Meu livro Cabanagem ganhou uma matéria de destaque no jornal O Maringá, do Paraná. A matéria indica o link da Amazon para compra do livro, que pode ser adquirido em promoção por apenas 99 centavos.
Para conferir a matéria, clique aqui.
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A Coleção Fantástica foi um projeto experimental realizado pelos fanzines Hiperespaço e Megalon, para viabilizar a edição de ficções longas nos gêneros da Ficção Científica, Fantasia e Horror, que não eram comportados pelos formatos editorias dos referidos fanzines, adotando o princípio de publicar apenas uma novela inédita de um único autor brasileiro em cada volume.
Já está disponível para baixar ou online a edição da revista Imaginário. Editado por Henrique Magalhães, Imaginário é a principal revista acadêmica brasileira sobre cultura pop.
Esta edição traz um artigo meu e da Cássia Lima sobre o programa Rádio Pop.Existem muitas cenas e até episódios da série clássica de Jornada que poderiam ser considerados constrangedores. Mas existe uma razão pela qual “O cérebro de Spock” é considerado o pior de todos os tempos: a própria premissa da história é absurda.
Na trama, uma mulher invade a Entreprise, rouba o cérebro de Spock e desaparece. Já começa o primeiro absurdo por aí: o corpo de spock não morre. Por maior que seja a tecnologia do futuro, acreditar que seria possível manter um corpo conservado em temperatura ambiente sem o cérebro é algo muito difícil de acreditar. Para piorar, McCoy inventa uma espécie de controle remoto, que permite andar Spock por aí.
Os absurdos continuam: num espaço com milhões de planetas, Kirk consegue descobrir onde está o cérebro: um planeta glacial, em que homens vivem na superfícies como homens das cavernas e mulheres vivem no subsolo, em condições climáticas perfeitas. As mulheres capturam alguns homens e os transformam em escravos através de cintos que provocam dor. Mas, apesar de toda essa tecnologia, as garotas não têm intelecto avançado. Na verdade, nem mesmo compreendem a tecnologia que utilizam.
Aliás, a razão pela qual elas capturaram o cérebro de spock é para usá-lo como controlador, mantendo as condições de vida do subsolo. Apesar de aprisionados e controlados com o cinto de dor, Kirk, McCoy e Scotty conseguem facilmente contornar a situação. Aliás, é impressionante como em Jornada os oficiais mais graduados gostavam de sair da nave, mas nesse caso, todo o pessoal mais graduado sai em missão, restando a Sullu comandar a nave.
O episódio não explica como surgiu a tecnologia, quem separou homens e mulheres ou por que.
E temos uma das cenas mais bizarras: Spock, na mesa de cirugia, explicando a McCoy como fazer a operação de reconexão de cérebros – uma tecnologia que, até poucas cenas antes, só era controlada pelos criadores do local. além do fato, claro, de que McCoy faz todas as conexões cerebrais, mas mesmo assim Spock não sente dor. E para piorar, Spock nem mesmo está vendo o que está sendo feito, mas mesmo assim consegue orientar o médico. A cena é absurda demais.
É de se perguntar como os atores não caíram na gargalhada durante a gravação desse episódio.
“O cérebro de Spock” é um episódio tão ruim, mas tão ruim, que se torna obrigatório para qualquer fã da franquia.
No número 104 de X-men, Chris Claremont e Dave Cockrum já
estavam há dez edições no título e os leitores estavam se agradando dessa nova
formação de autores e personagens. Era hora dos personagens encontrarem seu
vilão mais conhecido, Magneto.
A história começa com os mutantes num porto, tendo
dificuldades para sair com o hovercraft.
A splash page inicial mostrava Banshee discutindo com o dono
do porto, que se recusava a liberar o barco para um monte de esquisitos
fantasiados.
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| Claremont usa a splash page inicial para ambientar o leitor... |
Além do fato bizarro dos personages terem vestido uniformes
para pegar o barco, o que gera todo o problema, há um aspecto interessante aí.
Normalmente a splash page inicial era usada para mostrar uma imagem de impacto,
geralmente um gancho da história anterior, ou um gancho para a história do
volume. Claremont usa essa splash page muito mais para a ambientar o leitor,
incluindo Noturno, no canto inferior tentando se enturmar com os habitantes
locais e um deles sugerindo que eles o ignorem. “Ignorar? Ele tem orelhas e
dentes pontudos... e um rabo!”, diz o outro. Claremont continuaria usando a
splash page dessa forma mesmo depois, quando Byrne assumiu o desenho.
