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| Os autistas costuma ser muito sensíveis a barulhos. |
terça-feira, agosto 25, 2026
A diferença invisível: autismo em quadrinhos
O falcão maltês
No final da década de 1930, John Huston já era um roteirista de prestígio em Hollywood e resolveu que iria dirigir um filme. O todo poderoso da Warner, Jack Warner, deu carta branca, mas impôs uma condição: teria que ser um filme barato.
Huston escolheu fazer uma adaptação do livro O falcão Maltês, do escritor noir Dashiell Hammet, o que era um mau sinal. A obra já tinha sido adaptada duas vezes para o cinema e nenhuma das duas tinha sido um grande sucesso nem de crítica nem de público.
Além disso, o ator George Raft, escolhido para interpretar o personagem Sam Spade, recusou. Ele alegou que o contrato lhe garantia fazer apenas filmes importantes e, portanto, ele não faria um filme B destinado a ser um fracasso.
O orçamento de 375 mil dólares era tão baixo que Humphrey Bogart, o ator escolhido para substituir George Ralf, teve que comprar os próprios ternos. Huston tinha só seis semanas para terminar as filmagens e o contrato tinha uma cláusula de demissão caso ele extrapolasse o orçamento.
| Bogart convence como o detetive cínico e durão. |
Mas há males que vêm para o bem. Bogart deu ao detetive Sam Spade um tom de cinismo único que gerou boa parte do sucesso do filme, alguém capaz de desmascarar uma mentira só com uma risada.
Na história, uma mulher, Brigid O'Shaughnessy, contrata um escritório de detetives para descobrir sua irmã, que estaria desaparecida depois de se envolver com um gangster. Mas, ao investigar o caso, o detetive Miles Archer acaba sendo morto. O mafioso é morto na mesma noite, de modo que a suspeita de seu assassinato recai sobre o sócio de Archer, Sam Spade, que, segundo a polícia, teria cometido um ato de vingança. Spade precisa descobrir o que está acontecendo para provar que é inocente e, ao mesmo tempo, levar para a cadeia o assassino de seu amigo.
Como era comum nas histórias de Dashiell Hammett, a história que começa de uma maneira acaba tomando rumos inesperados. Assim, Spade descobre que tudo gira em torno de uma estatueta, o falcão maltês, que é disputada por várias pessoas.
Lançado em 1941, O falcão maltês é considerado o primeiro do gênero noir e gerou uma infinidade de obras parecidas. A trama de uma pessoa acusada de um assassinato que deve descobrir o que está acontecendo para provar sua inocência foi imitada à exaustão em novelas, filmes e seriados.
| Mary Astor faz o papel de uma mulher mentirosa e manipuladora. |
Surpreendentemente, é um filme barato. Os cenários são pouquíssimos, com destaque para a casa e o escritório de Sam Spade. Não há uma única cena de externa. Essa escolha poderia tornar o filme limitado se não fosse a atuação gloriosa do elenco, que mimetiza o público, seja a femme fatale dúbia Mary Astor que parece estar mentido o tempo todo, mas ao mesmo tempo parece uma mulher em perigo que precisa seja protegida seja o gordo mafioso (Sydney Greenstreet) que fala o tempo todo ou o histérico Joel Cairo (Peter Lorre), ajudante do mafioso.
Mas o destaque vai mesmo para o Sam Spade de Humphrey Bogart. Muito longe dos heróis hollywoodianos, ele tem uma ética própria, mas é capaz de mentir, fingir se aliar a bandidos e ao mesmo tempo ser implacável em sua busca de vingança. Como um adicional, temos o fato de que ele de fato consegue nos convencer quando, por exemplo, puxa o sobretudo de um bandido para se apoderar das duas armas dele. Sam Spade de bogart era um cara durão e cínico.
| As estatuetas usadas no filme são disputadas por colecionadores. |
O grande segredo dessa versão cinematográfica da história não são arroubos estilísticos. O segredo do diretor John Huston é simplesmente sua fidelidade à bora original e sua direção focada em privilegiar a atuação dos atores.
