quarta-feira, julho 02, 2025

Psicopatas: uma mente perversa

 

Psicopatas são pessoas acima de qualquer suspeita.
 Você provavelmente não sabe, mas conhece pelo menos um psicopata. Especialistas acreditam que até 3% da população pode ser composta de pessoas com esse tipo de transtorno de personalidade. Isso significa que a cada trinta pessoas, uma é psicopata. E, o mais importante: é aquele que você menos desconfia.
            A maioria das pessoas quando pensa num psicopata, pensa num louco assassino, de cabelos despenteados e cara de mau. Alguém de quem você certamente fugiria se encontrasse numa rua deserta à noite. As ilustrações de Jack, o estripador, refletem essa idéia. Ele geralmente é mostrado com os olhos esbugalhados, a boca distoricida, uma faca na mão e outra contraída em esgar de raiva e ódio. Na verdade, no caso de Jack e da grande maioria dos psicopatas, essa imagem é a mais distante possível da realidade. As prostitutas que foram vítimas de Jack sabiam dos outros assassinatos e não deixariam se aproximar qualquer pessoa suspeita. Além disso, a situação em que ocorreu os crimes demonstra que as vítimas confiavam no assassino. Uma delas até comeu uvas oferecidas por ele.
            Quando a canadense Leslie Mahaffy chegou em casa depois de uma festa e descobriu que os pais tinham deixado a porta fechada, achou que estava com sorte ao encontrar um rapaz de boa aparência e educado, que se ofereceu para ajudá-la. Ela foi com ele até sua casa, onde acabou trancafiada e serviu de escrava sexual durante duas semanas antes de ser morta, esquartejada e colocada em blocos que concretos que seriam jogados em um lago. 
            A literatura criminal mostra que psicopatas são pessoas simpáticas, acima de qualquer suspeita, pois sabem que se revelarem sua verdadeira face, serão presos imediatamente. Assim, adotam uma máscara social. 
            A grande maioria dos psicopatas nunca vai matar, mas viverá de enganar e destruir a vida de outras pessoas. "Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis e deixando carteiras vazias por onde passam", diz o psicólogo canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades mundiais no assunto.
            Hare começou a se interessar pelo tema quando, recém-formado, arranjou um emprego no presídio de Vancouver. Sua função era atender presos com problemas psicológicos e montar perfis psicológicos para pedidos de condicional. Lá ele conheceu um preso chamado Ray. Era simpático, contava histórias envolventes e tinha um sorriso e que fazia qualquer um confiar nele. E o psicólogo confiou. Certo de que o preso estava dedicado a ter uma vida correta, ele o ajudou a passar para serviços melhores dentro da prisão, como a cozinha. Os dois ficaram amigos, até que Hare descobriu que Ray usava a cozinha para produzir bebidas alcoólicas e vender aos colegas. Os funcionários do presídio alertaram o psicólogo para o fato de que ele não foi o único a cair no golpe. Pouco tempo depois, o psicólogo viu a verdadeira face do psicopata: o gente boa Ray sabotou os freios de seu carro, o que quase provocou sua morte.
            A maioria dos criminosos demonstra uma preocupação responsável por seus amigos e parentes. Os psicopatas não se importam com ninguém e não criam laços afetivos.
Para saber mais sobre o assunto, clique aqui. 

Casamento

 


