Por Sidney Gusman (06/08/08)No dia 1º de agosto, numa cerimônia solene realizada na Bunkyo - Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, Sonia M. Bibe Luyten recebeu um importante reconhecimento ao seu trabalho de tantos anos divulgando a cultura pop nipônica: por intermédio do seu Ministério de Negócios Estrangeiros, o governo do Japão destinou à professora e pesquisadora uma importante honraria. Leia mais
Comentário: A Sônia é autora do primeiro livro sobre quadrinhos que li, O que é história em quadrinhos, da coleção primeiros passos. Tive a honra de conhecê-la em Manaus, durante um congresso Intercom. Acabei descobrindo que, além de uma ótima pesquisadora, é também uma simpatia de pessoa. Na época ela elogiou muito a graphic Manticore (com roteiro meu) e me confessou que votou nela para o prêmio HQ Mix, que acabamos ganhando.
quarta-feira, agosto 06, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
Jornalistas japoneses que cobriam atentado na China são espancados
Dois jornalistas japoneses que se deslocaram na noite de domingo a Xinjiang, oeste da China, para cobrir o ataque no qual morreram 16 policiais, foram detidos e agredidos por forças paramilitares, a menos de uma semana da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Leia mais
Comentário: É, essa é a olimpíada da China. Apesar da promessa do governo chinês, 270 jornalistas já foram detidos ou tiveram interferência em suas matérias...
Comentário: É, essa é a olimpíada da China. Apesar da promessa do governo chinês, 270 jornalistas já foram detidos ou tiveram interferência em suas matérias...
História dos quadrinhos 42
O underground
A década de 60 abalou o mundo. Foi a época dos Beatles, dos hippies, da chegada do homem à lua e do movimento underground. Subterrâneo, aquilo que está fora do sistema, esse movimento representou uma ruptura total com o que se fazia na mídia.
Os artistas passaram a participar de todo o processo, desde a criação da obra até a sua distribuição. Nas histórias em quadrinhos isso foi uma verdadeira revolução. As revistas das grandes editoras estavam sob a censura do código de ética, que restringia completamente a liberdade do artista, mas nessas novas revistas, que não passavam pelo crivo das editoras, imperava a total liberdade. Falava-se sexo, drogas, rock e política. Isso chamou a atenção especialmente do público jovem, cansado dos quadrinhos pasteurizado das grandes editoras.
O grande astro desse novo tipo de HQ foi um rapaz baixinho, narigudo e extremamente tímido. Chamava-se Robert Crumb e escrevia, desenhava, publicava e vendia suas histórias. Influenciado pelos quadrinhos Disney, Crumb tinha um traço que oscilava entre o infantil e o burlesco, que serviu muito bem ao tipo de sátira social que ele pretendia fazer. Seu primeiro personagem foi Mr. Natural, uma sátira aos gurus que fizeram a cabeça da geração hippie.
Muitos já tentaram, mas não conseguiram definir o personagem. Ele seria um charlatão que se aproveita da credulidade alheia ou um verdadeiro sábio, que atingiu uma compreensão profunda do mundo?
A biografia inventada por Crumb para ele não esclarece muito. Ele teria se envolvido com o tráfico de bebidas durante a leia seca, passando um tempo na cadeia e reaparecendo com o mágico Mr. Natural, o Magnífico. Depois tornou-se músico e montou a big band Mr. Natural e seus libertinos líricos. Ficou rico com a vida artística, mas abandonou tudo para andar pela América como vagabundo. Foi encontrado depois na Califórnia, cercado de discípulos. Já na década de 1970, foi internado por ex-discípulos num manicômio, o que mostrava a decepção da geração anos hippie com seus gurus.
Outro personagem de sucesso de Crumb foi Fritz, the cat, um gato sem vergonha, que adora transar, tomar drogas e curtir a vida. Em suas aventuras ele se envolvia com todo tipo de gente, incluindo terroristas. O sucesso do personagem foi tão grande que Crumb resolveu matá-lo, para evitar que ele se tornasse mais um produto, apropriado pela Indústria cultural. Como se vê, Crumb em si já era um personagem interessante. Quando a revista Village Voice o convidou para
fazer tiras pagas, ele topou, mas depois fez uma história em que satirizava os editores e ainda pedia demissão ¨ao vivo¨, na história. Ele também se recusava a dar autógrafos e costumava fica nervoso quando encontrava com um fã.
Por fim, Crumb percebeu que ele mesmo era o melhor personagem que já criara e passou a fazer histórias auto-biográficas. Numa série dessas histórias, intitulada ¨Minha Mulheres¨ ele conta que era desprezado pelas garotas e só beijou uma aos 19 anos. Quando se tornou famoso com os quadrinhos, dezenas de mulheres disputavam sua atenção e ele se vingava humilhando-as.
Crumb abriu caminho para todo uma nova visão dos quadrinhos, mostrando que não havia limites de temas a serem trabalhados, inclusive os auto-biográficos. Muitos quadrinistas foram fortemente influenciados por ele. No Brasil, o quadrinista Angeli é o mais famoso seguidor do mestre underground.
O underground
A década de 60 abalou o mundo. Foi a época dos Beatles, dos hippies, da chegada do homem à lua e do movimento underground. Subterrâneo, aquilo que está fora do sistema, esse movimento representou uma ruptura total com o que se fazia na mídia.Os artistas passaram a participar de todo o processo, desde a criação da obra até a sua distribuição. Nas histórias em quadrinhos isso foi uma verdadeira revolução. As revistas das grandes editoras estavam sob a censura do código de ética, que restringia completamente a liberdade do artista, mas nessas novas revistas, que não passavam pelo crivo das editoras, imperava a total liberdade. Falava-se sexo, drogas, rock e política. Isso chamou a atenção especialmente do público jovem, cansado dos quadrinhos pasteurizado das grandes editoras.
