segunda-feira, maio 02, 2022

As capas de Perry Rhodan ao redor do mundo


Perry Rhodan é a mais extensa série de ficção científia literária de todos os tempos. Na Alemanha, onde surgiu, já foram publicados mais de 3 mil livros. Mas vários outros países publicaram ou ainda publicam a série, da Rússia ao Peru, da República Tcheca à Grécia. Um exercício interessante é observar as capas em cada país. Muitos usaram as ilustrações originais, de Johnny Buck. Outros países usaram as imagens das capas da edição norte-americana, realizados por Gray Morrows. Outros, como é o caso do Japão, fizeram capas totalmente originais, muitas das quais extremamente curiosas. 

Fiz uma seleção dos cinco primeiros livros da série publicados em diversos países. Como a série foi publicada em muitos locais, optei por colocar na seleção apenas aqueles que tiveram pelo menos cinco edições lançadas. 

Algo curioso é perceber que em muitos países os editores preferiram pular histórias, de modo que a ordem desses locais não é a mesma ordem alemã. O Brasil foi um dos poucos locais em que os livros foram publicados exatamente na mesma ordem germânica. 

Confira as capas.

Alemanha

As capas originais eram feitas  Johnny Buck, um artista que ilustrou capas de milhares de exemplares e cuja arte é cultuada pelos fãs alemãs. 



Estados Unidos 
O editor norte-americano preferiu encomendar capas originais para o artista Gray Morrow, que na maioria das vezes fazia imagens que não tinham relação nenhuma com a trama. 
O editor também mudou o formato, publicando Perry Rhodan com livro de bolso. Dá para perceber também que os editores pularam números. 







Brasil 
Os editores brasileiros usaram o formato e a diagramação da edição norte-americana, mas misturou capas americanas e alemães. 







Itália 
Os editores italianos usaram o mesmo formato e diagramação norte-americanos, mas não se contentaram em pular números. A ordem dos livros é totalmente aleatória. Os leitores não devem ter entendido nada. Não por acaso, a série só durou quatro números. 




República Tcheca
A República Tcheca foi um dos países que mais publicou Perry Rhodan. Foram mais de 2 mil exemplares! Eles usaram as ilustrações originais, mas deram um visual mais arrojado para a diagramação. 





Holanda 
O editor holandês preferiu encomendar ilustrações orignais e o resultado foi muito positivo. Infelizmente o impacto das imagens era prejudicado por um capa que privilegiava o título e o resumo da história. 







Grã Bretanha 
Sem dúvida, algumas das mais lindas capas são da edição inglesa, embora todas elas sejam imagens de naves e não tenham relação com as histórias (apenas nos volumes 16,17 e 32 apareciam pessoas). Mais uma vez temos um caso de editor que preferiu pular volumes. 






França 
A edição francesa usou imagens orignais. A diagramação era interessante, embora deixasse perdida toda a parte posterior. Mais uma vez temos um caso em que foram pulados volumes. 






Japão 
Certamente algumas das mais belas - e também das mais loucas - capas são da edição japonesa. Em uma das capas aparece até um jogador de futebol! 









Mata-me, ó Deus

 

"Mata-me, ó Deus", graphic com roteiro de Marcos Guerra e arte de Marcos Garcia e Carlos Alberto é um dos trabalhos mais instigantes lançados no FIQ.
O roteiro, que lembra muito Jodorowsky, trata de um mundo pós-apocaliptico em que os continentes foram invadidos pela água e o clima se tornou um perene inverno. 
Nesse mundo um viajante vai em busca de um alquimista em busca de ouro para reconstruir a economia do planeta. Mas o que encontra é algo muito além disso (difícil dizer sem spoiler).
Embora o texto seja preciso, poético, é uma história visual. E, nesse sentido, os dois artistas fizeram um trabalho fenomenal, que lembra muito o grande Watson Portela.
Filosofia, religião e uma arte realmente impressionante.

Siga o exemplo dos deuses antigos

 

domingo, maio 01, 2022

O mundo perdido dos pulp fiction

  Há uma idéia generalizada de que os pulp fiction são uma forma menor de literatura. Muitos, inclusive, traduzem o termo como literatura barata. Nada mais falso. Em mais de um século de existência, os pulp publicaram alguns dos grandes autores de sua época e revelaram grandes nomes da literatura.

