Charles Vess é um desenhista norte-americano especializado em fantasias. Elfos, duendes e terras mágicas são sua especialidade. Alguns dos seus trabalhos mais conhecidos foram em parceria com Neil Gaiman, como Sandman, Livros da Magia e Stardust.
sábado, agosto 31, 2019
sexta-feira, agosto 30, 2019
O último dos moicanos
Grandes clássicos da literatura em quadrinhos é uma coleção francesa lançada em banca no Brasil pela Del Prado. Foram dezenas de volumes reunindo uma equipe de quadrinistas da linha franco-belga em suas adaptações.
O último dos moicanos, oitavo volume da coleção, traz roteiro de Marc Bourgne e desenhos de Marel Uderzo (irmão de Albert Uderzo, co-criador do Asterix). A história tem como pano de funo a guerra entre franceses e ingleses pelo domínio da América do Norte e, claro, ingleses e franceses se aproveitavam da rivalidade entre as diversas tribos para trazê-las para sua influência. Na trama, as duas filhas de um general inglês são sequestradas por um índio aliado dos franceses. Um grupo se forma para resgatá-las formado por índios aliados, ingleses e um aventureiro.
Embora o desenho seja bonito, acaba se tornando pouco eficiente por conta da narrativa truncada e sem ritmo. Há, por exemplo, situações de suspense que se apresentam no penúltimo quadro de uma página e se resolvem no último (bons roteiristas colocam o suspense no último quadro, forçando o leitor curioso a virar a página). Em outro momento, os personagens simplesmente aparecem como prisioneiros de uma tribo, sem maiores explicações. O final é ainda mais truncado, deixando uma sensação de anti-clímax. Além disso, o texto é excessivamente narrativo, parecendo muito mais uma literatura ilustrada.
Pré-venda da 4a edição do livro Introdução à metodologia científica
Quem puder pegar diretamente comigo (a partir do dia 30 de setembro) ou no lançamento, o valor é de 20 reais. :)
Ecos humanos
Edgar Franco é autor de um universo ficcional transmídia que se passa na chamada pós-humanidade -quando a tecnologia modificou provocou enormes mudanças na humanidade. Uma das possibilidades de modificação está na engenharia genética, que permitiria, por exemplos, seres híbridos de humanos com animais.
Esse universo se espalhou por várias obras, a mais recente delas o álbum Ecos Humanos, escritos por Franco com desenhos de Eder Santos e lançado este ano pela editora Reverso.
A que primeira coisa que chama atenção na obra é a total ausência de diálogos ou textos. Isso dá um peso enorme à força narrativa das imagens. É uma aposta arriscada. Ou dá muito certo ou dá completamente errado. Em Ecos Humanos o acerto foi total, revelando uma sintonia fina da equipe. Segundo Edgar Franco, o roteiro foi produzido de forma escrita,mas à medida em que Eder Santos produzia os lay outs, o roteirista fazia sugestões de mudanças.
Ecos Humanos conta a história de dois seres híbridos de homens e lobos-guará. Eles vivem no meio do deserto, em um oásis no qual se encontram três árvores e uma fonte. Alimentam-se dos frutos das árvores e dos animais que ali pousam, enfrentando, de tempos em tempos, perigosas tempestades de areia.
A obra é uma verdadeira poesia visual, com sequências tocantes por sua profundidade. Em consonância com o estilo que o próprio Edgar Franco chamou de poético-filosófico, há uma série de questões que permeiam a história: desde a questão de matar animais para comida (o autor é vegetariano) até as religiões. Mas o principal tema é a comodidade, como as pessoas se conformam com determinadas situações, incapazes de fugir de sua área de conforto.
Ecos humanos é um dos trabalhos mais interessantes que já vi nos últimos tempos em termos de HQB,
A obra pode ser adquirida diretamente com o Ciberpajé através do e-mail ciberpaje@gmail.com ao custo de 30 reais mais as despesas postais.