O resultado foi um sucesso absoluto, arrecadando 1,8 milhão de dólares.
Uma curiosidade é que foram gastos menos de 700 dólares para fazer as estatuetas usadas no filme (duas de chumbo e seis de gesso). Hoje em dia, cada uma delas vale três vezes o valor do orçamento do filme.
Dylan Dog – O Inquisidor
O Inquisidor-geral foi um dos mais famosos e aclamados filmes de Michael Reeves, diretor de cinema inglês que morreu jovem, mas deixou obras fundamentais para o terror.
O filme de Reeves é a linha mestra do volume 15 da nova série de Dylan Dog da Mythos. Escrita por Fabrízio Accatino e desenhada por Luca Casalanguida, a história cria uma trama que une um grupo de psicopatas que sequestram, torturam e matam mulheres com uma investigação de Dylan a respeito da morte de Michael Reeves. E a união dessas duas tramas, aparentemente díspares é feita com uma competência impressionante. Até mesmo cenas do filme de Reeves e cenas de um documentário a respeito do diretor se encaixam com perfeição na trama.
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| Cenas do filme de Reeves são entremeadas com a trama principal. |
A história começa com um rapaz tomando banho, vestindo terno e gravata, pegando um maço de flores e convidando uma moça para sair, convite que ela rejeita. Logo depois, ela recebe a visita do namorado.
A história pula para o mesmo rapaz entrando numa mansão vitoriana e denunciando a vizinha: “Devo informar que Rebecca Morris, a minha vizinha, é uma bruxa! Ela tem relações carnais com o demônio!”.
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| Pesquisando sobre o diretor, Dylan conhece seu interesse romântico dessa edição. |
A história pula para Dylan Dog assistindo, com a namorada, o filme de Reeves, para revolta da moça, que esperava um filme romântico. Logo depois de ser abandonado pela moça, o detetive do pesadelo é abordado por um dos atores do filme, que lhe conta sobre como o diretor inglês mudou depois do Inquisidor-geral e como isso o levou ao suicídio.
Em busca de respostas, Dog busca o BFI (British Film Institute), onde conhece a garota que será seu par romântico durante a história. As investigações colocarão os dois em rota de colisão com o homem que se considera o novo inquisidor geral.
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| A cena mais chocante do volume surge do contraste entre o diálogo e o que de fato está acontecendo. |
Uma das melhores sequências tem como protagonista o rapaz tímido do início. Ele está do lado de fora da casa conversando com outro homem e não entende porque é rejeitado: “Eu a cumprimento com gentileza todos os dias, convidei para minha casa, pro cinema, pro teatro! Levei flores e bombons! Por que ela sempre diz não?”. O homem o aconselha a se jogar: “Vá e arrase!”. Quando ele abre a porta, descobrimos que a mulher pela qual ele está apaixonado está pendurar no teto, sendo torturada. O contraste entre as duas sequências, assim como a forma romântica e sensível com a qual o rapaz fala enquanto a moça é torturada e tem seu cabelo cortado reflete bem o terror desse volume espetacular de DD. Um terror que não nasce de demônios e os verdadeiros monstros são seres humanos.
O rei do quarto mundo
Perry Rhodan - Avanço no Mundo das Trevas
Imagine um mundo em que as plantas possuem consciência e
transformam animais em escravos zumbis. É nesse planeta que caíram os
Ambulantes Cósmicos, parentes de Kalak, e onde Perry Rhodan desembarca em uma
pequena nave com o objetivo de resgatá-los, sem ter ideia do perigo que o
aguarda.
Essa é a premissa do número 253 da série Perry Rhodan
— um conceito instigante que poderia se tornar um livro realmente empolgante
nas mãos de um bom escritor, explorando, por exemplo, o modo de vida dos
sobreviventes em um ambiente de perigo constante. O autor do volume, H. G.
Ewers, no entanto, parece não saber o que fazer com ela.
