QUADRINHO EM
BELÉM ENTRE OS ANOS DE 1991 E 1996 —Elton Galdino
de Lima
CONVERGÊNCIA
MIDIÁTICA E OS QUADRINHOS: “NA MIRA DA LENA” SOB A ÓTICA DA CROSSMEDIA -
Karina Pacheco
O USO DA ELIPSE EM CAVALEIRO DAS
TREVAS, DE FRANK MILLER - Ivan Carlo Andrade de Oliveira
A
NARRATIVA AUDIOVISUAL DO FILME E QUADRINHO WATCHMEN: ESTUDO COMPARADO –Marta
Bezerra
SIMULACRO
E HIPER-REALIDADE EM “OS CAÇADORES DE SONHOS”, DE NEIL GAIMAN – Rafael
Senra Coelho
PROCESSO CRIATIVO DE PUBLICAÇÕES AUTORAIS DE OBRAS
INDEPENDENTES DE HQ EM PLATAFORMAS DIGITAIS - Messias Freitas da Silva.
O USO DO
HORROR, TERROR E SUSPENSE NAS OBRAS DE JUNJI ITO —Autoria: Arthur Corrêa Baía
17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos
18 h – Palestra com Edgar Franco - Criando Quadrinhos
Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza
terça-feira, outubro 23, 2018
Os quadrinhos e o castelo do Graal
No livro HE, o psicólogo norte-americano Robert Johson explica a psicologia masculina através do mito da busca do Santo Graal. O personagem principal é o jovem Percival, um cavaleiro da Távola redonda.
Certo dia, durante suas andanças, ele entrou em um castelo belíssimo e imponente. Era ali que estava o Santo Graal, o cálice usado por Jesus durante a última ceia.
Todos o recepcionaram muito bem e ele se sentiu feliz e maravilhado com os poderes do Graal. O cálice podia, por exemplo, fazer surgir a comida que o convidado desejasse. E podia também curar qualquer ferida.
Na manhã seguinte, quando acordou, ele não encontrou mais ninguém no castelo. Estava completamente abandonado, e ele teve de ir embora.
Percival passaria o resto de sua vida tentando encontrar novamente o castelo do Graal.
Para Robert Johnson, o episódio é uma metáfora de algo que ocorre com todos os jovens durante a fase da pré-adolescência.
Essa é uma fase particularmente difícil, pois o menino não é mais uma criança, mas ainda não é adulto.
Todos os meninos entram no castelo do Graal ao menos uma vez na vida e essa experiência irá marcá-los pelo resto da vida. Assim como Percival, eles passarão o resto da existência tentando voltar para o castelo.
O que tudo isso tem a ver com quadrinhos?
Pare para pensar. Se tem mais de vinte anos e continua gostando de quadrinhos é porque há uma boa lembrança associada a eles.
Em outras palavras: muitas pessoas - e eu entre elas - entraram no castelo do Graal graças aos quadrinhos.
Tenho conversado leitores de gibis e todos eles têm algum episódio semelhante ao de Percival.
José Aguiar, desenhista da Manticore, saía de casa todos os dias de manhãzinha com sua bicicleta e ia direto para um sebo próximo de sua casa, onde ele comprava ou trocava gibis.
Essa experiência o marcou profundamente e eu não tenho dúvida nenhuma de que esse foi um dos fatores que o influenciaram a se tornar desenhista.
Lembro que quando estávamos na sétima série a revista preferida de todos era a Superaventuras Marvel. Nós sabíamos a data em que ela chegava nas bancas e saíamos correndo para ver quem chegava primeiro.
Como tinha pouco dinheiro para comprar gibis, eu usava de um estratagema. Eu conhecia um sebo que ficava próximo da Igreja e que vendia revistas a preço de banana. Eu passava lá todo Domingo e comprava as Heróis da TV, que uma amigo da escola colecionava. Depois eu vendia para ele, pelo dobro do preço, mas antes eu lia e relia a revista e esses momentos eram tão sagrados que me faziam esquecer a chateação que era ser obrigado a ir à igreja.
