quarta-feira, setembro 28, 2022

Fake news matam

 

Na década de 1920 os nazistas usaram o livro falso Os protocolos dos sábios de sião para convencer a população alemã de que havia um grande plano por parte dos grandes banqueiros internacionais - aliados aos bolcheviches - para destruir a civilização ocidental. Os nazistas sabiam que o livro era falso, mas mesmo assim continuaram divulgando-o e dizendo que eram os únicos que podiam impedir que isso acontecesse. E as pessoas acreditaram. O resultado foram cinco milhões de mortos em campos de concentração.

Antologia Deuses

 

Os livros virtuais tiveram pelo menos três fases no Brasil. Na primeira, no início dos anos 2000, foi capitaneada pela Virtual Books. Numa época de internet discada, os livros precisavam ser leves, com poucas imagens e até as capas costumavam ser em baixa resolução. O PDF predominava.
Posteriormente surgiria a Amazon e seu novo formato de leitura e venda, mas antes dela houve uma segunda onda, com livro em PDF descolados, capas bonitas, boa diagramação, ilustrações internas... e uma das editoras que mais se destacaram nesse período foi a Infinitum, que se publicava principalmente pelas antologias.
Uma dessas antologias, Deuses, foi lançada em 2011 e reunia histórias sobre mitos. Eu participei com uma história que misturava mitologia egípcia e reencarnação chamada “Canção pra você viver mais”.
O blogueiro Joe de Lima destacou o conto na resenha sobre a publicação: “simples e bonito. Mesmo sem usar recursos complexos, traz uma história de amor cativante em uma trama direta e linear. (meu lado fã adorou a referência ao Pato Fu)”.

Entrevista com Carla Camuratti - 1995

 


Procurando material para usar como exemplo com meus alunos de Redação Jornalística, encontro essa entrevista-perfil sobre a Carla Camuraiti que escrevi para o jornal Folha de Londrina em 1995 (na época em que a Folha de Londrina era o melhor jornal do Paraná). Entrevista jornalística não é só perguntas e respostas.

terça-feira, setembro 27, 2022

Como escrever quadrinhos

 



O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

História universal da infâmia

 


Infâmia, segundo o dicionário: ação ou ato infame. Desonra, ignômia, torpeza.

É justamente casos de desonra, ignômia e torpreza que Jorge Luis Borges pretende coletar no livro “História Universal da Infâmia”, relançado este ano pela editora Globo.

A origem do volume remonta a 1933, quando Natalio Botana, para escândalo dos jornais sérios, lançou o periódico “Crítica”, de orientação sensacionalista. Como os concorrentes tinham seus cadernos literários, o Crítica lançou a revista Multicolor de los Sábados.

A revista, belamente ilustrada, misturava literatura com jornalismo marrom na tentativa de agradar ao paladar da massa.

Borges, convidado a colaborar, teve de adequar sua prosa a essa demanda. O resultado foi uma mistura de jornalismo com literatura, de fatos reais com imaginários, ao estilo do que fazia Edgar Allan Poe.

História universal da Infâmia reúne histórias de ladrões, piratas, assassinos e mentirosos. Mas não se engane: Borges consegue fazer dessas histórias, típicas do jornalismo marrom (que um intelectual brasileiro definiu muito bem com a frase “se espremer sai sangue”) verdadeiras obras de arte da literatura do século XX.

As histórias prendem o leitor pelo inesperado.

É o que ocorre, por exemplo, com “O Atroz Redentor Lazarus Morell”. Morell era um pilantra, líder de uma quadrilha que estendia sua atuação por vários estados dos EUA no século XVIII. Sua riqueza vinha de um estratagema simples: ele e seus comparsas convenciam os negros a fugirem das fazendas e lhes providenciavam os meios para a fuga. Quando o negro fugia, ele o pegava e vendia para outro fazendeiro. Era uma mina de ouro.

Morell era tão infame que costumava fazer pregações religiosas que entretiam toda a população de uma cidade enquanto seus comparsas roubavam os cavalos da audiência.

Outra história absolutamente inesperada e que dá o tom do volume é “O Impostor Inverossímil Tom Castro”.

Em 1854 naufragou no Atlântico o vapor Mermaid, que ia do Rio de Janeiro a Liverpool. Entre seus passageiros estava o militar inglês Roger Charles Tichborne. A mãe, recusando-se a acreditar na morte do filho, passou a publicar nos principais jornais do mundo anúncios pedindo informaçòes sobre o mesmo.

Tom Castro, um marinheiro inglês filho de açougueiro resolveu se passar por Tichborne. Não poderia existir duas pessoas mais diferentes. Enquanto Tichborne era alto, magro, tez morena, cabelo negro muito liso, e falava com sotaque francês, Tom de castro era baixo, gordo, sardento, cabelos encaracolados castanhos e não falava uma vírgula de francês.

