quinta-feira, dezembro 13, 2012

Programação do Projeto Quebramar

Confira abaixo a programação do Quebramar (Confira mais informações no site). 
Segunda-feira (10/12) - CDC Azevedo Picanço – 19h

Lançamento Exposição “Ler: Ver: Ler” (Núcleo de Fotografia Contemporânea)


Terça-feira (11/12) - Casa Fora do Eixo Amapá – 19h

Baile Hip Hop com Coletivo Insurgência


Quarta-feira (12/12) - Biblioteca Elcy Lacerda – 16h

Tela Mural de Leo Lobos (CHL)
Banda Ekinócio (AP)

Quinta-feira (13/12) - Ueap – 19h

Coro Comunitário da Ueap – Cantata Natalina com o maestro Williams Sol (AP)
Sukita e Bereko (AP)
Sertão Patativa – Cia Tucujú (AP)

Sexta-feira (14/12) - CDC Azevedo Picanço – 18h

Vídeo-poemas
Poetas Azuis (AP)
Leo Lobos (CHL)
Jiddu Saldanha (RJ)
Tatamirô Grupo de Poesia (AP)
Le Phenix (AP)
Tem Deck? + Lúcia no Limbo feat. Máfia Nortista (AP)
Finlândia (ARG/BR)

Sábado (15/12) - Parque do Forte – 16h

Espetáculo Circo Roda Ciranda (AP)

17:30 – Concentração Percurso VÁ DE BIKE!


Anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá – 20h

O Sósia (AP)
Mental Caos (AP)
Godzilla (AP)
Matinta Perera (AP)
Stereovitrola (AP)
Profétika (AP)
Korzus (SP)

Domingo (16/12) - CDC Azevedo Picanço – 16h

Exibição do filme indicado ao Oscar 2012
“O Palhaço” e bate-papo com a produtora do filme Vânia Catani

Parque do Forte – 17h30

Concentração Percurso VÁ DE BIKE!

Anfiteatro da Fortaleza de São José – 19h30

Genezis (AP)
Samsara Maya (AP)
Mini Box Lunar (AP)
Juca Culatra e os Piranhas Pretas (PA)
Uh La La (PR)

Calistoga (RN)
Gang do Eletro (PA)
BNegão e os Seletores de Frequência (RJ)
Mallu (RJ)

Vapor punk

Estou terminando de ler Vapor Punk, relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades, antologia da editora Draco.
A estética steampunk é uma das grandes inovações da ficção científica. Ao imaginar uma era vitoriana em que a tecnologia do vapor levou o homem a grandes avanços tecnológicos, ela tem dominado o imaginário popular com filmes como A Liga Extraordinária, de Alan Moore e Kevin O´Neill.
A ideia da antologia da Draco era imaginar essa estética do ponto de vista brasileiro e português e o resultado foi muito bom, mostrando que já temos uma geração de grandes autores de FC. Entre os autores, alguns que já acompanho desde a saudosa Issac Asimov Magazine, como Gerson Lodi-Ribeiro e Carlos Orsi, cada um dos quais com ótimas noveletas. Lodi-Ribeiro, um especialista em história alternativa, imagina um Brasil em que Palmares se tornou de fato uma nação graças à aliança com um ser das trevas. Carlos Orsi flerta com a filosofia ao imaginar que as invenções poderiam chegar ao ponto de substituir o homem.
Outro destaque vai para Octavio Aragão, que investiga as consequências sociais de uma explosão tecnológica em plena era da escravidão.
Mas o que mais me chamou atenção até agora foi a novela Os primeiros astecas na lua, de Flávio Medeiros Jr. Flávio imagina uma realidade em que Júlio Verne se tornou ministro da ciência da França e H.G. Wells ministro da ciência da Inglaterra. Como consequência, os dois países deram um enorme salto tecnológico, vivendo uma guerra fria que pode explodir a qualquer momento. Flávio foi vasculhar toda a literatura pop do século XIX para procurar personagens para sua novela. O protagonista, por exemplo, é Mister Prendick, de A ilha do Dr. Moureau. A ele somam-se diversos outros, como Dupin, de Edgar Alan Poe e até Jack, o estripador, que no texto torna-se O homem invisível por sua capacidade de entrar e sair dos locais sem ser notado. O autor consegue encaixar com perfeição todos esses elementos. O que poderia ser uma simples salada literária torna-se um todo coerente, com uma trama bem elaborada e um final surpreendente, mas que já vinha sendo delineado ao longo da narrativa.
Ou seja: uma ótima leitura.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Trailer do novo filme do Superman