Aquela experiência - comprar a revista e nem esperar chegar em casa para começar a lê-la - era uma verdadeira entrada no castelo do Graal.
Só com a saga da Fênix foram centenas de entradas no castelo do Graal, até porque os X-Men, assim como a busca do Cálice Sagrado, são um mito sobre o fim da infância (prometo falar sobre isso em outro artigo).
Cada vez que eu leio uma HQ é como se eu estivesse voltando àquela época mágica da pré-adolescência.
E quando escrevo histórias, fico imaginando que talvez eu esteja proporcionando a outros garotos as mesmas sensações que eu sentia lendo quadrinhos.
É interessante notar que o tipo de quadrinho que você lê na pré-adolescência vai influenciar seu gosto pelo resto da vida.
O desenhista Antonio Eder odeia super-heróis. Também, pudera: ele passou toda a pré-adolescência lendo revistas Kripta e nesse período nunca botou os olhos num gibi de super-heróis.
O desenhista Bené Nascimento (Joe Bennet) passou essa fase lendo HQs do Jack Kirby. Hoje ele compra qualquer coisa sobre o velho Jack, até caríssimos fanzines importados.
Pare um instante e pense. Se você gosta de quadrinhos, é bastante provável que você tenha, em algum momento, entrado num castelo do Graal feito todinho de histórias em quadrinhos.
O grande pai
Tenho visto em vários programas
sensacionalistas situações de filhos de mães solteiras que buscam a todo custo
o pai que os abandonou. Em alguns casos, situações aviltantes, em que o “pai”
não reconhece o filho mesmo após exames de DNA. Filhos chorando diante de pais
impassíveis implorando para serem aceitos.
Eu ficava me perguntando: o que
leva alguém a se sujeitar a situação tão humilhante?
Pode parecer apenas carência
afetiva, mas é muito mais: é a necessidade extrema de uma figura de autoridade.
Minha mãe conta que quando eu era
pequeno, ela saía mais cedo para ir para o trabalho. Algumas vezes o ônibus da
empresa atrasava e ela me via passando, todo empacotado, encolhido de frio,
indo para a escola.
E pensava: “Ele poderia ficar em
casa com esse frio, mas mesmo assim vai para a escola”.
De fato, eu tomava café, me
arrumava e saía para a escola sem a necessidade de ninguém por perto para
mandar.
A mesma coisa com todas as outras
responsabilidades da vida: nunca precisei de ninguém por perto me dizendo: faz
isso, faz aquilo. Eu sabia sempre soube o que fazer e fazia.
Há uma piada entre meus amigos
professores. Certa vez que fomos a um terreno no interior, meu carro foi o
único parado em uma blitz da Polícia Federal. A anedota é que eu tinha sido
parado por excesso de legalidade...
Mas há muitas pessoas que não são
assim. Se não tiverem uma figura de autoridade ali, do lado, cobrando, não
levantam cedo para a ir para a escola, não acordam para ir para o trabalho, não
pagam suas contas, faltam ou se atrasam em seus compromissos. É a pessoa que gasta
todo o salário no bar, esquecendo as dívidas do dia seguinte. Elas precisam de
uma figura de autoridade que lhes diga o que fazer e como se comportar.
Essa figura de autoridade é
simbolicamente representada pelo pai. Tiranos usam isso. Elas se apresentam
como figuras simpáticas, mas principalmente autoritárias. São figuras de
autoridade, representantes paternos. São pessoas a quem se deve obedecer.
Pelo que tenho visto, quem adere
a essas figuras de autoridade são justamente aqueles que carecem de uma figura
de autoridade para nortear-lhes a vida. É a pessoa que precisa de alguém que os
mantenha no cabresto, uma figura de autoridade que lhes diga o que fazer e
quais são as responsabilidades que devem ser cumpridas. Eleger como ídologo uma
figura de autoridade é uma forma de compensar a própria falta de freios.
