quinta-feira, outubro 25, 2018

A hora do vampiro

Li A hora do vampiro, de Stephen King.
O livro é de 1975 e foi lançado na sequência de Carrie. Mostra um King em plena forma: na pequena cidade de Salem´s Lot, uma antiga mansão, na qual um homem se matou e matou a esposa, volta a ser ocupada. Desde o começo, o leitor advinha que os novos moradores são vampiros, mas na primeira metade da obra, o que mais interessa são os ótimos personagens (entre eles o protagonista, um escritor que volta para a cidade natal) e a ambientação. King cria uma cidade tão realista que, quando surge o terror,você fica pensando: Será que os heróis serão presos por homicídio após cravarem a estaca no coração do vampiro? Quem leu a história sobre vampiros escrita por Alan Moore para o Monstro do Pântano vai lembrar imediatamente dessa HQ ao ler A hora do vampiro. Moore nitidamente se inspirou em King ao estabalecer a ideia de uma cidade habitada por vampiros.
A hora do vampiro também é interessante por antecipar o King da escrita automática, solta, que veríamos em Saco de ossos, por exemplo.
A garotada que hoje curte Crepúsculo deveria ler King para saber o que realmente é trabalhar com vampiros.  
Como não poderia deixar de ser, A hora do vampiro virou filme e fez tanto sucesso que surgiram vários outros títulos semelhantes em português. Quando a Sampa resolveu fazer uma copilação de histórias minhas e do Bené, eles a chamaram de A hora do Crepúsculo

quarta-feira, outubro 24, 2018

Mistérios no espaço


Na década de 1950, com a crise nos quadrinhos de super-heróis, as editoras tentaram vários gêneros alternativos. Um dos gêneros de maior sucesso foi a ficção-científica.
            Embora a FC existisse nas tirs de jornais desde o final da década de 1920, foi só na década de 1950 que os gibis do gênero começaram a fazer grande sucesso nos gibis. Strange adventures (1950) e Mystery in Space (1951), dois lançamentos da National, puxaram a fila. As revistas eram compostas de histórias curtas, sem continuação ou personagens fixos. A ação estourava em qualquer lugar do espaço ou em qualquer período temporal.
            A editora EC Comics, embora fosse especializada em terror, deu uma grande contribuição à FC nos quadrinhos, aproximando-a do que era feito na literatura. Aliás, Ray Bradbury, um dos grandes escritores do gênero, era fã e colaborador da editora.
            As histórias da EC eram instigantes, sempre com finais surpreendentes. Numa história, por exemplo, os terrestres vão ter seu primeiro contato com seres de outro planeta. À medida que se aproximam, contam, pelo rádio, a história da humanidade e de suas guerras. No final, ao descerem, descobre-se que os terrestres são ratos, a única espécie que sobreviveu a uma guerra atômica.
            Com a perseguição aos quadrinhos, os gibis de ficção da EC foram cancelados e os da National se tornaram inócuos, com histórias bobas, como a de um robô que precisa encontrar a cabeça na qual está a informação que salvará a terra.
            Em 1958, o escritor Gardner Fox voltar a dar vitalidade ao gênero, relacionando-o com os super-heróis. Ele recebeu, do editor Julius Schwartz, a missão de criar um herói espacial para estrelar a revista Mystery in Space. Então criou Adan Strange, um norte-americano que era arremessado a 25 trilhões de milhas no espaço ao ser capturado pelo raio zeta, indo parar no planeta Rann. Lá, usando apenas sua esperteza e um par de jatinhos que lhe permite voar, ele se torna o herói local.
            O sucesso de Adan Strange fez com que a DC encarregasse Gardner Fox de ressuscitar um herói da era de ouro, o Gavião Negro. Na versão clássica, ele era Carter Hall, a reencarnação de um príncipe egípcio. Na nova versão, era Katar Hol, um policial do planeta Thanagar que vem à Terra. Com arte de fenomenal de Joe Kubert, a série tornou-se um sucesso.
            Tanto o Gavião negro quanto Thanagar passaram a exercer papel fundamental na cronologia da DC Comics desde então. E uma versão feminina da personagem consta no ótimo desenho animado da Liga da Justiça, atualmente em exibição.

