Durante a primeira temporada de A Nova Geração, enquanto a
série ainda buscava um tom próprio, houve muitos acertos e grandes erros. O
episódio "Simbiose" resume bem esses dois aspectos.
No episódio, a Enterprise investiga interferências
magnéticas em um sol quando recebe um pedido de socorro de um cargueiro prestes
a cair em um planeta. Ao contrário das expectativas, os tripulantes priorizam o
teletransporte de um carregamento misterioso para a nave da Federação e só
depois se transportam, o que resulta na morte de duas pessoas. Esse
comportamento ilógico estabelece o suspense que sustenta todo o primeiro ato.
Conforme a trama se desenrola, descobrimos que os
sobreviventes pertencem a dois planetas distintos: dois são de Ornara, que
possui um desenvolvimento tecnológico relativo, e os outros dois de Brekka, que
curiosamente não domina a viagem espacial. Ornara é assolada por uma praga e
depende de um remédio fornecido pelos brekkanos — na verdade, o único produto
produzido por eles.
A Dra. Crusher, no entanto, descobre que a doença não existe
mais e que, na verdade, a substância é um narcótico altamente viciante. Isso a
coloca em rota de colisão com o Capitão Picard: ela defende que a verdade seja
revelada aos ornarianos, enquanto o capitão argumenta que isso romperia a
Primeira Diretriz, que proíbe a interferência em outras civilizações.
No desfecho, Picard consegue resolver a situação aplicando a
premissa da não-interferência de forma brilhante, usando a própria filosofia da
Federação para encerrar o ciclo de exploração.
Essa premissa permite discussões filosóficas e éticas
profundas, e o episódio poderia facilmente ser o melhor da temporada, não fosse
o didatismo e o moralismo excessivo. O ponto baixo é a cena em que Tasha Yar
faz um longo discurso sobre os perigos das drogas; é como se o roteirista
subestimasse o público, recorrendo a um monólogo expositivo para explicar o que
já estava evidente na narrativa.

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