O volume 30 da série Perry Rhodan acontece em pleno embate entre terranos e saltadores. Na história, anterior, Tifflor e outros quatro cadetes caem num planeta gelado e têm sua nave totalmente destruída durante uma batalha entre os dois lados.
Acontece que os saltadores
acreditam que Tiff detém informações sobre o planeta da vida eterna –o que faz
com que os saltadores empreendam uma verdadeira caçada aos cadetes terranos. Esse
jogo interessa a Perry Rhodan, pois faz parte de seu plano para descobrir qual
a estratégia do inimigo, então, ao invés de resgatar os náufragos estelares,
ele mande Gucky como apoio para o grupo.

Não só a capa alemã era diferente. O título também era outro: Tifflor, o partisano.
O volume, portanto, gira
todo em torno das tentativas dos saltadores de descobrirem o paradeiro do grupo
e as estratégias de Tiff e de Gucky para impedi-lo.
O volume é escrito por
Kurt Mahr, cuja narrativa, embora seja competente, não empolga. Além de não ter
grandes atrativos estilísticos, Mahr tem um sério problema com descrições. Uma
descrição num livro desse tipo, de ficção científica, tem o objetivo de ser o
mais clara possível, como forma de fazer com que o leitor imagine aqueles
cenários e equipamentos desconhecidos. As descrições de Mahr, inclusive de
ações, não são claras, parecem sempre esconder algo do leitor, como se vê no
trecho: “Etzatak sentiu de repente que alguma coisa estranha e inexplicável
parecia agarrá-lo. Quis gritar, e realmente o fez. Mas quando soltou o grito,
já não se encontrava na sala de comando. Não percebera o menor movimento.
Parecia que alguém afastara uma cortina que se encontrava bem diante de seu
rosto”.
A metáfora da cortina só
confunde o leitor, dificultando entender que o saltador fora puxado
telecineticamente por Gucky para fora da sala de comando.
Aliás, na mesma sequência,
temos outro trecho desnecessário, que acaba sendo um problema narrativo. Mahr
diz que “Nenhuma das pessoas que se encontrava na sala de comando quebrou a
cabeça sobre o desaparecimento do velho”. Até aí, tudo bem. O trecho explica
que todos estavam tão atarefados que não perceberam o desaparecimento do
comandante da nave. O problema vem a seguir: “Gucky não sabia nada disso. Apenas
fazia votos que fosse assim”. Por que razão Gucky não sabia? Afinal ele não era
um telepata?
O volume tem um trecho
curioso. À certa altura Crest censura Rhodan por colocar a vida de Tiff e dos
outros cadetes em perigo.
O texto diz que Rhodan
sorriu e compreendeu que Crest fazia parte de uma cultura que passara de seu
ponto culminante: “Uma das características fundamentais das concepções
arcônidas, que prevaleciam depois do Grande Império ter alcançado o apogeu do
seu poderio e estagnado neste ponto de sua evolução, era a opinião de que a
vida do indivíduo tem um valor tão elevado que, em hipótese alguma, deve ser
sacrificada em benefício da coletividade, mesmo que esta se encontre numa
emergência”.
O texto mostra esse ponto
de vista com censura e algo exclusivo de uma sociedade firmemente estruturada,
que poderia se dar ao luxo de adotar esse princípio.

2 comentários:
"Fico curioso em pensar o que autores mais humanistas, como William Voltz, pensariam disso"...
Sim, penso que o Voltz certamente não iria por essa linha.
Mas ele só começaria na série Perry Rhodan no volume 74 (O Pavor; livro que ele refez 3 vezes para ser aceito; excelente história, pena que com desfecho fraco); e quem tinha as rédeas na direção da série até +ou- o volume 550 foi o Scheer, e ele sim tinha uma linha de pensamento com o que fez nesse volume o Kurt Mahr.
E continuando no aguardo das novas resenhas, pergunto; quando vc acha que chegará no ciclo dos Senhores da Galáxia (200 ao 299)?
risos
Pois é. A impressão que tenho é de que Voltz e Scheer, dois gigantes da literatura de FC, não se bicavam.
Minha proposta é resenhar o primeiro e o segundo ciclo e depois pular direto para Os senhores da galáxia, que tenho quase completo - e, dos que eu li, considero o melhor ciclo.
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