É também a razão de tanto
fanatismo: qualquer crítica ou mesmo satíra ao ídolo é como se fosse uma ofensa
ao pai.
George Orwell errou ao chamar seu
ditador de Grande Irmão. Deveria se chamar Grande Pai.
Aspas Norte - orientações gerais
O Aspas Norte está chegando!
Antes de curtir o primeiro congresso de quadrinhos da região
norte, gostaríamos de dar algumas dicas:
1 – O evento ocorrerá nos dias 25 (na Universidade Federal
do Amapá) e 26 de novembro (na Biblioteca Públia Elcy Lacerda).
2 – No dia 25 a programação acontecerá no prédio Aranha, na
Universidade Federal do Amapá – campus Marco Zero. A Aranha fica ao lado do
Restaurante Universitário (veja mapa).
3 – No dia 26 a programação acontecerá na Biblioteca Pública
Elcy Lacerda, na ua São José, 1800, no centro de Macapá.
4 – Se você for apresentar trabalho, salve a apresentação em
PDF e leve em pen-drive.
5 – Atenção para a programação e para o seu horário de
apresentação. Não será permitido apresentar fora do horário.
6 – Para garantir vaga nas oficinas é necessário confirmar
no credenciamento. Portanto, se você for fazer as oficinas, chegue cedo.
Confira a programação:
Dia 25
Manhã
8:30 – Oficina Todo mundo pode fazer quadrinhos, com Rafael
Senra
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A BOYS’
LOVE STORY: A NARRATIVA DE HISTÓRIAS GAYS PARA GAROTAS HETEROSSEXUAIS NO MANGÁ
GRAVITATION - RAFAELA
FERNANDES BITTENCOURT
A
HIPERSEXUALIZAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DA HEROÍNA
MAJESTOSA – Rayanne Rodrigues dos Santos, Marcos Paulo Torres Pereira.
MS. MARVEL E A REPRESENTATIVIDADE MUÇULMANA
NO UNIVERSO MARVEL — Ana
Beatriz Santos Ayres de , Luan Saulo Pureza Callins
A JORNADA DA HEROÍNA
NO MANGÁ SAINTIA SHÔ — Fernanda
Rabelo de Souza
A QUESTÃO GYNOID NO MANGÁ “GUNNM” –Débora de Sá Ribeiro Aymoré.
O DUALISMO CORPO E
MENTE NO MANGÁ “THE GHOST IN THE SHELL” - Cindi Lucia Brito da Silva
RAMADAN: DEVOÇÃO E SACRIFÍCIO EM SANDMAN,
DE NEIL GAIMAN –Marcos
Paulo Torres Pereira
VONTADE DE
PODER NA JORNADA DO HERÓI: UMA LEITURA NIETZSCHIANA DE FULLMETAL ALCHEMIST- Sidarta Amorim Araújo
17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos
18 h – Palestra com Iuri Reblin - Religião nas histórias em
quadrinhos: parâmetros e perspectivas de análise
19 h - Mesa-redonda Os quadrinhos no cinema - com professores Marcos Paulo, Rafael Senra e Ivan Carlo.
19 h - Mesa-redonda Os quadrinhos no cinema - com professores Marcos Paulo, Rafael Senra e Ivan Carlo.