Ewers inicia a narrativa com uma interação entre Baar Lun e
um astronauta que beira o incompreensível (talvez por problemas de tradução), e
o livro segue nesse ritmo. Há longos trechos em que os personagens discutem as
propriedades do café ou o tamanho do universo. Parece haver um esforço
deliberado do autor para adiar a trama principal; a ação de fato só começa na
página 80 de um livro que possui apenas 99 páginas.
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| A capa original alemã. |
Para piorar, somos apresentados a um deus ex machina
gritante. Em determinado ponto, os terranos encontram uma nave cujos
tripulantes aparentemente cometeram suicídio ao abrir as comportas de ar. Ao
analisarem os cadáveres, os cientistas descobrem que as células foram dominadas
por organismos vegetais — o que aponta para a solução do problema no volume
seguinte. No espaço infinito, qual a probabilidade de a Crest III
encontrar, por puro acaso, uma nave que sofreu exatamente o mesmo mal que Perry
Rhodan enfrentaria no planeta Bengala? É uma solução extremamente forçada.
Entre conveniências de roteiro e diálogos que nada
contribuem para a trama ou para a compreensão do universo, Avanço no Mundo
das Trevas torna-se um verdadeiro martírio para o leitor que tenta chegar
ao fim.
segunda-feira, agosto 24, 2026
O massacre de Quios
Metrópolis: um marco do cinema
Metrópolis é um dos filmes mais importantes da história. Dirigido por Fritz Lang e lançado em 1927, a película veio no rastro do expressionismo alemão (Lang havia sido co-roteirista de O gabinete do Doutor Caligari, filme fundador do expressionismo no cinema), o que se reflete principalmente pelos cenários grandiosos e pela interpretação marcante.
A história deve muito ao clássico A máquina do tempo, de H.G. Wells: no ano de 2016, ricos vivem na superfície e têm sua vida paradisíaca sustentada pelos pobres trabalhadores, que vivem no subsolo operando máquinas monstruosas.
A história foca em um casal: Freder, filho do magnata dono da cidade, e Maria, uma benfeitora dos pobres, que acredita na paz entre as duas classes. Os dois se conhecem quando Maria leva crianças pobres para a superfície e é imediatamente enxotada. O rapaz, fascinado, desce, procurando por ela e vê uma máquina explodindo e matando vários operários.
A situação se complica quando um inventor enlouquecido cria um robô com as feições de Maria capaz de enfeitiçar a todos com sua beleza. Seu objetivo é provocar uma revolta dos operários que resultaria na destruição da cidade.
Metrópolis criou a base do que viria a ser a ficção científica cinematográfica (a exemplo de Star Wars e Wall-E), desde a ação initerrupta aos cenários deslumbrantes e visual dos robôs.
O impacto sobre os quadrinhos não é menos relevante. Basta lembrar da cidade do Super-homem, Metrópolis, uma referência óbvia ao clássico de Fritz Lang.
Dylan Dog – O ladrão de ideias
Dylan Dog está num barco no rio Tâmisa com sua namorada quando a embarcação é atacada por um monstro marinho. Pouco depois, uma nave alienígena atinge o Big Bem e solta flores. Medusas se espalham por Londres transformando as pessoas em zumbis assassinos teleguiados.
Essa é a trama de “O ladrão de ideias”, volume 17 de Dylan Dog da Mhytos. Uma história repleta de referências a filmes e obras de terror e ficção científica e que parece ser composta apenas de eventos isolados.
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| O desenho lembra muito Milo Manara. |
A Bonnelli parece escolher apenas os melhores roteiristas da casa para escrever as histórias do detetive do pesadelo e Giancarlo Marzano não é excessão. Sua trama, muito bem bolada, merece figurar entre as melhores histórias do personagem.
O ladrão de ideias é o tipo de HQ que chegamos no final e percebemos que nada era o que achávamos e temos que ler de novo para finalmente entender o que realmente estava acontecendo.
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| Coisas estranhas começam a acontecer em Londres. |
Os desenhos de Ugolino Cossu são um acréscimo muito bem vindo a essa HQ memorável. Com um traço que lembra muito Milo Manara (embora sem o mesmo nível de detalhamento), Cossu consegue ir do terror à ficção científica com facilidade. Além disso, sua narrativa visual é facilmente compreensível, o que ajuda muito o roteiro.
Em tempo: essa é uma das melhores capas que já vi desse título.
X-men – O destino da Fênix
No número 135 The Uncanny X-men, a Fênix Negra era mostrada destruindo um Sistema estelar inteiro, como consequência matando bilhões de pessoas. No número 137, John Byrne e Chris Claremont (aparentemente a ideia era de Byrne) pretendiam fechar a saga com Jean Grey perdendo os poderes e se tornando uma pessoa normal.
Jim Shooter viu o que ia ser publicado e ficou indignado. A personagem tinha matado bilhões de pessoas e no final, tudo que acontecia era perder seus poderes. Ele exigia algum tipo de punição. Claremont e Byrne concordaram que o melhor a fazer seria matá-la.
O resultado foi uma das histórias mais célebres dos X-men de todos os tempos e um verdadeiro evento. A Marvel já tinha mostrado personagens importantes morrendo, como a namorada do Homem-aranha, Gwen Stacy. Mas matar uma heroína, e no auge da popularidade? Era algo totalmente inédito.
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| A morte da personagem é um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. |
O interessante do encadernado da Panini com a saga é que possível comparar a versão que foi impressa com aquela que tinha sido produzida anteriormente. E o resultado da primeira versão era pífio, muito abaixo de todo o restante da saga da Fênix. Técnicos do império Shiar fazem uma espécie de operação em Jean Grey, tirando dela todo o seu poder, sob protetos de Wolverine e de Cíclope, como se ela estivesse passando por uma grande punição. Era um final totalmente artificial e forçado, considerando-se que todos ali sabiam que ela tinha matado bilhões de pessoas.
Já, ao contrário, o final que foi publicado, tem uma carga dramática impressionante. O império Shiar leva os X-men para a Lua, onde eles são derrotados pela Guarda imperial de Shiar. O trauma de ver Scott tombando faz com que Jean se transforme novamente na Fênix. Para o professor Xavier, a única solução é que os X-men a matem. Mas no final é ela que comete suicídio ao perceber que não poderá controlar a entidade e não poderá se perdoar caso provoque novas mortes. A cena em que ela se suicida, jurando amor ao Cíclope é uma das mais marcantes dos quadrinhos.
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| Na versão defendida por Byrne, bastava tirar a Fênix de Jean Grey. |
Dessa vez, Jim Shooter tinha toda razão.
PS1 : A saga da Fênix foi um final épico e surpreendente para o que na verdade era uma tentativa de resolver um problema de roteiro. A Fênix se tornara poderosa demais para os X-men, a ponto de torna-los inúteis. De que adiatavam as habilidades acrobáticas de Noturno diante de alguém que podia simplesmente moldar a realidade? O tempo todo Claremont tinha que inventar uma desculpa para que a personagem não pudesse usar totalmente seus poderes. Finalmente, resolveram tirá-la da equipe... e, no processo, criaram uma saga inesquecível.
PS2: Um texto ao final do volume da Panini apresenta uma conversa entre os principais envolvidos na saga da Fênix. Nesse texto é possível perceber que Chris Claremont tinha uma visão muito mais aprofundada da história. Para John Byrne, apenas ocorrera uma espécie de possessão, com Jean Grey sendo dominada por algo totalmente exterior, que a controlava. Na visão de Byrne, bastava tirar essa entidade e Jean poderia voltar à normalidade como a garota feliz que era (ou seja, o final que não foi impresso era a ideia de Byrne). Para Claremont, a Fênix apenas despertou o lado sombrio da heroína, o que gerou todo o drama da história e elevou a saga da Fênix a um nível poucas vezes alcançado nos quadrinhos de super-heróis.
