sábado, dezembro 14, 2013

Arte virtual: da ilusão à imersão

As tecnologias sempre influenciaram o desenvolvimento da arte. A invenção da perspectiva revolucionou a pintura, criando todo um leque de possibilidades. Já no século XIX, a invenção da fotografia gerou uma crise artística que levaria ao surgimento de praticamente toda a arte moderna. E, atualmente, o desenvolvimento da tecnologia cibernética tem provocado uma revolução ainda maior. Nunca o mundo de imagens ao nosso redor mudou tão rapidamente, e nunca a forma como as imagens são produzidas sofreu transformações tão radicais. Isso afetou muitas áreas da arte. A arte interativa, em especial na sua forma mais avançada, a arte virtual, tem afetado não só a percepção do público sobre a arte, mas também dominado as teorias da imagem e da arte. Analisar essa realidade é o objetivo do livro Arte Virtual: da ilusão à imersão, de Oliver Grau (Unesp, 2007). Por si só, o tema já tornaria a obra interessante. Mas a abordagem escolhida pelo autor, ao mostrar que a arte virtual não surgiu com os computadores, fazem da obra não só uma análise de um momento atual, mas também um resgate de uma história perdida. 

Oliver Grau é professor de história da arte da Universidade de Humboldt, Berlim, e professor associado da Universidade da Arte de Linz, além de líder do projeto German Science Foundation, especializada em arte imersiva. 

De acordo com o autor, as primeiras tentativas de colocar o observador em um espaço imagético imersivo, de ilusão, não vieram com a realidade virtual assistida pelo computador. Ao contrário, a realidade virtual é elemento essencial do relacionamento dos seres humanos com as imagens e remonta à antiguidade clássica. 

Durante séculos os artistas procuraram criar o máximo de ilusão com os meios técnicos disponíveis, tentando integrar imagem e observador. O início de tudo está na grande tradição - principalmente europeia - de espaços imagéticos de ilusão, encontrada em propriedades privadas e templos em pequenas cidades e vilas através dos afrescos. Nos afrescos, o observador era cercado de todos os lados, numa imagem que formava uma unidade tempo e espaço. Exemplo disso é o Grande Friso da Vila dos Mistérios (60 a.C). Esse templo dedicado a Dionísio apresentava uma imagem em 360 graus que rompia as barreiras entre o observador e o que estava sendo observado. Os espaços de ilusão também ganharam importância durante o barroco com os tetos das igrejas, que simulavam que o céu e o espaço que o devoto ocupava estivessem no mesmo lugar. E, finalmente, o panorama, que representou durante muito tempo a mais desenvolvida forma de ilusionismo imagético. Mais recentemente temos o cineorama, a televisão estereoscópica, o sensorama, o cinema e os quadrinhos 3D etc. 

A mídia interativa mudou nossa percepção das imagens ao associar a exploração sensório-motora de um espaço imagético a uma visão panorâmica. Até mesmo as noções de tempo e espaço são alteradas: "Em um espaço virtual, os parâmetros de tempo e espaço podem ser modificados à vontade, permitindo que o espaço seja usado para modelar e fazer experimentos". A arte virtual, ao misturar imagens do mundo natural com imagens artificiais cria uma realidade mista, na qual constantemente é impossível distinguir o original de seu simulacro. 

Nesse contexto, a palavra-chave parece ser imersão. Segundo Grau, ela é caracterizada pela "diminuição da distância crítica do que é exibido e o crescente envolvimento emocional com o que está acontecendo". Para isso, veda-se hermeticamente a percepção das impressões visuais externas utilizando recursos de luz indireta para que a imagem pareça real. Nesse mundo artificial, a imagem gerada preenche todo o campo de visão do observador, num espaço de 360 graus de ilusão. O espectador funde-se com a imagem, tendo toda a sua percepção capturada pelo espaço virtual, inclusive o tato, a audição e, em alguns casos, até mesmo o olfato. O objetivo é fornecer ao espectador a impressão de sentir-se no local onde a imagem ocorre. Softwares e hardwares permitem uma total imersão, com som estereofônico simulado, impressões táteis, sensações termorreceptivas e cinestéticas. O olhar não é mais estático, mas, teoricamente inclui um número infinito de perspectivas possíveis. 

Oliver Grau não restringe sua análise às artes plásticas. O cinema, no livro, ganha destaque com experiências como Cineorama, em que dez filmes de 70 milimetros era projetados simultaneamente para formar uma imagem de 360 graus. Aliás, o cinema, quando surgiu, era, por si só, uma experiência imersiva: no seu início, o público ficava extasiado diante da nova experiência visual chegando a se assustar com o que ocorria na tela, como se o que estivesse sendo mostrado pudesse pular para fora da mesma. 

