Em 1989, fui convidado para assinar uma coluna sobre
quadrinhos no jornal O Liberal, em Belém. Ao descobrir que três outros
"Ivans" já assinavam colunas no periódico, percebi que precisava de
um nome que me diferenciasse.
Escolhi Danton para o pseudônimo em homenagem à
Revolução Francesa, que completava seu bicentenário naquele ano. Mas eu ainda
precisava de um prenome. Foi então que, ao folhear um livro de história da arte
na biblioteca da UFPA, deparei-me com a obra de Gian Lorenzo Bernini.
Fiquei fascinado com a forma como ele dava vida ao mármore. Dali surgiu Gian
Danton, nome único no mundo.
Entretanto, só fui ver de perto uma obra do mestre do barroco italiano em 2020, quando visitei o Palácio de Versalhes, na França. Bernini era tido em tão alto valor na época que possuir um busto esculpido por ele era a demonstração máxima de riqueza e poder; e foi justamente isso que o rei Luís XIV encomendou.
Bernini produziu uma escultura que mesclava realismo e idealismo, retratando o monarca como o "Rei Sol" — um olhar corajoso, mas mantendo traços humanos, como a pequena verruga no nariz. O que mais impressiona, contudo, é a cabeleira repleta de caracóis que parecem flutuar em volutas.
É difícil acreditar que aquela textura é, na verdade, mármore. Mais difícil ainda é expressar a emoção de ver essa obra ao vivo.
Uma curiosidade final: anos depois de escolher o pseudônimo, descobri que meu nome de batismo era para ter sido Gian Carlo.
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