quarta-feira, junho 09, 2021

X-men – Quem é o Mutante X?

 


Uma das razões pelas quais gosto muito da saga de Protheus é que, embora fosse uma história de super-heróis, a história flertava com o terror.

O vilão, afinal de contas, era um verdadeiro personagem de terror: alguém capaz de controlar a realidade, que precisa de corpos para se manter vivo (corpos que apodrecem com o tempo) e tem como único ponto fraco metais.

A segunda parte da história, publicada em The Uncanny X-men 126, é uma perfeita demonstração desse hibridismo.

Na HQ, os X-man chegam à ilha Muir após o apelo de Lorna e descobrem que Protheus se apossou de um dos corpos do Homem-múltiplo e pode estar em qualquer lugar da Escócia, usando provavelmente outro corpo.

O horror irrompe quando os mutantes encontram Proteus. Ele primeiro tenta se apossar do corpo de Wolverine, mas não consegue por conta do esqueleto de adamantium. Ele então distorce a realidade, fazendo com que Wolverine simplesmente pire (afinal, ele é como um animal, com sentidos super-aguçados).

Proteus tem o poder de distorcer a realidade. 


A sequência mostra a incrível interação da dupla John Byrne - Chris Claremont.

Byrne cria formas distorcidas, irreais, enquanto Claremont passa a sensação vivida pelos personagens Noturno e Wolverine através do texto, usando inclusive a sinestesia, uma figura de linguagem em que as sensações dos sentidos são confundidas: “Noturno faz o melhor que pode para tranquilizar seu amigo... sem saber que, graças a Protheus, Wolverine percebe suas palavras como gotas de chuva laranja”.

Nem Tempestade é páreo para Proteus. 

Nem mesmo Tempestade é capaz de dar conta do mutante X.

A edição termina com Ororo criando um vendaval enquanto o vilão avança sobre ela: “Ela ataca com tudo que tem... seu rosto implacável, enquanto percebe que, desta vez, dar o melhor de si não bastará. Pois, passo a passo, inexorável, Proteus está se aproximando. Se aproximando para matar!”.   

A impressão que tínhamos ao ler é de que aquele era um verdadeiro vilão, alguém capaz de matar sem nem mesmo pestanejar mesmo os personagens mais poderosos.

Depois disso, as histórias de super-heróis convencionais pareciam todas infantis demais.

Sem comentários: