Lúcia Machado de Almeida era, sem dúvida, uma das melhores escritoras da coleção Vaga Lume e Spharion, livro lançado em 1979 mostra bem isso.
Na trama, Dico Saburó é um jovem com poderes paranormais
residente da cidade de Diamantina, em Minas Gerais. A vida de Dico muda quando
um homem estranho, com um capacete de metal com um funil em cima, começa a
matar pessoas na cidade e a roubar diamantes aparentemente sem valor. Uma das
vítimas, que quase morre, é justamente o pai do protagonista.
Os mortos aparecem sem sinais de violência, apenas com um
ligeiro chamuscado na testa, e a palavra Sparion escrita no rosto.
Spharion é, portanto, uma trama que mistura ciência,
parapsicologia e mistério. Quem seria o homem enigmático e qual seria o seu
objetivo? Mais importante ainda: como pará-lo?
Apesar do tema sugestivo, o que faz esse livro ser uma
leitura tão agradável é o texto maravilhoso de Lúcia Machado de Almeida,
surpreendentemente inovador a ponto de flertar até mesmo com a quebra da quarta
parede, a exemplo desse trecho: “Dina Saburó está aflita para entrar na
história. Ei-la que vem vindo, com seu gênio forte, corpo esbelto, cabelos
compridos e lisos, parecendo cortina de franjas, olhos puxados, e riso aberto
que a iluminava toda”.
Mesmo com esses aspectos inovadores, a autora consegue
manter um clima de quem está contando um causo, como no trecho: “Se alguém
chegava perto de um sujeito qualquer e dizia ‘Como você está magro’, era o
mesmo que insultar”.
Soma-se a isso o fascínio da escritora pela ciência e pela
divulgação científica, que faz com que ela inclua na obra vários trechos sobre
temas como diamantes e carbono 14 sem que a obra perca ritmo ou que pareça
didático.
Ao contrário de muitas pessoas, que leram esse livro na
escola, eu comprei ele numa livraria depois de namorá-lo por meses. Quando
chegou meu aniversário, não pedi presente, pedi o dinheiro para comprá-lo, e
foi um presente perfeito. Hoje, relido décadas depois, ele ainda mantém o mesmo
fascínio.

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