sábado, junho 13, 2026

Mestre do Kung Fu – O Triunfo do Doutor do Mal

 


Uma das razões que fizeram a série Mestre do Kung Fu se destacar de outras de artes marciais foi a experimentação do desenhista Paul Gulacy. Ótimo exemplo disso é a história publicada em Giant-Size Master of Kung Fu #2, de dezembro de 1974.

A história inicia com um bêbado atacando Shang-Chi. A sequência, totalmente desprovida de propósito, tinha um único objetivo: introduzir uma nova personagem na série. É que ao desviar do homem, o protagonista acaba arremessando-o para dentro de uma academia de artes marciais, onde ele conhece Sandy, uma instrutora do local.

Paul Gulacy estava no auge da experimentação. 


Os dois jantam e depois vão para um parque, namorar. A sequência em que os dois se beijam é um exemplo da maestria de Gulacy na narrativa visual. Temos primeiro uma imagem dos olhos de cada um, depois os lábios, e finalmente o beijo, emoldurado pelos rostos dos dois. Doug Moench, que nessa fase tinha a mania irritante de colocar texto legenda em todos os quadrinhos, teve a inteligência de não colocar nenhum aqui, deixando as imagens falarem por si.

Depois, temos uma imagem dos dois sentados no banco, se beijando e essa imagem, horizontal, é cortada, sendo transformada em quatro, o que dá uma impressão de movimento, como se uma câmera estivesse passeando por um cenário e depois focasse nos dois. Futuramente artistas como Frank Miller tornariam esse recurso uma febre, mas na época isso era novidade ousada por poucos artistas.

O desenhista mandava bem nas cenas de lutas. 


Como na época a série era de espionagem, a trama gira em torno de um cientista chinês que pretende deserdar para o ocidente e Shang-Chi deve protegê-lo e garantir sua fuga. Ocorre que esse cientista é nada menos que o pai de Sandy.

Até chegar ao cientista, temos lutas e mais lutas. Shang-Chi luta contra os homens de seu pai no avião, depois luta contra eles na rua. Quando encontra o cientista, é patético: o herói deixa o homem morrer, o que mostra que como guarda-costas ele é um completo fracasso.

Um exemplo de experimentação: uma página de quadrinhos no formato de labirinto. 


Mas antes de morrer, o homem sussurrou no ouvido de Shang-Chi qual era a sua grande descoberta. E é isso que Fu Manchu quer descobrir, e para isso submete seu filho rebelde a uma maratona de perigos, incluindo uma ampulheta gigante com ácido e espetos de ferro embaixo e até um labirinto repleto de guerreiros assassinos.

É na sequência do labirinto que temos o exemplo mais claro de experimentação. O desenhista fez uma planta baixa do mesmo, que é percorrida pelo protagonista e pelo texto. O texto, aliás, faz curvas, fica de cabeça para baixo... é como se fosse uma HQ experimental em um gibi comercial. Só essa história mostra como a Marvel dessa época era revolucionária na comparação com a DC.

Outro exemplo de experimentação: uma página inteira, mas a ordem de leitura sugere movimento. 


No final, Sandy acaba morrendo, o que é uma pena. A personagem tinha muito potencial e estreou numa história com grande apelo.

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