quinta-feira, março 02, 2023
Aldebaran, uma das melhores HQs de FC de todos os tempos
Hulk: a encruzilhada
Descartes e o demônio da dúvida
Como escrever quadrinhos
O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.
Livro hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos
quarta-feira, março 01, 2023
A arte impressionante de Al Willamson
Superman - Eu nunca fui o Superboy
Quando John Byrne assumiu o título do Super-homem, ele reformulou o personagem e simplesmente tirou do universo do personagem suas contrapartes, como Superboy e Super-moça. Mas havia um problema: Superboy era essencial para o grupo Legião dos Super-heróis. Afinal, todo o grupo se estruturava em torno da idolatria ao superboy.
Para tentar explicar essa incongruência, Byrne fez uma história em duas partes publicada nos números 8 de Superman.
Na trama, o herói está em Pequenópolis em um encontro com seus pais e Lana Lang quando percebe que algo está acontecendo a pouca distância dali. Ao chegar lá depara-se com a nave da Legião e, sem querer, a ataca com sua visão de calor. Esse acidente leva a uma extensa batalha do Super-homem com a Legião que reverbera a experiência do autor com a Marvel – ao contrário da DC, em que todos eram amigos, na Marvel sempre que dois ou mais heróis se encontravam, eles sempre caíam na porrada.
![]() |
| Byrne recria a primeira história da Legião. |
Quando finalmente as coisas são esclarecidas, Lex Luthor começa a relembrar a relação deles com o Superboy – e Byrne recria, ponto a ponto, a primeira história da Legião, em que eles convidam Superboy para fazer parte da equipe, mas ele falha miservavelmente em todos os testes de admissão, o que era nada mais nada menos que um trote de calouro.
A narrativa prossegue até os dias atuais, quando Cósmico volta para o século XX, descobre que a história da terra não bate com tudo que conheciam (reflexo direto da reformulação feita por Byrne) e desconfiam que tudo é responsabilidade do Senhor do tempo. A Legião tenta chegar à Cidadela dele, no final dos tempos, mas, misteriosamente, acabam indo parar em Pequenópolis, onde parte da equipe é atacada e aprisionada pelo Superboy. Os que escapam entram na nave, que volta para Pequenópolis, onde encontraram com o Super-homem.
![]() |
| O vilão explica a história para o leitor. |
Confuso? Muito. Para explicar esse imbróglio cronológico, Byrne inventa uma trama do Senhor do tempo que envolve até a criação de uma terra paralela – com direito ao próprio vilão explicando para o leitor tudo que está acontecendo, num tremendo bife. Aliás, o que não falta na história são bifes.
O que salvava Byrne é que a forma como ele narrava as histórias era tão agradável que o leitor simplesmente esquecia todos esses problemas e embarcava na trama. Seu traço elegante e sua narrativa visual limpa criavam uma espécie de pacto de verossimilhança com o leitor.
Em tempo: essa história foi publicada no Brasil em Super-powers 11, ocupando metade da revista. A outra metade era uma trama da Legião que continuava os acontecimentos da história anterior.
Os quadros vivos do festival de Laguna Beach
As representações, que duram em média 5 minutos, impressionam pelo fato dos mínimos detalhes dos quadros serem reproduzidos, inclusive sua textura, graças a um trabalho de iluminação, cenário e maquiagem e maquiagem. Até mesmo capas de quadrinhos são homenageadas. Confira abaixo algumas reproduções:
Arte é entropia
O Navio Fantasma ficou exposto, no chão, ao lado de pinturas e fotos eslovenas e foi visto por, talvez, milhares de pessoas.Passaram-se dois meses e ninguém da coordenação da maior exposição de artes da América Latina percebeu o intruso.
Quando a Bienal acabou ele ainda estava lá, no chão, entre outros quadros.Embora o pequeno quadro tivesse sido feito com esmero, o objetivo de Cleiton não foi expor sua arte. Afinal, ele mesmo não leva muito a sério suas produções de final de semana: "Não tive pretensão artística; não sou artista. Estava indo visitar a exposição e tive a idéia de passar esse trote. Foi uma piada".
A brincadeira de Cleiton é, mais do que nunca, oportuna. Ela nos leva a refletir sobre o que é arte.
É esse caráter informativo que faz com que alguns grandes artistas sejam rejeitados em sua época. Van Gogh que o diga. Há, aqui, um jogo de gato e rato entre o sistema e o artista.
