sexta-feira, junho 28, 2019

Santiago - guia de viagem


Santiago, apesar de ser uma cidade latino-americana, é muito diferente da maioria das cidades brasileiras - e mesmo da América Latina. Para começar, é a capital mais segura da região. Mesmo uma população enorme, de 5 milhões de pessoas, parece não ter afetado a criminalidade. Eu andava pelas ruas e via gente mexendo no celular como se estivesse numa cidadezinha de interior. E, apesar da maconha ser liberada, não vi uma única pessoa fumando na rua - algo que vi muito em cidades como São Paulo e Curitiba.
Lojas de maconha são comuns na cidade menos violenta da América Latina. 

No centro há os chamados cafés com pernas, em que os clientes são atendidos por moças em mini saias - daí o nome. Dizem que antigamente esses cafés tinham atração a mais. Em determinado momento todas as garçonetes tiravam a camisa exibindo seus seios - mas esse espetáculo parece ter ficado no passado.
Os prostíbulos são chamados de cafés elegantes - e você poderia facilmente entrar em um por engano, pois parecem realmente cafés.
As bancas de revistas têm poucas revistas jornalísticas. 

Para alguém da área de comunicação o que espanta é a ausência de revistas nas bancas. Não há, por exemplo, revistas como Veja e Istoé. Em compensação, há muitos jornais, inclusive sobre maconha e sobre saúde, além dos jornais especializados em humor político. Para os fãs de quadrinhos uma dica são os álbuns do personagem Condorito - tão popular no Chile que em locais turísticos vendem imãs de geladeiras. É possível comprar os álbuns por valores que vão de 5 a 10 reais.
Palácio de La Moneda

Há também uma curiosidade: o palácio de governo se chama Casa de La Moneda. Isso porque de fato ela foi construído para ser uma casa da moeda, mas com o tempo acabou sendo apropriada como residência pelos presidentes. Aliás, a construção atual foi totalmente reformada. Quando do golpe militar que levou Pinochet ao poder, o palácio foi duramente bombardeado.
No centro há diversos guias turísticos oferecendo seus serviços. Não caia nessa. Nós contratamos um e o valor é alto (aproximadamente 100 reais por pessoa) e os guias falam pouca coisa que realmente interessa, se contentando com algumas piadinhas. Além disso, o percurso é feito totalmente a pé. Não vale os 100 reais.
Os ônibus panorâmicos da Turistik são uma boa opção para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. 

Para quem está chegando na cidade, uma boa dica é o ônibus da Turistik, que percorre os principais pontos turísticos da cidade. O valor é um pouco maior que o dos guias turísticos e são percorridos muito mais lugares - além da narração gravada que traz informações realmente relevantes sobre os pontos turísticos - inclusive sobre a resistência dos índios Mapuche aos espanhóis (uma dos poucos povos pré-colombianos que botaram terror nos espanhóis). Só não compre o passeio pelo site. Eu comprei e eles não mandaram o volcher. Tive que comprar numa loja da Turistik (há muitas espalhadas pela cidade) e pedir o reembolso.
O shopping Costanera pode ser visto de todas as partes da cidade. 

Ponto turístico obrigatório é o shopping Costanera, um dos prédios mais altos do mundo - que pode ser visto de qualquer ponto da cidade - uma maravilha arquitetônica numa cidade que costuma ter frequentes abalos sísmicos. Aliás, prepare-se: os tremores são frequentes. Nós pegamos um de 6.4. Foi assustador (e divertido) ver a porta do apartamento batendo como se alguém quisesse entrar. Mas os chilenos só se preocupam se for acima de 7.0.

Falando em dinheiro, prepare-se. Embora o real seja muito valorizado com relação ao peso chileno, os preços são altíssimos. Quando fomos cheguei a fazer a conversão de um real para 180 pesos. Parece muito, mas você vai no supermercado e não encontra nada mais barato que mil pesos. Uma garrafa de água de 300 ml custa 800 pesos. Ou seja, quase cinco reais dependendo da conversão. A conversão engana. Uma senhora que foi conosco nos dizia que comprou uma barra de chocolate por um preço baixíssimo. Fui fazer a conversão e descobri que ele pagara quase 10 reais numa barra de chocolate que no Brasil custo no máximo 5 reais.

Muitas empresas mandam fazer casas para cachorros de rua. 
Algo que chama atenção também são os cachorros de rua. Todos muito bonitos e bem-tratados. Donos de lojas fazem casinhas para cachorros e várias pessoas os alimentam. Eu vi um mendigo com um carrinho de supermercado cheio de bichinhos de pelúcia e com três cachorros dentro. E não só o cachorro estava limpinho, como os bichos pareciam ter saído da loja. Os chilenos decididamente amam cachorros. Uma pessoa nos disse que a razão para isso é que os cães pressentem terremotos, o que é algo muito útil quando se mora em um local em que tremores de terra fazem parte do cotidiano.
Os cachorros de rua de Santiago parecem cachorros de raça brasileiros. 

Outra boa opção é o passeio para Vina del Mar e Valparaíso. Mas não aconselho ir pela Turistik. Gastamos quase 60% do tempo em Vina del Mar, um local repleto de prédios de luxo nos quais os ricos passam férias. E passamos quase correndo por Valparaíso, uma cidade histórica super-interessante - para ter uma ideia, passamos tão rápido pelo Museu Pablo Neruda que algumas pessoas sequer viram o prédio. Se o seu interesse é por cidades históricas, aconselho ir de ônibus normal e ficar pelo menos um dia inteiro em Valparaíso. Se o seu interesse for tirar fotos para parecer rico, o passeio da Turistik é uma boa.
A troca da Guarda é uma das atrações no Palácio de La Moneda


A arquitetura de Santiago chama atenção tanto pelos prédios modernos quanto pelos clássicos. 

O funicular é usado para subir ou descer dos cerros (morros)

Para evitar que as casas históricas fossem pichadas, a prefeitura de Valparaíso incentivou os grafites. Isso transformou a cidade num museu a céu aberto. 

Até mesmo as mercearias de Valparaíso são diferenciadas, com placas vintage. 

Em Vina del Mar, praia e prédios luxuosos. 

Homenagem a Pablo Neruda. 

O teleférico permite ver toda a cidade de Santiago.

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