Ghost Riders in the Sky - Johnny Cash - Full Song

PROGRAMAÇÃO DO ASPAS NORTE


Dia 25 - UNIFAP CAMPUS MARCO ZERO - PRÉDIO ARANHA

Manhã
8:30 – Oficina Todo mundo pode fazer quadrinhos, com Rafael Senra
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A BOYS’ LOVE STORY: A NARRATIVA DE HISTÓRIAS GAYS PARA GAROTAS HETEROSSEXUAIS NO MANGÁ GRAVITATION -  RAFAELA FERNANDES BITTENCOURT

A HIPERSEXUALIZAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DA HEROÍNA MAJESTOSA – Rayanne Rodrigues dos Santos, Marcos Paulo Torres Pereira.

MS. MARVEL E A REPRESENTATIVIDADE MUÇULMANA NO UNIVERSO MARVEL — Ana Beatriz Santos Ayres de , Luan Saulo Pureza Callins

A JORNADA DA HEROÍNA NO MANGÁ SAINTIA SHÔ Fernanda Rabelo de Souza

A QUESTÃO GYNOID NO MANGÁ “GUNNM” –Débora de Sá Ribeiro Aymoré.

O DUALISMO CORPO E MENTE NO MANGÁ “THE GHOST IN THE SHELL” - Cindi Lucia Brito da Silva

RAMADAN: DEVOÇÃO E SACRIFÍCIO EM SANDMAN, DE NEIL GAIMAN –Marcos Paulo Torres Pereira
VONTADE DE PODER NA JORNADA DO HERÓI: UMA LEITURA NIETZSCHIANA DE FULLMETAL ALCHEMIST- Sidarta Amorim Araújo

17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos

18 h – Palestra com Iuri Reblin - Religião nas histórias em quadrinhos: parâmetros e perspectivas de análise
19 h - Mesa-redonda Os quadrinhos no cinema - com professores Marcos Paulo, Rafael Senra e Ivan Carlo.


Dia 26 - BIBLIOTECA PÚBLICA ELCY LACERDA
Manhã
8:30 – Oficina de mangá, com Cibele Tenório
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A UTILIZAÇÃO DAS HQS EM SALA DE AULA NO ESTADO DO AMAPÁ: UMA REVISÃO DE LITERATURA –Leno Serra Callins

GRUPO “PONTO DE FUGA”: O QUADRINHO EM BELÉM ENTRE OS ANOS DE 1991 E 1996 Elton Galdino de Lima

CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA E OS QUADRINHOS: “NA MIRA DA LENA” SOB A ÓTICA DA CROSSMEDIA - Karina Pacheco

O USO DA ELIPSE EM CAVALEIRO DAS TREVAS, DE FRANK MILLER - Ivan Carlo Andrade de Oliveira

A NARRATIVA AUDIOVISUAL DO FILME E QUADRINHO WATCHMEN: ESTUDO COMPARADO –Marta Bezerra
SIMULACRO E HIPER-REALIDADE EM “OS CAÇADORES DE SONHOS”, DE NEIL GAIMAN – Rafael Senra Coelho
PROCESSO CRIATIVO DE PUBLICAÇÕES AUTORAIS DE OBRAS INDEPENDENTES DE HQ EM PLATAFORMAS DIGITAIS - Messias Freitas da Silva.
O USO DO HORROR, TERROR E SUSPENSE NAS OBRAS DE JUNJI ITO Autoria: Arthur Corrêa Baía
17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos
18 h – Palestra com Edgar Franco - Criando Quadrinhos Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza

Leonard Cohen - Democracy (Video)

terça-feira, outubro 23, 2018

Os quadrinhos e o castelo do Graal

No livro HE, o psicólogo norte-americano Robert Johson explica a psicologia masculina através do mito da busca do Santo Graal. O personagem principal é o jovem Percival, um cavaleiro da Távola redonda.

Certo dia, durante suas andanças, ele entrou em um castelo belíssimo e imponente. Era ali que estava o Santo Graal, o cálice usado por Jesus durante a última ceia.
Todos o recepcionaram muito bem e ele se sentiu feliz e maravilhado com os poderes do Graal. O cálice podia, por exemplo, fazer surgir a comida que o convidado desejasse. E podia também curar qualquer ferida.