Na verdade, a cena de impacto vem nas páginas seguintes,
quando o hovercraft é desmantelado por uma força misteriosa. Cockrum tinha a
tendência, cada vez mais forte, de caricaturizar os personagens, mas sabia
fazer essas cenas de impacto com uma boa composição e muitos detalhes.
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| ... e a cena de impacto só aparece depois. |
A solução de destruir o meio de transporte para criar uma
cena de impacto já tinha sido usada em X-men 94, o que faz Noturno comentar: “Vem
cá, por que todo meio de transporte que a gente usa acaba destruído?”. “Vai ver
a gente é pé-frio, guri”, responde Wolverine. Claremont podia repetir ideias,
mas pelo menos tinha senso de humor.
Claro que o responsável pelo desmantelamento do barco não
poderia ser outro senão Magneto, que em histórias anteriores tinha sido
transformado numa bebê, mas havia voltado a ser adulto graças ao vilão Erik.
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| O visual de Banshee é renovado. |
A história gira, então em torno do arranca-rabo em Magneto e
os novos X-men, mas dois detalhes chamam a atenção. O primeiro puramente
estético: Cockrum muda a forma como Banshee era representado, com um cabelo
louro que parecia ter sido lambido por uma vaca. Agora ele ostentava uma
cabeleira ondulante, o que mostrava o esforço da dupla de criadores de tentar
tornar o título mais interessante.
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| O gancho para a saga de Protheus. |
O outro detalhe é crucial: o final da história mostra
Magneto partindo do laboratório de Moira. A imagem foca numa porta com os
dizeres MUTANTE X e o texto diz: “O vilão se afasta dali, alheio à tragédia que
se inicia e que aos poucos eclodirá”. A briga entre Magneto e os X-men havia
liberado Protheus, uma das maiores ameaças enfrentadas pelos mutantes naquela
que muitos consideram a melhor saga de toda a revista. Mas essa saga só
começaria de fato no número 126. Ou seja, Claremont lançou o gancho para a saga
de Protheus 22 números antes, o que demonstra como ele planejava o título a
longo prazo.
Mesmo nos episódios menos memoráveis, Ken Parker era uma série que conseguia manter um bom nível, a exemplo da história A verdade, publicada no número 47 do título (editora Vecchi).
A história, escrita em parceria com E. M. Mantero e desenhada por B. Marrafa, inicia com dois mineiros no meio do deserto. Um deles alerta para um barulho e aconselha a apagar a fogueira. Depois só tiros. Então a narrativa pula para Ken Parker entrando na cidade de Bitter Creek, no Novo México, levando o cadáver de um deles.
Posteriormente Parker ajuda o povo da cidade a encontrar o mineiro sobrevivente. Pelo seu relato, eles viram os índios navajo massacrando pastores mexicanos e por isso foram perseguidos pelos índios, que também tinham interesse de se apossar do ouro que eles haviam descoberto.
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| Os navajos realmente são culpados? |
Segue-se uma discussão. A maioria da população acha que o assassinato é obra dos navajos, mas o xerife acredita que na verdade, um dos mineiros matou o outro na tentativa de ficar com seu ouro.
A forma de checar a versão do sobrevivente é descobrir se os pastores ainda estão vivos, mas quando a patrulha, composto por Ken, pelo xerife e por cidadãos, vai em busca de informações, encontra um pequeno grupo de navajos. Exaltados, os brancos matam os mais jovens e prendem o velho do grupo. Tem-se então um dilema: os “cidadãos de bem” querem fazer justiça com as próprias mãos. O xerife e Ken Parker querem entregar o velho para a justiça e tentar checar a história.
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| Em alguns momentos o protagonista tem as feições de Jerry Spring. |
É uma HQ que não dá respostas fáceis. O tempo todo fica a dúvida: os navajos são realmente culpados pelo assassinato ou estão sendo acusados injustamente?
Os desenhos de Marrafa nem de longe estão no mesmo nível de Millazo, mas são competentes para mostrar o que a história se propõe.
Uma curiosidade é que, em alguns momentos Marrafa desenha Ken Parker com as feições de Jerry Spring, famoso personagem de faroeste franco-belga.