Um belíssimo palácio que foi residência da mãe de Luís XIII. Construído no século XVII, é uma bela construção, com jardim imenso, muito frequentado por franceses e turistas. É possível também apreciar os típicos crepes franceses. Em um dos pontos do palácio é possível ver bustos em homenagem a grandes pintores franceses.
quinta-feira, setembro 03, 2020
Escola do Rock
Escola de rock é um filme de 2003 dirigido por Richard Linklater, escrito por Mick White, e estrelado por Jack Black. Na história, um roqueiro fracassado se disfarça de professor substituto em uma rígida escola tradicional. Ao perceber o talento das crianças para a música, ele as convence a participar da batalha de bandas argumentando que se trata de uma competição entre escolas.
Curioso como a maioria dos filmes sobre educação tratam de professores criativos em conflito com a educação tradicional. As crianças desenvolvem seus talentos não só musicais, mas capacidade de organização, liderança e até mesmo matemática (como o garoto que fica responsável por organizar a iluminação do show), mas o professor é repreendido mesmo quando, após ser pego com uma guitarra, usa a música para ensinar matemática para as crianças. Mas, ao contrário de outro filme muito semelhante, Sociedade dos poetas mortos, neste não temos um final depressivo. Ao contrário: o final é realmente empolgante, quando as crianças, após todas as dificuldades, conseguem se apresentar na batalha de bandas.
Jack Black é alma do filme, com uma atuação espetacular, mas o que chama atenção são as talentosas crianças cujo talento musical fica ainda mais explícito nas cenas de improvisação musical.
Não por acaso, o filme se tornou um enorme sucesso (Se você tem Netflix, corra para assistir, pois ele irá sair do streaming até o final do ano).
Curioso como a maioria dos filmes sobre educação tratam de professores criativos em conflito com a educação tradicional. As crianças desenvolvem seus talentos não só musicais, mas capacidade de organização, liderança e até mesmo matemática (como o garoto que fica responsável por organizar a iluminação do show), mas o professor é repreendido mesmo quando, após ser pego com uma guitarra, usa a música para ensinar matemática para as crianças. Mas, ao contrário de outro filme muito semelhante, Sociedade dos poetas mortos, neste não temos um final depressivo. Ao contrário: o final é realmente empolgante, quando as crianças, após todas as dificuldades, conseguem se apresentar na batalha de bandas.
Jack Black é alma do filme, com uma atuação espetacular, mas o que chama atenção são as talentosas crianças cujo talento musical fica ainda mais explícito nas cenas de improvisação musical.
Não por acaso, o filme se tornou um enorme sucesso (Se você tem Netflix, corra para assistir, pois ele irá sair do streaming até o final do ano).
Livro sobre quadrinhos curitibanos cita Gian Danton 16 vezes
Acontece amanhã, dia 20 de outubro, àss 19h na Gibiteca de Curitiba o lançamento do livro A história dos quadrinhos e da gibiteca de Curitiba, de autoria de Fúlvio Pacheco. O livro traz um panorama geral dos quadrinhos curitibanos e cita Gian Danton em 16 páginas. É um dos autores mais comentados na publicação. O livro poe ser adquirido no site da Editora Estronho.
Maus, de Art Spiegelman
Maus, a história de um sobrevivente é a melhor história em quadrinhos já produzida sobre o holocausto. De autoria de Art Spielgman, o livro conta a história do pai do autor, um judeu polonês sobrevivente do campo de Auschwitz.
O livro fala da relação complicada entre pai e filho e como os efeitos psicológicos da guerra repercutiram por anos.
O livro, além da sinceridade absoluta, se destaca pelo ótimo tratamento gráfico, com suásticas avançando como sombras sobre os personagens judeus. A representação dos povos, embora use o antopormofismo (animais para representar seres humanos), um recurso já clássico nos quadrinhos e nos desenhos animados, o faz de forma a destacar a mensagem do autor e ressaltar o clima opressor do período nazista.
