domingo, junho 07, 2026

Quarteto Fantástico: O Plano Mestre do Doutor Destino

 


Uma das características marcantes da fase clássica do Quarteto Fantástico é que as histórias quase sempre começavam com um "ato zero": uma sequência sem relação direta com a trama principal que, desconfio, servia mais para Jack Kirby desenhar o que bem entendesse. Um exemplo perfeito disso está na edição número 23 da série.

A história abre com nada menos que um dinossauro invadindo a sede do Quarteto — ou, pelo menos, uma "versão kirbyana" de um dinossauro. Isso gera uma sequência de ação frenética, incluindo uma splash page impressionante com o animal em primeiro plano enquanto os heróis tentam dominá-lo. Após o Tocha Humana e o Coisa quase destruírem o edifício, Reed Richards consegue paralisar a criatura com a ajuda de Sue Storm.

Na tentativa de prender o dinossauro, o Coisa e o Tocha quase destroem o apartamento. 


O incidente, porém, gera uma discussão acalorada sobre o autoritarismo do líder do grupo. O que se segue é uma longa e hilária sequência em que o Tocha, o Coisa e a Mulher Invisível tentam eleger um novo líder: como a votação termina em empate, a decisão é levada para uma disputa física generalizada.

Tudo isso serve apenas como introdução para a trama verdadeira: o Doutor Destino liberta três criminosos da cadeia com o objetivo de transformá-los em vilões capazes de enfrentar o Quarteto. Para isso, ele amplia suas habilidades naturais: um ganha superforça, outro recebe uma audição superdesenvolvida e o terceiro, resistência extrema ao fogo.

A discussão sobre quem será o novo líder quase destrói o apartamento... de novo. 


No desfecho, quem salva o dia é Sue Storm e seus campos de força — provavelmente um esforço consciente de Stan Lee para dar mais relevância e protagonismo à personagem na época.

Alguns detalhes chamam a atenção na obra: a "liberdade criativa" de Lee com fatos científicos (como colocar uma onda solar dentro de uma sala) e a facilidade com que os autores descartavam vilões e conceitos naquela era.

Jack Kirby arranjou uma desculpa para desenhar um carro futurista. 


Um aspecto negativo é  arte-final de George Bell, que parece jogada e sem detalhes, muitas vezes comprometendo o traço de Kirby.

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