Os fãs andam muito desconfiados, mas eu boto fé no Zack Snyder, diretor do novo filme do Superman. Ele fez um bom trabalho em Watchmen e provou que sabe trabalhar com quadrinhos. Pelo trailer, parece bom.
O trailer pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=o8jgWHEEn8M

Justiça determina bloqueio de contas da prefeitura de Macapá

A Justiça Federal determinou o bloqueio das contas da Prefeitura de Macapá referentes a todos os programas federais da saúde e da educação. Os recursos bloqueados devem ser utilizados para normalizar pagamentos e garantir a continuidade dos serviços públicos. A medida é resultado de ação cautelar proposta pelo Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP) na manhã de segunda-feira, 10 de dezembro. Os cinco procuradores da República atuantes no estado assinam o documento. O objetivo do MPF/AP é preservar o erário e permitir adequada transição do governo municipal.
A iniciativa do MPF/AP foi tomada após constatar a precariedade generalizada nos serviços do município. Trecho da ação ressalta: “a Prefeitura de Macapá… chegou a uma situação limite, em que os cidadãos macapaenses assistem, perplexos, ao descaso com a coisa pública”.
Saúde – Entre outubro e dezembro, o município recebeu mais de R$4 milhões referentes aos programas do governo federal Saúde da Família, Saúde Bucal e Núcleos de Apoio à Saúde da Família. Entretanto, a maioria dos profissionais não recebeu salários. O MPF/AP considera fortes os indícios de desvio das verbas.
Educação – Na educação, houve demissão em massa. Mais de 600 profissionais da área entre professores e serventes foram desligados do contrato administrativo. Houve, ainda, interrupção no pagamento das empresas que fornecem merenda.
Na zona rural, o transporte escolar foi paralisado devido à falta de pagamento, prejudicando centenas de crianças. Porém, as verbas referentes aos programas nacionais de Alimentação Escolar e de Apoio ao Transporte Escolar têm sido recebidas regularmente pela Prefeitura.
Segurança – Na ação, os procuradores destacam problema de segurança pública gerado pela inadimplência com a empresa contratada para oferecer serviço de vigilância. Na última semana, vigilantes com dois meses de pagamento atrasado invadiram o prédio da prefeitura. No conflito, a polícia interveio para conter os manifestantes utilizando gás de pimenta.
Os membros do MPF citam, ainda, a retenção dos empréstimos consignados: “Os servidores municipais recebem seu salário, descontados os valores devidos pelos empréstimos, mas não veem a quitação das parcelas relativas a estes valores”. Estima-se que até o final de novembro, o prefeito tenha descontado e não repassado aos bancos o valor equivalente a R$14 milhões.
Para os procuradores da República, está ocorrendo “um desmonte generalizado da Prefeitura de Macapá, diante do qual os órgãos de fiscalização não podem permanecer inertes, sob pena de se tornarem conviventes com tal situação”.
No documento, os membros enumeram essas e outras ilegalidades cometidas nos últimos dias de mandato de Roberto Góes (PDT), gestor derrotado nas últimas eleições. Os procuradores salientam, ainda, a violação de diversos princípios constitucionais, entre eles o da impessoalidade, o da moralidade e o da eficiência administrativa. Tendo em vista isso, o prefeito pode ser responsabilizado por improbidade e por crime federal. Fonte: Blog da Alcinea Cavalcante e Portal MPF

Ps: Parece que o lema do Roberto Góes é: depois de mim, o caos. 