Assim, os alemães são representados como gatos e os judeus como ratos. Os americanos são cachorros, os suecos carneiros, os ciganos traças. A representação evoca a propaganda nazista, que, de fato retratava os judeus como ratos e os poloneses como porcos. Era também comum que os nazistas se referissem aos povos indesejados como insetos.
Sem ser melodramática, Maus mostrou e analisou a realidade dos judeus perseguidos pelos alemães, elevando as histórias em quadrinhos a um patamar jornalístico. Tanto que, em Grande parte do livro foi publicado em série na revista RAW, editada por Spiegelman. Foi publicado no Brasil em duas partes pela editora Brasiliense. Recentemente ganhou uma versão integrada pela editora Companhia das Letras
Integralismo: o fascismo tupiniquim
O integralismo foi o equivalente brasileiro das doutrinas fascistas de Mussolini e Hitler.
O movimento inspirava-se na Doutrina Social da Igreja Católica, que se opunha ao socialismo e acreditava que a sociedade só pode funcionar em ordem e paz através de uma hierarquia social rígida e da harmonia social.
Entre os valores defendidos pelo integralismo estão o nacionalismo e a cooperação entre diferentes classes sociais para atingir a harmonia. O passado histórico, a tradição, a cultura, os costumes e a religião são elementos essenciais na doutrina integralista.
No Brasil o maior representante do integralismo foi Plínio Salgado, criador da Ação Integralista Brasileira.
O lema dos integralistas era “Deus, pátria e família”. Seus militantes usavam camisas verdes e cumprimentavam-se aos gritos de “Anauê”, palavra tupi que significa algo como “salve”.
Os integralistas receberam a simpatia de vários setores conservadores, incluindo militares, empresários e religiosos. Em 1938 Plínio Salgado pretendia lançar-se candidato à presidência, mas a eleição foi cancelada com a instalação do Estado Novo, de Getúlio Vargas. O ditador acabou com os partidos, incluindo o Integralista, o que fez com que os seus militantes tentassem um golpe para a tomada do poder, que acabou fracassando.
Os integralistas foram, então, perseguidos, seus líderes presos e exiliados.
quarta-feira, setembro 02, 2020
Pigs on the wing - O Batman da dupla Gian-Bené
Em 1990 eu o compadre Bené Nascimeto resolvemos fazer uma história do Batman. Havia a ideia de apresentar essa HQ para a DC Comics. A ideia de fazer HQs e tentar a DC viera do roteirista Júlio Emílio Braz, que já fora agente em editora europeias (Júlio chegou a fazer uma HQ do Batman com o Mike Deodato). Mesmo que não desse certo, a história seria uma espécie de fanfica da dupla, provavelmente para publicação no nosso fanzine Crash.
A história mostrava Batman investigando uma série de enigmas recebidos pelo comissário Gordon e que parecem indicar um ataque terrorista em Gothan. Nossa ideia é que para investigar ele procurasse cada um dos seus vilões, de forma que teríamos toda a galeria de vilões aparecendo na história – mas não parece ser nenhum deles, já que a maioria está presa ou regenerada.
Do ponto de vista do texto, a história era uma reflexão sobre como as histórias do Batman haviam sido alteradas pela geração de autores dos anos 80 (gente que admirávamos, como Frank Miller e Alan Moore), como os vilões havia deixado de ser palhaços inofensivos e haviam se transformado em psicopatas. O texto também refletia em como isso mudara o próprio Batman e até Gothan City.
Quanto ao desenho, era extremamente caprichado, talvez um dos pontos altos do estilo Bené Nascimento na fase brasileira: havia prédios expressionistas inspirados no filme de Tim Burton (que fora lançado no ano anterior), o traço era extremamente detalhado e repleto de hachuras. De certa forma, era uma antecipação do estilo atual do desenhista em sua fase no Hulk.
Pings on the wing era a nossa versão do Batman, fortemente influenciada por trabalhos como Wachmen, Cavaleiro das Trevas, Piada Mortal e Orquídea Negra.
