quarta-feira, julho 15, 2026

Nazica e Norato: O Encontro de Grimm com o Imaginário Amazônico

 


Adaptar a lendária história de João e Maria para o contexto amazônico: esta foi a proposta do quadrinista paraense Ítalo Rhodolpho no livro infantil Nazica e Norato.

Para realizar essa versão, o autor fundiu a estrutura do conto dos irmãos Grimm com a lenda da Cobra Norato e Maria Caninana, uma das mais populares da região. No entanto, em vez de protagonistas humanos, a obra utiliza animais antropomorfizados.



Na trama, uma onça chamada Glória insistia em tomar banho de rio à noite, mesmo sendo avisada de que os igarapés, nesse horário, são propriedade do sobrenatural. Ela acaba engravidando de dois filhotes que se transformam em crianças-onças. Inconformada com a situação, Glória parte em uma rabeta, desaparecendo no mundo. As duas crianças partem em seu encalço e, no processo, encontram uma casa feita de frutas, cuja dona é ninguém menos que a Matinta Perera.

Esse resumo oferece uma boa dimensão da fusão entre as mitologias europeia e amazônida. Como um legítimo antropófago modernista, Ítalo Rhodolpho absorve a influência externa e a deglute com a cultura local, criando algo novo e inusitado.



Um aspecto que chama a atenção é a narrativa construída em rimas, que confere à obra o tom de um clássico infantil, como no trecho:

“Ela tinha cabelos longos, negros e brilhantes, Escovava à luz da lua, nas águas mais cintilantes. Divertia-se na natureza e amava o luar, Ficava nadando nas águas até o sol raiar.”



As ilustrações de Gabs Fernandes seguem um estilo que remete aos desenhos animados contemporâneos, destacando-se pela excelente caracterização dos personagens e pela expressividade de suas feições.

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