Revista Mundo Paralelo

A mais nova publicação de que participo é a revista Mix de quadrinhos Mundo Paralelo, que promete revolucionar o mercado nacional de quadrinhos. Confira abaixo o cartaz do lançamento em Porto Alegre e o texto de apresentação.

Anos 70 e 80, século XX. Nós mergulhados na multicolor bolha pop ácida de texturas new wave com diversas revistas de quadrinhos autorais espalhadas em todos os continentes. Falo da Metal Hurlant, da Zona 84, da Cimoc, da El Víbora, da Fierro, da Animal e outras. A lista aqui não é pequena da imensa tsunami dos quadrinhos de gêneros que arrebentava troveja
ndo as texturas selvagens de rock punk e progressivo do oceano da arte. Falo do horror, fantasia, western, ficção científica e até o experiemental. Quadrinhos que também eram rock and roll e jazz, que foram criados e remodelados por nomes como Moebius, Druillet, Bilal, Pazienza, Crepax, Liberatore, Marana, Laerte, Mattoti e outros mestres. A lista aqui não seria pequena. Um tornado G5 desbravava as décadas seguintes mudando todo o conceito de multimídia em hiperlinks de ideias. Realmente toda aquela quantidade de quadrinhos e linguagem foram explosivos e uma geração de aficionados teve as suas matrizes formadas dessa gama de revistas que eram coletâneas peculiares de sagas e gêneros. Mas assim como veio a quadrinhomania ela partiu em uma implosão cósmica emigrando para o continente da memória.

Foi desse eco expansivo no espaço imaginário (tanto referenciado nas aventuras) que um novo portal se abre para o multiverso e a revista de quadrinhos Mundo Paralelo surge com a proposta e objetivo de resgate dessa energia, força e poder de como se realiza uma miscelânea de quadrinhos autorais com base de expandir as nossas mentes com ideias escapistas e heróicas. Mundo Paralelo chega como um monólito negro mítico para intensificar a nossa cultura nacional de quadrinhos com a força universal. Seja bem vindo, caro leitor!

domingo, dezembro 09, 2012

Festival Quebramar - Frente de Letras

Confira abaixo a programação da Frente de Letras  (FEL/AP) durante o Festival Quebramar 2012 (10 a 16 de dezembro).

A FEL é a frente temática do Fora do Eixo que movimenta as cadeias criativa e produtiva da Palavra em suas mais diversas manifestações – escrita, falada, visual, sonora, multimídia, dentre outras. O grupo encampa, para além da palavra-livro, a palavra-digital, palavra-quadrinhos, palavra-visual, palavra-cênica, palavra-música. Entre alguns de seus projetos há publicações virtuais e impressas, clubes de Leitores, varal da arte, vídeo-poema, intervenções cênicas de obras literárias, além da inserção de escritores em rotas de circulação em saraus, festivais, fóruns, mesas de debate, congressos e feiras literárias.

O Fora do Eixo (FdE) é um movimento sociocultural de trabalhos colaborativos, pautado na Economia Solidária, Cultura Digital e compartilhamento de conhecimento livre. Com mais de 100 coletivos, a rede conecta cerca de 2.000 agentes, 27 estados brasileiros e 10 países da América Latina, e nos últimos seis(6) anos vem desenvolvendo tecnologias inovadoras, sociais e de gestão, na área da cultura.

O Festival Quebramar 2012, que acontece no período de 10 a 16 de dezembro do corrente ano, é apresentado pelo Governo do Estado do Amapá, com realização da Casa Fora do Eixo Amapá e as diversas frentes local e nacional do Circuito Fora do Eixo.