O cineasta russo Sergei Eisenstein foi um dos que tentaram resgatar essa percepção mágica. Para isso ele imaginou o Stereokino, em que a imagem, tridimensional, jorraria da tela para o auditório. Sem deixar detalhes técnicos de como faria isso, o cineasta pretendia arrebatar o público para dentro do ambiente de seu filme. 

Ao diluir a diferença entre real e simulacro, a arte virtual coloca em questão a distinção entre o autor e o observador, o status da obra de arte e até mesmo as funções das exposições. Assim, a discussão sobre a arte imersiva está no centro do mais importante debate sobre arte da atualidade, fazendo com que o livro de Oliver Grau seja fundamental para os que estejam interessados no assunto.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Lançamentos 2013

2013 foi um ano de muitas publicações. Quadrinhos, literatura, muita coisa interessante. Confira abaixo todas as edições de que participei neste ano.
 Galeão, o meu primeiro romance, foi publicado pela editora 9Bravos, de Salvador. Com uma história em espiral na qual cada personagem tem um segredo, essa história de fantasia de policial tem gerado muitos elogios por parte dos leitores.
 Nessa antologia publicada pela editora Estronho eu colaborei com um conto sobre um cientista hipocondríaco que pretende provar que os dinossauros deram origem aos peixes com a ajuda de um ajudante muito atrapalhado.
 Nesse álbum, editado por Leonardo Melo, eu reconto a história dos três porquinhos, misturando-a com Pulp Fiction. Arte do grande Antonio Eder.

 Esse foi um dos álbuns mais surpreendes do ano. Em uma publicação de 350 páginas, dezenas de autores contam histórias nas quais Curitiba é invadida por zumbis. Eu escrevi três histórias: Só tem zumbi em um quadrinhos, Os dias são todos iguais e Machado, o detetivo do inexplicado no caso do quebra-cabeça zumbi.

Outra antologia muito interessante juntando a ficção científica steampunk com erotismo. Eu colaborei com o conto "A beleza roubada".

Fotos podem mentir

Em minhas aulas de Teoria do Jornalismo costumo falar sobre o caráter subjetivo da fotografia (ancorado nas ideias de Roland Barthes). Há um motivo: a teoria do espelho, primeira teoria do jornalismo, dizia que o jornalista deveria ser como o fotógrafo, que apenas registra, de maneira objetiva, a realidade. Hoje, sabe-se que a fotografia, modelo da objetividade jornalística, também é subjetiva. Um exemplo disso foram as fotos recentes do presidente norte-americano Obama, sua esposa e a primeira ministra da Dinamarca. As fotos, publicadas em diversos veículos, davam a entender que ocorrera um episódio de ciúmes da primeira-dama norte-americana. Agora, o autor das fotos veio a público declarar que as fotos foram mal-interpretadas e que, na verdade, a primeira dama norte-americana estava momentos antes, conversando animadamente com a primeira ministra. "Seu olhar severo foi capturado por acaso". Leia mais sobre o assunto aqui e aqui.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

A morte de JK estava no gibi

A comissão da verdade da Câmara Municipal de São Paulo divulgou hoje uma de suas conclusões: o ex-presidente JK foi morto pela ditadura militar. Até então, a versão oficial é de que ele havia morrido em uma acidente de carro. Pelo jeito, descobriram que o carro foi sabotado. Ao ver a notícia, alguns fãs de quadrinhos lembraram da graphic novel Manticore, que escrevi em 1999. Nela, o personagem Coronel manda sabotar os freios do carro de Juscelino. Confira abaixo a imagem da HQ.
Em tempo: a Manticore contou com os desenhos de Antonio Eder, José Aguiar, Márcio Freire e Luciano Lagares.

domingo, dezembro 08, 2013

Calçada da leitura

Calçada da leitura é um projeto de incentivo à leitura organizado pela minha esposa, Elizabeth Magno. Todo sábado, de 18 às 19:30 horas ela reúne a criançada da rua onde moramos e distribui livros e gibis. As crianças gostam tanto que mesmo antes do horário já ficam aguardando.
É possível colaborar com o projeto fazendo doações, ajudando na leitura, contações de histórias, recitando poesias. Para conhecer mais, acesse a página do projeto no Facebook.