Infelizmente chegou num ponto que as contas começaram a se tornar mais importantes que a paixão e o Bené teve que abandonar essa HQ para se dedicar a outros trabalhos que davam dinheiro. Essa história ficou como um sonho impossível. Mal podíamos imaginar que quatro anos depois o Bené, agora com o nome de Joe Bennett, estaria trabalhando para os EUA e desenhando diversos personagens tanto da DC quanto da Marvel, incluindo o Batman.
Em tempo: o título, Pigs on the wing, era referência a uma música do Pink Floyd, banda que ouvíamos tanto que acabou se transformando em trilha sonora da dupla.
Confira abaixo as outras páginas da história:A arte espetacular de Vik Muniz
Vik Muniz ficou famoso pelo documentário Lixo Extraordinário. Esse brasileiro usa grande quantidade de lixo para reproduzir obras famosas da arte ocidental. Seu trabalho ajuda a mudar a vida de catadores.Confira abaixo algumas de suas obras, todas feitas com produtos recolhidos por catadores.
Uma breve história dos quadrinhos paraenses
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| Recebendo meus exemplares das mãos do autor Vince Souza |
O Pará é considerado atualmente como um celeiro de grandes quadrinistas. Os quadrinhos se tornaram uma tradição na capital paraense com grandes talentos - alguns dos quais trabalhando para o mercado americano, outros para o mercado europeu. Até o prêmio Jabuti foi para um paraense. Contar a história dessa tradição foi o desafio enfrentando por Vince Souza e Otoniel Oliveira no livro Uma breve história dos quadrinhos paraenses. Apesar do título, é um volume de respeito. São 155 páginas ricamente ilustradas! E capa dura! Obra obrigatória para qualquer fã de quadrinhos nacionais. Eu fiz parte dessa história - foi a partir de uma oficina ministrada por mim e pelo compadre Bené Nascimento que se formou o Ponto de Fuga, um dos grupos que movimentaram o cenário da 9a arte no Pará. Também fui o primeiro gibitecário da Gibiteca da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, que existe até home. Eu ajudei os autores disponibilizando fotos e arquivos de jornais.
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| O livro é ricamente ilustrado |
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| A diagramação é um diferencial da obra. |
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| Na foto no canto superior eu na gibiteca do grupo Ponto de Fuga. Eu era muito magro nessa época. |
Roteiro de quadrinhos: como melhorar seu texto
Uma pergunta comum de novos roteiristas é: como melhorar meu texto?
A resposta vale para qualquer um que escreve, seja quadrinhos, cinema, TV, livros: lendo e escrevendo.
Não existe outra forma de melhorar que não seja produzido. Quanto mais produzir, melhor ficará seu texto.
Isso é bem óbvio no caso de roteiristas de quadrinhos que trabalharam durante anos em um único título, começando em início de carreira.
Pegue, por exemplo, uma história de Chris Claremont na sua fase inicial dos X-men. Depois compare com uma história da fase em que os desenhos eram de John Byrne, época em que o texto de Claremont já estava desenvolvido. A diferença é gritante.
Outro exemplo é Gerry Conway, escritor que começou sua carreira no Homem-aranha e foi responsável por uma das fases mais antológicas do personagem, com histórias clássicas, como a morte de Gwen Stacy. No começo, o texto de Conway parece inseguro e claramente imita o de Stan Lee. Com o tempo o texto se torna solto e vemos, a cada edição, a melhora no roteiro.
Infelizmente no Brasil não temos um mercado consolidado de quadrinhos que permita ao roteirista evoluir escrevendo um título. Mas para isso vale a boa e velha editora Gaveta. Escrever para a editora Gaveta significa escrever para engavetar, sem nenhum objetivo imediato de publicação, escrever para treinar. Pode ser que um dia você vá lá na gaveta e reaproveite alguma daquelas ideias, mas o objetivo inicial é apenas esse – escrever.