O grande astro desse novo tipo de HQ foi um rapaz baixinho, narigudo e extremamente tímido. Chamava-se Robert Crumb e escrevia, desenhava, publicava e vendia suas histórias. Influenciado pelos quadrinhos Disney, Crumb tinha um traço que oscilava entre o infantil e o burlesco, que serviu muito bem ao tipo de sátira social que ele pretendia fazer. Seu primeiro personagem foi Mr. Natural, uma sátira aos gurus que fizeram a cabeça da geração hippie.
Muitos já tentaram, mas não conseguiram definir o personagem. Ele seria um charlatão que se aproveita da credulidade alheia ou um verdadeiro sábio, que atingiu uma compreensão profunda do mundo?
A biografia inventada por Crumb para ele não esclarece muito. Ele teria se envolvido com o tráfico de bebidas durante a leia seca, passando um tempo na cadeia e reaparecendo com o mágico Mr. Natural, o Magnífico. Depois tornou-se músico e montou a big band Mr. Natural e seus libertinos líricos. Ficou rico com a vida artística, mas abandonou tudo para andar pela América como vagabundo. Foi encontrado depois na Califórnia, cercado de discípulos. Já na década de 1970, foi internado por ex-discípulos num manicômio, o que mostrava a decepção da geração anos hippie com seus gurus.
Outro personagem de sucesso de Crumb foi Fritz, the cat, um gato sem vergonha, que adora transar, tomar drogas e curtir a vida. Em suas aventuras ele se envolvia com todo tipo de gente, incluindo terroristas. O sucesso do personagem foi tão grande que Crumb resolveu matá-lo, para evitar que ele se tornasse mais um produto, apropriado pela Indústria cultural. Como se vê, Crumb em si já era um personagem interessante. Quando a revista Village Voice o convidou para
fazer tiras pagas, ele topou, mas depois fez uma história em que satirizava os editores e ainda pedia demissão ¨ao vivo¨, na história. Ele também se recusava a dar autógrafos e costumava fica nervoso quando encontrava com um fã.Por fim, Crumb percebeu que ele mesmo era o melhor personagem que já criara e passou a fazer histórias auto-biográficas. Numa série dessas histórias, intitulada ¨Minha Mulheres¨ ele conta que era desprezado pelas garotas e só beijou uma aos 19 anos. Quando se tornou famoso com os quadrinhos, dezenas de mulheres disputavam sua atenção e ele se vingava humilhando-as.
Crumb abriu caminho para todo uma nova visão dos quadrinhos, mostrando que não havia limites de temas a serem trabalhados, inclusive os auto-biográficos. Muitos quadrinistas foram fortemente influenciados por ele. No Brasil, o quadrinista Angeli é o mais famoso seguidor do mestre underground.
domingo, agosto 03, 2008
Buzz marketing e a conservação de Macapá

Estou lendo o livro Buzz Marketing, de Georges Chetochine. Muito bom. É um livro interessante não só para quem é da área de marketing, pois explica como as idéias se espalham (nesse sentido é possível fazer um interessante paralelo com a teoria dos paradigmas, de Thomas Kuhn). Uma das partes mais interessantes do livro é sobre a teoria das janelas, dos antropológos George Kelling e James Wilson. Ela parte do princípio de que se uma janela estiver quebrada, jovens desocupados farão de tudo para quebrar a janela do lado. Os dois convenceram o prefeito de Nova York a usar essa idéia para combater a violência. A prefeitura investiu pesado na limpeza da cidade e em consertar as marcas do vandalismo. Como resultado, houve uma dimunição de 75% no número de delitos. ¨Ao desenvolverem a percepção de uma cidade mais limpa, os nova-iorquinos - inclusive os mais marginalizados - passaram a ter um comportamento menos agressivo, menos anti-social¨, diz o autor. Quem dera que essa idéia fosse aplicada a Macapá! Em Macapá parece que é aplicada a regra oposta: se quebram um bem público, ele fica quebrado, se aparece um buraco na pista, ele vai ficar lá, crescendo até virar uma cratera...
O filósofo da contracultura

Hebert Marcuse é um dos mais importantes filósofos da chamada Escola de Frankfurt. E também um dos que mais se distanciaram do pensamento apocalíptico que caracterizou essa escola. Enquanto Adorno chamava a polícia para reprimir os jovens revoltosos de 1968, na Alemanha, Marcuse era o líder intelectual da garotada que pretendia fazer uma revolução baseada em princípios de liberdade e beleza. A influência de Marcuse na década de 60 era tão grande que se dizia que a juventude seguia três Ms: Marx, Mao, Marcuse.
A crítica à racionalidade técnica irá direcionar toda a sua obra. Para ele, a instrumentalidade das coisas tornava-se a instrumentalidade dos indivíduos. Em outras palavras, o ser humano era visto como uma coisa, como um instrumento, e não como um indivíduo. Ao invés do homem dominar a máquina e tecnologia, como previa a utopia iluminista, era o homem que estava sendo dominado pela máquina e pela tecnologia. As pessoas são transformadas em coisas, reproduzidas em seqüência, massificadas, como produtos saindo de uma linha de montagem.
Marcuse denunciou a criação do chamado homem unidimensional: um indivíduo que consegue ver apenas a aparência das coisas, nunca indo até a sua essência. O homem unidimensional é conformista, consumista e acrítico. Ele se acha feliz porque a mídia lhe diz que ele é feliz e, quando se sente triste, vai ao shopping, fazer compras.
Para Marcuse, as mudanças só ocorreriam se houvesse a liberação de uma nova dimensão humana. Um princípio básico deveria permear essa nova revolução: a liberdade.
A nova sociedade, que surgiria das ruínas da sociedade consumista, deveria ter uma dimensão estético-erótica e, no lugar do consumismo, do conformismo, da competição, surgiriam os valores da felicidade, da paz e da beleza.
À pergunta de Adorno “É possível fazer poesia depois de Auschwitz?”, Marcuse vai responder positivamente. A arte ainda é possível, desde que seja uma arte revolucionária, que denuncie a sociedade unidimensional e leve aos receptores os novos valores. Curiosamente, Marcuse vai encontrar justamente em um produto da Indústria Cultural, tanto criticada
pela Escola de Frankfurt, um exemplo dessa arte revolucionária: as músicas de Bob Dylan.