Ainda assim, Castro conseguiu enganar a mãe do militar e grande parte da sociedade inglesa da época. O argumento é que a diferença entre os dois era tão grande que ninguém seria tão doido de se passar por outro sem nem ao menos tentar alguma alteração física. Portanto, aquela criatura completamente diferente só poderia mesmo ser Tichborne mudado pelos ares do Brasil.

Histórias como essa triscam no burlesco. Outras são impressionantes, como “O Tintureiro Mascarado Hakin de Merv”. Nela, um profeta aparece com uma cabeça de boi cobrindo o rosto e argumenta que foi visitado pelo anjo Gabriel, que lhe alterou o rosto de tal forma 
que, quem o visse ficava cego com a beleza divina do mesmo.

Hakin arrebanha milhares de fiéis, cria para si um harém de 100 belas mulheres cegas e coloca em perigo o califado.

A cena em que ele é desmascarado está certamente entre as mais chocantes da literatura universal.

Borges acrescenta ao livro um índice de fontes bibliográficas. Mas apenas para enganar o leitor. A fonte do conto sobre o falso profeta simplesmente não existe, dando a entender que Borges inventou a história.

Essa, aliás, era a principal característica de Borges. Ele tinha intenção de fazer o leitor confudir realidade com ficção no que ficou, mais tarde conhecido como realismo fantástico.

Vale destacar nessa edição o cuidado gráfico que a editora Globo dispensou ao volume. O formato, menos largo que o normal, dá uma elegância indiscutível ao livro. Além disso, a capa traz uma ilustração de Will Eisner, um dos maiores desenhistas de histórias em quadrinhos de todos os tempos. Não há como passar despercebido na livraria. “História Universal da Infâmia”salta ao olhos e chama nossa atenção no meio dos outros livros.

Um cuidado editorial que prestigia a genialidade de Borges, considerado por muitos, inclusive o autor desta resenha, o mais importante escritor do século passado.

Para os leitores brasileiros o livro tem uma atração a mais: o conto “A História dos Dois que Sonharam” que inspirou Paulo Coelho a escrever “O Alquimista”. 

Os Novos Titãs contra o Exterminador

 


Já no número dois da revista, os Novos Titãs conheceram aquele que seria um dos principais inimigos da equipe: o Exterminador.

A história começa com uma splash page antológica, na qual o mercenário é inquirido pelos homens da C.O.L.M.E.I.A., que pretendem contratá-lo para destruir os titãs. O vilão exige pagamento adiantado e recusa a empreitada, o que aparentemente estava nos planos do grupo.

Nota: nessa época era comum os quadrinhos de super-heróis terem grupos misteriosos com nomes que eram acrósticos. C.O.L.M.E.I.A. significava Controle de Lideranças Mundiais para Espionagem, Insurreições e Atentados. Parece ridículo atualmente, mas nos anos 70 e 80 era moda.

A primeira e impressionante aparição do Exterminador. 


A C.O.L.M.E.I.A. ira usar um rapaz que aparece no primeiro número como isca para fazer o exterminador aceitar o trabalho. Para isso, eles amplia seus reflexos e o transformam no Devastador.

Mas o que faz dessa história, a terceira dos Novos Titãs, tão especial, não é necessariamente o arranca-rabo entre mocinhos e vilões, e sim a pegada adolescente do título. Os titãs da década de 1960 tinham sido um fracasso exatamente porque não se comportavam como jovens de verdade. Marv Wolfman e George Perez mostram um grupo que se comporta como qualquer adolescente se comportaria, incluindo um divertido banho de piscina.

Estelar aprende inglês beijando Robin. 

Mas a sequência mais emblemática dessa edição acontece quando o grupo decide que o fato de Estelar não falar a língua do restante do grupo é um problema. A garota parece entender e simplesmente beija o Robin, para logo depois sair falando inglês. “Oi Robin”, diz ela. “Sabia que você é uma gracinha?”. E, para um atordoado Kid Flash, que não entendeu nada do que aconteceu: “Contato físico. Eu simplesmente absorvi a língua de vocês”.

Essa sequência mostrava mais uma diferença da série antiga dos Titãs: essa seria repleta de insinuações sexuais. Considerando-se que o grupo era formado por adolescentes com hormônios à toda, isso era algo óbvio, mas nunca havia passado pela cabeça dos roteiristas anteriores.  