Na manhã seguinte, quando acordou, ele não encontrou mais ninguém no castelo. Estava completamente abandonado, e ele teve de ir embora.
Percival passaria o resto de sua vida tentando encontrar novamente o castelo do Graal.
Para Robert Johnson, o episódio é uma metáfora de algo que ocorre com todos os jovens durante a fase da pré-adolescência.
Essa é uma fase particularmente difícil, pois o menino não é mais uma criança, mas ainda não é adulto.
Todos os meninos entram no castelo do Graal ao menos uma vez na vida e essa experiência irá marcá-los pelo resto da vida. Assim como Percival, eles passarão o resto da existência tentando voltar para o castelo.
O que tudo isso tem a ver com quadrinhos?
Pare para pensar. Se tem mais de vinte anos e continua gostando de quadrinhos é porque há uma boa lembrança associada a eles.
Em outras palavras: muitas pessoas - e eu entre elas - entraram no castelo do Graal graças aos quadrinhos.
Tenho conversado leitores de gibis e todos eles têm algum episódio semelhante ao de Percival.
José Aguiar, desenhista da Manticore, saía de casa todos os dias de manhãzinha com sua bicicleta e ia direto para um sebo próximo de sua casa, onde ele comprava ou trocava gibis.
Essa experiência o marcou profundamente e eu não tenho dúvida nenhuma de que esse foi um dos fatores que o influenciaram a se tornar desenhista.

Lembro que quando estávamos na sétima série a revista preferida de todos era a Superaventuras Marvel. Nós sabíamos a data em que ela chegava nas bancas e saíamos correndo para ver quem chegava primeiro.
Como tinha pouco dinheiro para comprar gibis, eu usava de um estratagema. Eu conhecia um sebo que ficava próximo da Igreja e que vendia revistas a preço de banana. Eu passava lá todo Domingo e comprava as Heróis da TV, que uma amigo da escola colecionava. Depois eu vendia para ele, pelo dobro do preço, mas antes eu lia e relia a revista e esses momentos eram tão sagrados que me faziam esquecer a chateação que era ser obrigado a ir à igreja.
Aquela experiência - comprar a revista e nem esperar chegar em casa para começar a lê-la - era uma verdadeira entrada no castelo do Graal.
Só com a saga da Fênix foram centenas de entradas no castelo do Graal, até porque os X-Men, assim como a busca do Cálice Sagrado, são um mito sobre o fim da infância (prometo falar sobre isso em outro artigo).
Cada vez que eu leio uma HQ é como se eu estivesse voltando àquela época mágica da pré-adolescência.
E quando escrevo histórias, fico imaginando que talvez eu esteja proporcionando a outros garotos as mesmas sensações que eu sentia lendo quadrinhos.
É interessante notar que o tipo de quadrinho que você lê na pré-adolescência vai influenciar seu gosto pelo resto da vida.
O desenhista Antonio Eder odeia super-heróis. Também, pudera: ele passou toda a pré-adolescência lendo revistas Kripta e nesse período nunca botou os olhos num gibi de super-heróis.
O desenhista Bené Nascimento (Joe Bennet) passou essa fase lendo HQs do Jack Kirby. Hoje ele compra qualquer coisa sobre o velho Jack, até caríssimos fanzines importados.
Pare um instante e pense. Se você gosta de quadrinhos, é bastante provável que você tenha, em algum momento, entrado num castelo do Graal feito todinho de histórias em quadrinhos.