Segundo o filósofo, “A arte só pode cumprir sua função revolucionária se ela não fizer parte de nenhum sistema, inclusive o sistema revolucionário”. O artista deve não consolar, mas instigar o seu público e fazê-lo rever seus valores. A trajetória de Bob Dylan demonstra bem isso. Quando achou que seu público estava acostumado com suas músicas políticas, ele lançou um disco não político.
No campo dos quadrinhos, o melhor exemplo talvez seja o roteirista britânico Alan Moore. Suas histórias sempre apresentaram uma dimensão crítica, seja do sistema (em V de Vingança), seja da potencialidade destrutiva da ciência, representada pela bomba atômica (em Watchmen e Miracleman). Quando seus fãs se acostumaram com seu trabalho mais intelectualizado, ele passou a fazer histórias de super-heróis para a editora Image.
Assim, para Marcuse, a nova arte não seria uma peça de museu, mas algo vivo, a expressão de um novo tipo de homem. Em alguns momentos, a recusa da obra de arte poderia ser uma forma de fazer arte.
Esse pensamento influenciou o movimento da contracultura, com seus fanzines, revistas alternativas e rádios livres. Outra conseqüência foi a anti-arte, um movimento que, em sua versão mais branda, procura demonstrar o equívoco da arte como ornamento, como peça de museu. Um exemplo disso foi o barquinho pirata colocado pelo estudante de jornalismo Cleiton Campos no meio de obras famosas durante a última Bienal. O quadro de Cleiton não tinha qualquer valor estético, mas valor de atitude. Colocar em dúvida o aspecto sacramental da arte pode, também, ser um tipo de arte.
A crítica à racionalidade técnica irá direcionar toda a sua obra. Para ele, a instrumentalidade das coisas tornava-se a instrumentalidade dos indivíduos. Em outras palavras, o ser humano era visto como uma coisa, como um instrumento, e não como um indivíduo. Ao invés do homem dominar a máquina e tecnologia, como previa a utopia iluminista, era o homem que estava sendo dominado pela máquina e pela tecnologia. As pessoas são transformadas em coisas, reproduzidas em seqüência, massificadas, como produtos saindo de uma linha de montagem.
Marcuse denunciou a criação do chamado homem unidimensional: um indivíduo que consegue ver apenas a aparência das coisas, nunca indo até a sua essência. O homem unidimensional é conformista, consumista e acrítico. Ele se acha feliz porque a mídia lhe diz que ele é feliz e, quando se sente triste, vai ao shopping, fazer compras.
Para Marcuse, as mudanças só ocorreriam se houvesse a liberação de uma nova dimensão humana. Um princípio básico deveria permear essa nova revolução: a liberdade.
A nova sociedade, que surgiria das ruínas da sociedade consumista, deveria ter uma dimensão estético-erótica e, no lugar do consumismo, do conformismo, da competição, surgiriam os valores da felicidade, da paz e da beleza.
À pergunta de Adorno “É possível fazer poesia depois de Auschwitz?”, Marcuse vai responder positivamente. A arte ainda é possível, desde que seja uma arte revolucionária, que denuncie a sociedade unidimensional e leve aos receptores os novos valores. Curiosamente, Marcuse vai encontrar justamente em um produto da Indústria Cultural, tanto criticada
pela Escola de Frankfurt, um exemplo dessa arte revolucionária: as músicas de Bob Dylan.Segundo o filósofo, “A arte só pode cumprir sua função revolucionária se ela não fizer parte de nenhum sistema, inclusive o sistema revolucionário”. O artista deve não consolar, mas instigar o seu público e fazê-lo rever seus valores. A trajetória de Bob Dylan demonstra bem isso. Quando achou que seu público estava acostumado com suas músicas políticas, ele lançou um disco não político.
No campo dos quadrinhos, o melhor exemplo talvez seja o roteirista britânico Alan Moore. Suas histórias sempre apresentaram uma dimensão crítica, seja do sistema (em V de Vingança), seja da potencialidade destrutiva da ciência, representada pela bomba atômica (em Watchmen e Miracleman). Quando seus fãs se acostumaram com seu trabalho mais intelectualizado, ele passou a fazer histórias de super-heróis para a editora Image.
Assim, para Marcuse, a nova arte não seria uma peça de museu, mas algo vivo, a expressão de um novo tipo de homem. Em alguns momentos, a recusa da obra de arte poderia ser uma forma de fazer arte.
Esse pensamento influenciou o movimento da contracultura, com seus fanzines, revistas alternativas e rádios livres. Outra conseqüência foi a anti-arte, um movimento que, em sua versão mais branda, procura demonstrar o equívoco da arte como ornamento, como peça de museu. Um exemplo disso foi o barquinho pirata colocado pelo estudante de jornalismo Cleiton Campos no meio de obras famosas durante a última Bienal. O quadro de Cleiton não tinha qualquer valor estético, mas valor de atitude. Colocar em dúvida o aspecto sacramental da arte pode, também, ser um tipo de arte.
Tenho uma coluna no jorna A Gazeta e todo domingo é a mesma dificuldade para comprar o jornal. Hoje fui em duas bancas e as duas estavam fechadas. Em Belém, a gente encontra jornal em qualquer esquina, talvez por isso haja, lá, uma cultura de ler jornal. Achei interessante isso. Em Belém, até quem não é acostumado a ler outras coisas, lê jornal. Talvez tenha chegado a hora dos jornais daqui repensarem o sistema de distribuição...
sábado, agosto 02, 2008

A revista Empire lançou duas capas com os personagens de Watchmen. Visualmente está muito bom. Na matéria, Watchmen é chamado de o Cidadão kane dos super-heróis. Veja a outra capa e mais imagens no site 100 grana.
sexta-feira, agosto 01, 2008
A gente fala tanto dos perigos da auto-medicação, mas acaba fazendo errado. Ontem passei o dia no hospital por causa de uma reação alérgica ao Nisulid. E olha que eu já tinha tomado Nisulid em diversas ocasiões, até porque é um remédio muito indicado pelos médicos para garganta inflamada. Mas, como me explicou o médico, a alergia pode surgir a qualquer momento. Fica a dica.