                A história dos pulps começa em 1896, quando o editor Frank Monsey resolveu transformar uma revista para meninos, The Argosy, numa revista de ficção adulta com formato de 17 por 25 cm. O papel, de péssima qualidade e altamente descartável, era feito da polpa da árvore, daí o nome pulp. A publicação custava apenas um centavo. Mais tarde, alguns pulps chegariam a custar até 20 centavos.

                Os pulps surgiam como uma opção de leitura e diversão para uma grande massa de trabalhadores que emigrava do campo para a cidade, formando o que seria chamado de sociedade de massas. O salário médio de um operário era de 7 dólares semanais e o preço dos pulps não pesavam no bolso. Em 1907 The Argosy já vendia 500 mil exemplares. Preço baixo e grandes tiragens seriam a receita de sucesso dos pulps até meados do século passado.
                O mesmo Munsey iria lançar uma das mais célebres publicações no gênero: All-Story Magazine. Foi nessa revista que Edgar Rice Burroughs lançou em 1912 a história “Sob as luas de Marte”, com o personagem John Carter de Marte. Pouco depois ele criou, para a mesma revista, um personagem que se tornaria uma lenda do século XX: Tarzan.

                A partir da década de 20 os pulps entraram em decadência devido à concorrência do rádio e do cinema. A reação dos editores deu origem a uma das eras mais prolíferas do gênero: as revistas passaram a ser temáticas. Surgiram revistas sobre crimes, ficção científica, terror, faroeste e até revistas sobre submarinos e zepelins.
As revistas de crime revelaram um dos maiores escritores norte-americanos: Dashiell Hammett, autor de O Falcão Maltes e criador do romance noir. Esse novo tipo de história mudava a ótica das histórias policiais, tornando-as mais realistas. A linguagem seca e rápida de Hammett teria grande influência sobre escritores badalados, como o brasileiro Ruben Fonseca.

                As revistas de ficção-científica revelaram nomes como Isaac Assim e Ray Bradbury. Posteriormente essas revistas passariam por uma reformulação editorial e se tornariam mais elitistas, como o são hoje.
                Mas o que ficou marcado na mente das pessoas foram os personagens criados para essas revistas. Além de Tarzã, muitos outros desfilaram pelas páginas dos pulp fictions: O Sombra, Doc Savage, Capitão Futuro, Conan, Buck Rogers, Fu Manchu e muitos outros.
                Esses personagens seriam uma virada nos pulps e talvez sem eles esse tipo de revista não teria alcançado tanto sucesso numa época em que a crise econômica arrasava o mundo inteiro.

                O Sombra é um bom exemplo dessa nova perpectiva. O personagem surgiu em um programa de rádio. Ele era o apresentador de um programa baseado nas narrativas da revista Histórias de Detetive. No dia 31 de julho os norte-americanos se espantaram com um voz cavernosa que ria e dizia: “Quem sabe o mal que se esconde no coração dos homens? O Sombra sabe”.
                O editores esperavam que o programa alavancasse as vendas da revista. Mas as pessoas iam às bancas procurando justamente as aventuras daquele personagem misterioso. Daí para que o personagem se tornasse uma estrela dos pulps foi um pulo. O escritor  Walter Gibson, sob o pseudônimo de Maxwell Grant escreveu nada menos que 283 histórias do personagem, transformando-o num fenômeno mundial. Até no Brasil o Sombra chegou a ter um programa de rádio.
                O Sombra daria a tônica do que seriam os heróis dos pulps: um herói destemido e misterioso que combate o mal ajudado por uma equipe de especialistas.

                Esse seria o mesmo mote de Doc Savage. Desde sua infância Savage cultivou o corpo e o intelecto, tornando-se um gênio e ao mesmo tempo um atleta. Além disso, sua pele tem uma coloração bronzeada que lhe valeu o apelido de Homem de Bronze. Em suas aventuras ele contava com a ajuda de cinco amigos e juntos combatiam o mal com muita coragem e os mais avançados aparelhos tecnológicos.
                Savage migrou para o cinema, e para os quadrinhos, sempre com muito sucesso.
                Capitão Futuro, criado por Edmond Hamilton, é outro personagem que fez história, agora num cenário de ficção científica.
                A história se passa na década de 1990.