A memória vegetal
Antes de qualquer coisa, A memória Vegetal, de Umberto Eco,
é uma declaração de amor aos livros. O amor pelo objeto feito de papel percorre
todas as quase 300 páginas do volume em textos que vão de definições a listas
de livros raros, passando por contos fantásticos.
Eco começa a obra definindo o título: no começo, existia uma
memória orgânica. Essa memória era composta pelos velhos, que tinham o
conhecimento da tribo e repassavam para as novas gerações: “Talvez, antes, eles
não tivessem utilidade e fossem descartados, quando já não serviam para encontrar
comida. Mas com a linguagem, os velhos se tornaram a memória da espécie:
sentavam-se na caverna, ao redor do fogo e contavam o que havia acontecido antes de os jovens nascerem. Antes de começar
a cultivar essa memória social, o homem nascia sem experiência, não tinha tempo
de fazê-lo e morria. Depois, um jovem de vinte anos era como se tivesse vivido
cinco mil”.
Com a invenção da escrita, surgiu uma memória mineral. O
conhecimento era registrado em tabuinhas de argila ou esculpido na pedra. Era
uma memória que incluía também a questão arquitetônica, já que grande parte do
conhecimento era registrado em monumentos.
Com o tempo, surgiu uma memória vegetal, com o papiro e o
papel. Entre outras revoluções, o livro criou uma memória individual, que
é uma versão pessoal das coisas – e a
leitura se tornou um diálogo com alguém que não está diante de nós e que,
muitas vezes, está morto. O livro aumentou a memória do homem em séculos,
milênios. Segundo Eco, o analfabeto vive apenas uma vida, ao passo que o leitor
vive diversas vidas.
Um dos maiores méritos dos livros foi nos ensinar a duvidar
dos próprios livros, pois eles contradizem-se entre si e aprendemos que são
apenas versões de fatos, e não uma verdade universal. A interpretação ingênua
(está publicado, é verdade) é típica de quem não está acostumado a ler.
Aprender a identificar as boas obras é um mérito dessa
leitura crítica. Se antigamente o problema era encontrar livros, hoje é
selecionar os bons entre os milhares que são lançados anualmente. Nessa monstruosidade
de informação, o leitor muitas vezes se sente perdido. Para Eco, o processo de
escolha é como aquele do namoro. Devemos nos perguntar se o livro que estamos
prestes a tomar nas mãos é daqueles que jogaríamos fora depois de lidos. Jogar
fora um livro depois de lê-lo é como não desejar rever a pessoa com a qual passamos
a noite.
Assim, para um verdadeiro leitor, a relação com o livro deve
ser sempre de amor. Cada nova leitura deve ser como cada nova vez em que o
apaixonado reencontra a amada.
A memória do livro é a memória da humanidade e até mesmo
livros maus, como Os protocolos dos Sábios de Sião, devem ser preservados, como
forma de lembrar de um passado ignóbil. Lembrar que um dia um livro foi escrito
para promover o racismo contra os judeus é evitar que o nazismo aconteça
novamente.
Segundo Eco, devemos salvar não só as baleias, as focas ou
os ursos. Devemos salvar também os livros: “Temam aquele que destrói, censura,
proíbe os livros: ele quer destruir ou censurar nossa memória (...) Começa-se
sempre pelo livro, depois instalam-se as câmaras de gás”.
Como se vê, A memória vegetal é uma carta de amor de um
apaixonado. Como tal, há coisas que só interessam a ele e ao objeto de sua
paixão, como listas de livros. Mas há outros que interessam a todos, pela
universalidade de sentimentos.
