sexta-feira, novembro 27, 2020
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quinta-feira, novembro 26, 2020
Sem Stan Lee não existiria Gian Danton
Marshall McLuhan: os meios são a mensagem
Alguns filósofos têm idéias tão independentes que é absolutamente
impossível encaixa-los em uma corrente de pensamento. É o caso do canadense Marshall McLuhan. Um dos pesquisadores de comunicação mais criticados de todos os tempos, e também um dos mais influentes, McLuhan criou teorias que delinearam nossa visão de mundo e nos fizeram ver com outros olhos os Meios de Comunicação de Massa. Seu pensamento pode ser resumido em três teorias: os meios de comunicação como extensões do homem, os meios são as mensagens e aldeia global.Para McLuhan, o homem age sobre a natureza criando extensões de seu próprio corpo. Uma metáfora disso nos foi apresentada no filme 2001 – uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick. Vários antropóides estão guerreando quando um deles tem a idéia de pegar um osso e utiliza-lo como arma. Rapidamente ele percebe que aquela extensão de seu braço era mais eficiente do que o braço em si. Ao final da cena, ele joga o osso para cima e este se transforma em uma nave espacial.
Kubrick queria dizer que o mesmo princípio unia tanto o osso quanto a espaçonave: ambas eram extensões do corpo humano. Se o osso era extensão do braço, a nave era uma extensão do
pé. Isso mesmo: o pé. Qualquer forma de transporte, seja um cavalo, uma carroça, um navio ou um avião, nos ajuda a nos movimentarmos e, portanto, é mais eficiente que simplesmente andar.Da mesma forma, quase tudo que temos à nossa volta é uma extensão de nosso corpo ou de nossos sentidos. A roupa é extensão da pele, a faca é uma extensão dos dentes, o livro é uma extensão de nossa memória. Assim, todo meio de comunicação também é uma extensão: o rádio da boca (para quem fala), do ouvido (para quem ouve), a televisão dos olhos e do ouvido, o computador de nosso cérebro, etc.
Outra teoria importante de McLuhan foi expressa na frase “os meios são as mensagens”. McLuhan afirmava que não fazia sentido estudar os conteúdos do rádio, da televisão ou da internet. O importante é que todo meio de comunicação modifica a psicologia a forma de organização social das pessoas que o utilizam.
Para McLuhan, “a mensagem de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de escala, cadência ou padrão que esse meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”.
Para exemplificar, é possível voltar à época em que o homem se organizava em pequenas aldeias. Nesse período, a comunicação era predominantemente oral. As pessoas recebiam informações pelo ouvido e olho era um sentido a mais que nos permitia, por exemplo, captar o gestual de quem falava. Havia um contato direto entre o emissor e o receptor. Além disso, era uma comunicação com envolvimento e voltada para a prática. Ao ensinar o neto a pescar, o vovô não gastava horas falando sobre os aspectos teóricos do pescar. Ele pegava anzol, caniço, isca e, ao mesmo tempo em que falava, mostrava para o garoto como se fazia, e este, em seguida, repetia a ação.
O tipo de comunicação utilizado não permitia que as pessoas se organizassem em grupos muito grandes, pois a aldeia, segundo definição de McLuhan, é o grupo de pessoas que consegue ouvir o líder. De fato, entre os indígenas brasileiros, quando um agrupamento se torna muito grande, ele se divide em duas aldeias.
A invenção da escrita mudou tudo. Com um novo e eficiente meio de comunicação, foi possível criar grandes agrupamentos humanos. Além disso, os líderes, que até então tinham poder relativo, tornaram-se reis com poder absoluto. Através da escrita eles podiam enviar suas ordens a todos os súditos. Por outro lado, através dos escribas, o governante podia controlar a produção de riqueza e instituir impostos. A escrita inventa também o universo classificador, em que todas as coisas definidas pelas classes nas quais se encaixam. Esse universo trabalha com categorias mutuamente excludentes e hierarquicamente organizadas. Assim, um gato, no universo classificador, é um animal, vertebrado, mamífero, felídeo, etc...Antes da escrita havia apenas os universos relevante (em que as informações são definidas pela importância que têm para cada pessoa) e relacional (em que as informações são definidas pelas suas relações com as outras coisas. Por exemplo, para o universo relaciona, o gato é o animal que caça o rato.
O universo classificador criou condições para o surgimento da burocracia e do exército, com sua hierarquia.