Segunda-feira(10/12)

Manhã
Oficina ”Breves cenas” Com Hudson Andrade (PA)
Horário: 8h às 12h
Local: Centro de Cultura Franco Amapaense

Terça-feira(11/12)

Manhã
Oficina ”Breves cenas” com Hudson Andrade (PA)
Horário: 8h às 12h
Local: Centro de Cultura Franco Amapaense

Tarde
Oficina Gesto na Narrativa Oral com Jiddu Saldanha (RJ)
Horário: 14h às 18h
Local: UEAP

Observatório: Gestão de Espaços Culturais e Organização de Feira de livros
com Pedro Júnior da Fontoura (RS) e Léo Lobos (CHL)
Horário: 16h
Local: Biblioteca Pública Elcy Lacerda

Quarta-feira(12/10)

Manhã
Oficina ”Breves cenas” Com Hudson Andrade (PA)
Horário: 8h às 12h
Local: Centro de Cultura Franco Amapaense

Oficina de Video-Poema Com Jiddu Saldanha (RJ)
Horário: 8h às 12h
Local: Laboratório de Informática da UEAP

Tarde
Oficina Gesto na Narrativa Oral com Jiddu Saldanha (RJ)
Horário: 14h às 18h
Local: UEAP

Tela Mural de Leo Lobos (CHL) e Banda Ekinócio (AP)
Horário: 16h
Local: Área externa da Biblioteca Pública Elcy Lacerda

Noite
Oiapoque e Chuí: Poesias Nativas
Grupo de Marabaixo (AP) e Pajador (Pedro Jr.)
Horário: 19h
Local: Auditório da UEAP

Quinta-feira(13/10)

Manhã
Oficina de Video-Poema Com Jiddu Saldanha (RJ)
Horário: 8h às 12h
Local: Laboratório de Informática da UEAP


Tarde
Oficina Gesto na Narrativa Oral com Jiddu Saldanha (RJ)
Horário: 14h às 18h
Local: UEAP

Conversa infinita “Poesía brasileña traducción y divulgación en chile e hispanoamerica
com Leo Lobos (CHL)
Horário: 16h
Local: Biblioteca Pública Elcy Lacerda

Noite
Coro Comunitário da UEAP-Cantata Natalina
Horário: 19h
Maestro: Williams Sol
Orientadora Vocal: Arnely Schulz
Local: Hall de entrada da UEAP

- Sukita e Bereko (AP)
- O Sertão por Patativa - Cia Tucuju (AP)
Horário: 20h30
Local: Auditório da UEAP

Sexta-feira(14/10)
DIA FEL
Horário: 18h* Vídeos- poemas da oficina
* Poetas Azuis(AP)
* Leo Lobos (CHL)
* Jiddu Saldanha (RJ)
* Tatamirô Grupo de Poesia (AP)
Local: Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Concurso para professor efetivo na Unifap

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) publicou na última quinta-feira do mês de novembro o edital para concurso público que vai selecionar 85 professores de terceiro grau, nível I. Os aprovados irão integrar o quadro permanente da Instituição, com sede na cidade de Macapá, Estado do Amapá. As inscrições devem ser realizadas via internet, no site da universidade, a partir das 09h30 do dia 17 de dezembro de 2012 até às 17h30 do dia 17 de janeiro de 2013, observando o horário local de Macapá.

A taxa é de R$ 100 e os pedidos de isenção podem ser solicitados até o dia 21 de dezembro. O candidato pleiteante à isenção da taxa de inscrição deverá solicitá-la por meio do formulário eletrônico, disponível no endereço www.unifap.br/depsec, a partir do dia 17 de dezembro de 2012. O concurso será dividido em três fases, todas eliminatórias e classificatórias: prova escrita, didática e de títulos, respectivamente.

A data da prova escrita será divulgada no site da Unifap no dia 04 de fevereiro de 2013. De acordo com o edital, a remuneração pode chegar a R$ 7.627,02, no caso de docentes com doutorado, jornada de 40 horas e dedicação exclusiva. O candidato aprovado será lotado no campus Marco Zero, em Macapá, e vai desempenhar suas atividades nos departamentos acadêmicos, de acordo com o interesse da instituição.