Um dos capítulos mais interessantes é “Varia et curiosa”
sobre livros curiosos. Eco cita, por exemplo, análises da loucura de Rousseau
ou de Maomé, livros sobre transplantes de testículos de macacos para homens,
sobre como a masturbação pode provocar cegueira, surdez e demência. Nesse mesmo
capítulo são lembradas as obras que se tornariam sucesso de público e de
crítica, mas que haviam sido recusados por editores ou detonados por alguns
críticos. Moby Dick, por exemplo, foi recusado por um editor com a desculpa de
que não funcionaria no mercado juvenil
por ser longo e antiquado. A revolução dos bichos, de George Orwell foi
recusado nos EUA com a desculpa de que livros com animais não vendiam. Sobre
O diário de Anne Frank, um analista
escreveu: “Essa jovem não parece ter uma percepção especial, ou seja, o
sentimento de como se pode levar esse livro acima de um nível de simples
curiosidade”. Sobre Lolita, escreveram que o editor, ao invés de publicar o
livro, deveria levar o autor a um psicanalista. O livro A máquina do tempo,
clássico da ficção-científica de H. G. Wellsm, foi considerado “pouco
interessante para o leitor comum e não suficientemente aprofundado para o
leitor científico”. A boa terra, de Pearl Buck foi recusado porque,
supostamente, o público norte-americano não estava interessado em nada
referente à China. Um analista considerou que John Le Carré e seu livro O
espião que veio do frio não tinham futuro.
Um crítico escreveu que, felizmente, o livro O morro dos
ventos uivantes, de Emily Bronte, nunca seria popular. Outro escreveu que Walt
Whitman tinha tanta relação com a arte quanto um porco com a matemática.
O livro ainda contém deliciosos contos fantásticos, no
estilo Jorge Luís Borges, como um sobre um mundo em que uma peste dominasse
todos os livros de trapo (que são normalmente mais duradouros), o que coloca de
cabeça para baixo o mercado livros raros.
Em suma: A memória vegetal é leitura apaixonante para os que
são apaixonados por esses objetos de papel. Ou para os que querem se apaixonar.
quinta-feira, agosto 29, 2019
Panthéon de Paris
O Panteão era originalmente uma igreja dedicada a Santa Genoveva.
Quando eclodiu a Revolução Francesa, o prédio foi transformado em um ponto
histórico, onde são enterrados os grandes nomes franceses. Voltaire e Rousseau
estão enterrados lá, um de frente para o outro. Ali também está o túmulo do
famoso escritor Victor Hugo.
A arquitetura neo-clássica, por si só já é digna de nota, mas o
local tem muitos outros atrativos. O edifício é no formato de uma cruz grega e
tem várias pinturas e estátuas, inclusive dois conjuntos frente a frente: um em
homenagem a Rousseau, outro em homenagem a Voltaire.
![]() |
| O altar da igreja foi substituído por uma homenagem aos revolucionários. Danton é o primeiro da esquerda. |
A nave principal é curiosa: o altar foi substituído por um
monumento em homenagem à revolução francesa (é possível ver, entre as estátuas,
Danton, saudando Marianne, a deusa da razão e da liberdade). Um pouco antes
temos o Pêndulo de Foucault, a experiência realizada por Jean Bernard Léon
Foucault para demonstrar a rotação da terra.
O panteão é uma verdadeira viagem pela história e ciência
francesas.
![]() |
| O Pêndulo de Foucault provou que a terra se move. |
![]() |
| Túmulo de Rousseau |
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| Túmulo de Victor Hugo |
![]() |
| Conjunto de estátuas em homenagem a Voltaire. |
Speed Racer
Speed Racer é um anime dos anos 60, criado por Tatsuo Yoshida sobre corridas de automóveis. Speed Racer (nome dado pela dublagem brasileira, o nome original é Go Mifune), um jovem e audaz piloto de corrida de dezoito anos, dirige o carro Mach 5 criado por seu pai (Pops) e vive diversas aventuras dentro e fora das pistas.
Um produto típico dos anos 60, usa um topete de Elvis Presley e suas maiores aventuras lembram os filmes de 007.
O desenho é muito conhecido pela sua canção tema e pela ótima trilha sonora. Como seus mais célebres competidores, temos a "Equipe Acrobática" e o "Carro Mamute". As corridas eram em locais inusitados, como selvas, desertos e até dentro de um vulcão.