                Capitão Futuro é um verdadeiro um super-homem, com visão esplendida, reflexos super-desenvolvidos e gênio super-desenvolvido. De sua base na Lua ele vive as mais extraordinárias aventuras ao lado de seus três companheiros: Um robô pensante feito à sua própria semelhança; Simon Wright, a enciclopédia viva, um cientista que para se livrar de uma doença fatal, teve seu cérebro transplantado para um tanque e Otho um guerreiro de cristal que muda de forma quando é necessário.       
A primeira história começa com um parágrafo que dá o tom épico do personagem: “O nome e a fama do Capitão Futuro são conhecidos por todo homem e mulher viventes. As incríveis façanhas do mais assombroso aventureiro da história serão narrados enquanto existir a humanidade”.
                A mitologia criada pelos pulps é tão forte que impregnou o cinema, os quadrinhos e a imaginação de milhões de pessoas no mundo todo. De Indiana Jones ao Super-homem, a cultura pop deste século deve muito aos pulp fictions.

Edição rara - Capitão Gralha

 

Este é um dos itens mais raros da minha coleção. Comprei em um sebo em Curitiba, na década de 1990. A capa estava em péssimo estado de conservação, mas o miolo ainda estava intacto. Infelizmente, os danos à capa tornaram impossível descobrir qual é o número desse gibi (e não há informações no miolo), mas acredito que seja já da fase final do personagem, pouco antes da morte de Iwerten.

Jornada nas estrelas – dia das bruxas

 


Robert Bloch é um dos grandes autores norte-americanos de terror. Discípulo de H.P. Lovecraft, ele foi autor do livro que deu origem ao filme Psicose, de Alfred Hitchcock, até hoje um dos mais assustadores da história do cinema. Ao ser convidado a escrever para Jornada nas Estrelas, era de se esperar que ele trouxesse seu tema predileto para o seriado. O resultado disso foi o episódio “O dia das bruxas”.
Nos seriado, Scotty e Sulu descem para investigar um planeta desconhecido e somem. McCoy, Spock e Kirk descem para resgatá-los e são aprisionados em um castelo medieval – em uma masmorra repleta de esqueletos.
Kirk acaba descobrindo que são prisioneiros de dois seres extraterrestres que aparecem para eles como magos – a mulher pode se transformar em gata e o capitão usa seu charme para descobrir a informação que irá ajudá-los a sair da enrascada.
É um episódio divertido, mas não chega aos pés dos bons episódios da série por uma série de razões, desde a produção pobre até o roteiro (que, afinal de contas não explica o que querem os dois alienígenas). Mas deixou frutos. A mistura de terror e ficção científica aparece em vários outros seriados, inclusive o distópico Logan´s run.
É curioso, no entanto, imaginar se Robert Bloch tivesse ousado trazer a mitologia lovecraftiana para o seriado, mesmo que disfarçada. O horror de Lovecraft é cósmico e se encaixaria bem na proposta de Jornadas. Já imaginaram a Enterprise se deparando com um dos deuses antigos?   

Fundo do baú - Armação Ilimitada

 


O início dos anos 80 parecia uma época de experimentações. A censura estava para cair, os militares estavam saindo do poder de fininho e havia um sopro de liberdade e transgressão no ar. O seriado que melhor sintetizou esse momento foi Armação Ilimitada, exibido pela TV Globo.

O programa surgiu por iniciativa de Kadu Moliterno e André De Biase, que tinha trabalhado juntos na novela Partido Alto. Os dois se tornaram amigos, pegavam onda juntos e queriam um programa que fosse a cara da juventude da época. O diretor Daniel Filho topou produzir a série e chamou para dirigir o novato Guel Arraes. Arraes criou a estética da série, com uma linguagem ágil, muita música, e uma mistura de vídeo-clipe com quadrinhos. Além disso, era comum que os atores quebrassem a quarta parede, conversando com o público, o diretor ou a produção.

Armação Ilimitada inovava também ao apresentar um triângulo amoroso composto por Juba (Kadu Moliterno), Lula (André de Biase) e pela jornalista Zelda Scott (Andréa Beltrão). Zelda, inclusive protagonizava alguns dos melhores momentos da série. Quando se referia ao chefe, suas palavras eram mostradas ao pé da letra. Se ela dizia que ele estava uma pilha, ele aprecia fantasiado de pilha. Se dizia que ele era um porco, ele aparecia com uma cabeça de suíno.

Exibida de 1985 a 1988, a série fez muito sucesso, abrindo caminho para que Guel Arraes se tornasse um dos principais diretores da Globo – e revolucionasse o humor do canal com o TV Pirata.



Uma curiosidade é que os personagens ganharam até mesmo uma história em quadrinhos. Dois álbuns com roteiro de Regis Rocha Moreira e desenhos de Hector Gómez Alisio foram publicados pela editora Nova Fronteira.

