quarta-feira, janeiro 30, 2008

Hoje é o dia do quadrinho nacional


Em 30 de janeiro de 1869 o ítalo-brasileiro Angelo Agostini, um dos precursores das Histórias em Quadrinhos, começou a publicar na Vida Fluminense a HQ "As Aventuras de Nhô Quim" ou "Impressões de uma Viagem à Corte" com um personagem fixo. É uma das primeiras histórias em quadrinhos do mundo. Quando se pensou em eleger o dia do quadrinho nacional, 30 de janeiro foi a data escolhida em homenagem a esse pioneiro. Ângelo Agostini é também o nome do principal prêmio dos quadrinhos nacionais, premiando desenhistas, roteiristas e editores. Eu ganhei o meu em 2000.

Leia, no Neorama dos quadrinhos, ótima resenha sobre a série Promethea, de Alan Moore. Promethea é, provavelmente, o trabalho mais denso da linha ABC, criada por Morre e que inclui, entre outros, Tom Strong. Parece um curso intensivo de psicologia junguiana, misturada com tarô, pulp fiction e muito mais.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Editora portuguesa dá calote em quadrinistas


A editora e loja de quadrinhos Nono Império, sediada em Setúbal, está sendo acusada de dar um calote em vários desenhistas e roteiristas de quadrinhos do Brasil e de Portugal. A editora iria lançar uma revista mix, com persongens fixos e para isso pediu projetos de roteiristas. No caso do roteirista brasileiro Gian Danton, foi pedido que desenvolvesse um projeto na linha manga. O projeto incluía fichas de personagens, de ambientação, de referências visuas, além dos roteiros em si. Além disso, para receber o pagamento, os artistas deveriam assinar um contrato cedendo os direitos autorais dos personagens para a editora. O pagamento das três primeiras histórias só seria efetuado depois de escritas quatro histórias e de assinado o contrato.
Agora, depois de um longo silêncio, a editora está comunicando que não vai publicar mais nada e nem pagar. Como única compensação, eles estão cogitando a possibilidade de devolver aos artistas os direitos dos personagens. Nem mesmo os gastos com correio serão reembolsados.
No caso da série desenvolvida por Gian Danton, os desenhistas já haviam terminado duas histórias e estavam na metade de outra. Eles também levaram o calote.

O Jean Okada está publicando em seu site a série Exploradores do Desconhecido, com roteiro meu e desenho dele. Sou suspeito para falar porque sou fã incondicional do trabalho do Okada. Se o Brasil fosse um país decente, ele seria disputado pelas editoras de quadrinhos.

Vá lá no site e acompanhe essa aventura, como diz o texto de apresentação do Okada, ¨Arrumem seus lugares a bordo da Pioneer, ao lado de Garry Roland e sua equipe, e vamos juntos com eles explorar o universo. A última Grande Aventura Humana está começando!¨

Nova entrevista com o Dr. Edgar Franco (Posthuman Tantra) no site ZINE BRASIL

http://zinebrasil2.googlepages.com/zb_entrevista_edgar_franco

Na entrevista o artista fala da relação entre a criação musical e quadrinhística, as perspectivas humanas diante da aceleração tecnocientífica, a cena brasileira de quadrinhos, entre outros assuntos.

O Zine Brasil: A Vitrine das Hq's Nacionais é um site especializado na publicação e divulgação dos Quadrinhos Brasileiros, seus Artistas, Heróis e Universo Independente. Criado e editado por Michelle Ramos.

segunda-feira, janeiro 28, 2008


Recebi o livro de Volta ao mundo da ficção científica (UFMS), a primeira coletânea de artigos teóricos sobre o assunto de que tenho notícia. O livro é muito bom. Ainda não tive tempo de ler todo (assim que o fizer, publico uma resenha aqui), mas dei uma olhada geral, comecei a ler e achei realmente um nível muito bom. Para minha surpresa, no artigo ¨Níveis de recepção da ficção cyberpunk no Brasil: um estudo de casos exemplares¨, de Rodolfo Londero, li o seguinte:


Outro exemplo de recepção direta (do cibyerpunk) é O anjo da morte, conto de Gian Danton que aborda um tema recorrente na ficção cyberpunk, o ciberspaço, porém através de uma perspectiva filosófica, assemelhando-se mais a Matrix (1999), filme que também demonstra contatos, principalmente com a obra fundamental do gênero, NEUROMANCER. Na verdade, o próprio termo ciberpunk é grafado em O anjo da morte. Entretanto, na obra, o termo não se refere ao subgênero da ficção científica, mas à cultura em geral, pois ¨a cultura cyberpunk não é somente uma corrente da ficção-científica, mas um fato sociológico irrefutável, uma mistura de esoterismo, programação de computador, pirataria e ficção-científica, influenciada pela contracultura americana e pelos humores dos anos 80¨


Quem estiver interessado no livro pode mandar um e-mail para Rodolfo Londero (rodolfolondero@bol.com.br) ou para a editora (editora@nin.ufms.br). O livro custa R$ 20.

domingo, janeiro 27, 2008


história dos quadrinhos 22
Os fumetti


Apesar da forte concorrência dos quadrinhos americanos e dos mangás, os quadrinhos italianos ainda sobrevivem e fazem sucesso em vários países principalmente na forma de gibis grossos, com histórias em preto e branco, muitas vezes tratando do velho oeste americano. São os fumetti, cujo melhor exemplo é Tex.
Após a II Guerra Mundial, a Itália parecia buscar uma identididade cultural e ela, em muitos sentidos, foi conseguida através do fumettis. O primeiro personagem a fazer sucesso no pós-guerrra foi L´Asso di Piche, com roteiro de Alberto Ongaro e desenhos de Mario Faustinelli e Hugo Pratt. O personagem era uma mistura de Fantasma, Batman e Spirit e fez pouco sucesso de público, mas garantiu contratos para que seus autores fossem atuar na Argentina.
Na década de 1950 os editores italianos viram as vendas dos comics americanos decaírem e resolveram investir em produtos nacionais.
Tex Willer, surgido em 1948 foi o personagem que fez mais sucesso. Ele é um ranger, casado com a filha de um chefe índio, com quem tem um filho, Kit. Até então, a maioria dos faroestes mostravam os índios apenas como selvagens a serem mortos. Tex revolucionou ao mostrá-los com simpatia. Mas, segundo a História de Los Comics, a razão do sucesso estava principalmente no desenho realista e ágil de aurélio Galleppini e nos roteiros de Gian Luigi Bonelli, sempre muito exatos nas informações históricas e geográficas. ¨Sempre tenho tentado recriar a verdadeira atmosfera do velho oeste, em que homens justos se viam obrigados a usar a lei do colt para reprimir os abusos e violências de homens sem escrúpulos. Por isso, tenho usado uma linguagem forte e roteiros violentos¨, declarou Bonelli.
A editora Bonelli praticamente padronizou os quadrinhos populares italinos, publicando gibis auto-contidos, com histórias longas em preto e branco.
Depois de Tex, outro grande sucesso foi Zagor, criado por Guido Nolitta (pseudônimo de Sergio Bonelli, filho do criador de Tex) e idealizado graficamente por Gallieno Ferri , uma mistura de faroeste com fantasia. Também Akin, uma espécie de Tarzan que fala com os animais e Diabolik fizeram grande sucesso. Diabolik, criado pelas irmãs Ângela e Luciana Giussani, causou grande polêmica por ter como protagonista um vilão, que constantemente derrota a polícia.
A editora criada por Bonelli torna-se a casa dos principais criadores italianos. Seu filho Sérgio iria substitui-lo não só na administração, mas também nos roteiros e acabaria se revelando um ótimo redator.
Aos poucos, a editora diversifica sua linha de gibis, com personagens como Mister No (um aventureiro), Nick Raider (um policial em Nova York), e terror (com Dylan Dog).
Mas a maior obra-prima publicada pela editora foi sem dúvida Ken Parker, o mais humano dos cowboys, criação de Ivo Milazzo (desenhos) e Berardi (roteiros).
Um diferencial dos fumetti é o fato de que, ao contrário do que aconteceu nos EUA, o desenho não se sobrepôs ao roteiro. O objetivo de qualquer revista publicada pela Bonelli ou por suas concorrentes mais diretas, é contar uma boa história, e um bom desenho é colocado sempre a serviço da história, e não o contrário.
Uma curiosidade: Tex foi, durante muitos anos, a revista predileta dos vigias noturnos.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Nota de falecimento