O ideal de um bom escritor é ser como um bom motorista. Um bom motorista dirige automaticamente: ele muda a marcha, acelera, diminui marcha, freia, é tudo automático. Da mesma forma, um bom escritor. Depois de algum tempo e muito treino, o texto flui automaticamente e fica bom.
Revisando O UIVO DA GÓRGONA acabei me espantando com a quantidade de figuras de linguagem e de outros elementos narrativos que coloquei na trama. Foi tudo inconsciente. Não passei horas pensando: ah, vou colocar uma metáfora aqui, ah, vamos ter uma elipse aqui. Isso surge naturalmente. O ideal é que o escritor treine, treine, treine, até chegar a esse ponto.
Não existe outra forma de melhorar que não seja produzido. Quanto mais produzir, melhor ficará seu texto.
Isso é bem óbvio no caso de roteiristas de quadrinhos que trabalharam durante anos em um único título, começando em início de carreira.
Pegue, por exemplo, uma história de Chris Claremont na sua fase inicial dos X-men. Depois compare com uma história da fase em que os desenhos eram de John Byrne, época em que o texto de Claremont já estava desenvolvido. A diferença é gritante.
Outro exemplo é Gerry Conway, escritor que começou sua carreira no Homem-aranha e foi responsável por uma das fases mais antológicas do personagem, com histórias clássicas, como a morte de Gwen Stacy. No começo, o texto de Conway parece inseguro e claramente imita o de Stan Lee. Com o tempo o texto se torna solto e vemos, a cada edição, a melhora no roteiro.
Infelizmente no Brasil não temos um mercado consolidado de quadrinhos que permita ao roteirista evoluir escrevendo um título. Mas para isso vale a boa e velha editora Gaveta. Escrever para a editora Gaveta significa escrever para engavetar, sem nenhum objetivo imediato de publicação, escrever para treinar. Pode ser que um dia você vá lá na gaveta e reaproveite alguma daquelas ideias, mas o objetivo inicial é apenas esse – escrever.
O ideal de um bom escritor é ser como um bom motorista. Um bom motorista dirige automaticamente: ele muda a marcha, acelera, diminui marcha, freia, é tudo automático. Da mesma forma, um bom escritor. Depois de algum tempo e muito treino, o texto flui automaticamente e fica bom.
Revisando O UIVO DA GÓRGONA acabei me espantando com a quantidade de figuras de linguagem e de outros elementos narrativos que coloquei na trama. Foi tudo inconsciente. Não passei horas pensando: ah, vou colocar uma metáfora aqui, ah, vamos ter uma elipse aqui. Isso surge naturalmente. O ideal é que o escritor treine, treine, treine, até chegar a esse ponto.
Os críticos
Nos últimos tempos tem surgindo um novo tipo de pessoa: a que nunca ajudou uma velhinha a atravessar a rua, mas é especialista em criticar.
A pessoa nunca deu um prato de comida para alguém, mas quando vê uma pessoa que tem um projeto de leitura para crianças, logo diz: "Lendo para crianças, enquanto tem tanta gente passando fome, que absurdo!".
A pessoa nunca adotou uma criança, mas quando vê alguém de um movimento de proteção dos animais, logo diz: "Preocupada com cachorro e gatinho enquanto tem tanta criança abandonada, que absurdo!".
A pessoa nunca fez absolutamente nada pelas crianças na África, mas quando vê alguém do movimento ecológico, logo diz: "Tantas crianças passando necessidade na África e a pessoa preocupada com planta, que absurdo!".
A pessoa nunca visitou a avó no asilo, mas quando vê um grupo que dá comida para mendigos, logo diz: "Dando comida para mendigos enquanto tem tanto velhinho precisando de remédio, que absurdo!".
Fundo do baú - Doctor Who
Doctor Who é uma premiada série de ficção científica britânica, produzida e transmitida pela BBC. A série mostra as aventuras de um humanoide alienígena conhecido apenas como "O Doutor". Ele explora o universo em sua máquina do tempo, conhecida como TARDIS, cuja aparência exterior se assemelha a uma cabine da polícia londrina de 1963 e é pequena por fora mas imensa por dentro.
