A sexta e sétima parte da saga a queda de murdock gira todo em torno de Bazuca, um agente norte-americano usado pelo governo na América Latina. A história começa com ele em ação na Nicaragua. Em sua arma há uma contagem de corpos: 162 e ele promete superar esse número. Uma versão acéfala do Capitão América, com a bandeira norte-americana tatuada no rosto, ele toma drogas o tempo todo e repete que está salvando “nossos soldados”.
A referência é óbvia: o personagem Rambo, que, depois de um
ótimo filme sobre um veterano da guerra que não conseguia se adaptar nos EUA,
tornara-se apenas uma bandeira ambulante nos filmes seguintes, como no segundo,
em que ele, sozinho, vence a guerra do Vietnã para salvar soldados
norte-americanos presos.
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| Bazuca é uma referência ao Rambo. |
E é esse homem que o Rei pretende colocar em ação em Nova
York, mais precisamente na Cozinha do Inferno, lar de Matt Murdock. A ideia é
fazer com que o herói seja atraído pela mortandade e, ao tentar impedir o
Bazuca, morra no processo.
Frank Miller estava num crescendo tão grande em termos de
narrativa que o leitor fica sem fôlego. Ele introduz até uma trama paralela,
focada no repórter Bem Urich, que visita na cadeia a enfermeira que quebrou seu
dedo, quase matou sua esposa e assassinou o policial que poderia denunciar o
esquema do rei. Mas um dos policiais que o acompanha é um agente do rei, com
ordens de matar todos ali.
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| Uma aula de narrativa. |
Aqui vale destacar o talento do desenhista David
Mazzucchelli, que à essa altura havia simplificado o seu traço (eliminando
quase completamente a hachura), tornando-o ainda mais expressivo. Mazzucchelli
consegue passar com perfeição a sensação de uma ação ocorrendo em um lugar
apertado ao mostrar os personagens sempre cortados, como se imagem precisasse
ser espremida para caber no quadrinho.
A própria luta do Demolidor contra Bazuca, que ocupa várias
páginas, é um exemplo da habilidade de Miller e Mazzucchelli.
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| Um final feliz sintetizado em uma imagem. |
Curiosamente, apesar de todas as desgraças, a série termina
com um final feliz, com Matt e Karen passeando pelas ruas da Cozinha do Inferno.
Mazzucchelli desenha Page como uma moça bonita e sorridente, num contraste
total com a viciada de olhos fundos e olhar perdido da maior parte da história.
Só por essa imagem sabemos que a moça conseguiu superar o vício.




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