Nova revolução ocorre quando é inventada a imprensa. Com essa nova forma de comunicação, as informações se popularizaram e agora cada pessoa podia ler o seu livro ou o seu jornal sozinho (antes era mais comum que as pessoas lessem em grupos). Com isso surge a idéia de individualidade e de direito autoral. Como os impressores achavam mais rendoso publicar nas línguas nacionais do que em latim (já que o público era bem maior), a imprensa também acaba criando a idéia de nação e de nacionalismo. A popularização da informação tira dos mosteiros o papel de detentores da informação. Tudo isso enfraquece o poder do Papa e cria condições para o surgimento das monarquias absolutas e do protestantismo.
McLuhan chamou Galáxia de Gutemberg a esse mundo criado pela imprensa.
O pensamento linear, que já se delineava no mundo da escrita, torna-se o padrão na Galáxia de Gutemberg: todas as coisas devem ser organizadas de forma que haja uma relação de início, meio e fim, como, aliás, acontece com os livros.
McLuhan percebeu que em sua época (década de 60), uma nova revolução estava se delineando motivada pelos novos meios de comunicação de massa, em especial a televisão. Para ele, a TV e o rádio estavam devolvendo o ouvido ao homem, que havia caído em desuso na Galáxia de Gutemberg.

Por outro lado, a TV, por ser um meio frio (de baixa resolução), levava a um maior envolvimento por parte do receptor, da mesma forma que ocorria na época em que vivíamos em aldeia.
Para o filósofo canadense, a TV e as canções pop estavam novamente unindo pensamento e ação. Isso podia ser percebido nos protestos contra a guerra do Vietnã. O fato de a TV mostrar as atrocidades cometidas pelos soldados norte-americanos levou a população dos EUA a se mobilizar contra a guerra. O exercito norte-americano sabe muito bem dessa força da imagem televisiva, tanto que na Guerra do Golfo impediu as emissoras de TV de mostrarem detalhes do conflito.
Com a criação da internet um novo mundo começa a se delinear. O surgimento de uma rede de comunicação impossível de se controlar, na qual os emissores também são receptores, muda muita coisa. Recentemente li uma matéria sobre um grupo de pessoas em diversos países que distribui pela internet informações que são ignoradas ou distorcidas pela televisão e outros meios de comunicação.
Isso nos leva a outra teoria de McLuhan: a idéia de aldeia global. Se, nos primórdios da humanidade, uma aldeia era definida pela quantidade de pessoas que podiam ouvir o líder, hoje o mundo todo pode ouvir as comunicações de uma liderança. Da mesma forma que na aldeia todos sabiam todos os acontecimentos de forma quase instantânea, hoje se sabe de tudo a velocidade incrível.Os atentados terroristas que demoliram os Word Trade Center demonstraram isso bem. O mundo parou para ver esse fato. Para se ter uma idéia do alcance do acontecimento, no dia seguinte, na capital do Camboja, houve uma cerimônia budista pelas almas das pessoas que morreram nos atentados. Uma foto dessa cerimônia mostrava uma garotinha cambojana segurando uma bandeira dos EUA.
Os atentados de 11 de setembro mostram que McLuhan estava certo: o mundo é cada vez mais uma aldeia e cada vez mais as fronteiras nacionais deixam de ser importantes.
Os super-heróis nacionais
Como comecei a escrever resenhas
Quando era adolescente eu tinha uma necessidade imensa de ler, mas livros eram itens raros em casa (lembro quando era criança de ficar lendo os dizeres das caixas de sapato). Então, a descoberta da sessão circulante da Biblioteca Pública do Centur, em Belém, foi providencial. Para mim foi uma surpresa descobrir que lá eles emprestavam livros! Embora o acervo fosse pequeno comparado a bibliotecas maiores, para mim era um verdadeiro tesouro.
Na primeira vez em que fui levei muito tempo
procurando, até que acabei escolhendo um livro de contos de H.G. Wells (nunca
mais encontrei esse livro, então não sei o título). Quando estava fazendo as
tratativas para o empréstimo, a bibliotecária me perguntou se eu não queria
fazer uma resenha da obra.
- Resenha? O que é isso?
Ela me levou até um quadro cheio de fichas.
Eram as resenhas feitas pelos leitores, que entregavam manuscritos e eram
datilografadas pelo pessoal da biblioteca.
- Ok, vou fazer.
Não fiz resenha só daquele livro. chegou num
ponto que todas as fichas daquele painel eram minhas.
