sábado, abril 25, 2026

O Rapto do Garoto de Ouro, de Marcos Rey


Após o estrondoso sucesso de O Mistério do Cinco Estrelas, Marcos Rey consolidou-se como um dos autores mais importantes da renomada coleção Vaga-Lume. Era, portanto, natural que ele concebesse uma segunda trama, trazendo de volta personagens queridos do primeiro livro, como Leo, Gino e Ângela. O resultado dessa iniciativa foi O Rapto do Garoto de Ouro, lançado pela Editora Ática em 1982.

A narrativa é centrada no sequestro de Alfredinho, o "Garoto de Ouro" do título. Aos dezesseis anos, o jovem se tornou uma verdadeira mania nacional, saltando de um completo desconhecido a astro em poucos meses. Para celebrar um ano de sua ascensão, seus familiares organizam uma festa numa tradicional cantina italiana no bairro da Bela Vista, em São Paulo, evento que contaria até com um show particular. No entanto, o garoto é misteriosamente sequestrado antes da celebração.

Na cena do crime, Leo encontra uma caderneta que ele suspeita pertencer ao sequestrador. A missão de investigar os nomes ali anotados recai sobre ele e Ângela, coordenados por Gino, o cadeirante. A eles se junta Jaimão, um antigo ator de radioteatro que foi o responsável por lançar o Garoto de Ouro ao estrelato.

O livro se desenrola, essencialmente, com a ação dos dois grupos (Leo e Ângela de um lado, Jaimão do outro) entrevistando as pessoas cujos contatos estão na caderneta. A trama é repleta de reviravoltas, e todos parecem suspeitos de envolvimento no crime: o fortão com um hematoma na testa, a costureira que nutre ódio pela mãe de Alfredinho, ou o homem gordo que possui uma agenda idêntica. Paralelamente, algumas testemunhas cruciais parecem estar sendo silenciadas – uma é atacada com um golpe na cabeça, e uma ex-miss quase morre após uma overdose de comprimidos.

Marcos Rey é reconhecido por sua literatura rica, marcada por frases inusitadas e um uso criativo de gírias. Neste livro, ele adota um estilo mais contido, embora ainda apresente momentos de grande inspiração, como na descrição:

“No mesmo instante foi atacado por um pavor tão grande que o paralisou. Reagindo, tentou forçar as pernas, cheias de chumbo, na direção da porta salvadora.”

O humor característico do autor também se manifesta em alguns trechos, especialmente na detalhada caracterização dos personagens. Um exemplo vívido é a descrição de Heitor:

“Heitor era um homem de trinta e tantos anos, baixo e encorpado, braçudo e dono duma patola que impunha respeito. Sempre de camisa-de-meia, chamava também atenção pelas sobrancelhas, fartas e cerradas, e pelo nariz, engraçado de tão grande e grosso. Para um caricaturista Heitor seria um prato cheio.”

Não à toa, um dos trechos ilustrados do livro é, justamente, o encontro com Heitor, tão perfeitamente delineado pelo autor.

Em O Rapto do Garoto de Ouro, Marcos Rey constrói uma história policial mais convencional. Diferente de O Mistério do Cinco Estrelas, no qual o protagonista e o leitor já conhecem o bandido e a trama se foca em provar a culpa à polícia, neste segundo livro, o desafio é ativamente descobrir a identidade do sequestrador. O escritor executa isso com grande habilidade, espalhando pistas e pistas falsas ao longo da narrativa, e revelando como culpado alguém totalmente insuspeito.

Em suma, trata-se de uma leitura extremamente agradável e viciante, que prende o leitor do início ao fim.

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