Recentemente comprei, pelo Submarino, a primeira temporada da série Entreprise, a última série da franquia Jornada nas Estrelas (mas que aborda um tempo antes da série clássica). Recentemente eu já havia comprado a terceira temporada da Nova Geração. Uma conclusão é inevitável: nenhuma outra série é tão boa quantoa a série clássica. Outras versões, em especial a Nova Geração, têm seu charme, mas nenhuma tem roteiros tão bons, tão instigantes e filosóficos. A ficção-científica é o gênero ideal para especulação filosófica justamente por não ter freios, por poder abordar qualquer coisa, como em Deste lado do paraíso, da primeira temporada da série clássica, em que são investigadas as motivações que movem a humanidade e se conclui que são as próprias dificuldades que encontramos ao longo da vida que nos motivam a ir em frente.
Entreprise, embora não tenha nenhum roteiro tão bom quanto aos da série clássica, tem seus bons momentos. A série começa com uma abordagem de espionagem que não parece Jornada, mas depois vai tomando rumo. Os episódio Explorar novos mundos e Inesperado já são bem mais interessantes.
Em Explorar Novos Mundos, alguns tripulantes da Entrerprise se abrigam numa caverna durante uma tempestade num planeta desconhecido... e começam a ter alucinações. Uma interessante abordagem sobre a questão da realidade e dos pré-conceitos.Em Inesperado, um dos tripulantes da Entreprise vai a uma nave alienígena ajudar a consertar o motor sem saber que o simples contato físico com seres daquela espécie pode deixar um homem grávido. É claro que ele acaba engravidando, o que provoca algumas situações inusitadas.
Outros episódios interessantes:
Planeta errante - um planeta solto no espaço é usado como local de caça por uma raça alienígena. Mas o capitão da Enterprise começa a receber a visita de uma mulher misteriosa, pedindo ajuda. Na verdade, a mulher é um dos seres que estão sendo caçados. Mais uma vez a questão da realidade é colocada (embora, mais uma vez, sem a competência da série clássica).
Nave auxiliar um - dois tripulantes ficam à deriva, esperando o resgate da Entrerprise, mas um mini-buraco negro acaba com um dos cilindros de oxigênio, e talvez o resgate não chegue a tempo. O interessante desse episódio é que ele se passa inteiro dentro da nave auxiliar, que é um cubículo e apenas com dois atores.
Concepção cognitivista da educação

Um dos paradigmas que tiveram grande influência sobre a área da educação é a cognitivista, especialmente de autores como Jean Piaget e Vygotski.
Piaget começou sua carreira trabalhando com dois psicólogos franceses, Binet e Simon, criadores do famoso teste de QI, que mede a inteligência. Analisando as respostas erradas das crianças, ele percebeu que essas respostas eram consideradas erradas por serem analisadas do ponto de vista do adulto. Na verdade, as respostas seguiam uma lógica própria característica de cada idade.
Ponto fundamental da teoria de Piaget é a noção de equilíbrio (chamada de homeostase pela cibernética) segundo a qual todos os organismos, sejam eles uma ameba, uma borboleta ou uma criança procura manter um estado de equilíbrio com seu ambiente.
A construção do conhecimento ocorre quando ações físicas e mentais sobre o objeto provocam desiquilíbrio, que resulta em assimilação ou acomodação. Na assimilação, a realidade do mundo é assimilada às estruturas cognitivas existentes, na acomodação, a estrutura cognitiva é modificada em decorrência das experiências.
Para Piaget, a pessoa passa por fases de desenvolvimento que refletem as fases pelas quais passou a própria humanidade. As fases não são diretamente ligadas a uma idade. É possível que uma criança passe para uma nova fase antes das outras. Mas a seqüência não pode ser pulada.
Na fase sensório-motora, a criança baseia-se exclusivamente nas percepções sensoriais e nos esquemas motores para resolver problemas que são essencialmente práticos: bater em uma bola, pegar um botão, etc.
Presa ao aqui e agora, a criança ainda não tem capacidade de representar eventos, evocar o passado ou se referir ao futuro. Se ela está brincando com uma bola e a bola cai debaixo da coberta, ela deixa de existir. Se a mãe sai de perto do bebê, ele ainda não tem a percepção de que ela irá voltar. Com o tempo a criança começa a perceber que as coisas perduram no tempo e no espaço independente de estarem visíveis ou não e esse tipo de descoberta traz grande prazer à criança. É a fase em que os pais colocam um pano na frente do rosto e depois o descobrem. Ou cobrem um objeto e depois tiram o pano. Essa brincadeira reflete uma mudança na estrutura cognitiva da criança.
Na fase pré-operatória a criança começa a trabalhar com símbolos e representações. Ela compreende que a palavra “papai” se refere a uma pessoa específica e que essa palavra substituí a pessoa real. Nesse período é comum a criança brincar de representação, em que um boneco é tido como um bebê, que come, brinca e faz arte.
É uma fase egocêntrica, em que a criança só consegue analisar os fenômenos tomando a si mesma como referência. O seguinte diálogo é característico dessa idade: “Quantos irmãos você tem?”. “Eu só tenho um irmão”. “E o seu irmão, quantos irmãos ele tem?”. “Nenhum”. O exemplo demonstra que a criança só pode conceber sua família tomando a si mesma como referência.
Embora já seja capaz de trabalhar com signos, a percepção da criança ainda é extremamente dependente da percepção imediata, sofrendo, em decorrência disso, uma série de distorções. A criança não é capaz, por exemplo, de perceber que a massa de uma determinada substância permanece a mesma, independente do formato. Assim, ao fazer uma salsicha com uma massinha, a criança achará que ela tem mais massa que uma bola da mesma substância, pois não é capaz de trabalhar com a reversibilidade, a capacidade de voltar mentalmente a substância ao seu estado anterior. Um outro exemplo seria o caso da água colocada em um copo pequeno, mas largo, passada para um copo estreito, mas alto. A criança nesse estágio acha que houve um aumento da massa.