Dia 25
Manhã
8:30 – Oficina de mangá, com Cibele Tenório
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A
UTILIZAÇÃO DAS HQS EM SALA DE AULA NO ESTADO DO AMAPÁ: UMA REVISÃO DE
LITERATURA –Leno Serra Callins
GRUPO “PONTO DE FUGA”: O QUADRINHO EM
BELÉM ENTRE OS ANOS DE 1991 E 1996 —Elton Galdino
de Lima
CONVERGÊNCIA
MIDIÁTICA E OS QUADRINHOS: “NA MIRA DA LENA” SOB A ÓTICA DA CROSSMEDIA -
Karina Pacheco
O USO DA ELIPSE EM CAVALEIRO DAS
TREVAS, DE FRANK MILLER - Ivan Carlo Andrade de Oliveira
A
NARRATIVA AUDIOVISUAL DO FILME E QUADRINHO WATCHMEN: ESTUDO COMPARADO –Marta
Bezerra
SIMULACRO
E HIPER-REALIDADE EM “OS CAÇADORES DE SONHOS”, DE NEIL GAIMAN – Rafael
Senra Coelho
PROCESSO CRIATIVO DE PUBLICAÇÕES AUTORAIS DE OBRAS
INDEPENDENTES DE HQ EM PLATAFORMAS DIGITAIS - Messias Freitas da Silva.
O USO DO
HORROR, TERROR E SUSPENSE NAS OBRAS DE JUNJI ITO —Autoria: Arthur Corrêa Baía
17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos
18 h – Palestra com Edgar Franco - Criando Quadrinhos
Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza
segunda-feira, outubro 22, 2018
Homem-aranha – caído entre os mortos
Homem-aranha – caído entre os
mortos é o primeiro volume da coleção Salvat dedicada exclusivamente ao
aracnídeo. Com roteiro de Mark Millar e desenhos de Terry Dodson e Frank Cho, a
HQ fazia parte da linha Marvel knights, o selo criado por Joe no final dos anos 1990.
Caído entre os mortos tem todas
as qualidades e defeitos das histórias de Mark Millar: ação initerrupta, cortes
rápidos, leitura fluída. No meio de tudo isso, pouco tempo para aprofundar os
personagens.
A trama é interessante: Tia May é
sequestrada por alguém que sabe a identidade do Homem-aranha. Na ânsia de
encontra-la, o herói percorre a cidade, procurando ajuda (os Vingadores, a Gata
Negra) ou verificando com vilões. É uma corrida alucinante e aparentemente às
cegas. Uma corrida cujo resultado pode ser a vida ou a morte da Tia May. Um
plot bem escolhido para o estilo narrativo de Millar.
Embora seja muito incensado no
texto final do volume, não gostei do desenho de Terry Dodson, preferindo
claramente a parte desenhada por Frank Cho.
Agora o aspecto realmente
negativo: a história para no meio e só continua em no volume 6 da coleção,
Herói da resistência. É frustrante especialmente porque não há qualquer aviso
na capa de a história está incompleta (e que continua cinco volumes depois).
Mirza, a mulher vampiro
A
primeira vampira de sucesso dos quadrinhos surgiu no Brasil. Trata-se de Mirza,
criação do desenhista italiano naturalizado brasileiro Eugênio Colonesse e do
roteirista Luís Meri. A personagem surgiu na época de ouro dos quadrinhos de
terror nacional, na década de 1960.
Nessa
época, Colonnese e Rodolfo Zalla tinham um estúdio, o D´Arte, especializado em
quadrinhos, no qual chegavam a produzir 300 páginas por mês nos mais diversos
gêneros (dos super-heróis aos de guerra). Um dia José Sidekerskis, da editora
Jotaesse os procurou e pediu que Colonesse criasse uma personagem vampira.
No
dia seguinte surgia Mirza. O nome era uma variação de Mylar, super-herói de
sucesso, criado por Colonesse. ¨Não parecia nome de uma mulher, tanto que
resolvi acrescentar no título ´a mulher vampiro´ para acentuar mais. Hoje se
você pesquisar na lista telefônica, vai encontrar várias Mirzas, mas naquele
tempo não existia¨, lembra Colonnese.
A
revista foi publicada em 1967 e virou um hit. Dos 35 mil exemplares impressos,
sobravam pouco mais de mil. Além disso, a redação da editora começou a receber
várias cartas de fãs pedindo a continuidade da personagem. O interessante é que
as histórias conseguiam captar muito bem o clima erótico, elemento essencial do
terror vampiro. O roteirista Luis Meri escrevia de acordo com as orientações de
Colonnese, mas de vez em quando colocava uma inovação, como uma festa de
lésbicas.