Faleceu ontem à noite Benedito cardoso dos santos, o Bena, vítima de um acidente de trânsito. Bena era conhecido de todos que estudam ou trabalham no CEAP. Era alguém no qual se podia confiar sempre, que sempre dava um jeito de ajudar quando se precisava de um equipamento, de uma sala... sempre com um sorriso no rosto.
Simpático e prestativo, era amigo de todos, do faxineiro ao professor-doutor. Bena era tão querido que foi homenageado pela maioria das turmas que se formaram pelo Centro de Ensino Superior do Amapá. Vai deixar saudades.
O velório está acontecendo hoje, na av. Raimundo Nunes da cruz, 134, bairro Novo Horizonte, Santana. O enterro acontece às 17 horas.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Jovem, se você completou dezoito anos, aliste-se! Quem não se lembra dessa pérola da propaganda nacional. Pérola no sentido negativo. Onde já se viu uma propaganda imperativa? Só deu certo porque estava vendendo algo que todos os jovens eram obrigados a fazerem: alistar-se no serviço militar. Essa peça era tão ruim que virou piada. De lá para cá, as propagandas das forças armadas não melhoraram muito. Entretanto, essa propaganda da marinha de Singapura mostra que é possível sim ter boas idéias para convencer os jovens a se alistarem.

Os cinco plots mais idiotas do Homem-Aranha


One More Day, a saga que deu um reset na vida do Homem-Aranha, provocou todo tipo de reação por parte dos leitores e da crítica especializada. E por mais que Brand New Day, inicialmente, esteja sendo timidamente bem recebida, a resolução mágica dos problemas matrimoniais e de identidade secreta do herói não será esquecida tão cedo.John Marcotte, do blog norte-americano Badmouth, aproveitou o rebuliço causado por One More Day para relembrar alguns dos plots mais estúpidos utilizados em histórias do Cabeça-de-Teia. É coisa para fazer Mefisto se contorcer de inveja. Leia mais no Universo HQ


Os cinco momentos mais estúpidos, sebundo o Badmouth, são: 5. A Saga dos Seis Braços, por Stan Lee e Gil Kane; 4. O Aranhamóvel, por Gerry Conway e Ross Andru; 3. Doutor Octopus casa com a Tia May, por Gerry Conway e Ross Andru; 2. Pecados Pretéritos, por J. Michael Straczynski e Mike DeodatoE o segundo lugar fica para um arco publicado nos anos 2000, cortesia do criador da série de TV Babylon 5 (Straczynski levou Gwen Stacy à Europa e a fez ter um tórrido romance com Norman Osborne, o Duende Verde. E não parou por aí: ela teve um casal de gêmeos, alterados geneticamente e criados para acabar com a raça do Homem-Aranha quando crescessem (ou seja, dois ou três anos depois de terem nascido). ; 1. A Saga do Clone, por Howard Mackie e vários outros artistas


Ps: Há de se separar o joio do trigo. O aranha de seis braços, o aranha-móvel e o casamento da Tia May são da fase camp do personagem, em que os próprios artistas não o levavam muito a sério. Os vilões eram ridículos, as tramas eram ridículas, mas tudo tinha um ar dadaista que agradava os fãs e antecipava os trabalhos de Grant Morrison no Homem-animal. Já a saga do duende era só uma enrolação para vender revistas e confundir a mente dos leitores.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Capitão Nascimento e o Oscar