Os quadrinhos de guerra

 

Na década de 1960 os super-heróis, que sempre foram as estrelas dos gibis, entraram em crise. Os editores começaram a procurar outros gêneros, que pudessem chamar a atenção da garotada. A E.C. acertou a mão com o terror, mas seu sucesso teve um fim com a perseguição dos conservadores norte-americanos. Outras editoras tentaram o gênero romântico, com algum sucesso.
      Uma das iniciativas mais interessantes foram os quadrinhos de guerra, um gênero muito bem explorado pela DC Comics na revista Our Army at War. Foi nessa revista que surgiu o Sargento Rock, o mais famoso herói de guerra dos quadrinhos. O personagem foi criado por Robert Kaningher, um veterano escritor e editor de gibis. Ele é tido com um dos mais prolíferos autores do gênero, tendo publicado e escrito histórias da Mulher-maravilha, Canário Negro, Besouro Azul e Capitão Marvel, mas ficou conhecido mesmo por seus heróis de guerra.
      Kaningher criou o sargento baseando-se no lutador Rocky marciano, um grande ídolo do boxe norte-americano. Rocky jamais perdeu uma luta e sua grande arma era a obstinação. A primeira história do sargento Rock mostra justamente ele como lutador, numa narrativa paralela à sua atuação na guerra. Por pior que estejam as coisas, por maior que seja a dor ou a adversidade, ele sempre está de pé, dizendo seu bordão: ¨Vamos, lute!¨.
      Para ilustrar essa pequena HQ, que se tornou antológica, Kaningher chamou Joe Kubert, um jovem desenhista, mas que já se tornara um referencial de qualidade no meio. Ele havia criado, por exemplo, os quadrinhos 3-D, que precisavam ser lidos com óculos especiais e foram uma grande febre na década de 1950, rendendo dinheiro o suficiente para que ele comprasse sua casa. Kubert tinha um traço elegante e inovador para a época. Sua arte-final suja casou perfeitamente com o personagem durão.
      A primeira história do personagem, intitulada apenas como Rock, foi publicada na revista G.I. Combate 68.
      Mas a estréia oficial se deu com a história A Rocha da Companhia Moleza (The Rock of Easy Co.), publicada na revista Our Army at War 81, de abril de 1959. Por alguma razão, Kurbert não assumiu o desenho, que acabou sendo feito por Ross Andru e Mike Esposito. Nessa história o sargento ganhou um batalhão, a companhia moleza, composta de vários personagens carismáticos.
      A partir daí o personagem virou a grande atração da revista, ao ponto do gibi mudar de nome para Sargento Rock, na década de 1970.
      A revista foi publicada por 11 anos, sendo descontinuada apenas em 1988. Mas, mesmo assim, o sargento e sua companhia continuaram fazendo aparições especiais em aventuras de outros personagens.
      Outra grande criação da dupla Kaningher-Kubert foi Ás Inimigo. Criado na década de 1970, o personagem era um aviador alemão da I Guerra mundial, um homem que tinha como único amigo um lobo da floresta.
      Os roteiros de Kaningher descreviam em detalhes as batalhas aéreas, as táticas dos pilotos e as regras que regiam o comportamento dos mesmos. Kubert não ficou atrás e pesquisou pesado para caracterizar o personagem: ¨Como sempre fazia, fui a bibliotecas e livrarias atrás delas. Procurei saber o máximo sobre batalhas aéreas da 1ª. Guerra Mundial. Eu queria que os leitores aceitassem o Ás Inimigo como algo realmente crível, assim como eu havia aceitado a premissa da história. Então estudei os interiores dos aviões, seus detalhes e sua construção. Onde a madeira era usada? Qual era a aparência do esqueleto do avião? Descobrir as respostas para essas perguntas ajudou-me a compreender melhor qual a sensação de voar naquelas máquinas antiquadas¨.
      O resultado disso é que, embora Kubert tenha feito vários personagens de sucesso, o Sargento Rock e o Ás Inimigo são sempre os mais lembrados pelos leitores.

O livro dos códigos

 

