quarta-feira, setembro 28, 2022
Fake news matam
Antologia Deuses
Entrevista com Carla Camuratti - 1995
Procurando material para usar como exemplo com meus alunos de Redação Jornalística, encontro essa entrevista-perfil sobre a Carla Camuraiti que escrevi para o jornal Folha de Londrina em 1995 (na época em que a Folha de Londrina era o melhor jornal do Paraná). Entrevista jornalística não é só perguntas e respostas.
terça-feira, setembro 27, 2022
Como escrever quadrinhos
O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.
História universal da infâmia
Infâmia, segundo o dicionário: ação ou ato infame. Desonra, ignômia, torpeza.
É justamente casos de desonra, ignômia e torpreza que Jorge Luis Borges pretende coletar no livro “História Universal da Infâmia”, relançado este ano pela editora Globo.
A origem do volume remonta a 1933, quando Natalio Botana, para escândalo dos jornais sérios, lançou o periódico “Crítica”, de orientação sensacionalista. Como os concorrentes tinham seus cadernos literários, o Crítica lançou a revista Multicolor de los Sábados.
A revista, belamente ilustrada, misturava literatura com jornalismo marrom na tentativa de agradar ao paladar da massa.
Borges, convidado a colaborar, teve de adequar sua prosa a essa demanda. O resultado foi uma mistura de jornalismo com literatura, de fatos reais com imaginários, ao estilo do que fazia Edgar Allan Poe.
História universal da Infâmia reúne histórias de ladrões, piratas, assassinos e mentirosos. Mas não se engane: Borges consegue fazer dessas histórias, típicas do jornalismo marrom (que um intelectual brasileiro definiu muito bem com a frase “se espremer sai sangue”) verdadeiras obras de arte da literatura do século XX.
As histórias prendem o leitor pelo inesperado.
É o que ocorre, por exemplo, com “O Atroz Redentor Lazarus Morell”. Morell era um pilantra, líder de uma quadrilha que estendia sua atuação por vários estados dos EUA no século XVIII. Sua riqueza vinha de um estratagema simples: ele e seus comparsas convenciam os negros a fugirem das fazendas e lhes providenciavam os meios para a fuga. Quando o negro fugia, ele o pegava e vendia para outro fazendeiro. Era uma mina de ouro.
Morell era tão infame que costumava fazer pregações religiosas que entretiam toda a população de uma cidade enquanto seus comparsas roubavam os cavalos da audiência.
Outra história absolutamente inesperada e que dá o tom do volume é “O Impostor Inverossímil Tom Castro”.
Em 1854 naufragou no Atlântico o vapor Mermaid, que ia do Rio de Janeiro a Liverpool. Entre seus passageiros estava o militar inglês Roger Charles Tichborne. A mãe, recusando-se a acreditar na morte do filho, passou a publicar nos principais jornais do mundo anúncios pedindo informaçòes sobre o mesmo.
Tom Castro, um marinheiro inglês filho de açougueiro resolveu se passar por Tichborne. Não poderia existir duas pessoas mais diferentes. Enquanto Tichborne era alto, magro, tez morena, cabelo negro muito liso, e falava com sotaque francês, Tom de castro era baixo, gordo, sardento, cabelos encaracolados castanhos e não falava uma vírgula de francês.
Ainda assim, Castro conseguiu enganar a mãe do militar e grande parte da sociedade inglesa da época. O argumento é que a diferença entre os dois era tão grande que ninguém seria tão doido de se passar por outro sem nem ao menos tentar alguma alteração física. Portanto, aquela criatura completamente diferente só poderia mesmo ser Tichborne mudado pelos ares do Brasil.
Histórias como essa triscam no burlesco. Outras são impressionantes, como “O Tintureiro Mascarado Hakin de Merv”. Nela, um profeta aparece com uma cabeça de boi cobrindo o rosto e argumenta que foi visitado pelo anjo Gabriel, que lhe alterou o rosto de tal forma
que, quem o visse ficava cego com a beleza divina do mesmo.
Hakin arrebanha milhares de fiéis, cria para si um harém de 100 belas mulheres cegas e coloca em perigo o califado.
A cena em que ele é desmascarado está certamente entre as mais chocantes da literatura universal.
Borges acrescenta ao livro um índice de fontes bibliográficas. Mas apenas para enganar o leitor. A fonte do conto sobre o falso profeta simplesmente não existe, dando a entender que Borges inventou a história.