Enquanto o artista busca o novo, o sistema quer a redundância. Toda proposta deixa de ser artística quando é assimilada pelo status quo. É por isso que os dadaístas faziam obras sem sentido: numa tentativa de impedir essa apropriação do sistema.Isso nos leva à conclusão de que a arte tem muito a ver com atitude. Quando os dadaístas colocaram um vaso sanitário em um museu, eles estavam fazendo verdadeira arte. Estavam rompendo com nossos conceitos estabelecidos, nos fazendo refletir não só sobre o mundo ou sobre nós mesmos, mas, principalmente, sobre o que é arte. Só é artístico o que está no Museu ou na Galeria? Um vaso sanitário torna-se uma obra de arte só por estar em um Museu?
Entretanto, quem, hoje, colocar um vaso sanitário numa galeria pode ser chamado de idiota.
Alguém já fez isso e isso já foi assimilado pelo sistema. É pura redundância.Fazer arte consiste em encontrar formas diferentes de fazer aquilo que outros fizeram.
Nesse sentido, Cleiton Campos foi o mais importante artista da Bienal. Seu pequeno quadro tinha a mesma importância das grandes obras das artes plásticas não pela qualidade estética, mas, principalmente, pela atitude.
Esse caráter informativo da arte foi bem definido por Caetano Veloso: "Onde queres o ato, eu sou o espírito; onde queres ternura, eu sou tesão; onde queres o livre, decassílabo". O artista não procura acomodar o receptor, mas ao contrário, frustrar suas expectativas (incluindo as expectativas dos críticos de arte).Os exemplos são muitos: Bob Dylan deixando de fazer canções políticas porque seu público estava acostumado a só ouvir canções desse tipo; Alan Moore escrevendo quadrinhos de super-heróis para frustrar o público que só esperava dele trabalhos intelectuais...
Também da teoria da informação tiramos outro conceito importante: o de entropia. Entropia é sinônimo de caos, destruição, degradação, mistura. Embora possa ser muito negativa, ela tem um aspecto importante: o de criação. Toda criação começa com um processo entrópico. Não é por outra razão que Chico Science dizia: "Eu me desorganizando vou me organizar". A obra de Cleiton é entropia para o sistema artístico, mas é também sinergia, pois apresenta a possibilidade de novo.
Livro sobre psicopatas em promoção na Amazon
Meu livro Psicopatas - o perigo invisível está gratuito na Amazon. É uma promoção por tempo limititado, então aproveite clicando aqui.
Azazel: cuidado com o que deseja
Um erro de pronome
Muitos especialistas consideram a nossa época a era da comunicação. Assim, quem não sabe se comunicar corretamente, fica de fora de sintonia com o mundo e tem menos chances de conseguir um bom emprego. Uma ficha preenchida com erros de português certamente não ajuda a conseguir um bom emprego.
E, vejam bem, expressar-se bem não significa apenas escrever corretamente, de acordo com a gramática. Significa também dar fluência ao texto, torná-lo agradável e objetivo. Um relatório claro, sem erros ortográficos ou de pontuação, com frases curtas, tem mais chances de ser lido.
Entretanto, um bom conhecimento de nossa língua pode acabar influenciado até em nossa vida amorosa. É o que mostra o escritor Monteiro Lobato no conto “O Colocador de Pronomes” do livro Negrinha.
A história se passa em uma cidadezinha do interior. Havia ali um pobre moço que definhava de tédio no fundo do cartório. Era escrevente, mas gostava de ler e, pior, de escrever versos lacrimogêneos.
Tudo ia na santa paz até que o moço se apaixonou pela filha mais moça do Coronel da cidade, a Laurinda, linda flor de 17 anos. A filha mais velha, Do Carmo, era o encalhe da família. Já velha para casar, não conseguia bom ou mau partido. Também, pudera: era vesga, histérica, manca de uma perna e meio aluada. Se a mais nova era o ideal de beleza, a outra era feia até não poder mais.
Pois se apaixonou o pobre rapaz e, para extrema infelicidade, escreveu um bilhetinho à amada: “Anjo adorado. Amo-lhe”.
O Coronel, entretanto, interceptou o bilhetinho e chamou o seu autor:
- É seu? – disse, estendendo o papel para o rapaz.