Maiores informações no site:

Justiça belga absolve Tintin de racismo


O célebre livro de banda desenhada de Hergé "Tintin no Congo", publicado na sua primeira edição quando a República Democrática do Congo era uma colónia belga, foi absolvido da denúncia de racismo.
A Justiça belga determinou que as aventuras de "Tintin no Congo" não podem ser consideradas "ofensivas" ou "racistas" e não homologou o pedido de a obra conter uma advertência nesse sentido bem como ver retirada a classificação de livro infantil.
A ação que denunciava obra racista - que agora foi absolvida - foi interposta pelo cidadão congolês Bienvenu Mbutu Mondondo e pelo Conselho Representativo das Associações Negras de França. A decisão judicial condenou-os a pagar uma indemnização simbólica de 110 euros às editoras Moulinsart e Casterman.
Na sentença os juízes consideraram que a personagem Tintin não só não era "racista" como pelo contrário "cultivava a amizade" com os outros personagens negros "contribuindo para a paz entre as tribos, colocando a sua vida em perigo para socorrer o próximo e luta contra o mal que está representado por um personagem branco e não negro".
Além disso a obra foi considerada como um "testemunho da história comum da Bélgica e do Congo" em determinado momento e nada parece indicar que as crianças do século XXI não serão capazes de relativizar os estereótipos das personagens e colocar a obra no seu contexto histórico".
Fonte: DN Globo

quinta-feira, dezembro 06, 2012

A teoria do jornalismo

A questão central da teoria do jornalismo é porque as notícias são como são.

Dentre as várias teorias que tentaram responder a essa pergunta, três se destacam: a teoria do espelho, a teoria do gatekeeper e a teoria organizacional.

A teoria do espelho diz que as notícias são como são porque a realidade assim o determina.

Esse ponto de vista surge influenciado pela invenção da fotografia. O jornalista deveria ser como um fotógrafo: simplesmente relatar a realidade da maneira como ela se apresenta, sem qualquer intervenção subjetiva. Essa visão ganhou seu bordão com uma declaração de um correspondente da Associated Press, em 1856: "O meu trabalho é comunicar os fatos: as minhas instruções não permitem qualquer tipo de comentário sobre os fatos, sejam eles quais forem".

Era a idéia-chave da separação entre as opiniões e os fatos. Ou, como diziam os ingleses, "a opinião é livre, mas os fatos são sagrados".

O filme A primeira página, de Billy Wilder, trata do sensacionalismo no jornalismo


A teoria do espelho surge em um momento de vitória do paradigma positivista, que pretendia expurgar a subjetividade da ciência, criando metodologias totalmente racionais. Essa preocupação positivista se refletiu no jornalismo na forma de contraposição ao jornalismo literário, em que o jornalista era o porta-voz de uma ideologia. Também foi uma reação contra os excessos do chamado jornalismo sensacionalista.

Segundo José Marques de Melo, no final do século XIX o jornalismo norte-americano havia deixado de ser um serviço para tornar-se um negócio altamente lucrativo. A diretriz passou a ser o sensacionalismo e os princípios éticos mais elementares foram esquecidos. Na ânsia de conseguir a atenção dos leitores, muitos jornais passaram até mesmo a criar notícias. A existência do fato, fator essencial do jornalismo, passou a ser irrelevante.

Na teoria do espelho, o bom jornalista é um observador desinteressado, que relata com honestidade e equilíbrio tudo que vê, cauteloso para não emitir opiniões pessoais.

A teoria do espelho é a bússola norteadora dos manuais de redação e das regras de conduta dos jornais. Parte-se do princípio de que seguir as regras do bom jornalismo (escrever a matéria de forma impessoal, ouvir os dois lados da questão) era garantia de se ter um retrato fiel da realidade.

