sexta-feira, setembro 30, 2022

X-men – O destino da Fênix

 


No número 135 The Uncanny X-men, a Fênix Negra era mostrada destruindo um Sistema estelar inteiro, como consequência matando bilhões de pessoas. No número 137, John Byrne e Chris Claremont (aparentemente a ideia era de Byrne) pretendiam fechar a saga com Jean Grey perdendo os poderes e se tornando uma pessoa normal.

Jim Shooter viu o que ia ser publicado e ficou indignado. A personagem tinha matado bilhões de pessoas e no final, tudo que acontecia era perder seus poderes. Ele exigia algum tipo de punição. Claremont e Byrne concordaram que o melhor a fazer seria matá-la.

O resultado foi uma das histórias mais célebres dos X-men de todos os tempos e um verdadeiro evento. A Marvel já tinha mostrado personagens importantes morrendo, como a namorada do Homem-aranha, Gwen Stacy. Mas matar uma heroína, e no auge da popularidade? Era algo totalmente inédito.

A morte da personagem é um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. 


O interessante do encadernado da Panini com a saga é que possível comparar a versão que foi impressa com aquela que tinha sido produzida anteriormente. E o resultado da primeira versão era pífio, muito abaixo de todo o restante da saga da Fênix. Técnicos do império Shiar fazem uma espécie de operação em Jean Grey, tirando dela todo o seu poder, sob protetos de Wolverine e de Cíclope, como se ela estivesse passando por uma grande punição. Era um final totalmente artificial e forçado, considerando-se que todos ali sabiam que ela tinha matado bilhões de pessoas.

Já, ao contrário, o final que foi publicado, tem uma carga dramática impressionante. O império Shiar leva os X-men para a Lua, onde eles são derrotados pela Guarda imperial de Shiar. O trauma de ver Scott tombando faz com que Jean se transforme novamente na Fênix. Para o professor Xavier, a única solução é que os X-men a matem. Mas no final é ela que comete suicídio ao perceber que não poderá controlar a entidade e não poderá se perdoar caso provoque novas mortes. A cena em que ela se suicida, jurando amor ao Cíclope é uma das mais marcantes dos quadrinhos.

Na versão defendida por Byrne, bastava tirar a Fênix de Jean Grey. 


Dessa vez, Jim Shooter tinha toda razão.

PS1 : A saga da Fênix foi um final épico e surpreendente para o que na verdade era uma tentativa de resolver um problema de roteiro. A Fênix se tornara poderosa demais para os X-men, a ponto de torna-los inúteis. De que adiatavam as habilidades acrobáticas de Noturno diante de alguém que podia simplesmente moldar a realidade? O tempo todo Claremont tinha que inventar uma desculpa para que a personagem não pudesse usar totalmente seus poderes. Finalmente, resolveram tirá-la da equipe... e, no processo, criaram uma saga inesquecível.   

PS2: Um texto ao final do volume da Panini apresenta uma conversa entre os principais envolvidos na saga da Fênix. Nesse texto é possível perceber que Chris Claremont tinha uma visão muito mais aprofundada da história. Para John Byrne, apenas ocorrera uma espécie de possessão, com Jean Grey sendo dominada por algo totalmente exterior, que a controlava. Na visão de Byrne, bastava tirar essa entidade e Jean poderia voltar à normalidade como a garota feliz que era (ou seja, o final que não foi impresso era a ideia de Byrne). Para Claremont, a Fênix apenas despertou o lado sombrio da heroína, o que gerou todo o drama da história e elevou a saga da Fênix a um nível poucas vezes alcançado nos quadrinhos de super-heróis.

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