Eu me acostumei a tal a ponto a escrever sobre
o que lia, que logo o painel não era mais suficiente para as minhas resenhas
(eu devorava religiosamente um livro por semana, às vezes mais). Então comprei
um caderno e comecei a resenhar tudo: livros, filmes e até exposições que eu
visitava. Sempre que possível, recortava em jornais capas de livros ou cartazes
de filmes para colar junto das resenhas. Lembro de uma exposição sobre a
expedição langsdorf em que inclui no caderno um recorte anunciando a exposição.
Aliás, aquela exposição me marcou tanto que depois a usei num conto que
posteriormente seria incluído no livro da devir...
Eu me acostumei a tal ponto a resenhar que ler
um livro e não resenhar era como se eu não tivesse lido. Assistir a um filme e
não resenhar? Impensável!
Quando, tempos depois, surgiram os blogs, eles
se tornaram a versão digital daqueles cadernos. Na época, blogs falavam de
assuntos exclusivamente pessoais, que interessavam apenas à pessoas e seus
amigos. Meu blog era de resenhas (e, ocasionalmente, um ou outro artigo sobre
assuntos do momento).
Algum tempo depois eu recebi o convite de
integrar a equipe do Digestivo Cultural, que já foi o maior e mais importante
site de cultura do Brasil. O editor do digestivo me enviava um livro por mês
para ser resenhado. Eram resenhas de cinco mil toques, textos muito mais longos
dos que eu era acostumado a fazer no meu blog ou mesmo no meu caderno. Não era
só fazer um resumo da história e um crítica da obra. Com cinco mil toques eu
comecei a fazer também análises mais aprofundadas sobre, por exemplo, o estilo
do autor. Infelizmente chegou num ponto em que o editor do digestivo começou a
se interessar mais por política do que pela parte cultural, o que foi matando o
site e os colaboradores foram saindo aos poucos, entre eles eu.
Desde então, tenho continuado a publicar meus
textos sobre livros, filmes e séries tanto no meu perfil quanto no blog.
quarta-feira, novembro 25, 2020
Quando realidade e ficção se misturam
Conan - Os guardiões da tumba
A arte expressiva de Jack Kirby

Vestígios - revista portuguesa de quadrinhos
Conan – a fronteira do fim do mundo
Entre as várias sagas de Conan, a do Rio Negro
é uma das mais memoráveis e uma das poucas que se alongaram tanto que ocuparam
mais de uma edição da revista The Savage Sword of Conan, tendo sido publicada
no Brasil em A espada selvagem de Conan 14 e 15 de editora abril .
Com desenhos de John Buscema e Tony DeZuniga e
roteiro de Roy Thomas, a história conta a trama da invasão dos pictos contra os
assentamentos da Aquilônia no território de Conajohara, às margens dos rios Negro
e Trovão.
A história começa com Conan salvando um rapaz,
Balthus, que pretende se juntar aos colonos. Os dois irão viver juntos essa
aventura repleta de ação de suspense.
Os fatos se acumulam em ritmo acelerado: eles
encontram o cadáver de um mercador que havia sido jurado de morte por um
feiticeiro picto, tentando levar o corpo dele para o forte, são atacados por um
demônio, que arranca a cabeça do cadáver. No forte, recebem a missão de matar o
feiticeiro, mas, quando se aproximam de território picto, são atacados. Balthus
é preso em um estaca e irá ser morto por uma serpente encantada, mas é salvo
por conan.
Agora eles precisam desesperadamente tentar
chegar até o forte e avisar sobre o ataque dos inimigos. Depois precisam avisar
os colonos para que abandonem suas casas e se dirijam para um local seguro. No
meio disso encontram um cachorro apelidado de Mutilador. Depois de ver seus
donos assassinados por pictos, ele se tornou uma fera cujo único objetivo é
matar selvagens.
Tudo isso é entremeado por aparições de
criaturas místicas, demônios e muita, muita ação.
É uma saga tão monumental que ocupou mais de 80
páginas.
Na história o talento dos desenhistas John
Buscema, Tony Dezuñiga é visível, mas o que se sobrepõe mesmo é a incrível
habilidade de Roy Thomas para contar uma história. Não só pelo ritmo narrativo
de tirar o fôlego, mas pelo texto impecável, que prende o leitor.

