De todas as teorias que se ocuparam da notícia, essa é talvez a mais criticada. Para começo, suas bases são frágeis. A analogia com a fotografia só demonstra a abertura para a subjetividade, pois mesmo a fotografia pode ser veículo de subjetividade. O semiólogo francês Roland Barthes já demonstrou que a fotografia não é só denotação, mas é também conotação. Processos conotativos, como a escolha das fotos (por que determinado jornal coloca a pior foto do candidato X, enquanto outro jornal publica a melhor foto desse mesmo candidato), a pose e os processos de fotomontagem demonstram que a fotografia não é um retrato fiel da realidade.

Ademais, teorias cognitivas demonstram que o ser humano não consegue captar a realidade em toda as suas facetas e a escolha dos fatos que serão memorizados obedece a padrões subjetivos.

Por outro lado, o filão de investigação que concebe as notícias como construção rejeita as notícias como espelho por diversas razões. Em primeiro lugar, argumenta que, num mundo em que tudo gira ao redor dos meios de comunicação de massa, é impossível separar a realidade da realidade que é mostrada pela mídia. A teoria do agenda setting, por exemplo, diz que as pessoas só discutem aquilo que está na mídia. Em segundo lugar, defende a posição de que a própria linguagem não pode funcionar como transmissora direta de significado inerente aos acontecimentos, porque a linguagem neutra é impossível. Embora o fato seja fator fundamental do jornalismo, sem o qual o mesmo não existe, há uma certa subjetividade e essa subjetividade se encontra na escolha dos fatos. Na escolha das notícias.

Duas outras teorias vão tratar desse processo de escolha de notícias.

A teoria do gatekeeper, originalmente surgida no campo da psicologia e adaptada à análise comunicacional por David Manning White no anos 50, dá ênfase à ação pessoal. White acompanhou durante uma semana o processo de escolha de notícias por parte de um jornalista de meia-idade de um jornal médio norte-americano. A cada escolha, o jornalista, denominado Mr. Gates, deveria anotar as razões pelas quais aceitava ou não uma notícia vinda de uma agência.

White concluiu que o processo de seleção é arbitrário e subjetivo. Assim, de acordo com a teoria resultante do estudo, o jornalista é um gatekeeper, um porteiro, que abre e fecha a porta para as notícias. Aquelas que parecem mais interessante para o jornalista são publicadas, as resultantes são esquecidas.

Generalizando, pode-se dizer que todo jornalista, a todo momento, é um gatekeeper, pois, além das escolhas das pautas que mais interessam, cabe também a escolha dos detalhes que serão publicados. Um profissional pode abrir o portão para determinada informação em uma notícia e fechar para outros. Além disso, há profissionais, como os editores, que têm como função abrir ou fechar o portão para os fatos que serão divulgados, configurando verdadeiros gatekeepers.

A teoria gatekeeper foi duramente criticada por apresentar uma explicação puramente psicológica para a questão das escolhas das notícias e esquecer aspectos sociais. O enfoque sobre a ação social seria dado pela teoria organizacional. Criada por Warren Breed, essa teoria insere o jornalista no seu contexto mais imediato: a organização para a qual trabalha.

Breed dá destaque para os constrangimentos organizacionais pelos quais passam os jornalistas e considera que estes obedecem muito mais as normas e a política editorial/política da empresa, do que seus impulsos pessoais na hora da escolha das notícias.

Como exemplo disso, em estudo realizado em Portugal por José Luís Garcia, 90,6% dos jornalistas daquele país revelaram já ter sofrido algum tipo de pressão no exercício de sua profissão. Essas pressões eram de origem externa e interna. Entre as pressões externas, a maioria provinha de grupos interesse político-partidário (85,8%), seguidos por grupos empresariais e governamentais. Essa pressão, entretanto, não é direta. Ao jornalista inexperiente não é informado o que ele deve ou não deve fazer. Ele o aprende aos poucos, através de um sucessão sutil de recompensas e punições. Assim, o jornalista aprende a antever aquilo que se espera dele, a fim de obter recompensas e evitar penalidades.

