domingo, junho 21, 2026

Jornada nas Estrelas: A Nova Geração – Simbiose

 


Durante a primeira temporada de A Nova Geração, enquanto a série ainda buscava um tom próprio, houve muitos acertos e grandes erros. O episódio "Simbiose" resume bem esses dois aspectos.

No episódio, a Enterprise investiga interferências magnéticas em um sol quando recebe um pedido de socorro de um cargueiro prestes a cair em um planeta. Ao contrário das expectativas, os tripulantes priorizam o teletransporte de um carregamento misterioso para a nave da Federação e só depois se transportam, o que resulta na morte de duas pessoas. Esse comportamento ilógico estabelece o suspense que sustenta todo o primeiro ato.

Conforme a trama se desenrola, descobrimos que os sobreviventes pertencem a dois planetas distintos: dois são de Ornara, que possui um desenvolvimento tecnológico relativo, e os outros dois de Brekka, que curiosamente não domina a viagem espacial. Ornara é assolada por uma praga e depende de um remédio fornecido pelos brekkanos — na verdade, o único produto produzido por eles.

A Dra. Crusher, no entanto, descobre que a doença não existe mais e que, na verdade, a substância é um narcótico altamente viciante. Isso a coloca em rota de colisão com o Capitão Picard: ela defende que a verdade seja revelada aos ornarianos, enquanto o capitão argumenta que isso romperia a Primeira Diretriz, que proíbe a interferência em outras civilizações.

No desfecho, Picard consegue resolver a situação aplicando a premissa da não-interferência de forma brilhante, usando a própria filosofia da Federação para encerrar o ciclo de exploração.

Essa premissa permite discussões filosóficas e éticas profundas, e o episódio poderia facilmente ser o melhor da temporada, não fosse o didatismo e o moralismo excessivo. O ponto baixo é a cena em que Tasha Yar faz um longo discurso sobre os perigos das drogas; é como se o roteirista subestimasse o público, recorrendo a um monólogo expositivo para explicar o que já estava evidente na narrativa.

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