              
Os códigos existem para facilitar a comunicação. São eles que nos dizem o que pode e o que não pode, o que representa algo e o que não representa nada. Sem eles, não seria possível se comunicar nem mesmo através de gestos, pois também esse tipo de comunicação passa por uma codificação. Mas existem situações em que códigos são criados com o objetivo específico de tornar o texto transparente para quem tem a chave e absolutamente incompreensível para quem não a tem. São as cifras secretas, utilizadas principalmente na política e na guerra.
              O Livro dos Códigos, de Simon Sigh, lançado recentemente pela editora Record, trata desses últimos. O alentado volume de quase quinhentas páginas trata da história dos códigos secretos e da luta entre dois times, os criptógrafos, que os criavam e tinham como objetivo mantê-los inquebráveis, e os criptoanalistas, que objetivavam descobrir a mensagem por trás de um emaranhado superficialmente incompreensível.
              É um livro altamente aconselhável para quem gosta de história, mas principalmente para quem gosta de exercitar a massa cinzenta. O Livro dos Códigos se encaixa naquela categoria de livros que são para o cérebro o que Solange Frazão é para a panturrilha.
              O aspecto histórico fica por conta dos momentos dramáticos que envolveram a criação ou a quebra de códigos. Não por acaso, o volume começa com Maria, a Rainha da Escócia, que, presa na Inglaterra, estava diante de uma corte, sendo acusada de articular o assassinato da rainha Elizabeth.
              Na verdade, os católicos ingleses pretendiam de fato assassinar Elizabeth, a rainha protestante, e colocar em seu lugar Maria. Mas queriam antes ter a aprovação de Maria. Assim, escreveram para ela uma mensagem cifrada, pedindo autorização para o levante. Maria respondeu positivamente, também através do código secreto.
              Acontece que o primeiro secretário da rainha Elizabeth havia interceptado a mensagem e prendido os revoltosos. Restava julgar Maria. Mas, embora desprezasse sua prima, a rainha da Inglaterra tinha razões de sobra para não condena-la à morte. Primeiramente porque a ré era uma rainha de outra nação e muitos contestavam a autoridade de uma corte inglesa sobre ela. Além disso, a morte de Maria poderia criar um precedente perigoso. Se um júri poderia enviar uma rainha à morte, então talvez o populacho se sentisse tentado a fazer o mesmo com Elizabeth. Por último, havia o laço de sangue.
              A condenação de Maria dependia de provas de que ela participava do plano e isso só poderia ser conseguido com a quebra da cifra.
              Os revoltosos haviam criado um código em que cada letra era representada por um símbolo. Além disso, havia nulos, ou seja, sinais que não tinham valor algum e só serviam para complicar a vida de quem tentasse decifrar a mensagem.
              Um leigo que olhasse a mensagem acharia que seria impossível decodificá-la sem a chave apropriada.
              O mesmo ocorreria com uma cifra de César. Essa forma de codificar mensagens, criada pelo famoso estadista romano consistia em trocar as letras da mensagem original pelas terceiras letras seguintes do alfabeto. Assim, o A virava D, o B virava E e assim por diante. Mas, da mesma forma que a mensagem poderia ser escrita deslocando-se três casas, o criador do código poderia deslocar cinco, seis ou até vinte e cinco casas. Um general inimigo que interceptasse a mensagem poderia ir tentando as combinações possíveis, mas existem 400.000.000.000.000.000.000.000.000 combinações possíveis. Isso significa que ele levaria um bilhão de vezes o tempo do universo para verificar todas as possibilidades. Parece impossível, não? No entanto, meus alunos mais espertos conseguem realizar tarefa semelhante em muito menos tempo. O recorde é de cinco minutos.
              O segredo para a decodificação está na redundância.  Sabendo em que língua foi escrita a mensagem, basta ter uma tabela de freqüência da língua e verificar no texto quais são os sinais mais redundantes e os menos redundantes.
              No português, por exemplo, as letras mais redundantes são as vogais, especialmente o A e o E. Letras como o X e o Z são as menos redundantes. Sabendo-se isso, basta trocar os sinais mais redundantes pelas letras mais redundantes e ir verificando as combinações. Além disso, há a redundância sintática. Em português, geralmente temos uma estrutura de sujeito – verbo – predicado. O sujeito geralmente é composto de um substantivo acompanhado de um artigo. Se o artigo for composto de apenas um sinal, deve ser ou o O ou o A. Se forem dois sinais, o artigo provavelmente está no plural: OS, AS, o que nos dá mais uma letra (S). Se o criptoanalista tiver uma idéia do assunto da mensagem, ele pode experimentar testar palavras que ele acredita constar na mensagem. Isso é chamado de cola. Se, por exemplo, sabemos que a mensagem trata do horário em que será feito um ataque podemos usar a palavra HORA como cola e testá-la na mensagem em vários pontos, até chegar a um resultado positivo. Descoberta uma palavra, o resto é fácil. Quem já jogou palavras-cruzadas sabe que não é tão difícil descobrir o significado de palavras incompletas. Se temos, por exemplo, o conjunto M_NS_GE_, é óbvio que se trata da palavra MENSAGEM.
              Esse método é chamado de análise de freqüência e foi precisamente a técnica utilizada pelo primeiro secretário da rainha Elizabeth para decodificar a mensagem e levar Maria ao cadafalso.
              A pobre rainha da Escócia morreu porque sua cifra era fraca, fácil de ser decodificada.
              Mas, com o tempo, os codificadores foram sofisticando cada vez mais seu trabalho, assim como os criptoanalistas e os códigos passaram a ser essenciais em episódios de guerra.
              Exemplo disso foi o telegrama Zimmermann. Durante a I Guerra Mundial, os ingleses fizeram todos os esforços possíveis para convencer os EUA a entrarem no conflito. Sem sucesso. O presidente americano, Woodrow Wilson, não queria sacrificar a juventude de seu país e estava convencido de que a guerra só terminaria com um acordo negociado. Woodrow saudou a escolha do novo ministro das relações exteriores da Alemanha, Arthur Zimmermann, que parecia querer uma negociação. Os jornais norte-americanos publicaram manchetes como NOSSO AMIGO ZIMMERMANN.
              Mas, na verdade, o novo ministro tinha outros planos em mente. Sua idéia era fazer uma guerra marítima total. O Kaiser havia feito uma promessa ao presidente norte-americano de que os submarinos emergiriam antes de realizar um ataque, o que evitaria acidentes com navios dos EUA. Se permanecessem no fundo do mar, os submarinos seriam invencíveis contra os navios ingleses. Como uma guerra submarina total afundaria navios norte-americanos, forçando Woodrow a entrar no conflito, Zimmermann planejava criar uma guerra na América, financiando uma ofensiva do México contra os EUA.
              O plano foi enviado pelo rádio para o embaixador alemão no México, que deveria negociar com as autoridades mexicanas.
              Acontece que os ingleses interceptaram a mensagem e a decifraram, passando-a para o embaixador norte-americanos na Inglaterra. Os EUA não tiveram outra alternativa, senão entrar na guerra. Segundo Sigh, “uma única descoberta feita pelos criptoanalistas da Sala 40 conseguira sucesso onde três anos de diplomacia tinham fracassado”.
              Mas o momento mais emocionante da atuação dos criptoanalistas foi a Segunda Guerra Mundial.  
              Os alemães haviam inventado uma máquina capaz de cifrar uma mensagem com grande rapidez e enorme confiabilidade. Chamava-se Enigma e era parecida com uma máquina de escrever, com a diferença de que uma letra, ao ser escrita, era trocada por outra letra de um alfabeto codificado. Havia uma série de misturadores, o que faziam com que a mensagem fosse codificada em vários alfabetos cifrados. Além disso, havia cabos que trocavam as letras, assim o A poderia ser codificado como B e assim por diante. A ordem interna dos misturadores e dos cabos podia mudar completamente o código e isso era feito todo dia pelos nazistas. Ou seja, a cada dia os germânicos tinham um código altamente seguro e diferente do usado no dia anterior, o que fazia com que os ingleses tivessem que decifrar o código diariamente. Além disso, a mesma máquina que era usada para codificar, poderia ser usada para decodificar. Um texto cifrado datilografado nela dava origem ao texto original.
              Os ingleses conseguiram com os poloneses uma cópia da máquina Enigma, mas isso não ajudava muito, pois a Enigma poderia ser ajustada de acordo com 10.000.000.000.000.000 chaves diferentes. Seria necessário mais tempo do que  a idade total do universo para chegar cada ajuste e, sinceramente, até lá a guerra já teria acabado.
              A Enigma seria indecifrável, não fosse pela genialidade de Alan Turing, um dos autores que dariam origem ao ramo da ciência conhecido como cibernética.
              O maior inimigo de um código secreto é a redundância. É ela que permite ao criptoanalista decifrar a mensagem. Na Enigma havia pouca redundância, mas, observando os textos que haviam sido decifrados, Turing percebeu uma redundância na mensagem. Muitas delas obedeciam a uma estrutura rígida. Ele descobriu, por exemplo, que os alemães mandavam relatórios sobre a previsão do tempo logo depois das seis horas da manhã. Dessa forma, uma mensagem interceptada nesse horário certamente conteria a palavra alemã para tempo, WETTER. Como havia um protocolo rigoroso sobre a formatação dessas mensagens, Turing poderia ter idéia até mesmo de onde a palavra WETTER estaria na mensagem. Descoberto o texto cifrado de WETTER, bastava ajustar a máquina que transformariam a palavra no texto cifrado. Feito isso, a Enigma revelava completamente seus segredos.
              As mensagens decifradas pelos ingleses foram fundamentais para a vitória aliada na Segunda Guerra, tanto que Winston Churchill chegou a visitar o local em que ficavam os decifradores, em Bletchley Park.