São raros os jornalistas que se colocam contra a linha política/editorial da empresa. A maioria se conforma com ela em decorrência de vários fatores. Entre eles: as punições e recompensas; o sentimento de estima para com os superiores e o medo de magoá-los; a vontade de crescer profissionalmente (jornalistas que se adequam à linha política/editorial da empresa têm mais chance de chegar a cargos de chefia); o prazer da atividade (os jornalistas, apesar de não perceberem altos salários, estão geralmente satisfeitos com sua atividade e sentem que estão contribuindo de alguma maneira para a melhoria da sociedade).

Um outro tipo de pressão é o tempo. Quanto menor for tempo de escolha do jornalista, quanto mais próximo ele estiver do deadline, maior será a influência da organização sobre ele. O fator tempo, portanto, transcende a ação pessoal do jornalista e pode ser inserido nos constrangimentos organizacionais que assimilam o jornalista à política organizacional.

As teorias organizacional e gatekeeper não pregam uma volta ao sensacionalismo anterior à teoria do espelho, mas demonstram que toda notícia é apenas uma versão dos fatos, e nunca a versão definitiva dos mesmos.

Para ir além
BARTHES, R. A Mensagem fotográfica. In: LIMA, L. C. Teoria da Cultura de Massa. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

SOUSA, J. P. Teorias da notícia e do jornalismo. Chapecó: Argos, 2002.

TRAQUINA, N. O estudo do jornalismo no século XX. São Leopoldo: Unisinos, 2001.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

7ª Mostra de Cinema Direitos Humanos na América do Sul

Macapá recebe pela segunda vez a  7ª Mostra de Cinema Direitos Humanos na América do Sul, evento importante para a divulgação e reflexão sobre questões, infelizmente, tão atuais em nossa sociedade como o racismo, a homofobia, o machismo, o preconceito com pessoas que possuam alguma necessidade especial, entre tantos outros assuntos que permeiam a discussão sobre os Direitos Humanos. 
A mostra é uma  realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, fruto da parceria com o Ministério da Cultura, por meio da Cinemateca Brasileira, patrocínio da Petrobras e apoio do Ministério das Relações Exteriores, da TV Brasil, do SESC e do Governo do Estado do Amapá, através da Secult, além do Museu Sacaca e da Fortaleza de São José. 
Estão todos convidados para a abertura que será amanhã no Museu Sacaca, às 19 horas, com a presença do curador da mostra,  Francisco César Filho, que entre tantos trabalhos, é criador e organizador da Mostra do Audiovisual Paulista (evento anual realizado desde 1987), diretor do Festival de Cinema Latino-americano de São Paulo e atual Coordenador Executivo do Cine +Cultura, programa do Governo Federal. 
Para maiores informaçoes, clique aqui

terça-feira, dezembro 04, 2012

Os silêncios da eternidade

Acontece dia 7 de dezembro, às 19:30 horas, o lançamento do livro  Os silêncios da eternidade, do escritor amapaense Paulo Tarso. O evento acontece na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, na rua São José, Centro.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Gonzaga - de pai para filho

