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| Psicopatas são pessoas acima de qualquer suspeita. |
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| Psicopatas são pessoas acima de qualquer suspeita. |
Marie Severin nasceu em 1929, nos EUA. Sua família tinha forte ligação com arte. Seu pai tinha sido designer e seu irmão mais velho John Severin trabalhava com quadrinhos. Quando ele precisou de alguém para ajudá-lo em suas histórias para a EC Comics, Marie teve sua chance. Ela começou como colorista, mas logo estava desenhando e arte-finalizando. Com o fim das revistas de terror da EC, ela começou a sua longa colaboração com a editora Atlas, que viria a se transformar na Marvel.
Na Marvel ela desenhou Hulk, Namor e foi a ilustradora da primeira história da Mulher-Aranha. Ela também arte-finalizou o traço de diversos desenhistas da editora, incluindo seu irmão na célebre revista do Rei Kull da década de 70.
Marie foi uma das primeiras mulheres a trabalharem com quadrinhos nos EUA.
Ernest Ellert era um mutante que tinha a capacidade de viajar, em espírito, através do tempo. Logo nas primeiras edições da série, ele se separou em definitivo do seu corpo e parecia ter desaparecido. No segundo ciclo descobriu-se que sua habilidade de viajar no tempo o levou para a dimensão dos druufs, onde ele se alojou no corpo de um cientista.
A partir dessa descoberta, ficou óbvio que, em algum momento, o mutante retornaria ao seu corpo e isso aconteceu no número 91 da série.
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| A capa original alemã: o capista não conseguia acertar o visual dos druufs. |
Na trama, o corpo começa a entrar em decomposição. Para tornar a situação ainda mais crítica, Onot, o cientista hospedeiro de Ellert, foi preso por traição e poderá ser morto ou poderá revelar a ação dos terranos. Assim, torna-se urgente transportar o mutante para seu corpo original – e isso só pode ser feito levando o corpo para a dimensão dos druufs.
Escrito pelo humanista Clark Darlton, esse livro mostra os druufs de perto, em especial o principal cientista da espécie – e descobrimos que os seres quadráticos são tão humanos quanto nós. Onot chega a dizer que abomina a violência. Darlton, que já quebrara com o paradigma de que alienígena não humanoide é alienígena mal ao criar Gucky, aqui mostra que mesmo o inimigo pode ter integridade.
O seguinte trecho demonstra esse ponto de vista: “As vidas que colocara em perigo não era vidas humanas, mas sempre eram vidas. Toda e qualquer forma de vida tinha direito à existência e não devia ser destruída. Nem mesmo a do inimigo, caso isso pudesse ser evitado”.
O livro também chama atenção por antecipar as câmeras corporais de policiais, que permitia a uma central de controle rastrear tudo que um policial visse. Considerando que em volumes anteriores nenhum dos escritores ter contado com a possiblidade de câmeras de segurança, Darlton parecia muito à frente de seu tempo e até de seus colegas.
Um detalhe curioso sobre as capas desse livro: o capista norte-americano Gray Morrow preferiu fazer uma capa genérica de ficção científica (muito bonita, por sinal). Já o capista alemão, Johnny Buck, embora tenha feito uma cena do livro, não chegou nem perto de acertar a aparência dos druufs, fazendo uma imagem completamente diferente daquela descrita nos livros.
Eu fico agoniado de ficar parado em uma fila sem fazer nada. Por isso, sempre levo comigo um livro, uma revista. É que o eu chamo de livro de fila, ou de sala de espera. É uma boa dica para quem diz que não tem tempo para ler: se a pessoa usar o tempo que gasta em filas ou esperando no consultório, consegue, só usando esses tempos, ler tranqüilamente um livro por mês.
O livro de fila tem de ser leve não só no peso, mas também na mensagem. Levar um livro técnico para ler em uma fila é dor de cabeça na certa. Histórias divertidas ou contos são os ideais.
Um típico livro de fila foi O Rapto do Garoto de Ouro, de Marcos Rey (Coleção Vaga-lume), que terminei de ler apenas em filas ou enquanto esperava em algum consultório. É impressionante como Marcos Rey consegue ultrapassar os limites da literatura infanto-juvenil, produzindo uma obra que agrada a qualquer idade. A história, assim como as outras protagonizadas pelos jovens Léo, Ângela e Gino, é uma narrativa policial das melhores. O garoto de ouro, um astro do rock, é raptado e os detetives amadores precisam descobrir onde ele está antes que ele seja morto.
Marcos Rey trabalha com uma narrativa simples e ao mesmo tempo elaborada. As frase são curtas, parágrafos pequenos, e, ao mesmo tempo há uma inventividade na construção das frases que os fatos vão se passando e o leitor os lê como se estivesse visualizando-os.
Também de Marcos Rey, e com os mesmos personagens, existem os livros O Mistério do Cinco estrelas, Um rosto no computador e Um cadáver ouve rádio. Leia e indique para seus filhos.