O grande pai



Tenho visto em vários programas sensacionalistas situações de filhos de mães solteiras que buscam a todo custo o pai que os abandonou. Em alguns casos, situações aviltantes, em que o “pai” não reconhece o filho mesmo após exames de DNA. Filhos chorando diante de pais impassíveis implorando para serem aceitos.
Eu ficava me perguntando: o que leva alguém a se sujeitar a situação tão humilhante?
Pode parecer apenas carência afetiva, mas é muito mais: é a necessidade extrema de uma figura de autoridade.
Minha mãe conta que quando eu era pequeno, ela saía mais cedo para ir para o trabalho. Algumas vezes o ônibus da empresa atrasava e ela me via passando, todo empacotado, encolhido de frio, indo para a escola.
E pensava: “Ele poderia ficar em casa com esse frio, mas mesmo assim vai para a escola”.
De fato, eu tomava café, me arrumava e saía para a escola sem a necessidade de ninguém por perto para mandar.
A mesma coisa com todas as outras responsabilidades da vida: nunca precisei de ninguém por perto me dizendo: faz isso, faz aquilo. Eu sabia sempre soube o que fazer e fazia.
Há uma piada entre meus amigos professores. Certa vez que fomos a um terreno no interior, meu carro foi o único parado em uma blitz da Polícia Federal. A anedota é que eu tinha sido parado por excesso de legalidade...
Mas há muitas pessoas que não são assim. Se não tiverem uma figura de autoridade ali, do lado, cobrando, não levantam cedo para a ir para a escola, não acordam para ir para o trabalho, não pagam suas contas, faltam ou se atrasam em seus compromissos. É a pessoa que gasta todo o salário no bar, esquecendo as dívidas do dia seguinte. Elas precisam de uma figura de autoridade que lhes diga o que fazer e como se comportar.
Essa figura de autoridade é simbolicamente representada pelo pai. Tiranos usam isso. Elas se apresentam como figuras simpáticas, mas principalmente autoritárias. São figuras de autoridade, representantes paternos. São pessoas a quem se deve obedecer.
Pelo que tenho visto, quem adere a essas figuras de autoridade são justamente aqueles que carecem de uma figura de autoridade para nortear-lhes a vida. É a pessoa que precisa de alguém que os mantenha no cabresto, uma figura de autoridade que lhes diga o que fazer e quais são as responsabilidades que devem ser cumpridas. Eleger como ídologo uma figura de autoridade é uma forma de compensar a própria falta de freios.
É também a razão de tanto fanatismo: qualquer crítica ou mesmo satíra ao ídolo é como se fosse uma ofensa ao pai.
George Orwell errou ao chamar seu ditador de Grande Irmão. Deveria se chamar Grande Pai.

Aspas Norte - orientações gerais


O Aspas Norte está chegando!
Antes de curtir o primeiro congresso de quadrinhos da região norte, gostaríamos de dar algumas dicas:
1 – O evento ocorrerá nos dias 25 (na Universidade Federal do Amapá) e 26 de novembro (na Biblioteca Públia Elcy Lacerda).
2 – No dia 25 a programação acontecerá no prédio Aranha, na Universidade Federal do Amapá – campus Marco Zero. A Aranha fica ao lado do Restaurante Universitário (veja mapa).
3 – No dia 26 a programação acontecerá na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, na ua São José, 1800, no centro de Macapá.
4 – Se você for apresentar trabalho, salve a apresentação em PDF e leve em pen-drive. 
5 – Atenção para a programação e para o seu horário de apresentação. Não será permitido apresentar fora do horário.
6 – Para garantir vaga nas oficinas é necessário confirmar no credenciamento. Portanto, se você for fazer as oficinas, chegue cedo.



Confira a programação: 

Dia 25
Manhã
8:30 – Oficina Todo mundo pode fazer quadrinhos, com Rafael Senra
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A BOYS’ LOVE STORY: A NARRATIVA DE HISTÓRIAS GAYS PARA GAROTAS HETEROSSEXUAIS NO MANGÁ GRAVITATION -  RAFAELA FERNANDES BITTENCOURT

A HIPERSEXUALIZAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DA HEROÍNA MAJESTOSA – Rayanne Rodrigues dos Santos, Marcos Paulo Torres Pereira.

MS. MARVEL E A REPRESENTATIVIDADE MUÇULMANA NO UNIVERSO MARVEL — Ana Beatriz Santos Ayres de , Luan Saulo Pureza Callins

A JORNADA DA HEROÍNA NO MANGÁ SAINTIA SHÔ Fernanda Rabelo de Souza

A QUESTÃO GYNOID NO MANGÁ “GUNNM” –Débora de Sá Ribeiro Aymoré.

O DUALISMO CORPO E MENTE NO MANGÁ “THE GHOST IN THE SHELL” - Cindi Lucia Brito da Silva

RAMADAN: DEVOÇÃO E SACRIFÍCIO EM SANDMAN, DE NEIL GAIMAN –Marcos Paulo Torres Pereira
VONTADE DE PODER NA JORNADA DO HERÓI: UMA LEITURA NIETZSCHIANA DE FULLMETAL ALCHEMIST- Sidarta Amorim Araújo

17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos

18 h – Palestra com Iuri Reblin - Religião nas histórias em quadrinhos: parâmetros e perspectivas de análise
19 h - Mesa-redonda Os quadrinhos no cinema - com professores Marcos Paulo, Rafael Senra e Ivan Carlo.