Eugênio Colonnese - o desenhista das mulheres

Eugênio Colonnese começou sua carreira na Argentina, em 1949. Passou vários anos naquele país, trabalhando em revistas de sucesso, mas em 1964 veio para o Brasil, onde ajudou a fundar o estúdio D´Arte em parceria com o argentino Rodolfo Zalla. Juntos, produziram histórias em quadrinhos dos mais diversos gêneros, indo dos quadrinhos de guerra aos de super-heróis. Mas foi o terror que tornou Colonnesse uma celebridade, especialmente por causa da criação de Mirza, provavelmente a primeira heroína vampira dos quadrinhos.
Também criou o Morto do Pântano, um personagem de nome muito parecido com o Monstro do Pântano, que faria sucesso anos depois na DC Comics.
Na década de 1970, ele abandonou os quadrinhos para se dedicar à ilustração de livros didáticos para editoras como Ática e FTD. Acabou se tornando um paradigma do gênero, trazendo a linguagem dos quadrinhos para os livros escolares. Seu traço elegante era facilmente reconhecível pelos fãs, muitos dos quais ainda guardam esses livros apenas por causa das ilustrações.
Na década de 1980, quando o amigo Zalla transformou a D´arte em editora e começou a publicar as revistas Calafrio e Mestres do Terror, Colonnese voltou aos quadrinhos, fazendo antológicas histórias de terror.
Também ficaram célebres as histórias em quadrinhos institucionais que ele fez para o Instituto Universal Brasileiro, nos anos 1980.
War, histórias de guerra, com textos de Gian Danton, foi um dos últimos trabalhos do mestre.

Em todos os trabalhos, Colonnese sempre se revelou um exímio artista, com um traço detalhista, anatomicamente perfeito, e uma habilidade fora do comum para desenhar mulheres.
Nos anos 1990 ele continuou na ativa, produzindo obras como A Arte exuberante de desenhar mulheres (Opera Graphica), Curso Completo de Desenho (Escala), ilustrou duas aventuras de Mister No, para a editora italiana Bonelli e criou novas personagens, como Bruuna. Um de seus últimos trabalhos foi o álbum War – histórias de guerra (Opera Graphica), com roteiro de Gian Danton.
Depois finalizou a graphic novel A Vida de Chico Xavier, sobre o mais importante médium brasileiro.
Esse que foi um dos maiores artistas dos quadrinhos brasileiros morreu no dia 8 de agosto de 2008. 

sábado, dezembro 07, 2013

Disney compra os direitos de Indiana Jones


A Disney chegou a um acordo com a Paramount  e conseguiu comprar os direitos sobre a franquia Indiana Jones. A informação é da Variety.

Pelo acerto entre as duas empresas, a Paramount continua distribuindo os quatro longas já existentes, mas só receberá uma participação nos lucros dos futurosfilmes, que de agora em diante serão lançados pela Disney. Leia mais

Cidade Sorriso dos mortos vivos

Dezembro é o mês em que estão chegando os exemplares impressos de publicações com as quais colaborei. Hoje foi a vez do álbum Cidade Sorriso dos Mortos-Vivos, organizado por Antonio Eder e Walkir Fernandes. É uma impressionante publicação de 350 páginas com HQs nos mais variados estilos mostrando a cidade Curitiba sendo invadida por zumbis. Eu escrevi três histórias: Só tem um zumbi em um quadrinho (com arte de Marcio Freire), Os dias são todos iguais e Machado, o detetive do inexplido no caso do quebra-cabeça zumbi(com arte de Antonio Eder). Essa última é uma homenagem ao amigo Carlos Alberto Machado. Enfim, uma obra de peso (literalmente).
Confira abaixo algumas fotos da edição impressa. 



 

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Antologia Terrir



Chegaram os meus exemplarea da antologia Terrir, que une terror e humor, da editora Estronho. Eu colaboro com o conto "O Monstro do Lago Ness". A divertida edição pode ser comprada no site da editora: http://www.estronho.com.br/editoraestronho/index.php/catalogo-estronho/confira-catalogo-completo. 