Meu livro Watchmen e a teoria do caos já provocou polêmica. Embora a maioria tenha gostado, alguns não entenderam que o objetivo da obra era analisar o discurso científico de Alan Moore e, portanto, não poderia entrar em outros dos muitos aspectos interessantes da obra. De todas as resenhas, a melhor, parece-me, foi a escrita pelo filósofo Edgar Indalecio Smaniotto para o jornal Graphic, que reproduzo abaixo.




WATCHMEN: Caos e Informação

Edgar Indalecio Smaniotto

Watchmen e a Teoria do Caos (Editora Marca de Fantasia, 2005), de Gian Danton, é uma analise da famosa mini série que revelou o talentoso roterista Alan Moore para os Estados Unidos e o mundo: WATCHMEN.
Como nos lembra Gian Danton, antes da publicação de Watchmen, Alan Moore já fazia história no mundo dos quadrinhos, tendo escrito Miracleman e O Mostro do Pântano. Com Miracleman Moore pretende responder a seguinte pergunta, que parte de “uma idéia simples: como séria o mundo se um super-herói realmente existisse? Como ele se comportaria de verdade?” (p. 12). Já em o Mostro do Pântano temas polémicos e por vezes de difícil assimilação tornam-se o foco do roteiro: ecológica, política, metafísica e ciência.
Em Watchmen os elementos presentes em Miracleman e no Mostro do Pântano são novamente introduzidos, mas agora com uma intensidade narrativa capaz de levar o leitor a um êxtase estético comparado aos melhores clássicos da literatura. Para além das qualidades estéticas da obra (de arte, com certeza), Moore arrasta o leitor em um mergulho por conceitos e teorias científicas: teoria do caos e da informação, efeito borboleta, teoria da complexidade e etc.
É justamente o uso que Alan Moore faz destas diferentes ciências no decorrer da narrativa de Watchmen que interessa ao pesquisador Gian Danton, neste pequeno livro, fruto de sua dissertação de mestrado (mas não se preocupe, o texto de Danton é fluente, sendo prazeroso mesmo para quem não esta habituado a livros com notas de rodapés e citações).
O primeiro capítulo “Os autores”, é um ensaio biográfico a respeito de Alan Moore (roterista) e Dave Gibbons (desenhista) de Watchmen, até o momento da criação da referida mini série, com alguns comentários sobre suas carreiras após o sucesso alcançado com Watchmen.
O segundo capítulo “A obra”, é uma análise geral e consistente de Watchmen, a partir do principio da teoria do caos conhecido como efeito borboleta, usado pelo escritor de ficção científica Ray Bradbury no famoso conto “Um Som de Trovão”, já adaptado para o cinema. Numa caçada ao Tiranossauro Rex, cuja expedição de caça é transportada à pré-história por uma máquina do tempo, um dos caçadores sai da trilha rigorosamente determinada, pisa em uma borboleta, matando-a, e provoca sérias mudanças em sua época.
Em Watchmen, segundo Danton, a borboleta séria o Dr. Manhattan primeiro e único super-herói com super-poderes de verdade (os outros personagens não tem super poderes, são pessoas comuns como o são Batman e o Fantasma). A existência deste super-herói muda completamente a história e as relações humanas.
A fim de buscar uma compreensão dos princípios originários da teoria do caos utilizados por Moore, Gian Danton recorre as obras de Edgar Morin, Hilton Japiassu, James Gleick e Isaac Epstein. Apoiado nestes autores Danton desvela toda a complexidade por traz de Watchmen, revelando ao leitor que esta obra é na verdade um recado de Moore aos cientistas que “ensimesmados em seu mundo determinista, repleto de gráficos e estatísticas, eles se esqueceram do aspecto humano, da não linearidade, do acaso, da incerteza...” (p. 39).
No terceiro capitulo “Uma Imagem do Caos”, Danton recorre ao conceito matemático de fractal (criado por Mandelbrot), que lhe permite analisar e entender alguns elementos de Watchmen: O Castelo do Dr. Manhattan em Marte, a história dentro da história que é o gibi “Contos do Cargueiro Negro”, a reunião patrocinada pelo Capitão Metrópolis, que iria ter influência decisiva para todos os personagens, inclusive Ozimandias, e seu plano para salvar a humanidade de um ataque nuclear. Neste capítulo o autor também busca uma aproximação entre a teoria do caos e a teoria da informação, estando as duas presentes em Watchmen.
O quarto e último capítulo, “Complexidades em Escala”, é uma “análise da primeira parte do quinto volume da edição brasileira de Watchmen”, análise por sinal bastante minuciosa, que além de desvelar para o leitor as informações contidas nesta pequena parte da obra é também uma aula de leitura de histórias em quadrinhos.
Claro que o objetivo principal de uma HQ é sempre o lazer, mas este não precisa ser pobre, pode sim aliar sabedoria e prazer, este parece ser o caso de Watchmen. Já a obra de Gian Danton, Watchmen e a Teoria do Caos, é um livro que merece nossa atenção, bem escrito, fruto de uma análise competente de um clássico incontestável das HQs, é também porta de entrada para que deseja conhecer a teoria do caos. Danton consegue demonstrar que as histórias em quadrinhos são uma arte tão séria e passível de análise científica quanto qualquer arte mais “nobre”. Boa Leitura!