Perry Rhodan – A fortaleza atlântica
Parte dessas perguntas são respondidas no volume 60 da série. O volum é escrito por K. H. Scheer (que nitidamente gostava muito do personagem a ponto ser o único a escrever histórias centradas nele) e acompanha Atlan sendo recebido a bordo de Drussus como almirante e apresentado às provas de que a raça arcônida degenerou em uma raça sem iniciativa, viciada em jogos fictícios e imagens lisérgicas. Rhodan tem um objetivo: quer saber se Atlan pode ajudar no problema dos invisíveis, que fazem desaparecer populações inteiras de planetas.
Aqui começa a parte realmente interessante do volume: Atlan conta como foi chamado ao sistema Larsa, onde destronou o governante de Larsa II, que oprimia com mãos de ferro os colonos locais. Após isso, levou alguns dos colonos para o terceiro planeta do sistema, onde já começava a surgir uma forma de vida ainda pouco evoluída, de homens da caverna.
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| A capa original alemã. |
O leitor esperto percebe logo que Larsa é o Sol, Larsa II é Vênus e Larsa III é a Terra. Isso explica, por exemplo, o gigantesco computador encontrado por Rhodan em Vênus lá no volume 8, Base em Vênus.
Atlan enfrentou, naqueles tempos imemoriais, a ameaça dos invisíveis – e aparentemente descobriu uma forma de impedir sua ação – o que fica como gancho para o próximo livro.
Scheer constrói uma envolvente narrativa em primeira pessoa, que tenta simular o pensamento de um extraterrestre dotado de dois cérebros.
Batman - Morte em família
domingo, agosto 23, 2026
Demolidor – visões roubadas
Quando Frank Miller saiu do título do Demolidor, a Marvel precisava de alguém que o substituísse à altura. Para os roteiros chamaram Denny O´Neil, que tinha sido o tutor de Miller, ensinando a ele muita coisa sobre narrativa. Para desenhar, chamaram David Mazzucchelli, que logo se revelou um dos melhores desenhistas de quadrinhos de todos os tempos.
Essa dupla afinada, embora não tenha conseguido igualar a qualidade da fase Miller, fez algumas histórias inspiradas.
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| A splash page faz uma referência direta à origem do Demolidor |
Exemplo disso é a trama de Visões roubadas, publicada em Daredevil 216 e 217.
A história começa com o vilão Celta fugindo da prisão. O personagem fazia parte do IRA, traíra o movimento e tentara matar Glorianna O'breen (namorada de Matt Murdock à época), mas fora impedido e preso pelo Demolidor.
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| O vilão é tão maluco que destrói o próprio rosto para escapar da prisão. |
Para escapar da prisão, Celta coloca a cabeça numa máquina na lavanderia, e foge quando está no hospital. Embora consiga fugir, seu rosto fica arruinado. O´neil assim, cria um vilão no melhor estilo pulp, enlouquecido, com rosto desfigurado, uma imagem ainda mais impactante pelo desenho de Mazzucchelli.
Mas, enquanto o Demolidor procura Glori para impedir que ela seja morta pelo vilão, um novo perigo surge: o Cossaco. A grande sacada é a habilidade do mesmo: cegar as pessoas. Considerando-se que o Demolidor é um herói cego, é uma situação irônica, que é muito bem usada pelo roteiro. Em determinado ponto, por exemplo, o vilão acha que o demolidor está... cego!
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| Mazzucchelli mandava muito bem nas cenas de ação. |
Aliás, a splash page que abre a edição 271 é perfeita. Um garoto avança cego pela rua em primeiro plano, prestes a ser atropelado por um carro enquanto um policial tenta salvá-lo. Se lembrarmos que o demolidor ganhou seus poderes e, ao mesmo tempo, ficou cego em um acidente de trânsito, a cena é extremamente simbólica.




