Apesar
do sucesso, o gibi durou apenas 10 números. A razão disso foi a mudança de ramo
do desenhista. Um dia Rodolfo Zalla procurou Colonnese com a proposta de
desenhar para livros didáticos. Este respondeu que não sabia fazer livros
didáticos, pois sua especialidade era quadrinhos. ¨Uma cenoura que você fizer
para um livro didático paga mais que cinco páginas de quadrinhos¨, rebateu
Zalla. Foi o bastante para convencer o amigo. Dedicando-se apenas às
ilustrações didáticas, o criador deixou de lado sua personagem, que ainda seria
republicada, no início dos anos 1970, pela Editora Regiart, de forma pirata.
Essa publicação manteve o interesse pelos leitores.
Na
década de 1980 houve um renascimento dos quadrinhos nacionais e Colonnese
acabou voltando à sua personagem mais famosa, pelas editoras Press, D´arte e
Vecchi.
Eram
outros tempos, de abertura política e a vampira ganhou contornos mais sensuais.
Se antes ela usava um vestido longo, que cobria até suas pernas, agora ela
usava decotes generosos e vestidos curtos, quando não lingiere sensual. O
roteirista Osvaldo Talo colaborou nessa fase dando um passado para a
personagem: ela seria uma condessa chamada Mirela Zamanova. Uma nova história, na revista Metal Pesado,
apresentou uma versão totalmente erótica da vampira.
Desde
então, Mirza tem voltado em edições especiais, para jubilo dos fãs. E, quando
se fala que Vampirella é a primeira vampira dos quadrinhos, ele se lembram que
a grande criação de Colonnese é bem anterior.
domingo, outubro 21, 2018
Team Kids Drogas
Team Kids é um grupo de personagens da editora NES cujas histórias trabalham temas como ecologia, cidadania e outros. Eu escrevi para eles o volume sobre drogas. Tema difícil, que deve ser abordado com delicadeza, ser informativo e, ao mesmo tempo, divertido. Pesquisei muito, tivemos a consultoria de uma pessoa ligada a uma ONG de combate às drogas e acho que o resultado foi interessante. A revista foi distribuída em escolas do Rio Grande do Sul.
A fantástica história do homem que não existia
Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.
O visual de Dart Vader foi inspirado nos nazistas?
Aparentemente sim. Darth Vader é considerado o maior vilão do cinema. Ele apareceu no primeiro filme da série Guerra nas Estrelas, Uma nova esperança. Era o arquétipo da maldade. Cruel, ele matava sem piedade os subordinados que o desapontavam e estava construindo uma arma capaz de detruir planetas inteiros.
Quando viram aquele vilão de capacete preto e voz cavernosa, muitos perceberam a semelhança com o uniforme nazista. De fato, o capacete é muito parecido. Além disso, a máscara usada por ele lembra muito o visual dos Afrikan Korps, os soldados que lutavam na África. Para se proteger contra as tempestades de areia, eles usavam óculos especiais e cobriam a boca com panos.
Por que George Lucas fez isso? Provavelmente para demonstrar, desde o primeiro momento, que se tratava de um vilão. Na época em que o filme foi feito o nazismo já estava no imaginário popular como sinônimo de maldade. Histórias em quadrinhos, filmes e seriados mostravam nazistas perpetuando crimes cruéis contra a humanidade. Usar a suástica seria óbvio demais, então ele optou por outro símbolo: o capacete dos soldados.
sábado, outubro 20, 2018
Rodval Matias, o melhor desenhista erótico brasileiro
A flor de vidro
Em 1995, George Martin, autor de
Guerra dos Tronos, era um desconhecido no Brasil. A apresentação de sua novela
a flor de vidro, publicada na revista Isaac Asimov Magazine 4, dizia o
seguinte: “George R.R. Martin escreveu vários episódios de Além da Imaginação e
um conto seu, publicado em 1985, ganhou um dos prêmios nébula daquele ano e
concorreu ao oscar da ficção científica, o troféu Hugo”. Ou seja: era só mais
um autor publicado pela revista. Entretanto, sua novela ganhou destaque na capa
e abriu a revista, reflexo direto da qualidade da narrativa.