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Edgar Indalecio Smaniotto é filósofo, mestre em Ciências Sociais e autor do livro: A FANTÁSTICA VIAGEM IMAGINÁRIA DE AUGUSTO EMÍLIO ZALUAR: ensaio sobre a representação do outro na antropologia e na ficção científica brasileira. Rio de Janeiro: Editora Corifeu, 2007. Contato: edgarsmaniotto@gmail.com

terça-feira, janeiro 22, 2008


Eis aí a chamada deles, pedindo projetos para a editora.

Nono império, nono picareta



Nesses mais de vinte anos de quadrinhos sempre me deparei com situações e pessoas inusitadas. De todas as figuras, as mais terríveis são os editores pilantras. Um bom exemplo disso é a editora portuguesa Nono Império.
Eles fizeram um concurso para roteiristas e eu fiquei em primeiro lugar. 4
Eles, incialmente, iam lançar uma revista mix e me encomendaram uma personagem de mangá. Pagavam pouco, mas diziam que pagavam. O cotrato era draconiano, inclusive prevendo que os direitos da personagem criada seria deles. As exigências eram máximas, como se estivessem realmente pagando uma fortuna. Eles pediam modificações nos roteiros. Diziam que o pagamento só seria feito depois de quatro histórias aprovadas. Pediam fichas de personagens, fichas de ambientação, de trama. Chegaram ao ponto de pedir que, para cada história, eu enviasse referências visuais de personagens, ambientes e objetos para o desenhista. Ou seja, de roteirista, eu já estava fazendo trabalho de editor.
Algum tempo depois, eles me escreveram, dizendo que o desenhista estava enrolando para fazer as páginas e pedindo para que eu escrevesse a ele, adulando-o. Boa, além de roteirista e editor, queriam que eu fosse também babá de desenhista. Escrevi a eles sugerindo que eles trocassem de desenhista. A resposta foi: ou sai com esse desenhista, ou não sai. Parece que o tal desenhista era parente de um dos sócios da editora...
Nesse meio tempo, tive gastos com correio internacional, pois tinha que assinar cópias e mais cópias do contrato, e mais de uma vez havia alguma coisa errada. O contrato chegando corretamente lá, eles diziam, eu receberia o pagamento pelas três primeiras histórias.
Passou-se um longo silêncio. Eles não respondiam meus e-mails. Quando finalmente consegui contato, eles me disseram que não iam mais publicar a história porque o desenhista tinha desistido de ilustrar... e que eu não receberia um tostão. Disseram que talvez pagassem os gastos que tive com correio. Talvez. E não pagaram.
Ou seja, a Nono Império é o pior tipo: o editor pilantra que toma ares de bom pagador. Fazem mil exigências, cobram muito, mas no final não pagam nada. Fica o alerta. Quem engana um, engana vários.