O Mach 5, carro de corrida de Speed, tinha um arsenal de equipamentos que ajudavam Speed a se safar das enrascadas em cada uma de suas aventuras. Um dos equipamentos permitia que o carro praticamente pulasse sobre os obstáculos.
Refrão de bolero, da dupla Gian-Bené
Na fase mais
tardia da Nova Sampa produzimos aquela que tanto eu quanto Joe Bennett
consideramos nossa melhor obra: a trilogia erótica Refrão de Bolero.
A história
surgiu quando eu fui assaltado no centro de Belém. Ainda abalado, fui parar na
casa do compadre e lá conversamos sobre como a cidade estava se tornando
violenta e, principalmente, sobre como a propaganda oficial ainda vendia Belém
como uma cidade de cartão postal.
O enredo
tratava exatamente disso: de uma turista que, num primeiro momento se encanta
com a cidade das mangueiras, mas depois acaba sofrendo na pele a violência ao
ser assaltada e se vê sozinha, sem dinheiro ou amigos numa cidade de cartão
postal. Aliás, as HQs eram todas feitas a partir de músicas que gostávamos, a
exemplo da própria Refrão de Bolero que deu nome à trama (e cuja letra entrega
tudo que está acontecendo). Claro que tudo isso misturado a muito sexo. Afinal,
estávamos produzindo esse material paras revistas eróticas da Nova Sampa!
O Bené usou
a história para mostrar seu domínio da perspectiva e da anatomia humana e eu
construí um dos textos dos quais mais me orgulho, em que tudo se encaixa.
Destaque para a frase “cidade de cartão postal”, citada no início e no final da
história, mas com significados completamente diferentes.
Anos depois,
um fã procurou Bené com a proposta de transformar a história em um filme.
Desconfiado, o compadre foi ao encontro do fã e se espantou ao perceber o
quanto ele conhecia da obra da dupla, mas se decepcionou quando viu a garota
mirrada que o suposto diretor havia escalado para protagonista, completamente
diferente da Ana da história, um mulherão de parar o trânsito. “Ali percebi que
não ia rolar mesmo nada e era só devaneio de um fã da obra”, lembra Joe Bennett.
Mas ao menos
uma coisa sempre valeu e sempre nos deu satisfação: ouvir de fãs de quadrinhos
que nunca mais conseguiram escutara música dos Engenheiros do Havaí sem lembrar
desse pequeno clássico do quadrinho erótico nacional.
Príncipe Valente: a Idade Média nos quadrinhos
O Príncipe Valente surgiu no domingo de 13 de
fevereiro de 1937. O seu criador, Hall Foster, entretanto, o havia imaginado
desde 1934, quando fazia as historias de Tarzan para a United Features
Syndicate. Em 1936 ele ofereceu à distribuidora seu personagem medieval. Mas
United queria que ele fizesse uma tira diária e, caso tivesse sucesso, passaria
a uma página dominical colorida. Foster, de traço muito detalhado para tiras
diárias, preferiu apresentar seu personagem à concorrente King Features Syndicate
, a mesma que publicava o Flash Gordon de Raymond.
A KFS aceitou
na hora e, fevereiro de 1937 saia a primeira prancha de Príncipe Valente. O
personagem deveria se chamar Arn, mas a distribuidora achou que Valente teria
um maior impacto nas vendas. Foster aceitou, mas posteriormente deu o nome de
Arn ao filho do protagonista.
Príncipe
Valente se passava numa Idade Média romântica, dos tempos do Rei Arthur. Assim,
o jovem príncipe, descendente de um trono que foi tomado pelos bárbaros, vive
várias aventuras até chegar a Camelot, tornando-se um dos membros da Távola
Redonda. A pesquisa histórica é impressionante. Foster comprava livros e
percorria museus, coletando informações sobre as roupas, costumes e arquitetura
da época. Apesar de, visualmente, a história ser uma reprodução fiel do período
histórico, Foster não se prendia à cronologia. Cavaleiros medievais conviviam
com soldados romanos e até com dinossauros.