              Entretanto, Turing jamais pôde coletar os frutos de seu trabalho. Em 1952 ele foi se queixar em uma delegacia de que havia sido roubado. Ingênuo, ele revelou que estava tendo um relacionamento homossexual no momento do furto. A polícia prendeu-o, acusando-o de “Alta indecência, contrária à seção 11 da lei Criminal, Emenda de 1885”. Os jornais divulgaram a notícia, Turing foi julgado, o governo britânico tomou-lhe seu passe de segurança e o retirou dos projetos de pesquisa relacionados com o desenvolvimento do computador.  No dia 7 de julho de 1954 ele foi para seu quarto, levando uma maçã e um jarro com cianeto. Mergulhou a maçã na solução e comeu. Com apenas quarenta e dois anos morria um dos maiores gênios da cibernética e da criptoanálise.

segunda-feira, setembro 26, 2022

Basílica de Sacré-Cœur

 


A Basílica de Sacré-Cœur (Sagrado Coração) é uma das mais famosas igrejas de Paris. Construída no final do século XIX, ela resgatou a arquitetura romana e bizantina, com paredes sólidas.
A igreja é adornada com belíssimos vitrais, pinturas e esculturas – e uma réplica do santo sudário. E, embora tenha um estilo arquitetônico oposto ao de Notre Dame, também tem várias gárgulas que podem ser vistas na lateral do prédio.

A basília fica no alto do Monte Martre, o local mais alto de Paris e de lá é possível observar toda a cidade. Nos arredores há dezenas de lojas de lembrancinhas, café, restaurantes e quiosques nos quais são vendidos os tradicionais sanduíches parisienses, com pão baguete.

Fundo do baú - Jeannie é um gênio

 


“Era uma vez, num lugar mítico chamado Cabo Kennedy... um astronauta de nome Tony Nelson foi lançado numa missão especial. O seu míssel subiu, porém algo aconteceu e ele teve que retornar à Terra. O Capitão Nelson chegou a uma ilha onde encontrou uma garrafa que não era uma garrafa qualquer, pois dentro havia um lindo gênio que tinha o poder de realizar todos os seus desejos. Diferente, divertido, surpreendente. A garota desse programa é um sonho, um espetáculo, é muito viva!”

O texto acima era a abertura dos primeiros episódios de Jeannie é um gênio, sitcom criada por Sidney Sheldon que estreou nos EUA em 18 de setembro de 1965 e foi exibido até 1970, num total de 139 episódios. Posteriormente foi feita uma animação e aproveitada apenas a parte final da narração.

Na história, Barbara Eden era um provocante gênio das mil e uma noites e Larry Hagman era seu amo e senhor. Apaixonada pelo seu amo, ela vai com ele para os EUA coloca sua vida de cabeça para baixo com suas estripulias. Entre os personagens secundários da série estavam o Dr. Bellows, um psicólogo da força aérea que tenta descobrir porque coisas estranhas acontecem sempre que o Capitão Nelson está por perto e o atrapalhado Roger Healey, melhor amigo de Nelson, que muitas vezes ajuda a encobrir as confusões criadas por Jeannie.

O programa se aproveitava de truques básicos de montagem para simular de magia. Assim, por exemplo, o Capitão Nelson está no sofá e de repente o jornal aparece em sua mão, assim como uma xícara de café. Esses truques de montagem eram salientados por um movimento de cabeça de Jeannie e por efeitos sonoros. O conjunto funcionava incrivelmente bem.  

Em um dos episódios, Jeannie resolve se casar com Nelson. Como esse pretende continuar solteiro, ela cria um sósia dele, que se mostra absolutamente apaixonado por ela e chega a levá-la ao altar. Claro que no final ela desiste, pois o segredo do programa estava justamente na tensão sexual nunca realizada entre Jeannie e Nelson. Ao contrário de A feiticeira, cujo humor se concentrava em situações domésticas, em Jeannie é um gênio o foco são as insinuações sexuais, tanto que o fato dos dois terem finalmente se casado é apontado por muitos como a razão pela qual o seriado perdeu audiência e foi descontinuado.

Embora tenha sido criado como uma imitação de A feiticeira, Jeannie é um gênio logo mostrou que tinha brilho próprio e angariou uma legião de fãs.  

O seriado ainda ganhou dois filmes, lançados na década de 1980.

Júlia Kendall – O ajudante misterioso

 

Historias natalinas são uma tradição nos quadrinhos. Mas misturar natal e policial e conseguir fazer uma boa história é algo reservado apenas aos grandes mestres.

É o que Giancarlo Berardi consegue no episódio 51 do título da criminóloga Júlia Kendall.

Na trama, bandidos vestidos de Papai Noel estão praticando assaltos na cidade. Para tentar achá-los, Júlia procura o local onde são contratados os papais noéis – e acaba pegando um deles como ajudante.

A história começa com uma sequência de ação impressionante. 