Ladrão confunde pão com dinheiro e acerta cúmplice nas nádegas

Dois ladrões foram condenados à prisão após uma tentativa de assalto frustrada em que confundiram um saco de pão com uma sacola de dinheiro. Ao tentarem fugir, um deles terminou com tiro nas nádegas, disparado pelo cúmplice.
Benjamin Jorgensen, de 38 anos e Donna Hayes, de 36, vão pegar sete e oito anos de prisão, respectivamente, pela tentativa de roubo armado em um restaurante em Melbourne, na Austrália.
De acordo com o jornal australiano The Sydney Morning Herald, durante a ação, Jorgensen pegou um saco em que acreditava conter dinheiro, mas ao tentar fugir acabou descobrindo que a sacola estava cheia de pães.
Ao tentar escapar, o ladrão ainda disparou sua arma acidentalmente, atingindo as nádegas de Donna, que ficou hospitalizada durante um mês por causa dos ferimentos.
O juiz Roland William descreveu a dupla, que pretendia roubar uma carga equivalente a R$ 47 mil como um “par de idiotas”. Fonte: BBC

Devir lança A Força da Vida, de Will Eisner


Por Marcelo Naranjo (22/01/08)A Devir Editora lançará a A Força da Vida (formato 19,4 x 25,5 cm, 148 páginas, R$ 38,00), do mestre Will Eisner. Nesta obra, o autor examina as vidas e os sonhos, as esperanças e os temores de personagens comuns que perseveram e sobrevivem à Grande Depressão econômica dos anos 30. Leia mais
Ps: Will Eisner foi o quadrinista completo. Ótimo roteirista e desenhista, ele inventou um gênero, a graphic novel, com o Contrato, e, enquanto vivo, flertou com a literatura, o cinema e o jornalismo. Seu álbum O Complô é jornalismo puro. Esse novo lançamento já está na minha lista de compras.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Veja o trailer do mais novo filme da saga Jornada nas Estrelas, dirigido pelo diretor de Lost.

Fomos assistir Eu sou a lenda, filme baseado na obra de Richard Matheson, que já ganhou duas versões no passado: "Mortos que Matam" (The Last Man on Earth, 1964) e "A Última Esperança Sobre a Terra" (The Omega Man, 1971). Confesso que não assisti as versões anteriores, mas essa, dirigida por Francis Lawrence é muito boa. Surpreendeu positivamente. Ao contrário do que aconteceu com A Ilha, em que uma história muito boa foi transformada em pura correria e tiros, Eu sou a lenda soube mesclar suspense, ação, terror e intimismo. Chega a ser um filme filosófico, em muitos sentidos. É um filme sobre a solidão e sobre esperança. Num mundo devastado por um vírus semelhante ao da raiva, o personagem de Will Smith é uma das poucas pessoas imunes e investiga uma cura. Dos que ficaram doentes, o que não morreram, viraram caçadores da noite, caçando carne humana. Sua única companhia é sua cadela. Como um Robison Crusoe do apocalipse, acompanhamos a tragetória desse homem solitário em busca de comida, de uma cura e, principalmente, de esperança. Um belo filme.