Américo só percebeu que se metera numa enrascada quando já estava casado. A esposa era uma megera. Tratava-o por palerma, idiota, desengonçado... Certo dia, como ele encontrasse dificuldade em consertar um chuveiro, a mulher acrescentou um novo adjetivo á coleção:
            - Nem pra isso você serve, seu imprestável!?!
            Imprestável. Parece que gostou do termo, pois passou a usá-lo em todas as frases dirigidas ao marido:
            - Venha jantar, seu imprestável.... faça a barba, imprestável...
            Com o tempo, Américo foi abandonando todos os seus prazeres. Deixou de comprar livros (ela sempre reclamava dos gastos com esse tipo de bobagem...), deixou de visitar os amigos e, por fim, desistiu até de assistir seus programas prediletos na TV. Isso porque, sempre que estava assistindo algo, ela o chamava com o pretexto de trocar uma lâmpada, enxugar a louça do jantar ou fazer qualquer outros desses serviços domésticos.
            - Você lavou a louça e não enxugou, seu imprestável! - arrematava ela, como agradecimento.
            À medida em que o humor da esposa ia piorando, também ia aumentando seu sedentarismo. Até o ponto em que os vizinhos só tomavam conhecimento dela através dos gritos histéricos com que ela recebia o marido todas as noites...
            Depois de muitos anos trabalhando sempre no mesmo serviço burocrático, chegando em casa sempre à mesma hora, Américo teve, finalmente, uma atitude que se poderia chamar de autônoma. Chegou em casa com um belo aparelho de som. A esposa que já o esperava pronta para reclamar do atraso, não se conteve:
            - Para que isso, seu imprestável? Não sabe que eu não gosto de música?!?
            E desatou a reclamar por duas horas inteiras. Américo gravou tudo. E gravou também a reprimenda do dia seguinte, e do outro. Quando achou que já tinha o suficiente, esganou a esposa e enterrou o corpo no porão.
            A partir de então chegava em casa toda a noite e ligava o toca-fitas. Depois ligava a TV, ou pegava um livro, e se divertia pelo resto da noite. Os vizinhos, acostumados a só saberem da mulher pelos seus tremendos gritos, nunca desconfiaram de nada. Pelo contrário. De vez em quando algum vizinho pensava consigo:
            - Coitado do Seu Américo. Agüenta poucas e boas da sua mulher. Se fosse eu, já a tinha matado...


Obs: Este texto foi o vencendor do I concurso de crônicas e contos da editora Geração. 

A arte espetacular de Marie Severin

 

Marie Severin nasceu em 1929, nos EUA. Sua família tinha forte ligação com arte. Seu pai tinha sido designer e seu irmão mais velho John Severin trabalhava com quadrinhos. Quando ele precisou de alguém para ajudá-lo em suas histórias para a EC Comics, Marie teve sua chance. Ela começou como colorista, mas logo estava desenhando e arte-finalizando. Com o fim das revistas de terror da EC, ela começou a sua longa colaboração com a editora Atlas, que viria a se transformar na Marvel.

Na Marvel ela desenhou Hulk, Namor e foi a ilustradora da primeira história da Mulher-Aranha. Ela também arte-finalizou o traço de diversos desenhistas da editora, incluindo seu irmão na célebre revista do Rei Kull da década de 70.

Marie foi uma das primeiras mulheres a trabalharem com quadrinhos nos EUA.

Marie morreu em 2007, vítima de um AVC. 











Discutindo Filosofia - especial Karl Marx

 

A revista Discutindo Filosofia, da editora Escala, publicava diversos especiais temáticos. Um deles foi sobre Karl Marx, lançado provavelmente no ano de 2013 (a Escala nunca colocava data nas revistas, provavelmente como estratégias para colocá-las de novo nas bancas). Eu colaborei com dois artigos, um sobre a Escola de Frankfurt e outro sobre o livro Para ler o Pato Donald, ambos de grande impacto nos estudos da comunicação. 

Perry Rhodan – O regresso de Ernest Ellert

 

 

Ernest Ellert era um mutante que tinha a capacidade de viajar, em espírito, através do tempo. Logo nas primeiras edições da série, ele se separou em definitivo do seu corpo e parecia ter desaparecido. No segundo ciclo descobriu-se que sua habilidade de viajar no tempo o levou para a dimensão dos druufs, onde ele se alojou no corpo de um cientista.

A partir dessa descoberta, ficou óbvio que, em algum momento, o mutante retornaria ao seu corpo e isso aconteceu no número 91 da série.

A capa original alemã: o capista não conseguia acertar o visual dos druufs. 