Dia 25
Manhã
8:30 – Oficina de mangá, com Cibele Tenório
10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
Tarde
Apresentações de trabalhos
14 h.
A UTILIZAÇÃO DAS HQS EM SALA DE AULA NO ESTADO DO AMAPÁ: UMA REVISÃO DE LITERATURA –Leno Serra Callins

GRUPO “PONTO DE FUGA”: O QUADRINHO EM BELÉM ENTRE OS ANOS DE 1991 E 1996 Elton Galdino de Lima

CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA E OS QUADRINHOS: “NA MIRA DA LENA” SOB A ÓTICA DA CROSSMEDIA - Karina Pacheco

O USO DA ELIPSE EM CAVALEIRO DAS TREVAS, DE FRANK MILLER - Ivan Carlo Andrade de Oliveira

A NARRATIVA AUDIOVISUAL DO FILME E QUADRINHO WATCHMEN: ESTUDO COMPARADO –Marta Bezerra
SIMULACRO E HIPER-REALIDADE EM “OS CAÇADORES DE SONHOS”, DE NEIL GAIMAN – Rafael Senra Coelho
PROCESSO CRIATIVO DE PUBLICAÇÕES AUTORAIS DE OBRAS INDEPENDENTES DE HQ EM PLATAFORMAS DIGITAIS - Messias Freitas da Silva.
O USO DO HORROR, TERROR E SUSPENSE NAS OBRAS DE JUNJI ITO Autoria: Arthur Corrêa Baía
17 h – coquetel e feira de venda e troca de quadrinhos
18 h – Palestra com Edgar Franco - Criando Quadrinhos Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza

segunda-feira, outubro 22, 2018

Homem-aranha – caído entre os mortos




Homem-aranha – caído entre os mortos é o primeiro volume da coleção Salvat dedicada exclusivamente ao aracnídeo. Com roteiro de Mark Millar e desenhos de Terry Dodson e Frank Cho, a HQ fazia parte da linha Marvel knights, o selo criado por Joe  no final dos anos 1990.
Caído entre os mortos tem todas as qualidades e defeitos das histórias de Mark Millar: ação initerrupta, cortes rápidos, leitura fluída. No meio de tudo isso, pouco tempo para aprofundar os personagens.
A trama é interessante: Tia May é sequestrada por alguém que sabe a identidade do Homem-aranha. Na ânsia de encontra-la, o herói percorre a cidade, procurando ajuda (os Vingadores, a Gata Negra) ou verificando com vilões. É uma corrida alucinante e aparentemente às cegas. Uma corrida cujo resultado pode ser a vida ou a morte da Tia May. Um plot bem escolhido para o estilo narrativo de Millar.
Embora seja muito incensado no texto final do volume, não gostei do desenho de Terry Dodson, preferindo claramente a parte desenhada por Frank Cho.
Agora o aspecto realmente negativo: a história para no meio e só continua em no volume 6 da coleção, Herói da resistência. É frustrante especialmente porque não há qualquer aviso na capa de a história está incompleta (e que continua cinco volumes depois).  