O Doutor enfrenta uma variedade de inimigos, enquanto trabalha para salvar as civilizações, ajudar as pessoas comuns, e corrigir erros temporais .
O programa originalmente funcionou de 1963 a 1989. Houve um filme para TV em 1996 que foi um fracasso, mas a série voltou em 2005 e desde então tem sido um grande sucesso. Recentemente foi exibido em todo o mundo, ao mesmo tempo, o especial de 50 anos, o dia do doutor, batendo recordes de audiência.
Doze atores já atuaram na série como O Doutor. A transição de um ator para outro é escrito no enredo do show como a regeneração. Essa foi a solução encontrada para continuar a série com atores diferentes.
Dr. Who se tornou famosa pelos roteiros inteligentes e pelo uso econômico de efeitos especiais, mostrando que a força da boa ficção científica está na história.
terça-feira, setembro 01, 2020
Homem-aranha - aranha no mar
Um autor que não costuma ser associado ao Homem-aranha é Denny O´Neil. No entanto, ele chegou a escrever o personagem no início da década de 1990. Uma dessas histórias, “Aranha ao mar”, foi publicada no Brasil em 1985 na revista Homem-aranha 23. O volume tem uma bela capa de John Romita Jr, desenhista da história. O Romitinha estava na fase anterior ao seu estilo atual (amado por muitos, odiado por outros). Na fase dessa história, ainda imitava o pai, Romita Senior. Na trama, o aracnídeo enfrenta Namor (daí a bela capa com os dois em conflito em um navio).
O problema da HQ é que o Aranha é um personagem urbano e o Namor, marítimo. Há uma história clássica do Demolidor, escrita por Stan Lee, em que o homem sem medo enfrenta o rei dos mares, mas este vai até Nova York. O´neil preferiu levar o aranha até alto-mar em uma solução para lá de forçada e pouco verossímil. A conclusão do conflito entre os dois também é apressada e pouco convincente. O mesmo para a história seguinte, em que surge o Homem hídrico. O Aranha vence-o com jornais e roupas! Considerando que O´Neil foi responsável por uma das melhores fases do Batman, parece que estava de má-vontade quando escreveu as histórias do amigo da vizinhança.
Uma grata surpresa é outra história, do volume, protagonizada pela Mulher Aranha, com roteiro de Chris Claremont e desenhos de Steve Leialoha na qual a personagem enfrente Agar, o gritador. O vilão tem a capacidade de provocar alucinações com seus gritos, o que nos lega as melhores páginas do volume. Embora seja pouco mais que competente nas cenas normais, o desenhista se solta nas sequencias de alucinação, com um desenho que flui pela página, rompendo os limites da diagramação. Há, claro, todo o novelão característico de Claremont, mas as sequencias de alunciação valem ler até o final. Fico imaginando se esse dom lisérgico fosse melhor aproveitado em uma série em que o desenhista pudesse usar todo o seu potencial.
Os Passa vida, de Osmar Júnior e Rambolde Campos
Uma verdadeira preciosidade para quem gosta de música amapaense é o livro Então, foi assim?, de Ruy Godinho. Na obra o autor conta o processo de criação de algumas das principais musicais tucujus, entre elas Os passa vida, de Osmar Júnior e Rambolde Campos, em minha opinião a mais poética de todas, um belo exemplo de como usar vários recursos poéticos, em especial a personificação, em uma música.
Para começar, ao contrário do que muitos imaginam, a música não é sobre Belém, embora tenha ficado famosa na versão da banda Sayonara.
Segundo o livro, a composição surgiu num momento de depressão do poeta Osmar Júnior, após o fim de um relacionamento. O amigo Rambolde Campos foi visitá-lo e, vendo-o daquele jeito, convidou-o para darem uma volta de carro. Iam andando à toa e Osmar Júnior apontando para as mangueiras e comentando o quanto elas eram bonitas.