Na trama, o corpo começa a entrar em decomposição. Para tornar a situação ainda mais crítica, Onot, o cientista hospedeiro de Ellert, foi preso por traição e poderá ser morto ou poderá revelar a ação dos terranos. Assim, torna-se urgente transportar o mutante para seu corpo original – e isso só pode ser feito levando o corpo para a dimensão dos druufs.

Escrito pelo humanista Clark Darlton, esse livro mostra os druufs de perto, em especial o principal cientista da espécie – e descobrimos que os seres quadráticos são tão humanos quanto nós. Onot chega a dizer que abomina a violência. Darlton, que já quebrara com o paradigma de que alienígena não humanoide é alienígena mal ao criar Gucky, aqui mostra que mesmo o inimigo pode ter integridade.

O seguinte trecho demonstra esse ponto de vista: “As vidas que colocara em perigo não era vidas humanas, mas sempre eram vidas. Toda e qualquer forma de vida tinha direito à existência e não devia ser destruída. Nem mesmo a do inimigo, caso isso pudesse ser evitado”.

O livro também chama atenção por antecipar as câmeras corporais de policiais, que permitia a uma central de controle rastrear tudo que um policial visse. Considerando que em volumes anteriores nenhum dos escritores ter contado com a possiblidade de câmeras de segurança, Darlton parecia muito à frente de seu tempo e até de seus colegas.  

Um detalhe curioso sobre as capas desse livro: o capista norte-americano Gray Morrow preferiu fazer uma capa genérica de ficção científica (muito bonita, por sinal). Já o capista alemão, Johnny Buck, embora tenha feito uma cena do livro, não chegou nem perto de acertar a aparência dos druufs, fazendo uma imagem completamente diferente daquela descrita nos livros. 

terça-feira, julho 01, 2025

O rapto do garoto de ouro

 

Eu fico agoniado de ficar parado em uma fila sem fazer nada. Por isso, sempre levo comigo um livro, uma revista. É que o eu chamo de livro de fila, ou de sala de espera. É uma boa dica para quem diz que não tem tempo para ler: se a pessoa usar o tempo que gasta em filas ou esperando no consultório, consegue, só usando esses tempos, ler tranqüilamente um livro por mês.

O livro de fila tem de ser leve não só no peso, mas também na mensagem. Levar um livro técnico para ler em uma fila é dor de cabeça na certa. Histórias divertidas ou contos são os ideais.

Um típico livro de fila foi O Rapto do Garoto de Ouro, de Marcos Rey (Coleção Vaga-lume), que terminei de ler apenas em filas ou enquanto esperava em algum consultório. É impressionante como Marcos Rey consegue ultrapassar os limites da literatura infanto-juvenil, produzindo uma obra que agrada a qualquer idade. A história, assim como as outras protagonizadas pelos jovens Léo, Ângela e Gino, é uma narrativa policial das melhores. O garoto de ouro, um astro do rock, é raptado e os detetives amadores precisam descobrir onde ele está antes que ele seja morto.

Marcos Rey trabalha com uma narrativa simples e ao mesmo tempo elaborada. As frase são curtas, parágrafos pequenos, e, ao mesmo tempo há uma inventividade na construção das frases que os fatos vão se passando e o leitor os lê como se estivesse visualizando-os.

Também de Marcos Rey, e com os mesmos personagens, existem os livros O Mistério do Cinco estrelas, Um rosto no computador e Um cadáver ouve rádio. Leia e indique para seus filhos. 

Homem-aranha: a vingança de Mesmero

 


Em uma época marcada por grandes roteiristas, Denny O´Neil se destacava por ser um dos mais inovadores. Mesmo em histórias menores ou menos importantes ele se mostrava um mestre da narrativa e uma mente extremamente criativa.
Ótimo exemplo disso é a história A vingança de Mesmero, publicada em Spiderman 207, de 1980 (e no Brasil em Homem-aranha 15).
O´Neil imaginou a história como um espetáculo de variedades e isso já fica claro pela splash page que abre a história, que emula o cartaz de uma apresentação. O próprio crédito é colocado como parte do cartaz: “O renomado senhor Stan Lee, ilustrissímo empresário de incríveis atrações, em associação com os senhores Denny O´Neil e James Mooney, Pablo Marcos, técnico gráfico, apresentam... “.