Mirza, a mulher vampiro


A primeira vampira de sucesso dos quadrinhos surgiu no Brasil. Trata-se de Mirza, criação do desenhista italiano naturalizado brasileiro Eugênio Colonesse e do roteirista Luís Meri. A personagem surgiu na época de ouro dos quadrinhos de terror nacional, na década de 1960.
Nessa época, Colonnese e Rodolfo Zalla tinham um estúdio, o D´Arte, especializado em quadrinhos, no qual chegavam a produzir 300 páginas por mês nos mais diversos gêneros (dos super-heróis aos de guerra). Um dia José Sidekerskis, da editora Jotaesse os procurou e pediu que Colonesse criasse uma personagem vampira.
No dia seguinte surgia Mirza. O nome era uma variação de Mylar, super-herói de sucesso, criado por Colonesse. ¨Não parecia nome de uma mulher, tanto que resolvi acrescentar no título ´a mulher vampiro´ para acentuar mais. Hoje se você pesquisar na lista telefônica, vai encontrar várias Mirzas, mas naquele tempo não existia¨, lembra Colonnese.
A revista foi publicada em 1967 e virou um hit. Dos 35 mil exemplares impressos, sobravam pouco mais de mil. Além disso, a redação da editora começou a receber várias cartas de fãs pedindo a continuidade da personagem. O interessante é que as histórias conseguiam captar muito bem o clima erótico, elemento essencial do terror vampiro. O roteirista Luis Meri escrevia de acordo com as orientações de Colonnese, mas de vez em quando colocava uma inovação, como uma festa de lésbicas.
Apesar do sucesso, o gibi durou apenas 10 números. A razão disso foi a mudança de ramo do desenhista. Um dia Rodolfo Zalla procurou Colonnese com a proposta de desenhar para livros didáticos. Este respondeu que não sabia fazer livros didáticos, pois sua especialidade era quadrinhos. ¨Uma cenoura que você fizer para um livro didático paga mais que cinco páginas de quadrinhos¨, rebateu Zalla. Foi o bastante para convencer o amigo. Dedicando-se apenas às ilustrações didáticas, o criador deixou de lado sua personagem, que ainda seria republicada, no início dos anos 1970, pela Editora Regiart, de forma pirata. Essa publicação manteve o interesse pelos leitores.
Na década de 1980 houve um renascimento dos quadrinhos nacionais e Colonnese acabou voltando à sua personagem mais famosa, pelas editoras Press, D´arte e Vecchi.
Eram outros tempos, de abertura política e a vampira ganhou contornos mais sensuais. Se antes ela usava um vestido longo, que cobria até suas pernas, agora ela usava decotes generosos e vestidos curtos, quando não lingiere sensual. O roteirista Osvaldo Talo colaborou nessa fase dando um passado para a personagem: ela seria uma condessa chamada Mirela Zamanova.  Uma nova história, na revista Metal Pesado, apresentou uma versão totalmente erótica da vampira.
Desde então, Mirza tem voltado em edições especiais, para jubilo dos fãs. E, quando se fala que Vampirella é a primeira vampira dos quadrinhos, ele se lembram que a grande criação de Colonnese é bem anterior.

domingo, outubro 21, 2018

Team Kids Drogas

Team Kids é um grupo de personagens da editora NES cujas histórias trabalham temas como ecologia, cidadania e outros. Eu escrevi para eles o volume sobre drogas. Tema difícil, que deve ser abordado com delicadeza, ser informativo e, ao mesmo tempo, divertido. Pesquisei muito, tivemos a consultoria de uma pessoa ligada a uma ONG de combate às drogas e acho que o resultado foi interessante. A revista foi distribuída em escolas do Rio Grande do Sul.

A fantástica história do homem que não existia


Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.

O visual de Dart Vader foi inspirado nos nazistas?


Aparentemente sim. Darth Vader é considerado o maior vilão do cinema. Ele apareceu no primeiro filme da série Guerra nas Estrelas, Uma nova esperança. Era o arquétipo da maldade. Cruel, ele matava sem piedade os subordinados que o desapontavam e estava construindo uma arma capaz de detruir planetas inteiros.
Quando viram aquele vilão de capacete preto e voz cavernosa, muitos perceberam a semelhança com o uniforme nazista. De fato, o capacete é muito parecido. Além disso, a máscara usada por ele lembra muito o visual dos Afrikan Korps, os soldados que lutavam na África. Para se proteger contra as tempestades de areia, eles usavam óculos especiais e cobriam a boca com panos.


Por que George Lucas fez isso? Provavelmente para demonstrar, desde o primeiro momento, que se tratava de um vilão. Na época em que o filme foi feito o nazismo já estava no imaginário popular como sinônimo de maldade. Histórias em quadrinhos, filmes e seriados mostravam nazistas perpetuando crimes cruéis contra a humanidade. Usar a suástica seria óbvio demais, então ele optou por outro símbolo: o capacete dos soldados. 

sábado, outubro 20, 2018

Rodval Matias, o melhor desenhista erótico brasileiro

Rodval Matias foi um dos principais desenhistas da editora Grafipar. Sua habilidade para desenhar mulheres libidinosas fez dele um dos mais requisitados para histórias eróticas. Posteriormente ele produziu, para a Europa, uma adaptação do livro Os 120 dias de Sodoma, do Marquês de Sade. O roteiro ficou a cargo do Ataíde Braz. Na Europa saiu apenas como Silva. Algumas revistas nacionais publicaram esse material no Brasil, um capítulo em uma revista, outro em outra revista. Mas é um material obrigatório para fãs de erotismo. Rodval não fica nada a dever aos mestres do erotismo, como Manara ou Crepax. Para baixar o álbum em arquivo digital, clique aqui. Para ler on-line clique aqui.