A história é desenhada por Giorgio Trevisan, um velho parceiro de Berardi da época de Ken Parker e um ótimo desenhista, que consegue dar o tom perfeitamente intimista à história.

O roteiro humaniza os bandidos, mostrando-os como um senhor de meia idade que assiste TV com o pai ou um pai dedicado e apaixonado por sua filha.

O simpático Papai Noel Mosby rouba a cena. 


Mas quem chama a atenção é o carismático Mosby, o Papai Noel que ajuda Júlia.

A história começa com uma sequência realmente impressionante em que uma corrida de cavalos ocorre ao mesmo tempo que o assalto e as duas narrativas se refletem uma na outra no texto. O tipo de coisa que só grandes autores conseguem. E termina com um toque místico e de mistério digno das melhores histórias natalinas.

Planeta 51: ficção científica como metáfora política

 

Planeta 51  é um filme de animação espanhol-inglês dirigido por Jorge Blanco, escrito por Joe Stillman. A história se passa em um planeta extraterrestre semelhante à Terra dos anos 1950. O protagonista é Lem, um garoto de 16 anos que sonha um dia dirigir o planetário da cidade. Sua vida é mudada quando ele descobre, escondido no planetário, um astronauta terrestre se escondendo das autoridades. 
O filme é uma espécie de ET ao contrário, com um humano em um planeta alienígena tentando voltar para a nave e tendo de fugir da perseguição oficial. 
Os fãs de ficção científica mais atentos vão se deliciar com as centenas de referências a outros filmes. Um cachorrinho, por exemplo, tem a cara do Alien e urina ácido. Outro grande referencial é Vampiros de almas, de Don Siegel, 1956, filme em que extraterrestres tomam o lugar de humanos em uma pequena cidadade do interior dos EUA.  Vampiros de almas foi escrito como uma crítica à paranóia anti-comunista que dominou a América nos anos 1950, em que se imaginava que qualquer um podia ter se tornado um comunista. Planeta 51 retoma essa premissa na cena em que o general acusa um hippie de ter sido transformado em zumbi pelo terrano apenas porque ele usa cabelo comprido. 
Planeta 51 tem, portanto, uma mensagem política. É sobre o medo do novo e sobre o conservadores versus inovações sociais. A cena em que os soldados avançam sobre os hippies com cacetetes é, nesse sentido, emblemática.  

Wolverine: escolhas malditas


Na década de 1990, o sucesso da coleção Graphic Novel fez com que a Abril lançasse uma coleção dedicada apenas à casa das idéias: a Graphic Marvel. O número 11 dessa série trouxe uma história do Wolverine com roteiro de Tom DeFalco e desenhos de John Buscema.

A história se passa no Havaí. Um poderoso traficante podófilo cria um harém de meninos. Um deles escapa e tenta matar o traficante. É quando seu caminho se cruza com o carcaju. É uma história de vingança, com Logan tentando vingar o menino, morto pela máfia, e libertar seu irmão, ainda nas garras do traficante. 
O desenho de John Buscema é o grande destaque do álbum. 


Para complicar as coisas, Nick Fury está na jogada, negociando um acordo de delação premiada (o que vai colocá-lo em rota de colisão com o mutante).
Só o desenho de John Buscema já vale o volume. Mas o roteiro de DeFalco não faz feio. Ao optar por fazer o texto em primeira pessoa, ele aprofunda a personalidade do herói e suas motivações. É também um texto direto, visceral, como o personagem.
Logan luta contra uma rede de pedofilia. 


A história é de 1991 e foi publicada em 1992. Pena que logo depois os quadrinhos de super-heróis americanos seriam dominados por um período caracterizado por personagens vazios. E pena que o Wolverine tenha se tornado um dos símbolos dessa época. Por isso, histórias como essa graphic sejam tão interessantes – pelo contraste com o que viria depois.

Receita de bolo de cenoura

 


Modo de preparo: 

1.            Em um liquidificador, adicione a cenoura, os ovos e o óleo, depois misture
2.            Acrescente o açúcar e bata novamente por 5 minutos
3.            Em uma tigela ou na batedeira, adicione a farinha de trigo e depois misture novamente
4.            Acrescente o fermento e misture lentamente com uma colher
5.            Asse em um forno preaquecido a 180° C por aproximadamente 40 minutos

Essa é uma receita muito boa, que todos deveriam conhecer. Para outras receitas, clique aqui.

domingo, setembro 25, 2022

Depois da Terra

 