Na etapa operatório concreta a criança já é capaz de lidar com a reversibilidade e com a lógica, mas ainda depende da percepção do mundo.
Na etapa do operatório formal, que geralmente inicia na adolescência, a pessoa já é capaz de trabalhar com o pensamento puramente abstrato e a utilizar a lógica dedutiva. Na lógica dedutiva, parte-se do todo para a parte. Por exemplo: todas as pessoas que usam uniforme da polícia são policiais. Este homem usa uniforme da polícia, logo este homem é policial. A lógica desse caso funciona por si só.
Na teoria de Piaget, a função da educação é ajudar nesse processo cognitivo. Ao professor cabe oferecer problemas aos alunos, sem ensinar-lhe soluções. Seu papel, essencialmente, é de um orientador. As fases do desenvolvimento do aluno devem ser respeitadas. Não se pode querer, por exemplo, que uma criança de cinco anos seja capaz de trabalhar com o pensamento hipotético-dedutivo.
Vygostski discordou de Piaget ao afirmar que a influência do meio era maior que fatores individuais. Para ele, a criança já nasce num meio social e, desde o nascimento, vai formando sua visão de mundo influenciada pela interação com adultos e crianças mais velhas. Segundo o autor russo, é impossível estabelecer etapas cognitivas que sejam válidas para todas as sociedades. Assim, variando o ambiente social, o desenvolvimento da criança também sofrerá variação.
Cada sociedade fornece aos seus integrantes instrumentos físicos (enxadas, faca, mesa, computadores) e culturais (rituais, valores, costumes, conhecimentos) desenvolvidos pelas gerações anteriores que vão orientar o desenvolvimento cognitivo.
A linguagem e a interação com os mais velhos é essencial nessa abordagem. Pensamento e linguagem são diretamente relacionados. Ao descobrir que todos os objetos têm nomes, a criança verá um objeto desconhecido como algo a ser nomeado e para resolver o problema recorre aos mais velhos. Assim, o processo de desenvolvimento do individuo possui dois níveis. Um, real, corresponde ao que ele pode fazer sozinho, com os conhecimentos já formados. O outro, potencial, refere-se à possibilidade de aprender com indivíduos mais experientes.
Para Vigotski, o aprendizado é o processo de desenvolvimento interno que só ocorre através da interação do indivíduo com o ambiente social no qual vive.
Piaget começou sua carreira trabalhando com dois psicólogos franceses, Binet e Simon, criadores do famoso teste de QI, que mede a inteligência. Analisando as respostas erradas das crianças, ele percebeu que essas respostas eram consideradas erradas por serem analisadas do ponto de vista do adulto. Na verdade, as respostas seguiam uma lógica própria característica de cada idade.
Ponto fundamental da teoria de Piaget é a noção de equilíbrio (chamada de homeostase pela cibernética) segundo a qual todos os organismos, sejam eles uma ameba, uma borboleta ou uma criança procura manter um estado de equilíbrio com seu ambiente.
A construção do conhecimento ocorre quando ações físicas e mentais sobre o objeto provocam desiquilíbrio, que resulta em assimilação ou acomodação. Na assimilação, a realidade do mundo é assimilada às estruturas cognitivas existentes, na acomodação, a estrutura cognitiva é modificada em decorrência das experiências.
Para Piaget, a pessoa passa por fases de desenvolvimento que refletem as fases pelas quais passou a própria humanidade. As fases não são diretamente ligadas a uma idade. É possível que uma criança passe para uma nova fase antes das outras. Mas a seqüência não pode ser pulada.
Na fase sensório-motora, a criança baseia-se exclusivamente nas percepções sensoriais e nos esquemas motores para resolver problemas que são essencialmente práticos: bater em uma bola, pegar um botão, etc.
Presa ao aqui e agora, a criança ainda não tem capacidade de representar eventos, evocar o passado ou se referir ao futuro. Se ela está brincando com uma bola e a bola cai debaixo da coberta, ela deixa de existir. Se a mãe sai de perto do bebê, ele ainda não tem a percepção de que ela irá voltar. Com o tempo a criança começa a perceber que as coisas perduram no tempo e no espaço independente de estarem visíveis ou não e esse tipo de descoberta traz grande prazer à criança. É a fase em que os pais colocam um pano na frente do rosto e depois o descobrem. Ou cobrem um objeto e depois tiram o pano. Essa brincadeira reflete uma mudança na estrutura cognitiva da criança.
Na fase pré-operatória a criança começa a trabalhar com símbolos e representações. Ela compreende que a palavra “papai” se refere a uma pessoa específica e que essa palavra substituí a pessoa real. Nesse período é comum a criança brincar de representação, em que um boneco é tido como um bebê, que come, brinca e faz arte.
É uma fase egocêntrica, em que a criança só consegue analisar os fenômenos tomando a si mesma como referência. O seguinte diálogo é característico dessa idade: “Quantos irmãos você tem?”. “Eu só tenho um irmão”. “E o seu irmão, quantos irmãos ele tem?”. “Nenhum”. O exemplo demonstra que a criança só pode conceber sua família tomando a si mesma como referência.
Embora já seja capaz de trabalhar com signos, a percepção da criança ainda é extremamente dependente da percepção imediata, sofrendo, em decorrência disso, uma série de distorções. A criança não é capaz, por exemplo, de perceber que a massa de uma determinada substância permanece a mesma, independente do formato. Assim, ao fazer uma salsicha com uma massinha, a criança achará que ela tem mais massa que uma bola da mesma substância, pois não é capaz de trabalhar com a reversibilidade, a capacidade de voltar mentalmente a substância ao seu estado anterior. Um outro exemplo seria o caso da água colocada em um copo pequeno, mas largo, passada para um copo estreito, mas alto. A criança nesse estágio acha que houve um aumento da massa.