A flor de vidro



Em 1995, George Martin, autor de Guerra dos Tronos, era um desconhecido no Brasil. A apresentação de sua novela a flor de vidro, publicada na revista Isaac Asimov Magazine 4, dizia o seguinte: “George R.R. Martin escreveu vários episódios de Além da Imaginação e um conto seu, publicado em 1985, ganhou um dos prêmios nébula daquele ano e concorreu ao oscar da ficção científica, o troféu Hugo”. Ou seja: era só mais um autor publicado pela revista. Entretanto, sua novela ganhou destaque na capa e abriu a revista, reflexo direto da qualidade da narrativa.
Martin propõe uma trama interessante: um jogo da mente. Três jogadores disputam como prêmios corpos de três prisioneiros. Se forem vencendores, ganham o novo corpo. Mas os jogadores podem também disputar entre si – nada impede, por exemplo, que um assuma o corpo do outro. Da mesma forma, os prisioneiros podem escapar ilesos, ganhando a liberdade.
A narradora é a Sábia, a mestra responsável por comandar o jogo, que se vê diante de uma situação inusitada quando um androide resolve participar. O androide que afirma ser um lendário herói espacial.
A narrativa de Martin é minunciosa, focada principalmente na caracterização dos personagens e na construção lenta da trama (características também fundamentais em Guerra dos Tronos). Há também as elipses, momentos não contados da trama, que o leitor deve deduzir, outra característica dos livros sobre Westeros.
Há também um forte tom alegórico, a começar pela flor de vidro do título, que torna-se um símbolo de toda a discussão por trás da trama.
E, claro, uma referência óbvia: a coisa toda parece um enorme RPG.

Como escrever quadrinhos



O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

A arte clássica de Hal Foster


Hall Foster foi um dos mais importantes desenhistas de quadrinhos da fase áurea das páginas dominicais dos jornais. Vindo da publicidade, começou sua carreira ilustrando a primeira adaptação para quadrinhos do personagem Tarzan. Seu traço elegante deu vida ao personagem, tornando-o extremamente popular. Mas sua paixão era a Idade Média, o que levou a criar o reverenciado Príncipe Valente. Seu desenho detalhista, que reproduzia com exatidão os trajes, arquitetura e costumes da Idade Média influenciaram centenas de artistas. Confira alguns dos trabalhos desse mestre dos quadrinhos.














sexta-feira, outubro 19, 2018

O que é primavera para Hitler?


Primavera para Hitler é o nome de um filme do diretor norte-americano Mel Brooks, de 1968. O filme conta a história de dois produtores de Hollywood que se vêm completamente falidos e elaboram uma trama para tirar dinheiro de patrocinadores, montando um filme que será um fracasso absoluto.

A idéia é fazer o pior musical de todos os tempos. Para isso eles escolhem um musical nazista intitulado Primavera para Hitler, de autoria do hitlerista  Franz Liebkind. Eles imaginam que a afronta será tão grande que o fiasco se tornará inevitável. Mas acontece exatamene o contrário. O que era para ser sério, é visto como piada e o filme torna-se um sucesso absoluto de público, pois todos os norte-americanos querem rir de Hitler.

As aventuras do Capitão América - sentinela da liberdade


Publicada pela editora abril em 1992, As aventuras do Capitão América ia na contramão da maior parte do que se fazia na época – na chamada era Image. Com desenhos de Kevin Maguire e texto de Fabian Nicieza, a minissérie em quatro partes usava um estilo vintage para contar as primeiras aventuras do sentinela da liberdade.
O clima de matinê já era evidente desde as capas, com imagens em preto e branco como se fossem frames de cinema e chamadas espetaculares: Ação! Romance! Drama!
O desenho de Maguire é perfeito para a proposta da série, com destaque para as expressões faciais dos personagens e diagramação que lembra a era de ouro (com quadros redondos, por exemplo).
Por outro lado, o texto de Nicieza não decepciona. Diante de um excelente narrador gráfico, como Maguire, seu texto poderia se tornar redundante, mas, ao contrário, seus diálogos são inspirados, com destaque para a caracterização de Bucky.