Daí os versos “Quando o sol chegou, acendendo o dia, foi pra me socorrer da noite que eu vinha”. Aliás, quando foi gravada em Belém por Alcyr Araújo este mudou a letra para “Quando o sol chegou, iluminando dia”, um versão bem menos força poética e simbólica.
Uma outra mudança ocorreu no trecho: “É que nessa cidade, as mangueiras falam sempre em ti. No passo da chuva nos passa a vida, é sempre assim”, Na gravação paraense ficou É que nessa cidade, as mangueiras falam sempre em ti. Na chuva da tarde os passa a vida, é sempre assim” para deixar a música mais com a cara de Belém. A mudança, no entanto, fez com que a composição perdesse força, pois perdeu-se a aliteração (Nos passos... passa vida) e simbologia.
Uma das partes mais lindas da letra, no entanto, foi preservada integralmente: “Mandei a saudade te buscar pra perto de mim”.
Para que não conhece, a personificação é uma figura de linguagem na qual se atribui características humanas a objetos, coisas. É o uso dessa figura que faz Os passa vida ser tão bonita. É o sol que acende o dia e tira o poeta da depressão da noite, são as mangueiras da cidade que falam da amada, é a saudade que vai buscar a amada de volta para o poeta.
Abaixo a letra completa:
Quando o sol chegou acendendo o dia.
Foi pra me socorrer da noite que eu vinha.
É que nessa cidade tudo ficou entre nós dois.
Uma noite em claro, e o claro da noite vem depois.
o que aperta o peito é o tempo é o cheiro, O amor é assim.
Eu quis você pra mim.
Eu quis você pra mim.
É que nessa cidade as mangueiras falam sempre em ti.
No passo da chuva, nos passa a vida, é sempre assim
Eu te procurei, te achei em minha solidão.
Ai minha solidão!
Oh minha solidão!
Peguei pra cantar na beira do rio.
Meu coração, mandei a saudade te buscar pra perto de mim
Eu me debrucei por sobre o meu verso
E o violão, um beijo no tempo segurei e guardei pra você, aqui.
Museu D´Orsay
Se o Louvre é o paraíso da arte antiga, barroca, romântica, o Museu D´Orsay é o ponto alto da arte moderna em Paris. Há muita coisa, por exemplo, dos impressionistas: Degás, Renoir, Monet.
Mas a grande atração é a sala dedicada a Van Gogh. Completamente ignorado em vida (ele só conseguia vender quadros para o próprio irmão), ele se tornou uma verdadeira sensação atualmente. Turistas correm para ver suas obras. Na mesma sala há quadros de Gaugan, com o qual o pintor holandês morou durante algum tempo.
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| Almoço na relva, o polêmico quadro de Manet. |
Há também vários quadros de arstitas realistas, como Millet e até mesmo o famoso e controverso Quadro A Origem do mundo, de Gustave Courbet (conhecimento pela maioria das pessoas por ter sido censurado pelo Facebook).
Falando em polêmica, nada causou mais polêmica na época do que os quadros de Manet, também presentes no Museu. Dois exemplos são Olímpia e Almoço na relva. Os conservadores da época acusaram o artista de indecência por colocar mulheres nuas em seus quadros. O nu era comum nas artes, mas era um nu idealizado, de deusas gregas. Manet colocou mulheres de verdade em suas obras e por isso provocou a ira dos consevadores. Olimpia se tornou tão famosa que ganhou releituras, como a de Gaugan, também presente no Museu.
O Museu também tem vários quadros de simbolistas e uma série de belíssimas estátuas.
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| Degas é mais conhecido pela pintura, mas também era escultor. |
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| Há várias versões do quadros Nifas, de Monet, cada uma pintada em uma condição de luz. |
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Os caçadores de crocodilos, de Ernest BarriasErnest BarriasErnest BarriasErnest Barrias |
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| A origem do mundo, de Coubert, causa polêmica até hoje. |
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| Monet, como outros impressionistas, se interessava pela forma como a luz interferia na cor. |
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| Pinturas de Monet com o tema mulher com sombrinha. |
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| Coubert colocou vários amigos no quadro O ateliê do artista. |
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Susannah e os anciões, de Paul Cabet
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Curitiba: cidade modelo
Curitiba é hoje uma das cidades mais elogiadas e copiadas do mundo. O modelo urbano premiado surgiu na década de 1970 quando um engenheiro foi nomeado prefeito de Curitiba pelo regime militar.