Essa, aliás, era a principal característica de Borges. Ele tinha intenção de fazer o leitor confudir realidade com ficção no que ficou, mais tarde conhecido como realismo fantástico.
Vale destacar nessa edição o cuidado gráfico que a editora Globo dispensou ao volume. O formato, menos largo que o normal, dá uma elegância indiscutível ao livro. Além disso, a capa traz uma ilustração de Will Eisner, um dos maiores desenhistas de histórias em quadrinhos de todos os tempos. Não há como passar despercebido na livraria. “História Universal da Infâmia”salta ao olhos e chama nossa atenção no meio dos outros livros.
Um cuidado editorial que prestigia a genialidade de Borges, considerado por muitos, inclusive o autor desta resenha, o mais importante escritor do século passado.
Para os leitores brasileiros o livro tem uma atração a mais: o conto “A História dos Dois que Sonharam” que inspirou Paulo Coelho a escrever “O Alquimista”.
Os Novos Titãs contra o Exterminador
Já no número dois da revista, os Novos Titãs conheceram
aquele que seria um dos principais inimigos da equipe: o Exterminador.
A história começa com uma splash page antológica, na qual o
mercenário é inquirido pelos homens da C.O.L.M.E.I.A., que pretendem
contratá-lo para destruir os titãs. O vilão exige pagamento adiantado e recusa
a empreitada, o que aparentemente estava nos planos do grupo.
Nota: nessa época era comum os quadrinhos de super-heróis
terem grupos misteriosos com nomes que eram acrósticos. C.O.L.M.E.I.A.
significava Controle de Lideranças Mundiais para Espionagem, Insurreições e
Atentados. Parece ridículo atualmente, mas nos anos 70 e 80 era moda.
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| A primeira e impressionante aparição do Exterminador. |
A C.O.L.M.E.I.A. ira usar um rapaz que aparece no primeiro
número como isca para fazer o exterminador aceitar o trabalho. Para isso, eles
amplia seus reflexos e o transformam no Devastador.
Mas o que faz dessa história, a terceira dos Novos Titãs,
tão especial, não é necessariamente o arranca-rabo entre mocinhos e vilões, e
sim a pegada adolescente do título. Os titãs da década de 1960 tinham sido um
fracasso exatamente porque não se comportavam como jovens de verdade. Marv
Wolfman e George Perez mostram um grupo que se comporta como qualquer
adolescente se comportaria, incluindo um divertido banho de piscina.
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| Estelar aprende inglês beijando Robin. |
Mas a sequência mais emblemática dessa edição acontece quando o grupo decide que o fato de Estelar não falar a língua do restante do grupo é um problema. A garota parece entender e simplesmente beija o Robin, para logo depois sair falando inglês. “Oi Robin”, diz ela. “Sabia que você é uma gracinha?”. E, para um atordoado Kid Flash, que não entendeu nada do que aconteceu: “Contato físico. Eu simplesmente absorvi a língua de vocês”.
Essa sequência mostrava mais uma diferença da série antiga
dos Titãs: essa seria repleta de insinuações sexuais. Considerando-se que o
grupo era formado por adolescentes com hormônios à toda, isso era algo óbvio,
mas nunca havia passado pela cabeça dos roteiristas anteriores.
Os quadrinhos de guerra
Na década de 1960 os super-heróis, que sempre foram as estrelas dos gibis, entraram em crise. Os editores começaram a procurar outros gêneros, que pudessem chamar a atenção da garotada. A E.C. acertou a mão com o terror, mas seu sucesso teve um fim com a perseguição dos conservadores norte-americanos. Outras editoras tentaram o gênero romântico, com algum sucesso.
O livro dos códigos
Os códigos existem para facilitar a comunicação. São eles que nos dizem o que pode e o que não pode, o que representa algo e o que não representa nada. Sem eles, não seria possível se comunicar nem mesmo através de gestos, pois também esse tipo de comunicação passa por uma codificação. Mas existem situações em que códigos são criados com o objetivo específico de tornar o texto transparente para quem tem a chave e absolutamente incompreensível para quem não a tem. São as cifras secretas, utilizadas principalmente na política e na guerra.
segunda-feira, setembro 26, 2022
Basílica de Sacré-Cœur
A Basílica de Sacré-Cœur (Sagrado Coração) é uma das mais famosas igrejas de Paris. Construída no final do século XIX, ela resgatou a arquitetura romana e bizantina, com paredes sólidas.
A igreja é adornada com belíssimos vitrais, pinturas e esculturas – e uma réplica do santo sudário. E, embora tenha um estilo arquitetônico oposto ao de Notre Dame, também tem várias gárgulas que podem ser vistas na lateral do prédio.
A basília fica no alto do Monte Martre, o local mais alto de Paris e de lá é possível observar toda a cidade. Nos arredores há dezenas de lojas de lembrancinhas, café, restaurantes e quiosques nos quais são vendidos os tradicionais sanduíches parisienses, com pão baguete.
Fundo do baú - Jeannie é um gênio
“Era uma vez, num lugar mítico chamado Cabo Kennedy... um astronauta de nome Tony Nelson foi lançado numa missão especial. O seu míssel subiu, porém algo aconteceu e ele teve que retornar à Terra. O Capitão Nelson chegou a uma ilha onde encontrou uma garrafa que não era uma garrafa qualquer, pois dentro havia um lindo gênio que tinha o poder de realizar todos os seus desejos. Diferente, divertido, surpreendente. A garota desse programa é um sonho, um espetáculo, é muito viva!”
O texto acima
era a abertura dos primeiros episódios de Jeannie é um gênio, sitcom criada por
Sidney Sheldon que estreou nos EUA em 18 de setembro de 1965 e foi exibido até
1970, num total de 139 episódios. Posteriormente foi feita uma animação e
aproveitada apenas a parte final da narração.
Na história,
Barbara Eden era um provocante gênio das mil e uma noites e Larry Hagman era
seu amo e senhor. Apaixonada pelo seu amo, ela vai com ele para os EUA coloca sua
vida de cabeça para baixo com suas estripulias. Entre os personagens
secundários da série estavam o Dr. Bellows, um psicólogo da força aérea que
tenta descobrir porque coisas estranhas acontecem sempre que o Capitão Nelson
está por perto e o atrapalhado Roger Healey, melhor amigo de Nelson, que muitas
vezes ajuda a encobrir as confusões criadas por Jeannie.
O programa se
aproveitava de truques básicos de montagem para simular de magia. Assim, por
exemplo, o Capitão Nelson está no sofá e de repente o jornal aparece em sua
mão, assim como uma xícara de café. Esses truques de montagem eram salientados
por um movimento de cabeça de Jeannie e por efeitos sonoros. O conjunto
funcionava incrivelmente bem.
Em um dos
episódios, Jeannie resolve se casar com Nelson. Como esse pretende continuar
solteiro, ela cria um sósia dele, que se mostra absolutamente apaixonado por
ela e chega a levá-la ao altar. Claro que no final ela desiste, pois o segredo
do programa estava justamente na tensão sexual nunca realizada entre Jeannie e
Nelson. Ao contrário de A feiticeira, cujo humor se concentrava em situações
domésticas, em Jeannie é um gênio o foco são as insinuações sexuais, tanto que
o fato dos dois terem finalmente se casado é apontado por muitos como a razão
pela qual o seriado perdeu audiência e foi descontinuado.
Embora tenha
sido criado como uma imitação de A feiticeira, Jeannie é um gênio logo mostrou
que tinha brilho próprio e angariou uma legião de fãs.
O seriado
ainda ganhou dois filmes, lançados na década de 1980.
Júlia Kendall – O ajudante misterioso
Historias natalinas são uma tradição nos quadrinhos. Mas misturar natal e policial e conseguir fazer uma boa história é algo reservado apenas aos grandes mestres.
É o que Giancarlo Berardi consegue no episódio 51 do título da criminóloga Júlia Kendall.
Na trama, bandidos vestidos de Papai Noel estão praticando assaltos na cidade. Para tentar achá-los, Júlia procura o local onde são contratados os papais noéis – e acaba pegando um deles como ajudante.
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| A história começa com uma sequência de ação impressionante. |
A história é desenhada por Giorgio Trevisan, um velho parceiro de Berardi da época de Ken Parker e um ótimo desenhista, que consegue dar o tom perfeitamente intimista à história.
O roteiro humaniza os bandidos, mostrando-os como um senhor de meia idade que assiste TV com o pai ou um pai dedicado e apaixonado por sua filha.