Na etapa operatório concreta a criança já é capaz de lidar com a reversibilidade e com a lógica, mas ainda depende da percepção do mundo.
Na etapa do operatório formal, que geralmente inicia na adolescência, a pessoa já é capaz de trabalhar com o pensamento puramente abstrato e a utilizar a lógica dedutiva. Na lógica dedutiva, parte-se do todo para a parte. Por exemplo: todas as pessoas que usam uniforme da polícia são policiais. Este homem usa uniforme da polícia, logo este homem é policial. A lógica desse caso funciona por si só.
Na teoria de Piaget, a função da educação é ajudar nesse processo cognitivo. Ao professor cabe oferecer problemas aos alunos, sem ensinar-lhe soluções. Seu papel, essencialmente, é de um orientador. As fases do desenvolvimento do aluno devem ser respeitadas. Não se pode querer, por exemplo, que uma criança de cinco anos seja capaz de trabalhar com o pensamento hipotético-dedutivo.
Vygostski discordou de Piaget ao afirmar que a influência do meio era maior que fatores individuais. Para ele, a criança já nasce num meio social e, desde o nascimento, vai formando sua visão de mundo influenciada pela interação com adultos e crianças mais velhas. Segundo o autor russo, é impossível estabelecer etapas cognitivas que sejam válidas para todas as sociedades. Assim, variando o ambiente social, o desenvolvimento da criança também sofrerá variação.
Cada sociedade fornece aos seus integrantes instrumentos físicos (enxadas, faca, mesa, computadores) e culturais (rituais, valores, costumes, conhecimentos) desenvolvidos pelas gerações anteriores que vão orientar o desenvolvimento cognitivo.
A linguagem e a interação com os mais velhos é essencial nessa abordagem. Pensamento e linguagem são diretamente relacionados. Ao descobrir que todos os objetos têm nomes, a criança verá um objeto desconhecido como algo a ser nomeado e para resolver o problema recorre aos mais velhos. Assim, o processo de desenvolvimento do individuo possui dois níveis. Um, real, corresponde ao que ele pode fazer sozinho, com os conhecimentos já formados. O outro, potencial, refere-se à possibilidade de aprender com indivíduos mais experientes.
Para Vigotski, o aprendizado é o processo de desenvolvimento interno que só ocorre através da interação do indivíduo com o ambiente social no qual vive.

O site 100 grana revelou os cartazes do filme Watchmen. O filme talvez não seja bom, mas a divulgação está excelente. Acima o poster do meu personagem predileto na série: Ozymandias. Na citação, ele diz: “Eu não me preocupo em ser o homem mais inteligente do mundo. Eu só gostaria que não fosse este mundo”. Clique aqui para ver os outros posteres.
quarta-feira, julho 30, 2008
Guerrilha no metrô
Mais uma interessante ação de guerrilha. Para divulgar a inauguração do supermercado Home Plus, a agência Cheil Wordldwilde criou uma intervenção urbana no metrô (aproveitando o fato de que o supermercado tinha ligação com o metrô). Foram colocados adesivos nas colunas, simulando prateleiras e gôndolas. O resultado foi uma venda 550% maior do que o esperado.

X-Men trocam Nova York por San Francisco, a 'capital gay' dos EUA

Diego Assis Do G1, em San Diego
Em uma nova fase iniciada no número 500 da revista "Uncanny X-Men", os mutantes da Marvel decidiram deixar a Mansão Xavier, em Salem Center (NY) para trás e se instalar em San Francisco. Popularmente conhecida como a capital gay norte-americana, a cidade é "a única capaz de aceitar os mutantes da maneira como eles são", nas palavras de Axel Alonso, editor da Marvel, que participou de um painel intitulado Gays nos Quadrinhos durante a San Diego Comic-Con neste sábado (26). "Levá-los para San Francisco nos dará entre outras coisas uma liberdade muito maior para lidar com as questões de sexualidade que sempre estiveram presentes em alguns dos X-Men", defendeu Alonso. De fato, entre os mutantes da Marvel há inúmeros personagens gays, incluindo a encarnação recente de Colossus, que chega a namorar o colega Northstar na série Ultimate, a "nova mutante" Karma e até a vilã Mística, considerada bissexual. Leia mais
terça-feira, julho 29, 2008
1858: Impressão digital é usada para identificação
No dia 28 de julho de 1858, as impressões digitais foram usadas pela primeira vez para uma identificação. Melhor dizendo: a impressão de toda a mão. O inglês William Herschel, funcionário da administração britânica, a utilizou numa colônia. A polícia passou a incorporar este método em suas investigações 31 anos depois.
Era irritante! Toda semana Sir William Herschel, que trabalhava na administração civil inglesa em Calcutá, fazia o pagamento dos funcionários indianos. E toda vez era a mesma coisa: havia mais gente para receber do que o número real de empregados. Que situação! William não conseguia diferenciar as pessoas nem pelo nome e muito menos pela aparência. Elas pareciam todas iguais.
Até que, enfim, teve uma brilhante idéia: arquivou a impressão digital de cada um dos empregados. A partir daí, quando eles recebiam o salário, tinham que, além de assinar um papel, deixar a marca dos dedos indicador e médio que seriam comparados à impressão arquivada. A identificação era perfeita e ele nunca mais teve problemas. Sua intenção maior era fazer uma pressão moral e não tanto um apurado trabalho de comparação das digitais. Leia mais
Era irritante! Toda semana Sir William Herschel, que trabalhava na administração civil inglesa em Calcutá, fazia o pagamento dos funcionários indianos. E toda vez era a mesma coisa: havia mais gente para receber do que o número real de empregados. Que situação! William não conseguia diferenciar as pessoas nem pelo nome e muito menos pela aparência. Elas pareciam todas iguais.