No número 175 da revista do Demolidor surge um dos adversários mais mortais já enfrentados tanto por Elektra quando pelo demônio mascarado: o guerreiro Kirigi. Esse personagem surge na esteira de um processo em que Miller foi colocando, aos poucos, elementos da cultura japonesa nos quadrinhos de super-heróis.
Essa influência era perceptível não apenas no tema, com samurais, ninjas e armas orientais, mas também na linguagem, como na impressionante sequência (tão boa que Miller repete neste número) na qual Kirigi mata de um só golpe três ninjas do Tentáculo. A imagem, dividida em três, para dar uma impressão de movimento, mostra o guerreiro em primeiro plano, de costas, a espada acima de sua cabeça, suja de sangue. Os guenins olham estarrecidos e dizem: “Extraordinário.”; “Nós três...” ; “... com um só golpe...”. No quadro seguinte, os três estão caindo ao chão.
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| Miller trouxe para os comics a influência dos mangás. |
A sequência demostra uma forte influência dos mangás, em especial de Lobo Solitário, mas também mostra que Miller conseguia misturar essa influência com novos elementos, em especial o seu uso genial da elipse quadrinística.
Há outro ponto em que vemos esse uso inteligente da narrativa e que antecipa inclusive Cavaleiro das Trevas, na qual ele usaria um recurso semelhante em uma cena muito parecida. Foggy está em um taxi quando é atacado por um dos campangas do Tentáculo, sendo salvo pelo Demolidor.
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| O carro está sendo atacado, mas só percebemos a luta pelas mãos. Miller usaria recurso semelhante em Cavaleiro das Trevas. |
A imagem é focada apenas no sócio de Matt Murdock, de modo que vemos apenas as mãos dos outros personagens. Miller deixa para o leitor imaginar o que está acontecendo acima do capô do carro.
Na história, o Rei do Crime planta em um dos ninjas do Tentáculo um cartão com o endereço em que o grupo se esconde. Isso faz com que Demolidor e Elektra invadam o local. Enquanto o herói enfrenta campanhas menores, Elektra enfrenta Kirigi em uma sequência impressionante. Ela o acerta de todas as formas, mas ele nunca cai. “Dizem que força mortal alguma é capaz de derrubá-lo. Elektra jamais acreditou em tais histórias... até agora.”, diz o texto.
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| Kirigi não morre? |
Se hoje tudo isso parece impressionante, na época não deveria parecer nada menos que revolucionário.
Um dos aspectos interessantes da coleção clássica Marvel é o fato de muitas vezes eles reproduzirem textos da época, que permitem compreender melhor as estratégias editoriais – o que ainda é complementado pelos excelentes estudiosos italianos que escrevem os artigos de apoio.
O volume 1, dedicado ao Homem-aranha, é um exemplo disso. No texto de introdução, Massimiliano Brighel explica que Martin Goodman não havia gostado do herói aracnídeo e Stan Lee usara uma estratégia para convencê-lo a publicar o personagem. A revista Amazing Adult Fantasy ia ser cancelada no número 15 e Lee sugeriu publicar uma história do novo herói naquele último número.
A capa, de autoria de Jack Kirby, mostra o aracnídeo se balançando numa teia, segurando um malfeitor e dizendo: “Embora o mundo possa zombar de Peter Parker, o adolescente tímido, em breve todos ficarão maravilhados com o incrível poder do Homem-aranha!”. Na mesma capa havia uma caixa com o texto: “Ainda nesta edição: uma mensagem importante do editor para você... sobre a nova revista!”.
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| A capa com a primeira aparição do personagem foi desenhada por Jack Kirby. |
A capa é um ótimo exemplo de como Stan Lee era um gênio da auto-promoção. O diálogo instiga o leitor a querer conhecer o personagem e a chamada o leva a procurar o tal texto do editor. E o que dizia o texto do editor? Esse texto está presente na edição da Panini e diz mais ou menos o seguinte: que a revista iria perder a palavra Adult porque alguns leitores se sentima constrangidos de comprar uma revista que era para adultos, ia mudar o formato, de magazine para comics e, finalmente, a malandragem de Lee: “Como você verá, apresentamos um dos personagens mais incomuns de todos os tempos, o HOMEM-ARANHA, que continuará a aparecer todos os meses em AMAZING. Talvez se suas cartas exigirem, podemos estender suas histórias, ou incluir DUAS aventuras do Homem-aranha em cada edição”.
O texto é uma tremenda malandragem porque Lee sabia que a revista ia ser cancelada, então sabia que o herói não continuaria a aparecer nela. Mas estimulava os leitores para escreverem cartas para a redação. Essas cartas seriam o seu argumento para convencencer Goodman a continuar publicando a revista, mas agora alterada, tendo apenas histórias do heróis aracnídeo.
Mas toda essa estratégia não daria certo se o material não tivesse qualidade. E o que vemos é uma história em quadrinhos realmente empolgante, muito bem narrada, um exemplo de como contar uma boa história em apenas 11 páginas.