história dos quadrinhos 21
O homem dos patos

No final da década de 1920, Walt Disney estava inconsolado. Ele havia acabado de perder os direitos sobre seu personagem Osvald, o coelho para Charles Mintz. Para compensar, ele criou outro personagem inspirando-se num camundongo que costumava visitar seu escritório. Assim nascia o divertido Mickey, com sua cabeça grande, pernas finas e sapatos grandes, como um menino que tivesse vestido os sapatos do pai. Inicialmente, o camundongo deveria se chamar Mortiner, mas Disney acabou mudando de idéia (alguns autores creditam a mudança à esposa do desenhista). Em 1928 estreou o primeiro curta-metragem do personagem, e também o primeiro desenho animado sonoro da história, tornando-se logo um sucesso.
Não tardou para que o personagem migrasse para as tiras. Floyd Gottfredson foi escolhido para fazer a adaptação.
Outro personagem surgido nas animações também logo ganharia sua versão em quadrinhos: o Pato Donald. O desenhista Al Taliaferro adaptou o filme A galinha sábia para as tiras e depois o resultado foi copilado em um gibi com grande sucesso.
Mas o personagem realmente só se tornaria célebre após a entrada de Carl Barks no título. Barks foi um fracasso em diversas profissões, de cowboy a carpinteiro, passando por condutor de mulas e impressor. Não conseguindo sucesso em nada, ele decidiu investir no sonho de ser desenhista. Seu primeiro trabalho foi numa revista humorística, mas um dia ele viu um anúncio da Disney, procurando animadores e se candidatou. Foi colocado no setor de roteiros e ajudou a criar gags visuais para mais de 40 curta-metragens.
Certa vez ele foi escolhido para participar de um longa do Pato Donald intitulado O Ouro do Pirata. O projeto não saiu do papel, mas mesmo assim Disney resolveu transformar o material em uma revista em quadrinhos e convidou Barks para fazer a adaptação. Foi um sucesso tão grande que a editora Dell-Western lhe ofereceu um emprego como quadrinista.
Barks estava, enfim, no seu elemento. Em 1947 ele criou o Tio Patinhas, baseado no personagem sovina do Conto de Natal, de Dickens. Criado para uma única história, ele agradou tanto que logo ganharia revista própria. Barks continou desenvolvendo a mitologia dos patos com a criação de outros personagens, como o inventor Professor Pardal e o sortudo Gastão.
Tio Patinha logo se tornou um personagem extremamente popular, graças quase que exclusivamente às histórias de Barks.
Segundo a enciclopédia Históira de los Comics, o que fazia de Barks um gênio não era sua criatividade ou seus desenhos, embora ambos fossem ótimos. O que o transformou em gênio foi a autenticidade dos mundos que criou. Essa autenticidade surgia tanto da experiência de vida quanto das pesquisas minuciosas que fazia para suas histórias.
Um exemplo de mundo criado é a vila quadrada, um local perdido nos Andes em que tudo era quadrado (até os ovos!) e as formas arredondadas eram proibidas.
As histórias de Barks embalaram a infância de milhões de crianças em todo o mundo. Quando ele parou de produzir, foi como se fosse criado um vácuo nos quadrinhos Disney. Hoje esses quadrinhos estão sendo cancelados em todo o mundo. No Brasil, a única revista que ainda vende bem é a luxuosa Clássicos Disney, que republica as histórias de Barks, e tem como públicos os adultos saudosistas de boas HQs.
Atualmente, o quadrinista Disney mais famoso é Don Rosa, um fã tão inveterado de Carl Barks que faz de todas suas HQs homenagens ao homem dos patos.

Super-humanos de verdade em documentário do Discovery Channel


Por Marcus Ramone (21/01/08)Superpoder não é privilégio apenas de personagens dos quadrinhos. Na vida real, também há pessoas com habilidades sobre-humanas espantosas que desafiam a ciência.Isso é o que o Discovery Channel irá mostrar no documentário Os Super-humanos, no qual serão apresentadas histórias verídicas de pessoas que têm algum tipo de "superpoder" que as difere dos seres humanos comuns e são estudadas por cientistas em busca de explicações para esses dons. Leia mais