Uma das
maiores virtudes do roteirista Giancarlo Berardi é sua maestria em transitar
por gêneros, especialmente o policial. Frequentemente, ele aproveitava a série
de faroeste Ken Parker para construir tramas de suspense e investigação.
Um exemplo perfeito é a história publicada no número 13 da revista (no Brasil,
pela Editora Vecchi), intitulada "Assalto em Canyon City", com a arte
de Giorgio Trevisan.
Na trama,
Parker e a jovem Pat O'Shane — apresentada na edição anterior — viajam até
Canyon City para encontrar aquela que supostamente seria a mãe da menina.
Contudo, ao baterem na porta da casa indicada, acabam mergulhando
involuntariamente em um complexo plano de assalto.

Dois desconhecidos se conhecem no trem...
Berardi fisga o leitor logo nas primeiras páginas com uma sequência cinematográfica: dois homens chegam à cidade de trem. Um deles é elegante e falante; o outro, soturno e monossilábico. A dupla protagoniza momentos de alívio cômico e tensão, com diálogos afiados que revelam suas personalidades opostas: "Bebe um gole, pelo menos?", insiste o falastrão, ao que o outro corta secamente: "Não; em compensação, cuido apenas dos meus problemas".
A sequência
culmina com a descoberta de que ambos foram contratados para o mesmo roubo.
Aqui, Berardi brilha em uma de suas características mais louváveis: a criação
de tipos marcantes, conferindo profundidade até mesmo a personagens secundários
que nunca mais retornarão à série.

... e descobrem que foram convidados para o mesmo assalto.
O plano é
intricado, visando paralisar a cidade inteira ao neutralizar as forças da lei.
Quando Ken Parker, agindo por instinto, mata um dos criminosos, ele é coagido a
ocupar o lugar do falecido no bando para proteger a vida de Pat. Enquanto isso,
a menina lida com o conflito interno de desconfiar que a mulher que a mantém
refém é, de fato, sua mãe biológica.

Pat desconfia que a mulher que a raptou é na verdade sua mãe.
A história
se destaca por um roteiro no quial cada peça se encaixa com precisão. O plano
bem elaborado, os diálogos realistas e a reviravolta final — surpreendente,
porém absolutamente verossímil — confirmam por que muitos consideram Berardi o
maior roteirista italiano de todos os tempos. É o ápice da forma narrativa da
Bonelli.

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