Certa vez um homem andava
pela floresta quando foi perseguido por um tigre faminto. Sem outra opção, ele
se agarrou a um arbusto e se pendurou num abismo na tentativa de escapar da
fera. Quando olhou para baixo, percebeu que havia um outro tigre lá embaixo.
Ou seja: se a queda não o
matasse, o felino o faria.
Mas o arbusto não era
forte o bastante e a raiz começou a se desprender do solo. Além disso, dois
ratos começam a roer a raíz.
A morte era certa.
Nisso, ele olhou para o
lado e um viu morango crescendo na parede do penhasco. Largando uma das mãos,
ele pegou o morango e comeu.
Foi o morango mais
delicioso que ele já comera em toda a sua vida.
Esse é uma das histórias
mais famosas do zen-budismo. Ela reflete sobre assuntos essenciais: o homem
pendurado no penhasco, à beira da morte representa todos nós, que em algum
momento iremos morrer. Afinal, ninguém é imortal, a morte é inevitável.
Mas sua atitude é
extremamente sábia. Ele percebe que a única forma de lidar com isso é viver o
momento. Comer o morango representa isso, aproveitar o aqui e agora ao invés de
nos preocuparmos com o passado ou o futuro. Isso é chamado no budismo de atenção
plena.
Por outro lado, a certeza da
morte, da transitoriedade da vida, faz com que cada momento seja especial.
Talvez, se saboreasse a fruta em qualquer outra situação, o homem não se
espantasse com seu sabor, mas ali, prestes a despencar no abismo, o sabor se
torna inigualável. Como dizia Raul Seixas: “Morte morte morte que talvez seja o
segredo dessa vida”.

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