- É... – gaguejou o rapaz.
- Pois agora... – ameaçou o vingativo pai... é casar!
O moço, que já se imaginava morto, ressuscitou. Casar com a filha do Coronel! A moça mais bonita de Itaoca!
O Coronel gritou lá para dentro:
- Do Carmo! Vem abraçar o seu noivo!
O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro. O bilhete fora escrito para Laurinda...
- Sei onde trago o nariz, moço. – esbravejou o Coronel. Você mandou o bilhete à Laurinda dizendo que ama-lhe. Se amasse a ela, teria dito “amo-te”. Dizendo “amo-lhe”, declara que ama uma terceira pessoa, no caso a Do Carmo.
E, pacientemente, o velho explicou que os pronomes se dividem em três: de primeira pessoa, quem fala; de segunda pessoa, a quem se fala, e de terceira pessoa, de quem se fala. E o lhe é pronome de terceira pessoa.
Portanto, nada de dizer “amo-lhe” ou “convido-lhe”. Expressões com essas demonstram que se ama ou se está convidado uma terceira pessoa.
Quanto ao moço? Casou-se mesmo com a megera. Tudo por causa de um pronome...
Decadence, a HQ manifesto da dupla Gian-Bené
Decadence foi produzida para ser uma espécie de manifesto do novo tipo de horror que a dupla Gian Danton - Joe Bennett estava introduzindo no Brasil. Depois de uma rejeição inicial de alguns editores, o sucesso das primeiras histórias da dupla fez com que surgissem pedidos de novas histórias - e aí surgiu a ideia de fazer uma HQ que confrontasse o horror antigo, datado e o novo (não é à toa que o título da história é Decadence). Os dois quebraram a cabeça durante dias para tentar transformar isso numa trama, mas no final, a ideia acabou vindo num sonho de Gian Danton, que acabou sonhando até mesmo com a diagramação da história, logo transformada num rafe, seguido à risca por Joe Bennett. Decadence foi publicada na revisa Mephisto, terror negro.
Perry Rhodan – Gom não responde
Gom não responde, volume 47 da série Perry Rhodan é uma
continuação direta de Projeto aço arcônida, na qual Bell e um grupo de mutantes
vai à conferência dos aras com os superpesados e os mercadores galácticos para
tentar mudar as coordenadas da Terra no computador do único que sabe onde fica
nosso planeta.
No final do volume, eles escapam, mas uma força paranormal
faz com que sua nave caía no planeta Gom. O que acontece com eles e os perigos
enfretados é mostrado nesse volume escrito por Kurt Mahr.
Mahr descreve Gom como uma verdadeira ante-sala do inferno:
“Gom era um mundo de oxigênio, com uma gravitação na superfície de 1,9 e uma
pressão do ar de vinte atmosferas. Um mundo onde o homem não poderia parar de
pé mais que dois minutos e onde precisaria de proteção de trajes espaciais para
não ser esmagado pela fortíssima pressão”.
Se não bastasse isso, o planeta tem como habitantes locais os
solhas, placas marrom escuro que têm grande poder paranormal, sugam matéria e
podem se unir em seres gigantescos. Outra ameaça são os bios, seres artificiais
criados pelos aras.
![]() |
| A capa original alemã. |
Como é possível perceber, esse volume é um verdadeiro triller
de sobrevivência, que vai muito além daqueles que se passavam no planeta Vênus.
Uma surpresa do volume é a forma como Mahr trata Betty
Toufry. O volume, escrito no início da década de 1960 mostra a mutante de forma
pouco usual naquela época eminentemente machista, em que a maioria das heroínas
se limitava a gritar e ser salva pelos heróis.
Quando a nave cai no planeta, por exemplo, todos os homens
acreditam que a teriam que voltar para a nave para resgatar a garota que
estaria morrendo de medo. Mas encontram Betty sentada numa pedra, sorrindo. Já
no final da aventura, Bell aconselha a garota a ficar dentro da nave num
momento de perigo: “O negócio vai começar a pegar fogo, senhorita, o melhor é
ficar dentro da nave”. “Eu gosto de fogo, senhor Bell.”, responde ela. “Além
disso, não gosto que ninguém diga que sou covarde.”.
















