Na história, Mesmero aluga um teatro para realizar um espetáculo de hipnotismo desastroso, que merece uma crítica severa do articulista do Clarin. Mesmero hipnotiza o crítico teatral e o convence a se matar, o que não acontece por intervenção do Homem-aranha. O vilão então volta sua atenção para o amigão da vizinhança e mesmo sua vingança é pensada como um espetáculo de variedades até o momento final, em que a cortina se fecha.
É uma história fechada, curta, sem grandes pretenções, mas muito divertida. Merecimento do mestre Denny O´Neil.

Demolidor – Desafio

 


No número 175 da revista do Demolidor surge um dos adversários mais mortais já enfrentados tanto por Elektra quando pelo demônio mascarado: o guerreiro Kirigi. Esse personagem surge na esteira de um processo em que Miller foi colocando, aos poucos, elementos da cultura japonesa nos quadrinhos de super-heróis.

Essa influência era perceptível não apenas no tema, com samurais, ninjas e armas orientais, mas também na linguagem, como na impressionante sequência (tão boa que Miller repete neste número) na qual Kirigi mata de um só golpe três ninjas do Tentáculo. A imagem, dividida em três, para dar uma impressão de movimento, mostra o guerreiro em primeiro plano, de costas, a espada acima de sua cabeça, suja de sangue. Os guenins olham estarrecidos e dizem: “Extraordinário.”; “Nós três...” ; “... com um só golpe...”.  No quadro seguinte, os três estão caindo ao chão.

Miller trouxe para os comics a influência dos mangás. 


A sequência demostra uma forte influência dos mangás, em especial de Lobo Solitário, mas também mostra que Miller conseguia misturar essa influência com novos elementos, em especial o seu uso genial da elipse quadrinística.

Há outro ponto em que vemos esse uso inteligente da narrativa e que antecipa inclusive Cavaleiro das Trevas, na qual ele usaria um recurso semelhante em uma cena muito parecida. Foggy está em um taxi quando é atacado por um dos campangas do Tentáculo, sendo salvo pelo Demolidor.

O carro está sendo atacado, mas só percebemos a luta pelas mãos. Miller usaria recurso semelhante em Cavaleiro das Trevas. 


A imagem é focada apenas no sócio de Matt Murdock, de modo que vemos apenas as mãos dos outros personagens. Miller deixa para o leitor imaginar o que está acontecendo acima do capô do carro.

Na história, o Rei do Crime planta em um dos ninjas do Tentáculo um cartão com o endereço em que o grupo se esconde. Isso faz com que Demolidor e Elektra invadam o local. Enquanto o herói enfrenta campanhas menores, Elektra enfrenta Kirigi em uma sequência impressionante. Ela o acerta de todas as formas, mas ele nunca cai. “Dizem que força mortal alguma é capaz de derrubá-lo. Elektra jamais acreditou em tais histórias... até agora.”, diz o texto.

Kirigi não morre? 


Se hoje tudo isso parece impressionante, na época não deveria parecer nada menos que revolucionário.  

Amazing Fantasy 15 - Surge o Homem-aranha!

 


Um dos aspectos interessantes da coleção clássica Marvel é o fato de muitas vezes eles reproduzirem textos da época, que permitem compreender melhor as estratégias editoriais – o que ainda é complementado pelos excelentes estudiosos italianos que escrevem os artigos de apoio.

O volume 1, dedicado ao Homem-aranha, é um exemplo disso. No texto de introdução, Massimiliano Brighel explica que Martin Goodman não havia gostado do herói aracnídeo e Stan Lee usara uma estratégia para convencê-lo a publicar o personagem. A revista Amazing Adult Fantasy ia ser cancelada no número 15 e Lee sugeriu publicar uma história do novo herói naquele último número. 