Assistimos Gonzaga, de pai para filho, cinebiografia de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha assinada pelo diretor Breno Silveira e pela roteirista Patrícia Andrade, os mesmos de Dois filhos de Francisco.
Breno Silveira está se especializando em trabalhar vida de músicos no cinema e tirar delas o melhor. Em 2 filhos, ele foi inteligente ao focar a narrativa no pai e seu sonho de transformar seus filhos em astros da música, o que transformou o filme interessante até para quem não gosta de Zezé di Camargo e Luciano, como é o meu caso.
Em Gonzaga, ele focou sua narrativa no conflito entre pai e filho. Foi uma estratégia acertada do roteiro. Cinebiografias costuma pecar por falta de conflito, que é o motor de um filme.  O resultado são cenas soltas da vida do biografado. Em Gonzaga, Breno aproveita-se de uma visita que Gonzaguinha faz ao pai e grava com ele uma entrevista como a linha que costura os as cenas. Esse fato realmente aconteceu e em alguns trechos pode-se ouvir o áudio original de entrevista. Nele transparece não só a vida do cantor, mas sua relação difícil com o filho.
Gonzaguinha foi criado pelos padrinhos, quando criança nunca foi em um show do pai e sente-se abandonado por ele. Luiz Gonzaga acha o filho arrogante e comunista. Em meio à conversa, são apresentados os fatos da vida do rei do baião. Eles precisam superar suas diferenças para mostrarem o que realmente sentem um pelo outro (não é novidade para o expectador que os dois se reconciliam e Gonzaguinha torna-se o grande responsável por resgatar a obra do pai. O interessante é saber como isso acontece).
Um ponto positivo a mais é forma como diretor trabalha a música, muitas vezes compondo cenas inteiras em que a narrrativa está focada na música, como na ótima cena em que ele volta para casa no sertão e a sequência não tem diálogos, sendo focada na música "Respeita Januário", cujo refrão é conhecidíssimo: "Luis, respeita Januário. Você é mais famoso, mas seu pai é mai tinhoso...". Alías, essa sequência termina com um fantástico plano emblemático: o carro se afasta e a família é filmada pelo vidro do carro e a locução diz: "Eu sai do sertão, mas o sertão não saiu de mim".
Quer um conselho? Assista Gonzaga, de pai para filho, mas leve um lenço.

sábado, dezembro 01, 2012

O sucesso da litratura erótica feminina

Projeto gráfico inovador ajudou no sucesso dos livros.
Dia desses entrei no site da Saraiva e me surpreendi: os livros mais vendidos são todos livros eróticos para mulheres, em especial a trilogia 50 tons de cinza e seus similares. O sucesso desses livros tem pegado todo mundo de surpresa, inclusive as próprias mulheres, afinal, durante muitos anos o erotismo esteve sempre voltado para os homens. Eram os homens que assistiam aos filmes eróticos, que liam quadrinhos eróticos. Na editora Grafipar, por exemplo, a revista erótica Rose, com fotos de homens nus, foi criada, no final dos anos 1970 para mulheres e depois se descobriu que era comprada por gays.
Segundo este texto, as mulheres finalmente estão se permitindo fantasiar. 
Por que tanto sucesso?
Uma das razões é que começaram a publicar livros eróticos escritos por mulheres para mulheres, com narrativas que focam no romance contextualizando o sexo. Outra: livros em série, que permitem à mulher acompanhar os personagens como se fosse uma novela. E, finalmente, o projeto gráfico totalmente inovador. Muita gente tem perguntado como as mulheres têm tido coragem de andar com um livro erótico nas mãos. Simples: a capa desses livros não parecem eróticas. Não há pessoas nuas  e, em especial, não há mulheres nuas. Normalmente são super-closes de objetos com grande simbologia.
Um exemplo disso é o livro Falsa Submissão, lançado no Brasil na década de 1990 e que foi um fiasco. Hoje, com o sucesso de 50 tons, foi relançado e virou sucesso. Comparem as duas capas.
Capa da década de 1990: nitidamente erótica e voltada para o público masculino.

Capa atual: o tipo de livro que uma mulher levaria na bolsa.

Um outro fator é que as mulheres têm a tendência de indicar às amigas o que gostam. Ou seja: o sucesso desses livros é puro buzz marketing.
Abaixo a capa de alguns outros livros eróticos de sucesso. Reparem como o projeto gráfico privilegia o público feminino, sem imagens explícitas, mas com closes de objetos simbólicos que evocam tanto fantasias sexuais quanto romance.