Até que, enfim, teve uma brilhante idéia: arquivou a impressão digital de cada um dos empregados. A partir daí, quando eles recebiam o salário, tinham que, além de assinar um papel, deixar a marca dos dedos indicador e médio que seriam comparados à impressão arquivada. A identificação era perfeita e ele nunca mais teve problemas. Sua intenção maior era fazer uma pressão moral e não tanto um apurado trabalho de comparação das digitais. Leia mais
segunda-feira, julho 28, 2008
História dos quadrinhos
Heróis politizados
No início da década de 1970 a juventude achava que podia mudar o mundo. Nos EUA, os jovens lutavam contra a guerra do Vietnã, contra o preconceito racional e a favor da natureza. Era uma geração politizada, que desprezava os velhotes que mandavam no país. Essa geração adorava os quadrinhos. A perseguição que os gibis haviam sofrido por parte dos setores mais conservadores da sociedade fizeram com que os jovens rebeldes simpatizassem com eles. Além disso, as histórias em quadrinhos da Marvel, com heróis realistas, ídolos com pés de barro, mostravam que os gibis não eram simplesmente uma questão da luta do bem contra o mal.
Foi nesse contexto que surgiu um dos trabalhos mais revolucionários do gênero super-heróis: a série do Lanterna e do Arqueiro Verde.
A idéia começou com um pedido do editor Julius Shwartz ao roteirista Dennis O´Neil para que ele reformulasse a revista do lanterna Verde. O gibi não estava vendendo bem, mas a DC Comics não queria cancelar o título. O´Neil era um desses jovens rebeldes do final dos anos 1960. Além escrever quadrinhos, ele trabalhava como jornalista e já havia publicado um livro sobre as eleições presidenciais. Ele admirava profundamente o novo jornalismo e se perguntava se seria possível fazer algo semelhante nos quadrinhos. Além disso, ele participava de passeatas contra a guerra, assinava abaixo assinados, era fã de Martin Luther King. O convite para reformular o Laterna pareceu-lhe uma oportunidade de colocar essa atuação política no gênero superheroiesco.
Seu princípio básico foi: o que aconteceria se um super-herói fosse colocado num contexto real, para lidar com problemas reais? O Laterna era um policial, um militar, assim como aqueles que batiam em estudantes ou matavam pessoas no Vietnã. Tudo porque nunca haviam questionado as ordens que recebiam. E se o Lanterna começasse a questionar suas ações?
Para ter um contraponto, O´Neil resgatou um personagem menor, que nunca tivera popularidade suficiente para estrelar uma revista: o Arqueiro Verde. Ninguém parecia estar muito preocupado com Arqueiro, do modo que o roteirista teve total liberdade para transformá-lo de Playboy em um anarquista vigoroso, de pavio curto. Era ele que colocaria o lanterna contra a parede, apresentando-o ao mundo real das pessoas que passavam fome, sofriam abusos e eram exploradas.
Para desenhar a história foi chamado Neal Adams. Adams e O´Neil já tinham trabalhado juntos no Batman e feito um ótimo trabalho, tornando-o mais adulto e sombrio. Mas seria nessa série do Lanterna e do Arqueiro que eles fariam sua obra-prima. Os dois artistas não tinham nada em comum. Ao viajarem juntos para uma excursão promocional, descobriam que não conseguiam concordar nem mesmo sobre que canal assistir na televisão. Mas quando produziam quadrinhos, eram perfeitos.
Logo na primeira história, ¨O mal sucumbirá ante à minha presença¨, O Lanterna Verde é confrontado com o fato de que até então ele estivera defendendo capitalistas exploradores contra trabalhadores. Essa primeira história deu o tom da série, que iria abordar alguns dos maiores problemas do mundo, da fome à destruição da natureza.
O gibi foi um sucesso de crítica, sendo mencionada em dezenas de jornais e revistas. Os autores eram convidados para falar em programas de TV e em universidades. Além disso, todo mês chegavam centenas de cartas elogiosas. Apesar disso, a revista foi cancelada no número 13. Os editores alegaram vendas baixas, mas, como essa série é republicada até hoje, sempre com sucesso, o mais provável é que a editora estivesse assustada com o tom crítico que o gibi estava tomando e temesse uma reação conservadora contra os seus quadrinhos.
De certa forma, o fim da revista foi positiva, pois sua continuação levaria O´Neil a vasculhar os jornais, em busca de novas causas: ¨No fim, iríamos degenerar a série até a autoparódia, um gibi de ´causa do mês´¨.
No início da década de 1970 a juventude achava que podia mudar o mundo. Nos EUA, os jovens lutavam contra a guerra do Vietnã, contra o preconceito racional e a favor da natureza. Era uma geração politizada, que desprezava os velhotes que mandavam no país. Essa geração adorava os quadrinhos. A perseguição que os gibis haviam sofrido por parte dos setores mais conservadores da sociedade fizeram com que os jovens rebeldes simpatizassem com eles. Além disso, as histórias em quadrinhos da Marvel, com heróis realistas, ídolos com pés de barro, mostravam que os gibis não eram simplesmente uma questão da luta do bem contra o mal.Foi nesse contexto que surgiu um dos trabalhos mais revolucionários do gênero super-heróis: a série do Lanterna e do Arqueiro Verde.
A idéia começou com um pedido do editor Julius Shwartz ao roteirista Dennis O´Neil para que ele reformulasse a revista do lanterna Verde. O gibi não estava vendendo bem, mas a DC Comics não queria cancelar o título. O´Neil era um desses jovens rebeldes do final dos anos 1960. Além escrever quadrinhos, ele trabalhava como jornalista e já havia publicado um livro sobre as eleições presidenciais. Ele admirava profundamente o novo jornalismo e se perguntava se seria possível fazer algo semelhante nos quadrinhos. Além disso, ele participava de passeatas contra a guerra, assinava abaixo assinados, era fã de Martin Luther King. O convite para reformular o Laterna pareceu-lhe uma oportunidade de colocar essa atuação política no gênero superheroiesco.