Ao invés de nomear um político, como havia sido feito em outros locais (Collor, por exemplo, foi indicado prefeito de Maceió), na capital paranaense resolveram colocar como gestor um técnico: Jaime Lerner. Eu vi propagandas políticas de Lerner e posso garantir que ele nunca seria eleito. Não era um político. Seus vídeos eram ele com um pincel atômico, desenhando suas propostas. Parecia um técnico apresentando sua proposta para clientes.
No entanto, lá estava ele, no comanda da capital paranaense e o resultado todos conhecem: ele transformou uma cidade provinciana, quase desconhecida em uma referência mundial de planejamento e mobilidade urbana. Um planejamento tão acertado que impediu até mesmo que a cidade tivesse uma cracolândia, já que não há áreas por onde as pessoas não passam (a cidade foi pensada para promover essa movimentação de pedestres).
No entanto, nunca ouvi nenhum defensor dos militares citar Curitiba ou Jaime Lerner. Da mesma forma, nunca vi nenhum desses citar o general Golbery, um dos mentores do regime militar, grande gênio, conhecedor de filosofia, política, sociologia. É curioso que nenhum desses seja sequer citado.
Entrevista com Carla Camuratti - 1995
Procurando material para usar como exemplo com meus alunos de Redação Jornalística, encontro essa entrevista-perfil sobre a Carla Camuraiti que escrevi para o jornal Folha de Londrina em 1995 (na época em que a Folha de Londrina era o melhor jornal do Paraná). Entrevista jornalística não é só perguntas e respostas.
The Spirit
Dos heróis surgidos nos anos da Segunda Guerra Mundial, um deles se destacou não pelos poderes extraordinários ou por uniformes espalhafatosos. Spirit, criado por Will Eisner, era um herói, acima de tudo, humano. Policial dado como morto, Colt se aproveita do anonimato para resolver casos além do alcance da polícia, apenas com uma capa e um chapéu “noir”. A minúscula máscara, sugestão do editor, procurou torná-lo mais comercial, mas não lhe diminuiu o prestígio.
O Spirit era uma espécie de mestre de cerimônias de um show pelo qual desfilavam menores abandonados, ladrões, suicidas... Gente que tem uma bela ou triste história para contar.
Uma das histórias mais tocantes era sobre um garoto que sabia voar. Proibido de sair do chão pela mãe, ele sobe, já adulto, num edifício onde o Spirit troca tiros com bandidos e começa a fazer evoluções no ar, até que uma bala o acerta. Eisner aconselha os leitores não chorarem por ele, mas pelas pessoas que não perceberam seu vôo.
Apesar dos textos impressionistas, o Spirit entrou para a história dos quadrinhos por um motivo estético: foi o primeiro a tentar uma linguagem realmente quadrinística.
O texto nunca dizia o que a imagem podia passar e havia uma exploração muito grande das possibilidades narrativas do desenho. Eisner foi o primeiro a usar a sequência com maestria nos quadrinhos e é considerado o pai da nova geração de quadrinistas, como Alan Moore, Dave McKean, Dave Gibbons e Neil Gaiman, entre outros.
O Spirit durou de 1940 a 1952, quando a opinião pública voltou-se contra os quadrinhos, depois que o livro ‘Sedução de inocentes”, do psicólogo Frederích Werthan, os acusou de serem responsáveis pela delinqüência juvenil que florescia nos EUA. Vendo a decadência do mercado de quadrinhos, Eisner foi fazer desenhos para o exército.
Na década de 1970, Eisner voltaria aos quadrinhos, criando as graphic novels com a obra Um contrato com Deus.
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