Martin propõe uma trama
interessante: um jogo da mente. Três jogadores disputam como prêmios corpos de
três prisioneiros. Se forem vencendores, ganham o novo corpo. Mas os jogadores
podem também disputar entre si – nada impede, por exemplo, que um assuma o
corpo do outro. Da mesma forma, os prisioneiros podem escapar ilesos, ganhando
a liberdade.
A narradora é a Sábia, a mestra
responsável por comandar o jogo, que se vê diante de uma situação inusitada
quando um androide resolve participar. O androide que afirma ser um lendário
herói espacial.
A narrativa de Martin é minunciosa,
focada principalmente na caracterização dos personagens e na construção lenta
da trama (características também fundamentais em Guerra dos Tronos). Há também
as elipses, momentos não contados da trama, que o leitor deve deduzir, outra
característica dos livros sobre Westeros.
Há também um forte tom alegórico,
a começar pela flor de vidro do título, que torna-se um símbolo de toda a
discussão por trás da trama.
E, claro, uma referência óbvia: a
coisa toda parece um enorme RPG.
Como escrever quadrinhos
O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.
A arte clássica de Hal Foster
Hall Foster foi um dos mais importantes desenhistas de quadrinhos da fase áurea das páginas dominicais dos jornais. Vindo da publicidade, começou sua carreira ilustrando a primeira adaptação para quadrinhos do personagem Tarzan. Seu traço elegante deu vida ao personagem, tornando-o extremamente popular. Mas sua paixão era a Idade Média, o que levou a criar o reverenciado Príncipe Valente. Seu desenho detalhista, que reproduzia com exatidão os trajes, arquitetura e costumes da Idade Média influenciaram centenas de artistas. Confira alguns dos trabalhos desse mestre dos quadrinhos.
sexta-feira, outubro 19, 2018
O que é primavera para Hitler?
Primavera para Hitler é o nome de um filme do diretor norte-americano Mel Brooks, de 1968. O filme conta a história de dois produtores de Hollywood que se vêm completamente falidos e elaboram uma trama para tirar dinheiro de patrocinadores, montando um filme que será um fracasso absoluto.
A idéia é fazer o pior musical de todos os tempos. Para isso eles escolhem um musical nazista intitulado Primavera para Hitler, de autoria do hitlerista Franz Liebkind. Eles imaginam que a afronta será tão grande que o fiasco se tornará inevitável. Mas acontece exatamene o contrário. O que era para ser sério, é visto como piada e o filme torna-se um sucesso absoluto de público, pois todos os norte-americanos querem rir de Hitler.
As aventuras do Capitão América - sentinela da liberdade
Publicada pela editora abril em 1992, As aventuras do Capitão América ia na contramão da maior parte do que se fazia na época – na chamada era Image. Com desenhos de Kevin Maguire e texto de Fabian Nicieza, a minissérie em quatro partes usava um estilo vintage para contar as primeiras aventuras do sentinela da liberdade.
O clima de matinê já era evidente desde as capas, com imagens em preto e branco como se fossem frames de cinema e chamadas espetaculares: Ação! Romance! Drama!
O desenho de Maguire é perfeito para a proposta da série, com destaque para as expressões faciais dos personagens e diagramação que lembra a era de ouro (com quadros redondos, por exemplo).
Por outro lado, o texto de Nicieza não decepciona. Diante de um excelente narrador gráfico, como Maguire, seu texto poderia se tornar redundante, mas, ao contrário, seus diálogos são inspirados, com destaque para a caracterização de Bucky.