A HQ inicia com uma splash page de Peter Parker olhando, desconsolado para um grupo, que caçoa dele. Na parede, sua sombra emula uma aranha. Aquela primeira página já cria uma identificação imediata. As pessoas a tendem a se identificarem e a simpatizarem com personagens vítimas de injustiças.
Segue-se uma sequência em que vemos que Peter Parker vive com os tios, pelos quais sente enorme carinho e mais uma vez ele sendo desprezado pelos amigos porque prefere ir para uma feira de ciências a comparecer a uma festa.
Mais do que uma vítima, Peter Parker é um bom rapaz, querido pelos professores e pelos tios. É também muito inteligente, e possivelmente ganhará uma bolsa de estudos.
Em seguida vemos toda a sequencia célebre: o garoto sendo picado pela aranha, descobrindo que ganhou poderes, aproveitando os poderes para ganhar dinheiro e finalmente descobrindo que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, quando o tio morre por culpa dele, que não parou um ladrão quando poderia fazê-lo. Tudo isso em pouquíssimas páginas!
Uma curiosidade é que, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, naquela primeira história, o Tio Ben jamais falou a famos frase sobre poderes e responsabilidades. Ela aparece apenas na caixa de texto final da história.
O capítulo 10 da série Camelot 3000 marca o início do terceiro ato, quando todas as tramas desenvolvidas se encaminham para sua resolução.
E as coisas não estão boas para a Távola
Redonda.
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| Rei Arthur é acusado de matar os líderes mundiais. |
Mordred se apossara do Santo Graal e mandara
construir com ele uma armadura para si, o que o tornava praticamente
invencível, já que qualquer ferida era curada imediatamente. Ele também
exterminara todos o principais governantes da terra e colocaram a culpa em
Artur.
Em paralelo a isso, Arthur e seus cavaleiros
se encaminham ao décimo planeta, onde a batalha final terá lugar.
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| A Rainha dos alienígenas se alia a Guinevere. |
Os cavaleiros ganham uma aliada inesperada na
figura da rainha dos alienígenas, que pretende se vingar de Morgana por ela ter
escravizado parte de seus filhos.
Mike w. Barr constrói sua narrativa num
crescendo, em que as ações vão se sucedendo na direção de um final que parece
catastrófico.
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| Lancelot e Tristão parecem condenados. |
Lancelot é aparentemente morto por Mordred
enquanto Tristão é aprisionada pelo sargento Owen, que agora pretende matá-la (em
uma imagem de impacto com a moça engasgando e lutando pela vida).
Para tornar essa parte da história ainda mais
célebre, aqui a arte final é de Terry Austin, que valorizava ainda mais a arte
incluindo o fundo preto.
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| Evolução do personagem |
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| Criador e criatura |
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| As histórias do Zé constantemente criticam situações da realidade atual. |
Uma doença chamada flagelo mata a maior parte da humanidade. Ao mesmo tempo em que surge, bebês híbridos, humanos e animais começam a nascer. Ninguém sabe se eles são consequência do vírus ou a causa da pandemia. Na dúvida, a maioria das pessoas os odeia e eles são caçados como animais.
Essa é a premissa de Sweet Tooth, série da Netflix baseada nos quadrinhos de Jeff Lemire publicados pela DC Comics.
Sweet Tooth é centrada no garoto Gus, um híbrido de humano e cervo, criado pelo pai em uma floresta isolada de tudo e de todos. Esse idílio é quebrado quando o pai morre e Gus é aprisionado por caçadores e salvo por um homem chamado na série de Grandão. Grandão era um caçador de híbridos, mas a relação com Gus o transforma e surge daí uma amizade improvável. Os dois empreendem uma viagem, em busca de respostas e da mãe do garoto híbrido. No caminho, conhecem uma garota defensora dos híbridos chamada de Ursa. Forma-se assim um trio improvável e disfuncional, mas que magnetiza a simpatia do expectador.
Jim Mickle, o responsável pela adaptação, fez algumas mudanças. Gus, por exemplo, que é um garoto feio nos quadrinhos virou fofo garotinho na série. O tom também é menos cru. A relação de Gus com o pai, por exemplo, é mais afetiva.
Mas aparentemente, nada do que era realmente essencial na história foi modificado. A premissa das pessoas odiando e perseguindo tudo que é diferente, por exemplo, se mantém. Além disso, o garoto Christian Convery interpreta com perfeição o personagem, conquistando o público desde a primeira tomada.
Muito bem dirigida, a série mistura uma narrativa pós-apocalíptica e uma forte denúncia social com um tom de fábula do tipo que vemos em filmes de Tim Burton, por exemplo. E a trama é envolvente, com personagens carismáticos (interpretados por atores igualmente carismáticos) e sem sequências de pura enrolação como é comum vermos em seriados desse tipo. Tudo ali contribui para a narrativa fluir.
O clima é tão envolvente que acabamos esquecendo que na grande maioria das cenas o único efeito especial é um garoto com uma tiara de chifres na cabeça.