Seu princípio básico foi: o que aconteceria se um super-herói fosse colocado num contexto real, para lidar com problemas reais? O Laterna era um policial, um militar, assim como aqueles que batiam em estudantes ou matavam pessoas no Vietnã. Tudo porque nunca haviam questionado as ordens que recebiam. E se o Lanterna começasse a questionar suas ações?
Para ter um contraponto, O´Neil resgatou um personagem menor, que nunca tivera popularidade suficiente para estrelar uma revista: o Arqueiro Verde. Ninguém parecia estar muito preocupado com Arqueiro, do modo que o roteirista teve total liberdade para transformá-lo de Playboy em um anarquista vigoroso, de pavio curto. Era ele que colocaria o lanterna contra a parede, apresentando-o ao mundo real das pessoas que passavam fome, sofriam abusos e eram exploradas.
Para desenhar a história foi chamado Neal Adams. Adams e O´Neil já tinham trabalhado juntos no Batman e feito um ótimo trabalho, tornando-o mais adulto e sombrio. Mas seria nessa série do Lanterna e do Arqueiro que eles fariam sua obra-prima. Os dois artistas não tinham nada em comum. Ao viajarem juntos para uma excursão promocional, descobriam que não conseguiam concordar nem mesmo sobre que canal assistir na televisão. Mas quando produziam quadrinhos, eram perfeitos.
Logo na primeira história, ¨O mal sucumbirá ante à minha presença¨, O Lanterna Verde é confrontado com o fato de que até então ele estivera defendendo capitalistas exploradores contra trabalhadores. Essa primeira história deu o tom da série, que iria abordar alguns dos maiores problemas do mundo, da fome à destruição da natureza.
O gibi foi um sucesso de crítica, sendo mencionada em dezenas de jornais e revistas. Os autores eram convidados para falar em programas de TV e em universidades. Além disso, todo mês chegavam centenas de cartas elogiosas. Apesar disso, a revista foi cancelada no número 13. Os editores alegaram vendas baixas, mas, como essa série é republicada até hoje, sempre com sucesso, o mais provável é que a editora estivesse assustada com o tom crítico que o gibi estava tomando e temesse uma reação conservadora contra os seus quadrinhos.
De certa forma, o fim da revista foi positiva, pois sua continuação levaria O´Neil a vasculhar os jornais, em busca de novas causas: ¨No fim, iríamos degenerar a série até a autoparódia, um gibi de ´causa do mês´¨.
domingo, julho 27, 2008
Batman - cavaleiro das trevas

Fomos assistir Batman, o cavaleiro das trevas. Fui com grande expectativa, pois a imprensa especializada em peso está babando no filme.
No começo, achei que seria só mais um bom filme de super-herói, com boa direçãoe bom roteiro. Mas, a partir do momento em que o Coringa é preso, o expectador se surpreende ao perceber que está diante de algo muito maior. A conversa do vilão com o herói, na cadeia, lembra muito A Piada Mortal, de Alan Moore. Além disso, a trama, a partir desse momento, lembra muito Seven. Passa a ser um filme policial, sobre um psicopata tentando provar que todas as pessoas podem se tornar más depois de um dia ruim.
O filósofo italiano Umberto Eco criou uma categoria interessante, que se aplica ao caso: a obra aberta. A obra aberta se contrapõe ao discurso persuasivo, que quer apenas afirmar em sua cabeça aquilo no qual você já acredita. A obra aberta abre novas possibilidades de interpretação do mundo, subvertendo suas visões pré-concebidas. Batman, o cavaleiro das trevas é exatamente isso: um filme que subverte o que o receptor espera de um filme de super-heróis, incomodando-o e levando-o a um novo nível de percepção.
Genial.
Ps: algo muito interessante no filme é o fato do Coringa ser caracterizado como um psicopata. Aliás, muito bem caracterizado. Até assinatura e modus operandi ele tem.
O escritor Érico Veríssimo conta uma história sobre um maquinista de um trem, no Rio Grande do Sul, que parava o trem para conversar com o compadre. Essa tradição ainda existe na ilha de Cotijuba, no Pará, local que visitamos nestas férias. O principal meio de transporte é um bondinho, puxado por um trator. Pois o motorista do trator resolveu parar no meio do caminho e nos fez esperar 15 minutos enquanto tirava um dedo de prosa com um amigo...

Neste final de semana aconteceu a segunda edição do curso de Roteiro de produção de Curta-metragens, no SESC. Acima imagens do curta Espelho, espelho meu, um dos dois produzidos. A estréia dos curtas acontecerá na quinta-feira, às 18 horas, na sala Charles Chaplin, no SESC Araxá. Estão todos convidados.
Perfeccionista e visionário, Kubrick faria 80 anos

Rafael Spuldar
Perfeccionista, enigmático, controlador, visionário: os adjetivos são insuficientes para definir a importância do cineasta norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999), que completaria 80 anos neste sábado. Como nenhum outro diretor de sua época, Kubrick gozou de irrefreada liberdade criativa, destrinchou todos os aspectos da técnica cinematográfica - popularizando novas tecnologias e esgotando seu potencial artístico - e transitou pelos mais variados gêneros da sétima arte (horror, ficção científica, épico, filme de guerra, policial etc.). Respeitado (e imitado) pelos colegas, cultuado pelo público e louvado pelos críticos, Kubrick é visto por muitos como o mais influente cineasta da segunda metade do século XX. Leia mais
Perfeccionista, enigmático, controlador, visionário: os adjetivos são insuficientes para definir a importância do cineasta norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999), que completaria 80 anos neste sábado. Como nenhum outro diretor de sua época, Kubrick gozou de irrefreada liberdade criativa, destrinchou todos os aspectos da técnica cinematográfica - popularizando novas tecnologias e esgotando seu potencial artístico - e transitou pelos mais variados gêneros da sétima arte (horror, ficção científica, épico, filme de guerra, policial etc.). Respeitado (e imitado) pelos colegas, cultuado pelo público e louvado pelos críticos, Kubrick é visto por muitos como o mais influente cineasta da segunda metade do século XX. Leia mais
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