É curioso que nessa onda de republicações e encadernados, nenhuma editora tenha pensado em trazer de volta essa história.
quinta-feira, outubro 18, 2018
Os quadrinhos de terror no Brasil
O início da década de
50 nos EUA foi marcado pelo surgimento da editora EC. Contando com artistas do
porte de AlI Williamson, Wallace Wood e Krigstein, essa editora publicou
várias revistas que revolucionaram o terror e conquistaram a garotada. O
sucesso dessas publicações se estendeu ao Brasil. Várias editoras pequenas
publicavam e republicavam o material da EC, com sucesso. Entre 1952 e 1954,
dez novas revistas de terror foram lançadas. A cada ano, uma nova editora
entrava no mercado. Mas a fonte secou quando a EC Comics foi perseguida nos EUA
e as revistas de terror proibidas por lá. Sem material inédito e com um
público ávido por novas histórias do gênero, os editores foram obrigados a
contratar artistas nacionais. Começava a chamada fase de ouro da HQ brasileira
e aquela que ficou conhecida como Primeira geração de quadrinistas nacionais.
No começo, para não
afugentar os leitores, os editores pediam que os artistas assinassem com nome
americanos, para dar a impressão de que as histórias eram feitas nos EUA,
depois os autores foram aos poucos assinando seus nomes verdadeiros.
Editoras como a La
Selva conseguiram grande êxito, mas ninguém se arriscava a lançar uma revista
só de quadrinhos nacionais.
A virada, que realmente
marcaria a era de ouro dos quadrinhos nacionais, aconteceu em 1959, quando
Jaime Cortez e Miguel Penteado lançaram a editora Continental. A proposta era
publicar unicamente artistas nacionais, sem pseudônimos. As revistas da
Continental vinham com uma tarja verde-amarela com os dizeres: “Escrita e
desenhada totalmente no Brasil”.
O interessante dessa
fase é que boa parte dos seus principais artistas eram estrangeiros. Eugênio
Colonese era italiano, Rodolfo Zaíla era argentino, Jaime Cortez, português.
Além de lançar várias
revistas de terror, todas com sucesso, a editora também foi primeira a editar
as revistas de Maurício de Souza, com o gibi do Bidu (que na época era
protagonista e depois viraria personagem secundário da Turma da Mônica).
Um erro de um
funcionário da Junta Comercial fez com que a editora fosse obrigada a mudar de nome.
É que já existia uma outra empresa chamada Continental e, pior, em processo de
falência e cheia de credores. Para se livrar dos cobradores, o jeito foi mudar
o nome para Outubro (uma homenagem à revolução russa). Depois, até esse nome
teve de ser alterado, por que Victor Civita havia registrado todos os meses do
ano.
Segundo Gonçalo Júnior,
¨O começo da outubro foi marcado pelo idealismo e pela descontração dos
colaboradores, que dividiam seu tempo entre o trabalho nas revistas e a
reestruturação do movimento de nacionalização dos quadrinhos – que ganharia
força a partir de 1961¨.
É bem provável que esses
artistas viessem a transmitir suas experiências para uma nova geração,
contribuindo assim para a criação de um quadrinho genuinamente nacional. Infelizmente
esse processo foi abortado pela intervenção da ditadura militar, que começou a perseguir
as publicações nacionais de terror. Miguel Penteado chegou a ser chamado pela
polícia para dar explicações e foi pressionado a deixar de publicar terror. A
censura não poupava nem mesmo as histórias infantis. Exemplo disso é o banho de
chuveiro do Cebolinha, que foi cortado pelos censores.
Com isso, as revistas
foram sendo canceladas, ou perdendo qualidade e muitos dos melhores artistas
migraram para outras áreas, como a publicidade ou a ilustração de livros
didáticos.
Isso fez com que os
novos quadrinistas tivessem pouco contato com a primeira geração e tivessem que
começar tudo do zero. Isso certamente atrasou em muito a criação de uma
linguagem nacional de quadrinhos.
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