Uma das características marcantes da fase clássica do Quarteto
Fantástico é que as histórias quase sempre começavam com um "ato
zero": uma sequência sem relação direta com a trama principal que,
desconfio, servia mais para Jack Kirby desenhar o que bem entendesse. Um
exemplo perfeito disso está na edição número 23 da série.
A história abre com nada menos que um dinossauro invadindo
a sede do Quarteto — ou, pelo menos, uma "versão kirbyana" de um
dinossauro. Isso gera uma sequência de ação frenética, incluindo uma splash
page impressionante com o animal em primeiro plano enquanto os heróis
tentam dominá-lo. Após o Tocha Humana e o Coisa quase destruírem o edifício,
Reed Richards consegue paralisar a criatura com a ajuda de Sue Storm.
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| Na tentativa de prender o dinossauro, o Coisa e o Tocha quase destroem o apartamento. |
O incidente, porém, gera uma discussão acalorada sobre o
autoritarismo do líder do grupo. O que se segue é uma longa e hilária sequência
em que o Tocha, o Coisa e a Mulher Invisível tentam eleger um novo líder: como
a votação termina em empate, a decisão é levada para uma disputa física
generalizada.
Tudo isso serve apenas como introdução para a trama
verdadeira: o Doutor Destino liberta três criminosos da cadeia com o
objetivo de transformá-los em vilões capazes de enfrentar o Quarteto. Para
isso, ele amplia suas habilidades naturais: um ganha superforça, outro recebe
uma audição superdesenvolvida e o terceiro, resistência extrema ao fogo.
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| A discussão sobre quem será o novo líder quase destrói o apartamento... de novo. |
No desfecho, quem salva o dia é Sue Storm e seus campos de
força — provavelmente um esforço consciente de Stan Lee para dar mais
relevância e protagonismo à personagem na época.
Alguns detalhes chamam a atenção na obra: a "liberdade
criativa" de Lee com fatos científicos (como colocar uma onda solar dentro
de uma sala) e a facilidade com que os autores descartavam vilões e conceitos
naquela era.
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| Jack Kirby arranjou uma desculpa para desenhar um carro futurista. |
Um aspecto negativo é
arte-final de George Bell, que parece jogada e sem detalhes, muitas
vezes comprometendo o traço de Kirby.




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