Para não
perder nada de seus desenhos detalhistas, Foster não usava balões. A narrativa
e os diálogos eram acomodados abaixo dos quadros. Apesar disso, o autor
explorou bem a linguagem dos quadrinhos, com seqüências dinâmicas poucas vezes
vistas. Se o desenho está entre os melhores já surgidos nas histórias em
quadrinhos, o texto não ficava atrás. Sem cair na redundância, eles complementavam
perfeitamente as imagens.
A qualidade da historieta era tão notória (tanto em
termos de desenho, quanto de texto) que Príncipe Valente foi uma das poucas
HQs poupadas pela caça aos quadrinhos da década de 50.
Príncipe Valente foi o primeiro
personagem de quadrinhos a envelhecer, na proporção de um ano para cada dois
anos dos leitores. Ele se casou, teve filhos e o príncipe Arn já é, hoje, mais
velho do que seu pai era quando começaram as aventuras.
As pranchas de Príncipe Valente
foram publicadas em álbuns luxuosos pela Editora Brasil-América – Ebal – com
grande sucesso e essa coleção está sendo relançada pela Opera Graphica. Não
existe colecionar sério de quadrinhos que não tenha pelo menos um livro dessa
obra-prima em sua estante.
quarta-feira, agosto 28, 2019
Metrópolis: um marco do cinema
Metrópolis é um dos filmes mais importantes da história. Dirigido por Fritz Lang e lançado em 1927, a película veio no rastro do expressionismo alemão (Lang havia sido co-roteirista de O gabinete do Doutor Caligari, filme fundador do expressionismo no cinema), o que se reflete principalmente pelos cenários grandiosos e pela interpretação marcante.
A história deve muito ao clássico A máquina do tempo, de H.G. Wells: no ano de 2016, ricos vivem na superfície e têm sua vida paradisíaca sustentada pelos pobres trabalhadores, que vivem no subsolo operando máquinas monstruosas.
A história foca em um casal: Freder, filho do magnata dono da cidade, e Maria, uma benfeitora dos pobres, que acredita na paz entre as duas classes. Os dois se conhecem quando Maria leva crianças pobres para a superfície e é imediatamente enxotada. O rapaz, fascinado, desce, procurando por ela e vê uma máquina explodindo e matando vários operários.
A situação se complica quando um inventor enlouquecido cria um robô com as feições de Maria capaz de enfeitiçar a todos com sua beleza. Seu objetivo é provocar uma revolta dos operários que resultaria na destruição da cidade.
Metrópolis criou a base do que viria a ser a ficção científica cinematográfica (a exemplo de Star Wars e Wall-E), desde a ação initerrupta aos cenários deslumbrantes e visual dos robôs.
O impacto sobre os quadrinhos não é menos relevante. Basta lembrar da cidade do Super-homem, Metrópolis, uma referência óbvia ao clássico de Fritz Lang.
A arte detalhista de George Perez
Poucos artistas estão tão associados ao gênero super-heróis quanto George Perez. Ele iniciou sua carreira na Marvel na década de 1970 e chegou a desenhar os Vingadores em uma fase muito elogiada. Mas seu talento só iria se mostrar em seu auge criativo na década de 1980, trabalhando para a rival DC Comics. Na DC, Perez foi responsável pelo desenho da série Novos Titãs, um dos maiores sucessos da década, rivalizando com os X-men. Sua habilidade de fazer mil detalhes numa cena e de desenhar dezenas de personagens em um único quadro fez dele o artista ideal para crossovers, a exemplo de Crise nas Infinitas Terras, até hoje considerado o melhor crossover de todos de heróis de todos os tempos.
terça-feira, agosto 27, 2019
A geração tutorial e a era das trevas
Há um conto de Isaac Assimov chamado O cair da noite sobre um planeta iluminado por seis sóis cujos habitantes nunca conheceram a noite. Na história, cientistas descobrem que a cada dois mil anos ocorre um eclipse. Sem a luz solar, os habitantes do planeta ficam loucos e destroem toda a civilização. Os cientístas pretendem guardar essa informação em local seguro para as proximas gerções. Mas uma turba se aproxima para destruir o observatório astronômico e os dados coletados.