A capa, de autoria de Jack Kirby, mostra o aracnídeo se balançando numa teia, segurando um malfeitor e dizendo: “Embora o mundo possa zombar de Peter Parker, o adolescente tímido, em breve todos ficarão maravilhados com o incrível poder do Homem-aranha!”. Na mesma capa havia uma caixa com o texto: “Ainda nesta edição: uma mensagem importante do editor para você... sobre a nova revista!”.

A capa com a primeira aparição do personagem foi desenhada por Jack Kirby. 


A capa é um ótimo exemplo de como Stan Lee era um gênio da auto-promoção. O diálogo instiga o leitor a querer conhecer o personagem e a chamada o leva a procurar o tal texto do editor. E o que dizia o texto do editor? Esse texto está presente na edição da Panini e diz mais ou menos o seguinte: que a revista iria perder a palavra Adult porque alguns leitores se sentima constrangidos de comprar uma revista que era para adultos, ia mudar o formato, de magazine para comics e, finalmente, a malandragem de Lee: “Como você verá, apresentamos um dos personagens mais incomuns de todos os tempos, o HOMEM-ARANHA, que continuará a aparecer todos os meses em AMAZING. Talvez se suas cartas exigirem, podemos estender suas histórias, ou incluir DUAS aventuras do Homem-aranha em cada edição”.

O texto é uma tremenda malandragem porque Lee sabia que a revista ia ser cancelada, então sabia que o herói não continuaria a aparecer nela. Mas estimulava os leitores para escreverem cartas para a redação. Essas cartas seriam o seu argumento para convencencer Goodman a continuar publicando a revista, mas agora alterada, tendo apenas histórias do heróis aracnídeo.

Mas toda essa estratégia não daria certo se o material não tivesse qualidade. E o que vemos é uma história em quadrinhos realmente empolgante, muito bem narrada, um exemplo de como contar uma boa história em apenas 11 páginas.



A HQ inicia com uma splash page de Peter Parker olhando, desconsolado para um grupo, que caçoa dele. Na parede, sua sombra emula uma aranha. Aquela primeira página já cria uma identificação imediata. As pessoas a tendem a se identificarem e a simpatizarem com personagens vítimas de injustiças.

Segue-se uma sequência em que vemos que Peter Parker vive com os tios, pelos quais sente enorme carinho e  mais uma vez ele sendo desprezado pelos amigos porque prefere ir para uma feira de ciências a comparecer a uma festa.

Mais do que uma vítima, Peter Parker é um bom rapaz, querido pelos professores e pelos tios. É também muito inteligente, e possivelmente ganhará uma bolsa de estudos.

Em seguida vemos toda a sequencia célebre: o garoto sendo picado pela aranha, descobrindo que ganhou poderes, aproveitando os poderes para ganhar dinheiro e finalmente descobrindo que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, quando o tio morre por culpa dele, que não parou um ladrão quando poderia fazê-lo. Tudo isso em pouquíssimas páginas!

Uma curiosidade é que, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, naquela primeira história, o Tio Ben jamais falou a famos frase sobre poderes e responsabilidades. Ela aparece apenas na caixa de texto final da história.

Camelot 3000 – Prelúdio da Guerra


O capítulo 10 da série Camelot 3000 marca o início do terceiro ato, quando todas as tramas desenvolvidas se encaminham para sua resolução. 

E as coisas não estão boas para a Távola Redonda. 

Rei Arthur é acusado de matar os líderes mundiais. 


Mordred se apossara do Santo Graal e mandara construir com ele uma armadura para si, o que o tornava praticamente invencível, já que qualquer ferida era curada imediatamente. Ele também exterminara todos o principais governantes da terra e colocaram a culpa em Artur. 

Em paralelo a isso, Arthur e seus cavaleiros se encaminham ao décimo planeta, onde a batalha final terá lugar. 

A Rainha dos alienígenas se alia a Guinevere. 


Os cavaleiros ganham uma aliada inesperada na figura da rainha dos alienígenas, que pretende se vingar de Morgana por ela ter escravizado parte de seus filhos. 

