domingo, maio 03, 2026

Crise – Morte na aurora do tempo

 


Quando li Crise nas infinitas terras nas revistinhas da editora Abril, no final de década de 1980, de longe o que mais me chamou atenção foi o número 10, publicado em Novos Titãs 15.

A razão disso é que Marv Wolfman e George Perez incluíram na história uma narrativa paralela, no rodapé de cada página. Para deixar claro que aquela inserção não fazia parte da narrativa normal, Perez desenhou esses trechos em preto e branco com retícula.

O que mais me chamou atenção foi a narrativa paralela no rodapé. 


Na trama, os vilões tomaram as terras 4, X e S e os heróis voltam para combatê-los. Mas a batalha é interrompida pelo gigantesco Espectro.   

Segundo o poderoso ser místico, o Antimonitor voltou para a aurora do tempo com o objetivo de mudar a história, fazendo com que todos os universos sejam dominados pela antimatéria.

Heróis e vilões lutam pelo controle das Terras. 


A solução é levar todos os heróis e vilões para o passado na tentativa de impedir que isso aconteça.

Marv Wolfman aproveita todo o manancial de personagens da DC, juntando aqueles de poderes elétricos, os de poderes magnéticos e os velocistas para abrir um portal para o passado.

A luta entre heróis e vilões é paralisada por Espectro. 


Mas o roteirista pensou num plot twist: a ida dos heróis ao passado faz parte dos planos do Antimonitor, que pretende usar a energia dos mesmos para realizar seus planos. A última barreira contra a destruição do universo passa a ser, então,  Espectro e os heróis místicos da DC (de novo, um verdadeiro batalhão).

Mas, como eu disse, o que realmente chama atenção é a narrativa paralela, em rodapé. Ela mostra a Precursora registrando suas observações sobre tudo o que está acontecendo.

Velocistas abrem um portal para a aurora do tempo. 


Há momentos de reflexão, como “Quantos mais mundos sucumbiram, Monitor? Mibrannu, um planeta de gás metano racional, talvez o mais pacífico de todo o universo, morto, enquanto os selvagens exércitos  de Kallidrane sobreviveram para destruir novamente. Será isso justo, Monitor?”.

Mas há outros puramente narrativos. No final, esse rodapé serve para situar o leitor, mostrando o pano de fundo dos acontecimentos principais. A leitura das duas instâncias narrativas permite ao leitor juntar as peças, como se montasse um quebra cabeças, para entender toda a história. É uma forma inteligente de tornar inteligível uma trama extremamente complexa, com centenas de personagens e acontecimentos.

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