Asimov percebeu que em momentos de crise as pessoas tendem a se tornarem irracionais e a rejeitarem o conhecimento científico. Percebeu também que tal situação é terreno fértil para o fanatismo religioso.
É exatamente o que vemos no Brasil atual. Entre em qualquer matéria sobre ciência nas páginas de jornais. A maioria dos comentários são acusações de que os cientistas são vagabundos vivendo às custas do dinheiro público.
Para essa geração, um meme de Facebook, vídeo de Youtube ou um áudio de WhatsApp são mais críveis que uma tese de doutorado ou livros e mais livros sobre o assunto. Certa vez, em uma disucssão de internet, a pessoa argumentou que eu era suspeito para falar sobre o assunto em pauta porque eu já havia escrito um livro sobre o mesmo. É a geração tutorial.
Vejam a questão do clima. Em qualquer lugar você ouvirá das pessoas que o tempo está louco. Na Europa invernos rigorosos dão lugar a recordes de calor (acompanhados de muitas mortes e incêndios). Em estados como São Paulo e Goiás, o ar está mais seco que o deserto do Saara. Mesmo assim, a maioria das pessoas nega a existência das mudanças climáticas e pesquisas sobre o assunto são consideradas inúteis.
A geração tutorial é responsável pela volta de doenças erradicadas, como o sarampo, graças às campanhas anti-vacinação.
O que vemos é um grande movimento anti-intelectual e anti-científico.
Nós não temos um eclipse que irá deixar todo o planeta às escuras. Mas estamos cada vez mais perto da era das trevas.
Asimov percebeu que em momentos de crise as pessoas tendem a se tornarem irracionais e a rejeitarem o conhecimento científico. Percebeu também que tal situação é terreno fértil para o fanatismo religioso.
É exatamente o que vemos no Brasil atual. Entre em qualquer matéria sobre ciência nas páginas de jornais. A maioria dos comentários são acusações de que os cientistas são vagabundos vivendo às custas do dinheiro público.
Para essa geração, um meme de Facebook, vídeo de Youtube ou um áudio de WhatsApp são mais críveis que uma tese de doutorado ou livros e mais livros sobre o assunto. Certa vez, em uma disucssão de internet, a pessoa argumentou que eu era suspeito para falar sobre o assunto em pauta porque eu já havia escrito um livro sobre o mesmo. É a geração tutorial.
Vejam a questão do clima. Em qualquer lugar você ouvirá das pessoas que o tempo está louco. Na Europa invernos rigorosos dão lugar a recordes de calor (acompanhados de muitas mortes e incêndios). Em estados como São Paulo e Goiás, o ar está mais seco que o deserto do Saara. Mesmo assim, a maioria das pessoas nega a existência das mudanças climáticas e pesquisas sobre o assunto são consideradas inúteis.
A geração tutorial é responsável pela volta de doenças erradicadas, como o sarampo, graças às campanhas anti-vacinação.
O que vemos é um grande movimento anti-intelectual e anti-científico.
Nós não temos um eclipse que irá deixar todo o planeta às escuras. Mas estamos cada vez mais perto da era das trevas.
Narcos, terceira temporada
Narcos chegou à terceira temporada com um desafio monstruoso: sobreviver à morte de Pablo Escobar. A interpretação de Wagner Moura foi tão marcante que parecia que ele estava carregando a série nas costas. Como continuar a série sem ele? Em especial porque os traficantes do Cartel de Cali não pareciam tão interessantes ou dúbios, exceto por Pacho Herrera, magistralmente interpretado por Alberto Ammann (a homossexualidade do personagem faz um contraponto à selvageria do personagem).