Mort Cinder, o homem das mil mortes

 

Hector Oesterheld é certamente um dos maiores escritores de quadrinhos de todos os tempos, rivalizando apenas como Alan Moore. Alberto Breccia é um dos mais revolucionários desenhistas de todos os tempos, tendo criado um estilo que influenciou diversos outros artistas, entre eles Frank Miller. A união desses dois grandes talentos só poderia resultar em uma obra-prima. E essa é a melhor expressão para descrever o álbum Mort Cinder, publicado recentemente pela editora Figura após uma campanha no Catarse.

Mort Cinder poderia ser descrito como a história de um homem imortal, mas essa é apenas uma simplificação grosseira. Mort Cinder é uma história de realismo fantástico, um suspense inigualável, uma obra com forte conteúdo político e histórico.
Quando a série começou a ser publicada na revista Misterix, Breccia pediu a Oesterheld que atrasasse  o surgimento do protagonista porque ainda não havia se decidido quanto à sua caracterização. Mestre absoluto da narrativa, Oesterheld transformou essa limitação em um dos maiores méritos da história. Assim, acompanhamos um antiquário, Ezra Winston, e diversos fatos estranhos que ocorrem com ele, fatos que irão se acumulando até o encontro com Mort Cinder, renascido após ser enforcado. Mas para presenciar esse renascimento – e ajudar o herói – Ezra precisará enfrentar os misteriosos olhos de chumbo. Isso introduz um senso de mistério único na história e faz desse senso de mistério o motor da narrativa. Também introduz uma espécie de realismo fantástico, que lembra muito Jorge Luís Borges.
Breccia era um mestre da experimentação. 


Soma-se isso ao texto poderoso de Oesterheld: “A estrada se faz trilha. Os retalhos de neblina se alongaram à minha passagem. Rãs coaxaram e era como avançar por um oceano morto, já decomposto. A sombra ao meu lado se mexeu”. Quantos roteiristas de quadrinhos chegaram a esse nível de refinamento do texto? Quantos conseguiram criar uma atmosfera tão opressiva apenas com algumas palavras?
Por outro lado, a arte de Breccia é tão impactante, tão inovadora em que cada quadro merece ser visto várias e várias vezes. Breccia não tem limites: usa borrões, cortes de gilette, parece não existir nada que ele não experimente para ajudar a criar o clima da HQ.


Então imagine uma HQ em que cada quadro é uma obra de arte a ser vista e deleitada. E no qual cada balão tem a força e o valor de uma poesia inteira. Esse é Mort Cinder.
O álbum tem 232 páginas, em formato em capa dura, formato A4. É uma publicação de luxo, cujo formato permite apreciar melhor a arte de Breccia. Há um inconveniente: como a publicação original da série, a revista Misterix, variou do formato horizontal para o vertical, a leitura de algumas páginas fica prejudicada, obrigando o leitor a virar o volume. Mas é compreensível: isso foi feito para evitar adulterar a arte original.

Quem é X-9?

 


Não faz muito tempo, os bolsonaristas levantaram uma tag chamando o ex-ministro Moro de X-9. Muita gente não entendeu. Agente secreto X-9 era um personagem de quadrinhos criado por Dashiell Hammett (famoso escritor policial noir) e pelo desenhista Alex Raymond. X-9 era uma espécie de detetive que se infiltrava em quadrilhas para conseguir provas para mandar os bandidos para a cadeia. Como essa era sua principalmente estratégia para colocar os criminosos atrás das grades, a expressão X-9 ficou conhecida na gíria dos ladrões como alguém que entrega informações sobre criminosos para a polícia. A série, distribuída pela King Features Syndicate e fez grande sucesso, sendo publicada nos jornais até 1996.
X-9 se infiltrava em grupos criminosos para conseguir provas. 

Na década de 1960 Archie Goodwin e Al Williamson assumiram o personagem, naquela que seria considerada a sua melhor fase.

