Na série Perry Rhodan, há volumes que funcionam como uma
verdadeira gangorra: alternam ótimos momentos com passagens absolutamente
modorrentas. Um exemplo claro disso é o número 249, escrito por Kurt Mahr.
Nos números anteriores, Rhodan descobre que os Senhores da
Galáxia pretendem inspecionar todos os seus transmissores. Isso coloca em risco
o "Transmissor Chumbo de Caça", tomado pelos humanos em um sistema
que o inimigo considera desabitado. Os terranos podem até repelir as primeiras
patrulhas, mas certamente viriam outras, com frotas cada vez maiores, até que a
resistência local fosse dizimada — o que provavelmente ocorreria já na quarta
expedição.
A única saída é tentar criar um bloqueio no transmissor para
barrar o avanço dos atacantes. Contudo, o surgimento de um estranho ser
energético parece tornar essa missão impossível.
O livro começa muito bem, focando no primeiro contato do
engenheiro Steven Kantor com o ser, que se manifesta como um monstro. Mahr
acerta ao centrar a narrativa em um homem comum e ao detalhar o cotidiano nas
naves, incluindo o processo de recrutamento e até minúcias sobre os
refeitórios.
No entanto, do meio para o fim, o autor — que tinha formação
científica — empolga-se com detalhes técnicos em dezenas de páginas capazes de
dar sono em um sonâmbulo. A história só retoma o fôlego a partir do capítulo
seis, quando a batalha espacial é descrita e a natureza do ser energético é
revelada em um interessante plot twist.

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