A série, no entanto, conseguiu desenvolver a trama e os personagens de maneira competente. E introduziu um novo personagem: Jorge Salcedo (Matias Varela). Chefe da segurança do Cartel de Cali, ele vive a dubiedade de não se considerar alguém mal e jamais ter matado alguém, mas trabalhar para um cartel de drogas. As melhores cenas de toda a temporada sem dúvida são com esse personagem.
Embora a direção seja segura, o roteiro (de Chris Brancato, criador da ´serie) foi fundamental para que esta temporada desse certo. Trabalhando o tempo todo com narrativas paralelas, a trama deixa o expectador sempre no fio da navalha, em especial nos capítulos finais.
Narcos é uma das melhores séries da atualidade e mostra a que nível chegou a influência do tráfico de drogas: até mesmo governos que dizem combater as drogas, na verdade estão ligados a ele. Em países da América Latina, senadores, ministros e até presidentes parecem comer nas mãos dos carteis de drogas.
A série, no entanto, conseguiu desenvolver a trama e os personagens de maneira competente. E introduziu um novo personagem: Jorge Salcedo (Matias Varela). Chefe da segurança do Cartel de Cali, ele vive a dubiedade de não se considerar alguém mal e jamais ter matado alguém, mas trabalhar para um cartel de drogas. As melhores cenas de toda a temporada sem dúvida são com esse personagem.
Embora a direção seja segura, o roteiro (de Chris Brancato, criador da ´serie) foi fundamental para que esta temporada desse certo. Trabalhando o tempo todo com narrativas paralelas, a trama deixa o expectador sempre no fio da navalha, em especial nos capítulos finais.
Narcos é uma das melhores séries da atualidade e mostra a que nível chegou a influência do tráfico de drogas: até mesmo governos que dizem combater as drogas, na verdade estão ligados a ele. Em países da América Latina, senadores, ministros e até presidentes parecem comer nas mãos dos carteis de drogas.
Tarzan - o desenho animado
Tarzan é um dos personagens mais populares do século XX e teve diversas versões para quadrinhos, cinema e televisão. Mas poucas foram tão fieis à obra original de Edgar Rice Burroughs quanto o desenho animado Tarzan, o rei das selvas, de 1976. Criado pela Filmation, o desenho usava em algumas cena a técnica da rotoscopia, em que o desenho é realizado em cima de filmagens com atores, o que dava um incrível realismo às sequências. Nessa versão do Tarzan ele é acompanhado pelo macaco Nikima, como nos livros, ao contrário da versão cinematográfica, em que foi criada a macaca Chita.
O estúdio aproveitou bem o fato da animação não necessitar de cenários para colocar na histórias reinos perdidos, o que dava à série um ar de fantasia.
Todos que assistiram esse desenho se lembram da cena de abertura com Tarzan se movimentando em rotoscopia e o texto: "A selva... eu nasci aqui. E aqui meus pais morreram quando eu era pequeno. Eu teria perecido logo se não tivesse sido encontrado por uma bondosa macaca chamada Kala, que me criou como seu filho e me ensinou a viver na selva. Eu aprendia rápido e me fortalecia a cada dia. Agora, compartilho da amizade e a confiança de todos os animais da selva. A selva é cheia de belezas... e perigos e cidades perdidas cheias bondade e maldade. Este é o meu domínio e eu protejo aqueles que aqui veem, pois eu sou Tarzan, o Rei das Selvas!".
No total, foram 36 episódios, em 4 temporadas. O desenho vem sendo exibido pelo SBT desde a década de 1980 e atualmente passa nas manhãs de sábado.
Flash Gordon
Buck Rogers,
Dick Tracy e Tarzan causaram uma verdadeira revolução nas histórias em
quadrinhos. O clima de aventura, o desenho realista e os cenários grandiosos
conquistaram os leitores.
Já não havia
mais lugar para as tiras cômicas e um dos maiores syndicates da época, o King
Features Syndicate entrou em desespero: Fazia-se urgente encontrar alguém que
trabalhasse tão bem com a aventura quanto a concorrência.
