Durante anos, Syd Field foi leitor de roteiros de cinema
para uma empresa especializada. Ao fazer a triagem dos roteiros que poderiam
ser apresentados aos parceiros para produção, ele começou a perceber que os
melhores textos seguiam um padrão. O resultado dessa percepção, que ele chamou
de Paradigma, foi o livro Manual de Roteiro (Screenplay), lançado
nos EUA em 1979 e publicado no Brasil pela Objetiva em 2001.
Embora pareça uma grande novidade para alguns, o padrão que
ele percebeu era nada mais que a estrutura de Três Atos, uma forma narrativa
analisada por Aristóteles em sua Poética há mais de dois mil anos, mas
que ainda funciona perfeitamente. Field vai além do óbvio e não só descreve o Paradigma,
mas também analisa diversas obras a partir dele, oferecendo dicas valiosas a
roteiristas iniciantes e veteranos.
O autor também normatiza esse paradigma para o roteiro de
cinema. Normalmente, um roteiro de longa-metragem tem em torno de 120 páginas
(seguindo a regra de "um minuto por página"). Assim, o Primeiro Ato (Apresentação)
ocorreria até a página 30, onde seriam apresentados os personagens e a ambientação
da história. Em torno da página 30, temos o Primeiro Ponto de Virada (Plot
Point 1), que leva ao ato seguinte: a Confrontação. Como este é o ato mais
longo, que desenvolve o conflito, ele vai da página 31 à 90, quando acontece o Segundo
Ponto de Virada (Plot Point 2), levando a história para a sua Resolução
(o terceiro ato).
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| Alguns dos melhores trechos do livro são análises de Chinatown. |
Apaixonado pelo filme Chinatown (1974), dirigido por Roman
Polanski e escrito por Robert Towne, Field aborda essa obra em diversos
momentos para exemplificar sua teoria — e esses são alguns dos melhores
momentos do livro.
Além disso, a obra traz dicas práticas valiosas, como o uso
de Cartões com descrições das cenas para planejamento do roteiro: “Os cartões
são um método incrível. Você pode arrumar as cenas do jeito que quiser,
acrescentar algumas, omitir outras. É um método simples, fácil e eficiente, e
que lhe dá a máxima mobilidade na construção do roteiro”. Pelo jeito, esse é um
método do qual cineastas como Quentin Tarantino usam e abusam até hoje.


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