Mike w. Barr constrói sua narrativa num crescendo, em que as ações vão se sucedendo na direção de um final que parece catastrófico.

Lancelot e Tristão parecem condenados. 


Lancelot é aparentemente morto por Mordred enquanto Tristão é aprisionada pelo sargento Owen, que agora pretende matá-la (em uma imagem de impacto com a moça engasgando e lutando pela vida).

Para tornar essa parte da história ainda mais célebre, aqui a arte final é de Terry Austin, que valorizava ainda mais a arte incluindo o fundo preto.

No Brasil esses capítulos finais foram publicados em Superamigos (a série havia começado a ser publicada na primeira série de Batman da Abril).

Zé, o carreteiro

 

Na minha família, quem não é professor, é carreteiro. Então o que mais tinha em casa era a revista O carreteiro. Eu adorava as histórias em quadrinhos que fechavam o volume, com o carreteiro Zé e seu ajudante Jesuíno. Considerando que a revista é publicada há mais de 40 anos, é uma das mais longevas HQs já publicadas no Brasil.
Criado pelo quadrinista italiano Michele Iacocca o personagem surgiu em 1970, tendo sido publicado por décadas na revista.
Evolução do personagem

No começo Zé se vestia de maneira esculhambada, bebia e fumava. Era chamado inclusive de Zé Sujinho, nome com o qual chegou a ter uma revista publicada pela editora Abril.

Com o tempo Zé largou o cigarro, deixou de aparecer nas histórias bebendo e passou a se vestir melhor. O traço, no entanto, continua simples, largado, mas muito expressivo.
Criador e criatura

Uma curiosidade é que Iacocca é tradutor de livros do Umberto Eco no Brasil, já tendo inclusive ganhado prêmios por suas traduções.
As histórias do Zé constantemente criticam situações da realidade atual. 

Sweet Tooth

 


Uma doença chamada flagelo mata a maior parte da humanidade. Ao mesmo tempo em que surge, bebês híbridos, humanos e animais começam a nascer. Ninguém sabe se eles são consequência do vírus ou a causa da pandemia. Na dúvida, a maioria das pessoas os odeia e eles são caçados como animais.

Essa é a premissa de Sweet Tooth, série da Netflix baseada nos quadrinhos de Jeff Lemire publicados pela DC Comics.

Sweet Tooth é centrada no garoto Gus, um híbrido de humano e cervo, criado pelo pai em uma floresta isolada de tudo e de todos. Esse idílio é quebrado quando o pai morre e Gus é aprisionado por caçadores e salvo por um homem chamado na série de Grandão. Grandão era um caçador de híbridos, mas a relação com Gus o transforma e surge daí uma amizade improvável. Os dois empreendem uma viagem, em busca de respostas e da mãe do garoto híbrido. No caminho, conhecem uma garota defensora dos híbridos chamada de Ursa. Forma-se assim um trio improvável e disfuncional, mas que magnetiza a simpatia do expectador.

Jim Mickle, o responsável pela adaptação, fez algumas mudanças. Gus, por exemplo, que é um garoto feio nos quadrinhos virou fofo garotinho na série. O tom também é menos cru. A relação de Gus com o pai, por exemplo, é mais afetiva.  

Mas aparentemente, nada do que era realmente essencial na história foi modificado. A premissa das pessoas odiando e perseguindo tudo que é diferente, por exemplo, se mantém. Além disso, o garoto Christian Convery interpreta com perfeição o personagem, conquistando o público desde a primeira tomada.

Muito bem dirigida, a série mistura uma narrativa pós-apocalíptica e uma forte denúncia social com um tom de fábula do tipo que vemos em filmes de Tim Burton, por exemplo. E a trama é envolvente, com personagens carismáticos (interpretados por atores igualmente carismáticos) e sem sequências de pura enrolação como é comum vermos em seriados desse tipo. Tudo ali contribui para a narrativa fluir.

O clima é tão envolvente que acabamos esquecendo que na grande maioria das cenas o único efeito especial é um garoto com uma tiara de chifres na cabeça.