Quando li Crise nas infinitas terras nas revistinhas da editora Abril, no final de década de 1980, de longe o que mais me chamou atenção foi o número 10, publicado em Novos Titãs 15.
A razão disso é que Marv Wolfman e George Perez incluíram
na história uma narrativa paralela, no rodapé de cada página. Para deixar claro
que aquela inserção não fazia parte da narrativa normal, Perez desenhou esses
trechos em preto e branco com retícula.
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| O que mais me chamou atenção foi a narrativa paralela no rodapé. |
Na trama, os vilões tomaram as terras 4, X e S e os heróis
voltam para combatê-los. Mas a batalha é interrompida pelo gigantesco Espectro.
Segundo o poderoso ser místico, o Antimonitor voltou para a
aurora do tempo com o objetivo de mudar a história, fazendo com que todos os
universos sejam dominados pela antimatéria.
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| Heróis e vilões lutam pelo controle das Terras. |
A solução é levar todos os heróis e vilões para o passado
na tentativa de impedir que isso aconteça.
Marv Wolfman aproveita todo o manancial de personagens da
DC, juntando aqueles de poderes elétricos, os de poderes magnéticos e os
velocistas para abrir um portal para o passado.
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| A luta entre heróis e vilões é paralisada por Espectro. |
Mas o roteirista pensou num plot twist: a ida dos heróis ao
passado faz parte dos planos do Antimonitor, que pretende usar a energia dos
mesmos para realizar seus planos. A última barreira contra a destruição do universo
passa a ser, então, Espectro e os heróis
místicos da DC (de novo, um verdadeiro batalhão).
Mas, como eu disse, o que realmente chama atenção é a
narrativa paralela, em rodapé. Ela mostra a Precursora registrando suas
observações sobre tudo o que está acontecendo.
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| Velocistas abrem um portal para a aurora do tempo. |
Há momentos de reflexão, como “Quantos mais mundos
sucumbiram, Monitor? Mibrannu, um planeta de gás metano racional, talvez o mais
pacífico de todo o universo, morto, enquanto os selvagens exércitos de Kallidrane sobreviveram para destruir
novamente. Será isso justo, Monitor?”.
Mas há outros puramente narrativos. No final, esse rodapé
serve para situar o leitor, mostrando o pano de fundo dos acontecimentos
principais. A leitura das duas instâncias narrativas permite ao leitor juntar
as peças, como se montasse um quebra cabeças, para entender toda a história. É
uma forma inteligente de tornar inteligível uma trama extremamente complexa,
com centenas de personagens e acontecimentos.





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