Para isso
foi instituído um concurso interno. Quem acabou ganhando foi um ex-oficce-boy
da empresa. Seu nome era Alex Raymond e seu personagem era Flash Gordon, um
dos maiores sucessos da época.
A história estreou num domingo, 7
de janeiro de 1934. Os leitores americanos abriram seus jornais e tiveram um
grande impacto. Lá estava um herói novo, diferente de todos os outros que o
haviam antecedido. Era a primeira história de Flash Gordon, de Alex Raymond.
De lambuja, vinha como complemento o personagem Jim das Selvas - também com
desenhos de Raymond.
Flash Gordon veio para revolucionar
o conceito de aventura. Nela predominava a imaginação: moças bonitas,
homens-leão, povos submarinos, princesas estelares, vilões insanos e um herói
ariano (exemplo perfeito de conduta e boas intenções) conviviam numa mesma
pagina.
Flash Gordon não parava. Mal
conseguia se livrar de monstros pré-históricos e caia nas mãos de um imperador
tirânico. Era como se estivesse passando por um eterno teste de provas.
A historieta
- que tinha roteiros anônimos de Don Moore - tornou-se um sucesso absoluto de
vendas. O traço forte e elegante de Raymond conquistou os leitores e conseguiu
dar ao personagem uma imponência que ninguém nunca mais conseguiu.
Flash Gordon surgiu para
concorrer com o grande campeão de vendas da época, Buck Rogers, mas com o
tempo, Flash ultrapassou de longe o seu concorrente do século XXV.
Praticamente junto com Flash Gordon, Raymond desenhou dois outros personagens
nos moldes dos que já faziam sucesso na época: Jim das Selvas (baseado em Tarzan)
e Agente Secreto X-9 (para concorrer com Dick Tracy).
“Agente
Secreto X-9” era de autoria do famoso escritor policial Dashiel Hammet e
transmitia o clima de tensão que os gángsters imprimiam aos anos 30. Detalhe:
esse trabalho de Hammet geralmente não aparece nas biografias do escritor.
Já Jim das
Selvas era, a principio, uma espécie de aventureiro, um caçador intrépido
enfrentando todos os perigos da selva. Com o tempo, Jim começou a se envolver
em tramas internacionais, mas nem por isso perdeu sua força.
Alex Raymond
foi um dos maiores desenhistas dos quadrinhos. O seu traço elegante influenciou
toda uma geração. Os seus personagens, entretanto, não tiveram muita sorte.
Depois da
morte de Raymond, no final dos anos 40, Flash Gordon ainda passou por um bom
momento no início da década seguinte nas mãos de Dan Barry (desenhos) e Harvey
Kurtzman (roteiro). Mas, assim que Kurtzman saiu do roteiro a história perdeu
muito do caráter onírico que tinha no início.
O grande
seguidor autêntico de Raymond a ilustrar seus personagens foi All Williamson, que desenhou três números
da revista do Flash Gordon e a tira do Agente Secreto X-9 durante 13 anos.
Além do
ótimo desenho e das tramas de matinê, terminando sempre em suspense, Flash
Gordon é lembrado também pelas antecipações. Foi nessa história em quadrinhos
que apareceu pela primeira vez a mini-saia, o raio laser e o forno microondas.
Em um de seus boletins oficiais, a NASA admitiu que os quadrinhos do personagem
foram usados para solucionar problemas de aerodinâmica dos primeiros foguetes
espaciais norte-americanos.
Flash Gordon
também foi a grande fonte de inspiração para outra grande saga moderna: os
filmes da série Star Wars. Como não conseguiu autorização para filmar o
personagem, George Lucas criou a série Guerra nas Estrelas baseada em Flash
Gordon.
segunda-feira, agosto 26, 2019
Revistas da Grafipar
Grafipar foi uma das mais importantes editoras brasileiras de quadrinhos. Especializada em quadrinhos eróticos, ela inundou as bancas no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 com uma enorme variedade de revistas com a nata dos quadrinhos nacionais. Confira algumas capas da editora.
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