Confira abaixo um trecho do meu conto: 
O episódio do taxista acabou se revelando providencial. No final, acabou sobrando bastante dinheiro para alugar um barco. Mas surgiu um problema: o funcionário fazia questão de ir junto. Aparentemente, aquela dupla de homens em trajes de verão não inspirava muita confiança. Contribuía ainda mais para a desconfiança o fato do homem grandalhão passar o tempo todo correndo atrás de um gato e do homem pequeno, de barba e camisa havaiana não parar de falar um único instante sobre como era perseguido em algum país chamado academia e sobre como o barqueiro poderia ser um agente deles.
- Está bem. Já sei como resolver isso. – disse o doutor, entregando furtivamente uma nota de dez libras para o funcionário.
- Não, não pense que vai me comprar assim. – declarou o barqueiro, estufando o peito. Sou um homem de honra.
- Disso ninguém duvida. – respondeu o doutor, passando mais uma nota de dez libras.
- Um homem de honra não aceita subornos.
- Certamente que não. – concordou o doutor, estendendo mais uma nota de dez libras.
- Nada pode me fazer colocar o barco de meu patrão em perigo. – afirmou o barqueiro.
- Vejo que é um funcionário cioso e comprometido. – atalhou o doutor, oferecendo mais uma nota ao barqueiro.
Ao final de cinquenta notas, o honesto barqueiro se convenceu de que o barco não corria nenhum risco nas mãos daqueles doidos varridos, digo, respeitáveis pesquisadores.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Homenagem a um grande artista


Existem desenhistas e existem artistas. Joao Marreiro é um artista. Dono de um traço super-versátil, que vai do infantil aos super-heróis, é um mestre da narrativa, sempre encontrando uma solução gráfica que torna ainda melhor qualquer página de quadrinhos. Se isso não bastasse, tem se revelado um grande capista. E, acima de tudo, é uma pessoa humilde e simples – uma grande alma, em suma. Tenho muito orgulho de ser seu amigo e mais orgulho ainda dele ter feito a capa do meu romance Galeão, que é sempre elogiada por todos que pegam o livro. Obrigado, amigo. Se você não existisse, Deus teria que te inventar ou o mundo das artes não estaria completo.

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Meu e-book Paralella Mundi está sendo disponibilizado de graça na Amazon. Para baixar, clique aqui. Aproveite que a promoção é válida apenas esta semana.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Lançamento dos livros Galeão e Grafipar, a editora que saiu do eixo



O professor do curso de jornalismo Ivan Carlo lançará os seus livros Galeão e Grafipar, a editora que saiu do eixo no hall da rádio Universitária no dia 4 de dezembro. O evento acontecerá  às 17:00. 
Grafipar, a editora que saiu o eixo conta a história de uma das mais importantes editoras de quadrinhos do Brasil. No final dos anos 1970 a editora curitibana desafiou a ditadura publicando HQs eróticas e conseguiu enorme sucesso, a ponto de muitos dos mais importantes quadrinistas brasileiros se mudarem para a cidade, criando uma vila de artistas. Entre os roteiristas da editora estava o poeta Paulo Leminski. O livro, lançado pela editora Kalaco, conta a história da editora, os bastidores da produção e traz reproduções de algumas das histórias mais relevantes.
Galeão é uma obra de fantasia histórica que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII. Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica com uma trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.
O professor Ivan Carlo, que assina suas obras literárias como Gian Danton, é roteirista de quadrinhos desde 1989, tendo trabalhado para várias editoras e revistas, entre elas a MAD. Já ganhou diversos prêmios por seu trabalho em quadrinhos, entre eles o HQ Mix, o Araxá, PADA e Ângelo Agostini. Por sua obra literária foi homenageado com o troféu Equinócio das Palavras. Foi um dos 50 autores escolhidos para homenagear Maurício de Sousa no álbum MSP + 50. Tem sido convidado especial em eventos de quadrinhos, a convenção Muiraquicon, em Belém, e o Curitiba Gibicon. Também tem participado de diversas antologias nacionais de contos de fantasia. Galeão é seu primeiro romance.

terça-feira, dezembro 03, 2013

As capas mais bizarras de Batman e Superman

O site BuzzFeed fez uma postagem com algumas da capas com situações bizarras pelas quais Batman e Superman passaram na era de prata. Nesse período havia uma forte censura por parte das editoras, o que obrigava os roteiristas a infantilizarem as histórias dos personagens. O resultado vocês conferem abaixo. 

1. Quando Superman tentou deixar o Robin envergonhado por ser gordo.

Quando Superman tentou deixar o Robin envergonhado por ser gordo.

2. A vez em que Robin, Superman e Batman decidiram que queriam dar um mergulho com os meninos.

A vez em que Robin, Superman e Batman decidiram que queriam dar um mergulho com os meninos.

3. A vez em que eles foram em uma viagem de esqui juntos — tão épica que foi preciso usar 96 páginas para contá-la.

A vez em que eles foram em uma viagem de esqui juntos -- tão épica que foi preciso usar 96 páginas para contá-la.

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