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| O simpático Papai Noel Mosby rouba a cena. |
Mas quem chama a atenção é o carismático Mosby, o Papai Noel que ajuda Júlia.
Planeta 51: ficção científica como metáfora política
O filme é uma espécie de ET ao contrário, com um humano em um planeta alienígena tentando voltar para a nave e tendo de fugir da perseguição oficial.
Os fãs de ficção científica mais atentos vão se deliciar com as centenas de referências a outros filmes. Um cachorrinho, por exemplo, tem a cara do Alien e urina ácido. Outro grande referencial é Vampiros de almas, de Don Siegel, 1956, filme em que extraterrestres tomam o lugar de humanos em uma pequena cidadade do interior dos EUA. Vampiros de almas foi escrito como uma crítica à paranóia anti-comunista que dominou a América nos anos 1950, em que se imaginava que qualquer um podia ter se tornado um comunista. Planeta 51 retoma essa premissa na cena em que o general acusa um hippie de ter sido transformado em zumbi pelo terrano apenas porque ele usa cabelo comprido.
Planeta 51 tem, portanto, uma mensagem política. É sobre o medo do novo e sobre o conservadores versus inovações sociais. A cena em que os soldados avançam sobre os hippies com cacetetes é, nesse sentido, emblemática.
Wolverine: escolhas malditas
Na década de 1990, o sucesso da coleção Graphic Novel fez com que a Abril lançasse uma coleção dedicada apenas à casa das idéias: a Graphic Marvel. O número 11 dessa série trouxe uma história do Wolverine com roteiro de Tom DeFalco e desenhos de John Buscema.
Receita de bolo de cenoura
- Ingrendientes:
- 1/2 xícara (chá) de óleo
- 3 cenouras médias raladas
- 4 ovos
- 2 xícaras (chá) de açúcar
- 2 e 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
Essa é uma receita muito boa, que todos deveriam conhecer. Para outras receitas, clique aqui.
domingo, setembro 25, 2022
Depois da Terra
Fundo do baú - Tarzan, o desenho animado
X-men – Fênix Negra
“O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”. Essa frase, dita pelo Professor Xavier em The Uncanny X-men 135 representa muito bem a essência da saga da Fênix Negra.
No número anterior, Jean se transformara enquanto o grupo voltava para casa após enfrentar o Clube do Inferno. Sua transformação destruíra o jato dos mutantes.
E é exatamente nesse ponto que encontramos os personagens no início do número 135.
A sequência seguinte mostra os mutantes enfrentando a Fênix. “Não espere clemência da Fênix Negra, meu amor. Vocês não terão nenhuma!”. E, de fato, a personagem revela poderes avassaladores e inimagináveis, derrotando os amigos como se estivesse numa brincadeira. Wolverine e Colossus são soterrados abaixo de uma árvore de ouro. Ororo é golpeada psiquicamente e fica inconsciente. “Imagens... me atingindo pelo elo psíquico que tenho com Jean... chamas negras consumindo sua alma! Alusões místicas incompreensíveis.... sensação de perda... afogamento... solidão”, pensa Cíclope.
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| Ao se transformar no seu lado sombrio, Fênix destrói a nave. |
O psicólogo Carl Gustav Jung dizia que todos nós temos um lado sombra, para onde vai tudo aquilo com o qual não conseguimos lidar. O que Claremont e Byrne mostram é Jean Grey sendo consumida pelo seu lado sombra. A história lança uma questão interessante: se a inocente Garota Marvel tinha dentro de si uma vilã tão terrível, o mesmo não ocorre com cada um de nós?
Se o roteiro eleva a história muito além do nível dos quadrinhos de super-heróis, Byrne e Terry Austin mostram a transformação de Jean de forma magistral. Efeitos de sombras, áuras, hachuras... tudo é usado para demonstrar o lado sombrio de Jean transformada em vilã.
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| A Fênix Negra destroi um sistema solar. |
É nessa história que a Fênix faz o que decretaria sua morte. Ela vai ao espaço e consome uma estrela, matando bilhões de pessoas no processo. Quando viu essa parte da história, Jim Shooter, editor-chefe da Marvel, decidiu que a personagem tinha que morrer.




























