No início da década de 1980, Marcos Rey foi chamado pelos
diretores da editora Ática que iam lançar uma nova coleção, voltada para o
público infanto-juvenil, a Vaga-lume, e queriam que ele escrevesse para eles.
Marcos Rey espantou-se com a proposta. Afinal, ele era conhecido como roteirista
de pornochanchadas e seus livros anteriores eram todos voltados para a adultos
e muitas vezes com temas delicados, como o Memórias de um gigolô, que viraria minissérie
da Globo. Entretanto, o autor não só conseguiu escrever bons romances infanto-juvenis,
como se tornou o mais prolífero escritor da Vaga-Lume e o mais popular, com um
milhão de exemplares vendidos.
O primeiro desses livros foi O mistério do Cinco estrelas,
publicado em 1981.
Na história, Leo, um bellboy de um hotel de luxo, vê o que
parece um assassinato ao entregar jornais para um hóspede. O ocupante do
quarto, conhecido como Barão, tem uma mancha de sangue no roupão e um corpo jaz
embaixo da cama. Ao investigar a situação, o garoto é demitido do hotel e
acusado de roubo de um isqueiro de ouro.
Para não ser preso, o garoto precisa se refugiar na casa de
uma tia e lá ele encontra Gino, um rapaz cadeirante especialista em xadrez, que
ajudará Leo a decifrar o que aconteceu e assim provar sua inocência e prender
os bandidos.
Marcos Rey foi visionário ao colocar um cadeirante como um
personagem relevante do livro, isso em 1981, uma época em que nem se falava em
inclusão. E fez isso de uma forma orgânica, que não parece forçada. “Eu não
pertenço ao clube de xadrez porque lá há não há rampas. Para quem teve
paralisia infantil, as escadas são pior que o Barão do 222. Creio que é a única
coisa que me derrota. O resto é moleza”, diz o personagem.
Marcos Rey consegue construir uma história policial e ao
mesmo adequar o gênero ao público infanto-juvenil, trazendo inclusive elementos
de humor, que sempre caracterizaram seus trabalhos, como vemos no seguinte diálogo:
- Seu primo está armado?
- Não, mas é faixa preta.
- Não disse que é paralítico?
- Mas fez um curso especial.
Ainda hoje O mistério do cinco estrelas é uma leitura
empolgante, embora alguns trechos possam parecer estranhos na atualidade, como
por exemplo um garoto de 15 anos trabalho de 8 às 18 horas e menores de idade
tomando vinho.

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