Matérias para a Folha de Londrina

 

Entre os anos de 1993 e 1994 eu trabalhei no jornal Folha de Londrina. Embora fosse um jornal de interior, vendia mais que o da capital, a Gazeta do Povo. Também, pudera: a Folha produzia um jornalismo revolucionário para a época, com uma diagramação mais leve, textos curtos e muita experimentação. Enquanto isso, a Gazeta era um jornal extremamente conservador.
Nesse período fiz várias matérias em parceria com Ariel Palácios, hoje corresponde internacional da Globo da revista Época. Também entrevistei gente como Carla Camurati, Neil Gaiman e Sebastião Salgado.
Fiz também várias matérias históricas (eu era o único na redação que tinha saco de passar horas na biblioteca pública consultando documentos, como jornais antigos).
Como a Folha era um jornal inovador, isso nos permitia fazer experimentações.
Na redação eu era conhecido como a pessoa que tirava leite de pedra. Uma pauta básica sobre turismo em Curitiba virava motivo para um texto literário sobre o pouco conhecido Parque do Mate.
Um dos textos que mais gosto dessa fase é a entrevista com Carla Camurati, que segue o modelo de entrevista perfil, com descrições intercaladas à fala da personagem.


Perry Rhodan – O domínio do hipno

 


A maior ameaça enfrentanda nas primeiras histórias da série Perry Rhodan foi sem dúvida o mutante Ivã Ivanovitch Goratchim.

Aliado involuntário do Supercrânio, que usara seu poder mental para controlá-lo, Ivã conseguia nada menos que transformar qualquer pessoa ou coisa em uma bomba atômica.

O personagem fez sua estréia no volume 27 da série, escrito por Clark Darlton. No número anterior o Supercrânio fora vencido na terra e fugira para Marte onde estava sua arma secreta, o homem que podia provocar explosões nucleares. Como vencer um inimigo desses?

Darlton detalha o surgimento do mutante como consequência da explosão da primeira bomba atômica russa, em 1949. Segundo Darlon, o acontecimento surpreendeu e apavorou o mundo ocidental, mas também os cientistas soviéticos quando as condições metereológicas desfavoráveis fizeram com que uma nuvem de poeira radioativa se abatesse sobre eles. Como resultado, Ivã e sua jovem esposa Ludmila tiveram um filho que parecia um monstro de duas cabeças.

Isso por si só já era uma novidade. Os mutantes que haviam aparecido até então na série tinham tido apenas mutações positivas. Afinal, quem não quer ganhar um poder especial? Mas todos sabemos que a radiação na maioria das vezes provoca mudanças negativas, então o surgimento de Ivã torna mais verossímil o exército de mutantes.

A capa alemã mostra Ivan Ivanovicthc. 


Mas há uma outra questão interessante no volume. As duas cabeças são chamadas pelo Supercrânio erroneamente de Ivã e Ivanovitch. Segundo Darlton, o vilão “nunca dera a menor atenção ao fato de que os costumes russos exigem dois nomes para cada pessoa;  no caso de Goratchim, Ivã era o nome propriamente dito, enquanto Ivanovitch apenas significava filho de Ivan”.

É bem possível que a sequência fosse uma homenagem ao escritor russo Nicolai Gógol, cujo conto mais famoso, O capote, era protagonizado por um personagem chamado Akaki Akakievitch – e o nome do personagem era usado como elemento de humor, uma piada que só faria sentido na Rússia.

Clark Darlton nitidamente era fã de Gógol, tanto que um dos episódios escritos por ele na série, O pseudo, era quase que uma adaptação espacial da peça O inspetor geral (O título original era O falso inspetor). Desse modo não é estranho pensar que lá no início da saga de Perry Rhodan já tivesse colocado essa referência à obra do escritor russo.

Livro resgata a história dos quadrinhos paranaenses

 


 

A Biblioteca Pública do Paraná (BPP), por meio do selo Biblioteca Paraná, acaba de lançar o livro Narrativas Gráficas Curitibanas: 210 Anos de Charges, Cartuns e Quadrinhos, do quadrinista, curador e pesquisador José Aguiar. Com 360 páginas e centenas de ilustrações, a obra de referência resgata a memória gráfica local e seus reflexos na cultura nacional, por meio de documentos, biografias e depoimentos.

A edição impressa, com tiragem de mil exemplares, será distribuída para bibliotecas públicas de todos os municípios paranaenses, além de universidades, gibitecas e pontos de cultura do Paraná e de outros estados. Uma versão digitalizada também está disponível para download gratuito aqui . No dia 4 de junho, Aguiar e os pesquisadores Maria Clara Carneiro (Universidade Federal de Santa Maria) e Rodrigo Scama (Uninter) participam de uma live de lançamento para discutir o projeto. O evento acontece às 19h, com transmissão pelo canal youtube.com/BibliotecaPR. Leia mais



Em tempo: O livro me cita em diversos trechos e ainda traz a minha biografia, destacando meu trabalho na criação do Gralha e do Capitão Gralha e da graphic novel Manticore.