É curioso que nessa onda de republicações e encadernados, nenhuma editora tenha pensado em trazer de volta essa história. 

quinta-feira, outubro 18, 2018

Os quadrinhos de terror no Brasil


O início da década de 50 nos EUA foi marcado pelo surgimento da editora EC. Contando com artistas do porte de AlI William­son, Wallace Wood e Krigstein, essa editora publicou várias re­vistas que revolucionaram o ter­ror e conquistaram a garotada. O sucesso dessas publicações se estendeu ao Brasil. Várias editoras pequenas publicavam e republi­cavam o material da EC, com sucesso. Entre 1952 e 1954, dez novas revistas de terror foram lançadas. A cada ano, uma nova editora entrava no mercado. Mas a fonte secou quando a EC Comics foi perseguida nos EUA e as revistas de terror proibidas por lá. Sem material inédi­to e com um público ávido por novas histórias do gênero, os edi­tores foram obrigados a contratar artistas nacionais. Começava a chamada fase de ouro da HQ bra­sileira e aquela que ficou conhecida como Primeira geração de quadrinistas nacionais.
No começo, para não afugentar os leitores, os editores pediam que os artistas assinassem com nome americanos, para dar a impressão de que as histórias eram feitas nos EUA, depois os autores foram aos poucos assinando seus nomes verdadeiros.
Editoras como a La Selva conseguiram grande êxito, mas ninguém se arriscava a lançar uma revista só de quadrinhos nacionais.
A virada, que realmente marcaria a era de ouro dos quadrinhos nacionais, aconteceu em 1959, quando Jaime Cortez e Miguel Penteado lançaram a editora Continental. A proposta era publicar unicamente artistas nacionais, sem pseudônimos. As revistas da Continental vinham com uma tarja verde-amarela com os dizeres: “Escri­ta e desenhada totalmente no Brasil”.
O interessante dessa fase é que boa parte dos seus principais ar­tistas eram estrangeiros. Eugênio Colonese era italiano, Rodolfo Zaíla era argentino, Jaime Cor­tez, português.
Além de lançar várias revistas de terror, todas com sucesso, a editora também foi primeira a editar as revistas de Maurício de Souza, com o gibi do Bidu (que na época era protagonista e depois viraria personagem secundário da Turma da Mônica).
Um erro de um funcionário da Junta Comercial fez com que a editora fosse obrigada a mudar de nome. É que já existia uma outra empresa chamada Continental e, pior, em processo de falência e cheia de credores. Para se livrar dos cobradores, o jeito foi mudar o nome para Outubro (uma homenagem à revolução russa). Depois, até esse nome teve de ser alterado, por que Victor Civita havia registrado todos os meses do ano.
Segundo Gonçalo Júnior, ¨O começo da outubro foi marcado pelo idealismo e pela descontração dos colaboradores, que dividiam seu tempo entre o trabalho nas revistas e a reestruturação do movimento de nacionalização dos quadrinhos – que ganharia força a partir de 1961¨.
É bem provável que esses ar­tistas viessem a transmitir suas experiências para uma nova ge­ração, contribuindo assim para a criação de um quadrinho genui­namente nacional. Infelizmente esse processo foi abortado pela intervenção da ditadura militar, que começou a perseguir as publi­cações nacionais de terror. Miguel Penteado chegou a ser chamado pela polícia para dar explicações e foi pressionado a deixar de publicar terror. A censura não poupava nem mesmo as histórias infantis. Exemplo disso é o banho de chuveiro do Cebolinha, que foi cortado pelos censores.
Com isso, as revistas foram sendo canceladas, ou perdendo qualidade e muitos dos melhores artistas migraram para outras áreas, como a publicidade ou a ilustração de livros didáticos.
Isso fez com que os novos quadrinistas tivessem pouco contato com a primeira geração e tivessem que começar tudo do zero. Isso certamente atrasou em muito a criação de uma linguagem nacional de quadrinhos.