Às vezes um filme acaba sendo prejudicado pelo que se espera dele. É o caso de Depois da Terra, filme dirigido por M. Night Shyamalan. Todos sabem que a película tinha o objetivo de alavancar a carreira do filho de Will Smith, e, assim, muitos esperavam apenas mais um filme de ação hollywoodiano. Por outro lado, os fãs de M. Night Shyamalan esperavam mais um suspense com final surpresa que caracterizou o diretor em obras como Sexto Sentido e Corpo Fechado. Depois da Terra acaba não sendo nem um, nem outro, mas o saldo disso é positivo. O diretor conseguiu imprimir seu estilo à película, transformando-a em uma FC reflexiva, intimista, em que as peripécias de Jaden Smith são na verdade, apenas a parte visível de uma personalidade que vai sendo mostrada aos poucos. A conflituosa relação com o pai acrescenta mais uma camada a esse personagem surpreendentemente tridimensional. Apesar de não ser um filme autoral, Shyamalan imprimiu sua marca a cada take. Está tudo lá, os planos, a floresta (que lembra muito A Vila) e até os flash backs muito bem colocados na narrativa, em momentos-chave. Esqueça o preconceito e assista.

Fundo do baú - Tarzan, o desenho animado

 


Tarzan é um dos personagens mais populares do século XX e teve diversas versões para quadrinhos, cinema e televisão. Mas poucas foram tão fieis à obra original de Edgar Rice Burroughs quanto o desenho animado Tarzan, o rei das selvas, de 1976. Criado pela Filmation, o desenho usava em algumas cena a técnica da rotoscopia, em que o desenho é realizado em cima de filmagens com atores, o que dava um incrível realismo às sequências. Nessa versão do Tarzan ele é acompanhado pelo macaco Nikima, como nos livros, ao contrário da versão cinematográfica, em que foi criada a macaca Chita.
O estúdio aproveitou bem o fato da animação não necessitar de cenários para colocar na histórias reinos perdidos, o que dava à série um ar de fantasia.
Todos que assistiram esse desenho se lembram da cena de abertura com Tarzan se movimentando em rotoscopia e o texto: "A selva... eu nasci aqui. E aqui meus pais morreram quando eu era pequeno. Eu teria perecido logo se não tivesse sido encontrado por uma bondosa macaca chamada Kala, que me criou como seu filho e me ensinou a viver na selva. Eu aprendia rápido e me fortalecia a cada dia. Agora, compartilho da amizade e a confiança de todos os animais da selva. A selva é cheia de belezas... e perigos e cidades perdidas cheias bondade e maldade. Este é o meu domínio e eu protejo aqueles que aqui veem, pois eu sou Tarzan, o Rei das Selvas!".
No total, foram 36 episódios, em 4 temporadas.

X-men – Fênix Negra

 


“O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”. Essa frase, dita pelo Professor Xavier em The Uncanny X-men 135 representa muito bem a essência da saga da Fênix Negra.

No número anterior, Jean se transformara enquanto o grupo voltava para casa após enfrentar o Clube do Inferno. Sua transformação destruíra o jato dos mutantes.

E é exatamente nesse ponto que encontramos os personagens no início do número 135.

A sequência seguinte mostra os mutantes enfrentando a Fênix. “Não espere clemência da Fênix Negra, meu amor. Vocês não terão nenhuma!”. E, de fato, a personagem revela poderes avassaladores e inimagináveis, derrotando os amigos como se estivesse numa brincadeira. Wolverine e Colossus são soterrados abaixo de uma árvore de ouro. Ororo é golpeada psiquicamente e fica inconsciente. “Imagens... me atingindo pelo elo psíquico que tenho com Jean... chamas negras consumindo sua alma! Alusões místicas incompreensíveis.... sensação de perda... afogamento... solidão”, pensa Cíclope.

Ao se transformar no seu lado sombrio, Fênix destrói a nave. 


O psicólogo Carl Gustav Jung dizia que todos nós temos um lado sombra, para onde vai tudo aquilo com o qual não conseguimos lidar. O que Claremont e Byrne mostram é Jean Grey sendo consumida pelo seu lado sombra. A história lança uma questão interessante: se a inocente Garota Marvel tinha dentro de si uma vilã tão terrível, o mesmo não ocorre com cada um de nós?

Se o roteiro eleva a história muito além do nível dos quadrinhos de super-heróis, Byrne e Terry Austin mostram a transformação de Jean de forma magistral. Efeitos de sombras, áuras, hachuras... tudo é usado para demonstrar o lado sombrio de Jean transformada em vilã.

A Fênix Negra destroi um sistema solar. 


É nessa história que a Fênix faz o que decretaria sua morte. Ela vai ao espaço e consome uma estrela, matando bilhões de pessoas no processo. Quando viu essa parte da história, Jim Shooter, editor-chefe da Marvel, decidiu que a personagem tinha que morrer.